Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

A guerra da Guiné



A GUERRA DA GUINÉ"
Por António Trabulo
António Trabulo, nasceu em 1 de julho de 1943, em Almendra, Vila Nova de Foz Coa e formou-se em Medicina em Coimbra para onde veio depois de viver desde a sua infância em Sá da Bandeira, Angola, com a sua família.
Especializou-se em Neurocirurgia. A sua carreira médica decorreu nos hospitais de S. José e dos Capuchos, mas manteve uma forte ligação à cidade de Setúbal, onde reside há mais de 40 anos, através da clínica privada. Reformou-se, como chefe de serviço, no início de 2009. Cumpriu o serviço militar obrigatório como médico a bordo do navio hospital Gil Eanes, nos mares da Terra Nova.
Escreveu o livro sobre "A GUERRA DA GUINÉ" que foi lançado em Outubro de 2014.
Sabe-se que procurou fundamentar-se ao pormenor sobre a guerra naquele território português de modo a analisá-la com imparcialidade e veracidade e que, inclusivamente, se apoiou em pessoas que viveram aquela guerra, inclusivamene na família de Amilcar Cabral.
No livro, diz-nos:
"Portugal reconheceu a independência da República da Guiné-Bissau em 10 de setembro de 1974. Para trás, ficavam mais de onze anos de combates. Ao contrário de Angola e de Moçambique, a Guiné era pequena e pobre. Era também insalubre. Quando a CUF se viu forçada a suspender a sua atividade, a colónia deixou de ter qualquer valor económico. No entanto, os responsáveis políticos portugueses acreditavam que uma independência abriria as portas às restantes. Era a teoria do dominó. Para manter a Guiné sob a sua bandeira, o estado português obrigou-se a um esforço militar claramente desproporcionado ao tamanho e à importância do território. Apesar disso, por altura do 25 de Abril, a guerra da Guiné era a única que o nosso país estava em vias de perder. O desgaste produzido por um conflito prolongado e sem fim à vista lançou o descontentamento no seio das forças armadas portuguesas. O regime ditatorial acabou por ser derrubado por não ter sabido negociar a questão colonial.
Este livro tem múltiplos protagonistas. Do lado português, e falando apenas do Exército, lutaram na Guiné mais de 100 mil soldados metropolitanos, em comissões de serviço de dois anos. Tombaram 1600. Entre os comandantes, a figura do general António de Spínola é incontornável. Do lado oposto, sobressai o vulto de Amílcar Cabral.”
Diz-nos também que: “Amílcar Cabral não confinava a sua estratégia aos ataques a quartéis, a fazer emboscadas, a pôr minas e armadilhas nas picadas, foi um incansável diplomata, em 1972, o ano que precedeu a sua morte viajou 31 vezes, as Nações Unidas eram o seu objetivo maior, mas não descurava os fornecedores de armamento, alimentos e medicamentos, promovia todos os contactos necessários para arranjar bolsas de estudos para os futuros quadros. Do mesmo modo, o autor lhe dedica um texto de referência sobre o pensamento político. E assim chegamos à frustração de Spínola quando percebe que o Marcello Caetano lhe nega a abertura de negociações para uma solução política da guerra. Esta obra constitui uma aproximação à vida e à obra do pensador e revolucionário africano e comporta muitos traços de biografia. Escolhi falar primeiro na sua morte. Não será a primeira vez que se começa uma história pelo fim."
O autor também não esconde o seu desalento: “A Guiné-Bissau não voltou a atingir o nível de cuidados primários de saúde e educação assegurados no tempo da guerra pelos militares portugueses. Os camponeses continuam a predominar no conjunto da população e a sustentar o país, mas pouco ou nenhuma influência tem na gestão da república, em que, apesar das realizações periódicas de eleições, mandam os antigos comandantes militares”.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Memórias de uma Guerra ... Tite!


 Memórias de uma guerra... Tite!
Tite é uma localidade e um dos quatro setores da Região de Quinara da Guiné-Bissau com uma área de 699,5 km2 ². A região de Quinara está subdividida nos sectores de Tite, Buba, Empada e Fulacunda
Aqui em 23 de janeiro de 1963 o PAIGC iniciou a luta armada com um ataque ao quartel de Tite, com a vinda de elementos a partir de bases na Guiné - Conakry.
O terreno no Sector de TITE apresentava-se, na sua generalidade, com um aspecto descontínuo em consequência das numerosas penínsulas que o constituem. A separar estas penínsulas existem cursos de água mais ou menos caudalosos, de acordo com as marés que fazem subir o nível das águas. Estes cursos de água, tal como as bolanhas e lalas, dificultam a passagem de umas penínsulas para as outras. Na época das chuvas, os cursos de água, em especial, o rio LOUVADO e o rio FENINGUÊ, constituem verdadeiros obstáculos e para cuja transposição são necessários meios. A passagem de umas penínsulas para as outras causava nas partes beligerantes, em especial na época das chuvas, um desgaste físico apreciável.
À epoca da guerra do Ultramar, os principais itinerários existentes no Sector eram: TITE – ENXUDÉ, TITE – NOVA SINTRA, TITE – IUSSE, TITE – NÃ BALANTA, NOVA SINTRA – GÃ MITILIA, BIOGATE – BISSÁSSEMA.
O itinerário TITE – ENXUDÉ assumia importância especial em virtude de o ENXUDÉ ser o porto fluvial que serve TITE. Dado o grande movimento que tinha, esse itinerário necessitava de frequentes reparações, em maior escala após a época das chuvas que deixavam o piso em más condições, sendo o único itinerário do Sector que dava passagem a viaturas.
A população civil era na sua quase totalidade constituída por autóctones. Apenas se verificava a existência de dois civis europeus metropolitanos. Predominava a raça balanta, havendo pequenos núcleos de fulas, papeis e mancanhos.
Eram pouco numerosas as tabancas desse Sector que se encontravam habitadas. Entre elas, podiam considerar-se sob controlo das tropas portuguesas apenas a tabanca de TITE.
As tabancas de IUSSE, NÃ BALANTA, FOIA, PONTA NOVA, TITE MANCANHA, BRAMBANDA, FENINGUÊ davam também a sua colaboração, forçada ou não, ao PAIGC.
As tabancas de FLAQUE NHABAL, BUNAUSSA, FLAQUE INTELA, NHALA DE BAIXO, NHALA DE CIMA, BISSÁSSEMA DE CIMA, BISSÁSSEMA DE BAIXO e FLORA encontravam-se praticamente sob controlo do PAIGC que nelas vivia, procurava apoio e obtinha contributo no que lhe era necessário.
Tal como grande parte da Província, a área deste Sector era essencialmente rica em arroz, cultivado em extensas bolanhas, em especial nas regiões de BISSÁSSEMA, FENINGUÊ, FOIA, NÃ BALANTA e IUSSE.
A CCaç 2314 ali permaneceu durante dois períodos, de janeiro a agosto de 1968 e de junho a novembro de 1969, data em que regresou à Metrópole. Como registos de interesse, verificou-se a tragédia de Bissassema, em fevereiro de 1968, e a dematacação e abertura do itinerário entre Tite e Nova Sintra para a instalação do aquartelamento, em maio de 1968. A sua permanência foi como companhia de intervenção do BArt. 1914.
Historial da CCaç 2314.
Cor. Pais Trabulo
(Fotos da página Bart Tite Guine Bissau e do autor)João M. Trabulo

