BART 1914 - Tite, Guiné/Bissau - GUERRA DO ULTRAMAR 1967/1969 - NUNCA ESQUECIDOS !
35º almoço em 2026 - Figueira da Foz - Quinta da Salmanha.
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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
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terça-feira, 4 de agosto de 2026
IN MEMORIAM: Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes de Carvalho (Guiné: 1967–1968)
IN MEMORIAM: Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes de Carvalho (Guiné: 1967–1968)
Recordamos e prestamos homenagem ao Alferes Miliciano de
Infantaria José Antunes de Carvalho, natural de Salto (Montalegre), que
combateu na Guerra do Ultramar e deu a vida ao serviço de Portugal.
A 8 de Abril de 1967, embarcou no NTT ‘Uíge’ rumo à Guiné
Portuguesa, integrado no Batalhão de Artilharia 1914. Em março de 1968,
voluntariou-se para comandar um Grupo de Combate do tipo comandos ("boinas
verdes"), revelando excecional coragem e liderança sob fogo.
Notabilizou-se pela bravura em várias ações operacionais:
• Defesa do Aquartelamento (2 Mar 1968): Debaixo de pesado
fogo de morteiros, percorreu as tabancas para organizar o seu grupo e repelir o
inimigo.
• Op. "Quitina", "Corsário Negro" e
"Novilhada": Actuação destemida na vanguarda do combate.
Tragicamente, no dia 4 de Setembro de 1968, em Tite, faleceu
num fatídico acidente com arma de fogo durante uma sessão de instrução com
dilagramas.
Pelo seu heroísmo, foi agraciado a título póstumo com a Cruz
de Guerra de 3.ª Classe. A 15 de Agosto de 1992, durante uma emocionante
homenagem em Salto com Honras Militares, foi descerrada a lápide em sua memória
com a promessa solene: «JAMAIS SERÃO ESQUECIDOS».
Repousa na sua terra natal. Honra à sua memória e ao seu
sacrifício!
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#Salto #ExércitoPortuguês #HistóriaDePortuga
Este resumo da Câmara de Montalegre e Junta de Freguesia do Salto, descreve bem o que foi a passagem do Alf. Carvalho por Tite, no tempo do BART 1914..
Alferes Mil.º de Infantaria, n.º 00316962
Comandante do Grupo de Combate «BOINAS VERDES» da Companhia
de Comando e Serviços
Batalhão de Artilharia 1914, «SEM TEMOR»
Guiné: 13Abr1967 a 04Set1968 (data do falecimento)
Em Memória
(CCS/BArt 1914 – RAL 1 | Guiné 1967–1968)
Condecorado com a Cruz de Guerra de 3.ª Classe (Título
Póstumo)
1. O Chamamento, o Embarque e a Partida para o Ultramar
A história do Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes
de Carvalho é o retrato vivo do patriotismo, da bravura e da abnegação de uma
geração colocada à prova no teatro de operações do Ultramar. Natural de Salto,
no concelho de Montalegre, filho de Luciano Fernandes de Carvalho e de Joana da
Conceição Antunes, trouxe do Barroso transmontano a têmpera, o caráter nobre e
a coragem moral que viriam a pautar cada dia da sua vida militar.
Casado com D. Sara Maria Ramires Paulo de Carvalho, deixou
para trás a família e o aconchego do lar para cumprir o dever militar.
Mobilizado pelo Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1), em Lisboa, foi
integrado na Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Artilharia
n.º 1914.
No dia 8 de Abril de 1967, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou a bordo do Navio Transporte de Tropas
(NTT) ‘Uíge’. Ao som dos apitos do navio e dos acenos de despedida no cais,
partiu rumo à Guiné Portuguesa, desembarcando a 13 de Abril de 1967 no estuário
do Geba, em Bissau.
