terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Gentil já está em casa

Telefonou-me o Gentil dizendo que já está em casa.
Vai continuar a fazer tratamentos, mas irá sempre dormir a casa.
Boas noticias estas, Gentil.
Que tudo continue a correr bem.
Recebe um abraço de todos nós com votos de rápidas melhoras..
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segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Os escorrepicha garrafas...


Ufa ! . . .
Finalmente, alijei o anátema de “escorrepicha-garrafas” que arrostava, desde Tite, e que, alguns “esdrúxulos”, embora poucos, me imputam, em autoria moral e material..
Tanto andei e desandei, porfiadamente, que a verdade, sendo como o azeite, vem sempre à tona . . .
Até acordei, hoje, leve como uma alface, depois de, ontem, ter visitado o n/capelão, padre Luís, que muito considero e respeito, e de, gostosamente, o ter acompanhado num périplo pelo circuito Peneda-Gerês, com o seu epílogo num repasto, em Castro Laboreiro, saboreando o melhor bacalhau com broa do mundo (como reza o placard de marketing aí exposto). . .
E, enquanto digeríamos a broa (um tudo-nada pesadota) do bacalhau, subindo e descendo, em penitência, a escadaria do templo da Senhora da Peneda, fui sacando:

- Sabe, meu alfero/capelão, ando acabrunhado aí com umas “balelas” que, certos e determinados mau-feitios, lá da nossa tropa, vêm propalando aos quatro ventos, sobre o gamanço e falsificação do vinho para a missa e que, temo, se tornem em jurisprudência firmada. Lembra, não lembra da zurrapa que nos chegava, naquelas garrafinhas com rótulo “Ferreirinha”?
- Se lembro! . . . lembro e não te apoquentes . . . eu sei de tudo . . . os tentáculos da igreja chegam a todo o lado. Não adianta esses meninos atirarem poeira ao ar . . .
- Ah ! . . . ainda bem . . . como assim? . . .
- Sabes. Há coisas sigilosas que não devo revelar, por dever de ofício . . .
- Oh meu alfero/capelão ! . . . por quem me toma ? . . . sabe que sou como um túmulo . . daqui não sai nada . . . conte, conte . . .
- Não sei se deva. Mas já que insistes e está em jogo uma questão de honra ao teu bom nome, que sempre dignificaste e honraste, aí vai, com a promessa de não passar daqui.
- Esteja tranquilo . . . nem por cima do meu cadáver alguém fica a saber uma vírgula que seja - adianto, antes que se arrependa.
- Bem. . . Como sabes, todos os meses eram-me destinadas duas garrafolas daquele néctar para o meu mister. E também, como sabes, a secreta aproveitava para, dissimuladamente, enrolando as ditas, enviar umas mensagens criptadas e confidencialíssimas que iam direitinhas aos op. cripto para deciframento e posterior entrega.
- Hum!? . . . já estou a manjar . . . prossiga . . . prossiga . . . p.f.
- Uma das garrafas era, logo ali, também descriptada e aparecia com a dita zurrapa, pelos dois criptos, de quem já não recordo o nome . . . esta memória já não funciona, embora, paradoxalmente, retenha, que ambos tinham, um, nome de qualquer utensílio ligado às igrejas, e, outro, um nome bíblico . . .
- Ah ! . . . não seria um de nome Sinos e outro Jordão, rio onde, com a sua água, se faziam baptismos (também de conteúdos de garrafas)? . . ., ajudo eu.
- Justamente. Isso mesmo. Tens boa memória e pontaria. Mas também, acolitados por um outro moço, assim a modos que salta-pocinhas . . .
- Salta-pocinhas, talvez não, mas troca-tintas(CIN), como ainda hoje é lá para os lados de Ovar, talvez . . .
- Talvez, talvez . . . e a outra garrafinha . . . sim, porque eram duas . . .
- E o Cavaleiro, que era o chefe deles, nada? . . . atalho eu, curioso, antes que esqueça . . .
- Esse moço alto e desengonçado, ali dos lados de Viana? Esse . . ., muito bom moço . . . muito direitinho. Parece que, como navegava, como ora se diz, noutra galáxia, não se apercebia da marosca que os insubordinados tramavam . . . embora, de quando em vez, matasse o bicho com uma ou outra hostiasita, convicto pelos três da vigairada, de que era quinino para o paneleirismo, perdão, paludismo . . .
- E a outra garrafola, padre? Indago, cada vez mais curioso e já passado do capacete . . .
- Como ia dizendo, a outra garrafa era entregue na secção de reabastecimentos, juntamente com a mensagem, em conluio e pacto salomónico, entre aqueles três e um furriel que aí firmava, assim meio espicha-canivetes, loirito, que andava sempre na psico na tabanca de jeep, e a quem, a providência divina, recambiou, por castigo, do Porto para junto dos infiéis, creio que lá para as linhas de Torres . . .
- Safa! . . . isto está a ficar bombástico, que nem o processo das escutas! . . . E essa garrafola, também aparecia só com a zurrapa . . ., pois claro? . . .
- É como dizes. Não havia volta a dar-lhe . . . Os quatro, pelo menos, sabem-no, tão bem ou melhor que eu . . . não adianta derraparem nas curvas . . ., nem tentar comer a papa na moleirinha . . .
- Obrigado, meu alfero. Tirou-me um peso cá da alma . . . até vou dormir melhor.
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Convencidos, desta? Ou, ainda, será necessário um croquis a cores? . . .
Um xi para todos do
Hipólito
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Do Costa:

Rrssss!!! Divinal!!! Esta prosa só poderia sair do aprendiz de sacristão rrsss!!! Achei o máximo!!

Abraço!!

Costa (troca-tintas para os lados de Ovar...)

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domingo, 7 de Fevereiro de 2010

O nosso almoço vai ser abençoado com a presença do nosso capelão




Companheiros

Tive hoje o prazer de falar ao telefone com o nosso capelão, Padre Luís Silva.