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Memórias duma Guerra

"Memórias de uma guerra...
HÁ 52 ANOS…
DESEMBARQUE DA CCAÇ 2314 NA GUINÉ – 15 JANEIRO 1968
Depois de cinco dias de viagem, navegando no Oceano Atlântico, após a saída de Lisboa, a 15 de janeiro de 1968, o navio TT “UIGE” chega a Bissau, na Província Ultramarina da Guiné, transportando um contingente de tropas, onde estavam incluídos os militares da CCAÇ 2314 que teria como destino o aquartelamento de Tite, na região de Quinara, a sul do rio Geba.
O dia estava quente e as águas do rio Geba muito negras.
Ancorados no meio do rio entre o Ilhéu do Rei e a cidade de Bissau à vista, o desembarque não se efectuou para terra, mas directamente para duas LDM que os transportariam até ao Enxudé.
Do Enxudé para Tite o transporte seria efectuado em viaturas e onde chegaram cerca das 20 horas.
A ânsia de saber como seria para onde iam, fazia esquecer, em parte, a situação de “guerra” que se vivia, não fora os tiros esporádicos dados pelos camaradas mais velhos que ali se encontravam para manter a segurança e à medida da passagem das viaturas pela povoação de Fóia. Desde o Enxudé até Tite, o percurso foi feito sem qualquer incidente.
Naquela zona iria ter lugar o treino operacional e, após este, o seu destino seria o aquartelamento de Jabadá, mas por forças das circunstâncias, a tragédia de Bissassema, que viriam a ocorrer, isso não se chegou a concretizar. Contudo, os elementos do PAIGC não demoraram a dar as “boas vindas” aos novos militares que, como era habitual, eram apelidados de “maçaricos”.
Assim, no dia seguinte, 16 de janeiro, por volta das 21 horas e 20 minutos, um Grupo IN, não estimado, flagelou com várias armas ligeiras e pesadas, durante 10 minutos, o aquartelamento de Tite, sem consequências, não só para as “boas vindas”, mas para dizerem que eles estariam por ali. Mal eles sabiam que teriam ali na CCAÇ 2314, um “osso duro de roer …”
Refira-se que foi em Tite, em 23 de janeiro de 1963, que o PAIGC iniciou a luta armada com um ataque ao quartel de Tite, vindo das bases na Guiné - Conakry.
João M. Trabulo"



sábado, 11 de janeiro de 2020

Parabens Domingos Monteiro

O nosso amigo Domingos Monteiro passa hoje mais um aniversário.
Os costumados parabéns de todos nós com os votos de boa saúde e bem estar..
Leandro Guedes.



José Justo comentou o trabalho de Mariana Leal com o Pintassilgo.


"Bom trabalho da Mariana Leal.
É de admirar e louvar o interesse de jovens, mais propriamente de uma jovem, por um pedaço triste da nossa história, que durante pelo menos trinta anos esteve esquecido. Os treze anos da guerra, e o pós revolução, com o grande drama acrescido que foi a inevitável descolonização (o filme refere os países ex-colonialistas em África).
Nunca consegui compreender o porquê de um país tão pequeno – p. ex. 14 vezes menor que Angola – que teimava obstinadamente em não arranjar solução política para o conflito, mesmo com abalizadas opiniões nacionais e internacionais no contrário.
Este doloroso drama do nosso ultramar, bem escondido (não havia guerra, as NT limitavam-se a fazer policiamento) foi alimentando pequenos (ou grandes) ódios: Os portugueses das colónias não suportavam com agrado os militares, por vezes com razões para isso, e os militares não suportavam

