.
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra colonial.).
-
"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
-
“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial
-
“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra Colonial, no Entroncamento.
RECONHECIMENTO
sábado, 24 de maio de 2014
O Furriel Rato - pelo Justo
sábado, 23 de março de 2013
Fomos hoje à Campa do furriel Graciano de Sousa Rato.
Cap. Paraiso Pinto, Victor Barros, Carlos Ramos e Esposa, Domingos Monteiro, José da Costa, Gentil Félix Lourenço, Henriques, Arrabaça e Guedes.
À chegada fomos recebidos pelo
Victor Barros, organizador desta homenagem, e logo de seguida dirigimo-nos ao
referido cemitério, onde nos esperavam o Senhor Fernando Ascenso e esposa,
Senhora D. Florinda Ascenso (o casal que se encontra na foto ao lado), Segundo aqueles Senhores, os pais do nosso amigo Graciano Rato, eram naturais da Moita, perto da Marinha Grande, mas como tinham a profissão de Resineiros, deslocavam-se para os locais onde havia trabalho nesta área específica. E foi assim que, em dada altura, foram viver para Viseu onde nasceram os seus dois filhos – O nosso companheiro e o seu irmão.
domingo, 17 de março de 2013
Requiem para um saudoso Amigo - pelo Justo
Com nostalgia revi várias vezes as fotos do Cavaleiro onde está o saudoso furriel Rato. Há pessoas com o quase divino dom de criar empatias logo aos primeiros contactos.
O Rato era um homem com quem facilmente se sentia simpatia e com quem apetecia conversar.
Era a antítese de alguns, poucos, mas ilustres desconhecidos, que se viam com umas divisas e a dar ordens, e logo lhes provocava um tremendo inchaço no pequenino ego!
Anteriormente neste Blog, já contei uma história sobre um desses cromos, numa cena com o Pica Sinos, que reflecte bem a mentalidade atávica, de alguns indivíduos da classe de sargentos. Eles aperceberam-se “que elas não trazem nome” frase corrente no quartel.
Grande verdade, e que passado pouco tempo de Guiné, sentiriam na pele com o primeiro e forte ataque que sofremos.
Das muitas coisas que me fizeram odiar a “tropa” e as regras militaristas, era sem dúvida: o avaliar a pessoa pelo primeiro olhar directo aos ombros...a outra; o ser tratado por “tu” por marmanjos que nunca tinha visto na vida...nem conhecia de lado nenhum.
Como isso mexia comigo !! Já findo o tormento da farda, curiosamente, mesmo colegas com quem trabalhei durante anos, não logo tratava e mesmo detestava que me tratassem por “tu”, até, claro, que a admiração e amizade, a isso levassem. Provavelmente reflexo dos tristes anos de tratamento cavalar e suplício militar.
Meu irmão era da Força Aérea e este hábito do “tu” e “meu este, meu aquele” não se praticava. Esses termos caricatos “avis rara” não existiam, e ao que penso, só eram utilizados no exército.
O furriel Rato era moderado, mas alegre, de fino trato e um camaradão nas pequenas farras que durante os dias que estivemos no quartel da Parede fazia-mos antes de embarcarmos para a Guiné.
Já em Tite, eram longas as conversas de grupo, onde facilmente ele se incluía. acompanhou connosco num pequeno grupo que naturalmente se criou, sem sabermos bem como.
Eu o Pica Sinos, o furriel Bagulho e furriel Rato e mais uns poucos que infelizmente não recordo, sempre que podia-mos dar uma escapadela, lá rumávamos a um café na baixa da Parede, para umas conversas e claro uns petiscos bem regados, para fazer esquecer o que breve nos esperava.
Lembro que num desses dias, as conversas estavam um pouco tristonhas, talvez pela proximidade do embarque, e das saudades que já começavam a doer.
O Rato fixou-se num fado da fadista, então muito em voga, a Ada de Castro, que tocava na velha Jukebox.
Qual presságio..., muito calado, ouvia o fado super concentrado, findo o disco, levantou-se e meteu nova moeda e de novo ouvimos o fado. Repetiu-se esta cena várias vezes, e por estranho que pareça, e quase contra natura, ninguém comentou, pois quase todos éramos de Lisboa, e para nós, fado era coisa que não entrava !!
Ninguém se insurgiu e todos ouvimos as vezes que se repetiram os versos tristes daquela “despedida”, sem um comentário. O furriel Rato tinha os olhos lacrimejantes, e continuava muito calado e pensativo.
Parece que algo no seu íntimo fazia adivinhar o seu prematuro e infeliz desaparecimento na Guiné. Faleceu poucos dias depois de ter regressado de um mês de férias na Metrópole.
Recordo ainda hoje aquele fado da Ada de Castro...e a tal premunição que o Rato parecia sentir!!
Todas as mortes dos nossos amigos foram dolorosas, mas para mim, a deste companheiro de armas, fez-me doer muito, e deixou-me muitas saudades.
A sua simpatia natural e simplicidade ficaram na memória de muitos de nós.
Estarei em pensamento com os camaradas que NO PRÓXIMO SÁBADO DIA 23 DE MARÇO, irão deslocar-se á sua campa no cemitério da MARINHA GRANDE e colocar uma placa, símbolo das recordações ainda vivas que deixou. (os interessados devem contactar o Victor Barros).
Dos vários livros sobre a Guerra do Ultramar, numas páginas com fundo negro, onde constam os nomes dos milhares de mortos da guerra, lá encontrei o do nosso amigo.
De pouco consolo servirá para os familiares e amigos que o recordam, mas pelo menos, o seu nome está perpetuado no Monumento aos Mortos da Guerra em Belém.
José Justo
sábado, 16 de março de 2013
Graciano de Sousa Rato
Um abraço.

.jpg)






