Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

As coincidências do tempo...


SEQUÊNCIA ÚNICA

AS QUATRO HORAS, CINCO MINUTOS E SEIS SEGUNDOS DO DIA 7 DE AGOSTO DESTE ANO, O TEMPO E A HORA SERÃO:

04:05:06 07/08/09

ESTA SEQUÊNCIA NUNCA ACONTECERÁ DE NOVO.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Diário do Justo - continuação 2

Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.


Tite 25 de Novembro de 1967...................3,10 da manhã no Centro Cripto pág. 3 de 7

Nada de especial consumou mais um dia sem acontecimentos relevantes (felizmente, por um lado), mais um dia sem história e mais um dia a pensar se “virão hoje à noite ?”.
Não sejam pequenos nadas a proporcionarem raros momentos de boa disposição e não seria tão menos penoso a descida que termina quando também terminar o monótono desfiar de recordações e mágoas, mas com o doce cenário de um outro local, outras gentes e outro bulício, que não sejam estes.

Às vezes vejo toda a beleza desta terra, do habitat que me rodeia com agradável prazer, esquecendo o quanto também a odeio, mas fico estarrecido perante tanta beleza natural e principalmente o cheiro intenso, doce, único, desta terra vermelhão.

Tantos momentos já me senti num extase completo e magnifico ao estar longos períodos a contemplar o panorama tão belo de um por de Sol, de uma árvore mais exótica, de um pequenito nativo chapinhando na água turva, enlameada da Bolanha, na naturalidade com que a mãe dá o seio grande , negro e belo à criança que parece nunca estar saciada, ao silêncio imenso das enormes extensões de Bolanhas, salpicadas com algumas árvores isoladas, como que envergonhadas de si próprias e da sua solidão, dos maravilhosos pássaros de cores celestiais.

Nunca imaginei tanta poesia, nem quadros tão belos que perante os meus olhos desfilam, fazendo esquecer o verdadeiro sentido de estar ali...a guerra...
Se conseguir sair daqui inteiro, se esta maldita guerra terminar a contento dos dois lados, tenho que cá voltar daqui a uns anos, como civil, para então sim, me embriagar de toda esta beleza africana.
Encher bem os pulmões destes doces odores.

No entanto são tão poucos esses momentos e cada vez menos costumados, que sinto fugir-me aquele tão grande amor pelo que é belo e vale a pena admirar.
Sou por vezes um romântico...
Sei que nunca me chamariam de tal, porque sei nunca ter dado a adivinhar a alguém um sentimento que teimo em esconder.
Não que o esconda por vergonha ou medos, mas apenas porque só o vejo na realidade realizado dentro de mi próprio.
Fechado na caixa de ouro em que nasceu e que forçosamente morrerá...

Mesmo n’uma constante luta, penso que só momentos como estes me podem tirar o peso também constante de uma vida atormentada e de medos, apenas constituída por sobressaltos e um terror de terminar antes de começar.
Este continuar a poder abrir a caixa, sempre que quiser, para somente a fechar quando sentir ter conseguido mais um lenitivo para as horas, minutos e segundos em que sinto o fel amargo do desanimo de mi se apoderar...

Que a vida continue mais um pouco, para me mentalizar para a morte !!!


Tite 13 de Janeiro de 1968..................3 horas da manhã, no C. Cripto pág. 4 de 7

São 3 horas da manhã.
Mais um período de serviço está prestes a terminar.
Como a maior parte das vezes, foi um dia movimentado no tráfego das “secretas”.
Infelizmente será um dia memorável no mau sentido para tantos, o que para mi não passou de mais um.
Mais um a juntar a tantos sempre tão iguais desta maldita guerra.

Empada e o destacamento de Gubia, foram atacados simultaneamente.
Quase já me habituei a saber estas desgraças.
Penso o que terá sido a vida dos outros, dos que hoje deram decerto o máximo deles próprios para poderem garantir a integridade de si e também dos companheiros.

Gubia tem tido azar !
Três dias seguidos de ataques.
Não podem ter um pouco de sossego.
Para eles vai a minha grande admiração. Aqui também sabemos o que isso é ! aliás, toda a Guiné sabe o que isso é !!...

Espero o dia em que também voltemos a viver o tempo incontável que demora esse cáus.
Sinto que não falta muito para de novo reviver momentos como os de 19 de Julho, 6 Novembro e tantos outros, que já vou esquecendo as datas.
Esperemos...

Zé Justo
fotos Google

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

O Silva deu noticias, de França.


Meus amigos

O Silva já mexe na NET e escreveu-me!

Seria muito bom que o pessoal lhe mandasse uma MSN

e que o Guedes logo que tenha tempo publique a sua mensagem

a morada é:

francisco.fernanda.costa@gmail.com

Pica Sinos

Aqui vai a sua mensagem:

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“Pica Sinos

2009/7/1

Amigo Pica desculpa de te tomar um pouco do teu tempo, mas sabes eu sempre ouvi dizer que quando chegamos a velhos tornamos a ser meninos.

agora que o meu neto parece estar operacional aproveito contactar os amigos de longa data.

Então como é que vai a saúde? Se as aparências não enganam estás porreirinho segundo as fotografias do almoço convívio. Eu pessoalmente sinto-me em forma, embora esteja a atravessar um momento difícil na vida devido ao estado de saúde da minha mãe que se deteriorou hà três semanas. Está em coma depois desta data, embora nós esperássemos este momento critico mas na realidade nunca estamos preparados.

O Costa enviou-me as fotos da rapaziada presentes no almoço e foi com uma certa emoção que as vi tendo a dizer que sinceramente se encontrasse a rapaziada inesperadamente a maioria não os conheceria.

Não posso fazer projectos mas seria um prazer estar junto a vocês todos na próxima vez se não for antes.

Pica para leres estas linhas levas um minuto, o que não foi o caso para mim a escreve-las. Olha se quiseres saber o tempo que passei a fazê-lo conta as letras e multiplica por cinco minutos cada uma.

Amigo Pica recebe um grande abraço do teu amigo Silva e cumprimentos para os teus familiares

Silva”

Grande Silva
Meu bom amigo

Que saudades de te poder abraçar que estou certo que será em breve.
Vejo que já mexes na NET à maneira. Estou nesta data, mais o Hipólito, a convencer o Mestre do mesmo. Mas o alentejano "tá molenga". Mas vai lá, demora tempo mas vai.

Relativamente à tua mãe tens que ter calma amigo e conformismo
a vida á assim camarada.

Eu estou bem e a família também. Já estou reformado mas ainda faço "uma perninha" num gabinete de advogados amigos, sempre vem mais uns tostões que dão sempre jeito.

Vou mandar o teu endereço electrónico para alguns de nós para te escreverem e tu também o fazeres.

Amanha já o faço e dou informação à tua pessoa.

Vou mandar este teu texto ao Guedes para ele o publicar no nosso blog cuja morada é a seguinte: (basta carregares com o ponteiro do rato em cima dela duas vezes e é só desfrutar a tua malta amiga) se não o conseguires, vai ao sítio que dá pelo nome de Google e é só colocares esta morada.

http://bart1914.blogspot.com

Tem uma boa noite, assim como para a tua mulher.

As melhoras da tua mãe.

Pica Sinos

Rapazes!!

O Silva também me escreveu 3ª feira a contar que demora 5 minutos a escrever uma palavra com duas sílabas!!!

Já comecei a enviar alguns emails… mas por enquanto é tudo assuntos inocentes, não vá a D. Fernanda se assustar rrsss!!!

Entretanto estive fora alguns dias, mas já comecei a enviar “as minhas notícias” rrrsssss!!!!

Um abraço

Costa

Amigo Silva

Acho que estás no bom caminho, amigo. Cinco minutos por cada letra é já uma boa performance.

Para a semana já demoras apenas dois minutos e qualquer dia não conseguimos ter pedalada para te responder.

Pelas fotos que mandaste acho que estás óptimo e só desejo que assim continues.

Pena o problema da tua Mãe, mas como diz o Pica, tens que estar preparado para tudo e ter coragem para aguentares tão grande perda, que a alguns de nós já aconteceu também.

Um grande abraço amigo.

Que tenhas saúde e todos os teus e vai escrevendo.

Leandro Guedes

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Caro Amigo Silva

Foi bom saber que mais um "guerreiro" irá batalhar nas lides Bloguistas.

Sê bem vindo, e não te preocupes com a velocidade da escrita, porque o importante é dares notícias e enviar material para alegrar as hostes.

Gostamos de saber dos amigos.

Já te inclui nos meus contactos, e de quando em vez lá irás receber uns bonecos interessantes mas muito respeitadores e tementes a Deus.

Amigo, sei avaliar os momentos por que estás passando com a saúde da tua mãe.

Custa ver quem amamos a sofrer, e a vida por vezes é mesmo dura, mas a dor fortalece o homem.

Tudo o melhor possivel neste momento e recebe um abração e cumprimentos à esposa.

Zé Justo

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

O Pedro fez ontem 64 anos e teve direito a festa...

























Caros amigos do Zé Pedro,
Tal como prometido, ai vos enviamos as fotos do seu aniversário. Foi uma festa e tanto!
Música, borrego, porco, vinho, Whisky, amizade e solidariedade.
Tudo casou de forma simples e magistral.
É assim a mística de Montes Altos.
Um abraço do Zé Pedro para todos os camaradas que com ele estiveram na Guiné.
Diogo Sotero

Domingo, 28 de Junho de 2009

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Retiramos do blog do Pica, este excelente artigo sobre as Festas de S.Pedro, não esquecendo que em Torres Vedras, também se celebra este Santo, estando nesta altura a decorrer uma Feira com o seu nome, e que se prolonga por dez dias.

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"SEIXAL É ÚNICO NAS FESTAS DO S.PEDRO


NAS FESTAS POPULARES

Deste velho de barbas brancas, como identifica o poeta Fernando Pessoa, lembro-me, em miúdo, quando o tempo era propício a trovoadas, de tapar a cabeça com os lençóis por medo dos trovões, dizendo a minha mãe para não ter, porque o santo, lá no céu, estava numa de arrumar a “casa”. Aliás creio que muita da sua popularidade advém do “regozijo” ou da “culpa” que lhe é conferido pela ocasião das chuvas, na abundância ou por falta dela.

Tu que diabo? És velho
És o único dos três que traz velhice
Às festas. Tuas Barbas brancas
Têm tudo contudo um ar terno
A que o teu duro olhar não dá razão.
Parece que com essas barbas brancas
Por fenómeno de imitação
Pretendes ter um ar de Padre Eterno.

Recordo também, na adolescência, nas festas populares da cidade da minha terra natal, o “queimar os últimos cartuchos”; quer nos bailaricos, quer no “saltar às fogueiras”. Eram as festividades que encerravam, o campismo selvagem lá para os lados da Trafaria, nos fins-de-semana, era a meta a seguir.

Se há quem diga (bairristamente falando) que o Santo António está para Lisboa, e o São João está para o Porto, cabe-me dizer (morador no concelho à 38 anos) no São Pedro, Seixal é único. E quem com dúvidas houver, venham ver de como o Povo ribeirinho se esmera nas comemorações deste seu santo padroeiro, que também foi pescador.

Cá está a Timbre
A espalhar a sua alegria
Traz o Manel e a Maria
Vem com cana e balões
Com a sua gente
Vem dar volta ao arraial
E a cantar dizer bem alto
Viva o Seixal

As festividades, promovidas pela Câmara Municipal do Seixal, em honra do São Pedro, iniciaram-se, este ano, 10 dias antes do feriado municipal, para que os naturais, munícipes e visitantes, tenham a oportunidade de participarem nos diversos arrais, nos “comes e bebes” e assistir a eventos como: animação de rua, teatro ao ar livre, na actuação das bandas filarmónicas, na mostra, todos os dias, do artesanato, ranchos folclóricos e ainda a animação dos músicos itinerantes.

Encontro de estátuas vivas, actuação de conjuntos musicais, a exemplo; UHF, Anjos, Banza. Outros artistas de nomeada tais como: Marco Paulo, Rui Bandeira, Susana Félix e o Mário Barradas a cantar Ary dos Santos. Fados e guitarradas no Largo da Igreja e o desfile da Orquestra de percussão – Toca a Rufar, espera-se que sejam momentos de grande regozijo.

Igualmente a serem pontos altos, na véspera do dia de São Pedro, é os desfiles das marchas populares dos diversos bairros e freguesias, incluído neles as marchas, dos Reformados e a das Canas.

Mas em que consiste a Marcha das Canas de que tanto gosta o povo do Seixal e, que parte dos músicos das centenárias Sociedades Filarmónicas; Democrática Timbre Seixalense e União Seixalense, entre outros, com muito bairrismo, primam, todos os anos, por abrilhantar tal evento?

Dizem os mais velhos que era tradição, no dia que antecede o dia de São Pedro, após o baile popular, os resistentes, deslocavam-se com uma toalha branca ao ombro, na direcção da Quinta Grande, onde havia um chafariz e caniçais. Lavavam e limpavam a cara para depois atar as toalhas às canas, previamente cortadas, que erguiam, voltando pelo nascer do Sol, em marcha ao som da charangada, com o intuito de manterem bem vivas as festividades em honra do Santo.

Dizer, para concluir, que hoje, o espaço dessa Quinta, só dá lugar ao nome e a empreendimentos habitacionais, contudo para que a tradição não morra, com o apoio da C.M.S., foi construído, creio que uma réplica do chafariz, na área da nova sede da Soc. Portugal Cultural e Desporto, na Arrentela, difícil é, por perto, encontrar um caniçal.
Pica Sinos."