comportamentos e situações graves de certos apoios logísticos reais e escondidos, de fazendeiros do interior, às forças dos movimentos nacionalistas de guerrilha.
Os civis viam de certa maneira, nos militares intrusos destabilizadores da antiga ordem estabelecida, e era corrente que as filhas dos colonos brancos, serem instruídas, para que só deveriam “ter olhos” para os militares oficiais??!!
Verdade seja dita, que o isolamento, as privações, os medos, as saudades...tudo isto levava por vezes a refúgios no alcool que não raras vezes levavam as tristes episódios.
Não era por acaso que no quartel muitas vezes faltam frescos (legumes) e outros alimentos, mas não me lembro de falta de tabaco e cerveja!!...
Já dizia alguém: Se na guerra faltasse bebida e droga a guerra seria outra...
No entanto estes ódios renasceram e tudo se agravou, aquando do regresso a Portugal de milhares de pessoas. Muitas injustiças aconteceram de parte a parte!!
É fácil calcular como se sentiriam aquelas famílias, despojadas de tudo para que tinham trabalhado uma vida inteira. Basta imaginar e tentar mentalmente inverter a situação.
Numa retrospeção, poderemos perguntar: que ficou de todo este drama??
A resposta é evidente e igual a todos os outros dramas idênticos, passados e dos nossos dias...muita dor e sofrimento e milhares de mortos e estropiados que pela lei natural das coisas vão desaparecendo, até mais ninguém, a não ser os historiadores, se lembrar.
Gostei, passados 40 anos voltar a ouvir as vozes de dois camaradas de quem lembro muito bem: o “pintassilgo” que em parceria com o Contige, lá nos arranjavam “umas côdeas” para os petiscos.
O camarada Leal, do grande Pelotão Daimler. Bastante admirava este pelotão, sempre os primeiros a sair, estrada fora, no começo dos ataques, e que está ligado a um episódio comigo, numa noite de mais um ataque ao quartel, em que saímos porta de armas fora, eu como atirador de “desenrascanço” agarrado á velha metralhadora Dreyse, o condutor a mandar-me disparar, eu numa atrapalhação total, sem conseguir encaixar o carregador na arma, e finalmente os invólucros dos disparos em brasa a caírem na cabeça do condutor (que pena já não lembrar o nome) ele aos gritos, pois não tinha posto o capacete de aço...
Episódio que ficará para sempre na minha memória e que já tive oportunidade de “postar” num dos meus escritos no Blog do BART.
Renovo os meus parabéns à jovem Mariana Leal, por este documento.
Muito sucesso profissional e familiar para si.
Tudo de bom para todos.
José Justo"

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Contador de visitas ou visualizações está avariado.

Caros Amigos
Inexplicavelmente o contador de visitas do Blog, deixou de funcionar, apesar de estar exposta a informação de que está activo.
Um abraço.
Leandro Guedes.

Há 54 anos atrás, assentamos praça

Domingos Monteiro
Há 54 anos  atrás, muitos de nós "assentaram praça".
Uns em Tavira, outros nas Caldas da Rainha.




              


Iniciamos uma nova vida, totalmente desconhecida e que nos levaria até terras da Guiné.
Abraços para todos.
Leandro Guedes.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Lembrando o Pintassilgo... pelo Pica Sinos




 QUEM SE PODERÁ ESQUECER DO SEU ASSOBIO A PEDIDO E DO SILENCIO QUE PAIRAVA PARA O ESCUTAR AQUANDO NOS ALMOÇOS DE CONFRATERNIZAÇÃO ANUAIS

Naquele tempo, lá longe, ninguém o conhecia por Eduardo da Silva Pinto, mas se perguntassem por anda o “Pintassilgo”, a resposta não se fazia esperar… está na padaria.
O “Pintassilgo” era um rapaz pequeno e franzino, com os ombros atirados para a frente. O seu andar era miudinho, rápido na fala. Andava quase sempre “pintado” de branco.
Todos o estimavam. Era um homem divertido, alegre, amigo do seu amigo. Passava os dias a assobiar, (primorosamente diga-se), e a amassar o pão. Era um dos padeiros em Tite.
Este nosso amigo deixou-nos no passado dia 6 de Janeiro do ano de 2020, mas a sua memória perdoará por todos os seus camaradas que com ele partilharam a amargura da guerra colonial na Guiné Bissau.
Quem não se lembrará da graça que ele irradiava quando encostado na ombreira da porta da padaria o nosso “Pintassilgo” assobiava (entre outras) a melodia da Rosinha dos Limões?

"Quando ela passa, franzina e cheia de graça,
Há sempre um ar de chalaça, no seu olhar feiticeiro.
Lá vai catita, cada dia mais bonita,
E a sorrir, p'rá rua inteira, vai semeando ilusões."

O assobio que saía dos lábios quase fechados da boca do “Pintassilgo” era uma maravilha, Hoje em dia já não podemos ouvir, mas as recordações ficam:
Quem não se lembrará, nas madrugadas bem cedo, do cheiro que pairava no quartel a pãozinho cozido no forno manipulado pelo camarada “Pintassilgo” (e outros) que saía da pequena padaria?
Quando possível o nosso camarada era premiado a dar-nos um pãozinho escondido por troca de uma fatia de presunto ou duas ou três rodelas de chouriço. Parte de uma lata de sardinha ou de atum “exportadas” do continente por via dos familiares ou alguma madrinha de guerra que no tempo nos chegava.
Mas via-o triste quando me dizia …Oh Pica… isto hoje está difícil de te dar um pão. Hoje não dá para uma “palmadinha”, desculpa lá. Eu sabia que era complicado e podia haver problemas. Não era fácil, o pão era feito com conta e medida. Dar pão a todos os que pediam era missão quase impossível.
Quem se poderá esquecer de quanto contente se apresentava aos camaradas nos almoços de confraternização anuais. Quem se poderá esquecer do seu assobio a pedido e do silêncio que pairava para o escutar.
Descansa em paz camarada.
Raul Pica Sinos

Mariana Leal entrevistou o Eduardo Pintassilgo.

