IN MEMORIAM: Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes de Carvalho (Guiné: 1967–1968)
Recordamos e prestamos homenagem ao Alferes Miliciano de
Infantaria José Antunes de Carvalho, natural de Salto (Montalegre), que
combateu na Guerra do Ultramar e deu a vida ao serviço de Portugal.
A 8 de Abril de 1967, embarcou no NTT ‘Uíge’ rumo à Guiné
Portuguesa, integrado no Batalhão de Artilharia 1914. Em março de 1968,
voluntariou-se para comandar um Grupo de Combate do tipo comandos ("boinas
verdes"), revelando excecional coragem e liderança sob fogo.
Notabilizou-se pela bravura em várias ações operacionais:
• Defesa do Aquartelamento (2 Mar 1968): Debaixo de pesado
fogo de morteiros, percorreu as tabancas para organizar o seu grupo e repelir o
inimigo.
• Op. "Quitina", "Corsário Negro" e
"Novilhada": Actuação destemida na vanguarda do combate.
Tragicamente, no dia 4 de Setembro de 1968, em Tite, faleceu
num fatídico acidente com arma de fogo durante uma sessão de instrução com
dilagramas.
Pelo seu heroísmo, foi agraciado a título póstumo com a Cruz
de Guerra de 3.ª Classe. A 15 de Agosto de 1992, durante uma emocionante
homenagem em Salto com Honras Militares, foi descerrada a lápide em sua memória
com a promessa solene: «JAMAIS SERÃO ESQUECIDOS».
Repousa na sua terra natal. Honra à sua memória e ao seu
sacrifício!
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Este resumo da Câmara de Montalegre e Junta de Freguesia do Salto, descreve bem o que foi a passagem do Alf. Carvalho por Tite, no tempo do BART 1914..
Alferes Mil.º de Infantaria, n.º 00316962
Comandante do Grupo de Combate «BOINAS VERDES» da Companhia
de Comando e Serviços
Batalhão de Artilharia 1914, «SEM TEMOR»
Guiné: 13Abr1967 a 04Set1968 (data do falecimento)
Em Memória
(CCS/BArt 1914 – RAL 1 | Guiné 1967–1968)
Condecorado com a Cruz de Guerra de 3.ª Classe (Título
Póstumo)
1. O Chamamento, o Embarque e a Partida para o Ultramar
A história do Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes
de Carvalho é o retrato vivo do patriotismo, da bravura e da abnegação de uma
geração colocada à prova no teatro de operações do Ultramar. Natural de Salto,
no concelho de Montalegre, filho de Luciano Fernandes de Carvalho e de Joana da
Conceição Antunes, trouxe do Barroso transmontano a têmpera, o caráter nobre e
a coragem moral que viriam a pautar cada dia da sua vida militar.
Casado com D. Sara Maria Ramires Paulo de Carvalho, deixou
para trás a família e o aconchego do lar para cumprir o dever militar.
Mobilizado pelo Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1), em Lisboa, foi
integrado na Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Artilharia
n.º 1914.
No dia 8 de Abril de 1967, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou a bordo do Navio Transporte de Tropas
(NTT) ‘Uíge’. Ao som dos apitos do navio e dos acenos de despedida no cais,
partiu rumo à Guiné Portuguesa, desembarcando a 13 de Abril de 1967 no estuário
do Geba, em Bissau.
2. O Exemplo em Combate: Ações de Bravura na Guiné
Em terras da Guiné, o Alferes Antunes de Carvalho
destacou-se desde muito cedo pelas suas excecionais qualidades humanas,
militares e de liderança sob fogo. Em princípios de Março de 1968, impulsionado
por um incontornável espírito de missão, ofereceu-se voluntariamente para
comandar o Grupo de Combate tipo comandos ("boinas verdes"),
assumindo a vanguarda dos cenários de maior risco.
A sua passagem pelo teatro de operações ficou marcada por
feitos de invulgar determinação:
Defesa do Aquartelamento (2 de Março de 1968): Durante uma
intensa flagelação inimiga ao aquartelamento, e mesmo debaixo de pesado fogo de
metralhadora e morteiros, correu sem hesitar por todas as tabancas em redor do
quartel para reorganizar o seu grupo de combate e sair em perseguição do
inimigo.
