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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Quem compões a PROTEÇÃO CIVIL

 


QUEM COMPÕE A PROTEÇÃO CIVIL:

A Proteção Civil em Portugal é composta por um sistema multidisciplinar que envolve o Estado, regiões autónomas, autarquias, cidadãos e entidades públicas/privadas, com o objetivo de prevenir e socorrer em caso de acidentes graves ou catástrofes. Os agentes principais incluem bombeiros, forças de segurança, Forças Armadas, INEM e a Autoridade Marítima.

A estrutura é coordenada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), integrando:

Agentes de Proteção Civil: Corpos de Bombeiros (profissionais e voluntários), Polícia de Segurança Pública (PSP), Guarda Nacional Republicana (GNR), Autoridade Marítima Nacional, Autoridade Nacional da Aviação Civil e INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica).

Entidades Cooperantes: * Cruz Vermelha Portuguesa, Sapadores Florestais e outras entidades públicas ou privadas de socorro.

Estrutura Organizacional: Comissão Nacional de Proteção Civil, Comandos Regionais e Sub-regionais, e Serviços Municipais de Proteção Civil (SMPC).

As forças armadas, serviços de segurança e associações humanitárias de bombeiros também participam ativamente na resposta a emergências.

nota * - A CRUZ VERMELHA PORTUGUESA, incluída nas Entidades Cooperantes, já usa o sistema STARLINK.

in google

Starlink

 


O QUE É O SISTEMA DE COMUNICAÇÕES “STARLINK”

A Starlink é um serviço de internet via satélite da SpaceX (de Elon Musk) que utiliza uma vasta constelação em órbita baixa (LEO), a cerca de 550 km, para oferecer banda larga de alta velocidade e baixa latência (20-40 ms) em todo o mundo, incluindo locais remotos, sem depender de infraestrutura terrestre.

Tem-se ouvido falar muito deste sistema, devido à falência sistemática do atual sistema SIRESPE, utilizado pela Proteção Civil atualmente e que tantos problemas tem dado, porque quando é preciso, ele falha., principalmente a partir dos fogos florestais de 2017… já lá vão nove anos!!!

Quem não permite a mudança??? …

in google


Mau tempo em Portugal - Cancelado Carnaval de Torres.

 


8 de Abril de 2026

Desabafo dum ex-combatente

 


Furriéis da CCS do BART 1914, na ida para a Guiné, a bordo do UIGE.

 


Esta sim, foi tirada no UIGE. veem-se vários amigos, a saber da esquerda para a direita: Luis Dias, Guimarães, Abreu e Sargento Bico, Serafim, Leandro Guedes e Sousa, Lourenço, Heitor, Cavaleiro e Bagulho.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A retirada de Medina do Boé - pelo Falecido Senhor Major General Hélio Felgas

 Com a devida vénia ao blog TABANCA GRANDE LUIS GRAÇA, , vamos publicar este importante documento histórico , para que não se perca e em Homenagem a todos os intervenientes neste fatídico acontecimento.  O então Brigadeiro Hélio Felgas foi comandante do BART 1914 em Tite, na Guiné, a partir de fevereiro de 1968, a seguir ao desastre de Bissassema, em que o PAIGC aprisionou, durante um ataque ao acampamento, três elementos da CART 1743 - alf Júlio Rosa, cabo Contino e Soldado Capítulo, E foi em Fevereiro que o Gen. Spínola, também em consequência do desastre de Bissassema foi nomeado e tomou posse como Governador da Guiné.  E logo que tomou posse mandou o Brigadeiro Hélio Felgas comandar o BART 1914 em Tite, onde mostrou ser um valoroso militar.

