Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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segunda-feira, 21 de julho de 2025

Memorias de uma guerra... / JABADÁ - TITE, texto do Senhor Coronel João Manuel Trabulo

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I














Memórias de uma guerra...

JABADÁ - TITE

Jabadá, para os militares da CCAÇ 2314, foi uma miragem. Vínhamos já a navegar nas águas do Atlântico em direção à Guiné, quando soubemos que o nosso destino era o aquartelamento de Jabadá, após a realização do treino operacional em Tite. 

Depois da chegada a Tite, a 10 de Janeiro de 1968, dois furriéis, o de transmissões e do material auto, o Garcia e o Almeida, rumaram até Jabadá para preparar a ida da companhia após os finais do mês. Efetivação que não foi realizada. Pois os acontecimentos ocorridos na noite fatídica de 3 de Fevereiro à CArt 1743, em BISSÁSSEMA, e a permanência naquela tabanca até 10 de Março, todas as perspetivas se alteraram.  A CCAÇ 2314 passaria a Companhia de Intervenção do Comando do BArt 1914. 

Depois foi Nova Sintra entre 6 e 30 de Maio, para construção do aquartelamento e instalação da CArt 1802 e a ida para Fulacunda a 1 de Julho.

Jabadá era uma região cuja população vivia essencialmente da cultura do arroz, cultivado na grande bolanha.

A sentinela do Geba, como era conhecida, foi reconquistada ao PAIGC a 29 de Janeiro de 1965 pelo BCAÇ 599 de Tite, na operação ‘Braçal’, cujo comandante era o Ten. Cor. Carlos Barroso Hipólito, onde ficou instalada a CCAÇ 423.

Jabadá era como que uma ilha, rodeada a sul pela grande bolanha, e a norte pelo rio Geba.

 O aquartelamento das NT nunca foi na tabanca de Jabadá, mas na Ponta de Jabadá, junto ao rio Geba que até ao início da guerra, Janeiro de 1963, era um importante entreposto comercial, explorado pelo colono libanês Jamil Henani, com sede em Bafatá e tinha grandes plantações de arroz na região de Jabadá.

O aquartelamento foi “feito com as ruínas e no local do antigo entreposto comercial, junto ao rio Geba, durante 40 dias de trabalho intenso a contruir abrigos à prova de morteiro com troncos de cibe, terra, e em cima uma camada de adobe. De dia o trabalho e de noite o inferno”, como se pode ler na publicação “O cântico das costureiras”, de Gonçalo Inocêncio.

Apos isso depois, viria um pelotão da CCAÇ. 508, de reforço, comandado pelo Alferes Ferreira.

Subunidades que estiveram em JABADÁ:

- CCAÇ 423/BCAÇ 599 – 29JAN65/24AGO65, tendo como reforço os Pel Mort 912 e Pel Daimler 807. A CCAÇ 797 – reforça com pelotão entre 13MAI66 A 30MAI66.

- CCAÇ 1566 – 24AGO65/14ABR67 – PILÕES; Reforço Pel Mort 1039 (-); 1 Pel da Comp Milícia 7.

- CART 1743 (-) – dois pelotões – 14ABR67 / 07JUN69 – OS DIABOS.

- CCAÇ 2483 – 07JUN69/01NOV70 – DRAGÕES DE JABADÁ. 

- CART 2773/BART 2924 – 01NOV70/31AGO72.

- 1ª. CART/BART 6520/72 – 31AGO72/14AGO74 – ALA-ARRIBA.

- 1ª. CCAÇ/BCAC 4612- 14AGO74/03OUT74 – ENTREGA JABADÁ AO PAIGC.

A força que ocupou Jabadá em 1965 era comandada pelo Cap Monroy Garcia, seria o oficial de Informações e Operações do BCAÇ 599, que tinha o apoio no rio Geba uma LDM. A LDM foi mandada regressar a Bissau e, por isso, Jabadá passou a ser flagelada diariamente ao cair da noite.