O Hipólito e a esposa foram visitá-lo a Valença e de sua casa, no meio de alegre convívio tiveram a simpatia de me telefonar.

Achei-o bem disposto embora diga que a saúde nem sempre é como ele desejaria e prometeu ir ao nosso almoço.

Mas a boa novidade é que ambos, Hipólito e Sacerdote, prometeram desvendar em breve o mistério do desaparecimento do vinho e de algumas hóstias, mistério que mais parece um milagre, tal a festança que isso constituía para o dito Sacristão Hipólito.

Esperemos amigos.

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O Padre Luís Silva envia um abraço fraterno para todos.

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Àh....com que então o vinho também servia acompanhamento ao lanche!!

Que rica era vida em Tite!!

Não acompanhava ( o vinho) apenas o(s) manjar(es) do(s) praticante(s)
da gula, que como sabem é pecado, como tinha(m) a distinta lata de promover(em),
pelas 5 da tarde, o "chá", decerto solenemente servido, com as hóstias que oportunamente.
pelo caminho, eram desviadas.

Não consigo perdoar-te!

Estará também metido nisto o Contige?

Pica Sinos

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sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Os ultimos dias em Nova Sintra

Meu Caro Raul Sinos

Devido a uma série de circunstâncias só agora me foi possível produzir uma pequena crónica sobre o dia 17 de Julho de 1974. - o dia em que deixámos definitivamente Nova Sintra. Tanto esforço da vossa parte para acabar da maneira como acabou.

Gostava de ter os teus comentários aos factos que descrevo. Afinal eles são parte da história da desgraçada guerra em que nos meteram.

Um abraço amigo do

Fernando Teixeira

2ª C. Art. do B. Art 6520/72

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Para perceber os últimos dias de Nova Sintra como posição do exército português é preciso recuar alguns meses para perceber o contexto em que se deu a entrega do aquartelamento ao PAIGC. Nestas notas, todas as ideias que exporei representam, antes de mais, a maneira como eu vi e vivi os acontecimentos. Provavelmente outros companheiros terão outros pontos de vista. O que vos exporei é aquilo que eu penso volvidos trinta e seis anos após os acontecimentos.

Um ponto que me parece crucial para a análise dos factos é o estado psicológico em que se encontrava a 2ª C.Art do B.Art 6520/72, a última companhia de Nova Sintra. Tudo será mais fácil de compreender quando se perceber que a Companhia que tinha sido mobilizada para uma comissão de 18 meses no CTIG, esteve no teatro de operações durante 26 meses. O resultado da incapacidade de recrutamento suficiente que se vivia já na altura. Eu próprio, um simples aspirante graduado em alferes, a meio da minha comissão em Nova Sintra fui “convidado” para ser graduado em capitão para poder ir comandar uma companhia algures no teatro operacional. A Metrópole já não tinha capacidade para fornecer os capitães necessários ao comando das companhias. Felizmente não me foi difícil evitar tão “benevolente” promoção a oficial de três riscos.

Os vinte seis meses passados neste teatro operacional pela 2ª C.Art do B.Art 6520/72 fizeram mossa em quase todo o pessoal. Felizmente a Companhia era comandada por um capitão-miliciano, em regime de rendição individual, personalidade madura e fortemente compreensível para com o pessoal que tinha à sua responsabilidade. Não fosse a sua postura e os últimos meses em Nova Sintra poder-se-íam ter tornado muito mais complicados para a 2ª C.Art.

O pessoal encontrava-se física e animicamente extremamente depauperado. As operações sucediam-se e muitos dos homens já tinham tal repugnância às rações de combate Mod. E20 que praticamente não lhes tocava. Os fatos de combate há muito tinham ultrapassado o prazo de duração. De tal maneira que quando fomos visitados pelo general governador e mandámos abrir fileiras para a tradicional revista às tropas em parada, o senhor não se coibiu de tecer fortes críticas pois aquilo com que se deparou era um bando de maltrapilhos. Refira-se que, dois dias depois, chegaram fatos de combate novos para toda a companhia. Afinal General é General.

Nunca pretendi perceber nada de guerra pois esse nunca foi o meu objectivo de vida. Limitei-me a saber o mínimo indispensável para trazer sãos e salvos os homens que me estavam confiados, coisa que nem sempre consegui. Contudo, durante a citada visita de pompa e circunstância do senhor general, apercebi-me que havia quem percebesse muito menos de condução de tropas do que eu. O referido senhor, do alto da sua pesporrência, sai-se com este conselho-ordem do mais ridículo que eu já vi: “ – A tropa deve fazer todos os dias pelo menos meia hora de ordem unida para manter a disciplina!”. Sim, mandar fazer ordem unida a homens que dia sim, dia não, faziam uma operação de 24 horas. Pura e simplesmente inacreditável. Afinal não estava a tropa disciplinada? Disciplinadíssima, digo eu! Como é que uma tropa que já tinha ultrapassado largamente o seu período de mobilização ainda ia atrás de mim para o mato, para mais uma operação de combate, quando eu lhe dava a voz de comando “ – Está a andar” se não estivesse disciplinada?

Outro aspecto da nossa tropa que me impressionou desde o dia em que aterrei em Nova Sintra foi o nível de escolaridade dos nossos homens. Dos 162 efectivos da Companhia, dos quais vinte eram quadros, cinquenta eram analfabetos. Sim, um terço da Companhia, não sabia ler, nem escrever, nem contar. Estávamos em 1973 e o pessoal tinha entre 21 e 22 anos de idade. Que me perdoem os mandantes da guerra ávidos de sangue e vitórias quixotescas mas, a partir dessa constatação, um dos meus principais objectivos nestas “férias” tropicais passou a ser o ensino dos mais elementares rudimentos escolares que o pessoal não tinha adquirido enquanto criança. Neste particular, a guerra saldou-se por uma vitória para eles. Os cinquenta fizeram o seu exame da quarta classe depois de muita luta.

