Batalhão de Artilharia 1914


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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sexta-feira, 3 de julho de 2026

A Capela de Tite, pelo Senhor Coronel Trabulo

CAPELA DE TITE - GUINÉ

Vamos lá ver se recordamos e contamos um pouco do historial da Capela de TITE e da sua imagem de Nossa Senhora.

Lemos, relemos e comparámos vários comentários e informações sobre a capela e a imagem de Nossa Senhora, cuja imagem alguns a confundiram com a imagem de Nossa Senhora de Fátima que estava na capela de Fulacunda. Os mais de 60 anos que já passaram, leva-nos por vezes a pequenas confusões.

Quanto às imagens de Nossa Senhora poderá certamente ter havido várias, mas capelas só havia duas, uma em Tite e outra em Fulacunda!

A Capela de Tite estava situada fora do aquartelamento, na tabanca, num local por onde passava a estrada que ligava Tite a Nova Sintra, à sombra de uma árvore de grande porte, conforme é facilmente visível nas fotografias existentes.

Era ampla e de um só corpo. Tinha um altar, coberta por um teto de folhas de zinco, com uma cruz, suportado por 7 pilares, primeiro de madeira (cibes) e depois de betão pintados de branco. Inicialmente, sem muro em volta (1964/65) e depois com muro em alvenaria ou feito em madeira de arcos de pipos (1963).

No seu interior, havia bancos corridos de madeira que não só eram utilizados para as cerimónias religiosas, mas também para outras atividades pois era um espaço polivalente que servia como capela, escola, creche, sala de reuniões, cinema, etc.

Estava sempre muito bem limpa, cuidada e com o altar ornamentado, onde tinha um nicho para a imagem de Nossa Senhora e um Cristo cruxificado.

Pensamos pelas informações que recolhemos que terá sido construída no início em que os militares guareceram o aquartelamento.

Com base na informação de Santos Oliveira, a capela de Tite, terá sido começada a construir pelo BCAÇ 237 e terminada pelo BCAÇ 599, na sobreposição da rendição daquelas duas Unidades nos finais do ano de 1963. Ao longo dos tempos foi beneficiada e, principalmente, a imagem inicial, a Imaculada Coração de Maria, foi substituída pela de Nossa Senhora de Fátima, bem como foi construído um altar em madeira avançado.

Tinha uma parede de suporte, com duas aberturas onde existia um nicho para a imagem de Nossa Senhora e uma ampla área coberta, separadas por um reposteiro conforme a sua utilização.

A questão das imagens de Nossa Senhora, quer da capela de Tite quer de Fulacunda, entende-se que, para além delas, algumas companhias tinha a sua imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Há quem diga que a imagem de Nossa Senhora de Fátima de Tite foi levada para Fulacunda, que, no nosso entender, é estranho e duvidoso.

Nas imagens publicadas podemos ver as diferenças entre as Nossas Senhoras, a vedação da capela e outros pormenores, como até um quadro de escola e uma imagem de Santo António no vão superior do altar.

À sua guarda tinha um militar, sacristão, e os atos religiosos eram celebrados por um Alferes Miliciano Capelão que faziam parte do efetivo orgânico da CCS. São recordados alguns nos comentários com o alferes Capelão Padre Luís Silva, o Cabo Hipólito Sousa que tinham a “superior função de tomar conta do tresmalhado rebanho”, como refere o Furriel Milº. Leandro Guedes.

Já agora, a informação de Jorge Barbosa da CCAV 2842, que rendeu a CCAC 2324, em Fulacunda, sobre a imagem de Nossa Senhora de Fátima da sua Companhia “quando acabámos a comissão, em dezembro de 1970, a imagem foi embalada e colocada num dos caixotes, seguindo para Bissau, para aguardar embarque. Porém, em Bissau, a imagem tinha desaparecido. Viemos sem ela.”

Apesar de ser um templo religioso não escapou aos ataques que o aquartelamento sofria, mas com uma curiosidade que a imagem de Nossa Senhora nunca foi atingida, como aconteceu no do dia 24 de Dezembro de 1968 e em 23 de Março de 1970.