2. O Exemplo em Combate: Ações de Bravura na Guiné
Em terras da Guiné, o Alferes Antunes de Carvalho
destacou-se desde muito cedo pelas suas excecionais qualidades humanas,
militares e de liderança sob fogo. Em princípios de Março de 1968, impulsionado
por um incontornável espírito de missão, ofereceu-se voluntariamente para
comandar o Grupo de Combate tipo comandos ("boinas verdes"),
assumindo a vanguarda dos cenários de maior risco.
A sua passagem pelo teatro de operações ficou marcada por
feitos de invulgar determinação:
Defesa do Aquartelamento (2 de Março de 1968): Durante uma
intensa flagelação inimiga ao aquartelamento, e mesmo debaixo de pesado fogo de
metralhadora e morteiros, correu sem hesitar por todas as tabancas em redor do
quartel para reorganizar o seu grupo de combate e sair em perseguição do
inimigo.
Operação "Quitina" (30 de Abril de 1968): Na zona
de Galamã, Bila e Louvado, seguindo à testa da coluna com o seu Grupo de
Combate, foi invariavelmente o primeiro a reagir com firmeza a todos os
contactos com o inimigo, batendo-o pelo fogo e pondo-o em debandada.
Operação "Corsário Negro" (18 a 19 de Junho de
1968): Nas regiões de Nova Sintra, Serra Leoa e Baduco, demonstrou um empenho
incansável. Mesmo gravemente doente, aguentou corajosamente quase todo o
decorrer da operação. Apenas aceitou ser evacuado quando totalmente exausto,
deixando bem patente o seu desgosto e amargura por não poder ir até ao fim ao
lado dos seus homens.
Operação "Novilhada": Na zona de Jufá, voltou a
demonstrar uma agressividade tática e determinação ímpares, acorrendo sempre
aos pontos mais críticos sob intenso fogo adversário.
Por todos estes atos de bravura e liderança em campanha,
conquistou a profunda admiração e o respeito dos seus camaradas, dos seus
superiores e da própria população nativa.
3. A Tragédia de Tite: A Memória e o Sacrifício Partilhado
de 4 de Setembro de 1968
Entre os vitimados encontrava-se o oficial instrutor,
Alferes Carvalho, um jovem promissor na casa dos vinte anos, recordado como um
oficial brilhante e um homem de honra. A sua partida precoce deixou uma
profunda marca entre os seus camaradas de armas. Os seus restos mortais
repousam hoje na sua terra natal, no Cemitério Paroquial de Salto, concelho de
Montalegre, mantendo viva a memória do seu sacrifício perante a Pátria.
A mesma fatalidade tirou igualmente a vida a dois jovens
soldados guineenses, mobilizados pelo CTIG e integrados na Companhia de Comando
e Serviços (CCS/BArt1914), cujos nomes e origens cumpre honrar e preservar:
Adulai Baldé, Soldado Atirador (n/m 82053767), solteiro,
natural de Santa Isabel, freguesia da circunscrição de Nova Lamego, filho de
Bacar Demba Baldé e de Cadijatú Baldé.
Bacar Jaló, Soldado Milícia (n.º 52/65), solteiro, natural
de Santo António de Bula, circunscrição de Cacheu, filho de Dana Dacar e de
Rita Dacar.
Ambos os soldados guineenses ficaram inumados no talhão
militar do cemitério de Tite, em solo africano.
Este trágico acontecimento une, no mesmo tributo e na mesma
dor, homens de origens distintas irmanados pelo cumprimento do dever. Que a
história e a memória coletiva continuem a guardar o devido respeito e
reconhecimento à sua entrega.
4. Reconhecimento Póstumo
A Pátria não esqueceu o sacrifício do Alferes Carvalho.
Por Portaria de 31 de Janeiro de 1970 (publicada na Ordem do
Exército n.º 4 – 2.ª série, de 1970), foi-lhe atribuída, a título póstumo, a
Cruz de Guerra de 3.ª Classe, louvando as suas excecionais virtudes e
considerando os seus serviços em campanha como extraordinários, relevantes e
distintos.
