.


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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sábado, 3 de setembro de 2011

As viagens do Hipólito.

Companheiros
Era minha convicção que tinha compartilhado convosco, uma vinda do Hipólito e Esposa a Torres Vedras, há uns meses atrás. Mas parece-me bem que não partilhei convosco essa amavel e simpáctica passagem por Torres. Mas na dúvida e quando andava à procura dessa noticia, encontrei este excelente texto que o Hipólito escreveu. Excelente e divertido.
Por isso aqui vai a sua repetição.
Mas isto quer dizer que vale bem a pena, uma revisita ao nosso blog original, pois tem lá coisas engraçadissimas, divertidas, escritas por diversos companheiros. São mais de 1.400 artigos escritos com amizade, ardor, empenho e vivacidade. Como diz o Costa, "tenho amor por esta malta..."
Este texto do Hipólito, foi resultado do pedido feito a vários companheiros para que descrevessem uma viagem feita e de que tivessem gostado.
Aqui está a eleita do Hipólito...
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""Mal refeito duma diarreia, advinda duma malfadada sortida ao sul, sobreposta e agudizada por uma “gapeira” das antigas, que, quase, me limpavam o “sêbo” e me levavam desta pr’a melhor . . ., a verdade é que continuo ranhoso e calão ronceiro, mais que o habitual . . .

Pragas apegadas, desconfio, por alguém das TMS, ou a seu rogo, que, como já perceberam, são todos do sul, Cavaleiro inclusive, porque também nado e criado a sul de Valença.
Engodado, mais uma vez (o Cavaleiro e o Guedes, com o “nem lá vou nem faço minga” do Monteiro, fariam cá uma tripla de pe(s)cadores de estalo), num contributo para o acervo histórico do blogue.
Só que . . . oh “diacho” ! . . .

"Simulação real" en cenário de guerra..."

Sobre viagens ? ! . . . Acho que, desta, passo.
Raramente, saio deste buraco pré-histórico (de que serei bicho).
Fui uma vezita a Fátima, outra ao Meco, ao Fialho, a Alenquer e de pouco mais posso dissertar, a não ser daquela . . .
Primeira vez que fiz “chi-chi” no mar, num inolvidável cruzeiro à côte d’Afrique, uns bons 42 anos atrás, com viagens e estadia de dois anos, pensão completa, inesquecível oferta do, então, generoso, mas de que, ainda hoje, oiço dizer cobras e lagartos, governo da paróquia.
Com tratamento vip, tanto na viagem, em paquete e classe “conforto”, como na estadia, com “gamela” garantida e frequentes arraiais de fogo de artifício, não só no hotel, como também nos habituais safaris, de primeiríssima água, fora de portas.
Somos, francamente, uns ingratos. Alguém mais, teve a gentileza de uma dádiva tão generosa ?!
Resort de Tite

Reflictam, metam a mão na consciência e arrependam-se, para salvação da vossa alma, de tão mal dizer, enquanto é tempo.

Onde, quando e como nos cairia do céu a oportunidade, única e irrepetível, de conviver e privar com figuras ímpares como Pintassilgos, Penáfias (um cabito reguila que até uma vaca introduziu na caserna para doce companhia nocturna e deu um cabo dos trabalhos para retirar e, quase no regresso, ia derrubando a camarata com uma estocada de jeep), um Águas, um Porto, um vira-pipas; de saborear o gosto de um Laranjina C; de privar com um Moisés Tchombé do Katanga; de apreciar a parelha dos nobiliarcas criptos e restante matula da dita, já então, casa dos segredos; padeiros, cozinheiros, bate-chapas, serralheiros, encarregado d’obras, paga-dez, major hortelão; outros não me toques que desafino, tipo aristocrata intelectualóide de esquina, como, ainda hoje, continuam de tique atropalhado em riste; um impagável Mestre, um Traquino e um papa-açordas, como o SPM; um Sangalhos, de parelha com o sarg. Bico, na recolha do lixo e que faziam lembrar figuras presepiais; uns “pinchas na criva” como os Arrabaça e Monteiro; bajudas, lavadeiras, djubis, mosquitos, cobras, lagartos, arroz para o Viana “serzitar” os tijolos, e, sei lá, tantos outros que seria, porventura, fastidioso estar aqui a recordar . . .
Turismo religioso

Mas, tudo e nem pensem o contrário, sempre num autêntico ambiente exótico e tropical e a bem do império.
Reverentes e agradecidos é que devemos estar pela oportunidade concedida de, nesse cruzeiro e sequente estadia em resort de inegável qualidade, ter conhecido e convivido com os simpáticos carinhas larocas que, felizes, ainda hoje, se vão reunindo para recordar, como vemos na foto-cabeçalho do blog e que, apesar de, à primeira vista, parecerem fora de prazo, carecas, barrigudos, trampalazanas e fossilizados do século passado, são, sem dúvida, autênticos, genuínos e vernáculos heróis não reconhecidos.
Ao reler este texto sobre uma viagem na, outrora, nossa terra, surgiu-me a seguinte reflexão:
Mais uma , como dizem, do “murcão” (ou trapaceiro?) de Baltar ?! . . .
Não se ponham a milhas, não . . . meus lindos e ainda ireis oxigenar as meninges pr’a S. Pedro de Muel ou Areia Branca (onde, há já muito, desespero aceder em romagem gastronómica, de tão fraquinho e debilitado fiquei com as moléstias de que já vos dei notícia).
Fotos? . . . cá tem. O Justinho que supra a minha insuficiência.
Por falar em fotos: eclipsou-se a foto de um tal Leandro Guedes da galeria dos famosos, talvez por não ter honras de famoso. “Bamos” lá, toca a recolocá-la in su sítio.
Paquete de luxo, de cruzeiros

Hipólito""

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Talvez um dos mais bonitos videos sobre a cidade do Porto - enviado pelo Julio Garcia



o nevoeiro, a juventude, o rio, as pontes, o mar e toda a beleza que os rodeia...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

As vilas e cidades da nossa terra...

Procurem aqui várias fotos das vossa cidades ou vilas.
Foi de alguns destes locais que há 40 anos sairam para o Ultramar os nossos jovens e foi também a alguns deles que regressaram.
É interessante.
Foi uma simpatia do Cavaleiro.

http://www.flickr.com/photos/vitor107/sets/

quinta-feira, 17 de março de 2011

Viana, a Princesa do Lima...

Haverá coisa mais linda???!!!!!!


