Batalhão de Artilharia 1914
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
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domingo, 19 de julho de 2020
19 de Julho 1967 - o primeiro ataque a TITE, Guiné/Bissau na Era BART 1914
domingo, 3 de maio de 2020
19 de Julho de 1967
"Naquele tempo, tínhamos por hábito após o jantar ficarmos um pouco na conversa sobre os mais diversos assuntos, que nos tinham prendido a atenção nos tempos mais recentes. Mas havia sempre alguém, que se entretinha a jogar ás cartas, ou ao dominó, enquanto outros se juntavam ao balcão do bar, bebendo um whisky ou um gin, até chegar a hora de irem para a cama descansar. Também havia quem fosse para a camarata ouvir música ao seu gosto, (alguns tinham gravadores), enquanto se escrevia um aerograma à namorada, à esposa ou aos pais.
Só que naquela noite tivemos visitas indejejáveis por volta das 23 horas. De repente soaram uns tiros, seguidos de rebentamento de granadas de morteiro, de bazucas e rocketes. Foi a confusão geral e cada um fugiu para seu lado, procurando chegar ao local que lhe estava destinado, em caso de ataque ao aquartelamento.
O pessoal dos Morteiros foi para os seus abrigos, para dar resposta imediata ao ataque do inimigo, o pessoal das Daimeler fugiu para as respectivas viaturas, para saírem do aquartelamento e irem reforçar os postos de sentinela avançados, a Companhia de intervenção foi reforçar as defesas ao longo do perímetro do aquartelamento, o pessoal de medicina e de transmissões foram ocupar os seus postos, preparando-se para os piores cenários, e alguns desorientados procurando refúgio debaixo das mesas mais próximas.
Lá fora, as balas tracejantes cruzavam o céu, por cima das instalações do aquartelamento, parecendo fogo de artifício. Só visto!...um horror!
O pessoal do Bart 1914 nunca tinha passado por uma situação destas, mas os pelotões de Morteiros e das Daimelers, já com alguns meses de comissão, já tinham algum traquejo destes cenários..
Durante sensivelmente 3 quartos de hora foi resistir o melhor possível, para defendermos as nossas posições, pois sendo noite, só com o nascer do Sol poderíamos ver, as consequências do ataque inimigo. Havia naquela altura que verificar apenas, se teria havido baixas da nossa parte. De memória, penso que não.
Com o nascer do Sol, fomos fazer o levantamento dos estragos e entre muitos, que os houve, encontrámos esta relíquia, que pertencendo ao que foi um roquete destruiu grande parte da cobertura da minha camarata, com muita sorte para mim que na altura escrevia um aerograma. Tivesse caído 4 ou 5 metros mais para o meu lado e possivelmente não estaria agora aqui a escrever estas linhas.
Foi por isso que a guardei e mandei prepará-la numa base de madeira, com as inscrições, que se podem ver. É por isso uma relíquia, para todos nós, e por isso deve ser lembrada e partilhada por todos. Augusto Antunes
Alf. Milº"




