Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

-

"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

-

“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

-

Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
---

“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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terça-feira, 30 de junho de 2026

Mais um artigo do Luis Manuel Dias

 


''A Matilha''…

Há 9 anos - 25Fev17 – partilhei convosco, Amigos e Ledores, o que abaixo está.

Hoje, torno a publicá-lo, pelo encanto, graça, originalidade e ironia, tão precisos no tempo que percorremos, que vamos vivendo…

Lêde, então:

-

Ao jeito de chiste, basta ironia, humor satirizante, para quem fazia mister na época os ouvir, eis o que lhes ’deixaram’ Antero de Quental, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e Guerra Junqueiro um dia, à mesa de restaurante (onde se saciavam e refrescavam com 'licor da lusa vinha', q. b.):

-- ''Quem muito ladra, pouco aprende'' - Antero de Quental;

-- ''Escritor que ladra não morde'' - Oliveira Martins;

-- ''Dentada de crítico cura-se com pêlo do mesmo crítico'' - Ramalho Ortigão;

-- ''Cão lírico ladra à lua; cão filósofo aboca o melhor osso'' - Eça de Queirós;

-- ''Cão de letras - cachorro!'' - Guerra Junqueiro.

E, ‘peça final' dos cinco amigos e comensais:

- ''São cinco cães, sentinelas - De bronze e papel almaço; - De bronze para as canelas, - De papel para o regaço.'' --- ''A Matilha''.

-

(Minha Nota: Os parêntesis, como observarão, reproduzem fidedignamente o 'original' - dos cinco magníficos e predilectos Poetas e Escritores Portugueses meus. Deles, com frequência e em ordem a correctamente nos expressarmos, deveríamos compulsar as obras.

LÊ-LOS será, no modesto, sincero, meu entender, a MELHOR, quiçá a MAIOR HOMENAGEM que podemos prestar-lhes!

Leiam-nos, pois!)

(LMD, 25Jun26)

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Poemas apõs a operação ao coração - Luis Manuel Dias

 

Luis Manuel Diaspublicou noBart Tite - Guiné



Há 4 anos publiquei ‘’Quisera Ser… Assim’’, este soneto.

Hoje, relendo-o, sinto o mesmo que então, um ímpeto vero.

Assim, o reponho, para releitura duns e, decerto, prima leitura de muitos!

Abraço, a todos vós, Meus Amigos e Ledores, com suma amizade.

(LMD, 25.06.26)

===

HOJE, POESIA!

Dela me direis, Amigos Meus, quanto vos tocar.

Bjs e abraços, como uso vo-los distribuir.

À leitura, pois então:

===

QUISERA SER… ASSIM!

-

‘’Uma mão cheia de nada… outra de coisa nenhuma!’’

(ditado popular)

-

Quisera servente ser da fresca lusa língua

Quisera da fala bela outrossim mui amar

Quisera do fadário porventura ser livre

Quisera neste mundo – oh sim! – ir e errar

-

Pudesse ao invés mudava tudo do visto

Pudesse ficava lá nada como previsto

Pudesse um aranzel armava estrídulo

Pudesse parado no ar ficava-me acídulo

-

Pois sim, me perturba e me agrada a vida

Pois sim, comovido ouço canto e belo som

Pois sim, combato, luto, resisto por bom

-

Assim, me sirvo e uso com amor a Pátria

Assim, lhe canto com prazer, endereço loas

Assim e por fim cá resido, na ditosa Mátria!

LMD, 25.06.22.

-

N.B.: Não rima, na mór parte, este meu versejar.

Contudo, de mim brotou como o sinto, franco, verdadeiro.

LMD. Ver menos

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Feliz Natal 2025 -- Poema de Vinicius de Moraes


Feliz Natal para todos os amigos, companheiros, familiares e visitantes.

“VINICIOS DE MORAES Poema de Natal

Para isso fomos feitos

Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos

Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez, de amor

Uma prece por quem se vai

Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte

De repente nunca mais esperaremos…

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.

Vinícius de Moraes. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1974

 

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Lágrima de Preta, António Gedeão

 

Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar


Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.

 

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.