Os seus restos mortais repousam hoje na sua terra natal, no
Cemitério Paroquial de Salto (Montalegre).
5. Perpetuação da Memória: A Lápide de 15 de Agosto de 1992
Vinte e quatro anos após a sua morte, no dia 15 de Agosto de
1992, a comunidade de Salto prestou uma sentida homenagem pública aos
ex-combatentes mortos na Guerra do Ultramar. Num ato solene marcado pelo
desfile da Fanfarra da Região Militar Norte e por Honras Militares junto ao
cemitério, foi descerrada na sua terra natal uma lápide comemorativa em granito
gravada a ouro.
Nela ficou para sempre imortalizada a memória do Alferes
José Antunes de Carvalho, acompanhada da promessa solene que une toda a
comunidade e a Nação:
"Honorável na conduta, destemido no combate e leal aos
seus camaradas, o Alferes Miliciano José Antunes de Carvalho permanece vivo na
memória de Salto, do Barroso e da História de Portugal."
segunda-feira, 27 de julho de 2026
O Senhor Coronel João Manuel Pais Trabulo completa hoje mais um aniversário.
O Senhor Coronel João Manuel
Pais Trabulo , da CCAÇ 2314, completa hoje mais um aniversário.
Muitos parabéns amigo.
Que conte muitos mais, junto
dos seus familiares e amigos, sempre com saúde e boa disposição.
Um excelente dia de
aniversário é o que lhe desejamos.
Um forte abraço.
Leandro Guedes.
domingo, 19 de julho de 2026
LFG "-Dragão" - Jorge Cravalho
Esclarecimento de Jorge Carvalho, a quem agradecemos. Muito obrigado.
"Para que não haja confusões, nada melhor do que a
fotografia original para comprovar uma verdade factual. O que se vê é uma parte
significativa dos prisioneiros - o Alferes é o quinto da primeira fila, vestido
com uma camisa da Marinha - na LFG (Lancha Fiscalização Grande) “DRAGÃO” já na
Ilha de Soga (Bijagos). Alguma dúvida, façam favor."
"Felizmente, eu NÃO fui capturado, logo NÃO faço parte da lista dos prisioneiros resgatados. Isso sim, fazia parte da guarnição da unidade em presença que participou na Operação Mar Verde.
Jorge Carvalho
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Para veres entrevistas dos saudosos Alf. Rosa e Major Lobato
ESTE TEMA TEM DADO MUITO DEBATE QUE É DIFICIL REPRODUZIR AQUI. POR ISSO O MELHOR É IR AO FACEBOOK
ASSIM, QUEM QUISER LER OS DEBATES, ALGUNS FORA DO CONTEXTO, DEVE FAZER DA SEGUINTE MANEIRA:
Escreve na janela do Google o link acima indicado e acedes à página dos arquivos da RTP
Além da entrevista ao alf. Rosa e Major Lobato , tem também intervenção do Capitulo.
E ainda biografia do Gen Spinola e outras situações de interesse .
quinta-feira, 16 de julho de 2026
A Fuga do Alf. Rosa e do Major Lobato, em Conakry
A Fuga - Alferes António Júlio Rosa e Major Lobato
A FUGA
Há coisas que não podemos
deixar cair em saco rôto, para que os vindouros saibam o que foi a guerra do
Ultramar, principalmente os factos que nos foram mais próximos.
Relembro aqui dois excertos
do livro MEMÓRIAS DE UM PRISIONEIRO DE GUERRA (pag. 109), da autoria do saudoso
Alferes António Júlio Rosa, da CART 1743, em que ele relata (edição de 2003),
uma tentativa de Fuga de alguns companheiros de infortúnio entre eles o major
piloto aviador António Lobato, recentemente falecido, dos calabouços da prisão
de Kindia, da Guiné Conakry em 1969, um ano e um mês depois do desastre de
Bissássema.