Ao amigo Hipólito,

VIANA.............

Tem "barbecues", tem restaurantes, auditórios para mini assembleias e templos para fazer promessas!!!!, entre muitas mais "maravilhas"!!!!

Querem visitá-la???

Combinem.

Digam quantos são e eu..........tratarei do resto, tá bem??!!!!!!!

Ementa?!!

Cabrito, Sarrabulho, lampreia, bacalhau, etc..., etc., e.................. iscas de fígado e pataniscas!

É só escolher, Ok?
Terei o maior prazer do mundo em participar nas "preliminares" de Macedo de Cavaleiros (com a presença do respectivo anfitrião!)
A isto..........chama-se "chutar a bola com uma pinta do caraças, né!!!!".

Fico à espera.
Um abraço a todos,
Cavaleiro
______________________
Amigo Cavaleiro:
A listagem de restaurantes não lembrava a ninguém...que trabalhinho de sapa, mas bastante útil e super completo... grande lençol....
Posso dizer que sempre comi superbem no Norte e principalmente com imaginação nas ementas, o que cá por baixo até uns anitos atrás, era uma lastima de falta de originalidade.
Em Viana, quando há uns anos passei lá um dia inteirinho nas férias pelo norte, almocei devinalmente num restaurante assim pró tipico, numa rua estreitinha, também ela repleta de restaurantes e lojas de souveniers.
Perguntei em dois lados se eventualmente conheciam a familia Cavaleiro, e numa pastelaria tipo Benard ou Versailles de Lisboa, uma senhora que penso era a proprietária dizer que sim, mas que não vivia própriamente em Viana.
Enfim já lá vão uns 15 anos, mas foi pena, e se tivesse mais tempo, a busca seria mais pormenorizada.
Acho gracinha as vossa porrias norte/sul...parece os velhos tempos de tropa!!

Já agora um pedido/sugestão:

COMO PATRIOTAS CIDADÃOS DO NORTE, MANDÉM RECAMBIAR PARA AS ORIGENS TODOS OS POLITICOS QUE NOS LIXAM A VIDA (COM F) A NÓS E A VÓS, E DÃO AZO Á ETERNA CHAPA...DOS POLITICOS DE LISBOA !!!!
Não melhorava nada mas ao menos já se justificaria o chavão !!!!
...MUITO SE AGRADECIA....

A propósito de migas e restaurantes, como tenho o "CULISTROL" assim para o elevadinho, vou fazer cá para o JE um esparguete preto (com tinta de choco) guisado com todos, que dizem pertence à classe TCBVSPFM (Todas as Coisas Boas da Vida ou São Pecado ou Fazem Mal)...
Haviam de ouvir as minhas mulheres a fritarem-me os miolos , quando se apercebem do cheirinho da DIETA.
BRAÇÕES e Saudades para todos vós.
Justo
________________________

Para descanso dos "mais cagados", Viana tem outra ponte, relativamente nova, não sei se é mais segura, mas deve aguentar. Normalmente dá passagem aos "parolos" que vêm do sul!!

Os do norte passam sempre pela "velha"! Não queremos misturas!!!

Ora toma lá que já enfiaste!!

Sou quem sabes...........
Cavaleiro
___________________________
Amigo Hipo

O que é que o Cavaleiro quer dizer com
"preliminares" de Macedo de Cavaleiros?
Será que ele vai um dia antes (sexta-feira)?
Se assim for também alinho no jantar.
Para Viana só para Junho, pois penso que é
o mês mais seguro para passar a ponte de Eiffel.
Só uma nota de rodapé: Pensais que eu vou a Viana
para comer Sarrabulho, iscas de fígado, pataniscas ou
cobras do rio? Ná!!

Pica Sinos
____________________________

Ora, aí está !
Os do norte, nunca falham !
À vossa consideração. Não devemos menosprezar a disponibilidade do Cavaleiro.
Talvez, para se comemorar as 100 mil visitas ao blog, não viesse a despropósito.
Fico a aguardar as vossas sugestões sobre a data mais aconselhável.
Um abraço

Hipólito
________________________

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Bó miste?

Companheiros
Durante o almoço passado em Peniche,  alguns amigos mostraram-se interessados em ir a Tite,  o que nos leva a pensar que não seria dificil encontrar alguém disponivel para organizar ou colaborar numa epopeia destas.
O objectivo seria ir de Lisboa a Bissau na carreira da TAP e depois de barco para o Enxudé e de seguida no camião do Jamil para Tite...
Acho que há alguns de nós que têm por lá amigos que podem .ajudar
"Bó miste?"
Vamos a isto?
Abraços.
aeroporto de Bissau

sábado, 4 de dezembro de 2010

Viagem a Punta Cana - pelo José Costa

tendas na praia

aspecto dos quartos

um momento bom

diversão na piscina

o guerreiro descansa

Mamajuana - bebida afrodisiaca...

paella

hora do check-out

aspecto da praia

tratando da barriguinha...

Férias em Punta-Cana República Dominicana – Nov 2010

Não sendo minha intenção  retirar dotes de bons textos ao Pica e ao Hipólito, eis-me a enviar “qualquer-coisinha” pró Blog já que o “nosso” Furriel Guedes assim sugeriu.

