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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra Colonial, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra Colonial, no Entroncamento.


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

RECONHECIMENTO

ESTES SÃO OS EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART. FALTAM AQUI OS EMBLEMAS DAS UNIDADES DA ARMADA E DA FORÇA AÉREA QUE TANTAS VEZES FORAM AO ENXUDÉ, A TITE, A NOVA SINTRA E OUTROS AQUARTELAMENTOS, PARA ENTREGA E LEVANTAMENTO DE CORREIO, O SPM, REABASTECIMENTOS DE GÉNEROS E MATERIAL BÉLICO E OUTRO DIVERSO, OU PARA EVACUAÇÃO DE MORTOS E FERIDOS E TAMBÉM PARA FLAGELAÇÃO DO IN. E AINDA VÁRIAS UNIDADES DE INTERVENÇÃO RÁPIDA TAIS COMO PARAQUEDISTAS, FUZILEIROS, COMANDOS E OUTRAS COMPANHIAS, PELOTÕES OU SECÇÕES, PARA AJUDA EM MOMENTOS MAIS DIFICEIS, NÃO ESQUECENDO AS ENFERMEIRAS PARA-QUEDISTAS.
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domingo, 3 de maio de 2020

19 de Julho de 1967

"Naquele tempo, tínhamos por hábito após o jantar ficarmos um pouco na conversa sobre os mais diversos assuntos, que nos tinham prendido a atenção nos tempos mais recentes. Mas havia sempre alguém, que se entretinha a jogar ás cartas, ou ao dominó, enquanto outros se juntavam ao balcão do bar, bebendo um whisky ou um gin, até chegar a hora de irem para a cama descansar. Também havia quem fosse para a camarata ouvir música ao seu gosto, (alguns tinham gravadores), enquanto se escrevia um aerograma à namorada, à esposa ou aos pais. Só que naquela noite tivemos visitas indejejáveis por volta das 23 horas. De repente soaram uns tiros, seguidos de rebentamento de granadas de morteiro, de bazucas e rocketes. Foi a confusão geral e cada um fugiu para seu lado, procurando chegar ao local que lhe estava destinado, em caso de ataque ao aquartelamento. O pessoal dos Morteiros foi para os seus abrigos, para dar resposta imediata ao ataque do inimigo, o pessoal das Daimeler fugiu para as respectivas viaturas, para saírem do aquartelamento e irem reforçar os postos de sentinela avançados, a Companhia de intervenção foi reforçar as defesas ao longo do perímetro do aquartelamento, o pessoal de medicina e de transmissões foram ocupar os seus postos, preparando-se para os piores cenários, e alguns desorientados procurando refúgio debaixo das mesas mais próximas. Lá fora, as balas tracejantes cruzavam o céu, por cima das instalações do aquartelamento, parecendo fogo de artifício. Só visto!...um horror! O pessoal do Bart 1914 nunca tinha passado por uma situação destas, mas os pelotões de Morteiros e das Daimelers, já com alguns meses de comissão, já tinham algum traquejo destes cenários.. Durante sensivelmente 3 quartos de hora foi resistir o melhor possível, para defendermos as nossas posições, pois sendo noite, só com o nascer do Sol poderíamos ver, as consequências do ataque inimigo. Havia naquela altura que verificar apenas, se teria havido baixas da nossa parte. De memória, penso que não. Com o nascer do Sol, fomos fazer o levantamento dos estragos e entre muitos, que os houve, encontrámos esta relíquia, que pertencendo ao que foi um roquete destruiu grande parte da cobertura da minha camarata, com muita sorte para mim que na altura escrevia um aerograma. Tivesse caído 4 ou 5 metros mais para o meu lado e possivelmente não estaria agora aqui a escrever estas linhas. Foi por isso que a guardei e mandei prepará-la numa base de madeira, com as inscrições, que se podem ver. É por isso uma relíquia, para todos nós, e por isso deve ser lembrada e partilhada por todos. 
Augusto Antunes
Alf. Milº"






