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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra Colonial, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra Colonial, no Entroncamento.


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

RECONHECIMENTO

ESTES SÃO OS EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART. FALTAM AQUI OS EMBLEMAS DAS UNIDADES DA ARMADA E DA FORÇA AÉREA QUE TANTAS VEZES FORAM AO ENXUDÉ, A TITE, A NOVA SINTRA E OUTROS AQUARTELAMENTOS, PARA ENTREGA E LEVANTAMENTO DE CORREIO, O SPM, REABASTECIMENTOS DE GÉNEROS E MATERIAL BÉLICO E OUTRO DIVERSO, OU PARA EVACUAÇÃO DE MORTOS E FERIDOS E TAMBÉM PARA FLAGELAÇÃO DO IN. E AINDA VÁRIAS UNIDADES DE INTERVENÇÃO RÁPIDA TAIS COMO PARAQUEDISTAS, FUZILEIROS, COMANDOS E OUTRAS COMPANHIAS, PELOTÕES OU SECÇÕES, PARA AJUDA EM MOMENTOS MAIS DIFICEIS, NÃO ESQUECENDO AS ENFERMEIRAS PARA-QUEDISTAS.
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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Viagem à Guiné - Roteiro da Memória...



GUINÉ BISSAU - ROTEIRO DA MEMÓRIA
Viagem de Autor com Luís Pedro Nunes e Alfredo Cunha
 🗓 2 Nov 2017 - 12 Nov 2017 | 11 Dias, Tudo incluído
+ INFO sobre itinerá... GUINÉ BISSAU - ROTEIRO DA MEMÓRIA
Viagem de Autor com Luís Pedro Nunes e Alfredo Cunha
🗓 2 Nov 2017 - 12 Nov 2017 | 11 Dias, Tudo incluído
+ INFO sobre itinerário, condições e preço em goo.gl/BVrWHm
A Pinto Lopes Viagens irá levar neste roteiro Alfredo Cunha que, desde 1973, vai regularmente à Guiné e é o autor de algumas das imagens mais conhecidas dos momentos-chave do País, e Luís Pedro Nunes, autor de várias reportagens sobre a vida da Guiné, dos momentos chave da independência e da guerra que envolveu os militares portugueses nos últimos anos do conflito.
O roteiro proposto visa mostrar a Guiné: o país de contrastes, belezas naturais únicas e diversidades étnicas e geográficas que foi palco de uma história militar que marcou uma geração de portugueses.
Será mais do que uma abordagem histórica, o relato de dois jornalistas e da sua relação com a reconstrução dessa realidade do ponto de vista da atualidade, revisitando alguns dos pontos marcantes e de como é possível relacionar-se e relatar algo ainda tão vivo e sensível na memória de tantos.
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PROGRAMA:
1º DIA • PORTO OU LISBOA (AVIÃO) …
Em horário a combinar, comparência no aeroporto escolhido para embarque em voo regular com destino a Bissau, via Lisboa.
2º DIA • … – BISSAU
Chegada de madrugada, assistência nas formalidades de desembarque e transfer para o hotel. Distribuição dos quartos, check-in e tempo livre para descanso. Visita a Bissau, capital da Guiné-Bissau, localizada no estuário do Rio Geba, na costa atlântica. É a maior cidade do país, com o maior porto, constituída como centro administrativo e militar do país. Fundada em 1697 como fortificação militar portuguesa e entreposto de tráfico de escravos, obteve o estatuto de cidade e de capital, estatuto que manteve após a independência. Início das visitas à cidade velha, com destaque para o Cemitério Português, local onde foram sepultados muitos soldados portugueses durante a Guerra Colonial, e onde muitos dos quais permanecem por identificar; à Fortaleza de São José da Amura, estrutura primitiva erguida por forças Portuguesas a partir de 1696, sob o comando do Capitão-mor José Pinheiro. Foi reconstruída várias vezes ao longo dos séculos e, actualmente, abriga o Mausoléu de Amílcar Cabral, líder na fundação do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que, no início da década de 1960, iniciou a luta armada contra o regime colonial; ao Mercado de Bandim, que surgiu no início da década de 60. O entreposto recebeu, numa primeira fase, a denominação de Beco de Bandim, alterada alguns anos mais tarde com o incremento das trocas comerciais para a Feira de Curva de Bandim. Alojamento no Hotel Azalai 4* ou similar. Situado perto do centro de Bissau, as comodidades simples oferecidas pelo hotel dão resposta às exigências e necessidades dos clientes, disponibilizando serviços como internet com quartos agradáveis e climatizados.
3º DIA • BISSAU – CACHUNGO – CACHEU – PRAIA DE VARELA
Ao amanhecer, saída para Cachungo. Visita e encontro com a tribo Manjaco, povo que habita nas margens dos rios Cacheu e Geba. Durante a visita iremos perceber de que forma é que factores como a escravatura, a evangelização, a colonização, a emigração e a globalização contribuíram para a transformação das comunidades Manjaco e a sua influência no Estado da Guiné-Bissau. Seguimos para a região de Cacheu, segunda região mais populosa da Guiné-Bissau. Considerada fonte principal do comércio de Cabo Verde e Guiné, era aqui que os navios portugueses vinham obter escravos e produtos da região. A cidade de Cacheu, capital desta região, torna-se assim muito importante nas relações comerciais, o que leva à construção do Forte de Cacheu. Visita a este Forte, fundado em 1588 por forças portuguesas, com a função de defender a primeira feitoria da região. Além de assegurar a presença militar portuguesa, constituía um importante apoio ao comércio de tecidos manufacturados, marfim e escravos. Neste contexto, é criada a Companhia de Cacheu, fundada em 1675, que visava garantir o direito ao tráfego na Costa da Guiné e no arquipélago de Cabo Verde, assim como de escravos para a Metrópole, os domínios do Ultramar e a América Espanhola. Dotada de extraordinária beleza natural, Cacheu assume-se como principal zona de pesca artesanal do país. Travessia de barco até à Praia de Varela, uma das mais famosas e bonitas da Guiné-Bissau. Alojamento no Aparthotel Chez Hélène, simples mas um lugar muito calmo, no meio da natureza, perto da praia, pintado com as cores de África.
4º DIA • PRAIA DE VARELA – TABANCA DE ELALAB – PRAIA DE VARELA
Visita à Tabanca de Varela, situada a 16 km de São Domingo, e rodeada por belas praias. O seu ar puro e marés constantes são as suas características mais relevantes. Continuação para visita à Tabanca de Elalab, comunidade situada na parte litoral norte da Região de Cacheu. Travessia de barco até à ilha onde se situa esta tabanca. O objectivo da construção das tabancas é melhorar a qualidade de vida das famílias no que diz respeito à higiene de uma forma geral e, em particular, no apoio à gravidez. A comunidade de Elalab é conhecida por ser extremamente activa, empreendedora e bem organizada. Com cerca de 430 habitantes, o arroz é a principal base de alimentação da população local, cultivado em solos salgados recuperados ao mar através de pequenas barragens e diques de cintura construídos manualmente. Também os recursos marinhos são essenciais a esta comunidade, o que torna a pesca uma das actividades principais. Regresso à Praia de Varela. Alojamento.
5º DIA • PRAIA DE VARELA – BISSAU
Manhã para visita à Praia dos Pescadores, assim chamada por ser um porto onde os pescadores partem para a pesca. Esta praia é continuidade da Tabanca de Varela. A sua beleza, águas calmas e ar puro fazem da zona de Varela um ambiente natural onde o sabor de África é genuíno. Regresso a Bissau e tempo livre no centro da cidade para sentirmos a atmosfera da capital guineense. Alojamento no Hotel Azalai 4* ou similar.
6º DIA • BISSAU – GABÚ – BAFATA