 

Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.

 

Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:

 

nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.

 

(Poema de António Gedeão)

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Poema de Luis Manuel Dias

 Aí vos envio, Amigos Meus Queridos, versinhos de supetão saídos.

Lêde-os, peço. E, deles, dai a notícia resultante, a este poeta às vezes, militante.

Abraço-vos com amizade, gratidão e apreço.



Parole, parole, parole...

(Palavras, palavras, palavras...)

-

Há quem , na alvura das coisas parvas

Use, abusando e muito, só de palavras.

Vemos, no quotidiano sequer vivo e rosado,

Quem, todo o dia vocifera, rubro-arroxeado,

Pelo ouro que não conquistou a pulso ou nado.

-

Ah, ó Numes, duma esfera celeste de oiro gasto,

Bafejai-me de plácida inteligência, sem pasto

Que falte, nas pradarias, ou trigo a mais, basto.

Citai-me contos de amor e fado, sem fadistas,

Porque desejos tenho de flores belas e floristas,

Em mim capazes de me abrir um sorriso alado

Ou, se disso vos fôr mister, ó Divindades, dado.


E se a inocente fala, parolando o ininteligível,

Desconexo termo mastigado, o impossível,

Dela me dai o entendimento, claro, fiável,

Para dialogar sem palavras o basto conto.

É que a palavra pura duma criança vale e tanto,

Como o sermão complexo e longo dum santo,

Mormente se em segredo me diz: - seu tonto!

-

Das palavras crípticas, segredadas, nem pio.

Há tanto de escuro ou de sol claro, luzidio,

No sussurro às esconsas, como nas ditas sonsas,

Em um qualquer beco, ou em noitadas longas.

Se tempo há, nas palavras, se as ligamos à vida,

As largamos assim, à vez, fúteis, sem medida,

E as tornamos um sem-fim rolante, em descida,

Em desfilada vil, talvez inconsequente e nula,

Sem cabeceira, travão, cascos no chão, de mula.

-

Eis do título a razão:  - Parole, parole, parole -

Palavras, palavras, palavras: cada qual engole!

Disse.

LMD, 02.10.24

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Luis Manuel Dias, mais um poema

 Hoje, soneto, inspirado no teor de recente leitura.

Triste e belo conto de Fialho de Almeida, em ‘’O País das Uvas‘’!

Lêde. Apreciai. E disso me dai nota, Amigos meus!

Abraço-vos, com total amizade.

À leitura, pois:

=

FINOU-SE, O FILHO ESPERADO!

Quando e se a pretensão de o ser

Maior é do que a certeza, a razão,

Aí há não que lhe avenha, que sofrer

O que seja, senão por dor e aflição.

-

Assim posto, corre a dita desinfeliz

Nas curvas da amargura, como o diz!

Contudo crê! Anda mais, por amor e afeição,

O filho espera, não chora, só, cosida ao chão.

-

O coitado não vem. Sem resposta nem agravo.

Ah, filho meu, mal-parido, desencantado,

Pudera dar-te a vida eu, como era desejado!

-

Fica-se assim, na mesmice, numa espera vã,

Aquela pobre, triste triste, de mantilha de lã!

O filho, esse, finou-se – dizem – não chega cá!

LMD, 16.04.24.

sexta-feira, 22 de março de 2024

Jovens e Veteranos

 Publicamos o artigo da autoria do Senhor General Chito Rodrigues, JOVENS E VETERANOS, com a devida vénia ao seu autor e à Revista da Liga dos Combatentes.

Este texto é acompanhado dum interessante poema que relata o calvário dos Combatentes.



quarta-feira, 20 de março de 2024

RECORDANDO - HÁ QUATRO ANOS - em pleno confinamento do Covid!!!

 RECORDANDO - HÁ QUATRO ANOS - em pleno confinamento do Covid!!!

LÊDE e RELEMBRAI...

A TODOS abraço, com total amizade.

(LMD, 20.03.24)

=== === ===

HOJE - 20.03.20

Início da equinocial estação da Primavera.

Entre outros, é Dia da POESIA.

