O Hipolito partilhou hoje esta foto em que está o capitão Luis Sousa Vicente, no tempo em que era comandante da Cart 1802, "Os pioneiros de Nova Sintra", em virtude de o comandante da Companhia ter sido evacuado por ter sido ferido em combate.
Batalhão de Artilharia 1914
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
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segunda-feira, 21 de agosto de 2023
Capitão Vicente, comandante da Cart 1802, em Nova Sintra.
O Hipolito partilhou hoje esta foto em que está o capitão Luis Sousa Vicente, no tempo em que era comandante da Cart 1802, "Os pioneiros de Nova Sintra", em virtude de o comandante da Companhia ter sido evacuado por ter sido ferido em combate.
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
Nova Sintra- a visita do Sr. General Spínola em Junho de 1968
Bart 1914, Tite - Guiné
"Há pouco em conversa com o Pica Sinos, ele fez-me recordar a importância desta foto, não só pelos militares ali presentes, mas também pela importância estratégica do aquartelamento que ali ia ser construído e ainda pelos mortos e feridos que ali se verificaram, em circunstâncias verdadeiramente dramáticas, conforme tem sido amplamente referido noutros escritos tanto no blog do BART 1914, como neste e noutros facebook's, por vários militares intervenientes. Esta foto que o alf. Vaz Alves me enviou em Agosto de 2011, relata uma visita do Comandante Chefe da Guiné General António Spniola a Nova Sintra, em 5 de Junho de 1968, data esta que está escrita no verso da foto, pelo ten-cor Helio Felgas.. Esta foto vinha acompanhada da seguinte carta do alf. Vaz Alves, dirigida a mim. Repare-se na descontração da indumentária dos militares em pleno teatro operacional, embora perfilados... Para quem conheceu o Gen. Spinola sabe que isto só muito raramente era permitido.: -
"Amigo Guedes
Um abraço antes de mais e as
desculpas por só agora ir ao encontro do que me solicitaste. Já tinha há tempos
o “rascunho” feito desta história, mas perdi-lhe o sitio onde o tinha guardado.
Ontem, ao passar a vista no blog, envergonhei-me ao ler a tua carta e prometi a
mim mesmo que de hoje não passava a história da foto do comandante Spínola.
Não sei se a foto tem alguma data
no verso mas ela anda à volta do dia 7 de Junho de 1968.
A minha referencia vai para essa
data uma vez que tinha passado um mês sobre o inicio da construção de Nova Sintra.
(esta data confirma-se, escrita pelo então Ten-Cor. Hélio Felgas).
Nesse dia o comandante Felgas
disse-me que no dia seguinte viria a Nova Sintra a Companhia Operacional de
Tite e por sua vez a Companhia de Nova Sintra ia a S.João buscar reabastecimentos.
Nessa altura a ementa estava limitada a arroz com chouriço e chouriço com
arroz.
A chegada dos helicópteros com a
poeira do quartel ainda em construção, encheu-nos a panela de areia e arroz. Ao
mastigar é que notávamos a diferença.
O comandante Spínola viu a
situação e no dia seguinte enviou alguns helis com frango e outros alimentos.
A situação era um pouco “gágá” em
termos de segurança, uma vez que fiquei só no quartel, a fazer a defesa e a
segurança aos helicópteros, com alguns cozinheiros e elementos do meu pelotão,
num total de cerca de uma dúzia de homens. Isto porque o meu pelotão (Nativos
66) tinha sido reduzido por ferimentos no 1º. ataque ao quartel, em 10 de Maio.
Nesse ataque vi uma série de
granadas de morteiro a explodirem nas árvores em frente ao meu abrigo.
Essas que explodiram em cima das
árvores, espalhavam os estilhaços e atingiam as pessoas em especial na cabeça.
Uma das que não explodiu em cima, veio pela árvore abaixo, atingir o Sapador
Neto, que faleceu dali a dois dias.
Algumas dessas granadas, pelo que
me disse o rádio telegrafista, que estava com o meu pelotão, andaram por bem
perto de mim, com os estilhaços a ficarem marcados na árvore do meu abrigo.
Nesta dia, melhor, a esta hora
lembrei-me de Bissássema e até a sombra dos baga-baga, lembravam alguém a
rastejar na nossa direcção. Aliás nesse ataque os “turras” chegaram a tropeçar
no arame farpado.