Partida em direção a Gabú e visita à maior cidade do Leste do país. Gabú foi a capital do Império Kaabu, reino Mandinga, que existiu entre 1537 e 1867 na chamada Senegâmbia, região que englobava o nordeste da atual Guiné-Bissau, e que se estendia até ao Senegal. Durante o período colonial, a cidade passou a ser designada por Nova Lamego, tendo recuperado o seu nome tradicional após a independência do país. No centro de Gabú está preservado um pequeno núcleo urbano de inspiração colonial. A cidade é também conhecida pela sua população predominantemente muçulmana. Continuação para a cidade de Bafatá. Localizada no centro norte da Guiné, é a segunda maior cidade do país. Construída sobre rio Geba, Bafatá é uma cidade tranquila com uma arquitetura predominantemente colonial, conhecida sobretudo por ser a terra natal de Amílcar Cabral. Perto da casa onde nasceu, em setembro de 1924, existe um pequeno monumento com o seu busto. Em 2011, a casa foi restaurada pela UNESCO, em colaboração com a Comissão Nacional da Organização da Guiné Bissau, com o objetivo de criar uma exposição permanente sobre a vida e obra de Amílcar Cabral. Alojamento no Aparthotel Triton ou similar.
7º DIA • BAFATA – BAMBADINCA – GUILEJE – SALTINHO
Partida em direção a Saltinho. No percurso, passagem pela cidade de Bambadinca, conhecida por ser a primeira cidade a desenvolver electricidade constante, permitindo à população uma melhor qualidade de vida. Mais tarde, com ajustes feitos ao modelo de produção e distribuição de energia eléctrica, desenvolveu-se esta produção a partir de energias renováveis. Continuação para Guileje. Localizada junto à fronteira da Guiné Conacri, o quartel militar português de Guileje foi alvo de vários ataques e emboscadas devido à sua frágil localização e ao facto da envolvente ser maioritariamente mata. Havia uma constante necessidade de deixar o quartel para reabastecimento de provisões e armamento, o que deu origem a várias emboscadas resultantes na morte de muitos militares portugueses. Continuação para Saltinho, onde vamos poder admirar os Saltos do Rio Corubal, famosas cascatas. Este rio é também famoso pelo desastre de Cheche, ocorrido na retirada do quartel de Madina do Boé, que vitimou 47 militares portugueses. Alojamento na Pousada de Saltinho, onde se pode desfrutar de um ambiente calmo e paradisíaco. Nesta pousada contamos com quartos simples mas com as condições necessárias para garantir uma boa estadia.
8º DIA • SALTINHO – BUBA – TITE – SÃO JOÃO (BARCO) – BUBAQUE
Saída em direção a Buba. Situada junto ao Rio Grande de Buba, foi na época colonial ponto de paragem e de importância estratégica nas trocas comerciais e tráfico de escravos. Em 1670, foi aqui fundada mais uma feitoria Portuguesa por forma a garantir a sua supremacia na cidade e suas margens. Continuação para Tite, cidade que albergou o antigo quartel Português de Tite. Este quartel foi o ponto de partida da guerra da Guiné, ao ser escolhido pelo PAIGC como o local da primeira investida, e ficar na história como “o local do primeiro tiro”. Hoje em dia restam apenas as ruínas do quartel e as memórias de um passado sangrento. Continuação até São João para travessia de barco até Bubaque. Alojamento no Hotel Casa Dora ou similar. Este hotel familiar de origens simples, oferece os serviços mínimos a uma estadia confortável, bem como um conjunto de diversificadas actividades e boa gastronomia.
9º DIA • BUBAQUE – ILHA DE SOGA – BUBAQUE
De manhã, visita à Ilha Bubaque, localizada no Arquipélago de Bijagós, considerado Património da Humanidade pela UNESCO devido à sua rica e abundante fauna e flora. A Ilha foi uma das mais afectadas pela presença dos europeus, escolhida pelos colonizadores alemães antes da I Guerra Mundial e pelo Governo Português depois de 1920, como o centro principal das suas actividades no arquipélago. Os alemães construíram aqui uma fábrica para extracção de óleo de palma e um porto para navios de pequena e média tonelagem. Continuação para a Ilha de Soga. Esta ilha tornou-se famosa por ser o local onde foi organizada uma missão altamente secreta pelos “homens do Calvão”. Os indícios dessa operação “saltaram” para conversas quando o Comandante Alpoim Calvão efectuou, anteriormente, uma série de “golpes de mão” clandestinos nos países vizinhos. Foi nesta base militar que foi organizada secretamente a ação militar à Guiné-Conacri, com o objectivo de tomar o poder e aniquilar os principais dirigentes do PAIGC, apelidada de “Mar Verde”. Regresso a Bubaque. Alojamento.
10º DIA • BUBAQUE (BARCO) – BOLAMA (BARCO) – BISSAU (AVIÃO) …
Travessia de barco até à Ilha de Bolama. É a ilha mais próxima do território continental da Guiné-Bissau. Estava desabitada quando os colonos britânicos a ocuparam em 1792. Após uma serie de incidentes, a ilha foi abandonada em 1794. Foi então que, no ano de 1830, Portugal reclamou Bolama e iniciou-se um conflito diplomático pela sua posse. Em 1860 os britânicos declararam sua a ilha a que chamaram “Rio Bolama”, como parte de Serra Leoa, tendo sido concedida a posse novamente a Portugal em 1877. Mais tarde, após uma ação militar portuguesa, Bolama assumiu oficialmente o estatuto de primeira capital da Guiné Portuguesa, condição que manteve até à sua transferência para Bissau, em 1941. Hoje possui restos da ocupação colonial portuguesa com edifícios à procura da recuperação. Continuação de barco para Bissau. Jantar de despedida com música local. Após este em horário a combinar localmente, transfer ao aeroporto de Bissau para embarque em voo regular com destino ao Porto, via Lisboa.
11º DIA • … – PORTO OU LISBOA
Chegada a Portugal. Fim da viagem e dos nossos serviços.
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CAROS AMIGOS:  Tendo em conta que uma viagem à China, lá no Oriente, por onze dias, fica por pouco mais de 2.000 €, temos que convir que os 3.300 € pedidos para esta viagem a Guiné, aqui tão perto, é demasiado. No entanto haverá sempre alguém interessado. A viagem, segundo o programa apresentado, é de onze dias e no oitavo dia, passará por Tite, como a seguir se enuncia:
"8º DIA • SALTINHO – BUBA – TITE – SÃO JOÃO (BARCO) – BUBAQUE
Saída em direção a Buba. Situada junto ao Rio Grande de Buba, foi na época colonial ponto de paragem e de importância estratégica nas trocas comerciais e tráfico de escravos. Em 1670, foi aqui fundada mais uma feitoria Portuguesa por forma a garantir a sua supremacia na cidade e suas margens. Continuação para Tite, cidade que albergou o antigo quartel Português de Tite. Este quartel foi o ponto de partida da guerra da Guiné, ao ser escolhido pelo PAIGC como o local da primeira investida, e ficar na história como “o local do primeiro tiro”. Hoje em dia restam apenas as ruínas do quartel e as memórias de um passado sangrento. Continuação até São João para travessia de barco até Bubaque. Alojamento no Hotel Casa Dora ou similar. Este hotel familiar de origens simples, oferece os serviços mínimos a uma estadia confortável, bem como um conjunto de diversificadas actividades e boa gastronomia"
Fica o convite, a sugestão para quem se quiser aventurar a ir ao encontro da história, da qual fazemos parte. Não esqueçam as redes mosquiteiras, o quinino, os repelentes e as vacinas anti malária, os antibióticos apropriados, etc etc...
Um abraço.
Leandro Guedes

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A Guiné Bissau e os leões...!!!

