Muitos Parabéns ao Mestre, neste dia de mais um aniversário.
Que tenhas muita saúde companheiro e boa disposição junto
dos teus familiares e amigos.
Um forte abraçço.
Leandro Guedes.
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
-
"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
-
“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
-
“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
---
"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
Muitos Parabéns ao Mestre, neste dia de mais um aniversário.
Que tenhas muita saúde companheiro e boa disposição junto
dos teus familiares e amigos.
Um forte abraçço.
Leandro Guedes.
O seguinte texto é da autoria do Pica Sinos, a quem agradecemos:
HISTORIA QUE FALTAVA CONTAR
EMBORA NÃO HOUVESSE ESCARAMUÇAS FISICAS GENERALIZADAS, NO
MOMENTO DA ENTREGA DAS COLHEITAS AGRICOLAS EXISTIA SEMPRE UM CENÁRIO DE ENORME
TENSÃO PESICOLOGICA E VERBAL
O camponês guineense
passava o ano inteiro a quebrar as costas a cultivar a terra debaixo de um sol
abrasador e de um clima tropical implacáveis, a carregar sacos de arroz e
mancarra (amendoim) por quilómetros a fio, para depois ser enganado e ser
reduzido a um risco de lápis num perpétuo rol de dívidas.
Se a memória não me falha nos anos de 1967/69 estacionado na
Guiné-Bissau/Tite, mobilizado obrigatoriamente para a guerra colonial, grande
parte dos camaradas sabiam da vivência dos naturais e das suas ocupações
profissionais sobretudo na agricultura. Sabíamos quanto eram explorados dando
lugar a graves desentendimentos entre os agricultores e o comerciante Silva que
sem rebuço chamava o chefe de posto, (uma espécie de policia) para colocar
"ordem" na discussão a seu favor.
Este estabelecimento, que apelidávamos como "tasca do
branco Silva", funcionava como sucursal da casa Gouveia do Grupo Cuf!
Sucursal esta considerada como importante entreposto de receção, escoamento e
comercialização dos produtos agrícolas e florestais fundamentalmente; o arroz,
a mancarra, (amendoim).
Fora do contexto monopolista, para sua subsistência, os
agricultores, cultivavam em pequenas áreas de terreno, outros produtos
agrícolas a saber: a mandioca, a batata-doce, o milho, o feijão, etc., cuja
aceitação, na loja, ficava ao critério do comerciante Silva.
NO ROL OFICIAL DE DIVIDAS E PELO LIVRO DE FIADO DO COLONO
(TAMBÉM CONHECIDOS POR PONTEIROS OU COMERCIANTES) OBRIGATORIAMENTE FICAVAM
AGARRADOS À LOJA POR IMPOSSIBILIDADE PERPETUA DO PAGAMENTO
Dizia-se, na década em referência, ser comum em toda a
Guiné-Bissau, os comerciantes (com raras exceções) pagarem as colheitas do
arroz e do amendoim abaixo do valor máximo estabelecido pelo governo colonial.
Atento não poucas vezes tive oportunidade de ouvir gritos e
discussões ruidosas provenientes do balcão da recolha dos produtos agrícolas
acusando, os agricultores, o comerciante de roubo por usar medidas de peso
manipuladas com vistas a pagar menos do que estava estabelecido pelo governo
colonial!
Os agricultores não tinham dinheiro, o valor dos produtos
agrícolas entregues eram registados no rol oficial do governo, assim como o
valor dos produtos que o agricultor necessitava do ponto vista profissional e
ou para sua subsistência: Sementes, enxadas, catanas, candeeiros, petróleo,
sal, café, sabão, panos, vinho, aguardente etc. Os valores destas e outras
mercadorias eram registados em colunas de deve e haver em caderno de rol
oficial e do comerciante, ficando o deve com valores bem acima do haver! O Que
implicava dizer que os agricultores ficavam eternamente " presos "
àquela sucursal.
Regressei em Março de 1969
Raul Pica Sinos
Agosto de 2026"
Amigos que têm gosto em possuir as Medalhas das Campanhas de Africa, Cartão do Antigo Combatente e Crachá do Antigo Combatente, esqueçam a morada que dei nos artigos anteriores (vou retirá-las para não criar confusões.)
Imprimem o requerimento abaixo, preencham-no e enviem-no por
correio azul (ou correio verde) para o Arquivo Geral do Exército, dirigido
ao Sr. Chefe do Estado Maior do
Exército.