“Na tarde do dia 3 de março
de 1969, estava bastante nervoso. Havia o receio de que alguma coisa corresse
mal e que o plano falhasse. No caso de isso acontecer, tudo se complicaria e
todos deixariam de confiar em nós. De qualquer modo, era meu dever arriscar. E
foi isso que fiz. Se fosse hoje, a minha decisão seria idêntica àquela.
Às dezoito horas eu e o Vaz
estávamos preparados!... Tínhamos a chave e o elo. O Lobato ocupou a posição
estratégica, no corredor da cela dos “intelectuais”. O Vaz subiu para o
depósito sem problemas!... A seguir era a minha vez!... Olhei para o meu companheiro!...
Tudo estava normal!... Em poucos segundos também eu estava no interior do
depósito. A nossa sorte estava lançada!...
Teríamos de esperar cerca de
quarenta e cinco minutos pelo nosso camarada Lobato. Quando subi, tive tempo de
observar o exterior da prisão.Havia poucas casas, algumas árvores e não vi
ninguém nas redondezas.
Aquele espaço de tempo
pareceu-nos uma eternidade!... Por fim, ouviu-se um leve ruído nas colunas, e
logo de seguida, surgiu a cabeça do Lobato, que, rapidamente saltou para dentro
do depósito, onde ficámos os três, sentados no fundo do nosso esconderijo. Ninguém
se apercebera do desenrolar da primeira acção. Estava tudo a correr bem!...
…………..
O Lobato disse-nos então que
não tinha comido e que despejara o arroz do jantar num balde. Dizia ele que os
nervos eram tantos que até tinha perdido o apetite!... Por fim a porta foi
fechada no momento em que a noite começava a cair.
……………
Embrenhamo-nos no mato e
(passados alguns dias), e decorridos dois quilómetros, a vegetação fez-nos
regressar à estrada. Não fizemos mais de cem metros quando, de um lado e do
outro da mata, se acenderam lanternas eléctricas. Fiquei sem ver, com tamanho luzeiro
e, nos segundos imediatos, senti-me agarrado… Um fio metálico aflorou à minha
garganta… era uma catana encostada ao meu pescoço!... Os meus companheiros
também estavam imobilizados. Tínhamos sido capturados!...
……………………
A LUZ AO FUNDO DO TÚNEL… A
LIBERDADE!... (pag. 149)
(Após a libertação a 21 de Novembro de 1970)
Caminhámos durante quinhentos metros, até que chegámos à praia!... No areal só
restavam dois barcos de borracha!... Os outros já tinham partido!... O
comandante do grupo de assalto comunicava com o rádio. Ouvi o que ele disse:
Libertámo-los todos!... Missão cumprida!...”
--
Leandro Guedes-
Os Herois de Bissassema - NUNCA ESQUECIDOS
Nesta altura em que alguém relata o sofrimento do Major Piloto Aviador António Lobato, recordamos os nosso amigos da CART 1743, que com ele conviveram na Prisão na Guiné-Konakri, Alf. António Julio Rosa e radiotelegrafistas Capitulo e Contino, após a suas capturas em Bissassema pelo IN, transcrevendo o relato feito pelo saudoso José Justo no seu diãrio:
"... Acordei com o barulho provocado pela entrada de
roldão do alferes Carvalho pelo nosso quarto dentro, n’uma excitação que na
altura não compreendi. Falava, ou melhor , gritava ordens, pragas e gesticulava
imenso. Poucos minutos bastaram para me aperceber do que se passava.
...Bissassema tinha sido tomada e ocupada pelas tropas do PAIGC, e a s nossas
forças retiraram desordenadamente em consequência de numeroso grupo do IN, que
tinha atacado com uma força e efectivos enormes. Tinha-mos sido avisados pelo
Gomes Furriel de TMS, que tinha ido bem como o Contino Op. Cripto e o Capitulo
Rádio-Telefonista, formar a secção de TMS e Cripto no destacamento para
contacto com o nosso Batalhão. Dar um exemplo do aspecto do Gomes é dificil.
