.


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).

-

"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

-

“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial

-

Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra Colonial, em Torres Vedras
---

“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra Colonial, no Entroncamento.


.

.
.

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

RECONHECIMENTO

ESTES SÃO OS EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART. FALTAM AQUI OS EMBLEMAS DAS UNIDADES DA ARMADA E DA FORÇA AÉREA QUE TANTAS VEZES FORAM AO ENXUDÉ, A TITE, A NOVA SINTRA E OUTROS AQUARTELAMENTOS, PARA ENTREGA E LEVANTAMENTO DE CORREIO, O SPM, REABASTECIMENTOS DE GÉNEROS E MATERIAL BÉLICO E OUTRO DIVERSO, OU PARA EVACUAÇÃO DE MORTOS E FERIDOS E TAMBÉM PARA FLAGELAÇÃO DO IN. E AINDA VÁRIAS UNIDADES DE INTERVENÇÃO RÁPIDA TAIS COMO PARAQUEDISTAS, FUZILEIROS, COMANDOS E OUTRAS COMPANHIAS, PELOTÕES OU SECÇÕES, PARA AJUDA EM MOMENTOS MAIS DIFICEIS, NÃO ESQUECENDO AS ENFERMEIRAS PARA-QUEDISTAS.
Mostrar mensagens com a etiqueta Pascoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pascoa. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Como era bonito o Compasso, em Domingo de Páscoa, no meu velho Bairro das Furnas


"COMO ERA BONITO O COMPASSO, EM DOMINGO DE PÁSCOA, NO MEU VELHO BAIRRO DAS FURNAS

…Era pela manhã que se ouvia o som constante da sineta a anunciar o compasso, acionado pelo Sr. José – o jardineiro -. Com uma opa vermelha vestida.
…As casas, cujos donos as queriam ver abençoadas, tinham as portas abertas, Era o sinal que era dado ao sacristão, para o sacerdote entrar.

Como era bonito o compasso (andamento), no domingo de Pascoa, no meu velho Bairro das Furnas!
Era uma semana antes que começavam os preparativos do povo. Os muros e as escadas das velhas casas de lusalite eram caiados. Os ripados dos quintais, virados para a frente das estreitas ruas, eram arranjados e pintados quanto bastasse. Aproveitava-se para podar as flores. Tudo que era restolho ou lixo era retirado.
Ao tempo, todos primavam por vestir o que de melhor conservavam. Aproveitando para estrear, nesse domingo, uma ou outra peça de roupa quiçá, a custo, ao rol comprada. As janelas eram engalanadas com modestas colchas e outras coberturas das camas, garridas por preferência. Os crentes, tudo bem tratavam para receberem nas suas casas o Jesus pregado na cruz.
Era pela manhã que se ouvia o som constante da sineta, a anunciar o compasso, acionada pelo Sr. José – o jardineiro - trazendo vestida uma opa vermelha.
A atrás, de traje igual, - o sacristão -, o Sr. Cristóvão, homem alto e de voz forte. Carregando na sua frente, de dimensão modesta, a cruz com o Jesus pregado.
O padre vinha logo atrás acompanhado de 2 miúdos. Estes, vestidos com trajes em acordo com a cerimónia. Um transportava o incensário, o outro, transportava o balde da água benta, tendo dentro o espargidor.
O sacerdote apresentava-se de batina branca, com as mãos escondidas pela estola, de cor verde, colocadas sobre a barriga.
Adultos e miúdos, estes, felizes e irrequietos, finalizavam o cortejo.
As casas, cujos donos as queriam ver abençoadas, tinham as portas abertas, Era o sinal que era dado ao sacristão, para o sacerdote entrar.
No seu interior, sobre a mesa, havia sempre um prato com algum dinheiro, amêndoas ou um pequeno monte de bolachas.
Aleluia, Aleluia… dizia o padre. Estendendo a cruz para permitir que o crente beijasse os pés do Senhor.
Aleluia, Aleluia… repetia o sacristão.