Este documento foi também publicado no facebook do BART 1914 :

https://www.facebook.com/people/Bart-Tite-Guin%C3%A9/100003476119416

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 segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27717: Documentos (51): A retirada de Madina do Boé (Hélio Felgas, maj-gen, 1920-2008)

 

 



Major General Hélio Esteves Felgas (1920-2008): duas comissões na Guiné, um dos militares portugueses da sua geração mais condecorados, autor de dezenas de livros e artigos sobre a "luta contra o terrorismo", a guerra ultramarina... Comparou a Guiné ao Vietname. Também considerava que a solução para a Guiné não era militar mas política... Foi, todavia, um crítico de Spínola que lhe terá roubado, entretanto, a ideia dos reordenamentos (aldeias estratégicas).

Um oficial intelectualmente brilhante mas controverso, dizem alguns dos seus pares, mais novos. O Rui Felício, que o conheceu nas circunstâncias trágicas da Op Mabecos Bravios, comentou assim a sua morte:

 (...) Luís Graça, chocado com a notícia, reafirmo a admiração que sempre tive por esse Homem, um verdadeiro militar à moda antiga e, mais do que isso, uma pessoa com um sentido de justiça e um humanismo que só em muito poucos consegui encontrar na minha vida militar.

Um abraço,  Rui Felício" (...) (*)

Condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, em 10 de junho de 1970, foi passado compulsivamente à reserva, a seguir ao 25 de Abril de 1974. (Estava em Angola nessa altura; e sempre se considerou vítima de um saneamento político-militar.)

 Foto gentilmente cedida pela filha, dra. Helena Felgas, jurista, colega e amiga do nosso camarada Jorge Cabral (1944-2021), e com quem estive no funeral do pai.

Volto a publicar o documento sobre a retirada de Madina do Boé, que o Paulo Raposo me fez chegar às mãos, em 2006 (*). O depoimento do então brigadeiro na reforma Hélio Felgas (1920-2008), terá sido escrito em 1995, a pedido dos" baixinhos de Dulombi", os ex-Alf Mil Rui Felício, Paulo Raposo, Jorge Rijo e Victor David (1944-2024) e demais pessoal da CCAÇ 2405, incluindo o ex-cap mil Jerónimo.

A CCAÇ 2405 perdeu 17 homens na travessia do Rio Corubal, em Cheche, 6 de fevereiro de 1969. (Só o Rui Felício viu morrer 11 homens do seu Grupo de Combate.)

Os nossos camaradas da CCAÇ 2405 contestaram as conclusões apresentadas no documentário que passou an SIC em 2009, da autoria do jornalista José Manuel Saraiva, realização de  Manuel Tomás e produção da Quimera do Ouro ("Madina do Boé - A retirada"): tem a particição, entre outros, do ten cor inf José Aparício e do brig Hélio Felgas, entretanto falecido, Vídeo disponível, desde 2011, na conta do You Tube / UTW ( 53' 49'').

A versão do Rui Felício será republicada oportunamente nesta série "Documentos" (**). São dois documentos para a história e que, muito provavelmente, não chegarão ao Arquivo Histórico-Militar  (***).

A retirada de Madina do Boé

pelo brig Hélio Felgas (2)

 

Todo o sudeste da Guiné, ao sul do rio Corubal, era uma região praticamente despovoada onde só havia dois postos administrativos: Beli e Madina do Boé.

(i) Um ponto sem valor estratégico

Já antes de, em 1968, eu ter assumido o comando do sector Leste [Comando de  Agrupamento 2975, com sede em Bafatá], Beli fora abandonado. O pelotão que aí se encontrava fora transferido para Madina, completando a companhia aí instalada.

Madina fica a cerca de 5 quilómetros da República da Guiné-Conacri. Não tinha qualquer população civil e só dispunha de um ou dois pequenos edifícios. Nem ruas tinha. Havia sido apenas uma minúscula tabanca (aldeia nativa), sem importância de qualquer espécie.

À medida que o PAIGC aumentava o seu poder de fogo com morteiros pesados e artilharia, os bombardeamentos e flagelações a Madina, executados em geral a partir do lado de lá da fronteira, passaram a ser quase diários.

