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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Almoço anual do BART 1914, será dia 22 de Maio de 2027, em Vila Nova de Famalicão.

 Caros amigos. O almoço anual do BART 1914, já mexe. Será em Famalicão dia 22 de Maio de 2027. Breve daremos noticias. Apontem.

Abubacar Diop - reporter em Tite


Clica aqui para veres o video sobre Tite

IN MEMORIAM: Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes de Carvalho (Guiné: 1967–1968)

 




Alferes Carvalho, com equipamento de Futebol, em Tite

IN MEMORIAM: Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes de Carvalho (Guiné: 1967–1968)

Recordamos e prestamos homenagem ao Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes de Carvalho, natural de Salto (Montalegre), que combateu na Guerra do Ultramar e deu a vida ao serviço de Portugal.

A 8 de Abril de 1967, embarcou no NTT ‘Uíge’ rumo à Guiné Portuguesa, integrado no Batalhão de Artilharia 1914. Em março de 1968, voluntariou-se para comandar um Grupo de Combate do tipo comandos ("boinas verdes"), revelando excecional coragem e liderança sob fogo.

Notabilizou-se pela bravura em várias ações operacionais:

• Defesa do Aquartelamento (2 Mar 1968): Debaixo de pesado fogo de morteiros, percorreu as tabancas para organizar o seu grupo e repelir o inimigo.

• Op. "Quitina", "Corsário Negro" e "Novilhada": Actuação destemida na vanguarda do combate.

Tragicamente, no dia 4 de Setembro de 1968, em Tite, faleceu num fatídico acidente com arma de fogo durante uma sessão de instrução com dilagramas.

Pelo seu heroísmo, foi agraciado a título póstumo com a Cruz de Guerra de 3.ª Classe. A 15 de Agosto de 1992, durante uma emocionante homenagem em Salto com Honras Militares, foi descerrada a lápide em sua memória com a promessa solene: «JAMAIS SERÃO ESQUECIDOS».

Repousa na sua terra natal. Honra à sua memória e ao seu sacrifício!

Para visualizar o conteúdo clique no URL que se segue:

https://ultramar.terraweb.biz/Memoriais_concelhos...

#InMemoriam #GuerraDoUltramar #CruzDeGuerra #Montalegre #Salto #ExércitoPortuguês #HistóriaDePortuga




Este resumo da Câmara de Montalegre e Junta de Freguesia do Salto, descreve bem o que foi a passagem do Alf. Carvalho por Tite, no tempo do BART 1914..
Importa dizer que o Alf. Carvalho era também, o responsável da Arma de Transmissões em Tite:

"José Antunes de Carvalho

Alferes Mil.º de Infantaria, n.º 00316962

Comandante do Grupo de Combate «BOINAS VERDES» da Companhia de Comando e Serviços

Batalhão de Artilharia 1914, «SEM TEMOR»

Guiné: 13Abr1967 a 04Set1968 (data do falecimento)

Em  Memória

(CCS/BArt 1914 – RAL 1 | Guiné 1967–1968)

Condecorado com a Cruz de Guerra de 3.ª Classe (Título Póstumo)

1. O Chamamento, o Embarque e a Partida para o Ultramar

A história do Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes de Carvalho é o retrato vivo do patriotismo, da bravura e da abnegação de uma geração colocada à prova no teatro de operações do Ultramar. Natural de Salto, no concelho de Montalegre, filho de Luciano Fernandes de Carvalho e de Joana da Conceição Antunes, trouxe do Barroso transmontano a têmpera, o caráter nobre e a coragem moral que viriam a pautar cada dia da sua vida militar.

Casado com D. Sara Maria Ramires Paulo de Carvalho, deixou para trás a família e o aconchego do lar para cumprir o dever militar. Mobilizado pelo Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1), em Lisboa, foi integrado na Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Artilharia n.º 1914.

No dia 8 de Abril de 1967, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou a bordo do Navio Transporte de Tropas (NTT) ‘Uíge’. Ao som dos apitos do navio e dos acenos de despedida no cais, partiu rumo à Guiné Portuguesa, desembarcando a 13 de Abril de 1967 no estuário do Geba, em Bissau.