GUINÉ-BISSAU: O "CHEFE DE TABANCA" MENTIU?

Quando chegámos à Guiné, em março de 1970, uma das nossas primeiras curiosidades foi a de saber se havia no território animais selvagens, como leões, chimpanzés, leopardos, antílopes, hipopótamos, crocodilos e outras espécies. Um idoso indígena, sábio “chefe de tabanca”, foi peremptório: “Eu nunca vi, mas pode ser que haja. Eu andei muitos anos no mato”.
Estávamos em África, numa Guiné densamente povoada de floresta (savana e estepe), com rios e suas ramificações, bolanhas e terrenos alagadiços. Habitais e climas eventualmente propícios a tais espécies.
Na Guiné permanecemos cerca de dois anos, em missão militar e traiçoeiro ambiente de guerra. Percorremos vastas áreas, selva adentro, muitas vezes em condições extremas, e o máximo que vimos foram répteis, macacos e pouco mais. Nem vestígios de tais animais vimos.

Passaram 46 anos e eis que, de repente, somos despertados para uma notícia intitulada “Leões da Guiné-Bissau em maior número”. Não pode ser!? É a nossa primeira reacção. A notícia fala de elefantes, leões, crocodilos, hipopótamos, búfalos, chimpanzés, onças, tigres, hienas, gazelas, répteis, babuínos…! Na Guiné-Bissau!?
Porquê havia de mentir o velho-sábio “chefe de tabanca”? Porquê durante dois anos, a viver no “mato” e a percorrer centenas e centenas de quilómetros na densa selva, nunca vimos um leão, hipopótamo e outros animais selvagens citados na notícia?
Crocodilos, leões, hipopótamos... o "chefe de tabanca" mentiu?
Será marketing turístico? Parques naturais de vida selvagem? Promover a Guiné como destino turístico para ver leões e outras espécies, no seu habitat… não será vender gato por lebre? Viver no mundo do fantástico!
NB: "Chefe de tabanca" é o ancião reconhecido como o que mais sabe sobre a vida da comunidade. Homem experiente e sábio.
João Godim.
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Esta noticia que agora partilhamos, está inserida no blog do nosso amigo João Godim, a quem agradecemos.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

VIAGEM À ILHA DE BUBAQUE.


Do blog

"Kurt": Amizade, Viagens, Aventura e muito mais ... !



 publicamos este interessante artigo sobre uma viagem à Ilha de Bubaque, nos Bijagós, Guiné/Bissau.Para a semana publicaremos o restante.
Mas ficamos à espera da conclusão da viagem que ainda não está visível naquele blog.
Obrigado aos autores.
"Viagem à Ilha de Bubaque, arquipélago dos Bijagós.
Há viagens e viagens e há aquelas que ficam registadas na nossa memória. Pelos bons ou maus motivos, ou por ambos, como foi o caso desta deslocação aos Bijagós.
O arquipélago dos Bijagós é constituído por cerca de uma centena de ilhas e ilhotas situadas no oceano Atlântico, ao longo da costa da República da Guiné-Bissau de cujo território fazem parte integrante. Dado o estado de “pureza” em que se encontram, a Unesco classificou-as como Reserva Ecológica da Biosfera em 1996. Entre as ilhas mais importantes, salientam-se a Caravela, Formosa, Galinhas, Maio, Orango, Roxa e Bubaque, tendo sido esta última, o destino da minha viagem.
No seu conjunto, haverá pouco mais de uma dúzia de ilhas habitadas. As outras, ou são visitadas sazonalmente ou possuem mistério ( feitiço), e como tal, são consideradas sagradas pelos Bijagós, etnia que dá o nome ao arquipélago. Estas ilhas possuem uma riqueza natural excepcional, tanto a nível de recursos naturais como a nível cultural. Praias virgens, de águas cristalinas, cálidas brisas agitando palmeirais a perder de vista e a riqueza da sua fauna e flora, fazem delas um lugar paradisíaco, destino de sonho para qualquer viajante.
Numa passagem anterior pela Guiné, enquanto militar em serviço naquela antiga província ultramarina portuguesa, ouvira falar da ilha de Bubaque por ser muito frequentada por camaradas que ali gozavam a sua licença, por vezes na companhia das esposas que para o efeito se deslocavam desde a metrópole. Com o tempo, a povoação de Bubaque tornou-se numa requintada estância de férias que passou a acolher também, para além da hierarquia militar, altos dignitários ligados ao governo provincial bem como o jet set da colónia. Ali não faltava nada, desde um excelente hotel tiporesort, o Hotel Bijagós, que teve a sua época áurea no final da década de sessenta, altura em que foi ampliado com diversos bungallows, tal era a procura, uma danceteria anexa para mais de mil pessoas, um soberbo bar-esplanada debruçado sobre a praia e um conjunto de outras estruturas vocacionadas para o turismo. Havia também alguns edifícios administrativos de grande porte, vilas ao estilo colonial e residências de abastados comerciantes de origem europeia. De tudo isto, o que podemos encontrar hoje são apenas vestígios.
Os abastecimentos faziam-se através de ferry com o que de melhor e mais fresco chegava da Europa. Para maior comodidade e conforto dos turistas e visitantes, um aeródromo situado próximo do extremo sul da ilha transportava-os desde Bissau e outras localidades do território continental. O transfer para o hotel, fazia-se em autocarro próprio, cujos restos mortais ainda por lá sobrevivem.
Como se adivinha, os aliciantes para visitar os Bijagós eram muitos e a vontade, imensa e antiga.
Com o Rui Pedro, meu companheiro nesta viagem, planeei um itinerário em que numa primeira etape seguiríamos até Bissau num voo da Tap, deixando para segundas núpcias o esquema da deslocação até às ilhas, dada a falta de elementos informativos.
Embarcámos em Lisboa numa sexta feira tendo viagem decorrido sem acontecimento digno de registo. Excepto à chegada, quando o Rui não foi dentro por um triz! Mal acabara de pôr o pé em terra, rapou da filmadora e toca a captar umas vistas do aeroporto e material por ali estacionado. Foi quanto bastou para, uns metros à frente, ter uma comissão de boas vindas a aguardá-lo. Valeu-nos um amigo que nos acompanhava, o Manuel Neves, pessoa muito conceituada no meio policial local que rapidamente sanou a situação."
jUAN
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De José Luis Patricio, um amigo e ex-combatente, alferes em Bolama, recebemos o seguinte email:
Li a mensagem na madrugada de sexta-feira (hoje) e fiquei a pensar se tinha sonhado quando andei por Bubaque (e Bijagós em geral). Fui lá algumas vezes em patrulhamentos de acção psicológica (contacto com as populações, distribuição de algumas coisas que pediam: tabaco, árvores...). Havia uma realidade chamada Estância, composta por habitações ao estilo da terra, cobertas de colmo e redondas, se me não engano. Aquilo a que o nosso Duarte Pacheco Pereira no Esmeraldo... chama «casas palhaças», isto é, com cobertura de palha ou colmo. Muito agradável, com o fundão, o canal a separar Bubaque da ilha de Rubane, em frente.
Não guardo memória da realidade descrita, na dimensão apontada:
Com o tempo, a povoação de Bubaque tornou-se numa requintada estância de férias que passou a acolher também, para além da hierarquia militar, altos dignitários ligados ao governo provincial bem como o jet set da colónia. Ali não faltava nada, desde um excelente hotel tiporesort, o Hotel Bijagós, que teve a sua época áurea no final da década de sessenta, altura em que foi ampliado com diversos bungallows, tal era a procura, uma danceteria anexa para mais de mil pessoas, [...] 
E mais.
Continuação de boas férias
Um abraço

JL

sexta-feira, 1 de julho de 2016

GUINÉ/BISSAU - A Região de Quinara


REGIÃO DE QUINARA

A região de Quinara, com uma superfície de 3 138,4 Km² é composta pelos setores de Buba, Empada, Fulacunda e Tite.  Encontra-se no centro da Guiné-Bissau e aqui predomina a etnia Beafada. Se Buba tem grande potencial turístico em termos naturais, já Empada, Tite e Fulancunda não têm atualmente relevância turística digna de se assinalar. São regiões que se dedicam essencialmente à agricultura e pesca artesanal.