"A respeito desta imagem também tenho um episódio para contar, vou procurar ser breve.
Tinha ido montar a emboscada noturna na saída para Nova Sintra. A dado momento, apercebi-me que havia movimentos estranhos à nossa frente. O guia, experiente, diz que o IN se estava a instalar para atacar o quartel (Tite). Foi dado conhecimento de tal facto, via rádio, e a todo o custo, houve autorização para levantar a emboscada e regressar. Com cuidado e segurança lá tentámos regressar, mas quando estávamos a passar o arame farpado, foi desencadeado o ataque. Ficámos entre os dois fogos, conseguimos abrigar-nos sem consequências.
Depois disto, foi a hora do meu jantar. E como tivesse havido deficiências com o fogo do morteiro 81, procedeu-se a experiências pelo facto de as cargas suplementares estarem húmidas e não deflagrarem como era desejável.
Nunca mais me esquerei!.
Eram favas gisadas, vinha o militar a servi-las quando houve um rebentamento do nosso morteiro. Um ruído no telhado de zinco da messe, a abertura de um buraco na corticite do teto e cai um objeto na tavessa das favas. Ficámos petreficados, eu, o cabo da messe e o Alf. Reis que me fazia companhia, à espera de saber o resultado... Felizmente não rebentou!
Uma noite feliz e de sorte... não era esse o nosso dia!
João Trabulo"
Online agor

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

BISSASSEMA, 52 anos depois...!


"BISSASSEMA 52 ANOS DEPOIS...
Recordando... Um dia fatídico de há 52 anos
Foi há 52 anos que António Júlio Rosa, Alferes Miliciano, natural da Abrunhosa, Mangualde, e mais dois seus militares, cabo cripto Geraldino Marques Contino e soldado Victor Manuel Jesus Capitulo, da CArt. 1743, foram feitos prisioneiros, na madrugada de 3 de Fevereiro de 1968, por forças do PAIGC.
A tragédia ocorreu numa acção militar na região de Bissassema, tabanca situada na península a sul do rio Geba, em frente de Bissau. Alferes Rosa comandava uma força, composta por um pelotão de europeus e três africanos, ali instalada, no dia 31 de Janeiro, para subtrair o apoio logístico, manter a segurança afastada e impedir qualquer flagelação sobre Bissau pelo PAIGC. Num ataque violento de 250 guerrilheiros, penetraram no dispositivo e obrigaram a força portuguesa a abandorar em pânico, apressada e desornamente a tabanca para salvar a vida. A fuga foi trágica, com consequências