Entrevista da Maria Leal, ao nosso amigo Eduardo Pintassilgo, feito em Fevereiro de 2013. Mariana Leal é neta do nosso companheiro Alexandre Leal, do pelotão Daimler.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Faleceu o Eduardo Pintassilgo


Guedes mais uma noticia triste, hoje faleceu o nosso amigo 
PINTASSILGO.
O funeral é quarta feira dia 8 as 15,30 horas na igreja de Gulpilhares.
O Pintassilgo era um grande companheiro, sempre pronto a assobiar o cantar dos pássaros.
Homem simples mas muito amigo de todos.
Paz à sua Alma!
Jorge Gouveia.


sábado, 4 de janeiro de 2020

BOM DIA DE REIS PARA TODOS.



"O Dia de Reis comemora a visita dos três Reis Magos, e que ocorrera no dia 6 de janeiro. A noite do dia 5 de janeiro e madrugada do dia 6 é conhecida como "Noite de Reis.
BOM DIA DE REIS PARA TODOS.”
Leandro Guedes.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Parabéns Joaquim Agostinho Fernandes

O nosso amigo Agostinho, do Pel. de Morteiros, passa hoje mais um aniversario. 
Para ti companheiro um grande abraço e votos de boa saúde.
MUITOS PARABÉNS.
Leandro Guedes.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Sonho duma Noite de Natal... de Aquilino Ribeiro!


Sonho_de_uma_noite_de_Natal« […] Como aquela fosse uma noite muito santa e muito álgida – o Salvador ia nascer nas palhas para lembrar aos homens que vêm do nada e para lá caminham – mãe e filha se deixaram ficar ao lume, tão perto, que a chama do toro de carvalho, reatando-se de pois de sopitar, alumiava mais que a candeia. A Mãe no seu luto de viúva, chaile (sic) roto pelos ombros, mal tinha acabado de espiar a roca e cismava; a pequena, dez anos espertinhos e medrados, com um pauzito ia atiçando o fogo, entretida a ver dançar e rodopiar os mil fogaréus da combustão. De repente, quebrando o devaneio, disse para a mãe:
− Porque é que uns são tão ricos e outros tão pobres?


− Porquê?… Fazes cada pergunta! Olha lá, os dedos da mão são todos iguais?
− Ó mãe isso não quer dizer nada. Os dedos são desiguais, não há dúvida, mas entendem-se todos muito bem uns com os outros. E que tem lá que sejam desiguais se o sangue é o mesmo, pois não é?
A mãe não soube ou não quis contestar e ouviu-se lá fora o tropel da rapaziada que preparava a fogueira do Natal naquela noite tão luminosa que, não obstante a luz da candeia, uma réstia de luar atravessava o telhado de telha vã e vinha bater no frontal como uma lança.
− Sabe, mãe, a Zezinha da Casa Grande chamou-me quando meti o gado. Só queria que vomecê visse as coisas bonitas que lá tem. Uma riqueza! E espera mais, muitas mais, que lhas há-de trazer o Pai Natal. Armaram um pinheiro no meio da sala, com muita velinha, muita velinha e neve a fingir, só para pendurarem as prendas. O Pai Natal vem de Lisboa e Paris, carregado, carregadinho que não pode com mais às costas. É verdade, mãe, que quem o manda é o Menino Jesus?
− É verdade. O Menino Jesus enche-lhe os taleigos e diz-lhe: toca, vai levar…
− Mas ele só vai levar aos ricos? À nossa casa não vem?
− Não querias mais nada?! Ele só anda pelas casas fartas, asseadas… muito branquinhas, e hão-de ter chaminé. Não sei se sabes, ele vem pela chaminé.
−Também me disse a Zezinha que vinha pela chaminé. Por causa disso pôs um sapatinho na pedra do fogão para começar logo por ali. Diz ela que no sapatinho lhe há-de deixar uma prenda que não pode adivinhar o que seja, mas que é a mais bonita e a mais cara de todas. Ó mãe, se eu pusesse a tamanca bem estateladinha aqui à lareira, onde se visse, talvez ele me deixasse lá qualquer coisa…
−Não vês que a casa não tem chaminé…
− O Pai Natal podia vir pelo telhado e levantar uma telha…bater à porta…
−O Pai Natal não bate às portas. É como o vento. Bota-se a caminho e, pronto, está logo chegadoç Se quisesse, entrava pelo buraco da fechadura. Connosco pouco adiantava. A nossa porta nem chave tem. Basta o cravelho, não há cá que roubar. Mas, como te digo, o Pai Natal do que mais gosta é de descer pela chaminé. É para que saibam que vem do céu, à ordem do Menino-Deus…
− Ó mãe, mande pôr uma chaminé na nossa casa, mande! Queria tanto que o Pai Natal cá viesse…!
−Estás na lua. Uma chaminé é para quem é. Custa dinheiro. Onde o tínhamos nós? […] »

Aquilino Ribeiro in Sonho de uma noite de Natal (Centro de Estudos Aquilino Ribeiro, 2004: 8,9 e 10)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

A passagem de Ano em 1967, em Tite... pelo José da Costa!


Meus amigos:
Do "baú" do José Costa aqui vão belas recordações que ele amavelmente trouxe à nossa memória.
Para informação leia-se Convite - Cumbite, é a pronuncia do norte e dos naturais da Guiné também...
Sabes que eu acho que estás enganado, não era rojões em azeite mas sim rojões em banha de porco. Mais tarde fiz este mesmo petisco em minha casa e lembrei emocionado tantos destes momentos!
Para ti um abraço de todos nós.
Bem hajas!

""Oiii camaradas!!! Alguém se recorda deste dia, que foi a primeira passagem de ano longe da nossa família?