Nesse período de Bissássema, eu
não estava em Tite, porque fui destacado pelo Quartel General, para fazer
exames aos que tivessem 3ª. ou 4ª. classe, como se dizia na altura.
Foi o período negro do Batalhão
em que, além de Bissássema com a captura pelo IN do Alf. Rosa e dos Soldados
Contino e Capítulo, (da CART 1743) rapazes das transmissões, aconteceram a
morte do Alf. Carvalho, do Soldado Victor e do furriel Rato, que trabalhava ao
meu lado na sala de operações, em Tite.
da esquerda para a direita: Rato,
Vaz Alves e Bagulho
Durante esses quatro meses o
Comandante Felgas pressionou o Quartel General de tal maneira que tive de
voltar a Tite. Ele argumentava que eu lhe fazia falta, mas o que é certo é que
logo a seguir me mandou para Nova Sintra, como que “castigado”, embora eu nada
fizesse para sair para os exames. Conheci no entanto vários pontos da Guiné e
cheguei a pernoitar em Madina do Boé (o Algarve da Guiné...).
Com estas e com outras já não te
falava na foto.
Em primeiro plano estão o Alf.
Domingos Sá, um antigo colega meu do Liceu de Braga e que faleceu num dos
ataques a Nova Sintra, em finais de 1968.
Logo a seguir aparece o Cap.
Vicente que estava a comandar a Companhia Operacional 1802 em Nova Sintra, a
substituir um Capitão que tinha sido apanhado por uma mina anti-pessoal.
Voltando ao caso da foto, queres
saber o porquê da foto com toda a gente em calções e tronco nu? É simples. Era
assim que se andava há um mês, com barba por fazer, vestidos o mais aligeirado
possivel. Ninguém avisou da ida do Gen. Spínola e os guarda fatos estavam
“fechados”, com as fardas nº. 1.
Aliás, o nosso banho era tomado
com uma mangueira não sei de quantos polegadas e um motor a puxar água dum
charco. Tenho a impressão que no meu album, que há tempos vos enviei, existe lá
uma foto do banho, penso que com o Cap. Vicente, o Alf. Sá e eu.
Sem mais, aí vai mais um abraço e
telefona quando receberes este “arrazoado.
Vaz Alves".
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
NOVA SINTRA - GUINÉ
A construção do aquartelamento de Nova Sintra, na Península
de Gantangó, Guiné Portuguesa, teve início na madrugada de 6 de Maio de 1968.
A CCAÇ 2314 e a CART 1802 saiam de Tite e São João,
respetivamente, com destino à região de Nova Sintra, para a construção de um
aquartelamento. A CCAÇ 2314 atinge o objetivo, pelas 9 horas e 30 minutos e a
CART 1802, pelas 15 horas, com uma coluna de 17 viaturas carregadas de material
diverso necessário à sua construção, que ocorreu até 31 de maio.
Esta acção tinha tido inicio com trabalhos de abertura e
desmatação da estrada que ligava Tite a Nova Sintra, entre 17 de março e 4 de
Maio de 1968 e as operações de reconhecimento em 19, 23 e 30/31 de março.
Entretanto, em 1967, já o Comando do
Bart 1914 tinha feito uma tentativa da abertura do itinerário para Nova Sintra
que foi suspensa por dificuldades na obtenção de objetivos previstos.
A CCAÇ 2314, a 31 maio 1968, regressa a Tite, fazendo-se
acompanhar de 5 viaturas GMC, tendo atingido Tite pelas 9 horas, sem qualquer contato
com o IN e a Cart 1802 permaneceu em Nova Sintra.
Esta permanência em Nova Sintra foi bastante penosa quer
para a CCaç 2314 bem como para a CArt 1802, onde sofreram ataques ao
aquartelamento em 10MAI, com um morto soldado nativo e 10 feridos, a 12, 14 e
19 de Maio, sem consequências, e finalmente no dia 26 de Maio com um ferido.
Outras companhias se seguiram no melhoramento das condições
e defesa destas instalações, onde passaram sacrifícios e privações com ataques
frequentes do PAIGC que teimava em não permitir o controlo da área de Gantangó.