Por isso a guarnição dormia em abrigos, escavados 4 ou 5 metros abaixo do nível do solo. Muitas vezes os bombardeamentos nada destruíam, caindo os obuses e granadas fora do perímetro do aquartelamento. Mas outras vezes causavam estragos e baixas que, em caso de necessidade, eram evacuadas de helicóptero para o hospital militar de Bissau.

(ii) A rotina dos bombardeamentos e flagelações

Apesar desta situação certamente pouco agradável, o moral da guarnição era levado.

Lembro-me da primeira vez em que fui pernoitar a Madina. Pouco antes do anoitecer comecei a ouvir os soldados à porta dos seus abrigos gritando “Está na hora! Está na hora!”.

O comandante da Companhia elucidou-me que era a altura de o PAIGC começar o usual bombardeamento e os homens já tomavam aquilo como uma brincadeira, habituados como estavam ao estrondo do rebentamento das granadas. Por acaso nesse dia as granadas só de madrugada caíram e não causaram baixas nem prejuízos.

Claro que a nossa guarnição respondia com morteiros e com canhão sem recuo e toda a gente estava sempre preparada para disparar a curta distância do arame farpado. Que eu saiba, porém, nunca o adversário tentou assaltar o aquartelamento.

Na manhã seguinte um destacamento saía do recinto e percorria os arredores, procurando descobrir o local de onde teria sido feita a flagelação. Umas vezes tinha êxito e o local era cuidadosamente assinalado nas nossas cartas de tiro. Mas outras vezes nada se descobria pela simples razão de o bombardeamento ter sido feito a partir do território da Guiné-Conacri e os nossos militares cumprirem escrupulosamente a ordem que tinham de não atravessar a fronteira.

As viaturas da Companhia encontravam-se dispersas pela área do aquartelamento, em especial junto às árvores para melhor protecção. E até ao princípio de 1969 havia algum gado para consumo do pessoal. O último boi foi porém abatido por uma granada do PAIGC e a isso se referia com certo humor o relatório-rádio do comando local, confirmando assim o bom moral da unidade.

(iii) Missão: defender-se a si próprio!

De qualquer forma, tornou-se pouco a pouco evidente a inutilidade da presença de uma Companhia em Madina.

A tropa estava na Guiné para defender a população civil que nos era afecta, tentando suster o seu compulsivo aliciamento pelos guerrilheiros do PAIGC vindos do Senegal, a norte, ou da Guiné-Conacri, a sul e a leste.

Procurava também evitar ou dificultar a penetração desses guerrilheiros em território então considerado nacional. E pretendia ainda impedir a destruição das estruturas económicas e administrativas: pontes, estradas, edifícios, etc.

Ora em Madina e em todo o sudeste guineense a sul do rio Corubal:

não havia população alguma;

não havia estruturas de qualquer importância;

e a fronteira era totalmente permeável em dezenas de quilómetros.

Então, se a tropa não estava a proteger qualquer ponte nem qualquer tabanca e não tinha a menor possibilidade de impedir penetrações territoriais, o que é que estava a fazer em Madina?

A resposta era simples: a Companhia de Madina estava lá “para se defender a si própria”! Quando, afinal, fazia tanta falta em outros pontos da Guiné!

Por outro lado, ponderou-se também a possibilidade de o PAIGC aproveitar uma possível evacuação de Madina pelas nossas tropas, para declarar a região como “libertada”.

Mas isso podia o PAIGC fazer em qualquer outro ponto, do imenso sudeste guineense. Na zona de Beli, por exemplo, que nós abandonámos havia muito tempo e onde nunca íamos por falta de objectivo.

Aliás, mesmo com a Companhia em Madina, o PAIGC podia declarar o sudeste guineense uma “zona libertada” e até lá levar jornalistas estrangeiros, como parece que fez.

(iv) Evacuação: riscos calculados

Todas estas considerações foram devidamente estudadas, bem como os principais riscos que a evacuação podia acarretar.