Sabe-se que tal como todo o aquartelamento de Tite, a capela, infelizmente, foi abandonada e, aos poucos, caiu em ruínas e perdeu-se este templo católico existente durante a Guerra do Ultramar na Guiné, como se pode ver numa fotografia.

A fotografia mais antiga é do ano de 1963 e é de salientar uma das fotografias acompanhada do texto:

“Recordando… TITE ano 67

Uma capelinha, no denso matagal, cortou-se o capim, à volta e alisou-se o terreno. A alguns metros à frente, encontra-se o arame farpado exterior. Depois dele…  é. capim e mata de onde os “nossos amigos turras” tantas vezes nos têm tentado alvejar. O ambiente é típico de toda a Guiné.”

Assina (Luís Manuel Dias)

Existem fotografias histórica que nos recordam como era a capela.

• Uma foto histórica da Capela de Tite – 1963

• Aspeto da capela do início da Guerra da Guiné. A foto é de Correia dos Santos que esteve em Tite no STM na altura do BCAÇ 237 que esteve em Tite entre Julho 1961 a Outubro 1963.

• De um facto, diz Jorge Barbosa que “num ataque feito ao nosso aquartelamento às 20:05 horas do dia 23 de março de 1970, a capela foi atingida, um projétil furou a chapa de zinco de telhado, o interior da capela ficou cheio de marcas de estilhaços, mas a imagem de Fátima ficou incólume.”

• No interior, imagem pertencente a Silva Esteves, 1°. Cabo radiotelegrafista do BCAÇ 1860.

• Local coberto para escola, cinema e capela. Foto de Santos Oliveira, Sarg. Milº A. Pes./Ranger, Pel. Indep. de Morteiros 912.

• Fotografia do autor do texto de 1968/69, da CCAÇ 2314.

• Foto comparativa da Capela de Tite e Fulacunda.

Atualmente, Tite pertence à Diocese de Bafatá e tem uma capela nova.

1 de Julho de 2026.

JT/ Coronel



















Atualmente, Tite pertence à Diocese de Bafatá e tem uma capela nova.





Mesquita Islamica  de Tite - • Fotografia do autor do texto de 1968/69, da CCAÇ 2314.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A Capelinha de Tite

 Fotografia da Capelinha de Tite, comentada e assinada pelo Luis Manuel Dias. Ano de 1967, há 59 anos.



Humberto Marques

Lembro me muito bem desta capela numa época mais recente em 72 a 74 pois assisti á Santa missa varias veses tinhamos um padre Capelão que também jogava futebol com nós um abraço para todos os ex combatentes sem exceção

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Nicolau Esteves

Sinceramente não me lembro se essa capela já estava lá no meu tempo.

Passei por lá mais ou menos um ano.

Abril de 65 a 66.

Comp.cacadores 797 batalhão 1860 abraço pra todos

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Jorge Gouveia

Nicolau Esteves eu estive em 66/68 primeiro com o Bat 1860 e depois com o 1914 e já estava a capela

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Joao Germano

Conheço TITE 69/70 Saudações

sexta-feira, 17 de junho de 2022

O Vinho da Missa em Tite

 "Sr.,


 Reparou, certamente, com o habitual, experiente e apurado sentido crítico que o caracteriza, no estampado e estafado texto sobre o “vinho da missa”.

Propositadamente desformatado para “criôlo ou algaraviês”.

Obra, só pode, dos “galfarros” Bart 1914 e Raul Pica Sinos, com a conivência do n/cap.

Paraíso Pinto e acolitados, presumo, pelo António Cavaleiro e “sus muchachos”.

Tudo para, tentar, encobrir o crime de “lesa ecclesia”, por eles e outros perpetrado,

comprometidos e enterrados, como estão, até ao pescoço e tentando, capciosamente,

“sacudir a água do capote”.

Falta de consideração para com uma pesquisa e maturação que me consumiu uns dois

meses, se não mais, de trabalho afincado.

Só para análise e efeitos de contraditório, tomo a liberdade de transcrever o original, sem tirar nem pôr:

“Vinho da Missa...