Seguia-se então a bênção, ao mesmo tempo que o seu ajudante movimentava o incensário, purificando o lar com o incenso queimado, proveniente de uma qualquer árvore aromática.
Por fim, o dinheiro era recolhido pelo padre. Na rua, as amêndoas e as bolachas oferecidas, eram atiradas aos miúdos que, se empurravam para as apanhar.
Nem todas as portas das casas se encontravam abertas a este costume religioso, dando aso a criticas por alguma vizinhança:
…Olha aquele não é crente…
…Aqueles ali são contra a igreja…
E ainda outras
…Caramba, a porta abre-se a toda a gente…
…Olha aquele, não deixa a mulher e a filha beijar o Jesus…
Creio que uma boa parte das gentes que não abria as portas, neste domingo de Páscoa, era fundamentalmente por vergonha da sua pobreza.
Estou convencido, por aquilo que assisti, que tais famílias não tinham sequer dinheiro para comer, quanto mais para dar dinheiro e amêndoas ao padre, que com elas, durante o ano nada repartia.
Assim era, o compasso no Domingo de Pascoa, no meu velho Bairro das Furnas.
Raul Pica Sinos"

quarta-feira, 28 de março de 2018

FELIZ PÁSCOA DE 2018




VOTOS DE FELIZ PÁSCOA, COM ESTE BELO POEMA DE VITORINO NEMÉSIO, ENVIADO PELA NOSSA AMIGA DRA RITA SARREIRA, A QUEM AGRADECEMOS E A QUEM ENVIAMOS TAMBÉM OS NOSSOS VOTOS DE FELIZ PÁSCOA.

"PRECE

Meu Deus, aqui me tens aflito e retirado,
Como quem deixa à porta o saco para o pão.
Enche-o do que quiseres. Estou firme e preparado.
O que for, assim seja, à tua mão.
Tua vontade se faça, a minha não.

Senhor, abre ainda mais meu lado ardente,
Do flanco de teu Filho copiado.
Corre água, tempo e pus no sangue quente:
Outro bem não me é dado.
Tudo e sempre assim seja,
E não o que a alma tíbia só deseja.

Se te pedir piedade, dá-me lume a comer,
Que com pontas ds fogo o podre se adormenta.
O teu perdão de Pai ainda não pode ser,
Mas lembre-te que é fraca a alma que aguenta:
Se é possível, desvia o fel do vaso:
Se não é beberei. Não faças caso.

Vitorino Nemésio"

NOTA - CONVÉM REFERIR QUE O POST AQUI PUBLICADO É DA AUTORIA DO NOSSO COMPANHEIRO JUSTO, ELABORADO NA PÁSCOA DE HÁ UNS ANOS PASSADOS MAS QUE ESTÁ SEMPRE ACTUAL. PARA TI AMIGO JUSTO, TAMBÉM OS NOSSOS VOTOS DE PÁSCOA FELIZ.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

quinta-feira, 24 de março de 2016

PASCOA FELIZ.

PÁSCOA FELIZ PARA TODOS OS NOSSOS COMPANHEIROS, AMIGOS, FAMILIARES E VISITANTES.


sábado, 7 de abril de 2012

Compasso Pascal - na minha infancia!

foto retirada da net

O anterior artigo do Pica, trouxe-me à memória, a minha infância e a alegria que a minha geração de jovens crianças, sentia na altura do Compasso Pascal.
Como ele diz, os preparativos começavam uma semana antes, com a limpeza das casas, arranjo dos jardins, públicos e privados, desbaste de árvores, ir ao campo cortar verduras, rosmaninho e alecrim,  para atapetar o chão, para o Compasso passar. E também os afilhados visitavam os padrinhos no Domingo de Ramos, como que a lembrar-lhes que uma semana depois esperavam umas amêndoas e alguma moeda se fosse possível.
Também no meu bairro, o da Azenha,  as mães colocavam nas janelas, as melhores colchas que tinham para alindar a casa, e fazer dela um pouco mais digna “da visita do Senhor”.

No fim da missa matinal no Domingo de Páscoa, os sinos da Igreja de Paranhos tocavam alegremente, eram distribuídos pelos mordomos e pelos rapazes as opas encarnadas e era designado o sineiro, que iria fazer a publicidade; a cruz era entregue a um mordomo que a conseguisse aguentar; outro homem era portador do saco com uma ranhura que havia de recolher as esmolas em dinheiro; outro ainda trazia um saco aberto onde seriam depositadas as amêndoas, as prendas que eram dadas ao senhor padre; havia ainda um outro elemento que era portador da caldeira de água benta; e ainda outro encarregue de acompanhar o padre para lhe segurar na batina quando era preciso. Era um cortejo que punha as crianças em alvoroço e numa correria muito grande.
Esquecia-me de dizer que, salvo erro no Sábado anterior, a Junta de freguesia mandava distribuir folares aos miúdos da escola, onde vinham amêndoas, bolos, rebuçados e algumas vezes um pequeno pão-de-ló. Esta distribuição era feita no jardim infantil, pegado com a escola, onde o Sr. Nogueira zelava para que tudo corresse a contento.