Sábado, 27 de Junho de 2009

O Pedro faz anos a 29 de Junho.


Caro amigo Leandro,
Cá estou eu a dar noticias do nosso(vosso) Pedro, boas noticias, pois já está recuperado de uma pequena virose e faz 64 anos dia 29 de Junho, motivo bastante para lhe realizarmos uma festa de anos bem rija.
Serão vinte amigos e amigas da zona, a mairoria colegas e dirigentes do Centro social dos Montes altos, que estarão juntos no Tamijoso (Restaurante perto de Mértola), onde vamos despachar 2 porcos assados no forno, regado com tinto alentejano e muita muita música.
Nós por cá somos assim, metade do tempo em trabalho e a outra em festa.
Connosco a depressão não passará!
Vamos tirar fotos e mandar-vos para a vossa página.
Um abraço amigo para todos vós.
Diogo Sotero.
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Caro Amigo Sotero
Obrigado pelas noticias.
Fazemos votos votos para que seja um grande dia de festa, em honra do nosso amigo Pedro.
Ficamos a aguardar as fotos para podermos publicar no blog.
Um abraço para si e para o Pedro e para todos os seus simpáticos amigos e amigas do Centro Social dos Montes Altos.
Bem hajam!
Leandro Guedes.

O Sacristão das TMS...

Acordei, hoje, de “cu pr'ó ar” . . .
Fruto, quiçá, de algum sonho frustante e destrambolhado . . .
Imaginem (abrenúncio!), que cheguei à conclusão de que também pertenço às TMS! . . .
É inquestionável, palavra . . .
Quem é que vos transmitia de/e para as v/famílias, queridinhas, madrinhas de guerra e quejandas, duas e mais vezes por semana ? . . .
O SPM, claro.
Quem vos transmitia, na ausência do capelão, a palavra do senhor, os bons conselhos, os bons exemplos (como foi, e continua, meu apanágio), etc., etc., quem ? . . .
O “sacriston”, clarissimamente . . .
Decididamente, mais um das TMS. Ou, ainda, subsistirão dúvidas? . . .
Terá, este sonho, a ver com o alvitre de alguém das TMS ter aventado um encontro “inter pares” (comestível) e o facto de, por remota hipótese, ser convidado, ao menos, com estatuto de mero observador? . . .
Ou, ainda, com o facto de ter visionado uma foto “artística” dos ex-fur. Cavaleiro e Luís, inserta algures no blog, e que me aguçou o apetite para fazer esta pergunta:
Para quando umas crónicas do “madraço” do Cavaleiro (que tão bem escreve)? . . .
Quanto mais não seja, para, com o seu ascetismo, assumir e tentar salvar a honra do convento (das TMS, é óbvio).
E, porque não, também do Luís? . . .
E, porque não, também de outros? . . .
Estarão, porventura, à espera para quando já não “puderem das canetas”? . . .
Queira Deus, não me arrependa desta, se bem que, ressalvo, tão-só, traduza aspirações de um mero sonho.

Hipólito

O Hipólito foi fisgado...

Bem me punha, o Mestre, de sobreaviso:
- Olha, compadri, às tantas da matina, quando estou com as mãos nas mamas da “menina”, à cata do leitinho, ponho-me a “matutari” . . . Nã posso falar muito, sou da mesma casta . . . mas,
- Põe-te a pau, aqueles fregueses, nã são de confiança. É uma cáfila de matulos, com padrinhos e não sei que mais, talqualmente . . .

E as piores suspeitas, confirmaram-se . . .
- A manusear o pincel, pela 1ª vez, aos vinte e tal anos ?! . . . Que apetência para as “lides clitóricas” (ou lá o que seja que pictórico queira significar) ! . . . E, . . . seguindo as pisadas do padrinho . . .

Raramente me engano ou tenho dúvidas, mas, desta, só desconfiei, quando, inopinadamente, nos cai em cima mais um reforço - o Pintão -, . . . com ameaça de que o mercado ainda não fechara e a equipa ainda não estará completa.

E, já que estamos em maré de bagunça, expresso, agora e antes que me esqueça, um voto de protesto pelo anquilosado e obtuso processo da minha nomeação para o n/próximo encontro.
Os fresquinhos do Guedes e do Pica, atiraram, à laia de Peniche, a pedra, esconderam a mão e pisgaram-se para o comboio . . . ala que se fazia tarde.
Chegados, já, ao final do almoço de Ovar, o n/cap. Paraíso Pinto (outro, que tal), pé ante pé, abeirou-se de mim e, de soslaio, de cima para baixo, com aquele seu dengoso jeito de retinto e típico queque alfacinha, atira (ipsis verbis):

- Oh, pá, foste, democraticamente, pá, nomeado, pá, para organizares o próximo.
Que dizes, pá? Se recusares, pá, vais a conselho de guerra, pá. Ouviste, pá?

Assim, . . . chapadinho.
Claro que, com tão límpida democracia, ouvi (apesar de estar a ficar mouco como um penedo), e, já que não podia recorrer, resmunguei, pá . . .

Mas lá que é dado adquirido, é . . . Ementa: - torresmos com açorda de caracóis, à moda da capital da “coltura”. . . e à sombra de um chaparro.
Estarei ( se Deus quiser) cá, para gosar de palanque.

Só emigrando ou encatrafiando-vos nas catacumbas, é que vos livrareis desta praga . . .
Hipólito

Oh Costa, onde andas tu e o Guedes ?...

O Costa e o Frumino Guedes encerraram para obras ou para balanço?
Daqui a dias, vou em missão evangelizadora pelo Baixo Alentejo e não tenho material catecúmeno para exercer a minha meritória actividade.
E não tenham pruridos, tanto mais que o n/alentejano está já industriado de que, tudo o que aparece e que possa parecer menos curial, é culpa do editor e seus co-editores, uma vez que, sabe ele e há muito, eu não tenho qualquer gestão do blog.
Rssssss . . .

Hip.

Almoço anual da CART 1743.

O almoço anual da CART 1743, ocorreu no passado dia 20 de Junho.
Já pedi por duas vezes ao Soares para me mandar um texto e fotos.
Mas não há maneira...
Faço agora o pedido público para que tal aconteça.
És pior que uma noiva...
Abraços.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

O desabrochar dum "pintor"...

...e eis senão quando... descubro estas “preciosidades” !!

Muitos não saberão, mas o nosso amigo Cavaleiro fazia uns bonecos com pincéis e tintas, e pena é, que por modéstia, nunca nos tenha mostrado os seus trabalhos.

Em Tite, um dia apareceu no Centro Cripto com toda a panóplia artística que tinha mandado vir de casa.
Tintas de óleo, pincéis etc.

Claro que fiquei logo com os olhinhos às cambalhotas.
Convenci-o a deixar-me experimentar fazer uns bonecos, ele acedeu...e lá saíram estas “obras primas” que são vistas da Tabanca de Tite.


À falta de telas...como suporte... cartolina de dossiers...
Não gozem...para quem nunca tinha pegado num pincel...

Obrigado Cavaleiro, como vê, e sem saber, foi o meu padrinho nas lides pictóricas.

Zé Justo

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Noite de São João, no Porto




Meus amigos

Para quem nunca foi ao Porto na noite/véspera de São João, 23 para 24 de Junho, não sabe o que já perdeu.

Mas sabe, isso sim, que ainda está a tempo de recuperar alguma coisa.

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Não vale a perna entrarmos em descrições mais ou menos filosóficas sobre como nasceu, a quem se atribui a ideia, ou quem é mais ou menos brincalhão nesta noite.

O que interessa é recordar uma noite em que o Porto se enche de gente, milhares e milhares de pessoas, que com um alho porro (que afasta os “espíritos malignos”…) na mão, ou um ramo de cravos, ou um ramo de cidreira, ou ainda uma ramo de manjerico, se passeiam numa enchente impressionante, passando esses ramos pelos rostos uns dos outros.

Por volta das 22 horas já as ruas estão cheias de gente e só ficam vazias pelas seis da manhã, isto se a noite estiver boa.

Ultimamente os martelinhos, ou martelões, têm feito também a sua aparição, mas sem a mística das plantas atrás mencionadas.

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A véspera de São João é uma mistura de festa e passeata, de ritual pagão. Passeiam-se ranchos e rusgas de foliões, misturados com os cidadãos.

Não há transito automóvel algum nas ruas da baixa do Porto.

Que graça tem isso, perguntarão alguns?

No dia a dia não terá muita graça, mas nessa noite, não sei porque magia, transmite uma imensa alegria.

Fogueiras por todo o lado onde se pratica o culto pelo fogo com danças em seu redor.

E a sardinha assada, pão com chouriço, caldo verde.

Havia até a prática de comer à meia-noite uma fatia de pão com manteiga e canela, ou com azeite (tipo Catalana)

Segundo a crença portuense, apanhar o orvalho duma noite de São João, dá saúde e formosura.

A água bebida nessa noite de São João, duma fonte natural, proporciona felicidade no amor e está ligada a práticas divinatórias, sortes e crenças.

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Nada melhor para representar o espírito da noite de São João do Porto, que esta quadra que venceu em 1978, um concurso do Jornal de Noticias:

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Cá vão na rusga contentes

Porque esta noite a cidade

Mais do que um rio de gente,

É um mar de humanidade

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E é com este apoio popular e este sentimento entranhado dos festejos, espontaneamente vivido e praticado, que é possível um tão profundo enraizamento das festas da cidade.

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Há gente que vai de Lisboa no último comboio da noite, chega ao Porto às 23 horas, passa a noite na rua e regressa no primeiro comboio do dia seguinte.
Desembarca e embarca no meio da festa, na estação de São Bento.
Muitos mais vêm do norte do Porto, também de comboio (falo no comboio porque sempre se bebe uma cerveja a mais...)

Portanto amigo, se queres saber como é o São João no Porto, mete-te no comboio, leva contigo uma roda de amigos e/ou familiares que possam bem andar a pé (crianças, não) e depois conta como foi.


Domingo, 21 de Junho de 2009

Santos Populares, no Porto - pelo Pica


Do blog do Pica, roubei mais este artigo sobre os Santos Populares - Desta vez o São João, Santo Padroeiro da cidade e arredores do Porto.

Para a semana espero que ele volte a publicar, desta vez um artigo sobre o São Pedro, para o Hipólito ficar contente, bem como o Camelo, o Narciso, Vaz Alves, o nosso Capelão e outros mais.


"São João santo bonito

Bem bonito que ele é

Bem bonito que ele é

Com os seus caracóis d’oiro

E seu cordeirinho ao pé


Dizem que o São João é o santo que mais se festeja na Europa, e que durante muito tempo era dos três santos populares, que a igreja, por causa da sua fama de sedutor, menos confiava.

Também se diz, que o Povo, ao São João, este também com a fama de casamenteiro, sempre lhe dispensou grande admiração, sobretudo nas camadas mais jovens. A popularidade, aproximação e veneração eram de tal ordem, que era comum ser tratado por tu, posição bem invulgar há época.

Não era com menos a estima, afeição e respeito que ao Santo António e ao padroeiro dos pescadores, São Pedro, o Povo lhes dispensavam, razões mais que acrescidas para a cognominação de populares.

As festividades em honra do São João destacam-se pela sua sumptuosidade, e grandiosidade popular, sobretudo nas Cidades do Porto, de Braga, de Almada, de Guimarães, de Portimão e em muitas outras de norte a sul do país.

São João vem ver as moças

Bem bonitas que elas são

Bem bonitas que elas são

São ainda mais bonitas

Na noite de São João


Quando jovem, nos meses de Junho, por estas ocasiões, era como se diz …um virote… Não havia bairro ou arraial em Lisboa, que o rapaz não os abrilhantasse com a sua presença. No entanto por outras razões, há 2 datas bem marcadas, que por muitos anos que viva não as vou esquecer, é a sexta-feira do dia de 23 de Junho de 1972 e a terça-feira do dia 24 de Junho de 1980.

Pelas 16 horas daquela sexta-feira, véspera de São João, do ano de 1972, nasce na Associação dos Empregados do Comércio, na Freguesia de S. Lourenço em Lisboa, a minha filha Sofia, e nessa mesma noite, “doido” de alegria, festejei tal acontecimento no arraial, num Largo ali bem perto, o da Graça.

Pelas 09 horas daquela terça-feira, dia de São João, mas 8 anos mais tarde, nasceu no Hospital de Stª Maria, na Freguesia do Campo Grande, a minha filha Catarina. Desta vez não fui para um qualquer arraial da minha cidade natal, na medida em que não só por razões dos festejos dos anos da filha Sofia, mas também pelo vaivém, durante a noite, casa/hospital/casa/hospital até à hora do nascimento.

Acreditem que não houve, em todos os anos, melhores noites de São João!


Santo António já se acabou

O São Pedro está-se a acabar

São João, São João, São João

Dá cá um balão para eu brincar"

Sábado, 20 de Junho de 2009

As aventuras dum alentejano e dum minhoto

Devo ser, mesmo, um artolas chapado e incorrigível.
Não assimilei o que o meu saudoso avô, carinhosa e sapientemente, me procurava incutir, ensinando:
- Olha, meu menino, os burros também trabalham e não deixam de ser burros toda a vida.

Uma “cansêra” . . . uma “trabalhêra” . . . é no que dá a incessante luta travada pela reposição da verdade material a que meti ombros.
Vá lá, ao menos, posso consignar que, no périplo exaustivo junto dos TMS, todos, sem excepção, em uníssono e a pés juntos, me garantiram que, dos produtos hortícolas surripiados da horta, suposta e colectivamente partilhados, nenhum deles usufruiu e nem disso teve conhecimento . . ., sequer de ter ouvido falar . . .