Não se esqueçam de enviar fotocopia da caderneta militar.
Se acharem melhor mandem em correio registdo.
******************
Arquivo Geral do Exercito
Largo de Chelas (Antigo Convento)
1949-010 LISBOA
Exmo. Sr. Chefe de Estado Maior do Exército
Nome completo ______________________________________________
estado civil ________________
Filho de _____________________________________
_______________
e de
________________________________________________________
Residente em morada
atual e completa ____________________________________________________________
Código postal completo com os sete algarismos
_____________________
Contacto telefónico ___________________ email
____________________
Nascido a _____/______/___, na freguesia de
_______________________ concelho de ____________________________ portador do
cartão de cidadão nº. ______________
Válido até ________/_____/_________ prestou serviço militar em
(província ultramarina) ________________ de ___/___/___ até ___/___/___. Nº. mecanográfico
___________________
Vem requerer a V.Exa que lhe seja concedida
Pede deferimento
Local_________________ data_____de _______________ do ano de
2024
Assinatura _______________________________________
Nota – 1)- Junto envio fotocopias da caderneta militar;
2)- Gostaria que a cerimonia de entrega fosse numa
Instituição Militar ou num Monumento de Homenagem aos Herois do Ultramar, para
ter Dignidade.
Muito obrigado.
Os meus cumprimentos.
Nesta foto está o Alf Vaz Pinto (já falecido) comandante do Pelotão Daimler 2044 e vários militares do seu Pelotão Daimler e do Pelotão de Morteiros 1208.
"Camaradas, tenho visto muitos relatos de desespero pela
falta de resposta dos serviços do ministério sobre a entrega dos cartões. Soube
aqui de casos em que recorrer à Secretaria‑Geral do Ministério da Defesa Nacional resultou em resposta e até na resolução de
problemas.
Pica Sinos"
PASSE GRATUITO NOS TEANSPORTES PÚBLICOS A NÍVEL NACIONAL
O Presidente da República promulgou, esta quarta-feira, dia
12 de agosto, o Decreto da Assembleia da República que estende o direito ao
transporte público gratuito para os antigos combatentes e viúvas/os a todo o
território nacional, alterando a Lei n.º 46/2020, de 20 de agosto, e publicado
no DR em 19 de agosto.
Após a publicação em Diário da República, entra-se na fase
de articulação com os operadores de transportes e de implementação prática da
medida a nível nacional. Uma vez que a operacionalização técnica exige a
adaptação dos sistemas e dos títulos de transporte, por isso vamos a aguardar esta articulação.
Lei n°. 52/2026, DR de 19 de agosto— em Gouveia.
Coronel Trabulo
Os nossos agradecimentos a todos os que enviaram alertas para este assunto.
Temos de esperar pelo Orçamento de Estado para 2027 e logo se verá.
Por esta altura do ano, estas fotos (são algumas que guardo) fazem 59/60 anos de uma comissão de serviço militar na Guiné-Bissau na CCS BART 1914 (1967/1969). Nesta data eu teria 20/21 anos.
AVEIRO - Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, junto à estação da CP, no inicio da Avenida Dr. Lourenço Peixinho.
Este resumo da Câmara de Montalegre e Junta de Freguesia do Salto, descreve bem o que foi a passagem do Alf. Carvalho por Tite, no tempo do BART 1914.. (Agradecimento ao Jorge Gouveia pela partilha, fundamentada em página devidamente identificada).).
Importa dizer que o Alf. Carvalho era também, o responsável
da Arma de Transmissões em Tite:
IN MEMORIAM: Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes de Carvalho (Guiné: 1967–1968)
Recordamos e prestamos homenagem ao Alferes Miliciano de
Infantaria José Antunes de Carvalho, natural de Salto (Montalegre), que
combateu na Guerra do Ultramar e deu a vida ao serviço de Portugal.
A 8 de Abril de 1967, embarcou no NTT ‘Uíge’ rumo à Guiné
Portuguesa, integrado no Batalhão de Artilharia 1914. Em março de 1968,
voluntariou-se para comandar um Grupo de Combate do tipo comandos ("boinas
verdes"), revelando excecional coragem e liderança sob fogo.
Notabilizou-se pela bravura em várias ações operacionais:
• Defesa do Aquartelamento (2 Mar 1968): Debaixo de pesado
fogo de morteiros, percorreu as tabancas para organizar o seu grupo e repelir o
inimigo.