Lembro, em 1999, a jornada ‘’A Poesia está na Rua!’’ (alguns saberão a que me refiro).

Assim, aqui me tendes, Amigas/os a vo-la propor!

Beijos e abraços, como costumo vo-los dar.

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VOLUNTARIAMENTE ENCLAUSURADO

O dia em que a Prima me-nos veio visitar

Alegre deveria ser, contudo, e a destoar,

Enfarruscado, tristonho, chuvoso foi e frio.

Distinta, veio de longe a saudar: era a Vera!

-

Esta minha Prima, de quem mui gosto e amo,

A Primavera – pois então – entrou sem reclamo,

Sem parangonas nos periódicos, nem lustrada.

Simples, modesta na aparição, mas engraçada.

-

A etérea sua beleza se configura com o mundo

De modo tal lúcilo, virente, gerador e profundo,

Que se escapa à mente a sua Vera designação

Pela graciosidade, alegria, frescor em transição.

-

Oh, eu? Voluntariamente enclausurado estou.

Não por receio, não! Nem suscepto de maleita,

Que abispado sou, do corrente vírus me abrigo.

Foi mui pensada, quiçá antecipada, a decisão.

-

De curso sinuoso, com picos e baixos avulsos,

A corrente brava se nota que nos por aí roda.

Por ela só, sem temer, fechado me vejo agora

De voluntária, mas mental, operosa reclusão.

-


Nela me sinto, direi ao tempo, bem e mal.

Contraditório, oposição de termos, não tal.

É que cá por dentro tudo gira, corre e volta

Sem quaisquer menções, reparos de monta.

-

E mal, porque coarctado, curto, no defeito

Da acção, do vício do passeio, de sair a eito

Por aí, sem tino nem destino, em caminhada

Ou corrida de velha mas útil bicicleta amada.

-

Confinado, longe de puros espantos, assomos

A entreabertas ou prenhes matas ou clareiras,

Sem mui quem lá passe, plenas de vida, chilreio

Colorido, destacado, em ritmos de puro enleio…

Tanto assim que tal me sinto deveras normal,

Sem em mim perscrutar sintomas, por sinal

Viroso, catafáltico, seja outro que fôr a meio,

Se respiro tranquilo o ar denso num passeio!

-

Voltando à real, crua verdade de tempo assim,

Aqui trancado estou, paredes nuas, só e vivo.

Seria mau, se abaixo por pouco me fosse, sim!

Todavia confiante, calmo, à espreita no postigo.

-

Além, donde espreito, me dou conta num lobrigo

Da parca gente que se afoita, anda por ser preciso,

Sem descurar conselhos de quem sabe e é amigo.

Eis tudo, então: recluído, não diminuto, cá me fico!

LMD, 20.3.20.

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quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Noite fria, gélida...

 Amigos meus Queridos

Reponho, hoje, uns versos, feitos vão já 5 (cinco) anos, neste preciso dia! E o tempo que tem feito jus faz ao teor deles...

Abraço-vos, com fraterna amizade.

Lêde, ou relêde-os...7

(LMD,16.01.24)

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NOITE FRIA, GÉLIDA...

Porque o dia, especialmente no seu findar e para a noite, que já caiu, têm estado extremamente frios, na nossa região de frio húmido, conquanto não chova para já, deu-me para discorrer, versejando, sobre o tema.n

Assim, Vos presenteio, Queridos Amigos meus, com umas bem geladas linhas, de modo a lhe apreciardes o sabor, e qual a textura da frialdade... Após o lerdes, dizei-me algo. Anseio pelas vossas mui desejadas palavras. 

Beijos e abraços, como é meu uso Vo-los distribuir.

Agora, à leitura...

(LMD, 16.01.19)

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Noite fria, gélida, insensível...

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Noite fria, gélida, cinzentona e triste

Cai, sem dó nem piedade, e em riste.

Obtusa, a pérfida, descamba e gela

Quem, por montes, aos animais vela!

Noite crua, de matar, de húmido frio

A gelar corpos quentes e almas a fio...

Ó noite ingrata, quem te deu o ser?

E de longe, célere, vens aqui morrer?