Desta vez resolvi ir d’abalada até à República Dominicana. Já tinha estado mais de uma vez por aquelas áreas, mas desta foi de vez.
Dista umas sete horas de Lisboa a Punta-Cana por via aérea. Nunca tinha viajado na SATA e alguma vez tinha de ser a primeira. Pessoal de cabine excepcional sempre atencioso. Pena foi que o aparelho mais parecesse um congelador… tal foi o frio que apanhamos dentro do aparelho de Lisboa até ao destino.
O aeroporto é um encanto. Todo a gente já viu e imagina um aeroporto bonitinho em qualquer ponto do mundo não é? Que tem um parque para táxis, autocarros, carros particulares etc e tudo pintadinho no chão. Bem assim como portas automáticas, escadas rolantes, seguranças por todo o lado, assim como lojas, bares etc etc… pois ali não é assim. Os aviões estão estacionados a poucos metros dos passageiros. No parking é o caos. O edifício, falei edifício? Não tem… mais parece uma tabanca coberta de colmo e aberto pelos 4 lados e em banda baixa, apenas um pequeno desnível para os bares. Os passageiros e os tripulantes dos aviões, bem como todo o pessoal de assistência aos voos convivem todos na mesma área… um encanto. Há...! Mas atenção, todos os passageiros são “cheirados” á porta do avião na hora de saída por um cão, não vá alguém trazer pó em vez de um pouco de areia pra mostrar aos de casa que não puderam viajar.
Acessos até ao hotel, faz-me lembrar o caminho de Tite ao Enxudé… dizem que estão a construir uma AE mas pelo que vi á distância… tem rotundas, e entradas e saídas pelas matas, pode?
Felizmente chegado ao hotel, tudo é maravilha. Instalações modernas bem asseadas e não seria para menos é um Resort de 5 estrelas do grupo IBEROSTAR. No meu caso fiquei no “DOMINICANA”
Comida e bebida á descrição a qualquer hora do dia sem mais custos, tenham estômago e bexiga para suportar.
Quanto a água do mar, como seria de esperar é quente a qualquer hora do dia ou noite, sim porque tomei banho no mar antes de me deitar num dia desses.
O dia a dia é feito assim: Pequeno almoço seguido de piscina ou mar, caminhadas á beira-mar vale a pena fazer, pois tem muito boas “vistas”…. Almoço em um dos 3 restaurantes á escolha…. Seguido de uma boa sesta na espreguiçadeira da praia ou piscina. Á noite, convém mudar de roupa pra não desmazelarmos rrsss, janta-se nos mesmo restaurantes, ou podemos ir ao Hotel vizinho “PUNTA-CANA” que pertence ao grupo e não se passa nada, porque á chegada aos hotéis é-nos dada uma pulseira que nos identifica o hotel onde “moramos” e assim podemos alternar conforme nos apetecer… depois assiste-se a um espectáculo feito pelo pessoal de lá, com alguma qualidade de som, luz e vozes e pronto. Os velhos bem como os casalinhos em lua de mel vão pra cama e os solteiros e solteiras, ficam pelo bar a “combinarem” um programa  e ou vão pra discoteca que é decorada com  peças de um DC6 desmontado e espalhado pelo espaço desta discoteca.
E pronto. De regresso a Lisboa na SATA, com o mesmo pessoal de cabine mas, desta feita em outro avião de fabrico mais recente.

Para o ano que vem se Deus quiser e o nosso 1º. Ministro “deixar”  haverá outro destino, de preferência sempre com mais de 7 horas de voo.

Abraço
José Costa

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Viagem a VOLGOCRADO - pelo José Justo

De profundis por um amigo


Viagem à Russia??!!...porque sim!!!!

De súbito como os relâmpagos, assim se esfumou uma vida.

Mais uma vez ausente em funções de formação da sua Lisboa, e desta vez em Angola, assim de repente, partiu este companheirão de tantas aventuras, sucessos profissionais conjuntos e horas até às tantas da madrugada...

O Henrique, era assim, como que um remédio bom para a alma da gente.

Não conheci ninguém com tanto espírito e capacidades múltiplas que o faziam inevitavelmente o fulcro das atenções.

Autêntica enciclopédia de saber de vida vivida e de anedotas, parecia ter um catálogo mental humorístico, que abria sempre na página certa para a situação oportuna.

Repentista como poucos, nas respostas e trocadilhos, prendia ouvi-lo quando ministrava os cursos técnicos sobre os sofisticados e complexos equipamentos electrónicos de soldadura de terceira geração, departamento que chefiava.

Que grande lição para certos professores, pensava eu por vezes, ao ver a sua desenvoltura e capacidade de ministrar o conhecimento.

Muitos instrutores, são autênticos papagaios, debitando matéria a papel químico, e que ao contrário de prender os instruendos, os entédiam e por vezes, até a eles próprios.

Profissionalmente o Henrique, também tinha toda a minha admiração.

Muito cedo começou a dura vida do trabalho (com vinte e um anos, já tinha duas filhas), e sempre canalizada para o difícil, campo da Soldadura de Precisão.

Extremamente dotado no seu metier, quase garanto que três quartos da sua vida foram a percorrer meio-mundo, sempre nas mais qualificadas empresas mundiais, desde as industrias do petróleo, Metalomecânica, Industria Pesada, e sei lá quantas mais.

Andou pelos quatro Continentes, por vezes longos anos, e as suas experiências de vida por essas paragens agarravam-nos de tal forma, que durante os nossos animados almoços, só ele praticamente falava.

Quando não andava em viagem por todo o país ou estrangeiro, fazia sempre questão de almoçar com o nosso grupo...dito da desgraça !!

Falava muito, de, creio que sete anos seguidos, que trabalhou em Voljsky - na então União Soviética.
Eram interessantes os relatos, não só da especificidade técnica dos trabalhos que executava, mas as próprias condições climatéricas, com temperaturas de até 30º negativos.

Tanto falava sobre a Russia, e com tal entusiasmo, sobre a beleza e grandeza das cidades, e realçava tanto a grande beleza da mulher Russa, que um dia por graça lhe disse:
-         Ó Henrique, ainda havemos de ir os dois ver essas belezas todas.
-         Vamos embora, caneco, amanhã vamos marcar passagens.

Claro que a conversa ficou por ali, acabamos mais um almoço, e cada um foi à sua vida.

No dia seguinte foi uma vez mais dar formação para várias zonas do país, e só nos voltamos a juntar ao almoço mais de uma semana depois.

A meio do dito almoço, virou-se para mim e disse:
-         Então, quando é que vamos marcar as passagens, tratar dos vistos e essa treta toda ?
-         Qualquer dia destes, respondi eu, em tom de galhofa.
-         É pá, estou a falar a sério, isso é só conversa ? vamos ou não vamos ?
-         Vamos, respondi.
-         Ok, amanhã vou pedir ao B... para ligar à agência de viagens, saber horários de voos, tratar dos seguros etc.
-         Fazes bem, fazes bem, respondi mais uma vez, sempre na desportiva.

No dia seguinte o nosso colega B...do Contencioso, foi à minha secção, olhou para mim com aquele seu característico sorrisozinho malandro e comentou.

-         Com que então, férias na Russia heim !!
-         Fiquei embasbacado a olhar para ele.
-         Perante o meu ar espantado, continuou: - O Henrique M... disse-me que já tinha falado com o patrão H...e que está tudo OK, para ver com vocês as datas, marcar férias e claro, salvaguardar o andamento dos respectivos departamentos.

Se já estava meio zonzo, acabei por ficar zonzo completo !! perante aquela afirmação, de já o nosso patrão estar ao corrente,  e ter dado o OK a tudo.