• Op. "Quitina", "Corsário Negro" e
"Novilhada": Actuação destemida na vanguarda do combate.
Tragicamente, no dia 4 de Setembro de 1968, em Tite, faleceu
num fatídico acidente com arma de fogo durante uma sessão de instrução com
dilagramas.
Pelo seu heroísmo, foi agraciado a título póstumo com a Cruz
de Guerra de 3.ª Classe. A 15 de Agosto de 1992, durante uma emocionante
homenagem em Salto com Honras Militares, foi descerrada a lápide em sua memória
com a promessa solene: «JAMAIS SERÃO ESQUECIDOS».
Repousa na sua terra natal. Honra à sua memória e ao seu
sacrifício!
Para visualizar o conteúdo clique no URL que se segue:
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#InMemoriam #GuerraDoUltramar #CruzDeGuerra #Montalegre
#Salto #ExércitoPortuguês #HistóriaDePortuga
Alferes Mil.º de Infantaria, n.º 00316962
Comandante do Grupo de Combate «BOINAS VERDES» da Companhia
de Comando e Serviços
Batalhão de Artilharia 1914, «SEM TEMOR»
Guiné: 13Abr1967 a 04Set1968 (data do falecimento)
Em Memória
(CCS/BArt 1914 – RAL 1 | Guiné 1967–1968)
Condecorado com a Cruz de Guerra de 3.ª Classe (Título
Póstumo)
1. O Chamamento, o Embarque e a Partida para o Ultramar
A história do Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes
de Carvalho é o retrato vivo do patriotismo, da bravura e da abnegação de uma
geração colocada à prova no teatro de operações do Ultramar. Natural de Salto,
no concelho de Montalegre, filho de Luciano Fernandes de Carvalho e de Joana da
Conceição Antunes, trouxe do Barroso transmontano a têmpera, o caráter nobre e
a coragem moral que viriam a pautar cada dia da sua vida militar.
Casado com D. Sara Maria Ramires Paulo de Carvalho, deixou
para trás a família e o aconchego do lar para cumprir o dever militar.
Mobilizado pelo Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1), em Lisboa, foi
integrado na Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Artilharia
n.º 1914.
No dia 8 de Abril de 1967, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou a bordo do Navio Transporte de Tropas
(NTT) ‘Uíge’. Ao som dos apitos do navio e dos acenos de despedida no cais,
partiu rumo à Guiné Portuguesa, desembarcando a 13 de Abril de 1967 no estuário
do Geba, em Bissau.
2. O Exemplo em Combate: Ações de Bravura na Guiné
Em terras da Guiné, o Alferes Antunes de Carvalho
destacou-se desde muito cedo pelas suas excecionais qualidades humanas,
militares e de liderança sob fogo. Em princípios de Março de 1968, impulsionado
por um incontornável espírito de missão, ofereceu-se voluntariamente para
comandar o Grupo de Combate tipo comandos ("boinas verdes"),
assumindo a vanguarda dos cenários de maior risco.
A sua passagem pelo teatro de operações ficou marcada por
feitos de invulgar determinação:
Defesa do Aquartelamento (2 de Março de 1968): Durante uma
intensa flagelação inimiga ao aquartelamento, e mesmo debaixo de pesado fogo de
metralhadora e morteiros, correu sem hesitar por todas as tabancas em redor do
quartel para reorganizar o seu grupo de combate e sair em perseguição do
inimigo.
Operação "Quitina" (30 de Abril de 1968): Na zona
de Galamã, Bila e Louvado, seguindo à testa da coluna com o seu Grupo de
Combate, foi invariavelmente o primeiro a reagir com firmeza a todos os
contactos com o inimigo, batendo-o pelo fogo e pondo-o em debandada.
Operação "Corsário Negro" (18 a 19 de Junho de
1968): Nas regiões de Nova Sintra, Serra Leoa e Baduco, demonstrou um empenho
incansável. Mesmo gravemente doente, aguentou corajosamente quase todo o
decorrer da operação. Apenas aceitou ser evacuado quando totalmente exausto,
deixando bem patente o seu desgosto e amargura por não poder ir até ao fim ao
lado dos seus homens.
Operação "Novilhada": Na zona de Jufá, voltou a
demonstrar uma agressividade tática e determinação ímpares, acorrendo sempre
aos pontos mais críticos sob intenso fogo adversário.
Por todos estes atos de bravura e liderança em campanha,
conquistou a profunda admiração e o respeito dos seus camaradas, dos seus
superiores e da própria população nativa.