imprevistas, a que assisti e que, ainda hoje, está no meu subconsciente. Fazia parte da força que, saída de Tite, nessa madrugada, e que foi impotentemente em seu auxílio. Após uma tentativa fracassada de fuga do cativeiro, Alferes António Rosa e mais 25 prisioneiros portugueses, seriam libertados da prisão 'Montanha' na República da Guiné-Conakry, numa acção militar "Operação Mar Verde" pelas Forças Armadas Portuguesas, realizada em 22 de Novembro de 1970, concebida e executada pelo fuzileiro capitão-tenente Alpoim Calvão, com o apoio do Comandante Chefe e Governador da Província Portuguesa da Guiné, brigadeiro António de Spínola.
Entretanto, após a chegada a BISSÁSSEMA, verificou-se que o PAICG já havia retirado, apenas se encontravam na tabanca um pequeno número de elementos da população. Foi dada ordem para guarnecer BISSÁSSEMA a fim de proteger a população.
Mas isto não acabou por aqui, o PAICG não queria perder aquela posição estratégica e a todo custo desenvolveu ações no sentido de recuperar a tabanca. Assim, na noite do dia 4 e na madrugada do dia 5, desencadeou ações com a finalidade de experimentar e recolher informação sob o posicionamento dos militares ali instalados. E 10 minutos antes da meia-noite do mesmo dia 5 de fevereiro, uma forte flagelação, que apenas durou cerca de 25 minutos por, ao pretenderem tomar de assalto o dispositivo, sofreram baixas o que os levou a retirar. Mas no dia 9 de fevereiro, pela uma da manhã, regressaram com maior efetivo e melhor armamento, talvez comandado por Nino Vieira, com a vontade de tomar de assalto, capturar e desalojar os militares portugueses. Conseguiram abrir uma brecha no dispositivo de defesa em consequência de terem sido feridos 4 elementos de um abrigo, tendo penetrado no interior do dispositivo de defesa. Mas a forte reação das NT obrigou as forças do PAIGC a retirar com pesadas baixas, deixadas no local, abandonando grande quantidade de material de guerra e, apressadamente, transportar elevada quantidade de feridos que sofreram no ataque. Finalmente, passados cerca de 15 dias, no dia 25 de fevereiro, o PAIGC voltou a desencadear mais uma ação violenta de flagelação, agora com menor efetivo e armamento, tendo retirado, novamente, com várias baixas.
Em face do falhanço tido na efetivação da instalação de um aquartelamento e também aos resultados que se registaram no início, foi decidido abandonar a tabanca de Bissassema no dia 10 de março, procedendo-se à recolha de arroz, e ao reordenamento das populações na região a norte de Tite. Por isso, foram destruídas todas as moranças das tabancas que o PAIGC tinha aliciado na região, bem como os próprios abrigos que tínhamos construído para a defesa de Bissassema. Nunca mais lá voltámos.
Sabesse que esta intervenção, em Bissassema, foi um fracasso para ambos os lados que o PAIGC sempre ocultou no seu historial. Se pelo lado português, para além dos prisioneiros e dois desaparecidos e feridos não se conseguiu contretizar os objetivos propostos; para o lado do PAICG, o elevado números de baixas, levou a que o PAIGC sempre escondesse as suas consequências tendo, inclusivamente, ter sido considerado por alguns, como um dos maior desaires que sofreu no seu movimento de libertação da Guiné.
Passados que foram estes 52 anos, a visão dolorosa do estado dos militares em fuga para Tite, as lágrimas que corriam nas suas faces, os olhos cobertos de lama, a maioria descalços, ou mesmo nus, parecendo figuras de terror, apenas com forças para agarrarem, desesperadamente, a arma, a sua única salvação para manter a vida, em redor da morte, hoje, podemos questionar-nos: "será que valeu a pena o sacrifício e a vida destes jovens de ambos intervenientes na guerra…?"
A minha recordação vai para o Alf. Rosa entretanto já falecido e para todos os militares participantes nestas ocorrências ...
João Trabulo".
...........................................
Lembro com saudade o amigo Furriel Manuel Nunes Reis Cardoso bem como 2º. sargento Milicia Manga Colubali, ambos falecidos em combate nessa noite. Lembro ainda os companheiros que foram aprisionados nessa noite e também aqueles que tiveram de fugir para Tite para não serem mortos ou capturados e o que tanto sofreram nessa noite. Leandro Guedes.
..................................

Um agradecimento muito sincero ao nosso Coronel Trabulo, pela homenagem aqui prestada. Bem haja. Leandro Guedes.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

BISSASSEMA 51 ANOS DEPOIS... - mais um texto do Coronel João Trabulo


"BISSASSEMA 51 ANOS DEPOIS...
Foi há 51 anos que António Júlio Rosa, Alferes Miliciano, natural da Abrunhosa, Mangualde, e mais dois seus militares, cabo cripto Geraldino Marques Contino e soldado Victor Manuel Jesus Capitulo, da CArt. 1743, foram feitos prisioneiros, na madrugada de 3 de Fevereiro de 1968, por forças do PAIGC. A tragédia ocorreu numa acção militar na região de Bissassema, tabanca situada na península a sul do rio Geba, em frente de Bissau. Alferes Rosa comandava uma força, cerca de 70 militares, composta por um pelotão de europeus e dois africanos, ali instalada, no dia 31 de Janeiro, para subtrair o apoio logístico, manter a segurança afastada e impedir qualquer flagelação sobre Bissau pelo PAIGC. Num ataque violento de 250 guerrilheiros, penetraram no dispositivo e obrigaram a