A Comemoração foi na arrecadação do Palma! Juntamos as goluseimas que entretanto nos haviam mandado, e fizemos uma farra. Lembro que eu levei uma lata que me haviam enviado daqui em Agosto ou Setembro desse ano de 1967 com rojões em azeite. Guardei-a para um dia especial. E esse foi o dia. Acontece que ao abrir, cheirava mal ou seja: a ranço! Eu sei que não comi, mas a lata ficou vazia!! Lembro que nessa noite ouve grandes bebedeiras entre nós. Estou a recordar-me dum amigalhaço que não recordo o nome o Alf. ? (Gordinho) salvo erro da manutenção.

Um abraço para todos e um bfs

Costa ""




José da Costa Confirmo que era azeite. Ou seja; - Os rojões eram conservados em casa em pote de barro vidrado em pingue (banha). Mas para "exportar" para famílias que à época moravam no estrangeiro, principalmente, Venezuela e Brasil, os latoeiros daqui, faziam um tacho em chapa. As pessoas iam ao latoeiro com os rojões e chouriços ou só chouriços, mais uma garrafa de azeite puro e colocavam lá dentro as peças e preenchiam com o azeite até à "gola". O latoeiro, soldava a tampa e antes do último pingo de solda, fazia força na tampa para retirar o ar e de seguida soldava a estanho. E assim eram despachadas normalmente por amigos que iam embora depois de passarem férias na terra. Assim aconteceu comigo. Um vizinho que estava em Bissau, veio de férias à Metrópole e no regresso, os meus familiares pediram para levar a "lata" e que chegado a Bissau fez chegar pelo correio SPM a "mercadoria".
Costa
30dezº de 2019"




domingo, 29 de dezembro de 2019

A passagem de ano de 1967/1968


Ainda a passagem de ano de 1967/1968 - pelo Justo
Falar de Natais em Tite...
Francamente, com alguns pormenores não me lembro de nenhum Natal a destacar, mas de uma grande ceia de fim de ano de 1967, primeiro ano do nosso Batalhão em Tite, já sobejamente relatado e  para mim e companheiro de apartment, Pica Sinos, de triste memória!!!...
  
Aqui vai um resumo:

Como sempre no pouco que escrevia para casa (o que me dói hoje pensar nisso) sempre tive o cuidado de compor o ramalhete sem pormenores de guerra nem lamentos, o que a juntar á desinformação e habitual escondidinho impostos pelo regime, tranquilizaria os pais, mau grado as saudades e o afastamento.

Fotos sempre limpinhas e felizes, relatos sobre caçadas, jogos de futebol (em que eu inábil nesse mister e devido a ter dois pés esquerdos, nunca participei) e principalmente relatos dos muitos petiscos que fazia-mos, o que até era pura verdade.

Numa das cartas da costumada pedincha que habitualmente antecedia as saudades e os beijinhos, pedia entre outros, um daqueles medidores plásticos de líquidos, porque já não lembro porquê, fazia-nos falta para as petiscadas.

Creio que foi no Natal de 67, o Palma arrancou com a ideia de se fazer uma festa com o maior número possível de pessoal, o Cavaleiro encarregou-se do MENU, que ficou super giro e combinou-se que cada um dos convivas arranjaria os comes & bebes  que entendesse para compor a mesa, sendo o lema; tudo para todos.

Foi mesmo um sucesso (tenho umas fotos que vou ver se descubro).
 
Comeu-se e bebeu-se em substância, e as vitualhas apareceram em quantidade e variedade. Vinhos e cervejas e creio que até houve um grupo que fez uma grande sangria num tacho de ferro.
  
Nesse tempo, e antes da tropa, como Lisboeta de gema BA, já tinha o vício dos petiscos e como, pouco a pouco, lá fui chegando a casa cada vez mais tarde (durante anos apanhava sempre na Estação do Rossio o último comboio, o das 2,25 h, o que adorava, pois apanhava todo o pessoal dos teatros do Parque Mayer, no regresso a casa, depois da segunda sessão, com as lindas coristas e principalmente com o MAX, que era um espanto de humor e boa disposição.  Eu e o grupo bilharista do Café Nacional, tinha-mos conta aberta, a pagar no fim do mês, nalguns tascos conhecidos e eram jantaradas de horas. O dono era galego, e a oração era sempre a mesma “si num pagas una vez, te corro com lo porro (pau)”.
  
Lembro-me do Bife do Luanda, do Relento de Algés e da Trindade, embora este último já fosse puxado para os nossos bolsos.

Dessa ceia de  Natal em Tite, ainda hoje tenho no palato o sabor dos enchidos da província que a maioria dos camaradas tinha pedido para casa. Não se via muito por Lisboa material daquele...chourições, linguiças, alheiras, torresmos e sei lá que mais, em que até a gordura era divinal.

Claro que queimei bem, pois o motor estava a aquecer com tanto petisco de eleição...

Abreviando:
O tal copão plástico que tinha pedido para casa, estava-me a servir de copo, e recordo que me deu um travadinha que comecei a deitar-lhe um pouco de cada bebida da mesa??!!...e ato contínuo...em duas ou três goladas...ficou vazio??!!....

A ceia, fez bastante sucesso no aquartelamento e alguns furriéis e oficiais, depois das suas ceias nas messes próprias, vieram até à nossa para continuar a petiscada.

Entre eles o Alferes Médico do Batalhão...que eu admirava imenso.

Virei-me para ele de copão em riste e disparo: - É pá és um médico porreiro, és de Lisboa??!!...e passados momentos, caio redondo no chão??!!...

Pobre do Pica Sinos e do médico que me aguentaram creio que dois dias, in extremis com coma alcoólico, resultado final da brincadeira do copão.

Gostava de ter tido durante todos estes anos a oportunidade de por feliz acaso reencontrar o nosso Médico.

Ao Pica, não há obrigados que cheguem...devo-te a vida companheiro!!