3. A Tragédia de Tite: A Memória e o Sacrifício Partilhado
de 4 de Setembro de 1968
Entre os vitimados encontrava-se o oficial instrutor,
Alferes Carvalho, um jovem promissor na casa dos vinte anos, recordado como um
oficial brilhante e um homem de honra. A sua partida precoce deixou uma
profunda marca entre os seus camaradas de armas. Os seus restos mortais
repousam hoje na sua terra natal, no Cemitério Paroquial de Salto, concelho de
Montalegre, mantendo viva a memória do seu sacrifício perante a Pátria.
A mesma fatalidade tirou igualmente a vida a dois jovens
soldados guineenses, mobilizados pelo CTIG e integrados na Companhia de Comando
e Serviços (CCS/BArt1914), cujos nomes e origens cumpre honrar e preservar:
Adulai Baldé, Soldado Atirador (n/m 82053767), solteiro,
natural de Santa Isabel, freguesia da circunscrição de Nova Lamego, filho de
Bacar Demba Baldé e de Cadijatú Baldé.
Bacar Jaló, Soldado Milícia (n.º 52/65), solteiro, natural
de Santo António de Bula, circunscrição de Cacheu, filho de Dana Dacar e de
Rita Dacar.
Ambos os soldados guineenses ficaram inumados no talhão
militar do cemitério de Tite, em solo africano.
Este trágico acontecimento une, no mesmo tributo e na mesma
dor, homens de origens distintas irmanados pelo cumprimento do dever. Que a
história e a memória coletiva continuem a guardar o devido respeito e
reconhecimento à sua entrega.
4. Reconhecimento Póstumo
A Pátria não esqueceu o sacrifício do Alferes Carvalho.
Por Portaria de 31 de Janeiro de 1970 (publicada na Ordem do
Exército n.º 4 – 2.ª série, de 1970), foi-lhe atribuída, a título póstumo, a
Cruz de Guerra de 3.ª Classe, louvando as suas excecionais virtudes e
considerando os seus serviços em campanha como extraordinários, relevantes e
distintos.
Os seus restos mortais repousam hoje na sua terra natal, no
Cemitério Paroquial de Salto (Montalegre).
5. Perpetuação da Memória: A Lápide de 15 de Agosto de 1992
Vinte e quatro anos após a sua morte, no dia 15 de Agosto de
1992, a comunidade de Salto prestou uma sentida homenagem pública aos
ex-combatentes mortos na Guerra do Ultramar. Num ato solene marcado pelo
desfile da Fanfarra da Região Militar Norte e por Honras Militares junto ao
cemitério, foi descerrada na sua terra natal uma lápide comemorativa em granito
gravada a ouro.
Nela ficou para sempre imortalizada a memória do Alferes
José Antunes de Carvalho, acompanhada da promessa solene que une toda a
comunidade e a Nação:
"Honorável na conduta, destemido no combate e leal aos
seus camaradas, o Alferes Miliciano José Antunes de Carvalho permanece vivo na
memória de Salto, do Barroso e da História de Portugal."
O Senhor Coronel João Manuel
Pais Trabulo , da CCAÇ 2314, completa hoje mais um aniversário.
Muitos parabéns amigo.
Que conte muitos mais, junto
dos seus familiares e amigos, sempre com saúde e boa disposição.
Um excelente dia de
aniversário é o que lhe desejamos.
Um forte abraço.
Leandro Guedes.
Esclarecimento de Jorge Carvalho, a quem agradecemos. Muito obrigado.
"Para que não haja confusões, nada melhor do que a
fotografia original para comprovar uma verdade factual. O que se vê é uma parte
significativa dos prisioneiros - o Alferes é o quinto da primeira fila, vestido
com uma camisa da Marinha - na LFG (Lancha Fiscalização Grande) “DRAGÃO” já na
Ilha de Soga (Bijagos). Alguma dúvida, façam favor."
"Felizmente, eu NÃO fui capturado, logo NÃO faço parte da lista dos prisioneiros resgatados. Isso sim, fazia parte da guarnição da unidade em presença que participou na Operação Mar Verde.
Jorge Carvalho
ESTE TEMA TEM DADO MUITO DEBATE QUE É DIFICIL REPRODUZIR AQUI. POR ISSO O MELHOR É IR AO FACEBOOK
ASSIM, QUEM QUISER LER OS DEBATES, ALGUNS FORA DO CONTEXTO, DEVE FAZER DA SEGUINTE MANEIRA:
Escreve na janela do Google o link acima indicado e acedes à página dos arquivos da RTP
Além da entrevista ao alf. Rosa e Major Lobato , tem também intervenção do Capitulo.