A Páscoa era um acontecimento importante para toda a gente, crente ou não, praticante ou não. Aliás as coisas ligadas à Igreja, no nosso tempo, tinham muita importância – a Páscoa, o Natal, o Crisma, a Comunhão (primeira e a solene), a Catequese, etc. Pelo menos para a pequenada. Hoje a maior parte desses pequenos seguiram caminhos diferentes.
Quando era possível as mães iam à Feira de Sant’Ana comprar algo novo, a preços mais em conta, para a miudagem – calças, camisas ou botas. Assim era mais bonito passar a Páscoa.

Chegado o Domingo de Páscoa, a inquietação da pequenada era imensa – ouviam-se os foguetes e ao longe as campainhas que avisavam da passagem do Compasso a caminho das nossas casas, onde na maior parte das vezes ele só chegava pela tarde fora. O percurso Pascal era muito grande e os Compassos eram vários – só nunca compreendi porque os Padres Capuchinhos, ordem Franciscana do Ameal (vestidos de castanho com uma corda à cintura e sandálias), não podiam fazer o passeio Pascal, que só era “permitido” à Igreja paroquial de Paranhos (padres vestidos de preto), onde também era feita a Primeira Comunhão, a Solene e o Crisma. Mas enfim, coisas passadas, mas que foram regularizadas, sendo hoje estas actividades repartidas “irmãmente”.
Mas como dizia chega o domingo e logo pela manhã, as Mães colocam no chão frente às suas casa, verduras várias que irão servir de tapete ao Senhor quando entrar na nossa casa, para a abençoar. Tudo é pouco para receber tão digna visita.

Lá dentro a mesa está posta com aquilo que cada um tem e pode – amêndoas, vinho do Porto, um bolo e alguma moeda para tilintar dentro das outras que já estão dentro do saco. A casa e as pessoas que nela habitam são benzidas e o compasso segue o seu caminho. Noutras casas há salpicão, presunto e até leitão não esquecendo um envelope simpático para o senhor Padre.
Há casas onde o compasso entra e nunca mais sai. Nessas a fartura é maior ou a Fé mais explícita e isso por vezes prende o senhor Padre mais um pouco.

O Padre entra na nossa casa, logo a seguir a Cruz, a água benta, o mordomo das esmolas e o das prendas. São recebidos na sala de jantar, na entrada, e a casa modesta é pequena para tanta gente importante. Toda a gente beija a Cruz onde está Jesus crucificado. Diz algumas palavras de consolo ou de paz à família, faz um carinho às crianças e vai embora. Come apenas uma amêndoa e um golo de vinho do Porto, porque o petisco numa das casas mais próximas será mais apelativo. Mas nada se perde, porque depois do senhor Padre sair, a pequenada faz um assalto à mesa, debaixo do olhar repreensivo e ao mesmo tempo compreensivo da Mãe.
O Compasso segue o seu caminho, a campainha tocando o seu badalar característico (ainda hoje identifico facilmente o tocar dum sino de Compasso), toda aquela agitação da pequenada que continua a seguir o esvoaçar das capas encarnadas que os mordomos envergam.

E assim se passou mais um Domingo de Páscoa à moda antiga – hoje nem os exemplos, nem os valores, nem a Fé, nem as preces,  nem os costumes, nem os trajectos, são os mesmos…
Feliz Páscoa para todos, com um abraço amigo.

LG.

Páscoa Feliz

Páscoa Feliz
COM TUDO O QUE HÁ DE MELHOR…

Eu sei que ainda falta alguns dias, mas antes que me esqueça, para os meus amigos  uma Páscoa Feliz.
 Boas amêndoas......
Victor Barros

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ainda estás aí???

É que não queriamos terminar o dia...
Sem te desejar uma EXCELENTE PÁSCOA!
Manuela e António Cavaleiro!!!