Branco, mortalmente branco, tremendo e mal conseguindo articular as palavras
que lhe saiam inaudíveis, conseguiu por alto relatar alguns pormenores do que
foi uma das piores derrotas militares sofridas pelas nossas forças. Pelas
primeiras impressões, temia-se que tanto o Contino como o Capitulo tivessem
caído nas mãos dos “turras”. Mais tarde tivemos a confirmação, quando de manhã
começaram a chegar os que tinham conseguido iludir a vigilância dos
guerrilheiros e puderam regressar a Tite. Chegaram fugidos ao Enxudé, vindos da
vários caminhos, pois poucos conheciam o caminho exacto, tendo também que
evitar caminhar em direcção que lhes fosse desfavorável por levar a
acampamentos do IN. O que vi quando ao procurar noticias de tudo e todos os
camaradas, será uma imagem que nunca mais esquecerei. Rostos que tinha visto
sorrir, estavam marcados pelos vincos profundos da dor, do desespero e
desanimo. As lágrimas que lhes vi na face, os olhos vermelhos e inchados,
cobertos de lama e na maioria descalços e rotos, parecendo figuras de filmes de
terror, com forças apenas para agarrarem desesperadamente a G3, a sua própria e
única salvação para manter a vida, quando em redor somente a morte. Para mais
esses, que vi entrarem à porta de armas do quartel de Tite, na manhã de 3 de
Fevereiro de 1968 vão as lágrimas que não derramei, mas que verdadeiramente
senti...
in diario de José Justo."
nota - recordamos aqui também o furriel Cardoso,
desaparecido no rio, naquela fatídica noite.
António Lobato - Um herói NUNCA ESQUECIDO.
Homenagem aos Militares Portugueses está em Portugal.
·
António Lourenço de Sousa Lobato nasceu a 11 de março de
1938, na aldeia de Sante, Melgaço. Alistou-se na Força Aérea em 1957, recebeu
as suas asas em 1959 e partiu para a Guiné em 1961. Tinha 22 anos.
A 22 de Maio de 1963, o seu avião foi forçado a aterrar em
zona inimiga. Foi agredido à catanada. Capturado pelo PAIGC.
E desapareceu.
Durante sete anos e meio foi mantido preso numa masmorra em
Conacri. Mudou três vezes de prisão. Tentou fugir três vezes. Foi recapturado
três vezes.
O próprio Amílcar Cabral foi visitá-lo à prisão. Propôs-lhe
a liberdade — em troca de uma mensagem a denunciar a guerra.
António Lobato recusou, dizendo:
“Com que cara é que eu chegava ao largo da minha aldeia?”
Nunca traiu. Nunca cedeu. Nunca se vergou.
Em 22 de Novembro de 1970, a Operação Mar Verde resgatou-o —
juntamente com outros 25 prisioneiros portugueses. Era o militar português que
mais tempo passou em cativeiro em toda a Guerra do Ultramar.
Regressou. Voltou a voar. Porque voar era o que mais amava.
Faleceu a 8 de Março de 2024, aos 85 anos.
🎖️ Major Piloto-Aviador
António Lobato — o homem que o inimigo não conseguiu dobrar.
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domingo, 5 de julho de 2026
"Jesus Cristo, O sem abrigo"
“Jesus sem-abrigo” assinala o Dia Mundial dos Pobres no Santuário de Fátima.
Esta marcante escultura encontra-se na alameda frente ao
santuário do lado esquerdo, quem sobe.
Numa das imagens Cristo está deitado num banco dum jardim
como qualquer sem abrigo
Noutra imagem veem-se os pés de Jesus e as suas chagas.
Por último Jesus está tapado com uma manta, vendo-se parte
do seu rosto por baixo da mesma.
Leandro Guedes.
sábado, 4 de julho de 2026
Parabéns Julio Garcia
O nosso companheiro Julio Garcia, da CCAÇ 2314, completa hoje mais um aniversário.