E ainda biografia do Gen Spinola e outras situações de interesse .
A Fuga - Alferes António Júlio Rosa e Major Lobato
A FUGA
Há coisas que não podemos
deixar cair em saco rôto, para que os vindouros saibam o que foi a guerra do
Ultramar, principalmente os factos que nos foram mais próximos.
Relembro aqui dois excertos
do livro MEMÓRIAS DE UM PRISIONEIRO DE GUERRA (pag. 109), da autoria do saudoso
Alferes António Júlio Rosa, da CART 1743, em que ele relata (edição de 2003),
uma tentativa de Fuga de alguns companheiros de infortúnio entre eles o major
piloto aviador António Lobato, recentemente falecido, dos calabouços da prisão
de Kindia, da Guiné Conakry em 1969, um ano e um mês depois do desastre de
Bissássema.
“Na tarde do dia 3 de março
de 1969, estava bastante nervoso. Havia o receio de que alguma coisa corresse
mal e que o plano falhasse. No caso de isso acontecer, tudo se complicaria e
todos deixariam de confiar em nós. De qualquer modo, era meu dever arriscar. E
foi isso que fiz. Se fosse hoje, a minha decisão seria idêntica àquela.
Às dezoito horas eu e o Vaz
estávamos preparados!... Tínhamos a chave e o elo. O Lobato ocupou a posição
estratégica, no corredor da cela dos “intelectuais”. O Vaz subiu para o
depósito sem problemas!... A seguir era a minha vez!... Olhei para o meu companheiro!...
Tudo estava normal!... Em poucos segundos também eu estava no interior do
depósito. A nossa sorte estava lançada!...
Teríamos de esperar cerca de
quarenta e cinco minutos pelo nosso camarada Lobato. Quando subi, tive tempo de
observar o exterior da prisão.Havia poucas casas, algumas árvores e não vi
ninguém nas redondezas.
Aquele espaço de tempo
pareceu-nos uma eternidade!... Por fim, ouviu-se um leve ruído nas colunas, e
logo de seguida, surgiu a cabeça do Lobato, que, rapidamente saltou para dentro
do depósito, onde ficámos os três, sentados no fundo do nosso esconderijo. Ninguém
se apercebera do desenrolar da primeira acção. Estava tudo a correr bem!...
…………..
O Lobato disse-nos então que
não tinha comido e que despejara o arroz do jantar num balde. Dizia ele que os
nervos eram tantos que até tinha perdido o apetite!... Por fim a porta foi
fechada no momento em que a noite começava a cair.
……………
Embrenhamo-nos no mato e
(passados alguns dias), e decorridos dois quilómetros, a vegetação fez-nos
regressar à estrada. Não fizemos mais de cem metros quando, de um lado e do
outro da mata, se acenderam lanternas eléctricas. Fiquei sem ver, com tamanho luzeiro
e, nos segundos imediatos, senti-me agarrado… Um fio metálico aflorou à minha
garganta… era uma catana encostada ao meu pescoço!... Os meus companheiros
também estavam imobilizados. Tínhamos sido capturados!...
……………………
A LUZ AO FUNDO DO TÚNEL… A
LIBERDADE!... (pag. 149)
(Após a libertação a 21 de Novembro de 1970)
Caminhámos durante quinhentos metros, até que chegámos à praia!... No areal só
restavam dois barcos de borracha!... Os outros já tinham partido!... O
comandante do grupo de assalto comunicava com o rádio. Ouvi o que ele disse:
Libertámo-los todos!... Missão cumprida!...”
--
Leandro Guedes-
Nesta altura em que alguém relata o sofrimento do Major Piloto Aviador António Lobato, recordamos os nosso amigos da CART 1743, que com ele conviveram na Prisão na Guiné-Konakri, Alf. António Julio Rosa e radiotelegrafistas Capitulo e Contino, após a suas capturas em Bissassema pelo IN, transcrevendo o relato feito pelo saudoso José Justo no seu diãrio:
"... Acordei com o barulho provocado pela entrada de
roldão do alferes Carvalho pelo nosso quarto dentro, n’uma excitação que na
altura não compreendi. Falava, ou melhor , gritava ordens, pragas e gesticulava
imenso. Poucos minutos bastaram para me aperceber do que se passava.