2. O Exemplo em Combate: Ações de Bravura na Guiné



Em terras da Guiné, o Alferes Antunes de Carvalho destacou-se desde muito cedo pelas suas excecionais qualidades humanas, militares e de liderança sob fogo. Em princípios de Março de 1968, impulsionado por um incontornável espírito de missão, ofereceu-se voluntariamente para comandar o Grupo de Combate tipo comandos ("boinas verdes"), assumindo a vanguarda dos cenários de maior risco.

A sua passagem pelo teatro de operações ficou marcada por feitos de invulgar determinação:

Defesa do Aquartelamento (2 de Março de 1968): Durante uma intensa flagelação inimiga ao aquartelamento, e mesmo debaixo de pesado fogo de metralhadora e morteiros, correu sem hesitar por todas as tabancas em redor do quartel para reorganizar o seu grupo de combate e sair em perseguição do inimigo.

Operação "Quitina" (30 de Abril de 1968): Na zona de Galamã, Bila e Louvado, seguindo à testa da coluna com o seu Grupo de Combate, foi invariavelmente o primeiro a reagir com firmeza a todos os contactos com o inimigo, batendo-o pelo fogo e pondo-o em debandada.

Operação "Corsário Negro" (18 a 19 de Junho de 1968): Nas regiões de Nova Sintra, Serra Leoa e Baduco, demonstrou um empenho incansável. Mesmo gravemente doente, aguentou corajosamente quase todo o decorrer da operação. Apenas aceitou ser evacuado quando totalmente exausto, deixando bem patente o seu desgosto e amargura por não poder ir até ao fim ao lado dos seus homens.

Operação "Novilhada": Na zona de Jufá, voltou a demonstrar uma agressividade tática e determinação ímpares, acorrendo sempre aos pontos mais críticos sob intenso fogo adversário.

Por todos estes atos de bravura e liderança em campanha, conquistou a profunda admiração e o respeito dos seus camaradas, dos seus superiores e da própria população nativa.

3. A Tragédia de Tite: A Memória e o Sacrifício Partilhado de 4 de Setembro de 1968



Na quarta-feira, dia 4 de Setembro de 1968, o aquartelamento de Tite (BArt1914/RAL1), na Guiné, foi palco de um trágico e fatal acidente. Durante uma sessão de instrução na carreira de tiro, dedicada ao manuseamento e lançamento de granadas-dilagrama à boca da espingarda G3, uma falha na execução por parte de um militar instruendo provocou um acidente devastador que ceifou instantaneamente a vida de três homens ao serviço da mesma causa.

Entre os vitimados encontrava-se o oficial instrutor, Alferes Carvalho, um jovem promissor na casa dos vinte anos, recordado como um oficial brilhante e um homem de honra. A sua partida precoce deixou uma profunda marca entre os seus camaradas de armas. Os seus restos mortais repousam hoje na sua terra natal, no Cemitério Paroquial de Salto, concelho de Montalegre, mantendo viva a memória do seu sacrifício perante a Pátria.

A mesma fatalidade tirou igualmente a vida a dois jovens soldados guineenses, mobilizados pelo CTIG e integrados na Companhia de Comando e Serviços (CCS/BArt1914), cujos nomes e origens cumpre honrar e preservar:

Adulai Baldé, Soldado Atirador (n/m 82053767), solteiro, natural de Santa Isabel, freguesia da circunscrição de Nova Lamego, filho de Bacar Demba Baldé e de Cadijatú Baldé.

Bacar Jaló, Soldado Milícia (n.º 52/65), solteiro, natural de Santo António de Bula, circunscrição de Cacheu, filho de Dana Dacar e de Rita Dacar.

Ambos os soldados guineenses ficaram inumados no talhão militar do cemitério de Tite, em solo africano.

Este trágico acontecimento une, no mesmo tributo e na mesma dor, homens de origens distintas irmanados pelo cumprimento do dever. Que a história e a memória coletiva continuem a guardar o devido respeito e reconhecimento à sua entrega.

