O falecido alferes António Júlio Rosa também escreveu um livro sobre este cativeiro, intitulado "MEMORIAS DE UM PRISIONEIRO DE GUERRA", que muitos de nós têm em seu poder.
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Ex-Combatentes do Ultra-mar , "Veteranos de guerra
" ·
AB Neves
PORQUE ESTE É UM GRUPO DE EX-COMBATENTES.
ANTÓNIO LOBATO - O MAIS LONGO CATIVEIRO DA GUERRA
Com o subtítulo "O mais longo cativeiro da
guerra", este impressionante documento humano relata os longos anos em que
o António Lobato esteve prisioneiro na Guiné Conakry, após ser capturado pelas
forças do PAIGC, durante a Guerra do Ultramar.
Ao longo de 200 páginas, o livro refere o drama físico e
psicológico vivido por um jovem militar português, que durante mais de sete
anos foi capaz de suportar um isolamento extremo num cubículo de dimensões
exíguas, em condições sub-humanas, mas sem perder a esperança de alcançar de
novo a liberdade. Aliás, por três vezes se evadiu, tendo a última escapadela
durado ainda uma curta semana, mas tão longa para quem durante dias e meses a
fio permanecia confinado numa fortaleza sombria e claustrofóbica.
Mas o aspecto talvez mais saliente neste testemunho heróico
tem a ver com a reflexão interior que o protagonista deste drama nos dá a
conhecer, durante as longas horas que era obrigado a permanecer quase estático
num espaço acanhado de quatro por dois passos, na medida do próprio autor. Sem
a vastidão ilimitada do céu por onde se habituara a voar, Lobato é forçado,
para sobreviver psiquicamente a essa provação extrema, a explorar uma outra
dimensão: a do seu próprio ser interior do qual vai aprender a conhecer os
limites ou, melhor ainda, a sua infinita transcendência.
Recusando-se a desistir da vida e escudado na promessa que
fez à sua jovem esposa, nos oito meses que ambos passaram na Guiné "Se
algum dia desaparecer não te preocupes, voltarei sempre." o Lobato
estabelece consigo próprio um diálogo interior que lhe conserva a lucidez e o
vai ajudar a passar os dias sufocantes e sempre solitários.
Ao mergulhar nesta outra dimensão, comum afinal a todos nós,
o prisioneiro revela não apenas a força inabalável do seu carácter, moldado
também na dura disciplina militar, mas dá-nos sobretudo uma lição de
sobrevivência e da admirável capacidade que o Ser Humano tem de se adaptar às
condições mais inóspitas e adversas. Deste modo, e como ele próprio afirma, foi
esta vitória sobre si próprio que o salvou e simultaneamente enriqueceu como
Pessoa, fazendo jus às palavras milenares de Buda, que a proclamou como "a
maior de todas as vitórias".
O livro baseia-se não só nas recordações do seu autor, mas
também nos apontamentos que ele escreveu durante o cativeiro, quando outro
preso importante de uma cela contígua lhe forneceu papel e lápis, o que
permitiu inclusive o envio clandestino de algumas cartas para a família, e até
informações sobre a prisão e várias outras de carácter militar. Parte destes
documentos, incluindo desenhos da topografia local e um esboço do Forte de
Kindia, encontram-se reproduzidos nas 26 páginas do anexo final do livro.
E é só em Novembro de 1970, que a operação secreta "Mar
Verde", durante muito tempo não admitida oficialmente pelo governo
Português, põe fim ao longo cativeiro de Lobato e outros jovens militares
portugueses, entretanto capturados pelo PAIGC. O regresso à Pátria e à família
é apenas ensombrado por essa obrigação de não revelar o "modus
operandi" da libertação, a qual é apresentada como uma fuga bem sucedida,
já que o segredo de Estado assim o determina. Em suma, trata-se de um relato
empolgante pela sua veracidade e que nos revela a faceta oculta da nossa
própria humanidade, quando confrontados com situações limite em que apenas nos
podemos valer de nós mesmos e de mais ninguém. Uns desistem e abandonam-se ao
desespero e à negação, mas outros sempre acalentam o eterno sonho da liberdade
recuperada, se não nos espaços exteriores, pelo menos na ampla vastidão do
querer indómito de uma alma que não se verga a nenhuma adversidade, porque em
si a Vida sabe!
É impossível entender-se de uma só vez todo o muito que está
escrito neste livro. À primeira vêz, devido ao ritmo e emoção dos
acontecimentos relatados, somos tentados a ler rapidamente sem parar.
Inevitávelmente velocidade da leitura tende a fazer-se perder a brilhante
mensagem que vai nas “entre linhas”.
Já tinha a 1ª Edição, a qual tinha lido pelo menos umas 4
vezes nestes últimos anos, donde foi óptimo relembrar tudo outra vêz nesta 5ª
leitura. Especialmente relevante nesta edição é o novo Capítulo VII –
“Post-scriptum” (pag. 233) no qual o António Lobato demonstra uma ilimitada
grandeza ao perdoar os seus carcereiros. Leiam!












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