Abreviando.
Já com os vistos da Embaixada da Rússia, e como motivo da visita “convidados em negócios pela Embaixada do ..... em Moscovo” (estratégia e conhecimentos do Henrique e de seus dois amigos, engenheiros Portugueses radicados em Moscovo), viagem marcada na Aeroflot, notas de 100 dólares compradas (eram as mais correntes para os câmbios clandestinos, pratica comum à época de 1993), lá seguimos rumo á Russia.....

Segue o próximo capítulo, ainda em trabalhos de parto. Até já !!

José Justo

sábado, 20 de novembro de 2010

Aviso à navegação, pelo José Costa

Ausente durante 7 ou 9 dias!

Aviso aos meninos e meninas rrrsss!!!

Não estranhem se verificarem que não vos envio e-mail’s como habitualmente costumo fazer, mas é porque;

A partir de 2ª feira estou de “vacaciones” em Punta Cana (República Dominicana) neste hotel-Resort… no entanto podem ir  “clicando” nos separadores lá de cima deste “site” para dar uma vista de olhos na gastronomia e nos aposentos cá do rapaz eheheheheh!

Até ao meu regresso, portem-se bem!

Abraço
Costa

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Só esperamos que não te esqueças dre tomar os apontamentos necessários para depois do regresso fazeres uma boa crónica a fim de ser publicada no nosso blog...
Boa viagem companheiro.
Um abraço.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

do Hipólito...

Raramente, embora já tresleia, tenho dúvidas . . .
Nunca me enganaste, Cavaleiro. Nos pontos cardeais, como no diagnóstico.
Nem Sócrates, o grego, teorizaria tão proficientemente . . .
Desobstipação intestinal, pois claro, como dirão os papagaios que, para nossa cruz, nos calharam na rifa.
Felizmente, em fase terminal, sentindo, já só e de quando em vez, “uma ligeira brisa que desliza pelas fraldas da camisa”. Sequela, porém, ultra-resistente aos quininos sugeridos.
Incómodo, todavia, que uma boa e minhota sarrabulhada, a aprazar, aí, ou arredores, se te aprouver, não debelasse, radicalmente.
Livre e alodial, sacrificadamente, admito, para cumprir a profilaxia, mesmo que na companhia, aliás bem-vinda, de outros guerreiros trinca-espinhas, “uns ferrinhos” na arte de bem “pôr os pés debaixo da mesa”.
No Meco ?! . . . “Barrigada de fome”, meu caro, amante incorrigível da natureza, desnudada e do sexo oposto (machismo ?!), vim, como fui, “in albis”, por imposição ditatorial do matriarcado presente, de nada adiantando alegar que, até, já vejo mal.
Visualizaram o look do lindinho de Torres (hoje, já, talvez, sargento-mor, com bonificação de anos “fahrenheit”)? Que bem, o “boiné de ou à músico”!
Sugeri, mesmo (aqui, tenho dúvidas), se, nessa figura, no parque Eduardo VII, passaria incólume.
Folguei saber que comungaram das vicissitudes e agruras da cruzada africana que nos impuseram, mas que, nem tudo é negativo, nos irmanaram.
Onde desencabei esta?! Nas “novas oportunidades”, of course . . ., onde é que, mais, havia de ser ?
Esta e a que segue.
Por falar em vicissitudes, o padre duma parvónia, aqui bem perto, anda “azangado” com as catequistas, uma das quais de apelido “Grila”, porque não andarão a cumprir o programa por ele preestabelecido.
Na homilia, do passado domingo, saiu-se com esta:
-Ficais a saber que já cortei a “Grila” fora. E, se não arrepiam caminho, corto o resto ! . . . (ameaçou, esbaforido, o clérigo, referindo-se, digo eu, às catequistas).
Já agora, para terminar, aconselho-vos, antes da deita, o exercício mental que muito me ajuda a conservar o fair-play.
É, assim:
- Tem grelinhos, tem grelinhos, tem grelinhos no quintal . . . (podem continuar, enquanto, ligeirinho e directo, vou à “maison royal”. Volto, já).
Hipólito

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

S. Martinho fez estragos - pelo Cavaleiro

Hipólito,

Não disseste ou não quiseste dizer, que o S. Martinho fez estragos. Como resultado dos excessos, deduzo que tivesses feito algumas corridas de meio fundo em direcção à sentina, latrina ou retrete, como lhe queiras chamar. Aqui no norte é assim que também é conhecido o WC. No sul, os “betinhos” chamam-lhe toilette, cantinho do xixi, mictório, “maison royale”, etc., etc. As cenas que fizeste! Mãos na barriga, nas “partes baixas”…….que vergonha! Corrias, corrias e nunca mais chegavas à sentina! Quilómetros de distância, não foi?! E…..foste a tempo?!! E……o pior é que por vezes essas coisas deixam marcas, não é Hipólito?!!!
É evidente que todos nós sabemos que o vinho novo provoca sérias consequências, desencadeia diarreias (na minha terra não se diz assim), incontroláveis e dolorosas. Lamento amigo Hipólito. Sei o que isso é! Se em vez do vinho tivesses bebido água fresquinha, chá de São Roberto, de barbas de milho ou de ervas fedorentas, garanto-te que nada te teria acontecido. E a poluição pelas redondezas?!. Que vergonha! E logo um rapaz do Norte! Diz-me, se ainda precisas de “mezinhos” como Imodium, Dimicina, solução stago ou qualquer outra coisa. Não sejas orgulhoso! Se precisares, telefona!?. No mesmo dia faço-te chegar a droga. Relaciono-me muito bem com a Chronopost….......