Entre esses riscos contavam-se várias possibilidades de actuação dos guerrilheiros do PAIGC. Como por exemplo:

 

- Aumentarem as flagelações e bombardeamentos sobre Madina nas noites anteriores à manhã da “descolagem” quando as viaturas da Companhia, já meio carregadas, se encontrassem mais expostas;

- Lançarem sobre Madina um bombardeamento maciço na madrugadas da partida, quando parte da coluna de viaturas já estivesse fora do aquartelamento (cuja exiguidade não comportava toda a coluna); tanto nesta possibilidade como na anterior, contava-se que o PAIGC certamente detectaria o movimento desusual no interior de Madina;

- Montarem emboscadas à coluna em diversos pontos da estrada Madina-Cheche; esta estrada corria quase a direito no sentido norte-sul e, aqui e ali, era flanqueada por pequenas colinas de onde, em deslocamentos anteriores, os guerrilheiros haviam lançado emboscados; estava além disso minada com poderosas minas anticarro soviéticas;

- Tentarem dificultar a travessia do rio Corubal no Cheche.

Claro que, ao reconhecerem-se estes riscos, admitiam-se baixas da nossa parte pois a operação não era simples.

(v) Operação Mabecos Bravios

Mas tudo se fez para que tais baixas fossem mínimas. Em Bafatá, no comando do Sector, começou a ser elaborada a Ordem de Operações [Ord Op].

No Gabu (então Nova Lamego) construiu-se uma nova jangada que depois foi levada para o Cheche onde a que lá estava foi devidamente reforçada.

Estas jangadas eram constituídas por um forte estrado dotado de vedações laterais e assente em bidões vazios e em três “barcos” formados por grandes troncos de árvores escavados. Estrutura esta que, com a jangada descarregada, colocava o estrado a cerca de um metro da água.

As jangadas eram consideradas muito seguras e incapazes de se voltarem ou afundarem, desde que não fossem excessivamente carregadas.

 Calculava-se que aguentariam um peso de dez toneladas. Mas para maior segurança a Ord Op proibia que fossem transportados mais de 50 homens de cada vez.

Por seu lado, em Madina, os motores e as suspensões das viaturas da Companhia foram cuidadosamente revistos, não tendo o comando local tido pouco trabalho no carregamento de todo o material, incluindo a parte delicada das munições, até então guardadas em paióis subterrâneos.

No princípio do ano [de 1969], a Ord Op foi levada ao Comando-Chefe, em Bissau, e apreciada e aprovada em reunião de comandos.

O dia da evacuação foi marcado para 9 de Fevereiro de 1969, sendo a operação designado por Mabecos Bravios.

Aos comandos das unidades que forneciam contingentes de reforço foram dadas as respectivas ordens, com indicação dos locais onde as suas tropas deviam ser colocadas (de helicóptero).

Alguns destes locais ficavam nas colinas de onde anteriormente haviam sido lançadas, sobre a estrada, emboscadas contra as nossas tropas. Outros ficavam na margem sul do Corubal, próximo do Cheche.

(vi) Uma manobra de diversão

Fui para Madina na manhã da véspera do dia D.  [ O dia D era 1 de fevereiro de 1969. ] Comigo foram 5 helicópteros pois eu queria executar com eles uma operação de diversão que consistia e, por duas ou três vezes, enviar os helis (vazios) para os locais de onde o PAIGC costumava bombardear o aquartelamento. Dava assim a ilusão de que estava colocando forças nesses locais, em emboscada.

A medida deve ter resultado pois nessa noite não houve bombardeamento a Madina.

Foi em completa calma que a complexa coluna auto se formou, com a parte dianteira já na estrada do Cheche.

Ao amanhecer iniciou-se o movimento com as viaturas e respectivos reboques completamente carregados e a grande maioria dos homens a pé.

Como era costume eu seguia à frente com o meu guarda-costas e o homem do posto-rádio. Só os picadores nos precediam, picando cuidadosamente a estrada com compridos ferros pontiagudos. E excelente trabalho fizeram pois nenhuma mina rebentou embora tenham sido levantadas 12 ou 14.