Páscoa - pelo Justo

 Amigo Guedes
Acabei de ler e reler o texto Pascal do nosso Pica Sinos, no Blog.
Claro que comentar já não vale a pena, pois tudo que sai daquelas mãozinhas por tão bem narrado, é certo e sabido que nos leva para tempos passados e recordar faz bem à alma...
O tema lembrou-me uma prosa que fiz em tempos, sobre a Páscoa e que rebuscando lá o fui encontrar.
Não terá uma visão muito religiosa do tema, mas no entanto passou-se nos tenros anos da minha meninice.
É uma mera curiosidade!!
Justo
.
Incidente na Via Sacra
A Igreja do Sacramento, sita na Calçada do mesmo nome, que vai do Largo do Carmo à Rua Garrett, esteve bastante ligada à minha família, e bastante presente na minha memória.
Nela casaram meus pais; fomos nós batizados, fizemos todas as Comunhões o Crisma etc.etc.
Eu e meu irmão desde muito novos fomos ?compelidos? a uma forte educação Católica.
Minha avó materna, cedo enviuvou, e a igreja tornou-se para ela o refúgio espiritual, quotidiano, pois não era senhora de amizades fáceis.
Claro que nós por imposição, além de frequentarmos a Catequese Dominical pós missa, também por vezes lá tínhamos que marcar presenças nos terços, Te Deum e ?principalmente? a Via Sacra por alturas da Páscoa.
Friso a palavra ?principalmente? porque de todas as celebrações religiosas, a Via Sacra era para nós miúdos de sete/oito anos, francamente a mais penosa. ?Uma seca? no vernáculo atual !!
?O QUE É A VIA SACRA?
A Via Sacra é uma oração que tem como objectivo meditar na paixão, morte e ressurreição de Cristo. É o reviver dos últimos momentos da sua vida na Terra. São 15 estações, que nos ajudam a percorrer um caminho espiritual e a compreender melhor a pessoa de Jesus e o amor que teve por nós ao ponto de se deixar matar, sofrendo muito, para que todos nós aprendêssemos o que é verdadeiramente amar.?(...)  in Wikipédia
O longo e arrastado ritual consistia em dar a volta à igreja, fazendo 15 paragens nos respectivos altares, cada um deles com sua representação própria sobre o martírio de Jesus até ao Calvário e sua crucificação.
Eu e meu irmão vestia-mos umas opas vermelhas (capas sem mangas) e eram-nos dadas duas tochas de culto, e integrávamos o cortejo sempre com o carrancudo Padre Carvalho, Pároco do Sacramento, chefiando as hostes !!.
O Padre Carvalho, era pessoa já de alguma idade, e para nós, não primava pela simpatia, e muito menos pela paciência com a miudagem que ao Domingo, antes da catequese fazia uma xinfrineira nos claustros da Igreja.
Era bastante ríspido, tinha um semblante carregado, e sempre uma maneira de olhar que gelava os ossos !!
As tochas de culto, teriam cerca de 1,30 m de altura, e um diâmetro de 5 cm e consistiam num longo corpo de madeira, cuja ponta em parte oca, ocultava uma grande mola que pressionava uma vela contra um rebordo metálico e que estava acesa durante toda a Via Sacra.
Quando nos ajoelhava-mos, e o padre lia os extensos textos bíblicos alusivos, acompanhado com cânticos pelas costumadas senhoras.
Para compensar o enfado, o nosso entretenimento, era com as unhas ir arrancando os bocados de cera quente e mole que iam escorrendo da vela, e fazia-mos pequenas bolas que sorrateiramente mandava-os para o meio do chão para se agarrarem os sapatos dos fiéis.
Admito hoje que ?não se faz? mas a pouca idade e o fastio de estar ali ?preso? aguçavam o pendão da maldade !!!
Certa vez, estava eu no ?escarafunchanço? da cera mole, quando de repente, salta a cabeça metálica, de dentro da tocha e uma enorme mola, fica balançando freneticamente de uma lado para o outro com a vela acesa na ponta lançando cera quente para cima das pessoas em redor.
A minha atrapalhação era enorme...tremia todo e tentava desesperado agarrar a mola e metê-la no sítio, mas não conseguia.
A minha figura devia ser única, eu muito corado, de joelhos, aflito para tentar compor a situação...os pingos de cera queimando-me as mãos...meu irmão ria...minha avó se tivesse um buraco no chão, decerto que nele se enfiava...o Padre Carvalho, devorava-me com aquele olhar de fogo...a confusão era geral, tendo sido o sacristão que abrupta e finalmente me tirou a tocha das mãos e lá a levou para a Sacristia.
Como complemento, este Sacristão, era também uma figura sinistra para a miudagem.
Só recordo o choro de minha avó, referindo a humilhação por que tinha passado !! quando já no caminho para casa, e a promessa de queixas aos meus pais, com o complemento punitivo assegurado.
Não lembro se na realidade isso aconteceu ou não, mas sei que ela durante muito tempo nem me podia ver.