06/03/1966 - Operação Hermínia – Primeira operação helitransportada na Guiné.

A Operação Hermínia, realizada em Jabadá, na zona Tite, foi a primeira operação helitransportada realizada na Guiné. Esta operação foi levada a cabo pelo grupo de Comandos “Os Diabólicos”. A operação teve origem na informação da existência de dois núcleos de “moranças”, uma a norte, com população, e outra, cerca de 300 metros a sul, com elementos armados. O reconhecimento aéreo confirmou a disposição das casas.

“Às 13h00, saíram da base de Bissalanca, 6 Alouette III, com 5 elementos cada. Às 13h20, 3 equipas foram largadas no núcleo norte, enquanto as outras foram lançadas no núcleo sul.

O IN não reagiu nem à aproximação nem à descida dos hélis. Do núcleo norte, enquanto se viam elementos INs a fugirem, foram feitos disparos de armas automáticas. Foi atingido mortalmente um elemento do grupo. Uma equipa assegurou a evacuação, sinalizando e fazendo a segurança próxima ao héli. Os restantes elementos prosseguiram a acção, entrando nas moranças. Vários mortos no local, 8 prisioneiros.

Destruíram-se quantidades apreciáveis de arroz e abateram-se cerca de 20 vacas. No regresso a Jabadá, junto à orla da mata, avistaram-se mais casas. Os T6 atacaram com rockets, depois o grupo entrou, vasculhando-as.

O IN acompanhou a retirada do grupo, com tiros de morteiro e rajadas, de muito longe. Deram entrada em Jabadá às 16 horas e foram embarcados de regresso a Bissau nos Alouettes III”.

Fotos da página da 1ª. CART/BART 6529

18 de julho de 2025.

JT"

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Capitão Vicente, comandante da Cart 1802, em Nova Sintra.



Capitao Vicente o ultimo à direita


 O Hipolito partilhou hoje esta foto em que está o capitão Luis Sousa Vicente, no tempo em que era comandante da Cart 1802, "Os pioneiros de Nova Sintra",  em virtude de o comandante da Companhia ter sido evacuado por ter sido ferido em combate.

O capitao Luis Vucente era o responsavel da secção de Reabastecimentos Operacionaus do Bart 1914, em Tite. Faziam ainda parte desta secção o furriel Leandro Guedes  e o cabo Marinho.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

Nova Sintra- a visita do Sr. General Spínola em Junho de 1968

 


Bart 1914, Tite - Guiné

"Há pouco em conversa com o Pica Sinos, ele fez-me recordar a importância desta foto, não só pelos militares ali presentes, mas também pela importância estratégica do aquartelamento que ali ia ser construído e ainda pelos mortos e feridos que ali se verificaram, em circunstâncias verdadeiramente dramáticas, conforme tem sido amplamente referido noutros escritos tanto no blog do BART 1914, como neste e noutros facebook's, por vários militares intervenientes. Esta foto que o alf. Vaz Alves me enviou em Agosto de 2011, relata uma visita do Comandante Chefe da Guiné General António Spniola a Nova Sintra, em 5 de Junho de 1968, data esta que está escrita no verso da foto, pelo ten-cor Helio Felgas.. Esta foto vinha acompanhada da seguinte carta do alf. Vaz Alves, dirigida a mim. Repare-se na descontração da indumentária dos militares em pleno teatro operacional, embora perfilados... Para quem conheceu o Gen. Spinola sabe que isto só muito raramente era permitido.: - 

"Amigo Guedes

Um abraço antes de mais e as desculpas por só agora ir ao encontro do que me solicitaste. Já tinha há tempos o “rascunho” feito desta história, mas perdi-lhe o sitio onde o tinha guardado. Ontem, ao passar a vista no blog, envergonhei-me ao ler a tua carta e prometi a mim mesmo que de hoje não passava a história da foto do comandante Spínola.