A CIDADE DE BUBA , CAPITAL DA REGIÃO DE QUINARA

A cidade de Buba, capital de região, fica a 223 Km de  Bissau, percorridos numa estrada alcatroada e em boas condições. Com 744,2 Km² e uma população estimada em 17 123 habitantes, Buba é habitada pelas etnias Beafada e Mandinga, existindo em menor percentagem Fulas, Balantas, Manjacos e Papeis.

A cidade fica na margem do rio Grande de Buba e vive essencialmente da pesca, da agricultura e do comércio. a cultura é essencialmente de arroz, amendoim e milho e é praticada a agricultura itinerante que recorre às queimadas, uma prática que ameaça a floresta endémica desta região, última mancha da floresta primária da Guiné-Bissau.

A cidade de Buba merece uma visita rápida e geral, sem nada de especial a assinalar que justifique uma paragem.  Serve, no entanto, de ponto de partida para uma visita ao Parque natural das Lagoas de Cufada, a poucos quilómetros da cidade ou para um passeio de barco no rio Grande de Buba.  A cerca de duas horas de carro de Buba fica São João onde é possível apanhar uma piroga motorizada que numa curta travessia nos transporta até à ilha de Bolama. Saindo de são João, também podemos encontrar a 2 Km a bonita praia de Colónia.

(IN GUIA TURISTICO À DESCOBERTA DA GUINÉ-BISSAU, de Joana Benzinho e Marta Rosa, com a devida vénia)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

GUINÉ/BISSAU - Cultura e Desporto

CULTURA
A Guiné-Bissau possui uma herança cultural bastante rica e diversificada, com uma multiplicidade de ritmos, instrumentos musicais, danças e manifestações culturais.
O folclore guineense é muito rico e varia muito entre etnias, não só pela expressão corporal, como nos trajes ou sons e instrumentos que acompanham esta manifestação cultural riquíssima que está muito presente no quotidiano guineense, como em dias festivos, funerais ou nas cerimónias de iniciação como o Fanado. o grupo “os netos do Bandim” permite-nos, nas suas atuações, viajar pela grande diversidade folclórica das etnias do país.
A arte na Guiné-Bissau assume grande importância pelo papel que desempenha na religião e nos ritos animistas, tendo uma relação muito próxima com o sobrenatural, pois permite a comunicação com os irãs (Deuses) e os antepassados. a arte guineense mais valiosa e mais rara é a arte Bijagó mas as etnias nalu, Papel e Manjaca são também conhecidas pelas suas esculturas. estas esculturas são normalmente máscaras de animais (como tubarões, touros, vacas, hipopótamos) e são usadas durantes os ritos ou danças tradicionais. a cestaria, os panos de tear (pano de pente) e tingidos ou a olaria são também algumas das manifestações culturais típicas da Guiné-Bissau.
A música faz parte do quotidiano na Guiné-Bissau, estando muito presente nos momentos duros da lavoura, nos tempos de ócio, em cerimónias como casamento, de iniciação, batizados ou funerais. o género mais conhecido na Guiné-Bissau é o Gumbé, uma mistura de diversos estilos musicais. ocorrem durante o ano vários festivais de música, sendo o mais conhecido o Festival de Bubaque que se realiza no fim-de-semana da Páscoa em Bubaque, arquipélago dos Bijagós, e que reúne ali os melhores músicos da atualidade.
O músico de maior referência na Guiné-Bissau, por ser um símbolo da resistência ao colonialismo e autor dos poemas musicados mais conhecidos, é José Carlos schwartz, já falecido. na cena musical contemporânea, podemos referir os super Mama Djombo, tabanca Djaz, Dulce neves, Bidinte, issabary, Justino Delgado, Kaba Mané, ramiro naka,  zé Manel, Karyna Gomes, eneida Marta, Klim Mota, atanásio atchuem, Binhan Quimor , Charbel Pinto, iragrett tavares, Manecas Costa, Miguelinho nsimba, Demba Baldé ou Patche di rima.
De salientar três instrumentos musicais característicos da Guiné-Bissau: o Kora (instrumento musical Mandinga, constituído por uma cabaça com adaptação de uma viola, estando a parte aberta forrada com couro de cabra, atravessada de lado a lado por um pau redondo que forma o braço principal do instrumento. este liga-se às 21 cordas que estão dispostas verticalmente). O Balafon (xilofone com lamelas de madeira  pau-de-sangue dispostas paralelamente sobre 4 suportes de cana de bambu) e a tina (trata-se de um recipiente cilíndrico com água onde se coloca uma cabaça oca virada para baixo a boiar), também conhecida por tambor de água e muito utilizada na música guineense.
Na literatura, saliente-se, Amílcar Cabral, poeta e autor de importantes ensaios políticos e discursos nacionalistas, abdulai silá (romancista, poeta), Agnelo regala (poeta), Carlos-Edmilson Vieira, tony Tcheca (poeta), Félix siga, Hélder Proença, Vasco Cabral, António Baticã Ferreira (poeta), Odete Semedo, Julião de sousa (historiador), Francisco Conduto de Pina, Carlos Lopes, Filinto de Barros ou saliatu da Costa.
No que respeita aos artistas plásticos podemos destacar augusto trigo, Ismael hipólito Djata, Sidney Cerqueira, Lemos Djata, João Carlos Barros, Anselmo Godinho, Malam Camara,  Manuel ou Fernando Júlio.
Na sétima arte mencione-se Flora Gomes, cineasta guineense diversas vezes premiado e reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho ou o jovem cineasta Filipe Henriques.
DESPORTO
O futebol é o desporto rei na Guiné-Bissau e as equipas mais conhecidas são o sport Benfica e Bissau e o sporting Clube de Bissau. Vários são os futebolistas guineenses a jogar em equipas internacionais. a Guiné-Bissau tem igualmente tido algum destaque nas modalidades de Judo e Luta a nível internacional.
 (IN GUIA TURISTICO À DESCOBERTA DA GUINÉ-BISSAU, de Joana Benzinho e Marta Rosa, com a devida vénia)

sexta-feira, 17 de junho de 2016

GUINÉ/BISSAU - Gastronomia


GASTRONOMIA

A cozinha tradicional guineense não nos deixa indiferentes pela palete de sabores, aromas, ingredientes e cores que usa. Uma cozinha simples mas surpreendente, resultante do cruzamento da cultura gastronómica ancestral africana - com produtos da terra como  legumes ou fruta que só ali encontramos - com as matizes da cozinha tradicional portuguesa.

As ostras de raiz ou de rocha são abundantes na Guiné-Bissau e convidam a um bom convívio debaixo do mangueiro. os camarões de Farim são outra iguaria a não perder.