força portuguesa a abandorar em pânico, apressada e desornamente a tabanca para salvar a vida. A fuga foi trágica, com consequências imprevistas, a que assisti e que, ainda hoje, está no meu subconsciente. Fazia parte da força que, saída de Tite, nessa madrugada, foi impotentemente em seu auxílio. Após uma tentativa fracassada de fuga do cativeiro, Alferes António Rosa e mais 25 prisioneiros portugueses, seriam libertados da prisão 'Montanha' na República da Guiné-Conakry, numa acção militar "Operação Mar Verde" pelas Forças Armadas Portuguesas, realizada em 22 de Novembro de 1970, concebida e executada pelo fuzileiro capitão-tenente Alpoim Calvão, com o apoio do Comandante Chefe e Governador da Província Portuguesa da Guiné, brigadeiro António de Spínola.
Entretanto, após a chegada a BISSÁSSEMA, verificou-se que o PAICG já havia retirado, apenas se encontravam na tabanca um pequeno número de elementos da população. Foi dada ordem para guarnecer BISSÁSSEMA a fim de proteger a população.
Mas isto não acabou por aqui, o PAICG não queria perder aquela posição estratégica e a todo custo desenvolveu ações no sentido de recuperar a tabanca. Assim, na noite do dia 4 e na madrugada do dia 5, desencadeou ações com a finalidade de experimentar e recolher informação sob o posicionamento dos militares ali instalados. E 10 minutos antes da meia-noite do mesmo dia 5 de fevereiro, uma forte flagelação, que apenas durou cerca de 25 minutos por, ao pretenderem tomar de assalto o dispositivo, sofreram baixas o que os levou a retirar. Mas no dia 9 de fevereiro, pela uma da manhã, regressaram com maior efetivo e melhor armamento, talvez comandado por Nino Vieira, com a vontade de tomar de assalto, capturar e desalojar os militares portugueses. Conseguiram abrir uma brecha no dispositivo de defesa em consequência de terem sido feridos 4 elementos de um abrigo, tendo penetrado no interior do dispositivo de defesa. Mas a forte reação das NT obrigou as forças do PAIGC a retirar com pesadas baixas, deixadas no local, abandonando grande quantidade de material de guerra e, apressadamente, transportar elevada quantidade de feridos que sofreram no ataque. Finalmente, passados cerca de 15 dias, no dia 25 de fevereiro, o PAIGC voltou a desencadear mais uma ação violenta de flagelação, agora com menor efetivo e armamento, tendo retirado, novamente, com várias baixas.
Em face do falhanço tido na efetivação da instalação de um aquartelamento e também aos resultados que se registaram no início, foi decidido abandonar a tabanca de Bissassema no dia 10 de março, procedendo-se à recolha de arroz, e ao reordenamento das populações na região a norte de Tite. Por isso, foram destruídas todas as moranças das tabancas que o PAIGC tinha aliciado na região, bem como os próprios abrigos que tínhamos construído para a defesa de Bissassema. Nunca mais lá voltámos.
Sabesse que esta intervenção, em Bissassema, foi um fracasso para ambos os lados. Se pelo lado português, para além dos prisioneiros e dois desaparecidos e feridos não se conseguiu contretizar os objetivos propostos; para o lado do PAICG, o elevado números de baixas, levou a que o PAIGC sempre escondesse as suas consequencias tendo, inclusivamente, ter sido considerado por alguns, como um dos maior desaires que sofreu no seu movimento de libertação da Guiné.
Passados que foram estes 51 anos, a visão dolorosa do estado dos militares em fuga para Tite, as lágrimas que corriam nas suas faces, os olhos cobertos de lama, a maioria descalços, ou mesmo nus, parecendo figuras de terror, apenas com forças para agarrarem, desesperadamente, a arma, a sua única salvação para manter a vida, em redor da morte, hoje, podemos questionar-nos: "será que valeu a pena o sacrifício e a vida destes jovens de ambos intervenientes na guerra…?"
João Trabulo

