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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Ilustres Filhos e Amigos de Tite

Filhos De Sector Tite Ilustres:

Artigo do saudoso Fernando de Almeida :

"Bart Tite - Guiné O Bafode Fati e eu conhecemo-nos no facebook por causa de um site denominado "AMIGOS DE TITE" . Hoje, e, ja' la' vão uns anos, somos amigos. Por via desse mesmo site travei conhecimento com o Dr. Camais Blinque Nafanda, um menino nascido em Foia, por motivo da Mãe ter fugido de Bissessema, devido ao que ai' se iria passar primeiro com a 1743 e depois com a 2314. Hoje o menino é um ilustre cirurgião radicado em Inglaterra. O facebook permite encontrar e travar amizade com gente interessante. Para o Fati, para o Camais e para os camaradas do Bart um grande abraço

Fernando de Almeida"

Também através doFacebook e/ou do blog, fomos travando conhecimento com o falecido Senhor Embaixador Malan Djassi, pessoa de bom trato e sempre preocupado com as noticias daqueles que como nós passamos por Tite. Teve a sua atividade em Londres e Bruxelas. Durante o periodo covid o seu filho contactou-nos para informar do falecimento do seu Pai. Deixou grande saudade entre aqueles que com ele se correspondiam, que era o meu caso.

Através do Senhor Embaixador Malan Djassi conhecemos D. Jabu Mane , natural de Tite e  funcionária da ONG, chamada AMD-QUINARA, em Bruxelas.

Foi através desta Senhora que soubemos que o  falecido Chefe de Tabanca de Tite Abdulai Seidi, se encontra sepultado em Tite, após doença prolongada em Lisboa onde faleceu.

Gente brilhante que leva bem longe e bem alto, o nome de Tite e da Guiné.

Bem hajam!

Leandro Guedes.


Chefe da Tabanca de Tite (falecido)

Embaixador Malan Djassi (falecido) e Esposa

Médico Cirurgião Camais Blinque Nafanda

Dra Jabu Mané, funcionária em Bruxelas da ONG  AMD-Quinara

o nosso saudoso amigo Fernando de Almeida



Tabanca de Tite

O Fernando de Almeida (1º do lado direito), no Enxudé, com três amigos

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Comentários no facebook:

Joaquim Caldeira

Recordar o falecido e querido Fernando Almeida.

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Bafode Fati

Muito obrigado Leandro Guedes gloria eterna meus amigo Fernando de Almeida mas por favor quero contactar a Maria mulher de Fernando de Almeida mas o número so dá caixa postal

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Bart Tite - Guiné

Bafode Fati amigo eu só tenho o numero de telemovel. Vou tentar arranjar o numero do telefone de casa. Abraço.

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Bafode Fati

Bart Tite - Guiné sim eu também tenho dois numero di telefone di Fernando sempre falamos através desse número desde que ele doente nunca mas falamos até a morte o número so da caixa postal quero falar com a Maria porque a Maria mi conhece através de Fernando de Almeida

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Alberto Ferreira

Grato pela partilha!

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Camais Blinque Nafanda

Grato pela atenção ,

Tite é de todos, sobretudo para aqueles como vocês que abraçaram Tite e nunca mais largaram .

Abraços

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Raúl Soares

Depois do que li neste texto, faz-me voltar aos tempos de TITE. Grato pela informação e Tite e o sector de Quinara, por onde passamos, bons e menos bons momentos, não são esquecidos. Abraço aos naturais da Guiné e a todos os que por lá passaram.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

O dia em que a guerra colonial começou na Guiné, em Tite

Transcrevemos mais uma vez, um artigo do Expresso, e do seu repórter Alfredo Cunha, a quem agradecemos, sobre a Guerra Colonial :

23 DE JANEIRO DE 1963, QUARTEL DE TITE

É difícil explicar a geografia da Guiné a quem nunca lá foi. Afinal “aquilo tem o tamanho do Alentejo”. Mas é um engano. Todo o litoral é uma planície pantanosa que se abre à foz de vários rios. O que quer dizer que para descer o equivalente a 30 quilómetros em linha reta, teremos que utilizar um barco ou dar voltas por terra horas sem fim a contornar a boca de várias entradas de rios. E há o terreno de lama. A vegetação. O clima tropical. As chuvas. Os mosquitos. No início dos anos 60, a Guiné não era como as jóias da Coroa: Angola e Moçambique. Para o meio milhão de autóctones de dezenas de etnias, havia uns meros dois mil portugueses da Metrópole. Alguns deles militares, espalhados por quartéis nos principais pontos do país. A zona sul, que faz fronteira com Conacri, terrível em termos de geografia, e que seria comandada por Nino Vieira, iria ser o ponto de partida da guerra na Guiné. Tite, um quartel da tropa portuguesa, foi escolhido para a primeira investida noturna do PAIGC. É conhecido por ser o local do primeiro tiro. E ainda se comemora como tal. É uma data.