A lima, a malagueta, o óleo de palma ou o caldo de mancarra (amendoim) são omnipresentes na cozinha guineense caracterizada por sabores intensos e temperados. a acompanhar o “mafé” - o conduto composto por molhos e caldos de carne, marisco ou peixe  - encontramos invariavelmente o arroz. os peixes como a Bica são muito apreciados e normalmente comem-se grelhados com um molho feito à base de cebola, limão e malagueta. e claro, arroz!

Como pratos mais característicos, de referir o Caldo de Chabéu (feito com óleo de palma, quiabos, carne ou peixe), o Caldo de Mancarra (caldo de amendoim com carne ou peixe), siga (confecionado com quiabos, carne ou peixe e camarões), Pitche-Patche de ostras (arroz de ostras), Cafriela (galinha da terra ou carneiro grelhados com molho de limão, malagueta e cebola), caldeirada de cabrito ou cabra grelhada. De referir que há etnias que comem macaco, o que constitui uma verdadeira ameaça para algumas espécies, e a etnia Papel come cão.

Os sumos naturais também são aqui muito famosos e destacamos o sumo de cabaceira (feito com o fruto do embondeiro), o sumo de onjo (com folhas de bagitche), o sumo de veludo (fruto avermelhado conhecido por ter algumas características medicinais), o sumo de fole (fruto de uma árvore trepadeira), o sumo de farroba (fruto da árvore pé de barroba), sumo de mandiple (feito com um fruto amarelo proveniente de um arbusto com o mesmo nome) e os sumos de papaia, manga ou goiaba. estes sumos naturais são muitas vezes demasiadamente doces pelo que aconselhamos que se peça que seja adicionado pouco açúcar.

Nas frutas destacamos a papaia, a manga, a pinha, a banana, o ananás, o fole e o caju fresco que é também muito apreciado na Guiné-Bissau.

(IN GUIA TURISTICO À DESCOBERTA DA GUINÉ-BISSAU, de Joana Benzinho e Marta Rosa, com a devida vénia)
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nota -

Quem não se lembra duma bela e farta petiscada de ostras, no destacamento do Enxudé, sentados naquela mesa longa de madeira, só em calções e chinelos de dedo, calor abrasador, acompanhados pela boa cerveja fresca. Parece impossível como é que daquelas águas tão barrentas do rio, saíam ostras e camarões tão grandes e saborosos. Os companheiros que estavam por lá destacados, arranjavam sempre maneira de presentear os amigos que de vez em quando os iam visitar, fosse para descarregar um barco, fosse após uma picada da estrada. Eram dos bons momentos que se passavam naquelas paragens.
Leandro Guedes.
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Comprava-se agarradas a um pau, e depois cozinhavam-se e acompanhadas com cerveja de litro ,maravilha.

Jorge Gouveia
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Eu também as comi no Enxudé e com bastante vontade, porque adoro as ostras et me lembro que as comi também no quartel na oficina da mecânica. Bons tempos, que já  não voltam!!!
Fernando Santos
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Uma saca de sarapilheira das batatas cheia de ostras, custava 20 "pesos!" - 20$/10 cent. Nunca cheguei a enjoar, mas estive quase. Não deve existir nenhuma maneira de as comer, que não tivéssemos experimentado. Vinham do Enxudé. :)
José Justo


domingo, 12 de junho de 2016

sexta-feira, 10 de junho de 2016

GUINÉ/BISSAU - Fauna e Flora


FAUNA

As reservas naturais têm uma rica variedade de fauna protegida e o país é um dos centros mais importantes de birdwatching (observação de aves) a nível mundial, principalmente na zona de Cacheu, onde foram identificadas 248 variedades de aves em 2014 e nas Lagoas de Cufada. o arquipélago dos Bijagós também é muito rico em aves e espécies marinhas raras. os tarrafes, como zona estuária e de reprodução, apresentam uma grande biodiversidade. há cerca de 374 espécies de aves na Guiné-Bissau, destacando-se as andorinhas-do-mar (Sterna máxima e Sterna cospia), o papagaio cinzento (Psittacus erithacus), os flamingos, os pelicanos, o colhereiro africano (Platalea alba), as gaivinas-negras (Chlidonias niger), os gansos (Auritus De Nettapus e Plectropterus Gambens), as calas de crista amarela (Cacatua galerita), a cotovia-pardal-de-dorso-castanho (Eremopterix leucotis), a andorinhaestriada-pequena (Cecropis abyssinica) e o chasco (Oenanthe heuglini).

Na Guiné-Bissau existem ainda cerca de 230 espécies de peixes, crustáceos e moluscos, 10 espécies de morcegos e cerca de 85 répteis distintos, nomeadamente o crocodilo (Crocodylus niloticus), o crocodilo anão (Osteolaemus tetraspis), 46 tipos de serpentes e várias tartarugas marinhas: a tartaruga-verde (Chelonia mydas), a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), a tartaruga olivácea (Lepidochelys olivacea), a tartaruga comum (Caretta caretta) ou a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea).

Estão identificados vários roedores neste país, nomeadamente o esquilo voador (Finiusciurus becrofyi) e diversas espécies carnívoras como a hiena manchada (Crocuta crocuta).  entre os mamíferos marinhos de referir os golfinhos (Sousa teuzil e Tursiops truncatus), as lontras (Aonyx capensis) e os ameaçados manatins (Trichechus senegalensis). Já no que diz respeito a animais de casco, destacamos o hipopótamo (Hippopotamus amphibius) e várias espécies de gazelas e antílopes.

 A Guiné-Bissau tem ainda duas espécies de pangolins e diversos primatas, como o chimpanzé (Pan Troglodytes), o Macacoverde (Chlorocebus sabaeus) o Macaco Colobus (Colobus polykomos), o Macaco Fidalgo (Colobus polykomos polykomos) e o Macaco Bijagó ou nariz Branco (Cercopithecus nictitans), estes dois últimos considerados raros.  

FLORA

A diversidade da flora tem correspondência com a caracterização geográfica e do solo. as florestas constituem uma verdadeira barreira contra o fenómeno da desertificação, da degradação dos solos e do assoreamento das bacias hidrográficas, suportam a agricultura e produzem madeira, lenha, carvão, caça e produtos florestais não lenhosos tais como o mel, frutos, raí- zes, tubérculos, plantas medicinais, vinho e óleo de palma e tantos outros bens que, na Guiné-Bissau, são essenciais. Porém, a pressão demográfica, as alterações climáticas, a intervenção humana por queimadas, a extração massiva de madeiras consideradas nobres, a monocultura de mancarra (amendoim), de arroz e de caju, têm alterado a flora (e a fauna) da Guiné-Bissau. não obstante, podemos observar vários tipos de paisagem bem distintos.

Em toda a extensão dos rios observam-se os mangais que podem ir até ao 10 metros (os mangais altos ou Rhizophora) e outros que chegam aos 5 metros (o mangal baixo ou Avicennia).

Existem ainda as zonas de arrozais, de  tannes, de floresta sub-húmida, de floresta de transição, a floresta secundária ou degradada, as florestas secas e as savanas.  nas zonas de “tannes”, áreas lodo-arenosas que antecedem o mangal ou tarrafe, o solo é praticamente estéril por serem secas e estarem saturadas de sal. apenas algumas plantas e gramíneas tolerantes ao sódio conseguem resistir nestas condições.

Na zona sul do país, devido à maior humidade, predominam as bolanhas (arrozais alagados). aqui, principalmente nas  regiões de tombali e de Quinara e nalgumas ilhas do arquipélago dos Bijagós encontramos a floresta sub-húmida, com vegetação variada: árvores de grande porte, de 30 e 40 metros de altura - sobretudo “Pó de miséria” (Anisophylla lamina), “Polon” (Ceiba pentandra) e “Pó de bitcho amarelo” (Chlorophora regia) -, árvores entre os 20 e os 30 metros, arbustos e ainda lianas.