Ufa ! . . .

Finalmente, alijei o anátema de “escorrepicha-garrafas” que arrostava, desde Tite, e que, alguns “esdrúxulos”, embora poucos, me imputam, em autoria moral e material . . .Tanto andei e desandei, porfiadamente, que a verdade, sendo como o azeite, vem sempre à tona . . .

Até acordei, hoje, leve como uma alface, depois de, ontem, ter visitado o n/capelão, padre

Luís, que muito considero e respeito, e de, gostosamente, o ter acompanhado num périplo pelo circuito Peneda- Gerês, com o seu epílogo num repasto, em Castro Laboreiro, saboreando o melhor bacalhau com broa do mundo (como reza o placard de marketing aí exposto). . .

E, enquanto digeríamos a broa (um tudo-nada pesadota) do bacalhau, subindo e descendo, em penitência, a escadaria do templo da Senhora da Peneda, fui sacando:

- Sabe, meu alfero/capelão, ando acabrunhado aí com umas “balelas” que, certos e

determinados mau-feitios, lá da nossa tropa, vêm propalando aos quatro ventos, sobre o gamanço e falsificação do vinho para a missa e que, temo,se tornem em jurisprudência

firmada.

Lembra, não lembra, da zurrapa que nos chegava, naquelas garrafinhas com rótulo

“Ferreirinha”?

- Se lembro! . . . lembro e não te apoquentes . . . eu sei de tudo . . . os tentáculos da igreja chegam a todo o lado. Não adianta esses meninos atirarem poeira ao ar . . .

- Ah ! . . . ainda bem . . . como assim? . . .

- Sabes. Há coisas sigilosas que não devo revelar, por dever de ofício . . .

- Oh meu alfero/capelão ! . . . por quem me toma ? . . . sabe que sou como um túmulo . . daqui não sai nada . . . conte, conte . . .

– Não sei se deva. Mas já que insistes e está em jogo uma questão de honra ao teu bom nome, que sempre dignificaste e honraste, aí vai, com a promessa de não passar daqui.

- Esteja tranquilo . . . nem por cima do meu cadáver alguém fica a saber uma vírgula que seja - adianto, antes que se arrependa.

- Bem. . . Como sabes, todos os meses eram-me destinadas duas garrafolas daquele néctar para o meu mister. E também, como sabes, a secreta aproveitava para, dissimuladamente, enrolando as ditas, enviar umas mensagens criptadas e confidencialíssimas que iam direitinhas aos op. cripto para deciframento e posterior entrega.

- Hum!? . . . já estou a manjar . . . prossiga . . . prossiga . . . p.f.

- Uma das garrafas era, logo ali, também descriptada e aparecia com a dita zurrapa, pelos dois criptos, de quem já não recordo o nome . . . esta memória já não funciona, embora,  paradoxalmente, retenha, que,ambos, tinham um nome de utensílio ligado às igrejas, e, outro, um nome bíblico . . .

- Ah ! . . . não seria um de nome Sinos e outro Jordão, rio onde, com a sua água, se faziam baptismos (também de conteúdos de garrafas)? . . ., ajudo eu.

 - Justamente. Isso mesmo. Tens boa memória e pontaria. Mas também, acolitados por um outro moço, assim a modos que salta-pocinhas . . .

- Salta-pocinhas, talvez não, mas troca- tintas(CIN), como ainda hoje é lá para os lados de Ovar, talvez . . .

- Talvez, talvez . . . e a outra garrafinha . . . sim, porque eram duas . . .

- E o Cavaleiro, que era o chefe deles, nada? . . . atalho eu, curioso, antes que esqueça . .

- Esse moço alto e desengonçado, ali dos lados de Viana? Esse . . ., muito bom moço .  

muito direitinho. Parece que, como navegava, como ora se diz, noutra galáxia, não se

apercebia da marosca que os insubordinados tramavam . . . embora, de quando em vez,

matasse o bicho com uma ou outra hostiasita, convicto pelos três da vigairada, de que era quinino para o paneleirismo, perdão, paludismo . . .