Numa destas diligências, armado em tecnologicamente avipalhado, saquei do computador para, com o Mestre a meu lado, visionarmos o n/blog.
Com a endógena “periquitice” em computar e com o meu “english” pelas horas da amargura, pumba . . . acerto, sem querer, naquele mail que o Costa me enviou para o correio e que rezava, assim:
-”Funcking (ou vocábulo similar) in office of Laura” . . .
Funcking, não fazia, nem faço, a mínima ideia do que seja.
Como li “office”, deduzi que, talvez, a Laura fosse a algum ofício ou cerimónia religiosa, não devendo haver, ao contrário do habitual no Costa, qualquer cena de sexo, eventualmente, mais ousada.
Só me apercebi quando oiço o Mestre a murmurar:
- Essa é muito boa! . . . Essa é forte! . . . O Costinha, é dos frescos . . .
Olhando, de soslaio, para o Mestre, reparo nos seus olhos “esbogalhados” e na sua “facies” congestionada, como que estivesse a ver o satanás e próximo de um ataque de apoplexia, não parando de se contorcer na cadeira.
Acto contínuo, um ranger de madeira:
“Xrreq . . . xrreq . . . catrapum” . . .
Tinha sido a cadeira, onde o Mestre se sentara [e, para si, remoninhava, na sua lenga-lenga, essa é muito boa, nem, quando vou à das Viúvas, vejo disto], que dera de si.
Bonito serviço! . . . Uma caldeirada . . . Meto-me em cada alhada! . . .

E convencer as nossas consortes e a filha do Mestre de que este se emocionara ao ler o diário do Justo, no blog?
O cabo dos trabalhos! Ainda hoje, estou convicto de que elas não foram na cantiga, uma vez que, da parte da minha, no resto da semana, só “pão e água”, para que sirva de lição.

Recomposto o Mestre, enquanto emborcava mais uma “mijeca”, lá me foi “bichanando”, vingando-se da marotice do Costa:

- Aqueles “badalados” reencontros, após 40 anos, nã sei . . ., não . . .
Já me constou que, talvez derivado às teias de aranha, só com creme “Nívea”. . .
Hum! . . . estou mas é em crer que a ferramenta dele já deve é estar “xarangada” . . .
Já não é “suma ferro quente” . . ., como em Tite, nã . . ., rematou, o Mestre, pertinentemente.
Hipólito

Divulgação

Solicitaram divulgação deste evento, para quem estiver interessado.
Neste momento bem difícil da Guiné-Bissau, todos os que se preocupam são bem vindos..

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

O Carlos Reguila, escreve para a malta...


Caro amigo GUEDES:

Venho por este meio pedir desculpas aos meus camaradas e amigos, a quem, no almoço de Ovar não falei, devido ao desconhecimento de quem seriam, por exemplo o Melo, furriel de Arrabaça, Ramos, Régua e outros mais. Só no regresso na companhia do Correia e do Marinho é que começamos a falar quem era um e outro, e depois o Correia e o Marinho é que me disseram quem era quem.

Desde já mais uma vez as minhas desculpas a quem não falei, mas espero que no próximo encontro ou evento nosso, possa estar com eles e partilhar nesse momento todas as nossas recordações.

Sem outro assunto

Abraços e Cumprimentos a todos os camaradas.

CARLOS LEITEREGUILA

Rua das Tilias nº3

2710 - Lourel

Tlm: 91 457 95 24

Tlf: 21 923 13 47


Terça-feira, 16 de Junho de 2009

O Pintão escreveu






Depois da odisseia para encontrar o Pintão, como o prometido é devido, este nosso camarada, que há muitos anos não sabíamos do seu paradeiro, mandou mais fotografias acompanhadas da promessa de que em breve voltará ao nosso convívio para contar algumas das histórias em Tite. Transcrevo a carta que o Pintão me fez chegar.

.

"Caro camarada Pica Sinos

Antes de mais, espero que te encontres de saúde, na companhia de todos os teus, cá em minha casa tudo bem.

Fiquei muito contente de ter falado contigo, não esperava tal, sempre recordamos algumas passagens da Guiné, mais concretamente de Tite.

Envio-te estas fotos que pediste, as quais agradeço que me devolvas, junto vai um envelope selado para tal.

Quanto ao escrever algo sobre a nossa “estadia” na guerra, claro que me lembro de alguns factos, mas dispersos. Vou esforçar-me para me lembrar de algo em concreto e depois envio-te.

Um grande abraço amigo para ti e por teu intermédio para todos os outros camaradas.

João Pintão Antunes"

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Diário do Justo - continuação 1


Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.



Tite 12 Novembro 1967 ..................2 da manhã no quarto e Centro Cripto pág. 2 de 7

Não recordo quando teria sido a última vez que peguei neste “Diário”, contudo não vejo também qual o valor que possa ter, fixar uma data, que por si só não tem o interesse que tantas outras ao contrário possuem.

Recordo vagamente que temia o que na realidade aconteceu.
Mais uma vez...momentos tão desesperantes...
Tudo começou como quase sempre.
Era dia 1 de Novembro, dia dos anos da mãe Lena e tantas vezes dela me lembrei, que se foram tornando um bálsamo esses mesmos momentos.

Todos esperava-mos que durante o período de fins de Outubro e meados de Novembro, acontecesse qualquer coisa que pudesse ser adicionado a tantas outras congéneres.
Fomos avisados na madrugada deste dia que os “turras” (designação na gíria militar em referência aos guerrilheiros, a nós eles, chamavam-nos TUGAS) se encontravam em Tite de Baixo e Tite Mancanha, em dois “bigrupos” (equivalente ao nosso Grupo de Combate) preparados e equipados com artilharia pesada de Infantaria, para atacar naquela noite o quartel de Tite.

O informador referiu também que o PAIGC, na véspera tinha arrebanhado nas tabancas próximas, várias dezenas de nativos, que como era hábito, serviriam de carregadores de munições e armas pesadas para a realização do ataque.

Com a rapidez costumada nestes momentos, logo se preparou a defesa.
Assim que soube a notícia, fui para junto da Arrecadação de Material de Guerra, aproveitando a ocasião para ajudar o Palma a abrir cunhetes de munições e preparar algumas metralhadoras extras, granadas de morteiro etc. para logo que necessário entrarem em acção.
Tudo estava preparado.
Todos a postos.
Reforço dos postos avançados com mais pessoal e munições, as duas Auto-metralhadoras Daimler a postos junto à porta de armas para pronta saída, os não operacionais directos abrigados nos respectivos abrigos, luzes desnecessárias apagadas e o mortal silêncio dos momentos de grande expectativa.

O tempo foi decorrendo com uma lentidão mortal, tornando a espera num crescendo enervante, mais do que nunca era penosa a espera, e a cabeça estava num turbilhão.

Sentia um medo enorme, e fumava sem parar. Estava de serviço e não sai do Centro Cripto, pois embora ligeiramente protegido com sacos de areia por cima do tecto, tinha-mos uma mesa de trabalho enorme e super grossa de madeira de Bissilon muito rija que dava alguma protecção.
Sei que durante momentos, algo indescritível, um nervoso miudinho, me impedia de raciocinar direito.
O arrastar penoso do tempo era uma tortura difícil demais de suportar.
Reflectia-se em todos uma falta de animo, neles próprios e nos outros, que contribuía para o desanimo geral e falta e confiança mutua.

Tanto tempo passou !!
Nada se ouvia que nos pode-se dar uma ideia de como, quando e vindo de que direcção, seria o ataque.
Nada que desse azo a que cada um desse largas ao ódio contido dentro de si próprio.
Mais uma vez o reacender do instinto animal da lei da guerra “matar para não ser morto”...
Nada que fizesse as culatras levarem a ração de morte que a cada um cabia, pela implacável mão drástica do destino sempre incansável quando semeia a morte.

Tudo continuava quase normal...
Mas foi passando o tempo...nada...nada...nada...
Óh! Que horrível ansiedade.
Porque nada acontecia ? porque não começavam tudo aquilo para que tinham vindo, porque não concretizavam todos os seus intentos ? porque não COMEÇAVAM COM AQUELA MERDA, PORRA ? Que estavam a tramar para ainda não terem começado com os momentos de pavor ?

Já passava das duas horas da manhã, quando ouvimos duas longas rajadas de metralhadora que passaram por cima do quartel, da PPSH (a costureirinha) provavelmente.
Devia mesmo ser a “costureirinha” pois era a única arma automática do PAIGC que operava com carregadores circulares de 75 munições, daí as longas rajadas.

Começou então um verdadeiro pandemónio, que de antemão tanto temia...começou o inferno, a destruição e morte...
A nossa reacção foi imediata e no ar ficou a pairar o fumo, o fogo de morteiros, o matraquear de armas ligeiras, como que um convite a morrer.
Uma gentileza gratuita; Morrer para deixar de sofrer, quase vale a pena !!!

Contando os longos momentos pelo matraquear convulsivo e macabro das nossas metralhadoras, o estrondo de saídas dos nossos morteiros, comecei a contar as contas do meu rosário pagão, das minhas recordações, e mais uma vez nessa noite me lembrei de minha mãe.
Vi nitidamente a sua imagem esfumada à minha frente por segundos !!

Fazia hoje anos, mais um aniversário na minha querida mãe que tanto adorava, e que tanto me protegeu, apoiou e escondeu de meu querido, mas tão ríspido Pai.
Parece ironia, mas o presente de anos foi para mi.
Sei apenas que nunca da minha memória será esquecido o dia 1 de Novembro de 1967.

Os ataques perpetrados pelo PAIGC ao quartel eram efectuados com método e muito bem planeados.
O maior perigo para as NT eram os primeiros rebentamentos dentro do quartel, pois invariavelmente atingiam sempre zonas vitais.

O porquê, era simples.
Os ataques do PAIGC só se efectuavam já noite, para que a nossa força aérea não perseguisse os guerrilheiros na sua fuga pós ataque para as bases instaladas a quilómetros do local.
O quartel era naturalmente super visível à noite a uma grande distância, e toda a iluminação exterior do arame farpado demarcava em pormenor o perímetro do mesmo.

Com os ataques feitos na base de morteiros e canhões sem recuo, armas pesadas de Infantaria, tinha o IN todo o tempo do mundo para se instalar a alguns quilómetros de distância, nas posições operacionais mais convenientes.
As luzes, bem como mapas desenhados do quartel ??!! permitia-lhes referenciar e regular os aparelhos de pontaria com a máxima precisão.

Com a sucessão do disparo de dezenas, por vezes centenas de granadas, com os recuos naturais, as armas iam alterando as cotas de tiro, e as granadas caiam mais deslocadas dos centros nevrálgicos, fazendo no entanto sempre bastantes estragos.

O mapa do quartel de Tite capturado, entre outros documentos, a um guerrilheiro morto, fora decerto fornecido pela irmã de um comerciante nativo, que se soube, mais tarde, ser informadora do PAIGC e passar a vida a espiar as NT.
É curioso como nos momentos maus e verdadeiro sofrimento, o pensamento nos foge, procurando a imagem bela da pessoa que mais amamos.
É sempre a imagem da mãe quem avidamente procuramos e é pensando nela que muitas vezes os olhos de fecham para não mais se abrirem...é a última vontade, o último agarrão à vida que se esfuma, o último consolo para quem pouco pedia e até a própria vida deu, sem o querer e sem saber muito bem para quê...

Tudo findou...tudo findou como se nada na realidade se passasse.
Não houve feridos nem mortos desta vez.
Não os houve felizmente para todos. Eles não fizeram um ataque formal como de costume.
Tudo o que temia-mos, desta vez não foi avante.

O que fizeram, comparado com o que era hábito, foi mais uma vez um simples espicaçar dos nossos nervos.
Volta e meia, e mesmo durante o dia ouviam-se rajadas por cima do quartel em tom de desafio, e para provocar a instabilidade nas NT.
Logicamente todo o pessoal desatava numa correria para abrigos e postos de combate.
Sempre para nos darem cabo da cabeça...eles sabiam ser eficaz esta guerra psicológica...
Por sorte e feliz acaso, não tivemos ocasião de ver repetir-se o espectáculo a que já nos acostumamos, mas que de cada vez se torna sempre mais desencorajante.



Quando nos avisaram do iminente ataque, o nativo, elemento da população, foi instruído para nos levar a cair numa emboscada já preparada.
Por isso mesmo, e esperando a nossa saída do quartel para montar-mos emboscadas, tinham já eles colocado minas e armadilhas com granadas na estrada de acesso a Tite de Baixo e Tite Mancanha.
Com um pavor medonho imagino a carnificina que seria.
E por mi vi passar o dia em que na estrada de Nova Sintra rebentou uma mina.
Revejo a correria dos “jipões” com os feridos, uns para a enfermaria, outros para a pista onde os helicópteros Alouette III os viriam evacuar.

O seu destino era o fatídico hospital Militar de Bissau, e nos casos ainda de maior gravidade, a evacuação para o Hospital Central de Lisboa, o que para os sobreviventes era quase preferível, e uma sorte, para não suportarem uma guerra tão longa e arrasante.