As florestas de transição, como o nome indica, fazem a fronteira entre a floresta sub-húmida e as florestas secas e semi- -secas, principalmente na região de Gabú e no litoral, onde predominam os “poilões” (Ceiba pentandra).

As florestas secas e semi-secas nas zonas centro-norte e centro-sul do país, apresentam arbustos, lianas e arvoredo entre os 20 e os 30 metros. as espécies que aqui predominam são o “Pó de conta” (Afzelia africana), Palmeira de óleo (Elaeis guineensis), “Manconde” (Erytrhopheleum guineensis), “Bissilon” (Khaya senegalensis), “Pó de sangue” (Pterocarpus erinaceus) e “Pó de carvão” (Prosopis africana).

As florestas secundárias ou degradadas são produto da ação do homem, sofrendo queimadas, pousios e plantação de árvores de frutos, como no caso das grandes monoculturas de cajueiros, predominantes nas regiões de Biombo, Cacheu e oio. a paisagem destas regiões também é influenciada pela produção de arroz em sequeiro, o arroz “m’pampam”. a noroeste encontramos muitas Palmeiras (Elaeïs guineensis) e “cibe” (Borasus aethiopum), um tronco de uma palmeira cujo tronco é muito apetecido para a construção de casas.

A zona de savana situada no litoral é pouco densa, com arbustos até aos 2 metros e ainda “Karite” (Butyrospermum parkii), “Pó de incenso” (Danielle Oliveri) ou a palmeira de óleo (Elaeïs guineensis). existe ainda a zona de savana herbácea húmida, no interior do país, que se caracteriza pela quase inexistência de árvores, à exceção de algumas palmeiras e “cibe” (Borasus aethiopum). são utilizadas principalmente para o pastoreio e cultiva-se o arroz em “bolanhas de lala”.

As plantas na Guiné-Bissau, como todos os seus elementos naturais, têm uma importância extrema não só como matéria-prima e meio de subsistência, mas ainda nas próprias demonstrações culturais e na medicina tradicional. a literatura científica aponta para quase 900 plantas diferentes na Guiné-Bissau, das quais cerca de 128 são utilizadas em mezinhas tradicionais, 76 são consumidas pelo homem e 86 são utilizadas para pasto e na produção de artesanato

 (IN GUIA TURISTICO À DESCOBERTA DA GUINÉ-BISSAU, de Joana Benzinho e Marta Rosa, com a devida vénia)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

GUINE/BISSAU - Caracteristicas Económicas


CARACTERISTICAS ECONÓMICAS

A Guiné-Bissau encontra-se na 177ª posição, num total de 187 países (são 196), segundo o relatório de Desenvolvimento humano do Programa das nações Unidas para o Desenvolvimento de 2014. Cerca de 48,9% da população vive em condições de extrema pobreza, com menos de $1,25 dólares por dia, com uma taxa de inflação na ordem dos 9,4% e uma taxa de alfabetização de apenas 43,7%. o desemprego ronda os 10,5% mas muitos dos empregados encontram-se em situação de subemprego em atividades primárias que representam 82% da força de trabalho, sendo que os restantes 18% se dedicam aos setores secundário e terciário.

A Guiné-Bissau depende economicamente da exportação da castanha de caju, que representa mais de 90% das exportações, mais de 60% do PiB e cerca de 17% das receitas do estado. os cajueiros dominam a paisagem do país, catapultando a Guiné-Bissau para o 9° maior produtor mundial de castanha de caju. as plantações de mancarra (amendoim), arroz e milho desempenham um papel muito importante na agricultura de subsistência das famílias. a pesca é considerada a segunda maior fonte de receitas do país que dispõe de recursos marinhos assinaláveis com águas consideradas das mais ricas da África ocidental. a atividade industrial é praticamente inexistente, com uma exígua indústria de transformação de produtos agrícolas. O  País não tem tradição no setor extrativo, apenas sendo explorados inertes para a construção e obras rodoviárias em diversos locais; estão confirmados jazigos importantes de bauxite no Boé e de fosfatos em Farim e há perspetivas favoráveis quanto a petróleo offshore; nos últimos anos têm sido exploradas “areias pesadas” no litoral de Varela. a Guiné-Bissau é também possuidora de um potencial turístico considerável, centrado nas ilhas Bijagós, e num sistema de parques nacionais que cobrem 23,7% de seu território.

(IN GUIA TURISTICO À DESCOBERTA DA GUINÉ-BISSAU, de Joana Benzinho e Marta Rosa, com a devida vénia)

sexta-feira, 27 de maio de 2016

GUINÉ BISSAU - Um retrato do País


UM RETRATO DA GUINÉ-BISSAU
GEOGRAFiA

a república da Guiné-Bissau situa-se na África ocidental, entre o senegal (a norte), a Guiné Conacri (a leste e sul) e o oceano atlântico (a oeste). É constituída por uma parte continental e outra insular, o arquipélago dos Bijagós, com cerca de noventa ilhas, das quais apenas dezassete são habitadas. ocupa uma extensão de aproximadamente 36.125 Km². Graças ao baixo nível médio face às águas do mar e à vasta rede de rias e vales, cerca de 1/3 do seu território fica inundado na época das chuvas, entre meados de maio e de outubro. o país possui oito rios principais: o rio Mansôa, o rio Cacheu, o rio tombali, o rio Cumbijã, o rio Buba, o rio Geba, o rio Corubal e o rio Cacine.  
CLIMA

a Guiné-Bissau tem um clima predominantemente tropical com características marítimas, sendo muito quente e húmido e com duas estações distintas: a estação seca, de novembro a abril e a estação das chuvas, de maio a outubro. a temperatura média anual no país é de 26,8 graus. na Guiné-Bissau, os meses mais frescos são os de dezembro e de janeiro e os mais quentes de março a maio. Já os meses mais pluviosos são os de julho e de agosto.
DIVISÃO ADMINISTRATIVA DO TERRITÓRIO

em termos administrativos, a Guiné-Bissau divide-se em oito regiões: Bafatá, Biombo, Bolama/Bijagós, Cacheu, Gabú, oio, Quinara e tombali e um setor autónomo, o de Bissau. estas regiões dividem-se em 36 setores e estes, por sua vez, em várias secções, compostas por tabancas (aldeias), muitas marcadas pela distância da capital, Bissau, devido à ausência de acessibilidades ou à precariedade destas. tomando em consideração a geografia do país e a quantidade de rias e rios, muitas vezes o que em linha reta representa uma curta distância, demora horas a percorrer por estrada, considerando a necessidade de fazer grandes desvios para se chegar ao destino.
DEMOGRAFIA

segundo os últimos censos, a população da Guiné-Bissau é de 1.530.673 habitantes e caracteriza-se por ser maioritariamente jovem: cerca de 49,6% da população tem menos de 18 anos e a esperança média de vida ronda os 52,4 anos. a taxa de alfabetização é de cerca de 43,7%, sendo que o abandono escolar é elevado por motivos económicos, sociais e culturais.
ETNIAS

existem entre 27 e 40 grupos étnicos. as etnias com maior expressão na Guiné-Bissau, segundo os censos de 2009, são: a Fula (28,5%), que vive essencialmente no leste do país – Gabú e Bafatá, seguida da etnia Balanta (22,5% da população) que se encontra principalmente nas regiões sul (Catió) e norte (oio), a Mandinga com 14,7%, no norte do país, a Papel com 9,1% e a Manjaca com 8,3%. Com expressão mais reduzida encontramos ainda as etnias Beafada (3,5%), Mancanha (3,1%), Bijagó (como o próprio nome indica vive no arquipélago dos Bijagós e representa 2,15% da população total), Felupe com 1,7%, Mansoanca (1,4%) ou Balanta Mane com 1%. as etnias nalu, saracole e sosso representam menos de 1% da população guineense e 2,2% assume não pertencer a qualquer etnia. a sua distribuição geográfica tem razões históricas mas também se relaciona intimamente com as atividades tradicionalmente praticadas por cada uma delas. os Balantas, os Manjacos, os Mancanhas e os Papeis encontram-se predominantemente nas zonas costeiras e cultivam o arroz nas bolanhas. os Papeis são os grandes produtores de caju, por excelência, uma das maiores fontes da economia nacional. Por sua vez os Fulas dedicam-se essencialmente ao comércio e à criação de animais. os Bijagós são pescadores por excelência, já os Mandingas trabalham principalmente no comércio e na agricultura.