Esta minha tão querida avó, de seu nome Conceição, faleceu de repente em 1973 com a bonita idade de 84 anos, perfeitamente lúcida e activa.
Era-me muito querida.
Senhora super sensível, os anos que viveu em Inglaterra, bruniram ainda mais a sua personalidade, sendo uma encantadora conversadora e de um trato fino e meigo, que com muita saudade recordo.
Já adulto, era a minha confidente, por vezes conselheira, e até banqueira, pois de quando em vez lá lhe metia um vale para umas notitas, ?cravanços? a que ela generosamente nunca se opunha.
Já depois de vir da Guiné, nas reuniões familiares Natalícias, invariavelmente, o episódio da tocha era recordado.
Agnóstico convicto, desde menino, leitor compulsivo, os milhões de páginas devoradas, levam-me a respeitar e aceitar todo o tipo de credos, mas tenho muita dificuldade em compreender o que leva as pessoas à religiosidade.
Será a fraqueza, a insegurança e os medos, a solidão, o pouco saber ??!!
Mesmo nos momentos mais atrozes da minha vida; estar debaixo de bombardeamentos na Guiné, no pânico permanente do vislumbre da morte, o desaparecimento de quem mais amo, gravíssimo problema de saúde...nunca senti necessidade de apelar a Deuses ou Santos, bem pelo contrário, os maus momentos ainda veicularam mais, o que sobre isso penso.
Por vezes pergunto-me; se na realidade existe alguém tão bom e misericordioso, como oiço tantos defenderem, onde andará ?
Deve ser cego e surdo, e tudo o que se passa neste desgraçado mundo merece a sua total indiferença ?
Eu tenho as minhas respostas.
Há no entanto um santo, esse sim de minha inteira devoção; o ?São Justo?, é nele que vou buscar as forças e animo, quando deles necessito !
O ?São Justo? é muito recriminador, teimoso, mas grande companheiro e perito em me agarrar quando por vezes estou prestes a cair...é assim...como que um ?anjinho da guarda de grandes asas, sempre voando baixinho ao meu redor para não se afastar muito? !!
José Justo
____________________________
Amigo Guedes
Continuo sem conseguir comentar diretamente no Blog ??!!!!
Não é azelhice minha, pois já confirmei que há uma incompatibilidade com o meu novo sistema e o blog, pois até para o abrir e avançar com o cursor é um castigo e morro com enervante lentidão.
Por tudo isto, agradecia ? caso aches ter interesse - que inserisses este comentário OK.
José Justo
.
Pica, não me lembrava ter contado isto em Tite, e muito menos a cena do fio de telefone...que por graça repetia várias vezes só para ver sempre o sorriso lindo da Sãozinha: - Já não me enganas!!
Ligando a isto, a Alda há alguns anos teve uma queda grave que a levou ao hospital durante uns tempos de internamento.
Numa das visitas, e para animar a situação, lembrei-me da piadinha do ?aperto do fio? e na brincadeira fingi estar a estrangular o tubo do soro. Claro que a família já conhecia a gracinha e estava a sorrir,
...eis senão quando...uma idosa, visita de outra doente (assim pró tipo; calhandra de
carregar pela boca!!) se aproxima muito excitada e aos berros a bater-me na
mão???!!!...?pra estar quieto...que aquilo não se fazia, era um perigo...coitadinha da
criatura, eu devia era ser maluco? etc. etc. Escusado será dizer que o meu pessoal, se já sorria com a fingida maldade, acabou quase à gargalhada.
José Justo
.
Á amiga Albertina Granja.
Obrigado pelo comentário, e creia que esta minha avó materna superava tudo o que de bom e ternurento se possa imaginar de um ser humano. Ainda hoje com minha mãe (93 anos) lembramos lindos episódios passados com ela.
Tendo as suas crenças religiosas bastante fortes, aceitava as minhas ideias e teorias de uma forma absolutamente única, dando-me por vezes razão e ficou deslumbrada, ao lhe definir o Catolicismo como Dogmático, com a frase ?Os dogmas não se discutem, ou se acreditam ou não?.
Nas nossas conversas pós almoço sobre religião (na época trabalhava na baixa e almoçava todos os dias na sua casa no Rossio) falava-lhe várias vezes sobre um episódio por mim vivido do primeiro ano de Religião e Moral na Veiga Beirão ? disciplina que eu abominava - a um padre, que tinha o condão de me arrepiar cada vez que abria a boca.
Talvez conte um dia as quatro perguntas, que me valeram a expulsão das aulas da dita disciplina, e uma prometida queixa ao diretor da escola...que parece nunca se ter concretizado...porquê não sei, ou talvez calcule!!!
Guedes, sem querer ?abri o leque? se vires que é longo corta no que quiseres, comigo tudo bem.
Abraços e cumprimentos.
José Justo