Destes hospitais por onde milhares de militares passaram e de onde tantos já saíram, mas não para continuarem o laborioso dia-dia que lhes é imposto, que lhes é obrigatório cumprirem.
(Sabia-se que dentro da eterna política do esconder e camuflar a Guerra do Ultramar, foram dadas instruções rigorosas para que os feridos graves evacuados para a Metrópole, só fossem desembarcados no Aeroporto de Lisboa e enviados para o Hospital Militar da Estrela, de noite, muito discretamente, e no máximo secretismo)

Sei que tudo o que mais temo não ficará por aqui.
Sei também que tudo o que é francamente mau, tem tendências predominantes e que inevitavelmente se impõe sempre.
Que posso fazer ?
Estará na minha mão, sozinho regenerar o Mundo ? Não o creio, porque é impossível...

Até ao próximo escrito, que não sei quando será, ou se o conseguirei
fazer.

Zé Justo

Domingo, 14 de Junho de 2009

A Ilha do Faial homenageia os seus Mortos na guerra do Ultramar



do nosso companheiro Raul Soares, recebemos a seguinte mensagem:
.

"Boa tarde.

Acabei de receber o e-mail que reenvio.

O cavalheiro que leva o ramo de flores a prestar homenagem aos mortos na guerra do Ultramar, é um elemento que pertenceu á Cart. 1743 - Raul Goulart.

Um abraço e bom fim de semana

Raul Soares"

.

nota - convém lembrar que se trata de uma homenagem prestada pelos habitantes da simpática Ilha do Faial, aos ex-Combatentes, mortos no Ultramar e na qual, como diz o Soares, esteve presente o nosso companheiro Raul Goulart.

Sábado, 13 de Junho de 2009

Véspera de Santo António - pelo Pica



Não poderia deixar de assinalar o dia 13 de Junho, Dia de Santo António, Feriado Municipal em Lisboa, onde em honra do santo se desenvolvem festas com tradição que de entre diversos eventos destacam-se as festas dos Bairros e as Marchas populares.

Antes, na noite do dia 12, os bairros populares da cidade, montam arraiais que são decorados, engalanados, enfeitados com balões e arcos decorativos, onde a sardinha assada, o caldo verde, o pão com chouriço e o vinho procuram dar “cor” às comemorações com o bailarico a entrar pela noite dentro. Também ainda não se perdeu a tradição, dos rapazes oferecerem há raparigas, um vazo de manjericos ostentando quadras brejeiras e amorosas.

Oh meu rico Stº António
Tu que foste milagreiro
Vê lá se arranjas uma namorada
Que tenha muito dinheiro

Tenho pena que o Bairro onde nasci, Benfica, este ano não desfile na Av. da Liberdade, como o vem fazendo desde 1932, onde em variados anos foi sua Madrinha a saudosa Beatriz Costa. Não questiono as razões, mas creio que se prendem com a inclusão de novos “bairros”, sem raízes históricas, visando responder a aspectos de carácter económico sem sustentação popular.

Olha a marcha de Benfica
Qual saloia cantadeira
Que entra na festa contente
Ai, ninguém fica sem cantar a vida inteira
Ouvindo a marcha da nossa gente.
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Meus amigos:
O Pica, com esta sua recordação, que eu roubei do seu blog, trouxe-me à memória os meus tempos de miúdo e de jovem. No bairro onde eu vivia, vivia também o Sr. Américo Gomes, um "engenheiro popular", que mantinha uma enorme cascata mecânica onde não faltavam os santos populares e já naquele tempo São João tinha um trono maior e mais enfeitado que os outros dois santos...
As casinhas coloridas feitas de cartão, os pequenos rios com os seus barquinhos, as lavadeiras e os vários moinhos de água a funcionar, as linhas de comboio e de eléctrico com os veículos em movimento, os montes e vales com toda a sorte de pequenos anim
ais e seus pastores, as leiteiras, as peixeiras, os aguadeiros, os carros de bombeiros e da policia, tudo tudo em ponto pequeno. A cascata era forrada por musgo e pequenas pedras e todo o sistema era movido por pequenos motoresinhos, pequenas bombas de água, tudo engenhado por ele. A água movia tudo aquilo.
E ao mesmo tempo mantinha uma boa aparelhagem sonora, para a época, e que levava a malta a dar ao pé com as cachopas da nossa idade, no meio da rua da Azenha, assim se chamava...
Já lá vão cerca de 50 anos.
Os festejos começavam na véspera de Santo António e só acabavam no domingo a seguir ao dia de São Pedro, sendo que a véspera e o dia de São João, Feriado Municipal do Porto desde 1911, eram o prato forte da festa, com largada de balões de ar quente.
Todas as noites havia bailarico. Era uma alegria.
Boa recordação esta.

Na noite de S. João,

Hei-de comprar um apito,

Vou rebentar um balão,

E cheirar um manjerico.


São João era bom santo

Se não fosse tão velhaco

Levou três moças à fonte

No regresso trouxe quatro

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Recordar é viver...também eu me lembro de andarmos um grupo de putos, com um pires na mão, ao meio das Escadinhas do Duque, junto a um Santo de Barro, que um deles tinha desviado do quarto da avó, pedindo a quem passava..."um tostãozinho pr'ó Santo António".
Informação importante de última hora:

Todas as redes de TV nacionais e internacionais interromperam as emissões normais para comunicar, que o "BIFE" ficou em 3º lugar no Concurso de Marchas Populares 2009...Bairro Alto aos seus amores tão delicados...

Adivinhem lá porque durante décadas o BA era chamado do "BIFE" !!

Zé Justo

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Pintão - mais um encontrado pelo Pica.

SABIAM QUE OS MORTEIROS TAMBÉM TINHAM GENTE DAS TMS


De quando em quando releio os textos publicados no nosso blog. Uma segunda ou terceira leitura aviva-me e refresca-me a memória. Acontece que numa dessas (re) leituras dou com versos referindo formas de estar, -segundo a visão do anónimo autor - do pessoal das transmissões, quando, em determinado tempo da prosa, leio o nome de Pintão.


…Costa II ao telefone/O Flores dá opinião/Aprova-se quem trabalha/O nosso amigo Pintão…

Pintão? Quem é este camarada? Alcunha de quem muito “pintava”? Voltas e mais voltas e nada que pudesse recordar. Conversando com os meus botões, murmuro… estás a ficar velho Pica.


Bom, como “de la Palice”, se era das transmissões, alguém se deve lembrar deste amigo. Vai de “vunva”, telefono ao Amador (este ex-telegrafista sabe o nome completo de todos os elementos das tms) e faço-lhe a pergunta:

…. Oh Amador, sabes quem era o Pintão? Recorda-me o Pintão!


Retorquindo:


…Oh Pica essa é imperdoável… O Pintão é um homem das tms (rádio-telefonista) que pertencia ao pelotão dos morteiros…usava óculos, lembras-te?


Calado, algo envergonhado, escuto o Amador até que nesta cabeça se começa a fazer luz. …Pois é Amador, dizes bem, ele era alentejano, natural de Alter do Chão!


Sabes o nome dele Amador?

Claro que sei, respondeu, … Chama-se João Manuel Pintão Antunes, até tenho algumas fotografias com ele que te vou mandar!


Mais entusiasmado e esperançado em encontrar este camarada que não o vemos há “manga de tempo”, procuro na NET por apelido de Pintão, na zona de Alter do Chão e, não é que aparecem, nada mais, nada menos de que 5 ou 6 apelidos com este nome.


Pego no telefone e ligo ao primeiro Pintão que aparece na lista.

Bom dia minha senhora, eu procuro um senhor que tem o mesmo apelido da senhora, de nome próprio João, deve ter à volta de 63 anos, esteve na Guiné, por acaso sabe quem é?


Sei sim senhor, é um dos meus primos, vive em Coimbra, tem um irmão que é médico na cidade de Elvas!


Mas porque quer saber?


Lá contei a história habitual …que não nos vemos há muito tempo… gostávamos de o abraçar… etc.

Muito bem, diz esta familiar do Pintão, até tenho o número de telefone dele, tome nota. A chamada seguinte foi de confirmação para Coimbra:


Bom dia minha senhora, o seu marido chama-se João Manuel Pintão e esteve na Guiné?

Sim, quem fala?


Olhe, sou um amigo dele que com ele esteve também

na Guiné e se pudesse gostaria muito de falar com ele!


És o Pintão? …Sou!

Estiveste na Guiné? …Estive!

Estiveste em Tite? …Sim!

Lembras-te de mim? Sou o Pica Sinos

…. Olha o Pica Sinos …é pá há tantos anos!


Mandei-lhe uma carta com alguns números de telefones e as fotografias que o Amador dispensou. Disse-lhe o endereço electrónico do n/Bog.


Vamos aguardar por mais notícias.


Até lá Pintão aquele abraço do pessoal!


Pica Sinos

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Velho diário imcompleto - pelo Zé Justo

Velho Diário Incompleto

Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.

Intróito: ..........................................................................e pág. 1 de 7

Por alusão do amigo Guedes e ex-companheiro de armas, a um seu Diário escrito na Guerra da Guiné nos anos 60, e que no regresso à Metrópole, após dois anos de comissão, num rompante, decidiu larga-lo borda fora do navio UIGE, lembrei que também eu tinha feito uma “ameaça de Diário” exactamente na mesma época e local.

Muito procurei e lá o descobri nos recônditos de montes de papelada e livros...

Eis umas breves notas explicativas.
Ficou pelo caminho esta tentativa de fazer um “Diário de Guerra” na Guiné...começou tarde e terminou cedo !!
Estes textos não tem o mínimo de pretensões literárias, nem grandes “desanrincanços” de prosa, nem muita qualidade...mas são sinceros, porque foram vividos intensamente e escritos com o coração !!

Estão bastante espaçados no tempo, porque não havia grande paciência para a escrita, nem disso eu era muito amante.
Foram passados ao papel em ambiente de guerra, no quartel de Tite, sempre nas madrugadas daquelas longas noites e com pouco mais de vinte anos.

Até para casa e família, as minhas cartas eram escassas e lacónicas.
Anos mais tarde, disso bastante me penitenciei, pois a ausência de noticias muito fazia sofrer meus pais.
Sempre me exprimi com algum sucesso, por palavras e “bonecos”.
Ao invés, confesso a falta de jeito com a pena, para narrar no papel a catadupa e turbilhão dos meus pensamentos.

Não inclui relatos pormenorizados dos ataques do PAIGC que sofremos, tendo-o no entanto feito em folhas de papel, com o intuito de mais tarde os incluir num capítulo em separado “Ataques ao Quartel”
Infelizmente esses manuscritos levaram sumiço, o que é pena, pois continham descrições pormenorizadas, medonhas e sofridas, com número de mortos e feridos, estragos materiais, material de guerra capturado ao IN etc., dos maiores ataques efectuados durante dois anos.

Ao meu rigoroso e saudoso pai, que muito me ajudou e com quem bastante “conflituava” naqueles tenros anos, a minha grata recordação.
Só mais adulto, o comecei a compreender e verdadeiramente a amar.
Muito me apoiou sobre todos os aspectos, neste amargo período da minha vida.
Ele sabia dar valor ao que eram as saudades e o ambiente de guerra, pois como furriel miliciano de engenharia, tinha nos anos 38-40, também passado pela Guiné e feito comissão na Ilha do Sal, Cabo Verde.

Sempre o vi, até à sua doença e ausência física, como um líder, sempre a estudar e elevar-se profissionalmente.
Involuntariamente e com tristeza, cedo admiti, lhe ter dado vários desgostos.
O seu grande sonho de ver os filhos Dê Rés; o “assentar”, casar e constituir família; depois de casado, o não querer ter logo filhos; o sair de casa pouco tempo após o regresso da Guiné; o nunca acabar o curso de programador no Centro Informático da RTP que ele chefiava, ficando-me pelo de Mecanógrafo, entre outras avarias pós Guiné, n’uns loucos anos, em que vivia como se fosse o último dia – noite, melhor dizendo - da minha vida.

Mesmo assim, foi esse curso informático, que me proporcionou o primeiro emprego a sério pós Guiné, e onde curiosamente me metia com uma colega que não podia comigo nem um bocadinho, que tinha uns olhos lindos, e que infelizmente para ela, acabou por comigo casar e piedosamente me aturar com “pachorra” de santa há... 37 anos.
37 anos que me parecem 37 dias !!...Gosto mais dela do que torradinhas do meio !!

Ainda sobre o pai: Todos sabemos e facilmente se adivinha o que seria naquele tempo e condições, a alimentação da “soldadesca”.
Quando em comissão no Ultramar, era-mos obrigados a deixar cerca de metade do vencimento a um familiar na Metrópole, recebendo na zona operacional o restante.
Como não conseguia tragar a comida do quartel, passava o tempo a “lutar pela vida” ora comendo no “Branco” ora alinhando nos petiscos que os camaradas arranjavam.

Claro que isso trazia custos acumulados, e como o que recebia não chegava, passava a vida a pedir ao pai para me enviar a “pensão” de que ele era fiel depositário. O dinheiro da Metrópole tinha uma mais valia, pois “cambiávamos” por mais 10% em “patacão” da Guiné.
Esgotei a pensão, mas ele nunca falhava com o apoio monetário, dizendo que lhe pagaria quando findo o tormento, já em “casa”, tivesse a vida organizada e começasse a trabalhar.
Quando finalmente me vi regressado à casa paterna, com que alegria ele me dava as novidades....
A primeira refeição foi frango assado picante com bata frita às rodelas e esparregado salteado com alho (que eu adorava), depois o nosso quarto remodelado, nova televisão, obras na nova casa...tudo preparado para a recepção do” filho pródigo”.