 (IN GUIA TURISTICO À DESCOBERTA DA GUINÉ-BISSAU, de Joana Benzinho e Marta Rosa, com a devida vénia)

sexta-feira, 20 de maio de 2016

GUINÉ/BISSAU - As origens do País

Os primeiros vestígios da presença humana na Guiné-Bissau datam de 200 mil anos a.C. mas os registos históricos mais evidentes iniciam-se no 3.° milénio a.C. com a chegada de povos do deserto do sahara, ascendentes dos atuais grupos étnicos do litoral e ilhas da Guiné-Bissau. no século IV a.C. funda-se o império do Gana que perdura até ao séc. XI, quando os almorávidas tomam Kumbi-saleh, a capital do Gana. É então que os povos naulus e Ladurnas chegam à Guiné-Bissau, onde dominavam os povos Mandingas, pertencentes ao reino de Gabú, instalados entre a região nordeste da Guiné-Bissau e a região de Casamansa. o reino de Gabú era por sua vez vassalo do império do Mali (1230 a 1546), estado rico e sumptuoso que se estendeu entre a região do rio senegal e do alto níger.

A chegada dos portugueses à Guiné-Bissau deu-se entre 1445 e 1447 e é atribuída a Nuno Tristão que terá morrido numa destas primeiras investidas num ataque perpetrado pelas tribos locais no rio Geba. outros historiadores atribuem-na a Álvaro Fernandes que, pela mesma altura, terá chegado à praia de Varela.

A presença portuguesa no território inicia-se em 1588 na vila de Cacheu, à altura sujeita administrativamente ao arquipélago de Cabo Verde. esta localidade ficou conhecida pelo seu porto de águas fundas, ideais para o transporte marítimo de ouro, marfim, especiarias e de escravos. Para além dos comerciantes portugueses e cabo-verdianos, Cacheu foi a casa dos portugueses “lançados” (aventureiros) e dos “degredados” (condenados ao exílio). as ocupações portuguesas seguintes, onde também se instalaram feitorias para fins comerciais, são posteriores a 1640 e foram  taRRaFEs DE cachEU, sempre feitas a partir dos rios: Casamansa, são Domingos, Farim, Bissau, e mais tarde, Bolama e Bafatá.

Em 1753 é estabelecida pelos portugueses a Capitania de Bissau. os ingleses conseguem, por sua vez, estabelecer-se em Bolama, ilha do arquipélago dos Bijagós mais perto do território continental da Guiné, em 1792.

Em 1879 procede-se à separação administrativa de Cabo Verde e constitui-se mais uma colónia de Portugal, a Guiné Portuguesa que teve como primeira capital Bolama.

Após a Conferência de Berlim (1884 - 1885), em que Portugal apresentou o falhado Mapa Cor-de-rosa, este país apressou-se a efetivar o povoamento da Guiné-Bissau e a dedicar-se à agricultura, não sem antes a população resistir e se travarem sanguinários combates. em 1936 dá-se a última grande revolta que ficou conhecida como a revolta dos Bijagós de Canhabaque. a população guineense foi então obrigada ao trabalho forçado, as infraestruturas pouco foram desenvolvidas e foi dada a preferência para a nomeação de cabo verdianos como funcionários.

Em 1951, face à pressão internacional, o estatuto de Colónia da Guiné Portuguesa é substituído pelo de Província Ultramarina, mas a resistência guineense e a luta pela autodeterminação sempre se fizeram sentir, tendo como marco histórico a fundação do PaiGC (Partido africano para a independência da Guiné e Cabo Verde) em 19 de setembro de 1956 por Amílcar Cabral, Luís Cabral, Aristides Pereira e Júlio de Almeida. Durante três anos a resistência do PaiGC foi pacífica mas endureceu após o massacre do Pidgjiguiti, de 3 de agosto de 1959. neste dia, os trabalhadores do Porto de Bissau, estivadores e marinheiros, encontravam-se em greve, exigindo melhorias salariais mas as forças portuguesas da PiDe (Polícia internacional e de Defesa do estado) interromperam a manifestação e mataram cerca de 50 pessoas, ferindo ainda outros 100 manifestantes. o dia 3 de agosto foi transformado num dos marcos da luta de libertação da Guiné e é atualmente um dos feriados mais importantes do país.

Em 1963, o PaiGC inicia a luta armada de guerrilha de oposição ao regime colonial, que fica registada pelo assassinato do seu líder e doutrinário, Amílcar Cabral, a 20 de janeiro 1972, sem nunca se vir a determinar quem foi o responsável. a 24 de setembro de 1973 o PaiGC declara em Boé a independência unilateral da Guiné-Bissau — tornando-se a primeira das ex-colónias portuguesas a tornar-se independente. Portugal só reconhecerá oficialmente a independência da república da Guiné-Bissau, aquando da deliberação da assembleia Geral das nações Unidas, a 17 de setembro de 1974.

A Guiné-Bissau independente começa então o seu caminho, com alguns avanços e muitos recuos tendo como primeiro Presidente Luís Cabral, irmão do líder do PaiGC assassinado em 1973, Amílcar Cabral. os primeiros anos pós independência são muito agitados, registando-se até 1979 o fuzilamento de ex-Comandos africanos e de cidadãos conotados com o Partido FLinG, bem como uma tentativa do Presidente de implementar um governo de inspiração socialista, num projeto de Unidade da Guiné-Bissau e de Cabo Verde que termina abruptamente em 1980, com um golpe de estado perpetrado pelo Primeiro-Ministro Nino Vieira, que assim assume a liderança do país.

Em 1986 dá-se uma nova tentativa de golpe de estado, desta feita encabeçado pelo Vice-presidente do Conselho da revolução, pelo Procurador-Geral da república e vários oficiais superiores das Forças armadas que acabam detidos e parte deles fuzilados no que veio a ser conhecido por “caso 17 de outubro”. o regime de multipartidarismo chega em 1991 e, em 1994, realizam-se as primeiras eleições livres na Guiné-Bissau com a vitória do PaiGC e de Nino Vieira para a Presidência da república, com maioria absoluta.

Em 1997 a Guiné-Bissau integra a União económica e Monetária do oeste africano (UeMoa) e adopta o Franco CFa como moeda nacional, substituindo o Peso. o país é também membro da Comunidade económica dos estados da África ocidental desde 1975.

1998 dita o início de um período muito conturbado e de má memória para a Guiné-Bissau - uma guerra civil que opõe o governo eleito democraticamente e uma auto-intitulada “Junta Militar”, tendo como base rivalidades e lutas pelo controle de poder no PaiGC. esta guerra que durou cerca de 11 meses, devastou infraestruturas, a economia, a sociedade, famílias e ceifou muitas vidas. a destruição do tecido económico e social teve consequências catastróficas no país e que perduram até aos dias de hoje.

