Muitos Parabéns ao Mestre, neste dia de mais um aniversário.
Que tenhas muita saúde companheiro e boa disposição junto
dos teus familiares e amigos.
Um forte abraçço.
Leandro Guedes.
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
Muitos Parabéns ao Mestre, neste dia de mais um aniversário.
Que tenhas muita saúde companheiro e boa disposição junto
dos teus familiares e amigos.
Um forte abraçço.
Leandro Guedes.
O seguinte texto é da autoria do Pica Sinos, a quem agradecemos:
HISTORIA QUE FALTAVA CONTAR
EMBORA NÃO HOUVESSE ESCARAMUÇAS FISICAS GENERALIZADAS, NO
MOMENTO DA ENTREGA DAS COLHEITAS AGRICOLAS EXISTIA SEMPRE UM CENÁRIO DE ENORME
TENSÃO PESICOLOGICA E VERBAL
O camponês guineense
passava o ano inteiro a quebrar as costas a cultivar a terra debaixo de um sol
abrasador e de um clima tropical implacáveis, a carregar sacos de arroz e
mancarra (amendoim) por quilómetros a fio, para depois ser enganado e ser
reduzido a um risco de lápis num perpétuo rol de dívidas.
Se a memória não me falha nos anos de 1967/69 estacionado na
Guiné-Bissau/Tite, mobilizado obrigatoriamente para a guerra colonial, grande
parte dos camaradas sabiam da vivência dos naturais e das suas ocupações
profissionais sobretudo na agricultura. Sabíamos quanto eram explorados dando
lugar a graves desentendimentos entre os agricultores e o comerciante Silva que
sem rebuço chamava o chefe de posto, (uma espécie de policia) para colocar
"ordem" na discussão a seu favor.
Este estabelecimento, que apelidávamos como "tasca do
branco Silva", funcionava como sucursal da casa Gouveia do Grupo Cuf!
Sucursal esta considerada como importante entreposto de receção, escoamento e
comercialização dos produtos agrícolas e florestais fundamentalmente; o arroz,
a mancarra, (amendoim).
Fora do contexto monopolista, para sua subsistência, os
agricultores, cultivavam em pequenas áreas de terreno, outros produtos
agrícolas a saber: a mandioca, a batata-doce, o milho, o feijão, etc., cuja
aceitação, na loja, ficava ao critério do comerciante Silva.
NO ROL OFICIAL DE DIVIDAS E PELO LIVRO DE FIADO DO COLONO
(TAMBÉM CONHECIDOS POR PONTEIROS OU COMERCIANTES) OBRIGATORIAMENTE FICAVAM
AGARRADOS À LOJA POR IMPOSSIBILIDADE PERPETUA DO PAGAMENTO
Dizia-se, na década em referência, ser comum em toda a
Guiné-Bissau, os comerciantes (com raras exceções) pagarem as colheitas do
arroz e do amendoim abaixo do valor máximo estabelecido pelo governo colonial.
Atento não poucas vezes tive oportunidade de ouvir gritos e
discussões ruidosas provenientes do balcão da recolha dos produtos agrícolas
acusando, os agricultores, o comerciante de roubo por usar medidas de peso
manipuladas com vistas a pagar menos do que estava estabelecido pelo governo
colonial!
Os agricultores não tinham dinheiro, o valor dos produtos
agrícolas entregues eram registados no rol oficial do governo, assim como o
valor dos produtos que o agricultor necessitava do ponto vista profissional e
ou para sua subsistência: Sementes, enxadas, catanas, candeeiros, petróleo,
sal, café, sabão, panos, vinho, aguardente etc. Os valores destas e outras
mercadorias eram registados em colunas de deve e haver em caderno de rol
oficial e do comerciante, ficando o deve com valores bem acima do haver! O Que
implicava dizer que os agricultores ficavam eternamente " presos "
àquela sucursal.
Regressei em Março de 1969
Raul Pica Sinos
Agosto de 2026"