Por último - surpresa maior - a papelada para abrir uma conta bancária com todo o dinheiro da pensão de dois anos, que supostamente me teria enviado para a Guiné, mais uma verba que ele dizia ser de “juros do capital investido” !!
Fiquei espantado !!
Nunca mais esquecerei deste gesto. Muitos outros de grande generosidade se seguiram pelos largos anos que ainda viveu.
A minha singela homenagem, ao grande homem que me vincou o carácter e do qual muito herdei.

Zé Justo
Maio 2009





Glossário:

Bolanha - Grandes extensões de água pantanosa que serpenteiam por toda a Guiné-Bissau, onde se planta o arroz.
Tabanca - Aglomerado de casas das populações nativas em barro e colmo.
Branco” - Único comércio/restaurante/bar, existente em Tite, propriedade de um Metropolitano branco.
Patacão - Dinheiro na gíria da Guiné.
PAIGC - Partido Africano para Independência Guiné e Cabo Verde, designação do único grupo de guerrilha que nos combatia na Guiné.
IN - Abreviatura militar para Inimigo
NT - Abreviatura militar para Nossas Tropas
Saidas” - Estrondo característico dos disparos de granadas de Morteiro e Canhão sem recuo.
Morteiro - Lança granadas vertical de infantaria
Canhão sem recuo - Lança granadas de infantaria, podendo ser montado num Jeep.
RPG7 - Lança Granadas Foguete
Roncos - Espécie de amuletos da boa sorte, normalmente em forma de cinto ou colar, usados principalmente pelos guerrilheiros, como “protecção”.
Também se designavam por Ronco, as festas nativas.
Choro - Comemorações nativas fúnebres.

Tite 4 de Novembro de 1967
3,5 da manhã no Centro Cripto


Não será um diário o que pretendo fazer.
Não é isso que quero ao começar a analisar e mais propriamente ainda, conservar nas páginas em branco de um insignificante livro.
Sei não ser este o meio mais usual para guardar ideias (ou talvez seja...) mas que me importa o cenário, se ao deixar transparecer um pouco de mi próprio me torna mais fácil o continuar sempre igual e terrível dos dias que amargamente terei que aqui passar.

Mais um dia, igual decerto ao que há oito meses atrás marcou o começo pouco risonho de mais um marco da minha vida.
Será um dia simples ??!!...ardentemente desejo que seja na realidade um dia simples.
Só aqui nesta terra dos longos silêncios e das vistas largas pelas Bolanhas, sinto a felicidade do recordar das coisas pequeninas e sem história, mas que me faziam feliz.

Sei que poderá ao contrário ser também um dia de desgraça, catástrofes e morte.
Portanto um dia escuro como escuro é também o negro do luto, e amiúde, o tom da minha alma.

Sei que poderá ser amargo e negro, em que mais uma vez sinta o terror que já tantas vezes senti.
O mais desesperante, é a permanente incógnita, quando o dia começa a morrer e a negrura da noite cai sobre nós, o eterno receio de mais um ataque.
Será hoje ? e quando ? durará muito ?...
Apercebemo-nos que o dom auditivo se desenvolveu em todos nós de uma forma estranha.
Conseguimos captar o mais estranho som a quilómetros de distância, o que nos proporciona as rápidas fugas para os abrigos ou postos de combate, logo que se ouvem ao longe os estrondos das “saídas”, denunciando o começo de mais um ataque.

Mas que posso fazer ??
Não estou eu, bem como tantos, condenado às intempéries de um futuro tão sombrio ?
Tão incerto como tudo o que conhecemos, um futuro que será tudo menos: risonho, feliz e tranquilo, um futuro que ficara talvez na minha memória como um espaço de tempo tão doloroso e amargo, tão terrífico que só a simples lembrança me causará medo.

Tanto desejo que isso não aconteça que uma simples esperança se vai avolumando em mi de uma maneira tão categórica que já se tornou uma obsessão.
Eu quero que o dia 8 de Novembro seja e desfolhar natural de mais uma folha de calendário.
Quero que quando esta mesma folha tombar com a sua história passada, não seja uma data para fixar.
O que há tempos atrás me parecia uma criancice, naturalmente hoje é um ardente desejo.
Sinto que o mundo de fantasia e de boa vida vivida, repleto de esperanças e grandes planos, hoje, não está morto, mas sinto que está sobremaneira transformado.

Transformado com a necessidade premente de uma aniquilação total e negligente para facilitar o alheamento da confusão em que me vejo.

Recordo que no princípio da comissão, quase todas as minhas noites eram um manancial de belos sonhos e até de prelúdios mais ou menos longos e felizes.

Tudo revivia, com a plena certeza de apenas os interromper por um tempo.
Hoje, passados 212 longos e penosos dias, que se arrastam, essa convicção já nem sequer me torna feliz.
Sobreposse à certeza bela e realizável, o monstro enorme e horrendo da incerteza e dos contínuos pavores.
Tento não desanimar...
Contudo tão difícil se torna já a ideia de que o tempo que imperiosamente ainda me resta de sofrimento nesta maldita, mas também tão bela terra, terá que passar tão lentamente que a sua lentidão me causa horrores.

Não são os dias em si que me atormentam.
É sim o que eles também contém e conterão, o que definem e hão de definir com o seu inconstante nascer e morrer.
Relembro hoje a data de 19 de Julho de 1967, o nosso primeiro ataque em grande escala.
Relembro, ainda mais recentemente, o dia 31 de Outubro e 1 de Novembro.
Quantos dias como estes ainda terei mais que passar ? Quantos medos arrepios sentirei percorrerem-me todo o corpo até o sentir gelado ?

Quem ganhará na realidade com esta guerra ? eu só vejo perdas...principalmente de vidas e de carácter, perante as durezas da guerra.
Tantas perguntas e nenhuma resposta !!
Tantos horrores, tanto sangue e morte ainda terei que presenciar para finalmente o dia glorioso do regresso se impor ao que tanto me torturou e fez sofrer.
Quero logo que ponha os pés na minha amada Lisboa, apagar da memória estes malditos dois anos de Guiné.

A constante de dois longos anos, é e será sempre tudo o que não quero, mas que forçosamente tenho que suportar.
Tudo o que nunca imaginei poder ser verdade e concluí corresponder à verdade, à imagem real de factos sempre presentes em quem os passou e em quem os passa para mais tarde os abandonar e trocar por tudo o que são os “sonhos lindos”.

Mesmo esses que tudo sofreram e agora tudo gozam, de certo se lembram dos que, e para quem, planos futuros lhes serviram a eles de mortalha e aos outros de lágrimas e dor.
“Na paz os filhos enterram os pais, na guerra os pais enterram os filhos”...tanta verdade esta frase contém !!

Já por duas vezes vi camaradas de armas morrerem, e por duas vezes senti que transpareciam em mi todas as quimeras por eles ansiadas e tão cedo a morte lhas ceifou nesta maldita Guiné.
Dura experiência essa que passei.
Duras horas também as que se seguiram.
É nesses momentos que se sente o terror, a incógnita e obrigatoriamente uma pergunta se enraizou no meu cérebro que sinto já tão doentio: Quando será a minha vez ? será que também eu vou ter este fim? e se fico sem pernas, cego, condenado a uma cadeira de rodas para toda a vida ?

Prefiro a morte, a ficar por metades, estilhaçado e dependente da caridadesinha alheia. Nunca !!....
Quando por fim me volto a sentir mais tranquilo, acredito que a vida me voltará a sorrir e serei de novo o insignificante mas feliz humano que só com 22 anos, tanta desumanidade já viu, viveu e teme, ainda viverá...

Sei que tudo terminará, e tudo dentro de alguns longos meses, não parecerá talvez, mais que um simples sonho mau, o qual terminou quando acordei e vi frente a mi os rostos felizes de todos os que me são queridos, e a janela aberta para a vida convidando-me a entrar no seu seio de frivolidades, incertezas também, alegrias e nunca mais ódios.

Vou esgotando dia a dia nesta vermelha terra, a capacidade de voltar a odiar !!

Zé Justo

Domingo, 7 de Junho de 2009

Histórias à volta do nosso almoço em Ovar.





UMA HISTÓRIA QUE FICOU POR CONTAR

Talvez não saibam, logo após “descobertos”, 4 décadas passadas, os telefonemas e as falas aqui ali embargadas, sobretudo na casa do Mestre, não deixaram de parar tal as saudades (chorosamente) manifestadas.

Estou a relembrar 3 grandes camaradas que vivem no Baixo Alentejo. Em Monte Fialho - o Mestre, em Moura - o Ramos, e o Pedro - em Montes Altos, no concelho de Mértola, como se sabe protegido num lar para idosos.

Com as presenças do Guedes, do Mestre, do Ramos e da minha pessoa, num encontro prévio, em Montes Altos, no passado mês de Março, no objectivo de visitar o Pedro, que antes julgávamos ter morrido, ressaiu a possibilidade de todos se deslocarem a Ovar, quando e por ocasião do nosso 20º Almoço Convívio marcado para 23 de Maio de 2009. A partir daqui foi o desassossego, ninguém calava ninguém ao ver surgir da possibilidade de encontrar amigos que há longa data, os “perdidos” não abraçavam.

Uma vez que os nossos amigos, partiriam de pontos diferentes do Alentejo, para um comum (Castro Verde), estava fora de hipótese viajar de noite ou pela madrugada. Tal facto (e isto com os alentejanos tem que ser devagar e com tempo) umas semanas antes do evento foi discutido exaustivamente o melhor trajecto e transporte, chegando-se á conclusão, (três dias antes), que para utilizar o comboio que partiria de Lisboa a tempo de respeitar o horário do encontro marcado para o Jardim dos Campos (ou das Rosas) em Ovar, teria que ser antecipada a partida em um dia, facto que acarretaria despesas com alojamentos e na restauração. Mas a surpresa estava guardada.

Camaradas…avancem, adianta o autor do texto, …embora não tenha casa para os albergar (não era no chão da minha casa que os amigos do peito iam dormir), …não é problema, tenho uma tenda roulotte no Parque de Campismo na Costa da Caparica, com tudo o que é necessário para passar meses de férias, quanto mais para uma noite…Avancem camaradas! Assim aconteceu!

No dia que antecede o 20º Almoço de Confraternização, eram cerca das 12,30, quando nos encontrarmos na Rotunda do Centro Sul, em Almada, arrumamos o carro do Ramos na frente da minha porta, em Corroios, visitam a minha mulher e a minha neta Inês, partindo de seguida, agora, todos conduzidos por mim, para o almoço num dos mais afamados restaurantes de Almada – o Horácio -.

Bem almoçados e melhor regados, fomos largar a bagagem na “casa de férias” com vistas para Oceano Atlântico, para logo depois rumarmos á estação do caminho de ferro Oriente, onde adquirimos os bilhetes para a viagem do dia seguinte. Já no Centro Comercial Vasco da Gama, o Pedro manifestou alguma dificuldade nas escadas rolantes, na primeira que pisou, não fora o Mestre segurá-lo, a descida tornava-se mais rápida. Nas subidas o desequilíbrio era menor, também já éramos 2 a “montar segurança”. Fiquem sem saber dos “acidentes” que se passaram com Mestre e com Pedro e um outro utente nas casas de banho deste Centro Comercial.

Depois das compras feitas, com vistas a servir umas patuscadas previstas para as viagens na ida para Ovar e na vinda, apreciamos, na Cova do Vapor, sitio outrora de pescadores, a foz do rio Tejo. Passeamos no recente passadiço, junto ao mar, da Costa da Caparica. O silêncio dos meus convidados foi bem patente face à oportunidade em admirarem a beleza e a grandeza deste mar que se esgota com o olhar e no horizonte.

No regresso à vila do Pragal, (terra onde Fernão Mendes Pinto foi desterrado por castigo das mentiras que se pensa ter infligindo ao reino, quando da sua viagem à China), o restaurante – Geraldos – foi o local escolhido para jantar, seguindo-se após o repasto, já na “casa de férias”, a preparação e os cortes de jeito afatiado: do queijo, do presunto, do paio e do pão, que o Mestre fez transportar e na manhã seguinte, na viagem para Ovar, serviu no bar do comboio, acompanhados por “tintos” de região demarcada, estes ofertados pelo Ramos. Diga-se que foram muito admirados, por muitos dos “guerreiros” tendo em conta as suas elevadas qualidades. (os menus e os tintos)

23 de Maio de 2009, a expectativa de abraçar muitos dos camaradas é muito grande. O Carlos Azevedo e eu vamos buscar os “perdidos” ao portão do parque de campismo, são 6 horas da manhã, rumamos à estação do Oriente porque outros nos esperam. Como foi bonito abraçar e ver abraçar homens que as vicissitudes do tempo não permitiram durante 40 anos.

Pica Sinos

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

O Pedro adoeceu dois dias após o nosso almoço

Centro Social dos Montes Altos, que carinhosamente acolhe o nosso companheiro Pedro, lhe dá cama, mesa, roupa lavada e trabalho, o que é muito importante.

O Mestre informou-me que o Pedro tinha adoecido e eu mandei uma msg para o Sr. Director do Centro Social dos Montes Altos, a perguntar pelo Pedro.
Foi esta a resposta que me enviou e que agradecemos:

"Caro amigo Leandro,
é extraordinário o sentido de solidariedade existente entre os membros do batalhão para com todos e em particular com O Pedro.
De facto o tio zé Pedro, 2 dias após a vinda de Ovar, de onde veio encantado com tudo e todos, adoeceu ao que parece com uma virose.
Tratado prontamente pelo médico do Lar, que o visitou no seu domicilio, já se encontra em recuperação e já reiniciou as tarefas, embora com trabalhos melhorados.
Fez analises e acusou diabetes e problemas de fígado, claro o álcool não engana e o fígado queixa-se! fora isso tudo marcha bem, e aqui continuamos na nossa luta social em prol dos que mais precisam.
Receba um abraço amigo de mim e do Zé Pedro.(A vossa página é um luxo)
Diogo Sotero"

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

O Mestre vai de férias com o Hipólito...