O quartel português de Tite ainda lá está. Mas em escombros. Restam as paredes e como sempre o mato vem reclamar o que lhe pertence. Ainda foi ocupado pela tropa guineense, mas abandonado em 1994. A poucos metros, impassível, está um poilão, uma magnífica árvore sagrada com dezenas de metros de altura. À sua sombra, os velhos. E, com eles, a memória. Logo ali dois que lutaram no exército português. Pedro Ussumani, 66 anos; e Brema Jasse, 73. Foram tropa feijão-verde. Brema, aliás, passou de soldado ‘tuga’ a coordenador do PAIGC, e fala desses tempos com cumplicidades e risadas. “Querem um terrorista? Vamos a casa do grande bazuqueiro”, e lá caminhamos umas dezenas de metros até à casa de Braine Sane, 63 anos, o tal artista da bazuca. Tudo amigo. “Fomos soldados, não há rancores”, diz.

Ussumani vai adiantando “que depois das descolonizações há sempre uns exageros”. Mas a questão não era entre guineenses, era da política de Salazar. Gostava de acabar nesta frase. Não posso. Da mesma maneira que entre os jovens não há grande ligação com o poder colonial, há um saudosismo verbalizado sem medo na geração mais velha. Até em combatentes da libertação. Um cansaço da instabilidade. Da destruição. Da pobreza. Mais do que do resto. O que confunde. E ouve-se isto. “Se era para ficar assim, sem nada, com este braço sem força devido aos estilhaços, não tinha ido combater”, diz o bazuqueiro do PAIGC.

E o tal primeiro tiro, como foi? O homem que o deu morreu há poucos meses. E eis que chega à sombra do poilão Pape Dabo, 89 anos, um homem pequenino. Não sabe de ouvir dizer. Esteve presente no ataque de 23 de janeiro de 1963 e participou nas reuniões que decidiram a operação no quartel de Tite. Tiro? Não foi tiro. “Só tínhamos dez armas e a sentinela estava a dormir e, quando avançámos pela porta do quartel, matámos o homem com um canhaco.” Canhaco? É uma lança que se põe num arco. Mas foi com a mão. Perfurou-lhe o pescoço.

Ussumani vai adiantando “que depois das descolonizações há sempre uns exageros”. Mas a questão não era entre guineenses, era da política de Salazar. Gostava de acabar nesta frase. Não posso. Da mesma maneira que entre os jovens não há grande ligação com o poder colonial, há um saudosismo verbalizado sem medo na geração mais velha. Até em combatentes da libertação. Um cansaço da instabilidade. Da destruição. Da pobreza. Mais do que do resto. O que confunde. E ouve-se isto. “Se era para ficar assim, sem nada, com este braço sem força devido aos estilhaços, não tinha ido combater”, diz o bazuqueiro do PAIGC.

Mas voltemos um pouco atrás. Pape Dabo conta a história do ataque como já a terá repetido centenas de vezes. Não permite interrupções. Ele é o narrador e o dono da versão. Começa com ele e o irmão no quartel, a trabalharem como padeiros dos portugueses, e termina depois do ataque com ele a voltar a ser reconhecido pelos militares portugueses como um “dos bons” e, assim, a poder espiar. Pelo meio, o ataque: divididos em quatro grupos, só o primeiro entra no quartel; os portugueses acordam; os tiros; as mortes do lado dos ‘tugas’ terroristas (“terroristas eram vocês do PAIGC”, diz Pedro); depois, teve que voltar no outro dia, foi obrigado a ver os cadáver dos companheiros mortos e ter de fingir que não os conhecia. E recorda ainda quando o comandante alinhou a população na praça em frente ao quartel e disse:

 “A guerra começou.”

domingo, 22 de janeiro de 2023

O Emblema da vila de Tite, foi recuperado

 "Preparação para o 23 de janeiro em Tite começou com recuperação de emblema que simboliza o nosso grande setor Tite obrigado jovens os cacubas de Tite com apoio de todos filhos amigos di Tite força irmãos estamos juntos."