(vii) A visita do Bispo [com-chefe, gen Spínola]

A progressão poderia ser lenta mas parecia segura.

De tempos a tempos passávamos por camiões e autometralhadoras destruídas em emboscadas anteriores. Também vi os restos de um avião mas não sei se teria caído por acidente ou sido abatido. E conseguiu-se recuperar uma autometralhadora que se encontrava abandonada na berma da estrada.

A dada altura um helicóptero sobrevoou-nos. Contactei pela rádio e verifiquei que era o Bispo, ou seja, o General Spínola. Quase todas as manhãs o Comandante-Chefe saía de Bissau num helicóptero e ia observar as principais operações que se realizavam na Guiné.

Mandei parar a coluna e montei segurança ao lado da estrada. O heli pousou e o General Spínola acompanhou-me a pé durante alguns quilómetros, demonstrando assim o apreço que a execução da operação lhe estava merecendo. Depois foi-se embora, satisfeito.

Chegámos ao Corubal ao princípio da noite sem termos sofrido qualquer emboscada. A travessia do rio começou imediatamente com as jangadas trabalhando alternadamente.

Havia um cabo de aço estendido de uma margem à outra, a ele ficando ligada a jangada em serviço, a qual era empurrada por um pequeno barco com motor fora de bordo.

O rio tinha uma corrente muito forte e uns 100 a 150 metros de largura. O motor do barquito levantava uma pequena ondulação que formava um V.

Atravessei para o Cheche cujas instalações eram semelhantes às de Madina, isto é, quase tudo abrigos enterrados.

Durante toda a noite assisti ao vai-vem das jangadadas. Parte dos destacamentos de reforço foram os primeiros a atravessar o rio, formando logo uma coluna auto na estrada que partia de Cheche para Nova Lamego.

A Companhia de Madina [a CCAÇ 1790,] seria a última a fazer a travessia, juntamente com dois Gr Comb da [CCAÇ] 2405.

(viii) O desastre da jangada

Cerca das 9 ou 10 horas da manhã apareceu um helicanhão que sobrevoou demoradamente toda a zona.

Depois pousou e eu fui ter com ele procurando informar-me do que a tripulação tinha visto. Mas tinha chegado, apareceu um soldado correndo para mim a gritar que a jangada se estava afundando, logo após ter partido da margem sul.

Pedi imediatamente ao piloto para... [linha inteira cortada na fotocópia] depois para a margem do Cheche onde eu estava. Parecia vir normalmente carregada com homens e material.

(ix) Um comandante também chora

Quando chegou é que eu soube que diversos homens tinham caído ao rio, não aparecendo mais. Verifiquei tratar-se do pessoal que realizava a última travessia.

Quando se fez a chamada, viu-se que faltavam quarenta e tal homens, seis dos quais nativos.

Não consegui controlar-me e desatei a chorar, tal como aliás vi muitos valorosos militares a fazerem. Foi assim que me encontrou o general Spínola que nesse dia também quisera ir ter comigo.

Aguardámos horas, com o helicóptero sobrevoando o local na esperança de localizar alguns dos desaparecidos. Dois ou três bons nadadores também mergulharam na zona onde acorrera o acidente. Nada foi encontrado.

Interroguei diversos militares mas alguns nem podiam falar. Outros disseram-me que a jangada, logo após ter partido da margem sul, tinha-se afundado um bocado, ficando o estrado rés-vés com a água. Este afundamento era aliás natural desde que não fosse excessivo.

O estrado, como dissemos atrás, ficava a cerca de um metro da água quando a jangada estava vazia. Esta distância diminuía conforme o peso do carregamento mas o estrado normalmente nunca chegava a ser coberto pela água.

Segundo parece, alguns dos homens que seguiam junto às vedações laterais assustaram-se quando alguma água começou a cobrir o estrado. Teriam então descido para o rio procurando segurar-se às travessas laterais do estrado e continuar assim a travessia. Desta forma o peso da carga diminuiria e a jangada subiria. Só que não se lembraram de que com o equipamento e as munições cada um pesava mais de cem quilos.