4. Reconhecimento Póstumo


A Pátria não esqueceu o sacrifício do Alferes Carvalho.

Por Portaria de 31 de Janeiro de 1970 (publicada na Ordem do Exército n.º 4 – 2.ª série, de 1970), foi-lhe atribuída, a título póstumo, a Cruz de Guerra de 3.ª Classe, louvando as suas excecionais virtudes e considerando os seus serviços em campanha como extraordinários, relevantes e distintos.

Os seus restos mortais repousam hoje na sua terra natal, no Cemitério Paroquial de Salto (Montalegre).

5. Perpetuação da Memória: A Lápide de 15 de Agosto de 1992

Vinte e quatro anos após a sua morte, no dia 15 de Agosto de 1992, a comunidade de Salto prestou uma sentida homenagem pública aos ex-combatentes mortos na Guerra do Ultramar. Num ato solene marcado pelo desfile da Fanfarra da Região Militar Norte e por Honras Militares junto ao cemitério, foi descerrada na sua terra natal uma lápide comemorativa em granito gravada a ouro.

Nela ficou para sempre imortalizada a memória do Alferes José Antunes de Carvalho, acompanhada da promessa solene que une toda a comunidade e a Nação:

"Honorável na conduta, destemido no combate e leal aos seus camaradas, o Alferes Miliciano José Antunes de Carvalho permanece vivo na memória de Salto, do Barroso e da História de Portugal."



segunda-feira, 27 de julho de 2026

O Senhor Coronel João Manuel Pais Trabulo completa hoje mais um aniversário.

 

O Senhor Coronel João Manuel Pais Trabulo , da CCAÇ 2314, completa hoje mais um aniversário.

Muitos parabéns amigo.

Que conte muitos mais, junto dos seus familiares e amigos, sempre com saúde e boa disposição.

Um excelente dia de aniversário é o que lhe desejamos.

Um forte abraço.

Leandro Guedes.




domingo, 19 de julho de 2026

LFG "-Dragão" - Jorge Cravalho

 


Esclarecimento de Jorge Carvalho, a quem agradecemos. Muito obrigado.

 do/a autor/a da fotografia.

"Para que não haja confusões, nada melhor do que a fotografia original para comprovar uma verdade factual. O que se vê é uma parte significativa dos prisioneiros - o Alferes é o quinto da primeira fila, vestido com uma camisa da Marinha - na LFG (Lancha Fiscalização Grande) “DRAGÃO” já na Ilha de Soga (Bijagos). Alguma dúvida, façam favor."

"Felizmente, eu NÃO fui capturado, logo NÃO faço parte da lista dos prisioneiros resgatados. Isso sim, fazia parte da guarnição da unidade em presença que participou na Operação Mar Verde.

Jorge Carvalho

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Para veres entrevistas dos saudosos Alf. Rosa e Major Lobato

 


ESTE TEMA TEM DADO MUITO DEBATE QUE É DIFICIL REPRODUZIR AQUI. POR ISSO O MELHOR É IR AO FACEBOOK 

ASSIM,  QUEM QUISER LER OS DEBATES, ALGUNS FORA DO CONTEXTO, DEVE FAZER DA SEGUINTE MANEIRA:

Escreve na janela do Google o link acima indicado e acedes à página dos arquivos da RTP

Além da entrevista ao alf. Rosa e Major Lobato , tem também intervenção do Capitulo.

E ainda biografia do Gen Spinola e outras situações de interesse .

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Fuga do Alf. Rosa e do Major Lobato, em Conakry

 A Fuga - Alferes António Júlio Rosa e Major Lobato

 A FUGA

Há coisas que não podemos deixar cair em saco rôto, para que os vindouros saibam o que foi a guerra do Ultramar, principalmente os factos que nos foram mais próximos.

Relembro aqui dois excertos do livro MEMÓRIAS DE UM PRISIONEIRO DE GUERRA (pag. 109), da autoria do saudoso Alferes António Júlio Rosa, da CART 1743, em que ele relata (edição de 2003), uma tentativa de Fuga de alguns companheiros de infortúnio entre eles o major piloto aviador António Lobato, recentemente falecido, dos calabouços da prisão de Kindia, da Guiné Conakry em 1969, um ano e um mês depois do desastre de Bissássema.