Esta é a noticia de UMARO USHER DE TITE (ver no facebook a sua página), que dá conta da recuperação do Emblema de Tite, que após a saída dos Portugueses ficou muito degradado, tal como todo o quartel que hoje está ao abandono.

Este Emblema, chegou a ser fontanário com ligação ao depósito de água do Quartel, onde o povo de Tite se abastecia. Salvo erro foi iniciado pelo Batalhão 1860, que nos antecedeu e depois o Bart 1914 foi mantendo.

Hoje está recuperado como mostra a imagem seguinte:


Emblema já recuperado, como está hoje.


Estado do Fontanário/Emblema, pouco antes da sua recuperação



Este seria o estado do fontanário quando o BART 1914 saiu de Tite.



Estado do fontanário, durante uma visita humanitária que o Raul Soares fez à Guiné.



Logo após a saída dos Portugueses de Tite, o Fontanário ficou neste estado, tal como todo o Quartel, que ainda hoje está abandonado, com instalações que poderiam ser muito úteis para o Povo de Tite.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

VOTOS DE BOAS FESTAS para o Povo de Tite

 BOAS FESTAS PARA O POVO DE TITE.

Para o Povo de Tite, os nossos votos de Boas Festas e Feliz Ano Novo.

Que consigam ultrapassar os problemas que os afectam a eles e a toda a Guiné.

Um abraço dos militares que estiveram em Tite, entre Abril de 1967 e Março de 1969, do BART 1914 e dos restantes pelotões independentes e Companhias que por lá passaram durante este período.

Leandro Guedes.


antigo posto administrativo

avenida de Tite

estrada para Nova Sintra

árvore centenária em Tite

Raul Soares, numa das suas viagens humanitárias a Tite

Rua entre a Mesquita, ao fundo e a Capela, à direita,  a caminho da pista de aviação. 
(foto do então alf. Trabulo)

domingo, 19 de dezembro de 2021

Feliz Natal para o Povo de Tite

 FELIZ NATAL PARA O POVO DE TITE, GUINÈ

Para todos, sem exceção, naturais, residentes, velhos e novos, homens grandes, mulheres grandes e demais Gentes de Tite, de todas as Raças e Cores, o nosso voto de Feliz Natal.

Convosco passámos dois Natais (1967 e 1968), e não os esquecemos…, não só porque estivemos longe das nossas famílias, mas também porque à vossa maneira, independentemente das vossas etnias, nos acolheram a todos, compreenderam as nossas “Festas”…, e connosco confraternizaram naquela época em que a distância e as circunstâncias da guerra faziam com que sentíssemos, ainda mais, a ausência dos que nos eram queridos….

Queremos agora RENOVAR para todos vós os nosso votos para que este Natal seja um símbolo de amor e paz….!!!

Para vós, Gentes de Tite, votos sinceros de um Santo e Feliz Natal, repleto de harmonia e que o Novo Ano de 2022 vos traga paz, tranquilidade e progresso.

Feliz Natal.

Leandro Guedes




segunda-feira, 19 de julho de 2021

Amigos de Tite

 

De Fernando de Almeida

Bart Tite - Guiné O Bafode Fati e eu conhecemo-nos no facebook por causa de um site denominado "AMIGOS DE TITE" . Hoje, e, ja' la' vão uns anos, somos amigos. Por via desse mesmo site travei conhecimento com o Dr. Camais Blinque Nafanda, um menino nascido em Foia, por motivo da Mãe ter fugido de Bissessema, devido ao que ai' se iria passar primeiro com a 1743 e depois com a 2314. Hoje o menino é um ilustre cirurgião radicado em Inglaterra. O facebook permite encontrar e travar amizade com gente interessante. Para o Fati, para o Camais e para os camaradas do Bart um grande abraço

Fernando de Almeida


Também através doFacebook e/ou do blog, fomos travando conhecimento com o falecido Senhor Embaixador Malan Djassi, pessoa de bom trato e sempre preocupado com as noticias daqueles que como nós passamos por Tite. Teve a sua atividade em Londres e Bruxelas. Durante o periodo covid faleceu e deixou grande saudade entre aqueles que com ele se correspondiam, que era omeu caso.