José Justo.
(Novº2013)

sábado, 28 de dezembro de 2019

Votos de Feliz Ano Novo de 2020


VOTOS DE FELIZ ANO NOVO DE 2020
Para todos os nossos companheiros, amigos, familiares e visitantes, votos extensivos às Gentes de Tite.
Leandro Guedes.




Há-de vir um Natal... , de David Mourão Ferreira!


""Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio.
-
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
-
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo
-
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido
-
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito
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Ladainha dos Póstumos Natais, de
David Mourão-Ferreira 

Operação Galo foi um fracasso


OPERAÇÃO GALO FOI UM FRACASSO 
MAS O NATAL FOI CELEBRADO

Lá longe, todos tivemos a oportunidade de presenciar e de ver: o místico pôr-do-sol, o calar da passarada, o breu e o luar ao cair da treva. Mas tenho dúvidas, que essa oportunidade se observasse, para todos, com o nascer dos dias em Tite.
  
Por força da especialidade que desenvolvia, noite sim, noite não, as horas eram passadas acordadas. Muitas delas, sentado junto á porta do Centro de Cripto, para ver o nascimento dos dias que sucediam.
  
Não eram menos bonitas, comparativamente com os dias onde era visível o sumptuoso pôr-do-sol, as alvoradas em Tite. A luz era diferente, mas também de uma beleza apaixonante, sobretudo após a época das chuvas, nos meses de Novembro e Dezembro, onde o cacimbo e a escuridão se dissipavam com a aproximação do astro-rei que ao erguer-se lentamente a destruía.
  
Como era bonito e encantador ouvir o chilrear da passarada ao acordar. Como era “refrescante” e ao mesmo tempo “agitador” o “perfume” do pão a cozer e do café certamente a ferver, que os padeiros e os cozinheiros manipulavam, no edifício do refeitório, desde as seis horas de todas as manhãs.
  
Como tudo hoje se faz luz da tristeza que senti naquela véspera de Natal de 1967. Pela primeira vez na vida estava impedido de passar o Natal com a minha família.
  
Como estava triste de não poder observar a iluminação natalícia certamente erguida no Rossio, e as montras eventualmente repletas de brinquedos na minha baixa Lisboeta.
  
Desanimado, juntei-me a uns quantos (poucos) companheiros de “route” com vista a organizarmos uma festa de Natal sem romper a tradição – peru assado –, já que na noite da consoada, o Comandante do Batalhão, ofereceria, para além do discurso da ocasião, o bacalhau cozido com batatas e couves.
  
Mas encontrar um peru em Tite ou nos arredores era hipótese à partida frustrada. Ninguém avistara perus. Havia sim, numa das palhotas da tabanca, junto á pista de aviação, um galo português de elegante porte, com crista vermelha e alta, multicolor nas penas, de bico e esporões bem afiados e, quando cantava a anunciar o nascer do Sol, era ouvido por todos aqueles, que como eu, por força das circunstancia estavam acordados, tal não era o seu “folgo”.
  
Então a “operação” galináceo é posta em marcha, consistindo em distrair a proprietária, uma velha preta, senhora bem forte, que por norma estava sempre de sentinela á pastagem da real ave, sentada num banco corrido, colocado na frente da sua palhota, e apoderarmo-nos do galo, certamente já morto, após paulada bem forte aplicada “no cabeça”.

  
Assim, dois de nós começaram por espalhar milho uns metros antes do galo em pastagem, procurando que o mesmo se deslocasse em nossa direcção quando na “picagem no milho” disperso. Os outros, assumiram posições estratégicas para barrar, eventualmente, alguém que nos quisesse intersectar na correria da fuga.
  
No decorrer da “operação”, a preta, ou adivinhou, ou alguém lhe disse das nossas intenções, pois sem esperarmos, desata numa berraria, de vassoura em riste e com ar ameaçador na nossa direcção, dizendo, …”ah bo fora, ah bo fora”… frustrando de todo o nosso propósito.
  
De todo, ainda procuramos comprar o galo, mas viemos a saber que o galináceo jamais serviria de manjar a quem quer que fosse, a dona tinha-o como animal de estimação.
  
Resultado:
 Sem galo na travessa, mas no dia de Natal, a mesa estava farta com o pouco, que os familiares e amigos nos fizeram chegar.

Assim foi, naquela terra em guerra, a passagem do Natal de 1967
  
Tenham um bom e Santo Natal.
 Pica Sinos
(dez2008)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Homenagem do Municipio de Ovar ao nosso amigo José da Costa






Publicamos aqui um folheto que foi imprimido em 2014 pelo Municipio de Ovar e em que o Costa é o visado.
Neste folheto é dito que: "VALEU A PENA CONHECÊ-LO.!"
Nós confirmamos.
Um abraço velho amigo.
Leandro Guedes.

Ele é numero UM no Quadro de Honra dos Bombeiros de Almada.