“Na tarde do dia 3 de março de 1969, estava bastante nervoso. Havia o receio de que alguma coisa corresse mal e que o plano falhasse. No caso de isso acontecer, tudo se complicaria e todos deixariam de confiar em nós. De qualquer modo, era meu dever arriscar. E foi isso que fiz. Se fosse hoje, a minha decisão seria idêntica àquela.

Às dezoito horas eu e o Vaz estávamos preparados!... Tínhamos a chave e o elo. O Lobato ocupou a posição estratégica, no corredor da cela dos “intelectuais”. O Vaz subiu para o depósito sem problemas!... A seguir era a minha vez!... Olhei para o meu companheiro!... Tudo estava normal!... Em poucos segundos também eu estava no interior do depósito. A nossa sorte estava lançada!...

Teríamos de esperar cerca de quarenta e cinco minutos pelo nosso camarada Lobato. Quando subi, tive tempo de observar o exterior da prisão.Havia poucas casas, algumas árvores e não vi ninguém nas redondezas.

Aquele espaço de tempo pareceu-nos uma eternidade!... Por fim, ouviu-se um leve ruído nas colunas, e logo de seguida, surgiu a cabeça do Lobato, que, rapidamente saltou para dentro do depósito, onde ficámos os três, sentados no fundo do nosso esconderijo. Ninguém se apercebera do desenrolar da primeira acção. Estava tudo a correr bem!...

…………..

O Lobato disse-nos então que não tinha comido e que despejara o arroz do jantar num balde. Dizia ele que os nervos eram tantos que até tinha perdido o apetite!... Por fim a porta foi fechada no momento em que a noite começava a cair.

……………

Embrenhamo-nos no mato e (passados alguns dias), e decorridos dois quilómetros, a vegetação fez-nos regressar à estrada. Não fizemos mais de cem metros quando, de um lado e do outro da mata, se acenderam lanternas eléctricas. Fiquei sem ver, com tamanho luzeiro e, nos segundos imediatos, senti-me agarrado… Um fio metálico aflorou à minha garganta… era uma catana encostada ao meu pescoço!... Os meus companheiros também estavam imobilizados. Tínhamos sido capturados!...

……………………

A LUZ AO FUNDO DO TÚNEL… A LIBERDADE!... (pag. 149)

 (Após a libertação a 21 de Novembro de 1970) Caminhámos durante quinhentos metros, até que chegámos à praia!... No areal só restavam dois barcos de borracha!... Os outros já tinham partido!... O comandante do grupo de assalto comunicava com o rádio. Ouvi o que ele disse: Libertámo-los todos!... Missão cumprida!...”

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Leandro Guedes-


Grupo dos Heróis Portugueses, ainda na Prisão de Kindya em Conakry

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Alf. Rosa (autor alf. Trabulo




Major António Lobato



Comentário dum Deputado da Guiné Conakry´, acerca da llbertação dos prisioneiros de Bissassema.

 


Os Herois de Bissassema - NUNCA ESQUECIDOS

 Nesta altura em que alguém relata o sofrimento do Major Piloto Aviador António Lobato, recordamos os nosso amigos da CART 1743, que com ele conviveram na Prisão na Guiné-Konakri, Alf. António Julio Rosa e radiotelegrafistas Capitulo e Contino, após a suas capturas em Bissassema pelo IN,  transcrevendo o relato feito pelo saudoso José Justo no seu diãrio:

"... Acordei com o barulho provocado pela entrada de roldão do alferes Carvalho pelo nosso quarto dentro, n’uma excitação que na altura não compreendi. Falava, ou melhor , gritava ordens, pragas e gesticulava imenso. Poucos minutos bastaram para me aperceber do que se passava. ...Bissassema tinha sido tomada e ocupada pelas tropas do PAIGC, e a s nossas forças retiraram desordenadamente em consequência de numeroso grupo do IN, que tinha atacado com uma força e efectivos enormes. Tinha-mos sido avisados pelo Gomes Furriel de TMS, que tinha ido bem como o Contino Op. Cripto e o Capitulo Rádio-Telefonista, formar a secção de TMS e Cripto no destacamento para contacto com o nosso Batalhão. Dar um exemplo do aspecto do Gomes é dificil. Branco, mortalmente branco, tremendo e mal conseguindo articular as palavras que lhe saiam inaudíveis, conseguiu por alto relatar alguns pormenores do que foi uma das piores derrotas militares sofridas pelas nossas forças. Pelas primeiras impressões, temia-se que tanto o Contino como o Capitulo tivessem caído nas mãos dos “turras”. Mais tarde tivemos a confirmação, quando de manhã começaram a chegar os que tinham conseguido iludir a vigilância dos guerrilheiros e puderam regressar a Tite. Chegaram fugidos ao Enxudé, vindos da vários caminhos, pois poucos conheciam o caminho exacto, tendo também que evitar caminhar em direcção que lhes fosse desfavorável por levar a acampamentos do IN. O que vi quando ao procurar noticias de tudo e todos os camaradas, será uma imagem que nunca mais esquecerei. Rostos que tinha visto sorrir, estavam marcados pelos vincos profundos da dor, do desespero e desanimo. As lágrimas que lhes vi na face, os olhos vermelhos e inchados, cobertos de lama e na maioria descalços e rotos, parecendo figuras de filmes de terror, com forças apenas para agarrarem desesperadamente a G3, a sua própria e única salvação para manter a vida, quando em redor somente a morte. Para mais esses, que vi entrarem à porta de armas do quartel de Tite, na manhã de 3 de Fevereiro de 1968 vão as lágrimas que não derramei, mas que verdadeiramente senti...

in diario de José Justo."

nota - recordamos aqui também o furriel Cardoso, desaparecido no rio, naquela fatídica noite.

A fotografia do Alf. Rosa é da autoria do então Alf. Trabulo
Levado para a prisão de Conakry


Levado para a prisão de Conakry
 

Geraldino Contino, levado para a prisão de Conakry


Furriel Cardoso, desaparecido em combate, no rio de Bissassema

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Quem quiser ver os comentários , aceda ao facebook do BART 1914

António Lobato - Um herói NUNCA ESQUECIDO.

 Homenagem aos Militares Portugueses está em Portugal.

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António Lourenço de Sousa Lobato nasceu a 11 de março de 1938, na aldeia de Sante, Melgaço. Alistou-se na Força Aérea em 1957, recebeu as suas asas em 1959 e partiu para a Guiné em 1961. Tinha 22 anos.

A 22 de Maio de 1963, o seu avião foi forçado a aterrar em zona inimiga. Foi agredido à catanada. Capturado pelo PAIGC.

E desapareceu.

Durante sete anos e meio foi mantido preso numa masmorra em Conacri. Mudou três vezes de prisão. Tentou fugir três vezes. Foi recapturado três vezes.

O próprio Amílcar Cabral foi visitá-lo à prisão. Propôs-lhe a liberdade — em troca de uma mensagem a denunciar a guerra.

António Lobato recusou, dizendo:

“Com que cara é que eu chegava ao largo da minha aldeia?”

Nunca traiu. Nunca cedeu. Nunca se vergou.

Em 22 de Novembro de 1970, a Operação Mar Verde resgatou-o — juntamente com outros 25 prisioneiros portugueses. Era o militar português que mais tempo passou em cativeiro em toda a Guerra do Ultramar.

Regressou. Voltou a voar. Porque voar era o que mais amava.

Faleceu a 8 de Março de 2024, aos 85 anos.

🎖️ Major Piloto-Aviador António Lobato — o homem que o inimigo não conseguiu dobrar.

🎙️ Conheces um militar com uma história que merece ser contada? Escreve nos comentários ou envia mensagem privada. Juntos preservamos a memória de quem defendeu a nossa Pátria. 🇵🇹

👇 Partilha se tens orgulho nos militares portugueses.



domingo, 5 de julho de 2026

"Jesus Cristo, O sem abrigo"

 “Jesus sem-abrigo” assinala o Dia Mundial dos Pobres no Santuário de Fátima.