Através do Senhor Embaixador Malan Djassi conhecemos D. Jabu  Mané, natural de Tite e  funcionária da ONG, chamada AMD-QUINARA, em Bruxelas. Foi através desta Senhora que soubemos que o  falecido Chefe de Tabanca de Tite Abdulai Seidi, se encontra sepultado em Tite, após doença prolongada em Lisboa onde faleceu.

Gente brilhante que leva bem longe e bem alto, o nome de Tite e da Guiné.

Bem hajam!

Leandro Guedes.


quarta-feira, 14 de julho de 2021

Viagens a Tite

 de Bafo de Fati

Meu caro Manuel Rodrigues sim há transporte que faz ligações entre Bissau e Enxude de Barco de segunda feira à quinta-feira depois de sexta-feira à domingo de peroga quanto alojamentos há no missão católica tem bom alojamento com todas condições possiveis depois temos carros de transporte de Tite para Enxude diária mente obrigado si queria outro informações pode mi pidir vou ti dar tudo sobre Tite nesse momento um abraço amigo.

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de Jabu Mane

Boa noite senhor Manuel, o nosso ONG que se Chama A.M.D_Quinara ,organiza uma vez por ano viagem dos Amigos de Tite. Proximo viagem è no mes de Janeiro 2022.

De Lisboa Guine è 4h de viagem, mas de Bruxellas Lisboa Bissau para nos è 7h de viagem. Os amigos de Tite Belgas Sao 7 Pessoas,  4 medicos, 2 professeur e 1 cabeleireira .e queremos contar com a vosa participation se è possivel e Podemos organizer melhor ainda


terça-feira, 13 de julho de 2021

Transportes de Bissau para Tite - alojamento e restauração

"de manuel rodrigues

há 12 horas

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Tambem estive em Tite- 1961-63, fomos os primeiros a chegar ai. Estive um mes no Enxudé, quando estavam a montar as fundaçoes para um cais novo. Alguem me sabe dizer das condiçoes de transporte desde o Enxude ate Tite e ai, havera alojamentos e restauraçao ? Quem souber que diga, por favor.

Manuel Rodrigues."


 Meu caro Manuel Rodrigues. Não temos conhecimento de que haja carreiras periódicas de barcos entre Bissau e Enxudé. Mas há relatos de pessoas que vão e vêm dum lado para o outro o que quer dizer que, mesmo esporádicos, haverá transportes fluviais. Quanto a alojamento e restauração também nada sabemos. Mas o povo de Tite é hospitaleiro e não será dificil "matar a fome" e arranjar onde dormir. Vamos publicar este seu apêlo no nosso blog https://bart1914.blogspot.com  e no nosso facebook. Votos de boa saúde. 

Leandro Guedes.


terça-feira, 22 de junho de 2021

A falta de água em Tite


 

Recebi há pouco um telefonema da Dra. Jabu Mané, que faz parte duma ONG em Bruxelas e que era amiga do falecido Embaixador Sr. Malan Djassi, ambos de Tite, dizendo-me que estão a tentar resolver o problema da água de Tite. Mas os valores monetários em causa, são muito elevados.

Agradece o nosso empenho nesta causa e promete dar noticias em breve.

Disse-me ainda que estão com um projeto em mãos para recuperação das instalações do quartel de Tite, para a população poder usufruir.

Há falta de água em Tite.

 


Numa das páginas dos Filhos de Tite, é feito um apelo desesperado por causa da falta de água em Tite. Dizem eles que as mulheres/mães de Tite, têm que se levantar de madrugada para conseguirem alguma água para todo o dia.

Será bom lembrar que dentro do velho quartel de Tite, junto ao abandonado depósito de água, havia um furo que tinha água em abundancia. Só é preciso fazer um novo furo, com a profundidade necessária. Haja quem se mexa...

Diz o Jose Bento:

“Em 1970 o furo que abastecia o quartel e a bica que estava do lado fora da rede abateu e ficamos sem agua muito tempo. Bebíamos e tomávamos banho com agua da bolanha que era recolhida junto a estrada Tite/Enxudé. Um dia de manhã o pessoal notou que havia muitos peixes mortos, não abasteceram, foi feita analise à agua e verificou-se que tinha sido envenenada. Passado pouco tempo foi feito um novo furo e passamos a ter agua com alguma qualidade e em abundancia”

Gentes, decisores e responsáveis políticos de Tite, leiam o que diz acima, o nosso amigo José Bento.