Há 51 anos... - texto da autoria do Coronel João Trabulo


"Há 51 anos...
Alferes Rosa
Bissassema, PU da Guiné, 2 de Fevereiro de 1968
Desta fatídica estadia em Bissassema, na noite de 2 para 3 de Fevereiro de 1968, no seu livro 'Memórias de um prisoneiro de guerra", alferes miliciano António Júlio Rosa, relata-nos:
"Seria meia-noite, quando, quem estava já dormindo, e era o meu caso, foi despertado violentamente!... Os 'turras' estavam a atacar!... Ouviam-se rebentamentos e muitas rajadas. Era um fogo contínuo e feroz. O ataque tinha sido desencadeado, a sul, no lado da mata... Estavam lá os africanos de Tite e alguns de Empada. O tiroteio manteve-se muito intenso durante cerca de meia hora. Depois... diminuiu até cessar completamente.





Quando o tiroteio acabou, ficámos convencidos de que o ataque tinha sido repelido. Contactei o Maciel para darmos uma volta pelos abrigos e ver se tudo estava bem. Deslocámo-nos até ao último abrigo do meu pelotão, situado a uns cinquenta metros e verificámos que tudo estava normal.
Íamos prosseguir a nossa ronda para sabermos dos africanos, quando, a uns cinquenta metros, se ouviu uma rajada de pistola-metralhadora. O som parecia vir de dentro do nosso perímetro. Ficámos os dois perplexos porque não tínhamos armas que “cantassem” assim!... Regressámos de imediato, à zona do comando e alertámos para a possibilidade do inimigo se achar no meio das nossas forças. Dentro do posto de comando encontrava-me eu, o Maciel, o Cardoso, o Gomes e três operadores das transmissões. De repente, apareceu, transtornado, o comandante da milícia de Tite. Só teve tempo de nos dizer que os ‘turras’ estavam dentro do perímetro e se dirigiam par o local onde nos encontrávamos. Mal acabou de falar fomos atacados. Não deu sequer tempo para se tentar encontrar uma solução!...
Rapidamente, procurámos sair para o exterior. Quando cheguei à porta, seguido pelo Geraldino e pelo Capitulo, rebentou uma granada ofensiva mesmo à nossa frente. Com o sopro da explosão fui empurrado para trás e não via nada pois tinha os olhos cheios de terra. Com o estrondo, fiquei surdo!...
Foi uma sensação horrível!... Pensei que ia morrer!... Foi impressão instantânea que passou em segundos. Entretanto, tive outra sensação!... Tive o pressentimento que ia ser abatido!... Sinceramente fiquei preparado para morrer!...
Senti-me agarrado, ao mesmo tempo que alguém me socava, violentamente, mas não sentia qualquer dor. Estava prisioneiro!... O Dino e o Capitulo tiveram a mesma ‘sorte’!... Seriamos levados para Conakry…”
Às 3 horas da fatídica madrugada do dia 3 de Fevereiro de 1968, militares da CCaç 2314 e dois pelotões da CArt 1743, estavam em marcha de Tite para Bissassema para socorrer os seus camaradas, mas em vão, pois já os não encontraram…
Após uma tentativa fracassada de fuga do cativeiro, Alferes António Rosa e mais 25 prisioneiros portugueses, seriam libertados da prisão 'Montanha' na República da Guiné-Conakry, numa acção militar "Operação Mar Verde" pelas Forças Armadas Portuguesas, realizada em 22 de Novembro de 1970, concebida e executada pelo fuzileiro capitão-tenente Alpoim Calvão, com o apoio do Comandante-Chefe e Governador da Província Portuguesa da Guiné, brigadeiro António de Spínola."
João Trabulo.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Parabens ao nosso coronel João Manuel Pais Trabulo





O nosso coronel João Trabulo, passa hoje mais um aniversário. Os nossos votos de parabens, com os desejos que continue com saúde por muitos mais anos.
Um Abraço.
Leandro Guedes.