Não sei se a foto tem alguma data no verso mas ela anda à volta do dia 7 de Junho de 1968.

A minha referencia vai para essa data uma vez que tinha passado um mês sobre o inicio da construção de Nova Sintra. (esta data confirma-se, escrita pelo então Ten-Cor. Hélio Felgas).

Nesse dia o comandante Felgas disse-me que no dia seguinte viria a Nova Sintra a Companhia Operacional de Tite e por sua vez a Companhia de Nova Sintra ia a S.João buscar reabastecimentos. Nessa altura a ementa estava limitada a arroz com chouriço e chouriço com arroz.

A chegada dos helicópteros com a poeira do quartel ainda em construção, encheu-nos a panela de areia e arroz. Ao mastigar é que notávamos a diferença.

O comandante Spínola viu a situação e no dia seguinte enviou alguns helis com frango e outros alimentos.

A situação era um pouco “gágá” em termos de segurança, uma vez que fiquei só no quartel, a fazer a defesa e a segurança aos helicópteros, com alguns cozinheiros e elementos do meu pelotão, num total de cerca de uma dúzia de homens. Isto porque o meu pelotão (Nativos 66) tinha sido reduzido por ferimentos no 1º. ataque ao quartel, em 10 de Maio.

Nesse ataque vi uma série de granadas de morteiro a explodirem nas árvores em frente ao meu abrigo.

Essas que explodiram em cima das árvores, espalhavam os estilhaços e atingiam as pessoas em especial na cabeça. Uma das que não explodiu em cima, veio pela árvore abaixo, atingir o Sapador Neto, que faleceu dali a dois dias.

Algumas dessas granadas, pelo que me disse o rádio telegrafista, que estava com o meu pelotão, andaram por bem perto de mim, com os estilhaços a ficarem marcados na árvore do meu abrigo.

Nesta dia, melhor, a esta hora lembrei-me de Bissássema e até a sombra dos baga-baga, lembravam alguém a rastejar na nossa direcção. Aliás nesse ataque os “turras” chegaram a tropeçar no arame farpado.

Nesse período de Bissássema, eu não estava em Tite, porque fui destacado pelo Quartel General, para fazer exames aos que tivessem 3ª. ou 4ª. classe, como se dizia na altura.

Foi o período negro do Batalhão em que, além de Bissássema com a captura pelo IN do Alf. Rosa e dos Soldados Contino e Capítulo, (da CART 1743) rapazes das transmissões, aconteceram a morte do Alf. Carvalho, do Soldado Victor e do furriel Rato, que trabalhava ao meu lado na sala de operações, em Tite.

da esquerda para a direita: Rato, Vaz Alves e Bagulho

Durante esses quatro meses o Comandante Felgas pressionou o Quartel General de tal maneira que tive de voltar a Tite. Ele argumentava que eu lhe fazia falta, mas o que é certo é que logo a seguir me mandou para Nova Sintra, como que “castigado”, embora eu nada fizesse para sair para os exames. Conheci no entanto vários pontos da Guiné e cheguei a pernoitar em Madina do Boé (o Algarve da Guiné...).

Com estas e com outras já não te falava na foto.

Em primeiro plano estão o Alf. Domingos Sá, um antigo colega meu do Liceu de Braga e que faleceu num dos ataques a Nova Sintra, em finais de 1968.

Logo a seguir aparece o Cap. Vicente que estava a comandar a Companhia Operacional 1802 em Nova Sintra, a substituir um Capitão que tinha sido apanhado por uma mina anti-pessoal.

Voltando ao caso da foto, queres saber o porquê da foto com toda a gente em calções e tronco nu? É simples. Era assim que se andava há um mês, com barba por fazer, vestidos o mais aligeirado possivel. Ninguém avisou da ida do Gen. Spínola e os guarda fatos estavam “fechados”, com as fardas nº. 1.