ELE É O Nº 1 NO QUADRO DE HONRA DOS BOMBEIROS DE ALMADA
O encontro do Duque com o Pica Sinos, no Natal de 2008
Natural da cidade – onde o rio é mais azul, e em certos dias tem a mesma cor do céu – Setúbal –, o Manuel Duque, o “Duque” com a especialidade de maqueiro, como nós o conhecemos em Tite, veio para Almada aos 14 anos. Foi mecânico de balanças na antiga Casa Romão, e aos 17 anos abraça a profissão de bombeiro.
O Manuel Duque, o Chefe Bombeiro, amado e respeitado por todos que de perto com ele convivem, hoje, aos 63 anos de idade, é o nº 1 no Quadro de Honra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Almada.
Perante o encerramento dos Estaleiros da Margueira (Lisnave), e após 30 anos de serviço que ali dedicou como bombeiro, o Duque não escolheu, nem estava, ou melhor não podia estar, no seu horizonte escolher um outro caminho, senão o de soldado da paz! Ingressando, logo após o seu despedimento, no quadro efectivo dos Bombeiros Voluntários de Almada,
Fui ao encontro do “Duque”! Já no quartel, envergando o fato de trabalho, vejo-o a arrastar uma perna sofredora certamente por reumático, vem acompanhado por um outro camarada do serviço – o Sargento Alberto -! Apercebo-me que as suas palavras saem da sua boca “enroladas e em catapulta” resultantes de um AVC que recentemente o vitimou, diz. Quando na parada é com muito agrado que converso, neste primeiro encontro, com este nosso camarada. Foi gratificante verificar as muitas fotografias da vida em Tite religiosamente guardadas.

Dessas, uma particularmente mostrou – o Corpo clínico em Tite – apontando um a um, com os olhos rasos de água, a custo lá disse “ a maioria já se foi”. E uma outra, o seu inseparável amigo – o Joke – que para todo o lado o acompanhava. Em Tite passou pelo Duque muitas histórias: com o “JoKe” do Heitor, que não sendo o dono – mas sim tratador – eram inseparáveis. Com as duas corujas enormes, de cor branca, cujo “funesto assobio” arrepiava tudo o que era cabelo, não deixando dormir aqueles que por perto da enfermaria/farmácia habitavam. Outras, ainda ligadas à sua especialidade, quer em operações no terreno, quer no posto clínico.
Este camarada com um comportamento que lhe era peculiar – educado, paciente e obstinado! - Uma vez, faz-me o Botas lembrar, consertou uma bicicleta tipo “pasteleira” que num canto estava abandonada, onde nos dias de folga, sobretudo aos domingos, aproveitava – vaidoso – para dar as voltas ciclo turísticas pela tabanca, vestindo sempre uma tchart com motivos havaianos que “desviou” dum monte de roupa usada destinada a distribuir pelos naturais. Uma semana após o nosso primeiro encontro, com a presença do Comandante da Associação (Vítor E. Santo), do Sargento Bombeiro (Alberto) e do Zé Santos (Alcântara), no almoço que o Duque fez questão de nos presentear, apercebo-me, mais, que este nosso companheiro, já reformado, com 46 anos de bombeiro, ainda presta serviço nas áreas da manutenção e da conservação na instituição. Apercebo-me do superior destaque dos feitos do Duque em bravura, e dos serviços prestados à comunidade, não lhes cabendo no seu largo peito as medalhas – desde o bronze ao ouro - que lhes foram merecidas ao longo dos anos, por muitas e variadas entidades.
Bem hajas Duque! Pica Sinos
(NATAL2008)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

O Matos no Natal de 2008


O MATOS NOS DIAS DE HOJE (no Natal de 2008)
AS SUAS “PÔPAS” EM TITE
FARIAM INVEJA AOS “PUTOS” DESTA ÉPOCA
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Pelo meio da manhã, véspera do Natal, desço a Rua Garrett, o Chiado como dizem os lisboetas, e sou surpreendido por gente do circo!
…Uma grande bicicleta montada por um jovem todo de branco que apregoava…Olha o circo…Olha o circo…um outro no cimo de altas andas, também. Na frente duas lindas majorettes, bem caracterizadas e muitos sorridentes, contribuindo com a sua graça para a frescura da manhã que se faz sentir. Por último a charanga. Devem ser, todos, da Companhia de Teatro do Chiado – Mário Viegas.
O Chiado, que eu amo, foi refúgio favorito do Fernando Pessoa e do Eça de Queiroz. Foi pólo intelectual de Lisboa no século XX. O Chiado diz o poeta…não pode ser explicado apenas sentido…É verdade! Só no Chiado eu consigo “sentir” a vivência dos dias quando me encontrava com a minha amada, na esquina do Eduardo Martins, no final dos dias de trabalho. Mas deixemos isso por agora, estou aqui para “falar” do Matos!

O Joaquim Correia de Matos, 1º Cabo de Transmissões em Tite, nasceu em Lisboa a 27 de Novembro de 1945. Aos 10 anos já trabalhava na oficina de sapateiro do seu pai. Seguiu a profissão de empregado do comércio – Caixeiro – vive desde há muito em Arruda dos Vinhos, (concelho que faz fronteira com o de Vila Franca de Xira), e é nesta manhã fresca e animada que vou ao seu encontro numa das sapatarias de luxo, na Rua Garrett, onde trabalha há 39 anos.
O encontro desenrola-se à mesa num “café”. E começo por dizer que o objectivo é…satisfazer muitas perguntas de antigos camaradas que não se cansam de por ti perguntar, pois, há muitos, muitos anos não te vêm…, digo!
Olha, diz… são muitas as vicissitudes da vida que me levaram a não me encontrar com os camaradas… não exemplificando, vai dizendo que… o tempo que passou na Guiné o considera em duas partes:
…Uma, bastante má, que era naturalmente a guerra, com todos os problemas. A principio o medo que é natural em qualquer um de nós. Depois vamo-nos habituando à situação!...
…Mas a situação psicológica era bastante grande, e na parte final com o regresso já próximo a ansiedade aumentou!...Mas tudo se passou e terminou o martírio e o regresso aconteceu!...Ficaram alguns traumas, infelizmente alguns ficaram por lá!...
Não o interrompo, respeito o seu desabafo que também é meu.
…A outra parte, diz…a boa, foi naturalmente o convívio e a camaradagem, derivado também da situação difícil em que vivíamos nos “obrigava” a aproximar mais uns dos outros…
…Posso de uma forma resumida dizer que apesar do seu lado mau, devido à situação de guerra, foi uma experiência que nos ensinou o lado mau (sublinha) da vida…
Com este grande e humilde camarada, lembro-me de dois acontecimentos: um na viagem e um outro já em Tite; o seu enjoo no barco que durou (8 dias), desde a passagem da Ponte sobre o Tejo até Bissau, e a febre tifóide que contraiu e o levou ao internamento hospitalar durante três meses.
Ainda uma outra, (que irritava o pessoal, mas de fazer inveja aos “putos” de hoje) recorda-me o Costa, eram os suas “pôpas” nos penteados “enroladas em brilhantina”, contrastando com o fardamento roto e empoeirado, levando a “malta” numa das vezes, pela força, fazer mergulhar a sua cabeça dentro de um bidão de agua que estava por perto.
Despeço-me do Matos com um…até amanhã! Mas deu para perceber que, em Ovar, no próximo encontro do pessoal, lá o teremos para o abraçar.
Raul Pica Sinos
(dez2008)