Teu corpo esguio, de beldade sem dó,

Quisera ter seguro, preso bem com nó!

&

Malvada, que me estragas a dedilhação,

Não vês, tu, que me páras a circulação?ko

Tenho sangue forte, fluindo ruborado...

Mora em mim, inteiro, pouco estragado!

Nas mãos tuas, de gelo, frialdade pura,

Quem consegue ter-se, e tem estrutura

Para vivo, cálido, de compleição dura

Te enfrentar, sereno, com compostura?

Noite gelada, com dor as cores minas,

A energia sugas, a mãos e faces minhas!  

Noite fria, de morrer, há deserto em tudo.

Será que o geral fim desejas, contudo?

Cinzenta bruma, soturna, gélida, pungente,

Vai-te, ó insensível noite! Aqui, mora gente!

LMD, 16.01.19.

domingo, 3 de dezembro de 2023

Um poema do Luís Manuel Dias

 Hoje há, Amigos meus, de novo Poesia em modo Soneto. 

Lembro-vos que, embora o Natal perto, somos nada, pouca coisa, deveras ''À Revelia...'', seja dalgum Ente Sumo, seja de nós mesmos, já que assim se exprime, se amostra, a humana condição.

Votos sinceros de Bom Natal, auspiciando ao menos saúde e paz, a quantos me lêem e meus amigos são.

A todos, fraternal, solidário abraço.

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Agora, toca lá a lerem os versos...

===

À REVELIA?

‘Oh, quem sou eu, mortal,

Que se lembrem de mim!’

Por quantas Luas e tanto Sol

Me acho renascido, sem fim?

-

Sou o termo de série natural,

De corpos definidos, restos mil,

Contra quem ares de vendaval

Irados bateram, existente fútil!

-

Pudera! Demora sofresse, nesta areia,

Sede e fome me finariam, de morte feia.

Nada em mim, por inútil, sobraria.

-

Assim, me vejo energia, quiçá ideia,

Que este vão corpo anima, à revelia

Dalgum Ente Sumo, em vera demasia!

LMD, 01.12.23

Luís Manuel Dias

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Lêde, relêde-o... Fernando Pessoa

 Tardia homenagem, quiçá, mas com propósito, pois se dele ''bebo'' cada dia inspiração e jeito, aí vos deixo reposto poema feito a pensar em FERNANDO PESSOA. 

Lêde, relêde-o. Apreciai e dai-me alguma nota disso.

Abraço-vos, a todos, com amizade total.

(LMD, 05.07.23)

À leitura, pois:

=

A FERNANDO PESSOA

Do amigo, pela miríade de linhas deixadas, reconhecido…

-

Nos dias terminais teimava, persistente e fino,

Em continuar isolado, naquele primeiro piso,

Propício e amplamente desguarnecido.

Cigarro após outro, fechado no quarto a fumar,

Melancólica ou freneticamente escrevia.

-

Folhas manchadas a negro,

Com hesitações borradas e bela caligrafia…

Horas a fio, pela madrugada, a beber e fumar…

Tudo feito para se evadir, a fugir… de si,

Como um ignorante do mundo, sabendo-o, e perdido…

-

Para não estar lá onde estava,

Onde estava e não voltar mesmo queria,

De vez acabar com ‘aquela’ vida de farsa,

A ‘correspondência comercial’, de dia, basta…

-

Pela noite adentro, a Musa outra, a feérica Poesia!

Que lhe era medonha, dolorosa, crua, viva ciranda,

A vida de empregado de escritório… Uma zanga!

Bondava a náusea do que lhe sempre fora a vida!

Poetava:‘’Raios partam a vida…’’

Acrescentando: ‘’E quem lá anda!’’

-

De beber proibido, por atenção e mérito,

O fim prestes estaria se bebesse, lhe dizia médico.

Um cálice só, só um mais, ainda!

Serena, confiadamente, pedia…

-

E continuava a lide, a fumar e a beber,

Como alguém realmente persuadido

De a morte nunca ter existido!

Saía, pasta na mão, caminhando à vida, a beber e a fumar…

O fim previsto, vezes intimamente pedido,

Era assim falado: ‘’Neófito, não há morte.’’