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Páscoa Feliz

A todos os companheiros, amigos e visitantes deste blog, desejo uma Páscoa Feliz, com votos de boa saúde para todos e seus familiares.
Um forte abraço do

ex-Alferes Vaz Alves.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Recordado o Compasso Pascal - pelo Pica Sinos

COMO ERA BONITO O COMPASSO, EM DOMINGO DE PÁSCOA, NO MEU VELHO BAIRRO DAS FURNAS

…Era pela manhã que se ouvia o som constante da sineta a anunciar o compasso, accionado pelo Sr. José – o jardineiro -. Com uma opa vermelha vestida.
Atrás, de traje igual, - o sacristão -, o Sr. Cristóvão, homem alto e de voz forte. Carregando na sua frente, de dimensão modesta, uma cruz, com o Jesus pregado...

…Creio que uma boa parte de quem não abria as portas, neste domingo de Páscoa, era fundamentalmente por vergonha da sua pobreza.
Estou convencido, por aquilo que assisti, que tais famílias não tinham sequer dinheiro para comer, quanto mais para dar dinheiro e amêndoas ao padre, que com elas durante o ano nada repartia...

Um conjunto de amigos foi chamado a um almoço, lá para os lados das Olaias, na casa da Nelinha. Esta grande amiga foi (é), uma das “Miúdas” da minha rua, do velho Bairro das Furnas que, um dia me fez um pronto “xó pra lá”, quando lhe procurei roubar um beijo, debaixo da figueira, que, existia no seu quintal. Mas deixemos isto para outra ocasião.

Continuando; Na chegada a casa, depois dos beijinhos e abraços e, certamente, tendo em conta a aproximação do período da Páscoa, alguém ofertou a esta querida amiga, um pacote com variados e diferentes tipos amêndoas.
O gesto foi muito admirado, dando para ver, as ditas cujas, “partirem”, de forma “acelerada”, do recipiente em que foram colocadas.

Bonita foi a controvérsia que originou na apreciação das diferentes variedades, de tão apreciado e gostoso produto de torrefacção ou caramelização de frutos secos, ou com outros recheios.
Dizia uma. Ah… gosto muita das amêndoas torradas…
Dizia outra…Eu gosto daquelas que têm no recheio licor ou chocolate…
Retorquiu outra….Ah… eu também gosto muito de amêndoas, mas não arrisco comê-las, só chupa-las, por via da minha placa dentária…

Mas, o mais importante, foi alguém se ter lembrado das amêndoas oferecidas ao padre, no período da Pascoa, nas casas quando benzidas, do nosso velho Bairro.

Como era bonito o compasso (andamento), no domingo de Pascoa, no velho Bairro das Furnas!
Lembro-me que, uma semana antes, começavam os preparativos do povo. Os muros e as escadas das velhas casas eram caiados. Os ripados dos quintais, virados para a frente, eram arranjados e pintados quanto bastasse. Aproveitava-se para podar as flores. Tudo que era restolho ou lixo era retirado. Uma ou outra peça de roupa, a custo, quiçá ao rol, era comprada.
 
Ao tempo, todos primavam por vestir o que melhor conservavam. Aproveitando para estrear, nesse domingo, uma ou outra peça de roupa. As janelas eram engalanadas com colchas e outras coberturas das camas, por sinal bem garridas. Os crentes, tudo bem tratavam para receberem nas suas casas, Jesus pregado na cruz.