Foi desta forma que uma operação que decorrera sem qualquer baixa (ao contrário do que inicialmente se esperava), viu o seu final tragicamente enlutado.

Durante toda a noite, desde as seis da tarde da véspera até às 10 ou 11 da manhã seguinte, as jangadas tinham trabalhado sem qualquer anomalia. Fizeram dezenas de travessias. E o azar logo havia de aparecer na última e de forma tão dolorosa.

Nem o facto de na altura terem ocorrido acidentes semelhantes (ou talvez ainda mais graves), com jangadas em Moçambique, podia servir de lenitivo para o que nos sucedera na Guiné.

Dezenas de homens que tinham vivido longos meses sob bombardeamentos quase diários, acabaram por morrer afogados.

Hélio Felgas, Brigadeiro

(Digitalização, fixação/revisão do texto, negritos, parênteses retos  e subtítulos: L.G.)

___________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 25 de junho de 2008 > Guiné 63/74 - P2984: Op Mabecos Bravios: a retirada de Madina do Boé e o desastre de Cheche (Maj Gen Hélio Felgas † )

(**) Vd. poste de 12 de fevereiro de 2006 > Guiné 63/74 - P509: O desastre do Cheche: a verdade a que os mortos e os vivos têm direito (Rui Felício, CCAÇ 2405)

(***) Último poste da série > 11 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27625: Documentos (50): Brochura "Missão na Guiné", da autoria do Estado Maior do Exército. 3ª ed. (Lisboa, SPEME, 1971, 78 pp.) - Parte VI: Informações úteis ("patacão", pensão de família, SPM, vale de correio, diferenças horárias, Emissora Nacional, TAP) (pp. 68-77)

Postado por Tabanca Grande Luís Graça at 13:53 

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Marcadores: Cap José Aparício, CCAÇ 2405, desastre do Cheche, Documentos, Hélio Felgas (Maj Gen), José Manuel Saraiva, Madina do Boé, Rui Felício, televisão, vídeos

1 comentário:

Anónimo disse...

A companhia era a CCAC 1790

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026 às 18:44:00 WET

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Parabéns ao Cabito, Bernardino Vieira de Almeida

 

Muitos parabéns ao nosso amigo "Cabito", Bernardino Vieira de Almeida, que hoje completa mais um aniversário.

Desejamos que estejas bem e com saúde junto dos teus familiares.

Um dia muito feliz.

Um grande abraço.

Leandro Guedes.








quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Temporal - rio atmosférico

 


Temporal em Torres Vedras; Leiria, Alcácer do Sal

Arvores derrubadas, telhados pelo ar, inundações, ventos ciclônicos, muita chuva 







terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O Exercito Português - Temporal Kristin

 

Exército Português

Conteúdo partilhado com: Público

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🌧️ 𝐃𝐞𝐩𝐫𝐞𝐬𝐬ã𝐨 𝐊𝐫𝐢𝐬𝐭𝐢𝐧: o Exército continua a reforçar o apoio às populações, assegurando 𝐦ú𝐥𝐭𝐢𝐩𝐥𝐨𝐬 𝐞 𝐝𝐢𝐯𝐞𝐫𝐬𝐢𝐟𝐢𝐜𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐚𝐩𝐨𝐢𝐨𝐬 para o 𝐫𝐞𝐬𝐭𝐚𝐛𝐞𝐥𝐞𝐜𝐢𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐚 𝐦𝐨𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞, a 𝐫𝐞𝐩𝐨𝐬𝐢çã𝐨 𝐝𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐧𝐝𝐢çõ𝐞𝐬 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐠𝐮𝐫𝐚𝐧ç𝐚 e a 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐢𝐧𝐮𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐨𝐬 𝐬𝐞𝐫𝐯𝐢ç𝐨𝐬 𝐞𝐬𝐬𝐞𝐧𝐜𝐢𝐚𝐢𝐬.