- E a outra garrafola, padre? Indago, cada vez mais curioso e já passado do capacete . . .- Como ia dizendo, a outra garrafa era entregue na secção de reabastecimentos, juntamente com a mensagem, em conluio e pacto salomónico, entre aqueles três e um furriel que aí firmava, assim meio espicha-canivetes, loirito, que andava sempre na psico na tabanca de jeep, e a quem, a providência divina, recambiou, por castigo, do Porto para junto dos infiéis, creio que lá para as linhas de Torres . . .

- Safa! . . . isto está a ficar bombástico, que nem o processo das escutas! . . . E essa garrafola, também aparecia só com a zurrapa . . ., pois claro? . . .

- É como dizes. Não havia volta a dar- lhe . . . Os quatro, pelo menos, sabem-no, tão bem ou melhor que eu . . . não adianta derraparem nas curvas . . ., nem tentar comer a papa na moleirinha . . .

- Obrigado, meu alfero. Tirou-me um peso cá da alma . . . até vou dormir melhor. . .

Convencidos, desta? Ou, ainda, será necessário um croquis a cores? . . .

Um xi para todos do Hipólito”

nota - este texto foi escrito há algum tempo pelo Hipólito, Sacristão em Tite, e cabo SPM.

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"De: João Manuel Pais Trabulo

17 de junho às 10:22  ·

FERREIRINHA

VINHO PARA MISSAS 75cl

Colheita de 1938, possivelmente engarrafado nos anos 70.

BISPADO DO PORTO

“D. António Augusto de Castro Meireles, Bispo do Porto, aos que esta Nossa Provisão, virem Saúde e Bênção em Jesus Cristo Nosso Senhor. Fazemos saber que pelas garantias que nos foram dadas e pelas diligências a que mandamos proceder, consideramos o “Vinho para Missas Ferreirinha”, da Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto, próprio para o Santo Sacrifício da Missa.

Porto, 13 de Junho de 1938.”

+ A. A. Bispo do Porto

Obs. Atualmente, as garrafas iniciais são comercializadas a 250 euros

João Manuel Pais Trabulo – Coronel."


quinta-feira, 25 de março de 2021

Ruas de Tite, em 1968

~~
Avenida principal e Porta d'Armas do Quartel


Avenida principal

Tite, Avenida principal - foto do falecido Embaixador Malan Djassi


Avenida principal, posto da Administração civil

Foto aérea (autor Correia dos Santos

Estrada para Nova Sintra
pista de aviação

Rua perpendicular à Avenida principal
do lado direito vê-se parte da Capela e ao fundo a Mesquita

Estrada para o Enxudé (s.e.)


Saída das estradas para as localidades dos arredores de Tite (foto do alf. Trabulo da CCAÇ 2314)

Via aérea de Tite (foto alf. Trabulo CCAÇ 2314)