-

Pela vez última na Baixa, a derradeira,

Na taberna do Manacés, como se fora a primeira,

Uma vez mais, ali parou a fumar e a beber…

E sussurrou um segredo, do balcão abeirado,

Ao taberneiro, confidente e amigo, mui dobrado:

‘’Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?

-

Não; vou existir. Arre! Vou existir.

E-xis-tir…

E-xis-tir…

-

Dêem-me de beber, que não tenho sede! ‘’

A morte, como bálsamo, não procurava:

‘’Não há morte’’, afirmava.

-

Sim, a existência, o existir…

O ‘’e-xis-tir’’, largo, compassado, bem repetido,

O ‘’e-xis-tir’’ que nunca houvera conhecido!

LMD, 05.07.20.

sexta-feira, 10 de março de 2023

A sonhar nos Mares - poema de Luis Manuel Dias

 


A SONHAR NOS MARES...

Com este título vos apresento, Queridos Amigos, hoje, o poema em forma de soneto. Dele, aguardo me deis apreciação adequada, justa, pelo valimento.

Entretanto, de mim recebereis fraterno abraço, sempre do coração que bem vos quer.

À leitura:

===

A SONHAR NOS MARES

-

Tal como à princesa encantada

O namorado infante, sem o saber, busca,

Por processo e lembrança divina,

Quanto existir faz, aqui, a estrada.

-

Então conclui o passo, certo, medido.

E em pasmo, coberto do irreal vivido,

Volta aos arreios do corcel que o aguarda.

Olhando em derredor, justo, arranca.

-

Será que nascido fui, vim para algo ser,

Além do que me parece a vida correr,

Simples, transitória, alheia, discursiva?

-

Oh, ignoro! Coisa certa é: hão-de morrer,

Todas as agruras, os diversos males e ares.

Órfão, embora, continuo a sonhar nos mares!

LMD - 07.03.23.

sábado, 11 de fevereiro de 2023

O Poema do Luis Manuel Dias, a celebrar a amizade.

 O Poema do Luis Manuel Dias.



"AOS AMIGOS

(Camaradas do BART, Companhias, Pelotões, Secções e Serviços Associados)

Amigos

Que deveras prezo, atendei vos peço.

São uns poucos minutos,

A ler-vos esta homenagem, em verso:

Aos Camaradas da árdua, espinhosa saga,

Companheiros nas esforçadas lides africanas,

Onde ali nos vimos em palpos de aranha,

Frequentemente enrascados, senão enganados…

Aos que no mato caminhamos,

Por bolanhas ou perigosas veredas da selva,

Desterrados fomos no verde e rubro chão da Guiné…

Aos que por bem, afoitos, prestáveis, os primeiros foram,

E aos que demais ajudaram, os socorreram…

A TODOS saúdo, aqui Vos dou as boas-vindas.

.

Aos Camaradas que, pela morte, se foram…

- À memória deles rezo!... – (silêncio, recordação…)

E por nós, nas preces minhas requeiro

Ao Nume Supremo nosso, ao Ser Divino e Puro,

Nos dê, na hora última, suave e breve termo!

E nos livre do inferno – que é esta vida de agora!...

É que a nós, sem remédio, nos bastou já o de outrora!

Da vida, as idas e voltas, numa bolina, de ar fero,

Sempre a sentimos, às costas…

À megera, má, insofrida!

.

À chuva, em desabadas, vivemos.

Com ventos, brutais trovoadas luminescentes,

Ou sob um Sol, tórrido, inclemente,

Numa mescla de húmido e quente,

Que molhados fazia sempre estarmos,

Suportamos o que nem era de gente!

.

A “estância” lá, mau grado tão grande mal,

Um pretexto serviu e bem: TODOS, CADA QUAL,

Fizemos crescer em nós a bela flor matinal,

Em cada dia, na selva, na lama ou na picada!

A luzidia flor da AMIZADE, entre toda a rapaziada,

Pela qual, ano após ano, inda juntos comemoramos!

.