𝐄𝐬𝐭𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐧𝐨 𝐭𝐞𝐫𝐫𝐞𝐧𝐨 com:

👥 2 𝐆𝐫𝐮𝐩𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐂𝐨𝐦𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐞 𝐋𝐢𝐠𝐚çã𝐨, nos Municípios de Tomar e de Ferreira do Zêzere, garantindo a coordenação com as autoridades locais.

🛠️  5 𝐃𝐞𝐬𝐭𝐚𝐜𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐄𝐧𝐠𝐞𝐧𝐡𝐚𝐫𝐢𝐚 em Ferreira do Zêzere, Marinha Grande e Vieira de Leiria, na recuperação de acessos e infraestruturas.

💡 𝐌ó𝐝𝐮𝐥𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐄𝐧𝐞𝐫𝐠𝐢𝐚 𝐞 𝐈𝐥𝐮𝐦𝐢𝐧𝐚çã𝐨 em Alvaiázere e em Tomar, garantindo eletricidade e iluminação em contextos de emergência.

🌲 𝐄𝐪𝐮𝐢𝐩𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐋𝐢𝐦𝐩𝐞𝐳𝐚 𝐞 𝐃𝐞𝐬𝐨𝐛𝐬𝐭𝐫𝐮çã𝐨 em Ferreira do Zêzere e em Tomar,  a remover árvores e obstáculos, devolvendo acessos e segurança às populações.

🏠 1 𝐌ó𝐝𝐮𝐥𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐥𝐨𝐣𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 𝐝𝐞 𝐄𝐦𝐞𝐫𝐠ê𝐧𝐜𝐢𝐚 na Marinha Grande, com 70 camas.

📡  𝐌ó𝐝𝐮𝐥𝐨𝐬 𝐒𝐭𝐚𝐫𝐥𝐢𝐧𝐤 𝐞 𝐜𝐨𝐦𝐮𝐧𝐢𝐜𝐚çõ𝐞𝐬 𝐫𝐞𝐟𝐨𝐫ç𝐚𝐝𝐚𝐬 em Figueiró dos Vinhos, assegurando ligação às zonas de Campelo e Arega.

🔧  𝐄𝐪𝐮𝐢𝐩𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐄𝐧𝐠𝐞𝐧𝐡𝐚𝐫𝐢𝐚 𝐞𝐦 𝐚𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚, a instalar lonas de proteção depois de transportadas 18 toneladas de material para reparações provisórias.

🪖 Mantemos, em prontidão, Forças prontas a intervir nas situações mais exigentes.

🤝 O Exército 🇵🇹 continua ao lado das populações, com profissionalismo, dedicação e espírito de missão 🫡

Desde sempre a honrar Portugal!

#ExércitoPortuguês #Apoio_Militar_Emergência #DepressãoKristin #ApoioÀPopulação #Cooperação_Nacional #Prontidão #PotencialHumano

Temporal - Torres Vedras

 


Temporal - Telhas Lusoceram (Cobert) para Leiria

 


Temporal - Locais em Leiria com telhas disponíveis

 


Temporal - ajuda à população de Leiria

 


Temporal Kristin, Torres Vedras

 


Ajuda à população

 


Socorro às populações sofredoras - Kristin

 


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Faleceu o nosso amigo Alexandre Alves Leal, do Pelotão Daimler 1131

 Companheiros.

É com profundo pesar que vos informo que faleceu o nosso amigo Alexandre Alves Leal, de Valadares, Vila Nova de Gaia e que em Tite pertencia ao Pelotão Daimler 1131.

 A informação foi-me dada pelo Jorge Gouveia seu amigo ao longo de todos estes anos.

Não se sabe  ainda pormenores do velório e funeral e logo que se saiba, serão divulgados.

À sua irmã, seus filhos e sobrinhos e neta Mariana Leal as nossas sentidas condolências.