Como refiro acima, a permanência naquele teatro operacional causou forte mossa na maior parte do pessoal. Outra coisa não seria de esperar. Para que melhor se perceba este estado não resisto a citar alguns dos casos que mais me impressionaram por demonstrarem bem aonde o estado anímico tinha chegado. Meros exemplos tirados ao acaso.

Um dos nossos companheiros porque queria telefonar à família, um dia resolve fardar-se, fazer a mala e sub-repticiamente sai sozinho do aquartelamento, pelo mato fora, rumo a S.João. Antes de chegar a este destacamento pisou uma mina ficando mutilado. Valeu-lhe um caçador que, pegando nele às costas, conseguiu fazê-lo chegar a S. João donde foi evacuado.

Outro, depois duma quezília sem importância, resolve vingar-se defecando para dentro do poço que abastecia de água a Companhia. Depois de umas centenas de comprimidos de Halazone, esses comprimidos desinfectantes que tão bem conhecemos, deitados para o poço e largos dias a beber água da bolanha, lá se voltou a utilizar a água desta nossa fonte habitual.

Um dos nossos cozinheiros, porque lhe passou uma coisa má pela cabeça, resolve confeccionar o café da manhã (já de si de péssima qualidade) com uma das suas botas dentro do caldeiro.

Outra vez, no meio de uma operação de emboscada nocturna reparo que um grupo de combatentes não tinha mais nada para nos comprometer a todos do que fazer uma fogueira no meio da mata. Queixavam-se de frio no calor tórrido da Guiné.

Por fim, já em Bissau, uns dias antes da Companhia regressar a Portugal, um dos homens do meu próprio grupo de combate, num acto absolutamente tresloucado resolve atirar com duas granadas para dentro de um recinto onde decorria um baile, matando, assim, várias pessoas. Era um homem absolutamente problemático que há muito tempo deveria ter sido evacuado.

Meros relatos ao acaso que, em meu entendimento, dão uma pálida ideia do estado psicológico de muitos dos efectivos.

Foi no meio deste ambiente, em que todos, de uma maneira ou de outra, se entreajudavam que um dia, estando eu na Enfermaria da unidade, a observar uma partida de xadrez entre dois camaradas, oiço qualquer coisa que me pôs todo arrepiado. Havia um rádio sintonizado na Rádio Conakry de onde falava a célebre “Maria Turra”. De repente percebo que a dita “Maria” dá a notícia que tinha ocorrido uma revolução em Portugal e que os principais objectivos dos vencedores era a deposição do governo do Estado Novo e o fim da guerra colonial. Eram oito da noite. Corria o dia 25 de Abril de 1974. Corro ao encontro do comandante da Companhia abraçando-o esfuziantemente. Para nós era o fim daquele inferno em que tantos dos nossos camaradas ficaram estropiados ou morreram.

A seguir vem a angústia da espera pelo noticiário da BBC, essa fonte de verdade que nos ligava ao mundo civilizado. Rodeámos no mais sepulcral silêncio esse enorme receptor Philips preto, multibanda, propriedade do Comandante da Companhia. E, à hora do costume, lá vem a notícia com todos os pormenores do que se havia passado nesse dia em Portugal. As lágrimas correram-me pela cara abaixo tanta era a alegria. Depois o pânico pelo receio de poder ocorrer um contragolpe e tudo poder voltar ao mesmo ou ainda pior. Só quando percebemos a monstruosa demonstração cívica que tinham sido as comemorações do primeiro 1º de Maio, descansámos. Percebemos finalmente que o processo era irreversível. Agora era a angústia por conseguir adivinhar como iria decorrer todo o processo do fim da guerra no terreno.

Todas as noites, qual ritual, rodeávamos o rádio preto para ouvir a BBC relatando a evolução dos acontecimentos no nosso País. Foi com especial atenção que ouvimos a notícia de que o avião do Presidente Léopold Senghor, logo a seguir à tomada de posse do primeiro Governo, tinha transportado Mário Soares, o então novel ministro dos Negócios Estrangeiros, para dar início às conversações de cessar-fogo com o PAIGC. O brilho da luz da Paz ia aumentando.

As conversações andavam para trás e para diante. O pessoal tinha perdido aquela tensão que caracteriza o estado de guerra. Uma situação que poderia permitir uma abertura perigosa da defesa. Lembro-me das conversas que tive nessa altura com o nosso Capitão, conversas, estas em que trocávamos os nossos receios de que, para forçar um acordo de Paz, o PAIGC fizesse um último esforço ofensivo para forçar os acontecimentos. Nunca me senti tão preocupado no mato. Comandava, agora, um grupo de homens que já não eram soldados em combate mas, antes, um grupo de pessoas que, definitivamente, já só tinha o pensamento na Metrópole.

O estado psicológico da tropa tinha feito uma rotação de 180 graus. As negociações, essas, evoluíam.

A certa altura, eu que nunca tinha usado galões no meu fato de combate para não ser reconhecido, recebo instruções para que, sempre que fosse para o mato, passasse a usar os meus galões dourados de alferes. Uma maneira de ser facilmente reconhecido e poder dialogar com as tropas do PAIGC se, por acaso, nos encontrássemos. Afinal as desconfianças ainda eram mútuas o que fez com que nunca houvesse nenhum encontro.

A certa altura vamos tomando conhecimento que se iam finalmente abandonando as posições do Exército Português, das fronteiras para o interior, rumo a Bissau. As notícias vão chegando mas nada em relação a Nova Sintra. Afinal quem olhasse para uma carta militar perceberia que nós constituíamos a defesa Sul imediata da capital e, fatidicamente, seriamos dos últimos. E assim veio a acontecer. Não fomos a última companhia do Batalhão. Por acaso, fomos a primeira. Depois Fulacunda. A seguir Gã Pará e, finalmente, Jabadá. Tite havia de permanecer mais três meses como sede do COP 6.