Tanto foi, o suor em sangue feito…

Preito é lembrar! E vem hoje a preceito…

O mór deixámos, na Guiné!

Que nos sirva de memento!

.

Seja, o que ora enfrento,

De bela, sentida, grata recordação,

Que sadio convívio, festivo almoço, a jeito.

Confabulamos, trocamos mil impressões…

Viemos de vários espaços, para cá chegarmos.

Enfim, para reunidos estarmos.

.

Não que nos mirre o bocado

No prato, ou no bornal.

É que, na mente de todos,

Vibra um desejo final:

Amigos, Camaradas, se assim aqui estamos,

Na Titenha terra deixamos Amigos Veros, por sinal.

Gente boa, tantos, os africanos.

Disso sei. Tenho noção.

Connosco p’ra valer ficaram

E bem, no coração!

Luis Manuel Dias  "


segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Um texto muito sentido - de Luís Manuel Dias

 Hoje, um pouco de poesia que, a medrar, ou a marinar, deixei uns dias...

Vêde dela se algo vale e dela me dai apreciação.

Beijinhos, às Meninas. Abraços a todos, do coração.

LMD, 07.01.23.

===

AVANTE SEMPRE!

-

É aproximar-nos, a função da tristeza.

Uns aos outros nos achegar

claro é, com pungente delicadeza,

e, cortesmente, por bem nos deixar.

-

É um elo.

Uma ligação.

-

Um desejo vívido, um anelo

ou, deveras, súbito alarme do coração!

-

Encontra-se, suave e sempre, no centro

do augúrio que fazemos, numa adivinhação

que transcende espúrio, negregado acto malsão.

-

Assim visto, então entendo.

Destarte, entrego ao meu irmão

quanto de bom inda tenho:

desde gestos a amor e fraterna admiração!

-

Não! Vil tristeza não me afoga

não!… Lá longe, no azul celeste voga,

guiando-me, a solar luz que enternece

e aquece o quiçá em desventura ser,

que sou! E na alma, que me possui e faz ver,

larga, abundante energia flui, me desentorpece

em actos de coragem e nobre, valerosa inspiração.

-

Avante sempre, pois então!

-

LMD,04.01.23.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

"Abraços são casas" - poema de Luis Dias


 

ABRAÇOS são CASAS...

Em época natalícia estamos.

Por usos e costumes, adrega de se darem Boas Festas - de modo geral e uniforme.

A mim, agrada-me sobretudo o BOM, FELIZ NATAL, com o Menino Jesus a (re) nascer nos corações de ''boa vontade'' !!!...

---

Todavia, atrevo-me a MAIS… Queridas/os Amigas/os e ledores meus!!!...

E... NÃO É DINHEIRO..., não, de modo algum.

Embora, a TANTOS, pudesse fazer a diferença !!!

Vos requeiro, de boamente, sorrisos, simpatia, ajuda, atenção, boas palavras e - singularmente - amigos, quentes, carinhosos ABRAÇOS...

---

- É que:

ABRAÇOS são CASAS quando não temos tecto.

E se o tivermos, muito IMPORTANTES serão, na mesma.

Dai, então, CADA DIA, a vossos íntimos, aos amigos, aos que vos ''dizem'' algo e com quem conviveis, BONS ABRAÇOS, não de circunstância, dos que fazem pular o coração.

Fazei como eu. E vereis o resultado!

---

Abraços dos meus - a todas/os vós - em modo 'virtual' embora, porém sincero, amigo.

E beijinhos às Meninas, de qualquer idade. Não olvido, no meu carinho, os votos do melhor NATAL, o possível, a todas/os.

Muito Menino Jesus. E saúde, alegria, paz.

LMD, 14.12.22.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Sophia Melo Breyner

 Do site PALAVRAS COM SENTIDO, a quem agradecemos.

Maria Isabel Fidalgo - PALAVRAS COM SENTIDO

29 de Novembro 


Bebido o luar, ébrios de horizontes,

Julgamos que viver era abraçar

O rumor dos pinhais, o azul dos montes

E todos os jardins verdes do mar.