Era pela manhã que se ouvia o som constante da sineta, a anunciar o compasso, acionada pelo Sr. José – o jardineiro -. Que trazia vestida uma opa vermelha.
A atrás, de traje igual, - o sacristão -, o Sr. Cristóvão, homem alto e de voz forte. Carregando na sua frente, de dimensão modesta, a cruz com o Jesus pregado.
O padre vinha atrás acompanhado de 2 miúdos. Estes, vestidos com trajes em acordo com a cerimónia. Um transportava o incensário, o outro, transportava o balde da água benta, lá dentro o espargidor. O padre apresentava-se de batina branca, com as mãos escondidas pela estola, de cor verde, colocadas sobre a barriga.
Adultos e miúdos, estes, bem desinquietos, finalizavam o cortejo.

As casas, cujos donos as queriam ver abençoadas, tinham a portas abertas. O sinal que era dado ao sacristão, para o sacerdote entrar.
No interior da casa, sobre a mesa, havia sempre um prato com algum dinheiro e, amêndoas.

Aleluia, Aleluia… dizia o padre.
Estendendo a cruz para permitir que o crente beijasse os pés do Senhor.
Aleluia, Aleluia… repetia o sacristão.
Seguia-se a bênção, ao mesmo tempo que o seu ajudante movimentava o incensário, purificando o lar com o incenso queimado, proveniente de uma qualquer árvore aromática.
Por fim, o dinheiro era recolhido pelo padre. Na rua, as amêndoas oferecidas, eram atiradas aos miúdos que, se empurravam para as apanhar.

As portas das casas que se encontravam fechadas, a este costume religioso, havia sempre vizinhos algo criticadores, dizendo não raras as vezes:

...Olha aquele não é crente…
…Aqueles ali são contra a igreja…
…Caramba…a porta abre-se a toda a gente…
…Olha …aquele, não deixa a mulher e a filha beijar o Jesus…

Creio que uma boa parte de quem não abria as portas, neste domingo de Páscoa, era fundamentalmente por vergonha da sua pobreza.
Estou convencido, por aquilo que assisti, que tais famílias não tinham sequer dinheiro para comer, quanto mais para dar dinheiro e amêndoas ao padre, que com elas, durante o ano nada repartia.

Assim era, o compasso no Domingo de Pascoa, no meu velho Bairro das Furnas.

Nota: Agradeço à Clarisse Caetano, à Helena Ferraz e à Manuela Silva as dicas que me deram, pois essas dicas o texto não seria tão “rico” em termos históricos.

A foto do cruzeiro foi montada, pois tinha pessoas na sua frente. Mais uma vez agradeço à Clarisse Caetano por permitir as alterações na foto que dispensou.
Pica Sinos
_____________________________
este relato foi copiado, com a devida vénia, do blog do Pica Sinos, cujo endereço é
  

quinta-feira, 20 de março de 2008

Páscoa Feliz 2008

A todos os meus amigos e familiares desejo uma Páscoa Feliz, com fortes votos de boa saúde e bem estar, não esquecendo paz e amor.
A todos um grande abraço.

notyet disse...No que me toca, retribuo com grande abraço
22 de Março de 2008 10:45

Zé Justo disse...
Meu caro, amêndoas e miminhos quanto baste nesta Páscoa, para ti e todos os Guedesinhos.
22 de Março de 2008 17:41

alcindaleal disse...
Leandro desejo-lhe a si, à Ana e restante família uma excelente Páscoa! Quero aproveitar este espaço para enviar a todos os combatentes em Tite e colaboradores deste blogue o meu muito obrigada pelas narrativas e BOA PÁSCOA! Aproveito para lhe dizer que o e-mail que lhe enviei hoje foi devolvido,mudou de endereço? Cumprimentos (Alcinda: não mudei de email, só que estava cheio).
22 de Março de 2008 18:27

Raul disse...No que a mim me toca quero agradecer os votos de Pascoa Feliz que retribuo a Alcindaleal. Quero também agradecer a simpatia manifestada por ler as narrativas que os colaboradores do Blog produzem e onde me incluo.Peço-lhe que não deixe de fazer criticas ou de fazer observações sempre que entenda por conveniente
23 de Março de 2008 20:50