"Jumentude"
Alguém da "n/kambada" lembrou o "Portimão".
Aí vai o que me parece ser o dito cujo:
  • António Luís Cabrita Correia
  • R. 16 de Maio n.º 23 - 1 - Portimão
Nas visitas ao blog, de quando em vez, aparece alguém de Portimão.

Costinha (já que estamos, agora, em fase de beijinhos e abraços):
"Fichérrimo" o CD que mandaste. Mui obrigado. Tudo muito fotogénico, inclusive a tua madrinha. Música de primeiríssima escolha.
Olha que não sou minhoto.

Pr'á semana o Mestre vai passar um ou dois dias comigo à Fuseta - Algarve. Triste sina andar a arranjar lenha para me queimar. É só malta do IN (das TMS) a atazanar-me. Vamos lá ver se será o único. Desconfio que não, embora não saiba de cor as coordenadas.
Um abraço
Hipólito

Sábado, 30 de Maio de 2009

O almoço da CART 1743, é no próximo dia 20 de Junho.!

e os diabos vão à Missa!...


Será no próximo dia 20 de Junho, em Vila Nova de Famalicão, junto ao Convento do Arnoso de Santa Eulália.
O repasto terá lugar no restaurante Solar da Rocha.
Será rezada Missa no Mosteiro às 12:15.
Concentração a partir das 10:30 junto ao Mosteiro do Arnoso
Almoço por volta das 13:15
O preço será de 27 €uros por pessoa - crianças 50% de desconto.
Ementa: Bacalhau à Solar e Rojões à moda do Minho, ou vitela.
.
Contactos:
.
Miguel Cunha Novais
Lugar Porto Carreiro
Freg. Grimãocelos
4775-122 NINE
tlf. 252 962 396
tlm. 934 095 289
.
António Pacheco
Quinta das Flores - Flor do Este
Cambezes
4775-113 NINE
tlf. 253 951 531
tlm. 938 581 041
.
Solicita-se marcação até 15 de Junho
Não esqueçam a prendinha...
Raul Soares.

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Uma delicia...!!!

Compilação Perguntas/Respostas do inquérito Facsimile nas fotos juntas, pertença e gentilmente cedido pelo ex Furriel Luis das TMS
.
Nota: Tinha 22 anos aquando deste inquérito, feito em Tite e da autoria do Furriel Luis, durante a guerra da Guiné.
Passados 42 anos sobre este escrito, muitas das resposta, hoje não as daria de forma nenhuma assim, principalmente no que concerne à mulher, a ser “pouco comunicatico” (hoje é o contrário) e nos nomes, lamentavelmente não inclui o de Raul de meu pai, um grande Homem, pelo qual, naquela altura não dava o devido apreço e que com o tempo muito admirei, muito me apoiou e que sempre recordarei como um exemplo.
José Justo
Maio 2009.



N.B. – RESPONDA AS TODAS AS PERGUNTAS, COM A MAIOR APROXIMAÇÃO DA VERDADE POSSÍVEL.
ABSOLUTAMENTE CONFIDENCIAL.

1 – Nome:
José Manuel Jordão Justo
2 – Data de nascimento:
28 Setembro 1945
3 – Morada:
Lisboa

4 – Qual é, a seu ver, o cúmulo da miséria ? Pobreza de espírito
5 – Onde gostaria de viver ?
Suécia ou Finlândia
6 – Qual é o seu ideal de felicidade terrestre ?
Alcançar o que se pretende
7 – Com quem é mais indulgente ?
Comigo
E com quem é menos ?
Também comigo
8 – Quem é o herói do romance que mais o impressionou ? Não me impressiono com heróis fictícios, mas talvez leve a minha preferência para - Rocambole
9 – Qual é a figura histórica que mais o apaixona ?
Nero

10 – Quais as heroínas da vida real que mais admira ?
Minha mãe (duma maneira muito especial)
11 – E heroínas da ficção ?
Nenhuma
12 – O seu pintor favorito ?
Dürer
13 – O seu músico predilecto ?
Strauss, entre muitos
14 – Qual a qualidade que ma
is aprecia no homem ? Inteligência, Humor refinado
15 – E na mulher ?
Só a beleza (mesquinho ?...talvez !!)
16 –Qual a virtude que mais
o encanta ? Não necessitar de ninguém
17 – Qual passatempo que mais o recreia ? Andar sozinho de noite por locais solitários
18 – Á sua profissão preferiria outra ? ----------------------
19 – Qual a principal feição do seu carácter ?
Pouco comunicativo, inconstante

20 – Que predicado mais preza num homem ? Sê-lo, mas a sério
21 – E na mulher ?
Olhos azuis e cabelos loiros
22 – E nos amigos ? -------------------------
23 – O seu defeito principal ?
O não os confessar
24 – A côr que lhe vai melhor ?
Azul escuro
25 – A flor que põe na lapela ? ----------------------------
26 – Qual o pássaro que acha mais curioso ?
Nenhum em especial e todos de uma maneira geral.
27 – Os seus autores predilectos (prosa) ?
Guy Maupassant, François Sagan
28 – E os seus poetas ?
Bocage
29 – Os seus heróis na vida real ?
De Gaulle

30 – As suas heroínas históricas ? -----------------------------
31 – Os nomes que acha mais bonitos no onomástico nacional ?
Carlos, Helena, o meu
32 – Que mais detesta no mundo ? Acordar, falta de dinheiro
33 – E na sua pessoa ?
Inconstância
34 – E quais os motivos capitais da sua aversão no governo das sociedades ? ---------------------------

35 – Que sucesso histórico mais admira ? A victória dos Aliados sobre a Alemanha nazi
36 – E qual a reforma político-social que mais agradou o seu espírito ? -------------------------------
37 – Que graça pediria a um feiticeiro ?
Dinheiro
38 – Como gostaria de morrer ?
De qualquer modo, em qualquer altura, mas rapidamente
39 – Estado presente do seu espírito ?
Indiferente...e muito longe...

40 – Actos da vida que lhe inspiram mais confiança ?
A posse total
41 – A sua divisa ? Pensamento: “Os cães ladram e a caravana passa”
42 – Qual a seu ver a verdadeira definição de amor ?
Se realmente existe, não creio tenha definição
43 – O que pensa representa
r para si um beijo ? Nalguns casos, uma cancela que se fecha, noutros um paraíso que se abre...
44 – DEDICATÓRIA (N.B.: Nesta dedicatória dê um parecer, favorável ou não, acerca do exposto neste inquérito cultural)
Talvez, quando daqui a tempos todo o nosso martírio terminar estas respostas te possam infelizmente recordar um período demasiado longo da tua existência para valer a pena voltar ao que não voltará jamais.
No entanto “Vale sempre a pena, quando a alma não é pequena”

José Justo – Guiné 22 Out 67





Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Novas Fotos do Almoço em Ovar - Oferta Cavaleiro

video

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Joaquim José Caraça (o Chaparro)



Joaquim José Caraça (Chaparro) foi Pelotão dos Morteiros, e com o Pedro fez parceria, é natural e residente em Moura (Alentejo). Solteiro, actualmente vive com uma irmã na sua terra natal.
Antes de ser mobilizado trabalhava como pastor de gado. O campo era a sua casa. Quando desmobilizado retoma a profissão de pastor até ser chamado para trabalhar na Barragem do Alqueva.
Barragem concluída, o desemprego “bateu-lhe à porta” durante largos meses, até que foi chamado a ocupar lugar nos serviços municipalizados e de limpeza na Câmara Municipal de Moura até à idade de ser reformado.
Hoje, segundo nos informou o Ramos, seu vizinho na cidade, não goza de muita saúde, a vontade de se deslocar para longe da sua cidade é pouca ou nenhuma, se bem que tenha muitas saudades dos camaradas.
A todos pede desculpa e manda um grande abraço
Pica Sinos.

As fotos que o ex-furriel Luis Silva nos trouxe...

O Luis junto com o Gen.Spinola e outros companheiros, durante o"Ronco IV"

Na foto de cima está com o Ferreira e ao lado num baga-baga (construção feita por formigas)
Na foto de baixo o Luis está com seu irmão gémeo e outros companheiros


Na foto de baixo vê-se o sargento-ajudante Marvanejo

Na foto de baixo é visível a humilde capela católica de Tite, onde o nosso Padre Luis Silva e o nosso Hipólito como sacristão, celebravam as suas missas.

Na foto de cima está um esquema da área de comunicações dependente de Tite, elaborada pelo nosso companheiro Luis.

Aqui está o Luis com os animais tipicos da Guiné - o macaco e o piriquito.

As estórias que o Pica "inventa..."



A “PASSERELL” DA CUECA AINDA HOJE É RECORDADA

As coisas são como são, confesso que escrever sobre cuecas não é a minha especialidade, mas, vem a intenção a propósito (e à memória), resultante de uma conversa escutada abusivamente, diga-se, no passado Almoço Convívio realizado em Ovar.

Ou seja, segundo me apercebi, alguém dizia que em Tite, na caserna dos furriéis, afortunados mirones, assistiram durante considerável período de tempo, a ”passagens de langerie”, certames organizados por um dos companheiros, não só no intuito do aprazimento, mas também para instigar invejas aos que por perto sabia que o observavam. E não se pense que a galhofa ficava só por aquele espaço, haviam outros, também, ansiosos por saber o que se “mirava” em tal pavilhão, mas azarados, só tinham direito aos comentários produzidos na “ primeira página” no jornal da caserna.

Dizem os entendidos que a “roupa” íntima dos homens data desde a era das cavernas. O couro era moldado como um triângulo, amarrado em redor do quadril e laçado por fitas entre as pernas, voltando a ser amarradas novamente no quadril. Já no século XII, com o desenvolvimento das novas tecnologias (armaduras), há época, tal roupa, já moldada em faixas de linho, era usada como protecção contra o metal que era áspero e mais tarde já não atada ao quadril, mas sim amarradas abaixo dos joelhos. É certo que a moda feminina acompanhou sempre, até diria, na vanguarda, a estilização “cuecal”, qual estorvados espartilhos do século XIX. Hoje nem sequer e bem, as nalgas são protegidas/tapadas, mas passemos à história em Tite.

O nosso protagonista fumava cachimbo, certamente motivado também pela nostalgia, lembrou-se de solicitar à então namorada o envio de umas cuecas femininas, que compreensível e nada ofendida, satisfez tal pedido com e da melhor confecção em seda e, de corte do mais sexy então existente.

Diziam, no almoço, então as más línguas, que era vê-lo encostar tal tecido à sua face ou machucando-o nas mãos, ou ainda, ostentando tal ornamento tapando a boca e nariz (qual bailarina de ventre) rindo disfarçadamente daqueles que sabia que o miravam, imaginando certamente, que os vértices das divisas amarelas da classe dos sargentos, colocadas nos ombros, passam a linha recta mais parecendo as divisas da classe dos alferes.

Pica Sinos

Domingo, 24 de Maio de 2009

As fotos do almoço em Ovar

Sábado, 23 de Maio de 2009

O almoço em Ovar aconteceu


20º ALMOÇO CONVÍVIO DO BATALHÃO 1914

OVAR 23 DE MAIO DE 2009


A história deste convívio começa a desenhar-se em S. Martinho do Porto em 17 de Maio de 2008, após “reunião” dos Chefes Superiores, nestas andanças de comes e bebes.

Por determinação “Superior” fui incumbido de organizar o 20º Almoço de confraternização e por coincidência comemorativo do 40º aniversário do nosso regresso de terras de África (Tite-Guiné-Bissau).

Como um bom ex-militar e obediente, não pude recusar a missão que me colocaram em mãos. Vai daí no início de Abril, comecei por fazer um texto como convocatória a todos os inscritos na lista que me foi entregue. Logo comecei a receber as primeiras inscrições. Mas como sempre, os portugueses deixam tudo para última hora, tendo-me “obrigado” a fazer algumas chamadas de última hora. Valeu a pena porque compareceram á mesa 133 pessoas o maior recorde de presenças até hoje em almoços de convívio do Batalhão!

O dia de 23 de Maio marcado para o evento, nasceu cinzento e ameaçar uma boa descarga de água. Felizmente tal não aconteceu apesar de algumas gotas ameaçadoras para logo abrir um sol até bem quente por sinal.

Pelas 10 horas e 30 minutos, começaram a aparecer os primeiros “comedores” no lindo Jardim dos Campos também conhecido por Jardim das Rosas. Logo ali começaram a distribuir abraços. O primeiro elemento “novo” aparecer bem documentado com uma pastinha á maneira, e que nunca tinha estado em nenhum convívio, foi o nosso Luís Manuel Bastos Dias, (nome de guerra: Luizinho das tms) este nosso amigo ficou muito comovido com os abraços dos colegas de há 40 anos e foi o último a abandonar o restaurante!

Bom á medida que o “pessoal” ia chegando, fui distribuindo como presente e para marcar o dia do convívio, um azulejo com o nosso logo do Batalhão e os dizeres comemorativos tendo como fundo um símbolo da Ria de Aveiro, um moliceiro. A minha lembrança do azulejo, deve-se ao facto de Ovar ser conhecida como: Ovar cidade museu do azulejo.