Nota - O Matos faleceu em Novembro de 2018. Paz à sua alma!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

O NATAL AMANHÃ...


AMANHÃ…………….
.
Não sei.
Serão os nossos filhos e netos que irão gerir a herança que lhes deixamos.
Espero que a saibam aproveitar e não deixem morrer os valores que lhes ensinamos.
Até
Poderão vir a ser os donos do mundo.
Ter muitos carros, vivendas e muito dinheiro
Dar muita vida aos espaços comerciais. Com muita luz e cor
Pôr muitas pistas de gelo
Pôr as cidades vilas e aldeias ainda mais iluminadas e bonitas
Pôr as ruas ainda mais cheias de luz e cor.
Com mais árvores luminosas
Com muitas renas e kilómetros de tapetes vermelhos.
Poderão dar mais presentes
Encher a casa de prendas
Poderão até correr desenfreadamente à procura do nada

Do supérfluo
Poderão até comprar o poder
Sim o poder também se compra!
Poderão comprar benesses e favores
Até poderão........
Temo é que ELES não tenham a inteligência suficiente para parar e pensar
Pensar na família, nas crianças, nos amigos
Pensar num Mundo puro e sem maldades
Temo que aplaudam e sigam os maus exemplos da corja nojenta de corruptos
Que nos rodeia
Temo que não tenham força e poder para bani-los da nossa sociedade
Temo que desculpam o criminoso e punam a vítima
Temo que desculpam o bandido e culpabilizem o benfeitor.

Se não conseguirem, creio bem no fim do Natal.

Por favor corram desenfreadamente à procura de carinho, solidariedade e humildade.
Por favor não enganem o Natal.

Que Eles saibam ser dignos de NÓS.
Feliz Natal
António Cavaleiro
(dez2010)

O Costa faz hoje anos



Parabéns ao Costa por mais um aniversário. Votos de boa saúde e bem estar, que continues em forma amigo.
Um grande abraço. Leandro Guedes.
                        

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

O NATAL DA MINHA INFÂNCIA...!


O NATAL DA MINHA INFÂNCIA

Logo no primeiro dia das férias escolares, dava-se início à “construção” do presépio.
Munidos de sacholas, enxadas e outros utensílios íamos pelos campos apanhar: musgo, terra, esta de preferência de cor avermelhada (barro), arbustos e pedras, para que estivéssemos na posse de tudo o que era necessário para a nossa grande tarefa….
Depois era deitar mãos à obra e fazíamos de tudo……, bastava um pouco de imaginação e alguma arte…
Com papel-cenário de côr azul, conseguíamos obter um céu lindíssimo, as estrelas eram desenhadas e recortadas em cartão e depois forradas, umas com papel-prata e outras com papel-dourado; construíamos os montes, os vales, os caminhos, os riachos e ribeiras; com algodão fazíamos a neve que traduzia a existência do frio próprio da época…. enfim, tudo era feito com uma dedicação tal que, acabado o presépio, estávamos perante uma autêntica obra de arte e com a consciência do dever cumprido.
Depois ficava-nos a grande ansiedade pela chegada da noite de Natal. Era na verdade um grande momento…

Pôr o sapatinho na chaminé na noite do dia 24 de Dezembro, para que o Menino Jesus pudesse deixar presentes àqueles que, durante ano se tinham portado bem, que tinham sido obedientes, bons alunos, etc, etc…..era a tradição que todos nós (os actualmente sexagenários) conhecíamos, era aquilo que os nossos pais e avós nos transmitiam e que na verdade tinha tanta beleza, tanto encanto….
O Jantar de Natal era com toda a família reunida e, à meia-noite, todos ou quase todos, iam assistir à missa do galo.
Porém, ninguém se ía deitar sem primeiro depositar, junto à chaminé os seus sapatos, ou botas, sim porque se defendia  na altura que, nas botas, o Menino Jesus teria possibilidade de deixar mais e maiores presentes…...
No dia seguinte, bem cedo, era a corrida à chaminé e a grande alegria para os mais novos que se deliciavam a abrir cada um dos presentes que o Menino Jesus tinha escolhido para lhes oferecer….
Era assim o nosso Natal…….
E como era interessante, como era lindo, como era mágico……

Que saudades....
Albertina Granja
(Dez2010)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

A mensagem do nosso comandante


O nosso capitão Paraiso Pinto, também ele um info-excluido, envia a sua mensagem de Natal e Ano Novo, com votos de Feliz Natal e boa saúde, para todos aqueles que estiveram em Tite, na Guiné/Bissau e seus familiares.

Boas Festas do Carlos Azevedo



A todos quantos permanecem na minha memória e a quantos me retêm na sua memória eu desejo Boas "FESTAS NATALÍCIAS" .
Saudoso abraço .
CARLOS AZEVEDO