Diz o José Justo:

"Vendo o estado a que chegaram as instalações do quartel, lamento muito escrever, mas parece-me que destruir é a palavra chave. é pena os benefícios que poderiam advir para a população!! 🙁"

terça-feira, 4 de maio de 2021

Tite é uma memória em ruínas que se vai extinguindo ...

Partilhado do Facebook da CCaç 2314 - Age Quod Agis, a quem agradecemos

Tristezas de Tite que o tempo nos trás e os naturais não souberam aproveitar... como nos documentam as fotos de Francisco Silva e o comentário de Floriano Rodrigues, do BART 6520/72:

Quando "Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para "outra comissão" e quando isso nos acontecer a todos seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história..."

Monumento na Parada interior atualmente

O mesmo Monumento, na Parada interior em 1968 (Carlos Martins)


rua de Tite

interior do Quartel

interior do Quartel

interior do Quartel

Depósito da água que incluía bomba elétrica elevatória

interior do Quartel

interior do Quartel

interior do Quartel 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Faleceu o Senhor Embaixador Malan Djassi

 


"É com imensurável tristeza que anúncio o falecimento do meu pai Malam Djassi.

Mohamed Cardoso Jassi"

 

Nesta foto, com o Senhor Presidente da Republica da Alemanha

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“Boa tarde Sr. Leandro Guedes muito obrigado pelas condolências.

O meu Pai foi diagnosticado com COVID na semana passada e juntamente com o seu problema de saúde crônico dos rins e infelizmente acabou por não resistir nesta passada segunda feira 25 de janeiro.

Mohamed Cardoso Jassi”

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Memórias de uma guerra ... - CCAÇ 2314

 Memórias de uma guerra...

HÁ 53 ANOS…

DESEMBARQUE DA CCAÇ 2314 NA GUINÉ – 15 JANEIRO 1968

Depois de cinco dias de viagem, navegando no Oceano Atlântico, após a saída de Lisboa, a 15 de janeiro de 1968, o navio TT “UIGE” chega a Bissau, na Província Ultramarina da Guiné. Transporta um contingente de tropas, onde estavam incluídos os militares da CCAÇ 2314 que teria como destino o quartel de Tite, na região de Quinara, a sul do rio Geba.

O dia estava quente e as águas do rio muito negras.

O navio Uíge ancorou no meio do rio, entre o Ilhéu do Rei e a cidade de Bissau. O desembarque que começou a meio da tarde, não se efetuou para terra, mas para duas LDM que transportaria a CCAÇ 2314 até ao Enxudé.

Do Enxudé para Tite, o transporte foi efetuado em viaturas onde chegaram cerca das 20 horas.

A ansiedade, associada à curiosidade de saber como seria o desconhecido, fazia esquecer, em parte, a situação de “guerra” que se vivia. Desde o Enxudé até Tite, o percurso foi feito sem qualquer incidente, sem contudo, os tiros esporádicos à passagem das viaturas pela povoação de Fóia, dados pelo camaradas que faziam a segurança. Ainda assustaram!

Em Tite iria ocorrer o treino operacional e, após este, o destino seria o aquartelamento de Jabadá. Mas a tragédia de Bissassema que viria a ocorrer no início de Fevereiro, veio alterar toda a orgânica prevista. Contudo, os elementos do PAIGC não demoraram a dar as “boas vindas” aos novos militares que, como era habitual, eram apelidados de “piriquitos”. Assim, no dia seguinte, 16 de janeiro, por volta das 21 horas e 20 minutos, um Grupo IN, não estimado, flagelou com várias armas ligeiras e pesadas, durante 10 minutos, o aquartelamento de Tite, sem consequências, não só para as “boas vindas”, mas para dizerem que eles estariam por ali. Mal sabiam que teriam ali na CCAÇ 2314, um “osso duro de roer …”

Refira-se que foi em Tite, que a 23 de janeiro de 1963, o PAIGC iniciou a luta armada com um ataque ao quartel vindo das bases na Guiné - Conakry.

Ali, fomos encontrar o Comando do BArt 1914.

15 de Janeiro de 2021.