Cerca das 12 horas e 30 minutos a custo, lá se conseguiu reunir as pessoas para fazer uma foto de família. Pelas 13 horas, entramos no Restaurante a Garrafeira ao som da música ambiente e ao vivo do meu querido amigo e familiar Manuel Ferreira e sua filha Sara nas teclas. Na testa da mesa ficou o Paraíso Pinto, o Pereira e a Snrª Drª. Maria Margarida e suas duas filhas. Á direita do “nosso” Capitão, eu a minha Madrinha de Guerra, minha neta e filha. O pessoal acomodou-se como de costume, fazendo grupinhos principalmente com aqueles que nunca vieram, foi caso do Ramos, o Mestre, o Flores, o Barros o Correia… imaginem só, estes apenas das tms!! O Francisco Silva das tms (tinha de ser mais da tms!) telefonou de França, falou comigo, com o Pica, o Mestre e outros. Este malandro do Silva vai pagar um almoço às tms, ai vai, vai! O repasto correu com muita alegria, de tal forma que o nosso “Camelo” de seu nome Alberto Artur Camelo, foi dar um cheirinho ao palco cantando para todos nós. O melhor é que este amigo, trazia a famosa guitarra com que nos brindava com os seus acordes no posto de rádio em Tite! Pena que não houve tempo para o ouvir tocar. Camelo! Não vais perder pela demora, um dia não muito longínquo a malta das tms vai te bater á porta!

E depois de um bom Cozido à Portuguesa, bem regado com um bom tinto a acompanhar, veio o momento de cortar o bolo do Batalhão 1914 e fazer os agradecimentos, tomando da palavra, eu e o Paraíso Pinto. Feitos os agradecimentos e com o adiantar da hora, visto que havia pessoas que fizeram largas centenas de klms para estarem no almoço, assim como a rapaziada vinda de Lisboa em comboio. Foi um dia maravilhoso e feliz que eu jamais esquecerei.

Em reunião das “tropas” e por consenso, ficou “determinado” que o 21º Convívio vai ser organizado pelo nosso querido amigo Hipólito Sousa em Baltar em data a determinar.

Um bem-haja a todos os amigos que vieram até Ovar, e até ao próximo abraço em Baltar

José Costa

Foto do azulejo que o Costa ofereceu a todos os companheiros participantes

foto do Grupo, no Jardim das Rosas

O Costa teve a preocupação de entregar a cada um dos companheiros presentes, um cartão de identificação



O Costa está de parabéns.
Organizou um excelente almoço, num bom restaurante, em Ovar terra vareira muito simpática. Apareceu muita gente que não víamos há 40 anos.
Breve faremos comentários sobre este belo dia, cheio de sol.
Bem hajas Costa!

Amigos

Foi um prazer ver e rever estas fotos do pessoal que compareceu neste almoço de 2009.
De ano para ano, o número de presenças aumenta, o que prova muito o esforço dos bem escolhidos organizadores, qual deles o mais esforçado.

Bonita ideia do Costa. presentiar a todos com um simbólico; “Azulejo Vareiro”
Cartões identificativos, pois cada vez há mais caras novas...bem lembrado, sim senhor.

Quero expressar o meu muito obrigado pela msg do Barros, Correia, Mestre, Cavaleiro, Camelo, entre outros, e retribuir muita apertado o abraço que gentilmente me enviaram.

Que para o ano, com a organização a cargo do Hipólito, os companheiros sejam ainda mais.

Abraços e Sucessos para todos os que estiveram presentes, extensivo aos ausentes.

Zé Justo

as fotos que nos trouxe o Joaquim Agostinho Fernandes, do Pelotão de Morteiros



O Pica chamou-me à atenção, e com toda a justiça para o facto de ter de fazer o pino para ver algumas das fotos que eu tinha publicado erradamente. Confiei no trabalho da minha secretária, é o que dá...
Vai daí, tive que reformular quase todas as fotos, não fosse o homem dar-lhe um tréco.
Obrigado amigo!










Sexta-feira, 22 de Maio de 2009


Tudo de bom para todos.
Um forte abraço como se tivesse entre vós.

Zé Justo

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Companheiros, Camaradas, Amigos e familiares

É já no próximo dia 23 do corrente mês, que vamos celebrar o 40º aniversário do regresso de Tite (Guiné-Bissau), onde durante cerca de 23 meses (1967/1969) estivemos mobilizados, integrando várias companhias, pelotões e secções, na guerra colonial.

Este nosso 20º almoço de confraternização, tem a presença de muitos que há 4 décadas não nos víamos, assim como familiares de camaradas que fisicamente, infelizmente, já não estão entre nós, mas fazem questão da sua presença junto daqueles que com os seus ente queridos, partilharam momentos que foram maus, mas também bons, de franca camaradagem e amizade, gesto com o qual nos sentimos muito orgulhosos.

A concentração, em Ovar, é às 10,30 horas no Jardim dos Campos, junto à estátua do escritor Júlio Dinis. Ás 13 horas o almoço no Restaurante “Garrafeira” que ali fica perto.

Até sábado.

Pica Sinos.

..............

nota - lembramos aos companheiros da área de Lisboa e que estejam interessados, que vamos para o almoço de comboio (e o Pica já tem 10 inscrições, mais o Arrabaça que entra no Entroncamento, somos 11), com partida prevista para as 7:30 da manhã de Sábado na Gare do Oriente e regresso ao fim da tarde Sábado.

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Unidos até aos 100...


Meus amigos
O Contige enviou-nos esta foto tirada em Tite, onde é traçado o nosso destino:


Tite
Guiné
2-4-68
UNIDOS ATÉ AOS 100...

e assim continuaremos amigos.
E o nosso almoço é o retrato dessa união.
Por isso a nossa alegria é tão grande quando reencontramos um companheiro pródigo...
Só a tropa que esteve na guerra entende isto. E mesmo nós por vezes nos admiramos com a amizade que nos une, passados quarenta anos.

Abraços
Bom almoço para todos.

.

Quem diria...!!! outras partes.

Quem diria !!! . . . (2)

(Parte 1 ?: Alvíssaras pelo seu galáctico sumiço)

É velho e relho o adágio “ mais vale tarde que nunca”.

Penei, dois anos, na coadjuvância da espinhosa missão evangelico/catequisadora, “predicando e repredicando”, com ciclópico arreganho (qual stº Antoninho de Lesboa aos peixinhos), àquela tropa de Tite, incentivando, com o m/exemplo, de dedicação ao próximo, os mais desalinhados, reaccionários ou do reviralho (que os havia e muitos).
Ingloria e infrutiferamente, magicava eu, a aferir pelo m/6º sentido.
Pura falácia, felizmente.

É que, ao ler a aguerrida, mas estimulante, resposta (datada de 13 de Maio e com referência a dois locais com significado místico) ao “voo das chapas” (comprovado, e ainda bem, fotograficamente), vislumbrei uma, embora ténue, réstea de esperança de que, afinal, o meu árduo labor não terá sido, de todo, em vão.

Será que estamos perante coincidência de puro rigor cartográfico ou de um milagre (diz-se) ainda maior que o de Fátima?

Referi acima que era exemplo de dedicação ao próximo. Verdadinha, nua e crua.
Capciosa e subrrepticiamente, se insinua de que me mancomunei, em proveito próprio e exclusivo, com o precioso néctar.
Negativo. Jamais (é).
Corria, no meio, que esse néctar teria propriedades terapêuticas adequadas à “escarificação”, de que eram, frequentemente, portadoras as nativas, fruto de incisões na pele próprias dos seus usos e costumes.
Era vê-los, à socapa (dispenso-me de nomeá-los, por pudor e por me parecerem obviamente identificáveis), com carinha de donjeovanis comprometidos, a bater à porta do SPM, a pedir daquela “mesinha”, que, a contragosto, em frasquinhos de martini, ia partilhando, a ponto de ficar sem néctar algum (0) para consumo próprio.
E era vê-los, directinhos, como setas, à tabanca das suas lavadeiras e quejandas.
Se eles próprios tratavam da massagem nas ditas ou se o davam aos maridos para irem dar uma volta ao bilhar . . ., não curei de indagar, nem era, e nem é, assunto do meu pelouro.
É, assim, que paga o justo pelo pecador e que a ração não é para quem a talha, mas, sim, para quem a come.

Pronto. Ponto final. Esgotou-se a veia. Vou almoçar com o Costa.
Um abraço
Hipólito

Estão bem nas fotografias...





Mensagem

Meus Amigos e Camaradas

Na resposta ao Hipólito….

De facto é verdade que os valorosos homens das TMS de Tite, tiveram que passar por uma formação exigente e altamente qualificada, ministrada em diversos locais por este Mundo espalhados, mas não é justo esconder que outros houveram (muito poucos) que foram formados como ajudantes de prédicas, num pequeno país junto a Roma, com tirocínio tirado numa cidade integrada no

Concelho de Ourém.

Reconhecidamente o pessoal das TMS, nas coordenadas que lhes foram destinadas, era gente, não só de distinta formação profissional, como também de soberba postura comportamental, a tal ponto, que 4 décadas passadas, por muitos, (sabemos que a custo), ainda lhes são reconhecidas.

Claro que há sempre em tudo na vida…um...mas!

É verdade que a par das operações “vinho do pároco”, escrupulosa e mensalmente desenvolvidas, havia quem por lá fizesse, de tempos a tempos, outras operações, estas hortícolas, não menos bem sucedidas, (ver foto do recente encontrado Silva,

onde um conjunto de gente das TMS está bem equipado), que com a perícia que lhes era peculiar, quando do sucesso da captura dos diversos e suculentos artigos da horta do comandante “Hortelão”, resultava sempre festa no Centro de Transmissões.

O produto era dividido por todos e não açambarcado apenas para um!

Vem esta confissão a propósito porque, não seria correcto deixar isolado na “praça pública” tão estimado camarada, que infelizmente e apesar da sua elevada formação de IAO, nunca ganhou a coragem para partilhar, com os restantes,

tal néctar, oferecendo-lhes, sim, apenas a “zurrapa” que se apoderava no refeitório.

É bem evidente que as formações, se bem que exigentes e altamente qualificadas, foram diferentes!

Nem me atrevo a solicitar outras informações lá para os lados de Valença, porque se o fizesse o sino mais uma vez soava.

Tenham um bom dia, em especial o Hipo.

Pica Sinos

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e diz o Hipólito:

Está, está e ainda bem. Fui bombeiro.

O principal destinatário seria o Justo, uma vez que, me parece, ele
andará em baixo.

Já, algumas vezes, lhe mandei SMS para o manter na onda e nada.

Mais uma tentativa frustrada de o espicaçar, paciência.

Não sei se percebes que as m/crónicas são todas ficcionadas. Não
correspondem a qualquer realidade. Tudo para animar a malta.

Aliás, a ideia será que haja reacções. Caso contrário, não valeria a
pena perder tempo.

Um abraço

Hip.

Mais dois companheiros desaparecidos

Segundo apurou o Costa, mais dois companheiros partiram:
..
- Capitão médico José Trindade
- Alferes Pinho Campos, do conselho administrativo
..
Para eles a nossa homenagem!
_____________________________

"Guedes!

Fui á procura do Alf. Luis Manuel Pinho Campos na morada que me indicaram em Sta. Maria da Feira. Pelas indicações que recolhi, era uma pessoa bem conhecida, mas infelizmente não faz parde do nosso Mundo. Faleceu segundo o que consegui apurar, talvez uns 5 anos atrás de morte súbita. Segundo me informaram, outros familiares finaram-se com o mesmo problema.

Consegui saber também o local da residência da irmã. Mas não encontrei ninguém. Infelizmente a Telecom está a ficar sem clientes com telefone fixo. Vai daí não consigo contactar a snrª.

Se vcs acharem que vale a pena colher alguns elementos dele, bem como a data certa do falecimento e ou fotos, digam-me que eu volto lá em outro dia.

Quantos aos restantes da lista, eu vou escrever a todos eles a ver se acerto. Certamente não estarão cá neste convívio, mas ficará o registo para a próxima.

Costa "

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

O testemunho das filhas do nosso Alf. Rodrigues

Amigos!

Recebi da filha do nosso querido amigo e falecido Alf. Joaquim Rodrigues, o email que vos reenvio com uma dedicatória da filha Filipa que á data do falecimento do pai teria 8 anos!

Acho que ficaria bem acrescentar no Blog.

Costa

...............................

"Boa noite !
Já encaminhei de dizer à minha mãe, Margarida Costa, o que respondeu ao e-mail enviado.
Não sei até que ponto seria conveniente enviar uma 'dedicatória' que fiz 'para o meu pai'.

Mas penso que é sempre comovente ver como as pessoas reagem quando as pessoas deixam de estar entre nós . E ainda mais , uma pessoa tão chegada que é o meu pai, e tendo eu 8 anos quando ele morreu.
Deixo ao seu critério, de qualquer das formas , envio-lhe em seguida o que fiz :

...

"As coisas nem sempre acabam da forma que queremos. Muitas coisas ficaram por fazer e dizer. Muitas coisas ficaram engasgadas aqui dentro, e ainda hoje mantenho um nó na garganta, que parece que a cada dia se torna mais difícil de desamarrar. Tenho muitas incertezas penduradas na cabeça. Desde o dia dezoito de Outubro de 2001 que sinto que faltou muito, mas mesmo muito para te transmitir o quanto te amava e o quanto tinha para agradecer pelo facto de ser tua filha, por me teres mudado as fraldas e me teres ensinado a dizer 'papá' e conhecer o verdadeiro significado e a verdadeira importância desta palavra. Não estou certa ao acreditar naquilo que os outros insistem em me dizer, no intuito de me consolarem: 'O céu é um lugar bonito, vais ver que foi melhor assim'.