Operação "Quitina" (30 de Abril de 1968): Na zona
de Galamã, Bila e Louvado, seguindo à testa da coluna com o seu Grupo de
Combate, foi invariavelmente o primeiro a reagir com firmeza a todos os
contactos com o inimigo, batendo-o pelo fogo e pondo-o em debandada.
Operação "Corsário Negro" (18 a 19 de Junho de
1968): Nas regiões de Nova Sintra, Serra Leoa e Baduco, demonstrou um empenho
incansável. Mesmo gravemente doente, aguentou corajosamente quase todo o
decorrer da operação. Apenas aceitou ser evacuado quando totalmente exausto,
deixando bem patente o seu desgosto e amargura por não poder ir até ao fim ao
lado dos seus homens.
Operação "Novilhada": Na zona de Jufá, voltou a
demonstrar uma agressividade tática e determinação ímpares, acorrendo sempre
aos pontos mais críticos sob intenso fogo adversário.
Por todos estes atos de bravura e liderança em campanha,
conquistou a profunda admiração e o respeito dos seus camaradas, dos seus
superiores e da própria população nativa.
3. A Tragédia de Tite: A Memória e o Sacrifício Partilhado
de 4 de Setembro de 1968
Entre os vitimados encontrava-se o oficial instrutor,
Alferes Carvalho, um jovem promissor na casa dos vinte anos, recordado como um
oficial brilhante e um homem de honra. A sua partida precoce deixou uma
profunda marca entre os seus camaradas de armas. Os seus restos mortais
repousam hoje na sua terra natal, no Cemitério Paroquial de Salto, concelho de
Montalegre, mantendo viva a memória do seu sacrifício perante a Pátria.
A mesma fatalidade tirou igualmente a vida a dois jovens
soldados guineenses, mobilizados pelo CTIG e integrados na Companhia de Comando
e Serviços (CCS/BArt1914), cujos nomes e origens cumpre honrar e preservar:
Adulai Baldé, Soldado Atirador (n/m 82053767), solteiro,
natural de Santa Isabel, freguesia da circunscrição de Nova Lamego, filho de
Bacar Demba Baldé e de Cadijatú Baldé.
Bacar Jaló, Soldado Milícia (n.º 52/65), solteiro, natural
de Santo António de Bula, circunscrição de Cacheu, filho de Dana Dacar e de
Rita Dacar.
Ambos os soldados guineenses ficaram inumados no talhão
militar do cemitério de Tite, em solo africano.
Este trágico acontecimento une, no mesmo tributo e na mesma
dor, homens de origens distintas irmanados pelo cumprimento do dever. Que a
história e a memória coletiva continuem a guardar o devido respeito e
reconhecimento à sua entrega.
4. Reconhecimento Póstumo
A Pátria não esqueceu o sacrifício do Alferes Carvalho.
Por Portaria de 31 de Janeiro de 1970 (publicada na Ordem do
Exército n.º 4 – 2.ª série, de 1970), foi-lhe atribuída, a título póstumo, a
Cruz de Guerra de 3.ª Classe, louvando as suas excecionais virtudes e
considerando os seus serviços em campanha como extraordinários, relevantes e
distintos.
Os seus restos mortais repousam hoje na sua terra natal, no
Cemitério Paroquial de Salto (Montalegre).
5. Perpetuação da Memória: A Lápide de 15 de Agosto de 1992
Vinte e quatro anos após a sua morte, no dia 15 de Agosto de
1992, a comunidade de Salto prestou uma sentida homenagem pública aos
ex-combatentes mortos na Guerra do Ultramar. Num ato solene marcado pelo
desfile da Fanfarra da Região Militar Norte e por Honras Militares junto ao
cemitério, foi descerrada na sua terra natal uma lápide comemorativa em granito
gravada a ouro.
Nela ficou para sempre imortalizada a memória do Alferes
José Antunes de Carvalho, acompanhada da promessa solene que une toda a
comunidade e a Nação:
"Honorável na conduta, destemido no combate e leal aos
seus camaradas, o Alferes Miliciano José Antunes de Carvalho permanece vivo na
memória de Salto, do Barroso e da História de Portugal."









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