Bom, deixemos as brincadeiras e vamos lá falar como pessoas crescidas, ou não fossemos grandes (eu 1,83 e tu?). Então é assim: mas que história é essa de eu ser do “sul do norte”?! Nada de confusões, ok?! Sou um homem do Norte, de Biana, Viana ou o que lhe queiras chamar, mas sempre do Norte caragooooo!! Entendidos?!!
Vamos então falar acerca da tua viagem.
A tua viagem narra a vida miserável de um grupo de pessoas baseada em acontecimentos reais. Eu também fiz esse cruzeiro. Passageiros simples, personagens do mesmo filme. Ultrapassamos muitas necessidades e privações. A viagem não foi pacífica. A necessidade de sobreviver superou, por vezes o nosso orgulho os nossos preconceitos éticos, morais, religiosos e políticos. Para alguns, também preconceitos burgueses e elitistas que eu detestava. Foi pena, no alto-mar não terem ido “borda-fora”. Durante as filmagens, despidos dos referidos preconceitos, percorremos um caminho longo. Contornamos obstáculos. As cenas iam sendo reveladas. A nossa juventude e a nossa cabeça sabia ceder para que o corpo continuasse vivo. Fomos belíssimos actores.
Regressamos. A viagem terminou. Tiramos muitas fotos. A do Guedes é que desapareceu…….Complexos de calvície?!! Magia?!!!
Continuamos a tirar fotografias. Outros, infelizmente não.
Parabéns Hipólito. Gostei do relato da tua viagem. Foste um bom companheiro durante o cruzeiro. Continua a navegar com as teclas do teu computador para nos deliciares com a tua escrita.
Obs. Dizes já ter ido a Fátima, ao Monte Fialho……..ao Meco. Posso saber o que foste lá fazer, neste último poiso?!!
Um abraço,
Cavaleiro

domingo, 14 de novembro de 2010

Cuba - pelo Cavaleiro (fotos e video)


Guedes,
Como deves calcular, tenho dezenas de fotos. É difícil escolher. A meia dúzia de fotos que te vou enviar de seguida têm o significado e a importância que as pessoas lhes queiram dar.

De qualquer forma, o ficheiro anexo tem imagens muito bonitas e está muito bem concebido. Não ficaria mal. O que achas?

Um abraço,
Cavaleiro
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nota - o video será publicado oportunamente.

sábado, 13 de novembro de 2010

As viagens do Hipólito


Mal refeito duma diarreia, advinda duma malfadada sortida ao sul, sobreposta e agudizada por uma “gapeira” das antigas, que, quase, me limpavam o “sêbo” e me levavam desta pr’a melhor . . ., a verdade é que continuo ranhoso e calão ronceiro, mais que o habitual . . .
Pragas apegadas, desconfio, por alguém das TMS, ou a seu rogo, que, como já perceberam, são todos do sul, Cavaleiro inclusive, porque também nado e criado a sul de Valença.
Engodado, mais uma vez (o Cavaleiro e o Guedes, com o “nem lá vou nem faço minga” do Monteiro, fariam cá uma tripla de pe(s)cadores de estalo), num contributo para o acervo histórico do blogue.
Só que . . . oh “diacho” ! . . .
Sobre viagens ? ! . . . Acho que, desta, passo.
Raramente, saio deste buraco pré-histórico (de que serei bicho).
Fui uma vezita a Fátima, outra ao Meco, ao Fialho, a Alenquer e de pouco mais posso dissertar, a não ser daquela . . .
Primeira vez que fiz “chi-chi” no mar, num inolvidável cruzeiro à côte d’Afrique, uns bons 42 anos atrás, com viagens e estadia de dois anos, pensão completa, inesquecível oferta do, então, generoso, mas de que, ainda hoje, oiço dizer cobras e lagartos, governo da paróquia.
Com tratamento vip, tanto na viagem, em paquete e classe “conforto”, como na estadia, com “gamela” garantida e frequentes arraiais de fogo de artifício, não só no hotel, como também nos habituais safaris, de primeiríssima água, fora de portas.
Somos, francamente, uns ingratos. Alguém mais, teve a gentileza de uma dádiva tão generosa ?!
Reflictam, metam a mão na consciência e arrependam-se, para salvação da vossa alma, de tão mal dizer, enquanto é tempo.
Onde, quando e como nos cairia do céu a oportunidade, única e irrepetível, de conviver e privar com figuras ímpares como Pintassilgos, Penáfias (um cabito reguila que até uma vaca introduziu na caserna para doce companhia nocturna e deu um cabo dos trabalhos para retirar e, quase no regresso, ia derrubando a camarata com uma estocada de jeep), um Águas, um Porto, um vira-pipas; de saborear o gosto de um Laranjina C; de privar com um Moisés Tchombé do Katanga; de apreciar a parelha dos nobiliarcas criptos e restante matula da dita, já então, casa dos segredos; padeiros, cozinheiros, bate-chapas, serralheiros, encarregado d’obras, paga-dez, major hortelão; outros não me toques que desafino, tipo aristocrata intelectualóide de esquina, como, ainda hoje, continuam de tique atropalhado em riste; um impagável Mestre, um Traquino e um papa-açordas, como o SPM; um Sangalhos, de parelha com o sarg. Bico, na recolha do lixo e que faziam lembrar figuras presepiais; uns “pinchas na criva” como os Arrabaça e Monteiro; bajudas, lavadeiras, djubis, mosquitos, cobras, lagartos, arroz para o Viana “serzitar” os tijolos, e, sei lá, tantos outros que seria, porventura, fastidioso estar aqui a recordar . . .
Mas, tudo e nem pensem o contrário, sempre num autêntico ambiente exótico e tropical e a bem do império.
Reverentes e agradecidos é que devemos estar pela oportunidade concedida de, nesse cruzeiro e sequente estadia em resort de inegável qualidade, ter conhecido e convivido com os simpáticos carinhas larocas que, felizes, ainda hoje, se vão reunindo para recordar, como vemos na foto-cabeçalho do blog e que, apesar de, à primeira vista, parecerem fora de prazo, carecas, barrigudos, trampalazanas e fossilizados do século passado, são, sem dúvida, autênticos, genuínos e vernáculos heróis não reconhecidos.
Ao reler este texto sobre uma viagem na, outrora, nossa terra, surgiu-me a seguinte reflexão:
Mais uma , como dizem, do “murcão” (ou trapaceiro?) de Baltar ?! . . .
Não se ponham a milhas, não . . . meus lindos e ainda ireis oxigenar as meninges pr’a S. Pedro de Muel ou Areia Branca (onde, há já muito, desespero aceder em romagem gastronómica, de tão fraquinho e debilitado fiquei com as moléstias de que já vos dei notícia).
Fotos? . . . cá tem. O Justinho que supra a minha insuficiência.
Por falar em fotos: eclipsou-se a foto de um tal Leandro Guedes da galeria dos famosos, talvez por não ter honras de famoso. “Bamos” lá, toca a recolocá-la in su sítio.
Hipólito

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Cuba - pelo Cavaleiro


Guedes,

Sem querer assumir compromissos, é minha intenção de começar a fazer alguns relatos das viagens que já fiz.