Aliás, o nosso banho era tomado com uma mangueira não sei de quantos polegadas e um motor a puxar água dum charco. Tenho a impressão que no meu album, que há tempos vos enviei, existe lá uma foto do banho, penso que com o Cap. Vicente, o Alf. Sá e eu.

Sem mais, aí vai mais um abraço e telefona quando receberes este “arrazoado.

Vaz Alves".

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

NOVA SINTRA - GUINÉ


A construção do aquartelamento de Nova Sintra, na Península de Gantangó, Guiné Portuguesa, teve início na madrugada de 6 de Maio de 1968.

A CCAÇ 2314 e a CART 1802 saiam de Tite e São João, respetivamente, com destino à região de Nova Sintra, para a construção de um aquartelamento. A CCAÇ 2314 atinge o objetivo, pelas 9 horas e 30 minutos e a CART 1802, pelas 15 horas, com uma coluna de 17 viaturas carregadas de material diverso necessário à sua construção, que ocorreu até 31 de maio.

Esta acção tinha tido inicio com trabalhos de abertura e desmatação da estrada que ligava Tite a Nova Sintra, entre 17 de março e 4 de Maio de 1968 e as operações de reconhecimento em 19, 23 e 30/31 de março. Entretanto,  em 1967, já o Comando do Bart 1914 tinha feito uma tentativa da abertura do itinerário para Nova Sintra que foi suspensa por dificuldades na obtenção de objetivos previstos.

A CCAÇ 2314, a 31 maio 1968, regressa a Tite, fazendo-se acompanhar de 5 viaturas GMC, tendo atingido Tite pelas 9 horas, sem qualquer contato com o IN e a Cart 1802 permaneceu em Nova Sintra.

Esta permanência em Nova Sintra foi bastante penosa quer para a CCaç 2314 bem como para a CArt 1802, onde sofreram ataques ao aquartelamento em 10MAI, com um morto soldado nativo e 10 feridos, a 12, 14 e 19 de Maio, sem consequências, e finalmente no dia 26 de Maio com um ferido.

Outras companhias se seguiram no melhoramento das condições e defesa destas instalações, onde passaram sacrifícios e privações com ataques frequentes do PAIGC que teimava em não permitir o controlo da área de Gantangó.

Assim, verificamos que no historial de Nova Sintra, consta:

- O aquartelamento foi construído pela CCAC 2314 e pela Cart 1802 entre 6 e 31 de Maio de 1968;

- A Cart 1802, ‘Os Pioneiros de Nova Sintra' permaneceram depois até Outubro de 1968;

- A CArt 1743, esteve entre outubro de 1968 e Março de 1969;

- A CCav 2483, os ‘Cavaleiros de Nova Sintra', esteve entre 5 de Março de 1969 e Setembro de 1970;

- A CCav 2765, 'Pica na Burra', esteve entre Setembro de 1970 e 8 de Dezembro de 1970;

- A CArt 2771, os ‘Duros de Nova Sintra', entre 8 de Dezembro de 1970 e 16 de Setembro de 1972;

- Finalmente, a 2ª CART do  BART 6520, permaneceu em Nova Sintra entre 16 de Setembro de 1972 e 17 de Julho de 1974, data em que entregou o aquartelamento ao PAIGC.

Desse dia, diz-nos Carlos Barros: 

“Quando os guerrilheiros do PAIGC estavam perto do arame farpado, portões das bananeiras, criou-se suspense de quem os iria receber. Os furriéis Barros e Ferreira, desarmados e em calções, assumiram corajosamente esse papel, e foram para junto do portão de acesso ao destacamento, onde os guerrilheiros/as e a população afeta ao PAIGC entraram, conviveram connosco, tiramos fotografias, jantaram, dormiram e afinal cheguei a uma conclusão: - Eles e nós estávamos fartos da guerra e desejávamos a paz e, acima de tudo, a libertação da Guiné”.