Um dia chegaram as instruções do modo como deveriam decorrer as formalidades com o PAIGC para lhe fazermos a entrega daquele aquartelamento denominado Nova Sintra.

No dia aprazado deveria um oficial dirigir-se à Primeira Bolanha para se encontrar com os Comissários Políticos que se faziam acompanhar pela respectiva tropa. Depois deste encontro protocolar deveriam dirigir-se ao aquartelamento entrando no arame junto ao 4º Grupo de Combate. Foi escolhido o alferes mais antigo que tinha a particularidade de falar crioulo o que poderia facilitar as coisas. Finalmente, íamos ficar frente a frente com o inimigo. Decorria o dia 16 de Julho de 1974.

Percebemos que o PAIGC ainda desconfiava do Exército Português. Rodearam-se de todos os cuidados e mais algum neste encontro. Dentro do aquartelamento a ansiedade ia aumentando à medida que o tempo ia passando e ninguém aparecia na vereda que ligava a Primeira Bolanha ao arame. Finalmente, surgiram lá ao fundo o nosso oficial encarregue de receber as tropas do PAIGC acompanhado pelos Comissários e, finalmente, a tropa.

Garanto que foi uma visão muito estranha. Afinal eram aqueles os nossos inimigos com quem nos guerreávamos até à uns meses atrás. À entrada do arame fazem-se as apresentações e as continências da praxe em tais ocasiões. Finalmente estava frente a frente com o IN. Nesse momento percebi que não havia ódio nos seus olhos. Percebi que afinal só tínhamos estado em lados opostos de uma mesma guerra.

Depois, dentro do arame veio o convívio entre todos. Aqueles homens que todos pensávamos serem uns seres estranhíssimos eram homens iguais a nós.

Nova Sintra na actualidade

Nessa tarde ainda discuti com o oficial artilheiro do PAIGC o último ataque que ele nos tinha feito. Com uma precisão de se lhe tirar o chapéu, diga-se em abono da verdade. Afinal apanhámos 50 rabos de granadas de canhão sem recuo dentro de um quadrado de 30 x 30 metros. Para nossa sorte, a uns 70 metros do meu grupo de combate. Comparando as nossas cartas militares verificámos que elas tinham diferente precisão. Em matéria de topografia saímos a ganhar com bastante pena dele. Lastimou-se dizendo-me que se tivesse as nossas cartas enfiaria as granadas todas dentro do arame. Uma mera conversa técnica. Uma conversa entre oficiais do mesmo ofício sem qualquer ódio ou rancor.

Depois do jantar acabámos a noite a jogar à sueca com o “inimigo”. Que partidas nos prega a vida. A meio do jogo, eu que detesto jogar às cartas, dei comigo a filosofar. Vista agora à distância, aquela guerra assemelhava-se muito à guerra do Solnado, não fossem os nossos companheiros mortos ou estropiados. De lado a lado, não nos esqueçamos. Sempre pensei no ódio figadal que deveria existir entre os combatentes de ambos os lados. Posto perante o “inimigo” percebi que não havia nenhum ódio ou rancor. Tudo tinha-se desvanecido. Acabei por ficar envergonhado pelos pensamentos que, durante muito tempo, me ocorreram sobre o modo como lidaria com o inimigo se algum dia fosse posto perante algum. Ainda hoje me envergonho, apesar de os compreender esses maus pensamentos.

A confraternização das NT com o IN

Depois da sueca dormi a última noite em Nova Sintra no meu buraco semi-subterrâneo. No dia seguinte, depois da cerimónia solene do arrear da bandeira perante a 2ª Cart. do B.Art. 6520 e a tropa do PAIGC formadas lado a lado, arrancámos para Tite.

Assim terminava a saga de Nova Sintra. Corria o dia 17 de Julho de 1974.

Fernando Teixeira

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Meu bom Amigo e Camarada Fernando Teixeira

Obrigado pelo teu artigo sobre Nova Sintra e não só.
Nesta hora já o li por duas vezes e não deixei de me emocionar.
Vou mandar o teu texto para o Guedes a fim de ser publicado no nosso Blog
São depoimentos iguais aos teus que fazem história
Obrigado Amigo
Pica Sinos
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do Hipólito:
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Ficamos emocionados, certamente.
São, efectivamente, relatos destes, pelo seu realismo e simplicidade, que calam bem fundo a quem conheceu e viveu toda a problemática da guerra no sector de Tite.
Como diz, e muito bem, o Fernando Teixeira para quê tanto esforço, sangue, suor e lágrimas de todos nós para acabar assim a desgraçada guerra em que nos meteram.
Faltará que alguém nos conte, igualmente, a transmissão de poderes em Tite, propriamente dito, para se escrever mais uma página da nossa história.
Um abraço e um bem haja, pela sua disponibilidade, ao Fernando Teixeira.
Hipólito

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quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

A escolha do restaurante - atenção Hipólito...


A ESCOLHA DO RESTAURANTE

Um grupo de amigos de 40 anos discutiam e discutiam para escolher o
restaurante onde iriam encontrar-se para jantar.

Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque as empregadas
usavam mini-saias e blusas muito decotadas.

10 anos mais tarde, aos 50 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais
uma vez discutiram e discutiram para escolher o restaurante.

Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque a comida era
muito boa a havia uma óptima selecção de vinhos.

10 anos mais tarde, aos 60 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais
uma vez discutiram e discutiram para escolher o restaurante.

Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque ali podiam
comer em paz e sossego e havia sala de fumadores.

10 anos mais tarde, aos 70 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais
uma vez discutiram e discutiram para escolher o restaurante.

Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque lá havia uma
rampa para cadeiras de rodas e até um pequeno elevador.

10 anos mais tarde, aos 80 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais
uma vez discutiram e discutiram para escolher o restaurante.

Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical.

Todos acharam que era uma grande ideia porque nunca lá tinham estado antes...
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Hipólito
Esta simpática sugestão veio do Victor Barros.
Aproveita a ideia antes que cheguemos todos aos 90...
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terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Relembrando...

Há uns tempos atrás, havia um camarada que se dedicava à profissão, muito bem conseguida, de toca discos.
Esse camarada, Pica Sinos de seu nome, despediu-se sem aviso prévio. E as músicas não tocam quando abrimos o blog... para nosso mal.
Então companheiro?. "Bota" música...!!!

Trio de músicos que actuavam em Tite, agora já velhotes. Quem serão?

no "Tavares Rico", comm´il faut...

Restaurante Tavares Rico, em Lisboa.

Em defesa do bom nome
Determino e mando publicar (para a posteridade junto do colega Fernando Pessoa)

Desculpem a insistência resingona, mas
Palpita-me, sugestionado pelo feed-back da subrreptícia inserção da estátua ao Hipólito Mendes Pinto, famigerado mentiroso, com tradição nas praças de Almada e Seixal, de que pretendem, a todo o transe, conotar-me com inventonas.
Nem o escorreito relato do Zé Manel pode infirmar a minha cristalina, quão verídica, narrativa sobre o almoço do cozido.
Meras efabulações gratuitas daqueles caramelos, capitaneados pelo Pica e mancomunados para denegrir a minha imaculada imagem, meus caros.
Avisei, de que, daqueles quadrantes, para bem da n/sanidade mental, se não podia acreditar, nem numa vírgula, não avisei?
E, assim, é, como vereis.
Com relutância e a devida vénia, receando, desnecessária e, porventura, ingloriamente, imiscui-lo neste imbróglio de lana caprina, terei de lançar mão dum testemunho, se não ocular de vista, pelo menos, de inquestionável probidade.
Ao almoço, fome de rato, como já referi. Ao jantar, aprazado, há já algum tempo, para o dia do tal cozidinho com todos, derreado com tamanha desconsideração, redimi-me, graças ao amigão Justo.
Jantar, a dois, no “Tavares Rico”, comm'il faut . . .
Sim, precisamente o Justo. Alguma objecção?
Incrédulo (ao ver a factura do almoço da tasca do Estrela D' Alva, que lhe exibi) e, ao ver-me tão pesaroso, da minha triste sina, fez irredutível questão de pagar os míseros 140 euros do jantar, contra minha vontade, claro.
Se duvidarem, queiram fazer o favor de perguntar ao Justo que aí está, vivinho da silva, para tirar dúvidas.

Pergunta: Aquela perninha marota na foto sobre o Gentil (a quem auguro rápidas melhoras), é do Cavaleiro, não é?
Um xi do
Hipólito

Fernando de Almeida

Meus amigos
A seguir publico a carta e fotos que recebi do nosso companheiro Fernando de Almeida, da CCAÇ 2314.:



Em Tite, na pista de Tite, junto com paraquedistas na operação "pária", numa operação com para-quedistas, na picagem da pista de Tite, na estrada de Nova Sintra, com colegas em Tite (onde já havia sinais de transito),

Na oficina auto onde se vê o saudoso Alf. Rodrigues, pessoal da oficina auto tanto da CCS como da CCAÇ 2314 e em Jabadá no abrifo do furriel Mendes.


No Enxudé


Armamento dos "Páras", héli na op dos Páras, saindo no unimog para a picagem da pista de Tite e em Jabadá com o furriel Mendes.

segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

simpatia do Victor Barros


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...


(Fernando Pessoa)

domingo, 31 de Janeiro de 2010

Visita ao Gentil, no Hospital.




Meus amigos
Fui hoje visitar o nosso amigo Gentil, no Hospital Santa Maria em Lisboa, Serviço de Hematologia, elevador 12, piso 7, cama 30.
Achei-o com bom aspecto e confiante que as coisas vão continuar a melhorar.
Para todos envia o seu abraço fraterno e a promessa de estar em forma a tempo de nos fazer companhia no próximo almoço.
Assim esperamos e desejamos.
Um abraço Gentil.
telemovel do Gentil - 96 735 66 17
..

ex-furriel Júlio Garcia

Meus amigos
Recebi há pouco uma mensagem deste companheiro.
Se alguém se lembra dele, principalmente o Cavaleiro, Pica e Justo, agradeço que façam comentário. E se tiverem alguma foto em que ele esteja presente, seria bom para publicarmos:
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Olá antigos camaradas,
Sou o ex-furriel Júlio GARCIA da CCAÇ 2314 e tinha a especialidade de Transmissões, a mesma do CAVALEIRO e LUIS SILVA DIAS.
Em Tite travei conhecimento com quase todos, mas com o LEANDRO GUEDES falava bastante.
Para já não vou inserir f
oto pois não tenho à mão, mas qualquer coisa eu estou em V.N. de Gaia e no email jmbg.1945@gmail.com
Breve darei noticias.
Abração
Júlio Garcia
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Boa noite Leandro Guedes
Foi com agrado que recebi a tua resposta e só tenho pena que tenha sido tão tarde, mas vale.
Como disse anteriormente as melhores fotos estão em local que neste momento não posso aceder pois estou aqui em casa numa pequena alteração. No entanto encontrei 3 que poderão dar uma ideia. Segue também uma na actualidade.
Curioso,curioso é que eu tinha ainda há bem pouco tempo um cartão pessoal teu que me deste em Tite. Não sei dele e espero que esteja junto das fotos. Breve darei noticias sobre isto.
Nós na 2314 temos organizado encontros de há uns anos para cá. O último foi em Castelo Branco e o próximo vai ser aqui na zona do Grande Porto. Normalmente é no primeiro fim de semana de Outubro e no principio fui eu e um colega também ex-furriel Caldeira que começamos mas agora deixa-se que haja outros a fazê-lo par trazer novas maneiras e locais apetitosos.
Espero que me reconheças, mas se por acaso isso não acontecer pode ser que um dia nos encontremos pois vou algumas vezes a casa dum meu ex-radiotelegrafista que tem casa na Vermelha, Cadaval, só que também tem na zona de Paris para onde emigrou logo que regressou da Guiné.
Mas ele vem em Abril e vai estar até Novembro e depois certamente dará oportunidade. Próximo domingo não irei passar muito longe pois vou a Lisboa com minha mulher e vamos sempre pela A-8,mas o tempo vai ser mais que contado.
Um grande abraço.
Júlio Garcia - telef 933 626 930