segunda-feira, 5 de março de 2018

foto do então Alferes João Trabulo da CCAÇ 2314 - hoje Coronel

Que pena não ser a cores.
Obrigado pela partilha
Um abraço.
Leandro Guedes.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Monumento ao Esforço da Raça - Bissau, pelo Coronel João Trabulo


"MONUMENTO AO ESFORÇO DA RAÇA - BISSAU





























MONUMENTO AO ESFORÇO DA RAÇA - BISSAU
Com a independência, as estátuas na capital guineense foram retiradas, permanecendo apesar de várias tentativas para o derrubar, somente o "Monumento ao Esforço da Raça", depois renomeado para "Monumento aos Heróis Nacionais", na antiga Praça do Império, atual Praça dos Heróis Nacionais.
Foi começado a construir em 1934 com granito vindo da cidade de Porto, onde foi feito o projecto de autoria do arquitecto Ponce de Castro, sendo Óscar Ruas, presidente da comissão para a construção do monumento. Fazia parte dos projectos de "monumentalização" da cidade de Bissau, anunciados em 1945, pelo governador Sarmento Rodrigues.
Este monumento terá sido inaugurado em 19 de Maio de 1945, pelo Governador da Guiné, Manuel Sarmento Rodrigues, conforme manuscrito a tinta azul do verso do monumento: «Bissau, Manifestação de 19-5-45». Implantado na antiga Praça do Império, a eixo e fronteiro ao Palácio do Governo, é obra de inspiração “art déco”, com desenho invulgar e dimensão monumental, de grande escala, numa expressão geral densa e algo neobarroca. Uma série de elementos curvilíneos, em pedra, desenvolve‐se na sua base, em crescendo, suportando frontalmente um elemento vertical, espécie de pilar celebrativo.

O Monumento pretendeu mostrar a “portugalidade" da época, com as velas da Cruz de Cristo de uma caravela sobre as ondas, a meio uma mulher segurando uma “coroa de glória”, tendo no peito o escudo com as cinco quinas e a Cruz de Cristo e, no pedestal da base, o escudo gótico de Portugal com a legenda: “AO ESFORÇO DA RAÇA”.
João Trabulo, Coronel"

domingo, 4 de fevereiro de 2018

BISSASSEMA, 50 ANOS DEPOIS. - PELO CORONEL JOÃO TRABULO

BISSASSEMA 50 ANOS DEPOIS...