Diz-nos, também, que ajudou a oferecer livros e outras lembranças, tendo sido para ele ‘um momento marcante da história da Guerra Colonial, em Nova Sintra’.

Ajudou a arrear a bandeira portuguesa, mas o PAIGC não hasteou a sua porque não tinha bandeira. Ficou com uma recordação dessa bandeira portuguesa da qual guardou dois pedaços como lembrança da História Real ou Virtual da Guerra. Bandeira que já estava em muito mau estado, diz ...

Uma das fotografias, publicada por José Pires, é um documento histórico da entrega formal do quartel de Nova Sintra (BART 6520 de Tite) ao PAIGC, em 17 de Julho de 1974, onde vemos o Alf. José Pires, o Ten. Cor. Almeida Mira e o Cap. de Nova Sintra, pela parte portuguesa.

O Furriel Miliciano Carlos Barros, da 2ª. CART do  BART 6520, relata-nos assim como foram os últimos dias da presença portuguesa em Nova Sintra.

Este relato é ‘o princípio e o fim” de uma permanência feita de sacrifícios, sangue, suor e lágrimas e até da própria morte, quer do lado das Forcas Armadas Portuguesas, quer do PAIGC.

Nova Sintra estava situada na parte sul do Setor de Tite, na Península de Gantangó,  Quinara. Era uma região abundante em cajueiros e mangueiros, onde se fazia o cruzamento da estrada internacional que tinha início  no Enxudé, porto no rio Geba, e ligava Tite a Bolama por São João e Fulacunda até Buba e Catió.

Presentemente, segundo informações, o local encontra-se completamente abandonado e as instalações desaproveitadas cobertas pelo mato.

Gouveia, 6 de Maio de 2021.

Cor. JMPTrabulo — em Gouveia Municipality

sábado, 8 de maio de 2021

Nova Sintra - uma permanência feita de sofrimento, sangue, suor e lágrimas

 CCaç 2314 - Age Quod Agis

21 h  ·

NOVA SINTRA – GUINÉ

Faz hoje 53 anos que foi o início do aquartelamento de Nova Sintra, na Península de Gantangó, Guiné Portuguesa.

Na madrugada de 6 de Maio de 1968, a CCAÇ 2314 e a CART 1802 saiam de Tite e São João, respetivamente, com destino à região de Nova Sintra, para a construção de um aquartelamento.

A CCAÇ 2314 atinge o objetivo, pelas 9 horas e 30 minutos e a CART 1802, pelas 15 horas, com uma coluna de 17 viaturas carregadas de material diverso necessário à sua construção, que ocorreu até 31 de maio.

Esta acção tinha tido inicio com trabalhos de abertura e desmatação da estrada que ligava Tite a Nova Sintra, entre 17 de março e 4 de Maio de 1968 e as operações de reconhecimento em 19, 23 e 30/31 de março.

A CCAÇ 2314, a 31 maio 1968, regressa a Tite, fazendo-se acompanhar de 5 viaturas GMC, tendo atingido Tite pelas 9 horas, sem qualquer contato com o IN e a Cart 1802 permaneceu em Nova Sintra.

Esta permanência em Nova Sintra foi bastante penosa quer para a CCac 2314 bem como para a CArt 1802, onde sofreram ataques ao aquartelamento em 10MAI, com um morto soldado nativo e 10 feridos, a 12, 14 e 19 de Maio, sem consequências, e finalmente no dia 26 de Maio com um ferido.

Outras companhias se seguiram no melhoramento das condições e defesa destas instalações.