JT








domingo, 27 de dezembro de 2020

Tite - Quartel, Tabanca e suas Gentes


PARA VER NO MODO "ECRÃ INTEIRO", CLIQUE AQUI EM YOUTUBE 
E DEPOIS NO SINAL DE ECRA INTEIRO.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Feliz Natal para as Gentes de Tite, Guiné - 2020

 FELIZ NATAL PARA O POVO DE TITE, GUINÈ

Para todos, sem excepção, naturais, residentes, velhos e novos, homens grandes, mulheres grandes e demais Gentes de Tite, de todas as Raças e Côres, o nosso voto de Feliz Natal.

Convosco passámos dois Natais (1967 e 1968), e não os esquecemos…, não só porque estivemos longe das nossas famílias, mas também porque à vossa maneira, independentemente das vossas etnias, nos acolheram a todos, compreenderam as nossas “Festas”…, as nossas “Boas Festas” e connosco confraternizaram naquela época em que a distância e as circunstâncias da guerra faziam com que sentíssemos, ainda mais, a ausência dos que nos eram queridos….

Queremos agora RENOVAR para todos vós os nosso votos para que este Natal seja um símbolo de amor e paz….!!!

Para vós, Gentes de Tite, votos sinceros de um Santo e Feliz Natal, repleto de harmonia e que o Novo Ano de 2021 vos traga paz, tranquilidade e progresso, que já é tempo de vos chegar às mãos.

O mesmo que para nós desejamos...

Leandro Guedes


terça-feira, 15 de dezembro de 2020

TITE, 1968 - de Cor. Trabulo

"TITE - 1968

Conjunto académico João Paulo com oficiais da C. 2314, da CArt. 1743 e do Bat. 1914, na sua passagem por Tite, em 31 janeiro / 2 de Fevereiro de 1968.

A 1 de Fevereiro de 1968, tínhamos (CCAÇ 2314) regressado da operação a BISSÁSSEMA, onde ficou instalada uma força composta por um pelotão da CArt. 1743 e dois de africanos sob o comando do Alf. Rosa, quando, em Tite, estava o conjunto João  Paulo. Era uma acção que tinha por finalidade elevar a “moral das tropas" como se dizia. Contudo, não foi bem assim, pois na noite do dia 2, quando a atuação do conjunto estava a terminar, os militares que estavam em Bissássema, sofreram o trágico ataque do PAIGC com consequências terríveis já conhecidas. 

Entre outros, reconhecem-se o cap. Neves, cap. Pereira Rodrigues, alf. Pio, alf. Rodrigues, Ten-Cor Relvas de Lima, alf. Carvalho, alf. Trabulo, alf. Fernando Alves, cap. Jesus Costa, alf. Campos, alf. Barros, alf. Óscar e o conjunto João Paulo (Sérgio Borges, Rui Brasão, Ângelo Moura, Zé Gualberto, Carlos Alberto Gomes e João Paulo).

O conjunto numa Daimler com o alf. Antunes e no abrigo do morteiro 81.

JT"



terça-feira, 1 de dezembro de 2020

A chegada a Tite

 "A Chegada

As bagagens estavam já amontoadas junto ao portaló do convés superior na ânsia de nos libertamos daquela confusão que nos minava o espírito. Será que a saída estava para breve? Ainda fomos passar a última revista ao local onde dormimos durante nove dias na esperança de que algo nos tivesse esquecido arrumar no saco ou mala onde guardámos as nossas poucas coisas. Afinal, muito poucas. Tudo se resumia a duas mudas de roupa, tres equipamentos de farda e aos objectos de higiene pessoal. Tudo muito pouco porque o peso era factor determinante para o sucesso das nossas andanças.