Esta marcante escultura encontra-se na alameda frente ao santuário do lado esquerdo, quem sobe.

Numa das imagens Cristo está deitado num banco dum jardim como qualquer sem abrigo

Noutra imagem veem-se os pés de Jesus e as suas chagas.

Por último Jesus está tapado com uma manta, vendo-se parte do seu rosto por baixo da mesma.                                             

 Leandro Guedes.






sábado, 4 de julho de 2026

Parabéns Julio Garcia

 O nosso companheiro Julio Garcia, da CCAÇ 2314, completa hoje mais um aniversário.

Muitos parabéns amigo, que contes muitos mais com saude e boa disposição junto dos teus familiares e amigos.

Que passes um excelente dia de aniversario.

Um grande abraço

Leandro Guedes






sexta-feira, 3 de julho de 2026

A Capela de Tite, pelo Senhor Coronel Trabulo

CAPELA DE TITE - GUINÉ

Vamos lá ver se recordamos e contamos um pouco do historial da Capela de TITE e da sua imagem de Nossa Senhora.

Lemos, relemos e comparámos vários comentários e informações sobre a capela e a imagem de Nossa Senhora, cuja imagem alguns a confundiram com a imagem de Nossa Senhora de Fátima que estava na capela de Fulacunda. Os mais de 60 anos que já passaram, leva-nos por vezes a pequenas confusões.

Quanto às imagens de Nossa Senhora poderá certamente ter havido várias, mas capelas só havia duas, uma em Tite e outra em Fulacunda!

A Capela de Tite estava situada fora do aquartelamento, na tabanca, num local por onde passava a estrada que ligava Tite a Nova Sintra, à sombra de uma árvore de grande porte, conforme é facilmente visível nas fotografias existentes.

Era ampla e de um só corpo. Tinha um altar, coberta por um teto de folhas de zinco, com uma cruz, suportado por 7 pilares, primeiro de madeira (cibes) e depois de betão pintados de branco. Inicialmente, sem muro em volta (1964/65) e depois com muro em alvenaria ou feito em madeira de arcos de pipos (1963).

No seu interior, havia bancos corridos de madeira que não só eram utilizados para as cerimónias religiosas, mas também para outras atividades pois era um espaço polivalente que servia como capela, escola, creche, sala de reuniões, cinema, etc.

Estava sempre muito bem limpa, cuidada e com o altar ornamentado, onde tinha um nicho para a imagem de Nossa Senhora e um Cristo cruxificado.

Pensamos pelas informações que recolhemos que terá sido construída no início em que os militares guareceram o aquartelamento.

Com base na informação de Santos Oliveira, a capela de Tite, terá sido começada a construir pelo BCAÇ 237 e terminada pelo BCAÇ 599, na sobreposição da rendição daquelas duas Unidades nos finais do ano de 1963. Ao longo dos tempos foi beneficiada e, principalmente, a imagem inicial, a Imaculada Coração de Maria, foi substituída pela de Nossa Senhora de Fátima, bem como foi construído um altar em madeira avançado.

Tinha uma parede de suporte, com duas aberturas onde existia um nicho para a imagem de Nossa Senhora e uma ampla área coberta, separadas por um reposteiro conforme a sua utilização.

A questão das imagens de Nossa Senhora, quer da capela de Tite quer de Fulacunda, entende-se que, para além delas, algumas companhias tinha a sua imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Há quem diga que a imagem de Nossa Senhora de Fátima de Tite foi levada para Fulacunda, que, no nosso entender, é estranho e duvidoso.

Nas imagens publicadas podemos ver as diferenças entre as Nossas Senhoras, a vedação da capela e outros pormenores, como até um quadro de escola e uma imagem de Santo António no vão superior do altar.

À sua guarda tinha um militar, sacristão, e os atos religiosos eram celebrados por um Alferes Miliciano Capelão que faziam parte do efetivo orgânico da CCS. São recordados alguns nos comentários com o alferes Capelão Padre Luís Silva, o Cabo Hipólito Sousa que tinham a “superior função de tomar conta do tresmalhado rebanho”, como refere o Furriel Milº. Leandro Guedes.