A guerra civil termina em 1999 com a renúncia de nino Vieira ao cargo e a assunção de funções interinamente pelo Presidente da assembleia nacional Popular, Malam Bacai sanhá. entre as eleições de 2000, em que Kumba ialá é eleito Presidente da república e 2015, o país viveu períodos políticos e militares de alguma tensão que se traduzem em dois golpes de estado (2003 e 2012), oito Presidentes da república (um deles assassinado em 2010) e doze Primeiros-Ministros. em agosto de 2015, depois de o Presidente da república demitir o Primeiro-Ministro Domingos simões Pereira, o PaiGC, partido mais votado nas eleições legislativas de 2014, formou novo governo encabeçado pelo histórico membro do PaiGC, eng˚ Carlos Correia.

Falar da história recente da Guiné-Bissau e nos seus 42 anos de independência, é na realidade falar de um estado com algumas dificuldades em se consolidar, fruto de sucessivos golpes e conflitos causadores de instabilidade política que se materializa numa economia débil e numa sociedade fragilizada por anos de falta de paz e de perspetivas de futuro. De salientar no entanto que estes conflitos político-militares não se replicam na sociedade guineense que é pacífica e extremamente hospitaleira, recebendo qualquer pessoa que ali chega com um sorriso e um brilho no olhar que nos marca para sempre. Por isso, falar da história da Guiné-Bissau é também falar das suas gentes e da sua generosidade, da sua riqueza étnica, da sua diversidade cultural, do seu enorme potencial turístico e das belezas naturais que encontramos de norte a sul do país e que justificam indubitavelmente uma visita.

(IN GUIA TURISTICO À DESCOBERTA DA GUINÉ-BISSAU, de Joana Benzinho e Marta Rosa, com a devida vénia)

sexta-feira, 13 de maio de 2016

GUINÉ/BISSAU - Projectos da ONG "AFECTOS COM LETRAS", no País.


 

(IN GUIA TURISTICO À DESCOBERTA DA GUINÉ-BISSAU, de Joana Benzinho e Marta Rosa, com a devida vénia)

sexta-feira, 6 de maio de 2016

GUINÉ BISSAU - Usos e Costumes sociais,

USOS E COSTUMES SOCIAIS
na sociedade guineense, apesar do poder central e local ter contornos clássicos, o regulado – forma de poder tradicional exercido pelos herdeiros dos reinos pré-coloniais, representa ainda com muita expressividade o poder por excelência nas diversas etnias.

O RÉGULO - é a entidade máxima numa determinada comunidade local que funciona independentemente do estado, tendo responsabilidade em matéria de administração territorial, de arbitragem em questões de ordem social ou divisão fundiária e agindo mesmo na veste judicial. Detém também um papel crucial na regulação social e cabe-lhe, por exemplo no contexto da etnia Manjaca, determinar o início e o fim das colheitas por parte de todos os cidadãos da região subordinados ao seu poder, seguindo-se uma série de rituais pré-estabelecidos. Já nas etnias islamizadas, o régulo foi de certa forma substituído pelas autoridades religiosas.
É transversal a todas as etnias o enorme respeito pelos mais velhos e o conceito de família e de solidariedade é bastante amplo, havendo sempre lugar para acolher mais um, dois ou três em casa em caso de morte do familiar que lhes assegurava sustento.
os principais momentos da vida social guineense, como nascimentos, casamentos, funerais, cerimónias de iniciação dos jovens ou o princípio da época das colheitas estão sujeitos a cerimónias cheias de significado e que diferem de etnia para etnia. 

O FANADO -  ritual de iniciação da vida adulta é praticado por rapazes (trata-se, entre outras coisas, da circuncisão) e raparigas (em alguns casos envolvendo a prática da excisão, criminalizada na Guiné-Bissau desde 2011) e é efetuado por várias etnias, variando a idade dos intervenientes, a periodicidade com que é praticado ou a sua duração. Com o Fanado, estes jovens tomam consciência da sua função social e da sua personalidade, passando em algumas etnias, um período na floresta ou no mato, no cumprimento de uma série de cerimónias envoltas em grande secretismo de que não devem falar quando regressam e assumem o seu novo papel na sociedade.

O CASAMENTO - é um momento de grande alegria, com tradições que variam entre etnias. na sociedade guineense a poligamia é praticada por alguns grupos étnicos e os casamentos por acordo entre famílias são também comuns. Por exemplo, entre os Balantas acorda-se o casamento e há lugar ao pagamento de um dote, normalmente traduzido na entrega de uma determinada quantidade de animais de criação. ainda se verifica, de certa maneira, a preferência por casamentos dentro da mesma etnia embora a fusão seja uma realidade cada vez mais presente, principalmente na capital, Bissau, onde se concentra a maior parte da população e a multiplicidade étnica que habita um mesmo espaço é enorme.

A MORTE - para os animistas, a morte representa um prolongamento da vida e o funeral é um momento de alegria e motivo de festa quando o morto teve uma vida longa. a vida é o resultado de um equilíbrio entre forças materiais e espirituais que, quando perturbadas, se manifestam com doenças, mortes prematuras e mesmo desgraças
 [Guia TurísTico]  À Descoberta da Guiné-Bissau  (17)
para as comunidades locais. se o morto foi uma pessoa de bem na vida terrena, encontra imediatamente a felicidade na nova dimensão, caso contrário, o seu espírito vagueia sem paz na floresta até, por fim, pagar as suas penas. o funeral, embora varie de etnia para etnia, tem uma matriz comum, o  “choro”.

O CHORO, trata-se de uma cerimónia em que se juntam os familiares e os amigos do morto. Durante uma semana comem e bebem, num momento de alegria pela partida do espírito que se liberta do corpo, muitas vezes ao som do bombolom em verdadeiros momentos de transe.

O TOCA-CHORO - uma cerimónia de evocação do espírito do morto, é realizado um ano ou mais após a morte e  familiares e amigos trazem alimentos e animais para serem sacrificados durante vários dias de festa e comunhão. Conforme a importância do falecido na sociedade, maior é a celebração e maior o número de animais sacrificados, daí que por vezes os familiares e amigos só realizem esta cerimónia alguns anos mais tarde, de forma a conseguir juntar o dinheiro necessário para realizar a cerimónia.

A LÍNGUA
a língua oficial da Guiné-Bissau é o português, embora seja falada apenas por cerca de 13% da população. os guineenses usam essencialmente o crioulo para a sua comunicação corrente (cerca de 60% da população) ou um dos cerca de 20 dialetos existentes na Guiné-Bissau, como o fula, o balanta, o manjaco, o mandinga, o felupe, o papel, o bijagó, o mancanha e o nalu, entre outros.

AS RELIGIÕES
Cerca de metade da população pratica a religião Muçulmana, essencialmente da corrente sunita. entre 10 a 15% são Cristãos e grande parte da população, professando uma ou outra religião ou mesmo nenhuma, tem um grande cariz animista e pratica de forma ativa as crenças tradicionais e ancestrais africanas.  Para os animistas, os espíritos são omnipresentes (vivem nas rochas, nas estátuas, nas árvores, na água, nas pessoas, nos mortos) e são eles que dão vida e protegem as coisas e podem combater as doenças, as secas, as inundações, as tragédias mas também podem castigar e provocar o mal. É comum entre os animistas o sacrifício de animais para agradar aos espíritos, nomeadamente galinhas para se alcançar uma graça, uma boa colheita ou até para que se possa tomar uma decisão e o recurso a amuletos diversos para proteção de quem os usa.

(IN GUIA TURISTICO À DESCOBERTA DA GUINÉ-BISSAU, de Joana Benzinho e Marta Rosa, com a devida vénia)