Assim, verificamos que no historial de Nova Sintra, consta:

- O aquartelamento foi construído pela CCAC 2314 e pela Cart 1802 entre 6 e 31 de Maio de 1968;

- A Cart 1802, ‘Os Pioneiros de Nova Sintra' permaneceram depois até Outubro de 1968;

- A CArt 1743, esteve entre outubro de 1968 e Março de 1969;

- A CCav 2483, os ‘Cavaleiros de Nova Sintra', esteve entre Março de 1969 e Setembro de 1970;

- A CCav 276, 'Pica na Burra', esteve entre Setembro de 1970 e 8 de Dezembro de 1970;

- A CArt 2771, os ‘Duros de Nova Sintra', entre 8 de Dezembro de 1970 e 16 de Setembro de 1972;

- Finalmente, a 2ª CART do  BART 6520, permaneceu em Nova Sintra entre 16 de Setembro de 1972 e 17 de Julho de 1974, data em que entregou o aquartelamento ao PAIGC.

Desse dia, diz-nos Carlos Barros: 

“Quando os guerrilheiros do PAIGC estavam perto do arame farpado, portões das bananeiras, criou-se suspense de quem os iria receber. Os furriéis Barros e Ferreira, desarmados e em calções, assumiram corajosamente esse papel, e foram para junto do portão de acesso ao destacamento, onde os guerrilheiros/as e a população afeta ao PAIGC entraram, conviveram connosco, tiramos fotografias, jantaram, dormiram e afinal cheguei a uma conclusão: - Eles e nós estávamos fartos da guerra e desejávamos a paz e, acima de tudo, a libertação da Guiné”.

Diz-nos, também, que ajudou a oferecer livros e outras lembranças, tendo sido para ele ‘um momento marcante da história da Guerra Colonial, em Nova Sintra’.

Ajudou a arrear a bandeira portuguesa, mas o PAIGC não hasteou a sua porque não tinha bandeira.

Ficou com uma recordação dessa bandeira portuguesa da qual guardou dois pedaços como lembrança da História Real ou Virtual da Guerra. Bandeira que já estava em muito mau estado, diz ...

Uma das fotografias, publicada por José Pires, é um documento histórico da entrega formal do quartel de Nova Sintra (BART 6520 de Tite) ao PAIGC, em 17 de Julho de 1974, onde vemos o Alf. José Pires, o Ten. Cor. Almeida Mira e o Cap. de Nova Sintra, pela parte portuguesa.

O Furriel Miliciano Carlos Barros, da 2ª. CART do  BART 6520, relata-nos assim como foram os últimos dias da presença portuguesa em Nova Sintra, na Província  Ultramarina da Guiné, situada na região de Gantangó, Quinara.

Este relato é ‘o princípio e o fim” de uma permanência feita de sacrifícios, sangue, suor e lágrimas e até da própria morte, quer do lado das Forcas Armadas Portuguesas, quer do PAIGC.

Nova Sintra estava situada na parte sul do Setor de Tite, na Península de Gantangó,  Quinara. Era uma região abundante em cajueiros e mangueiros, onde se fazia o cruzamento da estrada internacional que tinha início  no Enxudé, porto no rio Geba, e ligava Tite a Bolama por São João e Fulacunda até Buba e Catió.

Presentemente, segundo informações, o local encontra-se completamente abandonado e as instalações desaproveitadas cobertas pelo mato.

Gouveia, 6 de Maio de 2021.

Cor. JMPTrabulo





quarta-feira, 10 de junho de 2020

10 de Junho, Dia de Portugal e dos Herois mortos em combate.


A nossa Homenagem a todos quantos morreram na guerra colonial, principalmente aos 3046 Heróis que faleceram na Guiné e duma maneira especial aos que tombaram na região de Quinara, nomeadamente os que pertenciam ao 
BART 1914, 
CART 1743, 
CCAÇ 2314, 
CCAÇ 1802, 
PEL MORT 1039 e 1208, e 
PEL DAIMLER 1131 e 2044. e ainda 
COMP MILICIAS nº 7 e 
PELOTÃO BOINAS VERDES (ALF. CARVALHO).
Que descansem em Paz!



sábado, 2 de agosto de 2014

Um companheiro da CART 1802



Caros amigos do batalhão 1914

Eu fui soldado condutor da companhia 1802 e estive em Nova Sintra desde o primeiro dia tive o prazer de conviver com alguns de vós durante o tempo em que construímos o quartel, eu era o Capela e tenho a dizer que tivemos um salutar convívio entre todos como dizem eram 100 metros quadrados de terror, mas conseguimos sempre repelir os ataques do PAIGC.