PS._ Na 1ª foto estou entre bananeiras junto ao quartel de Tite
Na 2ª foto é em Bissássema. Por ordem da esquerda para a
direita estão o Sargento Carita (já falecido), Alferes Barros,Capitão
Neves hoje Coronel na reserva, eu de garrafa na boca, Alferes Reis
hoje Coronel e Furriel Estanqueiro, vaguemestre (já falecido). Atrás o
"puto" Diogo e outro camarada de que não recordo o nome.
Na 3ª foto eu em Fulacunda junto à porta de armas
Na 4ª foto eu na actualidade

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Almoço na tasca do Silva? Não, na Estrela dÁlva...

A tarde estava bonita, o frio não apertava. O “pelotão” foi almoçar num restaurante (tasca) que dá pelo nome de Estrela D’Alva.

A (capelinha) fica no Pragal, em Almada, mesmo por detrás do Cristo Rei. O menu, cozidinho à portuguesa. O tinto de Pegões. Que espectáculo! Uma particularidade: esta tasca foi o primeiro posto de recolha do “Euromilhões” em Portugal a dar o 1º prémio, mas nenhum de nós se lembrou de jogar! Ginjas!!

Estávamos nós (Contige, Palma, Zé Manel e eu) numa de trinchar a chouriçada, as carnes de vaca e de porco, quando alguém se lembra do Hipólito, e diz:


…. É pá, o Hipo devia gostar muito de estar aqui.

….De estar connosco.

….Ele anda sempre a falar para quando da caldeirada em Peniche que o Guedes ficou de organizar pela ocasião do 2º aniversário do Blog e, nada.

…. Diz outro:

…. De certo que ele não deixaria de fazer uma visita ali ao seu “compadre”.

De telefone na mão, falámos com o amigo, não só para lhe fazer inveja, mas também para “em estilo cunha” ver da possibilidade do nosso almoço “assembleia geral”, algures em terras do Condado de Portucale, ser realizado no mês de Abril.

A ver vamos…foi a resposta!

Depois de mais umas garfadas e de uns copos de tinto, foi a vez de mandarmos uma msg ao Justo. Faz largos meses que o amigo se comprometeu a encontrar-se com alguns de nós, mas que ainda não lhe foi possível. Que saudades Justo!

Não parámos de conversar, lembrámo-nos de muitos camaradas, sobretudo daqueles que há muito não vemos e, de uma ou outra peripécia passada causadoras de risos de satisfação, foi um encontro agradável.

Depois lá foram ao encontro do Gentil que está internado no Hospital de Stª Maria e, segundo os camaradas relataram, em franca recuperação e na certeza que um dia destes lhe dão alta. Comprometendo-se a abraçar os demais camaradas no nosso próximo almoço (Abril/Maio), em terras do Entre-o-Douro-e-Minho.



Pica Sinos



E O HIPÓLITO DISSE.....


Corro, na certa, o risco de passar por “trampolineiro” ou quejando epíteto.Mas, a verdade, para mim, é sacratíssima, quer creiam ou não, e tem de ser reposta, ainda que, a final, me julguem de parolo.

Então, foi assim, e não como foi postado:

Verdade que, por mero acaso, deparei com um quarteto de peso - Pica, Zé Manel, Contige e Palma -, lá pr'ós lados do Pragal e em tempo de crise, a alambasarem um lauto cozido e boa vinhaça, a que cheguei, para mal dos meus pecados, a desoras.

Os quatro bem “aviados” - enquanto petiscava uma costelazita e umas batatas já frias, que, por vergonha, sobejaram na travessa -, saíram da tasca, à socapa, a modos de quem vai ao WC.- Vamos ali, ao Cristo-Rei, pedir perdão de comer e beber como abades e, ao mesmo tempo, treinar para a missinha do almoço de confraternização (em princípio, e a pedido do Pica, a 25 de Abril), e já regressamos, segredaram, os quatro, em uníssono, com aquele lânguido tique de lisboetas reguilas.

Alma pura e gentil, como é meu timbre, não desconfiei, apesar de os ver abalar com um risinho de p. . . .Comi a míngua que me deixaram, esgotado que estava o cozido na tasca, . . . esperei . . ., esperei . . . e dos quatro “gandulos” . . . nem sombra . . .

Envergonhado e de contas, como é meu apanágio, lá procurei, na algibeira, uns troquitos e há que arrotar com a dolorosa, minha e daqueles lateiros.Assim, é que foi, queiram ou não acreditar.Ingénuo provinciano . . . porque não foste só ao Cristo-Rei, teu compadre, como tinhas em mente?Com amigos destes, pr'a quê inimigos?

Por artes e tralhas desta jaez, é que o Guedes, avisadamente, não se aventurará na marcação da famigerada caldeirada . . . ou, se o fizer, há-de sê-lo, não vá o belzebu tecê-las, com restrição selectiva de inscrições.


O-la-rilas . . .