Não entro em pormenores. Darei a conhecer duma forma pessoal aspectos da vida das pessoas, paisagens, paladares, sabores, culturas, monumentos, arquitectura, de tudo um pouco ao correr da pena.

Comecei com Cuba. Espero que gostes. Se achares que é assunto de interesse para ser publicado no nosso blog, seria interessante desafiares os nossos camaradas “viajantes” – e eu conheço alguns muito viajados – a escreverem as memórias das suas viagens, inclusivamente se quiserem discordar, complementar, contar peripécias também por eles vividas em Cuba no caso presente e nos que virão a seguir. Desafia-os também a escreverem sobre as suas viagens, não só no estrangeiro, mas também pelo nosso Portugal. Era giro dar a conhecer o nosso País. E aí todos poderão colaborar. Arranja lá um cantinho para este “desafio” se……….estiveres de acordo. Estou somente a dar uma ideia para pôr a malta a “trabalhar” e dar vida ao nosso blog.

Se achares que os textos devem ser acompanhados por algumas fotos, deverás à partida definir o nº. máximo,

Diz qualquer coisa.

Recebe um forte abraço,

Cavaleiro 

O Guedes pediu-me para escrever. Escrever qualquer coisa passada em Tite.
Sobre Tite não! É evidente que tenho presente momentos que davam belíssimas historietas. Mas não gosto. Não me dá gozo. Passa-se o mesmo com o meu percurso profissional. Entendo que tanto numa como na outra foi uma passagem. Fui responsável, solidário e muito compreensivo. Tive chefes, fui chefe. Exerci sempre as minhas “missões” na base do respeito e da responsabilização – também fui sempre um fervoroso adepto “da máxima liberdade aliada â máxima responsabilidade”, Cumpri, numa delas obrigado e sem qualquer jeito para exercê-la, a outra porque gostava daquilo que fazia e pagavam-me. Ambas chegaram ao fim, missão cumprida. Viro a página e não tenho o hábito de voltar atrás. Como se depreende…….não gosto muito de escrever sobre as minhas memórias, entenda-se aquelas que não me interessam “escrever”. Não sou louco ao ponto de esquecê-las. Sei bem que o presente é vivido na base do nosso passado, da nossa história, das nossas memórias.
Já entenderam que não vou escrever sobre Tite. As minhas memórias hoje levam-me a Cuba.
Foi por mera casualidade que encontrei, nos meus arquivos (não tenho baú!), uma brincadeira escrita por uma cubana emigrante nos EUA e que  retrata o lado acomodado com que os cubanos vivem a sua realidade.
Ouvi-a pela primeira vez     , muito bem lida, ao micro de um autocarro, pelo dono da Agência de Viagens que me levou. Estamos em presença de uma pessoa muito viajada, muito culta. E na circunstância, na presença de um bom “diseur”. É que para ler e transmitir o conteúdo da carta é necessário sentir, dar a devida entoação, fazer de…..sobrinha com coração desfeito…….Ele foi fantástico. Um verdadeiro actor. Conhecedor da realidade cubana, achei um piadão. Também espero que apreciem. Saibam ler, entoar e dar o respectivo sentimento.
Visitei Cuba em Maio/Junho de 2006 com um grupo de amigos.
Viagem inesquecível. Porquê? Vou tentar mostrar-vos a “fotografia” daquela gente encantadora e resignada ao comodismo de viver pobre, não na miséria.
Cuba parou no tempo. Congelou. Mantém-se igual ao que era nos anos 50. Prédios, carros, (o gozo que tivemos, a festa que fizemos quando transportados numa daquelas máquinas, o motorista também colaborou na farra); tudo isto faz de Cuba, mas principalmente de Havana um museu com antiguidades espalhadas por todo o lado.
Mais do que turismo que fizemos pela majestosa Havana, pela obrigatória passagem por Santa Clara em memória dos que combateram e acreditaram na revolução socialista, Visitamos Cienfuegos, Trinidad, Varadero. Varedero nada tem a ver com a cultura cubana. Trata-se de um local de interesse turístico, bem explorado e que serve unicamente os amantes da praia, da boa mesa e de boas bebidas. É um local de TI. É fartar vilanagem!!! Mas dizia eu, que mais do que o turismo que fizemos pela majestosa Havana, interessava-me conversar com os cubanos, saber como viviam e o que pensavam sobre a Revolução. Tive a sorte de ir a casa de uma família, a uma festa de anos, fui a restaurantes e hotéis. O que pude ver foi um povo pobre, mas distanciado da miséria. Grato por não morrer de fome. Orgulhoso pelo acesso gratuito ao serviço público de saúde, orgulhoso por poder estudar e viver num país em que a violência nas ruas não existe. Pudera(!), é bom que se saiba que em cuba é muito vulgar a condenação a prisão perpétua em consequência de prática de crime.
Agora vamos lá conhecer um pouco da majestosa  capital.
 Havana
Havana impressiona pela sua aparência de um passado opulento e reluzente, marcado pela imponência dos seus edifícios de pedra,  tectos altos e grandes pátios e arcadas. a fazer lembrar uma vida de ostentação, vida de tempos faustos em que Havana era, por assim dizer, o casino dos EUA. Hoje, muitos desses edifícios encontram-se em péssimo estado de conservação. Fiquei com a ideia de que as pessoas já não têm a noção do perigo que esses edifícios podem causar. As pessoas, apesar das dificuldades transpiram alegria por todos os poros. Desde que haja música o povo esquece os riscos e as dificuldades. Havana é simplesmente fascinante. 
Para nós, turistas, Havana é especialmente apelativa no seu casco histórico. Não foi por acaso, mas sim por um grande amor que Ernest Hemingway, o escritor norte-americano  adoptou a capital cubana como sua morada. Não poderei deixar de referir o bar-restaurante El Floridita, com o imponente busto do seu mais reputado cliente, instituição que , a par do hotel Ambos Mundos (maravilhoso e que apenas apreciei a sua fachada exterior o hall de entrada, o salão e as casas de banho, que por sinal utilizei), é ponto de paragem obrigatório para os turistas estrangeiros que visitam a cidade.
Caminhar é quase sempre a melhor forma de conhecer a cidade. Chegados à Plaza de Armas    no centro histórico, é aí que o turista se encontra no coração da área mais atractiva de Havana. É bom referir que em Havana não faltam belas praças.
Havana é daqueles lugares onde sabe bem andar a pé. Nós andamos com guia, mas julgo que sós e mesmo sem mapa, não nos perderíamos nas muitas ruas do centro histórico. Há sempre algo interessante para ver, um edifício curioso para conhecer, uma pessoa simpática com quem falar, um som melodioso a escutar. Em muitas ruas encontramos alguém a cantar e a tocar trompete e violão. Havana é uma cidade “triste”, alegre e viva, esperando sempre que a descubram.
TRINIDAD
Outra das cidades que visitamos foi aquela que eu considero a mais bela das cidades do circuito. Trinidad está classificada Património Mundial pela UNESCO. Aqui uma pessoa fica com a sensação que o tempo parou. Tem um centro histórico muito bem conservado. As suas fachadas recordam o verdadeiro estilo colonial, com ruas empedradas, muitas igrejas. É uma cidade que transmite um certo bem estar, ambiente alegre e descontraído. Apreciei  a beleza arquitectónica da cidade, ficou-me a imagem de casas térreas, com telhados vermelhos e paredes coloridas, em tons de amarelo, verde e azul. As janelas são rasgadas quase até ao chão, cobertas por grades de ferro decorativas, ornamentadas com flores. Foi aqui que comprei algumas pinturas. Muitos artistas. Pinturas baratas. Foi muito agradável apreciar a arquitectura do centro histórico, ouvir música e conversar com os habitantes locais.
 O povo cubano adora dançar, adora a música, adora dançar a salsa e regga. Estão sempre a sorrir.
É um povo que quando confiam nos interlocutores, fazem duras críticas ao modo como vivem. Sonham com liberdade e oportunidades. Impressiona a quantidade de gente que não faz nada o dia todo. E com um sorriso de resignação vão dizendo que ainda acreditam e que o amanhã será melhor!
 Não há trabalho — ou ele não vale a pena. A indústria está obsoleta. Cuba não tem nada para vender, nem com que pagar o que compra, as suas indústrias são muito atrasadas em tecnologia, improdutivas e sem competitividade,  dirigidas por líderes políticos e personagens fiéis à revolução. Um pouco como cá. Não interessa ser competente, trabalhador e honesto. O importante é estar filiado no partido, ter concorrido e perdido uma “Câmara e…….vai logo para o conselho de administração de uma empresa”. O “sistema” lá como cá estão bem cobertos por uma constituição que apenas privilegia os personagens fieis ao partido do poder. Não é bem assim! Às vezes culpamos a nossa constituição e a “desgraça” está nas desastrosas Leis que a canalha política põe cá fora para zelar os interesses da “clubite” (leia-se partidos).
Sinceramente não gosto daquela revolução e daquele comunismo que não soube acompanhar a evolução do tempo, como também não gosto da nossa democracia. São regimes clubísticos. Pagam-se quotas tem de se  ir a todos os jogos e dizer que o nosso clube é o maior. E tem de se bater palmas. Coitados daqueles que como eu não têm jeito para bater palmas.
Mas, dizia eu que a economia Cubana está a bater no fundo. E é curioso, porque me foi dado saber que, pese embora exista o embargo Americano, ou o suposto bloqueio do imperialismo internacional, o certo é que Cuba mantém relações comerciais com cerca de 120 países. Não sendo especialista desta área, custa-me a entender a estagnação em que vive.
Portanto para os cubanos não se justifica sujar as mãos. Nas casas de Havana, que antes deveriam ser lindas, com traças esplendorosas mas quase todas hoje em ruínas, as pessoas passam o dia matando o tempo, sentadas nas varandas, nos pátios, jogando não sei o quê ou em mesinhas nas calçadas. As crianças e também alguns adultos pedem um pouco  de tudo: artigos de higiene pessoal, pasta de dentes, sabão, esferográficas, rebuçados, roupa interior feminina, etc., etc.. Dinheiro não. É perigoso, pode dar cadeia. Nas ditaduras não se pode andar descalço, não se pode pedir. O turista não pode ver essas coisas!!!
Quando falam sobre sua situação, olham em volta para ver se não estão sendo vigiados. Há naquele povo qualquer coisa de estranho. Receio da “bufaria”, julgo eu.