 Quero mandar um grande abraço a todos os homens do Batalhão 1914 sobretudo aqueles que estiveram em Nova Sintra.


 Capela

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

CART 1802 - breve história


Com a devida vénia ao blog LUIS GRAÇA & CAMARADAS DA GUINÉ, TRANSCREVEMOS A SEGUIR A HISTÓRIA DA cart 1802, BEM COMO A DIVULGAÇÃO DUMA BROCHURA ENTRETANTO FEITA MAS NÃO PUBLICADA.
_________________________

1. Mensagem de Mário Beja Santos* (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 20 de Janeiro de 2011:

Queridos amigos,
Pesquisa Ponta do Inglês e chega-se ao autor da história da CART 1802, uma história muito bonita de alguém que fez uma comissão militar em Moçambique e que se tornou amigo de alguém que fez comissão militar na Guiné e que se rendeu ao seu entusiasmo. Para que conste, é uma brochura singela e estamos muito carentes de brochuras como estas.

Um abraço do
Mário

________________________
A história da Companhia de Artilharia 1802

Beja Santos

"Às vezes, a intenção é tudo. Manuel Pedro Dias, que prestou serviço militar em Moçambique fez amizade com Manuel Balhau (proprietário da Gráfica 2000) e que prestou serviço militar na Guiné. Manuel Pedro Dias deitou mãos ao trabalho, consultou no Arquivo Histórico-Militar a história da CART 1802, e fez-se brochura.

É um exemplo para muitos. Temos aqui um documento sóbrio, destacando as principais andanças, não descurando o In Memoriam e mostrando até os guiões dos outros batalhões (BART 1914 incluido) com quem os “Pioneiros da Nova Sintra” tiveram articulação. Coisa bonita.

A CART 1802 andou por Teixeira Pinto, Binar, Pelundo, Farim, S. João, Nova Sintra e Jabadá, ou seja percorreram o Sul, Centro e Norte. Tiveram ainda pelotões destacados em Enxudé e ilha de Jeta.

Foram mobilizados pelo Regimento de Artilharia 3 (Évora), a sua divisa era “Honra e Glória”. Uma comissão que se estendeu de Outubro de 1967 a Agosto de 1969. Mal desembarcados, seguiram para Farim; depois de treino operacional participaram numa operação na Ponta do Inglês e noutra em Binar, em ambas tiveram mortos e feridos.

Estavam de intervenção ao Comando-Chefe. Começaram o ano de 1968 numa operação em Binar e depois partiram para S. João, aqui construíram abrigos, patrulharam e limparam itinerários com vista à criação do subsector de Nova Sintra na zona de acção do BART 1914. É um período de intensa actividade operacional. Em Outubro vão para Jabadá dois pelotões, um outro fica em S. João e mais outro em Enxudé. Em Março, uma parte da companhia chega a Teixeira Pinto, vão para a ilha de Jeta e para o Pelundo. A partir daqui, apoiam trabalho de desmatação na estrada Teixeira Pinto – Bachile, bem como na estrada Pelundo – Có. Em Agosto de 1969, a 1802 recolhe a Bula, seguindo depois para Bissau.

Encontrei estes elementos enquanto pesquisava dados e factos referentes à Ponta do Inglês. Foi assim que cheguei ao conhecimento da brochura que Manuel Pedro Dias me emprestou. Bom seria que toda esta documentação aparecesse em linguagem de divulgação, ao alcance de todos."
lg.