Muitos parabéns amigo, que contes muitos mais com saude e
boa disposição junto dos teus familiares e amigos.
Que passes um excelente dia de aniversario.
Um grande abraço
Leandro Guedes
sexta-feira, 3 de julho de 2026
A Capela de Tite, pelo Senhor Coronel Trabulo
CAPELA DE TITE - GUINÉ
Vamos lá ver se recordamos e contamos um pouco do historial
da Capela de TITE e da sua imagem de Nossa Senhora.
Lemos, relemos e comparámos vários comentários e informações
sobre a capela e a imagem de Nossa Senhora, cuja imagem alguns a confundiram
com a imagem de Nossa Senhora de Fátima que estava na capela de Fulacunda. Os
mais de 60 anos que já passaram, leva-nos por vezes a pequenas confusões.
Quanto às imagens de Nossa Senhora poderá certamente ter
havido várias, mas capelas só havia duas, uma em Tite e outra em Fulacunda!
A Capela de Tite estava situada fora do aquartelamento, na
tabanca, num local por onde passava a estrada que ligava Tite a Nova Sintra, à
sombra de uma árvore de grande porte, conforme é facilmente visível nas
fotografias existentes.
Era ampla e de um só corpo. Tinha um altar, coberta por um
teto de folhas de zinco, com uma cruz, suportado por 7 pilares, primeiro de
madeira (cibes) e depois de betão pintados de branco. Inicialmente, sem muro em
volta (1964/65) e depois com muro em alvenaria ou feito em madeira de arcos de
pipos (1963).
No seu interior, havia bancos corridos de madeira que não só
eram utilizados para as cerimónias religiosas, mas também para outras
atividades pois era um espaço polivalente que servia como capela, escola,
creche, sala de reuniões, cinema, etc.
Estava sempre muito bem limpa, cuidada e com o altar
ornamentado, onde tinha um nicho para a imagem de Nossa Senhora e um Cristo
cruxificado.
Pensamos pelas informações que recolhemos que terá sido
construída no início em que os militares guareceram o aquartelamento.
Com base na informação de Santos Oliveira, a capela de Tite,
terá sido começada a construir pelo BCAÇ 237 e terminada pelo BCAÇ 599, na
sobreposição da rendição daquelas duas Unidades nos finais do ano de 1963. Ao
longo dos tempos foi beneficiada e, principalmente, a imagem inicial, a
Imaculada Coração de Maria, foi substituída pela de Nossa Senhora de Fátima,
bem como foi construído um altar em madeira avançado.
Tinha uma parede de suporte, com duas aberturas onde existia
um nicho para a imagem de Nossa Senhora e uma ampla área coberta, separadas por
um reposteiro conforme a sua utilização.
A questão das imagens de Nossa Senhora, quer da capela de
Tite quer de Fulacunda, entende-se que, para além delas, algumas companhias
tinha a sua imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Há quem diga que a imagem de Nossa Senhora de Fátima de Tite
foi levada para Fulacunda, que, no nosso entender, é estranho e duvidoso.
Nas imagens publicadas podemos ver as diferenças entre as
Nossas Senhoras, a vedação da capela e outros pormenores, como até um quadro de
escola e uma imagem de Santo António no vão superior do altar.
À sua guarda tinha um militar, sacristão, e os atos
religiosos eram celebrados por um Alferes Miliciano Capelão que faziam parte do
efetivo orgânico da CCS. São recordados alguns nos comentários com o alferes
Capelão Padre Luís Silva, o Cabo Hipólito Sousa que tinham a “superior função
de tomar conta do tresmalhado rebanho”, como refere o Furriel Milº. Leandro
Guedes.