...Bissassema tinha sido tomada e ocupada pelas tropas do PAIGC, e a s nossas
forças retiraram desordenadamente em consequência de numeroso grupo do IN, que
tinha atacado com uma força e efectivos enormes. Tinha-mos sido avisados pelo
Gomes Furriel de TMS, que tinha ido bem como o Contino Op. Cripto e o Capitulo
Rádio-Telefonista, formar a secção de TMS e Cripto no destacamento para
contacto com o nosso Batalhão. Dar um exemplo do aspecto do Gomes é dificil.
Branco, mortalmente branco, tremendo e mal conseguindo articular as palavras
que lhe saiam inaudíveis, conseguiu por alto relatar alguns pormenores do que
foi uma das piores derrotas militares sofridas pelas nossas forças. Pelas
primeiras impressões, temia-se que tanto o Contino como o Capitulo tivessem
caído nas mãos dos “turras”. Mais tarde tivemos a confirmação, quando de manhã
começaram a chegar os que tinham conseguido iludir a vigilância dos
guerrilheiros e puderam regressar a Tite. Chegaram fugidos ao Enxudé, vindos da
vários caminhos, pois poucos conheciam o caminho exacto, tendo também que
evitar caminhar em direcção que lhes fosse desfavorável por levar a
acampamentos do IN. O que vi quando ao procurar noticias de tudo e todos os
camaradas, será uma imagem que nunca mais esquecerei. Rostos que tinha visto
sorrir, estavam marcados pelos vincos profundos da dor, do desespero e
desanimo. As lágrimas que lhes vi na face, os olhos vermelhos e inchados,
cobertos de lama e na maioria descalços e rotos, parecendo figuras de filmes de
terror, com forças apenas para agarrarem desesperadamente a G3, a sua própria e
única salvação para manter a vida, quando em redor somente a morte. Para mais
esses, que vi entrarem à porta de armas do quartel de Tite, na manhã de 3 de
Fevereiro de 1968 vão as lágrimas que não derramei, mas que verdadeiramente
senti...
in diario de José Justo."
nota - recordamos aqui também o furriel Cardoso,
desaparecido no rio, naquela fatídica noite.
Homenagem aos Militares Portugueses está em Portugal.
·
António Lourenço de Sousa Lobato nasceu a 11 de março de
1938, na aldeia de Sante, Melgaço. Alistou-se na Força Aérea em 1957, recebeu
as suas asas em 1959 e partiu para a Guiné em 1961. Tinha 22 anos.
A 22 de Maio de 1963, o seu avião foi forçado a aterrar em
zona inimiga. Foi agredido à catanada. Capturado pelo PAIGC.
E desapareceu.
Durante sete anos e meio foi mantido preso numa masmorra em
Conacri. Mudou três vezes de prisão. Tentou fugir três vezes. Foi recapturado
três vezes.
O próprio Amílcar Cabral foi visitá-lo à prisão. Propôs-lhe
a liberdade — em troca de uma mensagem a denunciar a guerra.
António Lobato recusou, dizendo:
“Com que cara é que eu chegava ao largo da minha aldeia?”
Nunca traiu. Nunca cedeu. Nunca se vergou.
Em 22 de Novembro de 1970, a Operação Mar Verde resgatou-o —
juntamente com outros 25 prisioneiros portugueses. Era o militar português que
mais tempo passou em cativeiro em toda a Guerra do Ultramar.
Regressou. Voltou a voar. Porque voar era o que mais amava.
Faleceu a 8 de Março de 2024, aos 85 anos.
🎖️ Major Piloto-Aviador
António Lobato — o homem que o inimigo não conseguiu dobrar.
🎙️ Conheces um militar
com uma história que merece ser contada? Escreve nos comentários ou envia
mensagem privada. Juntos preservamos a memória de quem defendeu a nossa Pátria.
🇵🇹
👇 Partilha se tens
orgulho nos militares portugueses.
“Jesus sem-abrigo” assinala o Dia Mundial dos Pobres no Santuário de Fátima.
Esta marcante escultura encontra-se na alameda frente ao
santuário do lado esquerdo, quem sobe.
Numa das imagens Cristo está deitado num banco dum jardim
como qualquer sem abrigo
Noutra imagem veem-se os pés de Jesus e as suas chagas.
Por último Jesus está tapado com uma manta, vendo-se parte
do seu rosto por baixo da mesma.
Leandro Guedes.