Já agora, a informação de Jorge Barbosa da CCAV 2842, que rendeu a CCAC 2324, em Fulacunda, sobre a imagem de Nossa Senhora de Fátima da sua Companhia “quando acabámos a comissão, em dezembro de 1970, a imagem foi embalada e colocada num dos caixotes, seguindo para Bissau, para aguardar embarque. Porém, em Bissau, a imagem tinha desaparecido. Viemos sem ela.”

Apesar de ser um templo religioso não escapou aos ataques que o aquartelamento sofria, mas com uma curiosidade que a imagem de Nossa Senhora nunca foi atingida, como aconteceu no do dia 24 de Dezembro de 1968 e em 23 de Março de 1970.

Sabe-se que tal como todo o aquartelamento de Tite, a capela, infelizmente, foi abandonada e, aos poucos, caiu em ruínas e perdeu-se este templo católico existente durante a Guerra do Ultramar na Guiné, como se pode ver numa fotografia.

A fotografia mais antiga é do ano de 1963 e é de salientar uma das fotografias acompanhada do texto:

“Recordando… TITE ano 67

Uma capelinha, no denso matagal, cortou-se o capim, à volta e alisou-se o terreno. A alguns metros à frente, encontra-se o arame farpado exterior. Depois dele…  é. capim e mata de onde os “nossos amigos turras” tantas vezes nos têm tentado alvejar. O ambiente é típico de toda a Guiné.”

Assina (Luís Manuel Dias)

Existem fotografias histórica que nos recordam como era a capela.

• Uma foto histórica da Capela de Tite – 1963

• Aspeto da capela do início da Guerra da Guiné. A foto é de Correia dos Santos que esteve em Tite no STM na altura do BCAÇ 237 que esteve em Tite entre Julho 1961 a Outubro 1963.

• De um facto, diz Jorge Barbosa que “num ataque feito ao nosso aquartelamento às 20:05 horas do dia 23 de março de 1970, a capela foi atingida, um projétil furou a chapa de zinco de telhado, o interior da capela ficou cheio de marcas de estilhaços, mas a imagem de Fátima ficou incólume.”

• No interior, imagem pertencente a Silva Esteves, 1°. Cabo radiotelegrafista do BCAÇ 1860.

• Local coberto para escola, cinema e capela. Foto de Santos Oliveira, Sarg. Milº A. Pes./Ranger, Pel. Indep. de Morteiros 912.

• Fotografia do autor do texto de 1968/69, da CCAÇ 2314.

• Foto comparativa da Capela de Tite e Fulacunda.

Atualmente, Tite pertence à Diocese de Bafatá e tem uma capela nova.

1 de Julho de 2026.

JT/ Coronel



















Atualmente, Tite pertence à Diocese de Bafatá e tem uma capela nova.





Mesquita Islamica  de Tite - • Fotografia do autor do texto de 1968/69, da CCAÇ 2314.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A Capelinha de Tite

 Fotografia da Capelinha de Tite, comentada e assinada pelo Luis Manuel Dias. Ano de 1967, há 59 anos.



Humberto Marques

Lembro me muito bem desta capela numa época mais recente em 72 a 74 pois assisti á Santa missa varias veses tinhamos um padre Capelão que também jogava futebol com nós um abraço para todos os ex combatentes sem exceção

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Nicolau Esteves

Sinceramente não me lembro se essa capela já estava lá no meu tempo.

Passei por lá mais ou menos um ano.

Abril de 65 a 66.

Comp.cacadores 797 batalhão 1860 abraço pra todos

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Jorge Gouveia

Nicolau Esteves eu estive em 66/68 primeiro com o Bat 1860 e depois com o 1914 e já estava a capela

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Joao Germano

Conheço TITE 69/70 Saudações

terça-feira, 30 de junho de 2026

Mais um artigo do Luis Manuel Dias

 


''A Matilha''…

Há 9 anos - 25Fev17 – partilhei convosco, Amigos e Ledores, o que abaixo está.