Um abraço


Hipólito

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Amigo Guedes vou tentar descrever o dia de hoje.
Foi um pouco em cima da hora que foi combinado um almoço c/ Palma -Pica -Contige e eu. Como é habitual fomos ter ao local de trabalho do Pica e fomos almoçar a um restaurante que ele indicou.
Almoçamos um cosido e durante o almoço relembramos alguns episódios e o Pica ligou ao Hipólito a fazer comentários sobre o nosso encontro e almoço.
Depois das despedidas rumamos a Lisboa direitos a Santa Maria a visitar o Gentil, eu, Palma e Contige.
Gostamos de o ver, está animado ,um pouco bacilento mas é natural.
Entretanto chegaram familiares dele e também a mulher. Como já estava c/ companhia despedimo-nos e ele ficou grato pela nossa visita.
Ele pensa que terça-feira regressa a casa.
É tudo amigo Guedes uma boa noite para todos,
c/ um abraço
Zé Manuel.

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Boas noticias para a Guiné


Do Expresso, recolhi esta noticia, com a devida vénia.

Parabens ao blog - pelo Pica Sinos



Quem eventualmente pensasse que eu me tinha esquecido de vir à estampa para felicitar os 2 anos de vida do Blog do Bart 1914, enganou-se!

Não fora a preguiça….que um dia destes passará….voltarei à carga!

Dizer, hoje, que apesar de tudo, nestes 2 anos de vida, a média por semana das publicações foi de 6 novas situações, quase uma por dia. É obra! Podia ser mais, mas meus amigos, como dizia o poeta, “isto vai meus amigos isto vai”

Pica Sinos

Quem se lembra?...

o companheiro que procuramos é o da direita, de calça branca e camisa às riscas verticais.

Alguém se lembra quem é este nosso companheiro?
O seu nome, a sua morada?
Era furriel e, ou pertencia aos obuses ou à 1743 ou talvez à 2314.
Nós viemos embora e eles ficaram lá.
Dão-se alvissaras...
Abraços bloguistas.

Fernando Almeida

Foto tirada no Enxudé - Do lado direito, de óculos e quico está o Fernando, depois o Raul Soares, eu e um alferes de quem não me lembro o nome e que até me parece o cabito....


Mais um companheiro que apareceu. Era da 2314 e esteve connosco em Tite.
Depois de virmos para a Metrópole a Companhia dele foi para Fulacunda, tendo alguns meses mais tarde regressado a Tite.
Aguardo fotos e um texto dele.
Um abraço para o Fernando.

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Parabens ao blog - Beijinhos e abraços


Beijinhos e abraços para todos aqueles que escreveram um texto sobre o aniversário e também para aqueles que os leram. E foram muitos...
Bem hajam.

...um bombom para os meninos que fazem hoje aninhos...

José Justo

Parabens ao blog - do Cavaleiro



O BLOG E EU
25 de Janeiro de 2010
2º. Aniversário




O Guedes convidou-me.
Eu? Porquê? Perguntei!!......
Então, tanta gente a escrever bem, porquê Eu?
Só pode ser vingança! E então, lembrei-me de muita coisa. Recordei o almoço último na Tia Alice que o Guedes organizou. Não gostei da ementa e até achei caro, mas…..como não disse a ninguém......não podia ser por aí! Recordei o nosso convívio em Ovar que gostei e onde até me “portei” bem! Tenho a certeza absoluta que não lhe dei nenhum pontapé por baixo da mesa! Mas então porque terá sido? Passei noites diabólicas a pensar no assunto!! E eis quando……………JÁ DESCOBRI! O Guedes quer violentar-me! Quer que eu escreva qualquer coisa para o nosso BLOG! Parabéns Guedes, foi uma forma elegante de me desafiares. Ganhaste! Por muito trôpego que esteja jamais seria capaz de beliscar a nossa amizade a troco de umas palavrinhas de circunstância. Aceitei o desafio, vamos lá ver o que vai sair!

Já lá vão 2 anos em que, se bem me recordo, sem ter sido aluno nem professor, aprendi e aconselhei (colaborei fica mal!) um fantástico grupo de trabalho na forma organizativa da aproximação das pessoas que connosco conviveram fazendo parte de uma família chamada CCS/BART 1914.
Com todas as insuficiências mas com a vontade férrea na aproximação de toda a família “TITEANA”, do dar a conhecer duras e agradáveis realidades, na descoberta de personalidades e talentos inimagináveis, na crueza dos relatos da morte e da vida, na descrição dos belos momentos de camaradagem, conseguiu o GUEDES inicialmente, seguido do PICA e do JUSTO dar vida e movimento a uma iniciativa “bloquista”, hoje vista e lida em todos os cantos do mundo.
Para ELES a minha sincera admiração.
ELES merecem a nossa gratidão.
Para ELES o nosso reconhecimento pelo trabalho desenvolvido.
Votos sinceros para que não parem.
É terrível, frustrante quando diariamente acedemos ao blog e………não vemos nada de novo.
O “sumário”………sempre o mesmo, ou seja “revisão da matéria dada no dia anterior” e quantas vezes de semanas anteriores!
O imobilismo definha-nos.
Penitencio-me. Assumo que irei colaborar mais assiduamente.
Vocês, os outros que como eu diariamente lá vão e não se manifestam, prometam que também irão saborear o prazer de participar.
Entendo que há quem, talvez por julgar não ter formação adequada ou por uma educação amputada ou distorcida, pense que é impossível escrever sem transmitir toda essa carga ou ainda fazer notar as suas raízes ou ideologias, ou que para merecer ser envolvido passa, no essencial por uma transmissão de sábios saberes técnicos. Errado! Todos os saberes, experiências e ideologias são sempre bem recebidas.