Já agora, a informação de Jorge Barbosa da CCAV 2842, que
rendeu a CCAC 2324, em Fulacunda, sobre a imagem de Nossa Senhora de Fátima da
sua Companhia “quando acabámos a comissão, em dezembro de 1970, a imagem foi
embalada e colocada num dos caixotes, seguindo para Bissau, para aguardar
embarque. Porém, em Bissau, a imagem tinha desaparecido. Viemos sem ela.”
Apesar de ser um templo religioso não escapou aos ataques
que o aquartelamento sofria, mas com uma curiosidade que a imagem de Nossa
Senhora nunca foi atingida, como aconteceu no do dia 24 de Dezembro de 1968 e
em 23 de Março de 1970.
Sabe-se que tal como todo o aquartelamento de Tite, a
capela, infelizmente, foi abandonada e, aos poucos, caiu em ruínas e perdeu-se
este templo católico existente durante a Guerra do Ultramar na Guiné, como se
pode ver numa fotografia.
A fotografia mais antiga é do ano de 1963 e é de salientar
uma das fotografias acompanhada do texto:
“Recordando… TITE ano 67
Uma capelinha, no denso matagal, cortou-se o capim, à volta
e alisou-se o terreno. A alguns metros à frente, encontra-se o arame farpado
exterior. Depois dele… é. capim e mata
de onde os “nossos amigos turras” tantas vezes nos têm tentado alvejar. O
ambiente é típico de toda a Guiné.”
Assina (Luís Manuel Dias)
Existem fotografias histórica que nos recordam como era a
capela.
• Uma foto histórica da Capela de Tite – 1963
• Aspeto da capela do início da Guerra da Guiné. A foto é de
Correia dos Santos que esteve em Tite no STM na altura do BCAÇ 237 que esteve
em Tite entre Julho 1961 a Outubro 1963.
• De um facto, diz Jorge Barbosa que “num ataque feito ao
nosso aquartelamento às 20:05 horas do dia 23 de março de 1970, a capela foi
atingida, um projétil furou a chapa de zinco de telhado, o interior da capela
ficou cheio de marcas de estilhaços, mas a imagem de Fátima ficou incólume.”
• No interior, imagem pertencente a Silva Esteves, 1°. Cabo
radiotelegrafista do BCAÇ 1860.
• Local coberto para escola, cinema e capela. Foto de Santos
Oliveira, Sarg. Milº A. Pes./Ranger, Pel. Indep. de Morteiros 912.
• Fotografia do autor do texto de 1968/69, da CCAÇ 2314.
• Foto comparativa da Capela de Tite e Fulacunda.
Atualmente, Tite pertence à Diocese de Bafatá e tem uma
capela nova.
1 de Julho de 2026.
JT/ Coronel
quarta-feira, 1 de julho de 2026
A Capelinha de Tite
Fotografia da Capelinha de Tite, comentada e assinada pelo Luis Manuel Dias. Ano de 1967, há 59 anos.
Humberto Marques
Lembro me muito bem desta capela numa época mais recente em
72 a 74 pois assisti á Santa missa varias veses tinhamos um padre Capelão que
também jogava futebol com nós um abraço para todos os ex combatentes sem
exceção
---
Nicolau Esteves
Sinceramente não me lembro se essa capela já estava lá no
meu tempo.
Passei por lá mais ou menos um ano.
Abril de 65 a 66.
Comp.cacadores 797 batalhão 1860 abraço pra todos
---
Jorge Gouveia
Nicolau Esteves eu estive em 66/68 primeiro com o Bat 1860 e
depois com o 1914 e já estava a capela
---
Joao Germano
Conheço TITE 69/70 Saudações
terça-feira, 30 de junho de 2026
Mais um artigo do Luis Manuel Dias
''A Matilha''…
Há 9 anos - 25Fev17 – partilhei convosco, Amigos e Ledores,
o que abaixo está.