Não.

Mas duma coisa eu tenho a certeza : nada, nem ninguém te substitui. Pai é pai, e amor por ti, é algo único. "

Filipa Rodrigues, 15 anos.

...

Em anexo, uma fotografia, tirada pouco tempo antes do meu pai falecer .

( Na fotografia, eu, o meu pai e a minha irmã )


muito obrigada ."

Domingo, 17 de Maio de 2009

Arménio de Carvalho



“Leandro:

Recebi a tua mensagem com satisfação. Dizias-me que não me lembrava de ti, como é óbvio não é fácil porque são 40 anos sem nos vermos, mas espero reconhecer-vos a todos, principalmente os meus adversários do jogo da lerpa, pelo que geralmente era mais conhecido.

A minha especialidade era de Artilharia pesada. Como vês não era nenhuma brincadeira (mas com isto não tenhas medo…)

E além disso ainda tinha uma especialidade extra , a de jogar à lerpa, mas não fiquei a dever nada ao trabalho!

Termino enviando-te as fotos que me pediste e até ao dia 23 de Maio.

Um abraço

Arménio de Carvalho.”

Victor Manuel da Silva Barros - mais um reencontrado

Amigos!
Mais um TMS que fui descobrir!

VICTOR MANUEL DA SILVA BARROS

Rua 1º. De Dezembro, 6 r/c Dto – Amieirinha
2430-036 MARINHA GRANDE
Telm. 916955080

Vai estar presente dia 23!

José Costa.
.

A TODOS UM ABRAÇO E OPTIMO ALMOÇO


USAVA UM PEQUENO “SEXI-SIMBOL”

DEPENDURANDO NUM FIO DE OIRO QUE TRAZIA AO PESCOÇO


Devidamente munido de papel e lápis, de máquina fotográfica ao ombro, vou ao encontro do TéTé, ex-colega na Robbilac, camarada d’armas e operador de cripto, da companhia operacional em serviço, não só em Tite, mas também em Fulacunda, Jabadá, Nova Sintra, entre outros locais. Com o objectivo, não só, para “matar” saudades, mas também para um pequeno artigo de “flashes” da vida deste companheiro, com vistas à publicação no nosso blog, respondendo também, a muitos de nós, que por ele há anos perguntam.


Pica Sinos …Tenho vestido uma camisa azul e calças brancas, também tenho, agora, o cabelo todo branco…, dizia-me pelo telemóvel o José Miguel, (Tétè, como um grupo restrito da área das transmissões o tratava em Tite), enquanto esperava por mim, na saída da estação, Roma, do comboio que liga a cidade de Lisboa à margem Sul.


Não te preocupes Miguel, quando nos avistarmos, não tenho a menor dúvida de que não haverá enganos! Enfim, só não nos vemos há 40 anos, não é assim tanto tempo caramba, retorqui!

E assim foi! Só a idade, o corpo e o cabelo sofreram alterações. A sua forma de estar viva, despreocupada e sorridente, apresentam a mesma postura do “puto” com quem trabalhei há muitos, muitos anos, naquela terra em África.


Pica …este encontro merece ser especial, vamos almoçar na Cervejaria Ramiro, lá em baixo junto ao Intendente, que no passado, quando pequena casa de pasto, meu pai me mandava comprar o marisco, embalado em pequenas caixas de madeira, hoje, é uma cervejaria/marisqueira das mais famosas de Lisboa, não te preocupes com o resto.


E num ambiente divido por viveiros, azulejos da viúva Lamego e, no prato, marisco variado, acompanhado necessariamente com presunto e cerveja, lá fomos conversando sobre a vida, antes, durante e depois, sobretudo das peripécias que passamos em Tite.


Sou um homem bafejado pela sorte e feliz. Adoro a minha mulher (Bolinhas) companheira de sempre. Tenho 2 filhos que me são muito queridos (um rapaz e uma rapariga) os quais me deram 2 lindos e amorosos netos, (um casal). Trabalho que me farto nas minhas 3 empresas que estão inseridas no ramo da indústria farmacêutica. Não penso reformar-me nos anos mais

próximos, mas não digas à “Bolinhas”, porque é contrário à sua vontade.


Recordarmos velhos e passados tempos. Do gozo que nos deu a construção (com o Justo) do abrigo, em toros de madeira e com terra, entre o telhado de zinco e o tecto falso do Centro de Cripto e da Oficina de Rádio.


Olha Pica, …a exemplo, quando cheguei a Jabadá, disse ao Alferes que queria um abrigo assim no Centro de Cripto, quase meia companhia ficou a trabalhar para mim.


Eh Pica, …lembras-te quando devolvemos as espingardas G3 ao Capitão Paraíso Pinto, dizendo que tais armas estavam fora do contexto da nossa especialidade?

Na verdade o que nós não queríamos era ir à revista das mesmas e com razão não dávamos um tiro com tais armas, logo revista de quê e porquê…?


…EH Miguel e tu recordas quando fui ter contigo a Fulacunda para te entregar material cripto, dois dias antes de embarcar para Lisboa, sem transporte para Tite ou Bissau, já com a Companhia a caminho do Uíge? Valeu-me o teu apoio no transporte de avião para Bissau, já que as LDM(s) que estavam atracadas, só tinham maré dias depois.


…ÓH Pica recordas como triste fiquei quando perdi o meu fio de oiro que tinha dependurado um pequeno “sexi-simbol” dos homens? Sabes o camarada das TMS, que o achou e o guardou durante 10 anos, teve a hombridade de o entregar quando me encontrou. Fiquei impressionadíssimo com tal gesto!


A conversa foi continuando, com a promessa de um novo encontro, com outros mais, lá para o verão deste ano. Este vosso amigo de tanto prazer e satisfação em estar com o Tétè, até se esqueceu da tarefa de o fotografar, mas não em lhe dar um forte abraço na despedida.


Pica Sinos


Viva Pica
Agradeço-te a agradável companhia e o relembrar de algumas interessantes
vivências da nossa juventude. Que memória a tua.
Foi muito bom e fico aguardando uma nova cavaqueira com mais uns finos.
Aqui vão algumas fotos daquele tempo, ou seja de há uns 3 anitos.
Um grande abraço PICA ... obviamente extensivo a ti ... JUSTO.
Um abração
JM

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Faleceu o Alferes Rodrigues

nesta foto o alf. Rodrigues com outros oficiais, vendo-se em frente, sentado, o cap. Vicente, também já falecido


o alf. Rodrigues ao lado do comandante, junto com outros oficiais, alguns também já falecidos.

o alf. Rodrigues ao lado do furriel Guimarães

foto do alf. Rodrigues

em primeiro plano está o Alf. Rodrigues, junto da sua equipa e outros companheiros


Amigos
Recebi do Costa a seguinte mensagem:

"Amigos!


Fui contactado pela esposa (Sra. D. Maria Margarida M.Costa Rodrigues) do falecido (18 de Outubro de 2001)
Alferes J
OAQUIM DE OLIVEIRA RODRIGUES, de AVANCA.
Era o responsável da oficina auto.

Ficou muito sensibilizada por receber uma carta/convite para o 20º almoço. Vai estar presente com as suas duas filhas.

Ficou também admirada por se terem lembrado dela. Será que os organizadores anteriores não enviaram convites para todos da lista?!!

Vamos receber a senhora e suas duas filhas, com toda a dignidade.

Costa"

__________________________________________

O Alf. Rodrigues era o chefe da oficina auto, onde trabalhava o sargento Araujo e o fur. Guimarães além de mecânicos, pintores e bate-chapas. Salvo erro os carpinteiros também estava sob a sua alçada. Era também o chefe de todos os condutores auto.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Mais um companheiro que faleceu

Do Costa recebi mais esta triste mensagem:


"Amigos!

Para conhecimento á tertúlia.

Na sequência dos contactos que estou a fazer por telefone aos retardatários, fui confrontado com a notícia do falecimento do camarada:


ANTÓNIO MESTRE BENTES

de Agualva / Cacém

Faleceu em 11/01/2009


Costa"

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Chapas de lusalite voadoras - parte II


Meus Amigos e Camaradas


Na resposta ao Hipólito….


De facto é verdade que os valorosos homens das TMS de Tite, tiveram que passar por uma formação exigente e altamente qualificada, ministrada em diversos locais por este Mundo espalhados, mas não é justo esconder que outros houveram (muito poucos) que foram formados como ajudantes de prédicas, num pequeno país junto a Roma, com tirocínio tirado numa cidade integrada no Concelho de Ourém.


Reconhecidamente o pessoal das TMS, nas coordenadas que lhes foram destinadas, era gente, não só de distinta formação profissional, como também de soberba postura comportamental, a tal ponto, que 4 décadas passadas, por muitos, (sabemos que a custo), ainda lhes são reconhecidas.


Claro que há sempre em tudo na vida…um...mas!


É verdade que a par das operações “vinho do pároco”, escrupulosa e mensalmente desenvolvidas, havia quem por lá fizesse, de tempos a tempos, outras operações, estas hortícolas, não menos bem sucedidas, (ver foto do recente encontrado Silva, onde um conjunto de gente das TMS está bem equipado), que com a perícia que lhes era peculiar, quando do sucesso da captura dos diversos e suculentos artigos da horta do comandante “Hortelão”, resultava sempre festa no Centro de Transmissões.


O produto era dividido por todos e não açambarcado apenas para um!


Vem esta confissão a propósito porque, não seria correcto deixar isolado na “praça pública” tão estimado camarada, que infelizmente e apesar da sua elevada formação de IAO, nunca ganhou a coragem para partilhar, com os restantes, tal néctar, oferecendo-lhes, sim, apenas a “zurrapa” que se apoderava no refeitório.


É bem evidente que as formações, se bem que exigentes e altamente qualificadas, foram diferentes!


Nem me atrevo a solicitar outras informações lá para os lados de Valença, porque se o fizesse o sino mais uma vez soava.


Tenham um bom dia, em especial o Hipo.


Pica Sinos

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Mais um companheiro reencontrado.

Amigos!

Recebi um telefonema dum colega:

ARMÉNIO DE CARVALHO

R.Fernando Lopes Graça,17 3ºC

2725-002 TAPADA DAS MERCÉS

Telem. 912062509

A falar-me muito comovido, que nunca tinha ido a nenhum convívio por desconhecer.

Teve conhecimento pelo convite que lhe fiz, que a “malta” já se reunia, contando com este, há 20 anos!

Estava um pouco renitente em vir, porque como ele diz, não vai conhecer ninguém.

Fiz-lhe crer que não. Portanto quem o conhecer, agradeço que lhe façam a devida recepção! (vem com a esposa)

José Costa.

Chapas de lusalite voadoras...


Alguém nos apelidou de “tropa fandanga” . . .
Nada de mais injusto, como irei demonstrar.
A algumas especialidades, diga-se, em abono da verdade, inacessíveis ao mais comum dos mortais, como era o caso da “família” das TMS, era exigido um grau elevado de cultura, de conhecimentos tecno/científicos de vanguarda e de postura pro-activa em tudo o que fosse de
transcendente relevância.

Assim é que, soube-o há pouco através do jornal o Incrível, os
n/valorosos homens das TMS de Tite, tiveram que passar por uma
formação exigente e altamente qualificada, ministrada a uns em Oxford,
a outros em Cambridge.

O caso do Costa, do Mestre e outros.
Os ultra-sofisticados op. Cripto, considerados quase como se de uma
“secreta” se tratasse, eram enviados para Moscovo ou Havana, daqui
seguindo para Miami, onde lhe era ministrado o IAO “como bater o
charuto”, como, muito e bem, exemplificavam no terreno.
Exemplo de tal, é o que se passou, sem sombra de dúvida, e que relato:

Num violento tornado, comum na Guiné, com o vento ciclónico, as
chapas de lusalite da cobertura do edifício das TMS voaram.

Numa atitude pro-activa e revelando apurados conhecimentos
aerodinâmicos, muito empregues na aviação-submarina, o Costa, o Silva
ou outro transmitiram (após aturada codificação do Pica, Justo e
Contino) para Fulacunda, distante uns 30 kms, a seguinte mensagem:

“Chapas deste voaram. Informe se aterraram nesse.”

Ora vejam lá, se todos eram tropa fandanga.
Hipólito

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

O Silva manda abraços para todos



Bom dia Costa,


Estou com uns amigos e aproveito para te enviar umas palavrinhas.Vi uma parte do blog e já deitei mais uma gota de “chichi” pelos olhos. Vocês são formidáveis. Aproveito também para te enviar uma foto bem quentinha, eu te enviarei uma mais antiga em breve.Podes me responder por e-mail aos meus amigos eles me transmitem, eles moram a cem metros de mim. A esposa do meu amigo e portuguesa.


Um grande abraço de vosso colega e amigo

Silva

..............................................................

Amigos!

Recebi carta do Francisco Silva de França onde nos envia uma foto da época. Pode ser colada á outra no Blog que nos enviou há uns dias atrás.

O Rapaz está saudoso, comovido de tanta mordomia. A febre de visitar o blog é tanta que no passado dia 20 foi comprar um computador! Vai fazer um curso rápido pra começar a navegar no nosso Blog!!

Costa