Assim, verificamos que no historial de Nova Sintra, consta:
- O aquartelamento foi construído pela CCAC 2314 e pela Cart
1802 entre 6 e 31 de Maio de 1968;
- A Cart 1802, ‘Os Pioneiros de Nova Sintra' permaneceram
depois até Outubro de 1968;
- A CArt 1743, esteve entre outubro de 1968 e Março de 1969;
- A CCav 2483, os ‘Cavaleiros de Nova Sintra', esteve entre
5 de Março de 1969 e Setembro de 1970;
- A CCav 2765, 'Pica na Burra', esteve entre Setembro de
1970 e 8 de Dezembro de 1970;
- A CArt 2771, os ‘Duros de Nova Sintra', entre 8 de
Dezembro de 1970 e 16 de Setembro de 1972;
- Finalmente, a 2ª CART do
BART 6520, permaneceu em Nova Sintra entre 16 de Setembro de 1972 e 17
de Julho de 1974, data em que entregou o aquartelamento ao PAIGC.
Desse dia, diz-nos Carlos Barros:
“Quando os guerrilheiros do PAIGC estavam perto do arame
farpado, portões das bananeiras, criou-se suspense de quem os iria receber. Os
furriéis Barros e Ferreira, desarmados e em calções, assumiram corajosamente
esse papel, e foram para junto do portão de acesso ao destacamento, onde os
guerrilheiros/as e a população afeta ao PAIGC entraram, conviveram connosco,
tiramos fotografias, jantaram, dormiram e afinal cheguei a uma conclusão: -
Eles e nós estávamos fartos da guerra e desejávamos a paz e, acima de tudo, a
libertação da Guiné”.
Diz-nos, também, que ajudou a oferecer livros e outras
lembranças, tendo sido para ele ‘um momento marcante da história da Guerra
Colonial, em Nova Sintra’.
Ajudou a arrear a bandeira portuguesa, mas o PAIGC não
hasteou a sua porque não tinha bandeira. Ficou com uma recordação dessa
bandeira portuguesa da qual guardou dois pedaços como lembrança da História
Real ou Virtual da Guerra. Bandeira que já estava em muito mau estado, diz ...
Uma das fotografias, publicada por José Pires, é um
documento histórico da entrega formal do quartel de Nova Sintra (BART 6520 de
Tite) ao PAIGC, em 17 de Julho de 1974, onde vemos o Alf. José Pires, o Ten.
Cor. Almeida Mira e o Cap. de Nova Sintra, pela parte portuguesa.
O Furriel Miliciano Carlos Barros, da 2ª. CART do BART 6520, relata-nos assim como foram os
últimos dias da presença portuguesa em Nova Sintra.
Este relato é ‘o princípio e o fim” de uma permanência feita
de sacrifícios, sangue, suor e lágrimas e até da própria morte, quer do lado
das Forcas Armadas Portuguesas, quer do PAIGC.
Nova Sintra estava situada na parte sul do Setor de Tite, na
Península de Gantangó, Quinara. Era uma
região abundante em cajueiros e mangueiros, onde se fazia o cruzamento da
estrada internacional que tinha início
no Enxudé, porto no rio Geba, e ligava Tite a Bolama por São João e
Fulacunda até Buba e Catió.
Presentemente, segundo informações, o local encontra-se
completamente abandonado e as instalações desaproveitadas cobertas pelo mato.
Gouveia, 6 de Maio de 2021.
Cor. JMPTrabulo — em Gouveia Municipality
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
Capitão Luís Vicente

O capitão Vicente apesar dos reabastecimentos, o que ele realmente era, era um homem operacional, gostava de comandar homens, ir para a frente de ataque, combater, sempre preparado para emboscadas, gostava também ele de emboscar o IN.
Muito arguto no mato. Homem inteligente, um militar. Foi proposto para uma alta condecoração militar, mas que eu saiba nunca lhe foi atribuida.
Era natural dos Açores e morava em Elvas com a esposa e filha.
Foi inglória a sua morte, ao que se diz atropelado no atravessamento a pé, duma estrada, depois do regresso à Metrópole.
Ten-Coronel Marcelino da Mata
Tanta polémica tem havido acerca do Ten-Coronel Marcelino da Mata, umas contra outras a favor, e afinal só o Correio da Manhã, revelou na sua revista do último Domingo dia 21 de Fevereiro, que o mesmo frequentou a escola primária de Tite na sua juventude.
Um facto
importante.
As fotos (tiradas por moi méme, como diria o Hipólito...)
são da antiga escola primária, a nova escola primária e a laje onde se realça a
oferta do BART 1914 do Povo de Tite.
Paz à sua alma!