Outra das desigualdades, que choca o comum dos mortais é a existência de duas moedas. A moeda convertível, que me escapa o nome, que alguns cubanos recebem dos turistas e que são trocadas em centros especializados pelo desvalorizado peso, a única moeda que podem usar. A diferença no tratamento recebido entre cubanos e estrangeiros é visível em gelatarias, restaurantes, cafés, etc.
 A consequência falta de empregos, leva os cubanos ao negócio, à avidez por moeda convertível. Chocado fiquei também com a desigualdade de tratamento das pessoas na aquisição de bens e serviços. As filas de espera, as restrições, o racionamento.
Apercebi-me também  que a prostituição, que me pareceu praticamente legalizada, funcionava também como forma de sobrevivência, como forma de obter moeda convertível.
Acerca do racionamento foi-me dito, na altura, se bem me recordo, que em Cuba não se conseguia obter, porque não constavam do talão de racionamento, nem papel higiénico, nem sabonete, nem toalhas sanitárias, nem leite para adultos, entre outros bens de primeira necessidade. Outros produtos eram mencionados no talão mas para pura fantasia e que ainda outros apareciam e desapareciam conforme as colheitas. Foi-me dito também e achei mesmo “revolucionária” a forma como se faz ou fazia o “cabaz” do talão de racionamento. Era calculado para um determinado número de calorias por pessoa. Desconheço se mantêm ainda esta prática.
De Fidel e muito menos de Che Guevara, ninguém fala mal: são ícones, incontestáveis. A sensação era de que com Fidel, o líder carismático não conseguiriam a abertura desejada, mas……um dia virá um líder que cumprirá a abertura prometida. Puro engano. Hoje pelo que me é dado ler e ouvir essa tal abertura tão prometida, transformou-se em mais repressão, menos oportunidades.
Raul Castro, seu irmão não possui o carisma nem é a figura paternal representativa do povo cubano. Fidel e Che  são idolatrados. Fidel é insubstituível, melhor, era insubstituível.
E porque a minha mensagem se prende com a emigração é bom que se saiba que actualmente os EUA recebem anualmente 22 mil bolseiros cubanos, esta a denominada emigração legal. Interessados em emigrar constam mais de 700 mil. São conhecidas as catástrofes, as notícias de  naufrágios que nos chegam, os riscos a que se expõem quando se lançam ao mar, em pequenas embarcações, munidos de uma bússola e de esperança de atracarem a um qualquer porto de abrigo, que lhes traga a felicidade.
Resumindo: Adorei a viagem a Cuba. Gostaria de lá voltar e viver durante o tempo suficiente para compreender melhor a passividade daquele povo tão bom, tão educado, tão conformado, tão inteligente, tão triste e tão alegre, que privado de tudo, exceptuando a saúde e a educação, tem sempre uma palavra de resignação e de esperança numa Cuba onde possam um dia viver livres, viver com dignidade.
Ir a cuba e não falar do rum e dos charutos é não experimentar os dois produtos mais famosos do país. Rum bebi e bastante. Turista que se preze jamais deixaria de beber e trazer o famoso Havana Club (ainda tenho uma ou duas garrafas). Produzido com o melaço da cana, o rum possui variações como o claro e o escuro e deu origem a bebidas com muitos nomes, que já me esqueci. Eu só conhecia  a cuba livre e foi nela que me vinguei.
Quanto a charutos, mais conhecidos por “puros” não. Não experimentei. Não sou apreciador.
Mas deixem-me desabafar e dizer o que me vai na alma: Breve, e mais breve do que aquilo que nós imaginamos, virá o tempo em que Cuba será invadida pelas centenas de milhar de cubanos emigrados em Miami e noutras cidades dos EUA. Não há hipóteses de sustentar um país que vai vivendo do turismo e das ajudas (esmolas) dos Hugos Chaves que ainda existem neste mundo e que vão partilhando dos mesmos ideais. Mas um dia acaba e a abertura é inevitável. Cuba vai transfigurar-se, a sociedade de consumo depressa abafará a ideologia comunista, o capitalismo depressa substituirá as pedras pelos blocos de cimento. Antes que tal aconteça, aproveitem, há viagens “a saldo”, não esperem muito, porque a viragem poderá acontecer já amanhã. E depois já nada será igual.
Vou então transcrever, de seguida a tal historiazinha do “Enterro em Cuba”, responsável por todos os considerandos a que me dispus partilhar.
Não se esqueçam de ler a história em voz alta, dar-lhe a necessária entoação, fazer de sobrinha com coração desfeito……., com sentimento!