Na esquina o armazém/loja do Djamil e a seguir o café do Silva

Parte da tabanca de Tite


sábado, 6 de junho de 2020

A história final da Imagem da capela de Tite


ESTE EMAIL ONTEM RECEBIDO DIZ QUE AFINAL A IMAGEM DE FÁTIMA DA CCAV 2482, FOI COMPRADA POR ELES NA METRÓPOLE ANTES DA IDA PARA A GUINÉ E SEMPRE OS ACOMPANHOU, TANTO EM TITE COMO EM FULACUDA, ATÉ TER DESAPARECIDO EM BISSAU:
-
"Boa noite, amigo Leandro Guedes.
Aqui vai o que me é possível transmitir-lhe sobre a imagem de Nossa Senhora de Fátima dos "Boinas Negras" (CCAV2482), reproduzindo o testemunho hoje telefonicamente facultado pelo, então, nosso comandante de companhia, hoje Coronel de Cavalaria (reformado) Henrique de Carvalho Morais:
«Antes de partir para a Guiné, o então Major Diogo de Brito e Faro (já falecido), casado com uma irmã do atual General Carlos Azeredo, ofereceu uma imagem de Nossa Senhora de Fátima ao seu amigo, na altura capitão de cavalaria, Henrique de Carvalho Morais, imagem que sempre nos acompanhou enquanto estivemos na Guiné, fosse em Tite ou, depois, em Fulacunda. Quando regressámos a Portugal, nos depósitos de material em Lisboa, a imagem não se encontrava na caixa em que tinha sido embalada. A que atualmente temos e nos acompanha nos convívios foi oferecida por uma anónimo, que, por definição, não quer ser identificado».
Falei também com o amigo Seara Fernandes (que foi furriel de transmissões e acompanhava muito o 1.º sargento que assistia administrativamente o capitão) e ele só se lembra que, em Tite, era a nossa imagem de Nossa Senhora (vinda connosco de Lisboa) que estava presente nas missas, como a de Páscoa, que foi celebrada em Tite, no dia 6 de abril de 1969, celebrada pelo padre Farinha, capelão do nosso batalhão (BCAV 2867). Portanto, a que estava no "nicho" do quartel, aí deve ter estado e continuado sempre, assim como em Fulacunda a imagem de Nossa Senhora que estava no "nicho" aí continuou, porque a imagem da nossa, que estava sobre o altar da capela, ali esteve toda a comissão e foi precisamente a imagem que não foi atingida durante um ataque muito espetacular ao quartel de Fulacunda em 23 de março de 1970. "

Imagem pertencente à Capela de Tite e que foi
lá deixada pelo BART 1914 em Março de 1969
A legenda acima está errada. Esta Imagem é uma outra
comprada por alguém após o
desaparecimento em Bissau, e não aquela que foi comprada
antes do embarque para a Guiné e oferecida à CCAV 2482,
pelo então Major Diogo de Brito e Faro.




quarta-feira, 20 de maio de 2020

Padres Italianos em Tite


“Boa tarde AMIGO

Felizmente vamos andando normalmente, mas com cautelas  a todos os que nos rodeiam.

Sobre a Capela em Tite e a Imagem, nada te posso ajudar. Não me recorda de a ter visto. Sobre a comunidade italiana, julgo que não se serviam da Capela, pois têm instalações muito boas, á saída do Quartel em direcção a Foia do lado esquerdo, onde têm salas, Capela. Quem é o responsável é um  Padre italiano, pela assistência á população e dá aulas.

Nós éramos para ter ido em Fevereiro, adiamos para Setembro, mas julgo que vai ser adiada para o ano a inauguração da escola em Candemã, perto de Bambadinca e de Bafatá. 
Se tiver hipótese de lá ir poderei tentar saber. 
Votos de boa saúde, para todos e aquele abraço

Raul Soares”

A Imagem da capela de Tite - episódio rocambolesco.


"Rocambolesco, no mínimo, o episódio com a imagem!
No nosso tempo, na capela estava a imagem de N. Srª de Fátima, como podes comprovar com uma foto do saudoso Viana, a rezar de joelhos junto ao altar.
Tem razão o n/coronel Trabulo, uma autêntica enciclopédia, em muitos assuntos, quando diz haver um nicho com uma imagem de N/Senhora.
Ficava encrostado não parede exterior da caserna da CCS, voltada para uma rua
pequena que separava a caserna do edifício das transmissões e mesmo defronte da porta que dava, salvo o erro, para o centro Cripto.

Não sou capaz de, a esta distância temporal, conseguir afirmar se era ou não a imagem do sagrado coração de Maria. Daquela legenda, não lembro.
Chegados ao mês de Maio, era aí que, à noite, se rezava o terço, “botado” pelo n/capelão ou, na sua ausência, pelo arturinho, ilmº e revmº o sacrista.
Talvez, o Narciso se lembre, já que ele era um dos que me incentivava na realização dessa cerimónia e, segundo diz, tirava as teias de aranha, limpava e lavava a imagem.
Daí, lhe tenha ficado a devoção de, até aos dias de hoje, todos os sábados (um “ferrinho”),continuar a ir ao terço, por vezes, até às tantas da matina.
Outro, que também era “devotissimo” e capaz de se lembrar, é o Pica, já que a imagem ficava mesmo defronte da porta de entrada e saída do ultra-secreto e inviolável “estaminé”, onde fazia que trabalhava.
Bjs e abraços
Hipólito
Vou reencaminhar para o Narciso e Pica"

segunda-feira, 18 de maio de 2020

A Capela de Tite, inaugurada em Janeiro de 1964.