Sei que estamos a atravessar um período em que esta visão cinzenta da informação parece predominar. O conhecimento das nossas histórias ajudar-nos-á a saber por onde andamos, para onde queremos ir, em relatos gratificantes e noutros bem mais dramáticos que ainda não foram apagados da nossa memória. Isto é um apelo à vossa imaginação e à vossa criatividade. É um encorajamento à resistência e à acção para acelerarem a mudança do nosso BLOG que eu desejo seja um instrumento de progresso e não necessariamente de conservação.
Gostaria também de ver o nosso BLOG como um espaço multicultural, valorizando a riqueza da identidade das nossas regiões, do nosso país e do mundo.
Desejo que o nosso passado histórico e a nossa vivência recente, reflicta a coerência de toda uma memória que nos encha de orgulho. A nossa modéstia é a nossa riqueza do pensamento e do querer. O QUERER que o Guedes, o Pica e o Justo tiveram. Foi esse o vosso espírito de missão, contribuindo não só para um espaço aberto a todas as mentalidades e correntes, ciosos da contribuição de todos para que passe a existir uma maior diversidade de temas.
Como dizia o filósofo “A pérola forma-se a partir de um simples grão de areia”. Precisamos de muitos grãos de areia para fazer um colar. Compete a todos nós carregar os fardos de grãos de areia necessários para manter viva a nossa aproximação.
Parabéns BLOG pelos teus 2 anos de existência.
Cavaleiro
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Das palavras do Cavaleiro, tenho que evidenciar as seguintes, por serem actuais e um alerta:
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"É terrível, frustrante quando diariamente acedemos ao blog e………não vemos nada de novo.
O “sumário”………sempre o mesmo, ou seja “revisão da matéria dada no dia anterior” e quantas vezes de semanas anteriores!
O imobilismo definha-nos.
Penitencio-me. Assumo que irei colaborar mais assiduamente.
Vocês, os outros que como eu diariamente lá vão e não se manifestam, prometam que também irão saborear o prazer de participar."
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Parabens ao blog - do Zé Justo.




....Dois anos !!!

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Como que surgindo do nada, e por lauta paternidade do nato vivo, eis que vê a luz do dia a 25 de Janeiro de 2008 um novo Blog na primeira rede social da Net.

Seu principal mentor, o nosso amigo Leandro Guedes.

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Segundo narrou, foram as aulas de informática da sua Universidade Sénior que lhe deram a ideia e o empurrão para tal evento.

Em boa hora o fez, e a passos pequeninos mas seguros, o juvenil foi passando dos hesitantes passinhos iniciais, ao passo mais largo e acelerado até atingir uma corrida desenfreada até um pico notável de dezenas de milhares de visitas, coloridas com o arco-íris das várias bandeiras deste nosso planeta.

Coadjuvando o meritório trabalho, entrou para a “administração” um outro nosso companheiro Pica Sinos.

Aquisição esta, na categoria de pesos pesados, pois é senhor de várias valências, desde a incansável busca dos antigos irmãos de armas da Guiné, até aos contactos directos e almoçaradas de confraternização.

Realço os seus textos, muitos de eleição, o trabalho gráfico/fotográfico com que tem polvilhado o Blog e muitas mais valências.

Por simpatia, o Guedes lá me inclui na “direcção”...a mim...que pouco jeito tenho para o arrastar da pena ao longo do branco papel !!

O Divino (leia-se meu pai) só me deu algumas capacidades, essas, para a retórica e bonecada!!

De qualquer modo, fiz por colaborar com imenso prazer no que podia e sabia.

54 000 visitas em dois anos, é prova mais que evidente do interesse que o Blog tem suscitado por todo o mundo, e isto sem exagero, pois se ainda existe algum país que não visitou este trabalho, é porque decerto não existe.....

Revejo muitas vezes as páginas atrasadas desta enciclopédia de vivências nossas, naquela maldita Guerra da Guiné, que tanta dor e morte causou aos dois lados da barricada.

Fazem esquecer os mares encapelados de antanho, o mar chão, dos actuais convívios almoçaristas com centenas de companheiros e seus familiares.

Adoro pesquisar, nos seus actuais rostos de vidas vividas, já pais e avós, os outros, aqueles de hà 40 anos, de calções verdes, chinelos nos pés e “quico” na cabeça, com quem convivi dois longos anos.

Passamos por mais peripécias nesses anos que quase pelo resto nas nossas vidas.

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É muito bom haver o Blog do BART 1914 na internet.

É bom para nós que estamos estampados dentro dele, mas para quem nos vê e lê.

Só tenho uma grande pena, e que já por várias vezes a frisei; A pouca colaboração dos camaradas.

Se chegam a juntar-se mais de 200 convivas nos almoços, por que raios e coriscos, só uns 4 ou 5 dão um ar da sua graça ? francamente não tenho genes para tal entender.

É muito importante, e ajuda este trabalho, um texto, mesmo breve, um narrativa, também breve, umas fotos de momentos da Guiné ou da própria vida actual, da família, do trabalho etc....enfim uma ajuda preciosa aos que muito tem dado ao Blog, em troca de nada.

Reparem que a vossa permanente ausência, desmotiva “os sempre os mesmos” a fornecer material didáctico, pois quase não há retorno, e isso custa.

Contra mim falo, pois ultimamente não tenho colaborado “Mea Culpa”.

Disso me penitencio e imploro aos amigos a sua benevolência nos juízos que decerto sobre mim congeminarão.

Vai longa a prosa, e por aqui me fico.

Os meus parabéns pelo 2º aniversário aos grandes Guedes, Pica Sinos, Hipólito, Cavaleiro, Costa, Zé Manel, e outros amigos que embora pouco, lá deram um arsinho da sua graça.

Cá estaremos para comemorar o 25 de 2011.

José Justo

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é justo evidenciar este trecho do artigo do Justo...

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É muito bom haver o Blog do BART 1914 na internet.

É bom para nós que estamos estampados dentro dele, mas para quem nos vê e lê.

Só tenho uma grande pena, e que já por várias vezes a frisei - a pouca colaboração dos camaradas.