 ENTERRO EM CUBA
 
Toda
a família em Cuba se surpreendeu quando chegou de Miami um ataúde com o cadáver de uma tia muito querida.
 
O corpo estava tão apertado no caixão que o rosto estava colado no  visor de cristal....
Quando abriram o caixão encontraram uma carta, presa na roupa com um  alfinete, que dizia assim: 
 
Queridos Papai e Mamãe.
 
Estou lhes enviando os restos de tia Josefa para que façam seu funeral aí em Cuba, como ela queria.

Desculpem por não poder acompanhá-la, mas vocês compreenderão que tive  muitos gastos com todas as coisas que, aproveitando as circunstâncias,  lhes envio.
 
Vocês encontrarão, dentro do caixão, sob o corpo, o seguinte:
 
12 latas de atum Bumble Bee, 
12 frascos de condicionador, 
12 de xampu Paul Mitchell, 
12 frascos de Vaselina Intensive Care (muito boa para a pele. Não    serve para cozinhar!), 
12 tubos de pasta de dente Crest,
12 escovas de dente,
12 latas de Spam das boas (são espanholas),
4 latas de chouriço El Miño.

Repartam com a família, sem brigas!  

  Nos pés de titia estão um par de tênis Reebok novos, tamanho 39, para o  Joseíto (é para ele, pois com o cadáver de titio não se mandou nada para  ele, e ele ficou amuado). 
 
Sob a cabeça há 4 pares de "popis" novos para os filhos de Antônio, são de cores diferentes (por favor, repito não briguem!).
 
A tia está vestida com 15 pulôveres  Ralph Lauren, um é para o Robertinho e  os demais para seus filhos e netos.
 

   Ela também usa uma dezena de sutians Wonder Bra (meu favorito), dividam  entre as mulheres;
 
Também os 20 esmaltes de unhas Revlon que estão nos cantos do caixão. As  três dezenas de calcinhas Victoria's Secret devem ser repartidas entre  minhas sobrinhas e primas.
   A titia também está vestida com nove calças   Docker's e 3 jeans Lee. Papai, fique com 3 e as outras são para os   meninos.
 
O relógio suíço que papai me pediu está no pulso esquerdo da titia.
 
Ela também está usando o que mamãe pediu (pulseiras, anéis, etc).
 
A gargantilha que titia está usando é para a prima Rebeca, e também os  anéis  que ela tem nos pés.
 
E os oito pares de meias Chanel que ela veste são para repartir entre as   conhecidas e amigas, ou, se quiserem, as vendam (por favor, não briguem  por  causa destas coisas, não briguem).
 
A dentadura que pusemos na titia é para o vovô, que ainda que não tenha   muito o que mastigar, com ela se dará melhor (que ele a use, custou caro).
 
Os óculos bifocais, são para o Alfredito, pois são do mesmo grau que ele   usa, e também o chapéu que a tia usa.  
 
Os aparelhos para surdez que ela tem nos ouvidos são para a Carola. Eles   não são exatamente os que ela necessita, mas que os use mesmo assim, porque  são caríssimos.
 
Os olhos da titia não são dela, são de vidro. Tirem-nos e nas órbitas vão encontrar a corrente de ouro para o Gustavo e o anel de brilhantes para o casamento da Katiuska.
 
A peruca platinada, com reflexos dourados, que a titia usa também é para a  Katiuska, que vai brilhar, linda, em seu casamento.
 
Com amor, sua filha 
Carmencita.
 
 
PS-1: Por favor, arrumem uma roupa para vestir a tia para o enterro e  mandem rezar uma missa pelo descanso de sua alma, pois realmente ela  ajudou  até depois de morta.
 
Como vocês repararam o caixão é de madeira boa (não dá cupim);
podem  desmontá-lo e fazer os pés da cama de mamãe e outros consertos em casa.
 
O
vidro do caixão serve para fazer um porta-retrato da fotografia da vovó,  que está, há anos precisando de um novo. Com o forro do caixão, que é de  cetim branco (US$ 20,99 o metro) Katiuska pode fazer o seu vestido de  noiva.
 Na alegria destes presentes, não esqueçam de vestir a titia para o  enterro!!!
 
Com amor, 
Carmencita.
   PS-2: Com a morte de tia Josefa, tia Blanca caiu doente.
 
   Se quiserem antecipar algum pedido…………….