Pelas três horas da tarde, entrou a bordo do paquete Uige um oficial da marinha encarregado de trocar informações com os comandantes militares a bordo. Vinha com uma pasta na qual, suponho, traria os papeis que ditariam o nosso destino. O nosso destino era combater mas cabia a este oficial informar os comandos a bordo, dos locais para onde nos dirigiríamos. Coisa estranha se passou então. A angústia apoderou-se dos nossos espíritos, uma grande ansiedade fazia com que tentássemos adivinhar o nosso destino. Olhávamos para longe e víamos de um lado só rio, com águas sujas, barrentas e uma corrente muito forte que arrastava paus e folhas com uma velocidade muito grande. De outro lado, apenas podíamos vislumbrar o cais e algum casario que se estendia pela encosta fazendo adivinhar uma rua ladeada por árvores que daria para onde? Para o outro lado, uma floresta densa, com árvores de pequeno porte que se estendiam até perder de vista. Seria aquilo a floresta de que nos tinham falado durante a preparação que nos deram antes de embarque? Até aqui o Uíge fora a casa flutuante onde durante aqueles infindáveis nove dias sonháramos com a tropa que tínhamos feito no Portugal já distante. Tropa? Fora um ror de cambalhotas, perfilar, marchar...até parecia que estávamos a ficar maduros para chegar ao teatro da Guiné, ver e vencer. Que ingénuos que éramos. Tres meses de recruta numa das escolas mais bem apetrechadas para esse efeito. Mais tres meses numa outra, também muito famosa, para uma especialidade. Aqui até nos ensinavam a comer lama. Que porcaria. De seguida, não fosse a mobilização tardar, ofereci-me como voluntário para uma companhia de comandos. Tinha a certeza de que a mobilização seria logo após terminar o curso. Só que o não acabei e fui dar instrução para um quartel de infantaria em Aveiro. Aqui, como precaução, ofereci-me como voluntário para a Guiné, na esperança de ver terminado o calvário da tropa. Nem assim tive sorte. Terminada a formação de recruta que dei naquela unidade fui fazer um curso de minas e armadilhas e só a partir daqui soube que estava mobilizado, finalmente para a guerra. E soube porque me mandaram dar instrução a um grupo de valentes rapazes, como eu já mobilizados, sem saber para onde. Com tudo isto passaram-se dezassete meses de infindáveis instruções. Abominável.

Aqui estava eu, agora, cheio de tácticas e psicologias aplicadas, dotado de todas as qualidades de comandante e secção e desejoso de por em prática a minha autoridade e o meu saber.

            A angústia continuou a apoderar-se de todos e era já visível no rosto de cada um o ar de sofrimento pelo que a seguir se passaria. De repente, não me lembro já como, ouvi dizer que o nosso destino era Tite. Onde fica? Como será? O sargento Faria esteve lá na comissão anterior, ouvi comentar ao Alves. Corri para o Faria a fim de obter informações. Homem habituado a estas andanças, o Faria sorriu com a sua cara de maduro – teria já perto de quarenta anos- e disse: é um lugar como os outros. Vai ver que será fácil. Que bom ter ouvido este homem cheio de saber, grande amigo do amigo e excelente jogador de tudo. Onde houvesse jogo, haveria um Faria risonho e bem disposto a passar o seu bocado de tempo e até, porque não, ganhar alguma coisa aos incautos aprendizes de jogo. Lembro-me de um dia ele me dizer que, enquanto nós pudéramos estudar para obter alguma formação académica ele aprendeu a jogar para ganhar algum dinheiro extra.

            Chegara a hora. Angustiado corri para o capitão Neves e quis saber o que ele pensava sobre o local que nos fora designado. Limitou-se a dizer que já ouvira falar. Era um bom sítio para nós ficarmos porque o sargento Faria já o tinha informado. Boa. Finalmente pude tranquilizar-me e, logo que soubemos que iríamos directos do barco para a barcaça que nos transportaria a Tite, fui informar os meus subalternos de que na barcaça teríamos de ir sempre com a cabeça abaixo da linha da amurada para não desafiarmos o “IN”. O que? Então corríamos riscos antes de chegarmos ao aquartelamento? E onde estavam as armas para podermos defender-nos e, sobretudo atacar? A guerra tem cada coisa. Então nós ainda não tínhamos armas e já corríamos riscos? Cala-te. Nem será bom pensar em tal. Se os soldados e os cabos pressentem os teus medos ficam desmoralizados e tu foste preparado para lhes dar ânimo, não para os desmoralizar.

            E lá carregamos as bagagens para a lancha, tendo depois seguido para o cais do Enxudé, local distante de sete ou oito quilómetros do quartel e situado na margem esquerda do rio Gêba e a uns quinze quilómetros de Bissau. Aí estava uma pequena unidade de infantaria que tinha por função guardar aquele cais, não fosse ele cair nas mãos do IN. A viagem pelo rio correu bem. Só fomos distraídos pelas metralhadoras pesadas que armavam aquela embarcação e em resposta a uns tiros vindos da margem direita do Rio. Baixem-se todos, gritava o primeiro-tenente, comandante da nau. E assim que fomos desembarcados, entrámos às pressas para umas viaturas que nos esperavam para nos conduzir a Tite.