Mas solitários somos e passamos,

Não são nossos os frutos nem as flores,

O céu e o mar apagam-se exteriores

E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

Porquê jardins que nós não colheremos,

Límpidos nas auroras a nascer,

Porquê o céu e o mar se não seremos

Nunca os deuses capazes de os viver.

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN






sexta-feira, 18 de março de 2022

Poesia - pelo Luis Manuel Dias

HA UM ANO...

escrevi o poema que segue, sem de leve prefigurar a TRAGÉDIA que, nos maus tempos do momento, se abate violenta sobre a Ucraniana Gente, obra destemperada da maquiavélica, fria, calculista mente de seu executor: PUTIN!!!

E os laivos históricos, que aqui traduzi, assentam quase na perfeição ao que, lá além - mas tão perto de nós - decorre...

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Lêde, uma, duas vezes, - se preciso - para re-entenderdes o que tento comunicar-vos, Amigos Queridos.

Abraço-vos, Camaradas, com o coração em dor!

(LMD, 15.03.22)

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COMO O PROMETEU?

Por anelos de justiça fui sempre assaltado

Não fôra de experiência por ver postergado

Quanto ou não da vida resultasse: por razões,

Motivos, antecedentes, sei lá encarnações,

Mesmo se inúteis, desprezíveis, criminosos…

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Um desejo, em tudo, de equidade a rodos

Que, pela volta inicial, prática e primeira

De obra profunda me chegou, sem canseira.

Certo que anseios tais, de generosa aspiração,

Verdades continham, sem raiz dolosa, negação.

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De ternura pleno, meu eu albergava, também,

A veracidade crua e nua, mui do real e do bem.

Em mim se fez criado, por um sentir partilhado

E por ansiada, literária talvez, mas crítica acção

E sem peias, livre, de ser completo, incomodado.

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Porventura nisto verão disfarce, máscara que uso,

Face ao intolerável neutro, mesquinho, difuso?

E mesmo morrendo, o ser em si continua vivo,

Creio. Permito-me indiscutível, dado adquirido.

Jamais viveremos vida inteira onde estamos,

Seja, onde habitamos, apresados em nós, ramos

De imenso Ser, diverso do engano de Prometeu!

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Quiçá falte a orientação prévia, ou libreto dado,

À existência nos presenteada, algo de revelado!

No caso do inditoso, por castigo sumo agrilhoado

Se viu, ao ousar roubar fogo para a vida facultar!

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Anátema divino, sagrado! Em cadeias preso viveu

No Cáucaso, onde abutre amaldiçoado, sem fadiga

Devorava o fígado, que de imediato lhe renascia

Num, como era o seu, terrível, impensável penar!

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Ainda bem, havia amigos dentre a humana gente,

Que o mal tentou atalhar, convencendo o parente

Hércules que, ao matar a ave, o libertou do suplício.

Urge a força da união, para estes tempos traduzido!

LMD, 15.03.21

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Boas Festas, pelo Luis Dias

 BOAS FESTAS! BOM NATAL!

São votos, mai-lo poema...

Que vos auguro, sentidamente, passeis nos já prestes dias festivos, em feliz paz e familiar harmonia!

O soneto escrevi-o passam hoje 2 anos (2019), como adrede natalícia prenda, se dessa arte aceite fôr, camaradas e Amigos!

Abraços de fraterna amizade, do coração dados.

Lêde então o soneto e, dele, dizei de vossa justiça.

(LMD, 17.12.21)

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SOMBRA RALA, QUE ME LEVANTA!

Tonto me sinto, zonzo, deveras combalido,

A voz fraca, tremida, distante, num sumiço.

Faço-me de forte, embora lasso, esmaecido

E , sim, quero dar-me apto, lúcido, decidido!

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O coração urge, bate-se-me descompassado,

Em ritmo ora doído, ora cavalar, estonteado,

Nuns bruscos saltos inadvertidos de corrente

Às vezes furibunda, célere, a passo no restante.

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A escrita sai-me baça, descolora-se-me turva

E passeia-se, andarilha sem dó, na penumbra

Que me escapa, íris azul-amarela densa e curva.

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Que direi de mim, que me perturba e espanta?