Hoje, torno a publicá-lo, pelo encanto, graça, originalidade e ironia, tão precisos no tempo que percorremos, que vamos vivendo…

Lêde, então:

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Ao jeito de chiste, basta ironia, humor satirizante, para quem fazia mister na época os ouvir, eis o que lhes ’deixaram’ Antero de Quental, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e Guerra Junqueiro um dia, à mesa de restaurante (onde se saciavam e refrescavam com 'licor da lusa vinha', q. b.):

-- ''Quem muito ladra, pouco aprende'' - Antero de Quental;

-- ''Escritor que ladra não morde'' - Oliveira Martins;

-- ''Dentada de crítico cura-se com pêlo do mesmo crítico'' - Ramalho Ortigão;

-- ''Cão lírico ladra à lua; cão filósofo aboca o melhor osso'' - Eça de Queirós;

-- ''Cão de letras - cachorro!'' - Guerra Junqueiro.

E, ‘peça final' dos cinco amigos e comensais:

- ''São cinco cães, sentinelas - De bronze e papel almaço; - De bronze para as canelas, - De papel para o regaço.'' --- ''A Matilha''.

-

(Minha Nota: Os parêntesis, como observarão, reproduzem fidedignamente o 'original' - dos cinco magníficos e predilectos Poetas e Escritores Portugueses meus. Deles, com frequência e em ordem a correctamente nos expressarmos, deveríamos compulsar as obras.

LÊ-LOS será, no modesto, sincero, meu entender, a MELHOR, quiçá a MAIOR HOMENAGEM que podemos prestar-lhes!

Leiam-nos, pois!)

(LMD, 25Jun26)

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Poemas apõs a operação ao coração - Luis Manuel Dias

 

Luis Manuel Diaspublicou noBart Tite - Guiné



Há 4 anos publiquei ‘’Quisera Ser… Assim’’, este soneto.

Hoje, relendo-o, sinto o mesmo que então, um ímpeto vero.

Assim, o reponho, para releitura duns e, decerto, prima leitura de muitos!

Abraço, a todos vós, Meus Amigos e Ledores, com suma amizade.

(LMD, 25.06.26)

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HOJE, POESIA!

Dela me direis, Amigos Meus, quanto vos tocar.

Bjs e abraços, como uso vo-los distribuir.

À leitura, pois então:

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QUISERA SER… ASSIM!

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‘’Uma mão cheia de nada… outra de coisa nenhuma!’’

(ditado popular)

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Quisera servente ser da fresca lusa língua

Quisera da fala bela outrossim mui amar

Quisera do fadário porventura ser livre

Quisera neste mundo – oh sim! – ir e errar

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Pudesse ao invés mudava tudo do visto

Pudesse ficava lá nada como previsto

Pudesse um aranzel armava estrídulo

Pudesse parado no ar ficava-me acídulo

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Pois sim, me perturba e me agrada a vida

Pois sim, comovido ouço canto e belo som

Pois sim, combato, luto, resisto por bom

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Assim, me sirvo e uso com amor a Pátria

Assim, lhe canto com prazer, endereço loas

Assim e por fim cá resido, na ditosa Mátria!

LMD, 25.06.22.

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N.B.: Não rima, na mór parte, este meu versejar.

Contudo, de mim brotou como o sinto, franco, verdadeiro.

LMD. Ver menos

sábado, 20 de junho de 2026

A homenagem ao combatente Alexandre Leal

Teve hoje lugar a Homenagem ao nosso saudoso amigo ALEXANDRE LEAL do Pelotão Daimler 1131, com a deposição duma placa na sua campa.

A cerimónia simples teve lugar no cemitério de Valadares, em Vila Nova de Gaia.

Estiveram presentes os seus familiares.

Do BART 1914 estiveram presentes o Jorge Gouveia , o Barbosa, o Jorge Silva e Esposa e Carla Pinto filha do saudoso Pintassilgo que era muito amigo do Leal.

Renovamos os nossos sentimentos à familia.

Que o nosso Companheiro descanse em Paz.

Leandro Guedes