            Pelo caminho até nem fomos mal tratados de todo. Só fomos atacados uma vez, junto à tabanca de Fóia e, de imediato, defendidos por uns bravos que guardavam a estrada durante a nossa passagem .Afinal aquela estrada era picada diariamente à procura de minas e guardada por um pelotão que a patrulhava constantemente. Era por ela que se fazia todo o abastecimento civil e militar de Tite.

            Ao longe, embora cada vez menos, íamos distinguindo já umas luzes. Era Tite. Afinal Tite era uma terra. Até tinha luz eléctrica. Só depois de lá ter chegado é que percebi que tais luzes eram só para iluminar o exterior.

            A chegada foi uma confusão. Como já era de noite, percebi que um capitão, muito alto, dava ordens que eu não cheguei a ouvir. Veio, então, um furriel dizer que os sargentos iriam com ele para a messe a fim de poderem jantar e, pelo caminho, foi-nos dizendo que em caso de ataque deveríamos refugiar-nos no abrigo que era ali ao lado.           

            Que chatice. Então e os meus soldados iriam ficar sós? Como se iriam comportar? Tem calma, disse o tal furriel. Eles vão arrumar as bagagens na caserna e de seguida jantar no coberto das cozinhas que era já ali ao lado. Mas eu pouco via por estar escuro, pois não haver luz dentro do quartel e também porque estava desorientado.

            Salta “periquito”.A todo o tempo íamos ouvindo dizer este refrão e só mais tarde fomos informados de que “periquito” era o alcunha dado ao novato na guerra da guiné. Estas aves eram abundantes naquelas paragens de África e o símbolo dos novatos.

            Aos poucos fui-me deslumbrando com o à-vontade com que os meus camaradas mais velhos se movimentavas e riam da situação, gozavam até. Eram homens já com alguma experiência de guerra e isso até se podia ver pela cor da sua pele, já crestada e pelas fardas desbotadas. Já tinham uma boa parte da comissão cumprida. Invejei-os por isso.

            BUMMMM. BUMMMM. BUMMMM. Que é isto? Corram para os abrigos! Por aqui. Não tenham medo; é a sessão de boas vindas e passa já. E passou: foram apenas alguns tiros de armas automáticas e tres ou quatro tiros de canhão para dar as boas vindas aos homens de C CAÇ 2314. Porra. Que merda de guerra é esta. Ainda nem temos armas distribuidas e já fomos atacados três vezes num dia!

            Veio finalmente a hora de ir descansar, após ter passado uma revista ligeira pela caserna dos soldados que já montavam banca para a batota e riam das brincadeiras descuidadas com que iriam passar a primeira noite. Fiquei contente por eles. Afinal éramos ainda umas crianças grandes e vivíamos de forma descuidada mesmo em situação de guerra.

            A caserna dos soldados era feita de blocos de cimento encimados por cobertura de zinco para protecção da chuva. Qual chuva? Estava era um calor danado. Era verão naquela parte do globo. O zinco da cobertura fazia ainda mais calor e os soldados preferiam passar a maior parte do tempo cá fora para saborear o fresco. E também porque naquela povoação havia civis e já por ali passavam alguns curiosos de ver os “piras”, diminuitivo de “piriquitos” e rir das suas fardas ainda coloridas por serem novas e dos seus modos quase envergonhados por estarem em situação tão incómoda. A intervalos, via-se passar uma ou outra “bajuda” com os seus quinze anos verdes mas já maliciosos a querer saber quem a queria para lavadeira. Chiça. Nem de noite esta gente descansa. Bem, deixemos para amanhã e depois se verá em que param as coisas. E assim fiz. Fui dormir numa cama sem mosquiteiro e toda a noite me sacudi para afugentar os mosquitos que me perseguiam com aquele ruido de avião a jacto que incomoda tanto como a sua picada.

            Ainda assim, dormi bem porque acordei bem disposto e cheio de fome. A messe era mesmo ao lado do quarto, facilitando as coisas. Café com pão e manteiga. Ou margarina? Já não me lembro. Não importa. O pão até era muito gostoso e assim continuou a ser enquanto por lá estive. Estadia curta e cheia de peripécias.

Joaquim Caldeira - CCAÇ 2314"