Descansa em Paz companheiro.








sábado, 31 de janeiro de 2026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

José da Horta Amador

José da Horta Amador - foto em Tite com amigos


 

Os meninos de Tite, foram visitar o velho e abandonado Quartel

 Os meninos de Tite, foram visitar o velho e abandonado Quartel e depositar uma coroa de flores. (terça-feira dia 27/1)?.




Obrigado D. Jabu Mané



quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

SPM, em Tite - Hipólito Almeida Sousa

 Bart Tite - Guiné

O serviço de SPM, foi entregue logo que chegamos a Tite, ao nosso amigo Hipolito Almeida Sousa . Todo o movimento de correio de e para a Metrópole, das Unidades estacionados em Tite era de sua responsabilidade. Nos dias de hoje, o seu trabalho é sempre elogiado.

Sempre diligente, atento a chegadas de aviões, helicopteros ou barcos, que pudessem trazer correspondencia para os militares.

Ele foi o mensageiro das alegrias que os aerogramas a todos trazia. Bem hajas por isso companheiro.

O nosso abraço.

Leandro Guedes


Os aerogramas







Militares à espera da distribuição do correio vindo do Continente




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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

António Vilão completa hoje mais um aniversário.

 O António Vilão, de Coimbra, completa hoje mais um aniversário.

Que contes muitos companheiro, com muita saúde e bem estar, junto dos teus familiares e amigos.

Que tenhas um excelente dia de aniversário.

MUITOS PARABÉNS amigo.

Um forte abraço.

Leandro Guedes.




quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Os Batalhões que passaram por Tite durante a guerra colonial, desde Fevereiro de 1963 a Abril de 1974

 


inicio da guerra na Guiné, 23 de Fevereiro 1963 -  

1961/1963 - BCAÇ 237 

1963/1965 - BCAÇ 599

1965/1967 - BART 1860

1967/1969 - BART 1914

1969/1970 - BCAÇ 2867

1970/1972 - BART 2924

1972/1974 - BCAÇ 6520 - 


domingo, 11 de janeiro de 2026

Domingos Monteiro, mais um aniversário

 Desta vez é o Domingos Monteiro, quem completa mais um aniversário.

Que contes muitos amigo, com saúde e alegria, junto da tua família e amigos.

MUITOS PARABÉNS.

Um grande abraço.

Leandro Guedes.











Faz hoje sessenta anos...

 Faz hoje 60 (sessenta) anos que este vosso camarada assentou praça no Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha, chegado de comboio do Porto, depois dum dia de viagem.... Eu e o meu amigo de juventude, o Daniel Sousa, para quem mando um forte abraço com votos de rápidas melhoras.

Foi o inicio da vida militar, com altos e baixos, que passou por vários locais, Póvoa, Abrantes, Parede, Tite na Guiné e acabou no RAL LIS, na Encarnação.

Muita coisa se passou, muitas amizades se iniciaram e se mantêm até hoje e outras mais foram ceifadas abruptamente, numa guerra para onde fomos mandados e sem saber porquê... Foram 38 meses de companheirismo, sofrimento, estropiados e morte. Lá, demos valor à familia que cá deixamos...

No cabeçalho do nosso blog, estão inscritas várias frases de diversos autores, que a seguir reproduzimos:

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-"“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”

(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

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"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

(Ambas as frases de António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar).

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“Eles,

Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projetar no além...”

(Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras)

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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

(Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.)

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“Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…”

(Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019)

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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

(Francisco Silva e Floriano Rodrigues. 2314)

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“Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.”

(Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar)

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Leandro Guedes



"O vosso camarada"



Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha


Estação de comboios das Caldas da Rainha



Sousa, Ferreira, Guedes e Abreu





Na ida para a Guiné, no Uíge


O meu "apartamento" na camarata dos sargentos


(camarata dos sargentos), . Foto do Raul Soares numa ida a Tite vinte anos mais tarde. 
Quartel de Tite abandonado, 50 anos após a descolonização