Hoje, torno a publicá-lo, pelo encanto, graça, originalidade
e ironia, tão precisos no tempo que percorremos, que vamos vivendo…
Lêde, então:
-
Ao jeito de chiste, basta ironia, humor satirizante, para
quem fazia mister na época os ouvir, eis o que lhes ’deixaram’ Antero de
Quental, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e Guerra Junqueiro
um dia, à mesa de restaurante (onde se saciavam e refrescavam com 'licor da
lusa vinha', q. b.):
-- ''Quem muito ladra, pouco aprende'' - Antero de Quental;
-- ''Escritor que ladra não morde'' - Oliveira Martins;
-- ''Dentada de crítico cura-se com pêlo do mesmo crítico''
- Ramalho Ortigão;
-- ''Cão lírico ladra à lua; cão filósofo aboca o melhor
osso'' - Eça de Queirós;
-- ''Cão de letras - cachorro!'' - Guerra Junqueiro.
E, ‘peça final' dos cinco amigos e comensais:
- ''São cinco cães, sentinelas - De bronze e papel almaço; -
De bronze para as canelas, - De papel para o regaço.'' --- ''A Matilha''.
-
(Minha Nota: Os parêntesis, como observarão, reproduzem
fidedignamente o 'original' - dos cinco magníficos e predilectos Poetas e
Escritores Portugueses meus. Deles, com frequência e em ordem a correctamente
nos expressarmos, deveríamos compulsar as obras.
LÊ-LOS será, no modesto, sincero, meu entender, a MELHOR,
quiçá a MAIOR HOMENAGEM que podemos prestar-lhes!
Leiam-nos, pois!)
(LMD, 25Jun26)
quinta-feira, 25 de junho de 2026
Poemas apõs a operação ao coração - Luis Manuel Dias
Luis Manuel Diaspublicou noBart Tite - Guiné
Há 4 anos publiquei ‘’Quisera Ser… Assim’’, este soneto.
Hoje, relendo-o, sinto o mesmo que então, um ímpeto vero.
Assim, o reponho, para releitura duns e, decerto, prima
leitura de muitos!
Abraço, a todos vós, Meus Amigos e Ledores, com suma
amizade.
(LMD, 25.06.26)
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HOJE, POESIA!
Dela me direis, Amigos Meus, quanto vos tocar.
Bjs e abraços, como uso vo-los distribuir.
À leitura, pois então:
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QUISERA SER… ASSIM!
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‘’Uma mão cheia de nada… outra de coisa nenhuma!’’
(ditado popular)
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Quisera servente ser da fresca lusa língua
Quisera da fala bela outrossim mui amar
Quisera do fadário porventura ser livre
Quisera neste mundo – oh sim! – ir e errar
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Pudesse ao invés mudava tudo do visto
Pudesse ficava lá nada como previsto
Pudesse um aranzel armava estrídulo
Pudesse parado no ar ficava-me acídulo
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Pois sim, me perturba e me agrada a vida
Pois sim, comovido ouço canto e belo som
Pois sim, combato, luto, resisto por bom
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Assim, me sirvo e uso com amor a Pátria
Assim, lhe canto com prazer, endereço loas
Assim e por fim cá resido, na ditosa Mátria!
LMD, 25.06.22.
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N.B.: Não rima, na mór parte, este meu versejar.
Contudo, de mim brotou como o sinto, franco, verdadeiro.
LMD. Ver menos
sábado, 20 de junho de 2026
A homenagem ao combatente Alexandre Leal
Teve hoje lugar a Homenagem ao nosso saudoso amigo ALEXANDRE LEAL do Pelotão Daimler 1131, com a deposição duma placa na sua campa.
A cerimónia simples teve lugar no cemitério de Valadares, em
Vila Nova de Gaia.
Estiveram presentes os seus familiares.
Do BART 1914 estiveram presentes o Jorge Gouveia , o
Barbosa, o Jorge Silva e Esposa e Carla Pinto filha do saudoso Pintassilgo que
era muito amigo do Leal.
Renovamos os nossos sentimentos à familia.
Que o nosso Companheiro descanse em Paz.
Leandro Guedes













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