"Caríssimo Leandro Guedes
 Obrigado pelo teu contacto. Procurarei responder á tua questão.
Assim: A Capela de Tite, tal como a encontrei em Set64 (altura em que cheguei a Tite)  e que está inserta no meu Livro na pág 48, foi construída  (a meias) pelo BC 237 do Ten Cor Carlos Barroso Hipólito e pelo 2º Comandante do BC 599, Major Agostinho Dias da Gama, que Comandava a primeira parte da Unidade.
A Capela, era-o para a moral das Tropas, mas também um polivalente que era Escola, Creche, Sala de Reuniões, etc.
Foi construída uma parede de suporte, coberta por chapas de zinco e o gradeamento era feito de aduelas das pipas do vinho.
Vou relatar um caso de suma importância na moral dos Militares que habitaram Tite  naquela época e que é pouco referida.
Aconteceu que num dos mais renhidos ataques inimigos, a parede da Capela e que era suporte (também) da Imagem da Virgem, ficou cravejada de balas de armas ligeiras. Contudo, a mesma Imagem da Virgem de Fátima, não teve absolutamente nenhum "arranhão".
Corria pelas bocas e sentimento dos Militares da época, que havia sido um Milagre.

Desconhecia que a imagem tivesse sido "capturada" por gente que não merece, sequer, qualquer classificação.

Desejo que estejas bem e assim continues por muitos anos.
Saudações aos Camaradas de Tite e que te estão próximos.

Abraço


Santos Oliveira"
-------------------------
nota -Pelo que diz o camarada Santos Oliveira, a capela de Tite foi inaugurada em Janeiro de 1964, ano de muitas construções em Tite feitas pelos militares do BCAÇ 599 e BCAÇ 237, com fins vários além de capela. A Imagem também foi colocada nessa altura e pertencia por isso à Capela de Tite, donde nunca devia ter sido levada.

quinta-feira, 14 de maio de 2020

BCAV 2867 - Março de 1969



de: HBN GUINÉ BISSAU

Muito bom dia.

Peço antecipadamente desculpa se não estou a dirigir-me ao endereço electrónico correto para o que pretendo expor, já que, em princípio, este endereço foi indicado no vosso site para o envio de fotos, mas não vejo outro meio.
Sou um antigo combatente que esteve em Tite em março de 1969, quando o nosso batalhão (BCAV 2867) foi render o vosso. Era um dos alferes da CCAV 2482, mas no meu caso particular, estive pouco tempo em Tite, porque em maio fui até Nova Lamego e, no caso da minha companhia, só lá esteve até junho, porque seguiu para Fulacunda.
Estamos a recolher alguns documentos para talvez se editar um segundo livro sobre a Guiné. Fizemos um, intitulado Histórias dos Boinas Negras (uma edição muito limitada, quase só para a "rapaziada"), e pode ser que fiquemos por aqui. No entanto, se por acaso viermos a editar outro, gostaríamos de colocar algumas fotos de Tite daquela altura. Não temos grandes fotos daquela época, até porque estivemos em Tite pouco tempo. No entanto, verifico que têm bastantes no vosso blog. Então, desejo perguntar se podem dar autorização a que possamos extrair imagens a partir das vossas fotos de que envio ficheiro PDF em anexo, caso em que, naturalmente, faríamos a devida referência à autoria das mesmas (BART1914 e,ou, nome de quem fariam o favor de indicar).
Muito obrigado pela atenção.
Cordiais saudações.
Jorge Barbosa
Tel.936314515
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Ainda sobre a Imagem da Senhora de Fátima que estava em Tite, recebemos o seguinte email, que agradecemos: 
"Estimado companheiro Leandro Guedes:
Muito obrigado pela sua atenção. Procurarei também ver cuidadosamente todos os links enviados e daremos o maior relevo a tudo quanto seja do vosso trabalho e que possa "encaixar" no nosso projeto.
Ainda bem que me falou da imagem de Fátima, porque pude esclarecer bem o assunto com o nosso comandante de companhia, atualmente Coronel Henrique de Carvalho Morais, na reforma. Pois, aí vai:
A imagem que estava em Tite foi connosco (CCAV2482) para Fulacunda, ficando na capela do quartel. Num ataque feito ao nosso aquartelamento às 20:05 horas do dia 23 de março de 1970 a capela foi atingida, um projétil furou a chapa de zinco de telhado,o interior da capela ficou cheio de marcas de estilhaços, mas a imagem de Fátima ficou incólume. Quando acabámos a comissão, em dezembro desse ano, a imagem foi embalada e colocada num dos caixotes, seguindo para Bissau, para aguardar embarque. Porém, em Bissau, a imagem tinha desaparecido. Viemos sem ela. A imagem que a companhia tem hoje é uma imagem que foi oferecida num dos convívios anuais por uma pessoa que quer manter o anonimato.
Só Deus (e talvez mais alguém) sabe(m) do destino dado à imagem.
Mais uma vez, muito obrigado por tudo. Não esqueceremos.
Um grande abraço e sempre ao dispor.