"Foi há 50 anos que António Júlio Rosa, Alferes Miliciano, natural da Abrunhosa, Mangualde, e mais dois seus militares, cabo cripto Geraldino Marques Contino e soldado Victor Manuel Jesus Capitulo, da CArt. 1743, foram feitos prisioneiros, na madrugada de 3 de Fevereiro de 1968, por forças do PAIGC. A tragédia ocorreu numa acção militar na região de Bissassema, tabanca situada na península a sul do rio Geba, em frente de Bissau. Alferes Rosa comandava uma força, composta por um pelotão de europeus e três africanos, ali instalada, no dia 31 de Janeiro, para subtrair o apoio logístico, manter a segurança afastada e impedir qualquer flagelação sobre Bissau pelo PAIGC. Num ataque violento de 250 guerrilheiros, penetraram no dispositivo e obrigaram a força portuguesa a abandorar em pânico, apressada e desornamente a tabanca para salvar a vida. A fuga foi trágica, com consequências imprevistas, a que assisti e que, ainda hoje, está no meu subconsciente. Fazia parte da força que, saída de Tite, nessa madrugada, foi impotentemente em seu auxílio. Após uma tentativa fracassada de fuga do cativeiro, Alferes António Rosa e mais 25 prisioneiros portugueses, seriam libertados da prisão 'Montanha' na República da Guiné-Conakry, numa acção militar "Operação Mar Verde" pelas Forças Armadas Portuguesas, realizada em 22 de Novembro de 1970, concebida e executada pelo fuzileiro capitão-tenente Alpoim Calvão, com o apoio do Comandante Chefe e Governador da Província Portuguesa da Guiné, brigadeiro António de Spínola.
Entretanto, após a chegada a BISSÁSSEMA, verificou-se que o PAICG já havia retirado, apenas se encontravam na tabanca um pequeno número de elementos da população. Foi dada ordem para guarnecer BISSÁSSEMA a fim de proteger a população.
Mas isto não acabou por aqui, o PAICG não queria perder aquela posição estratégica e a todo custo desenvolveu ações no sentido de recuperar a tabanca. Assim, na noite do dia 4 e na madrugada do dia 5, desencadeou ações com a finalidade de experimentar e recolher informação sob o posicionamento dos militares ali instalados. E 10 minutos antes da meia-noite do mesmo dia 5 de fevereiro, uma forte flagelação, que apenas durou cerca de 25 minutos por, ao pretenderem tomar de assalto o dispositivo, sofreram baixas o que os levou a retirar. Mas no dia 9 de fevereiro, pela uma da manhã, regressaram com maior efetivo e melhor armamento, talvez comandado por Nino Vieira, com a vontade de tomar de assalto, capturar e desalojar os militares portugueses. Conseguiram abrir uma brecha no dispositivo de defesa em consequência de terem sido feridos 4 elementos de um abrigo, tendo penetrado no interior do dispositivo de defesa. Mas a forte reação das NT obrigou as forças do PAIGC a retirar com pesadas baixas, deixadas no local, abandonando grande quantidade de material de guerra e, apressadamente, transportar elevada quantidade de feridos que sofreram no ataque. Finalmente, passados cerca de 15 dias, no dia 25 de fevereiro, o PAIGC voltou a desencadear mais uma ação violenta de flagelação, agora com menor efetivo e armamento, tendo retirado, novamente, com várias baixas.
Em face do falhanço tido na efetivação da instalação de um aquartelamento e também aos resultados que se registaram no início, foi decidido abandonar a tabanca de Bissassema no dia 10 de março, procedendo-se à recolha de arroz, e ao reordenamento das populações na região a norte de Tite. Por isso, foram destruídas todas as moranças das tabancas que o PAIGC tinha aliciado na região, bem como os próprios abrigos que tínhamos construído para a defesa de Bissassema. Nunca mais lá voltámos.
Sabesse que esta intervenção, em Bissassema, foi um fracasso para ambos os lados. Se pelo lado português, para além dos prisioneiros e dois desaparecidos e feridos não se conseguiu contretizar os objetivos propostos; para o lado do PAICG, o elevado números de baixas, levou a que o PAIGC sempre escondesse as suas consequencias tendo, inclusivamente, ter sido considerado por alguns, como um dos maior desaires que sofreu no seu movimento de libertação da Guiné.

Passados que foram estes 50 anos, a visão dolorosa do estado dos militares em fuga para Tite, as lágrimas que corriam nas suas faces, os olhos cobertos de lama, a maioria descalços, ou mesmo nus, parecendo figuras de terror, apenas com forças para agarrarem, desesperadamente, a arma, a sua única salvação para manter a vida, em redor da morte, hoje, podemos questionar-nos: "será que valeu a pena o sacrifício e a vida destes jovens de ambos intervenientes na guerra…?
João Trabulo, Coronel"

NOTA - Nesta tragédia desapareceram ao atravessar o rio, o Furriel Cardoso e o sargento das Milicias, tendo o corpo deste ultimo aparecido mais tarde.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Coronel João Trabulo faz hoje anos


O nosso coronel João Trabulo, que pertencia à CCAÇ 2314, aquartelada em Tite, passa hoje mais um aniversário.
Para o nosso coronel um abraço de parabens nesta data, que tenha muita saúde e que o dia seja alegre e bem disposto, junto de familiares e amigos.
Um abraço.
Leandro Guedes.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Parabens ao Coronel Trabulo


O nosso coronel Trabulo faz hoje anos.
Um grande abraço parabens, dos companheiros do BART 1914, com votos de boa saúde.