Sinto-o, francamente sim, como negra sombra.

Curioso! Directa, rala, não consome, até levanta!

LMD, 17.12.19.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Outono, de inicio belo.

 


A todos vós, Camaradas, Amigos e Ledores meus:

Deixo-vos, ao alvedrio, à apreciação de valia, o acabado de cerzir poema sobre o Outono 'Outubrense', o do mês primeiro dele, fresco e vivo!

Abraços, a todos, deste vosso amigo.

À leitura, então:

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OUTONO, DE INÍCIO BELO

A findar-se, já Outubro vai. E velozmente!

Do Outono diz-se ser mês primeiro vivente.

Porque, a fim dele, tanto assim lhe amamos

Os requebros, as fúrias, desvios assaz subtis

E as bizarrias, brusquidão de urdidos tramos,

Ou o doce tempo de virados bruscos, febris,

Que saudades longas no termo faz a todos!

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Não o confundamos com o Outono inteiro.

Nada disso! Ele, aqui, é só o mês primeiro.

Inda menino, nome parecido, bom cheiro.

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Do Verão em fuga, contém-lhe bem o calor

Intenso, no meio vivo, pujante, frutificador.

Contudo, sem corrimaças, notamos o vagar

Das plantas, de fruteiras, em se nos declarar.

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Como, entretanto, numa endiabrada dança

Das árvores se desprende folhame em grupo.

É saber e sabor bom, em tudo. Volta mansa,

Cheirosa onda, ginástico rodopio, um surto…

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Aos tombos da ramagem, na livre queda forte,

Polícromos nacos sem autor voam, sem norte.

Leves tal a neve, secas, soltas perdidas folhas,

Em rondós se volteiam, de espirais belas, tolas.

Atrasadas umas, outras assim-assim e rápidas.

Decerto pensavam em ajustar-se, as sápidas!

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Porque saber e sabor têm-no, em brincadeiras

Brandas, de inocentes e frágeis namoradeiras,

Sem seus trejeitos cuidar de serem estranhos.

Pudera! No fresco torrão, húmido, despojados,

Ali se encharcam, em banhos, tão variegados

Matizes de surpreendentes cores! Nem paletas

De coloristas, ou arte-mór de pintores-poetas!

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Rescendem então, nos ares, os mil milagres!

Normais, crus, uns; outros divinos… Ó, superno!

A requererem, na volta, rápido regresso a lares,

Pois vem aí, não tarda, o frio general Inverno!

LMD, 24.10.21.

domingo, 8 de agosto de 2021

O Toar do silêncio ...


Luis Manuel Dias

Nem de propósito, ó LG - Bart Tite - Guiné! Tenho um poema em parte baseado nesta magnífica e saudosa canção! Vou tentar transpô-lo, aqui: ---------------------------------------- 

O TOAR DO SILÊNCIO

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Será de mim, talvez, espúrio artista,

Que no profundo ar longe do grito frentista

Me acomodo plácido, inerme, insolúvel, ao silêncio

Que em derredor se esparrama e verte, tal cilício

Vergastado com fúria pura, em ares de esperança ida,

Toado pela enormidade aflitiva do cogitado Universo

Que em mim faz figas, toleirão, e prossegue adverso?

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O Som do Silêncio!

‘’The Sound of Silence’’!

Quem dele recorda o som, escassos 50 anos volvidos,

E do quanto dele, entoada a cantiga a pulmões plenos, sinto

Que, mais do que nunca HOJE faz sentido?

O teor da canção derramada em brilhos

Com vozes jovens – de fervorosos e ingénuos?!

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O Silêncio… sonoro e quente!

Intimista, interior silêncio, contra vãos ruídos,

Contra o aflitivo tropel deste mundo em gritos…

Eis a contra-corrente imperiosa, reflexiva, taciturna,

Porque calada - enquanto por aí se vozeia - em ditos

De ideais dantes vivos, hoje mortos-vivos-novos.

A voz interiorizadora da acção geradora, posto que muda!

Ah, quanto falta faz a implícita placidez soturna,

O inteligente poder da calma do Silêncio!

LMD, 28.07.21