Jorge Barbosa "

segunda-feira, 4 de maio de 2020

sábado, 26 de outubro de 2019

Três memórias de Tite



Esta foto foi ontem publicada pelo Senhor Coronel Trabulo no facebook. 
É uma foto interessante porque 
  • se vê logo no incio do lado direito, parte da capelinha de Tite;
  •  ao fundo da rua vê-se a pequena mesquita islâmica de Tite e;
  •  foi nesta mesma rua, perto desta mesquita que faleceu o soldado Victor, quando caiu duma daimler em andamento, numa noite de ataque do IN. 
  • Lembram-se disto? Obrigado Senhor Coronel.

Leandro Guedes.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

CAPELINHA DE TITE - A IMAGEM DA SRA. DE FÁTIMA

A imagem da Sra. de Fátima, que agora anda 
em peregrinação pela casa de outros companheiros
A Capelinha de Tite com a imagem no altar

A Capela e um postal escrito pelo nosso 
companheiro furriel Luis Manuel Dias, em 1967
O nosso amigo Viana, que actualmente se encontra doente,
num momento de recolhimento junto à Imagem da
Sra de Fátima, em Tite

Companheiros
Recebemos do Francisco Silva esta mensagem, onde se conta a peregrinação da imagem da Sra. de Fátima, que estava na Capelinha de Tite:

"CAMARADAS
A C/CAV 2482 ESTEVE EM TITE E EM FULACUNDA. ANOS DE 1969/70.
TODOS OS ÚLTIMOS SÁBADO DO MÊS DE MAIO FAZEM O SEU CONVÍVIO.
A IMAGEM DA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA SEMPRE OS ACOMPANHOU E ACOMPANHA.
O ORGANIZADOR DO CONVÍVIO FICA COM A IMAGEM UM ANO EM SUA CASA.
NUM ATAQUE QUE TIVERAM AO QUARTEL DE TITE, CAÍU UMA MORTEIRADA QUE DESTRUIU A CAPELINHA.
A NOSSA SENHORA FICOU INTACTA.

HISTÓRIA REAL CONTADA PELO O NOSSO CAMARADA JOAQUIM FERNANDES (FURRIEL DE TRANSMISSÕES ) MEU AMIGO, CAMARADA E VIZINHO."
_________________ 
 

Amigos:
Não é demais lembrar aqui os homens que celebraram e zelaram por esta Capelinha, durante o tempo em que o BART 1914 e outras Unidades Operacionais, estiveram aquarteladas em Tite, de 1967 a 1969 - o Padre Luis Costa e Silva, já falecido e o nosso companheiro Hipólito. 
Para com eles teremos sempre uma divida de gratidão pelo seu companheirismo.
LG.