CAPELA DE TITE - GUINÉ
Vamos lá ver se recordamos e contamos um pouco do historial
da Capela de TITE e da sua imagem de Nossa Senhora.
Lemos, relemos e comparámos vários comentários e informações
sobre a capela e a imagem de Nossa Senhora, cuja imagem alguns a confundiram
com a imagem de Nossa Senhora de Fátima que estava na capela de Fulacunda. Os
mais de 60 anos que já passaram, leva-nos por vezes a pequenas confusões.
Quanto às imagens de Nossa Senhora poderá certamente ter
havido várias, mas capelas só havia duas, uma em Tite e outra em Fulacunda!
A Capela de Tite estava situada fora do aquartelamento, na
tabanca, num local por onde passava a estrada que ligava Tite a Nova Sintra, à
sombra de uma árvore de grande porte, conforme é facilmente visível nas
fotografias existentes.
Era ampla e de um só corpo. Tinha um altar, coberta por um
teto de folhas de zinco, com uma cruz, suportado por 7 pilares, primeiro de
madeira (cibes) e depois de betão pintados de branco. Inicialmente, sem muro em
volta (1964/65) e depois com muro em alvenaria ou feito em madeira de arcos de
pipos (1963).
No seu interior, havia bancos corridos de madeira que não só
eram utilizados para as cerimónias religiosas, mas também para outras
atividades pois era um espaço polivalente que servia como capela, escola,
creche, sala de reuniões, cinema, etc.
Estava sempre muito bem limpa, cuidada e com o altar
ornamentado, onde tinha um nicho para a imagem de Nossa Senhora e um Cristo
cruxificado.
Pensamos pelas informações que recolhemos que terá sido
construída no início em que os militares guareceram o aquartelamento.
Com base na informação de Santos Oliveira, a capela de Tite,
terá sido começada a construir pelo BCAÇ 237 e terminada pelo BCAÇ 599, na
sobreposição da rendição daquelas duas Unidades nos finais do ano de 1963. Ao
longo dos tempos foi beneficiada e, principalmente, a imagem inicial, a
Imaculada Coração de Maria, foi substituída pela de Nossa Senhora de Fátima,
bem como foi construído um altar em madeira avançado.
Tinha uma parede de suporte, com duas aberturas onde existia
um nicho para a imagem de Nossa Senhora e uma ampla área coberta, separadas por
um reposteiro conforme a sua utilização.
A questão das imagens de Nossa Senhora, quer da capela de
Tite quer de Fulacunda, entende-se que, para além delas, algumas companhias
tinha a sua imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Há quem diga que a imagem de Nossa Senhora de Fátima de Tite
foi levada para Fulacunda, que, no nosso entender, é estranho e duvidoso.
Nas imagens publicadas podemos ver as diferenças entre as
Nossas Senhoras, a vedação da capela e outros pormenores, como até um quadro de
escola e uma imagem de Santo António no vão superior do altar.
À sua guarda tinha um militar, sacristão, e os atos
religiosos eram celebrados por um Alferes Miliciano Capelão que faziam parte do
efetivo orgânico da CCS. São recordados alguns nos comentários com o alferes
Capelão Padre Luís Silva, o Cabo Hipólito Sousa que tinham a “superior função
de tomar conta do tresmalhado rebanho”, como refere o Furriel Milº. Leandro
Guedes.
Já agora, a informação de Jorge Barbosa da CCAV 2842, que
rendeu a CCAC 2324, em Fulacunda, sobre a imagem de Nossa Senhora de Fátima da
sua Companhia “quando acabámos a comissão, em dezembro de 1970, a imagem foi
embalada e colocada num dos caixotes, seguindo para Bissau, para aguardar
embarque. Porém, em Bissau, a imagem tinha desaparecido. Viemos sem ela.”
Apesar de ser um templo religioso não escapou aos ataques
que o aquartelamento sofria, mas com uma curiosidade que a imagem de Nossa
Senhora nunca foi atingida, como aconteceu no do dia 24 de Dezembro de 1968 e
em 23 de Março de 1970.
Sabe-se que tal como todo o aquartelamento de Tite, a
capela, infelizmente, foi abandonada e, aos poucos, caiu em ruínas e perdeu-se
este templo católico existente durante a Guerra do Ultramar na Guiné, como se
pode ver numa fotografia.
A fotografia mais antiga é do ano de 1963 e é de salientar
uma das fotografias acompanhada do texto:
“Recordando… TITE ano 67
Uma capelinha, no denso matagal, cortou-se o capim, à volta
e alisou-se o terreno. A alguns metros à frente, encontra-se o arame farpado
exterior. Depois dele… é. capim e mata
de onde os “nossos amigos turras” tantas vezes nos têm tentado alvejar. O
ambiente é típico de toda a Guiné.”
Assina (Luís Manuel Dias)
Existem fotografias histórica que nos recordam como era a
capela.
• Uma foto histórica da Capela de Tite – 1963
• Aspeto da capela do início da Guerra da Guiné. A foto é de
Correia dos Santos que esteve em Tite no STM na altura do BCAÇ 237 que esteve
em Tite entre Julho 1961 a Outubro 1963.
• De um facto, diz Jorge Barbosa que “num ataque feito ao
nosso aquartelamento às 20:05 horas do dia 23 de março de 1970, a capela foi
atingida, um projétil furou a chapa de zinco de telhado, o interior da capela
ficou cheio de marcas de estilhaços, mas a imagem de Fátima ficou incólume.”
• No interior, imagem pertencente a Silva Esteves, 1°. Cabo
radiotelegrafista do BCAÇ 1860.
• Local coberto para escola, cinema e capela. Foto de Santos
Oliveira, Sarg. Milº A. Pes./Ranger, Pel. Indep. de Morteiros 912.
• Fotografia do autor do texto de 1968/69, da CCAÇ 2314.
• Foto comparativa da Capela de Tite e Fulacunda.
Atualmente, Tite pertence à Diocese de Bafatá e tem uma
capela nova.
1 de Julho de 2026.
JT/ Coronel
Atualmente, Tite pertence à Diocese de Bafatá e tem uma capela nova.
Mesquita Islamica de Tite - • Fotografia do autor do texto de 1968/69, da CCAÇ 2314.