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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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quinta-feira, 10 de abril de 2008

O Zé das osgas


O "Zé das Osgas" mais conhecido pelo Zé Justo, meu camarada e amigão de sempre tem uma colecção de fotografias retratando diversos assuntos do período da guerra colonial de grande valor que fez o favor de me oferecer uma cópia.
É um trabalho que decerto levou anos a recolher, catalogar e a legendar. Trabalho que ainda hoje vai completando sempre que lhe chegam novidades.
De valor incalculável o seu (nosso) trabalho em modelismo que já me levou horas a apreciá-lo,
não só no computador (hoje) mas também em Tite.
Dêem um pulo ao sitio dele e digam-me se não tenho razão. http://comoze.blogspot.com/
Parabéns Justo.
Ainda há dias falámos no Contino e da sua captura em Bissassema.
O Guedes publicou aqui no blog uma foto dos companheiros que foram prisioneiros em Conacry.
Recentemente descobri a morada do Contino. Garantiu-me que vai estar no nosso próximo Encontro em Salir do Porto e, não é que a consultar o magnifico trabalho do Justo encontrei uma foto onde está com o Justo, o Contino (esquerda) e o Madureira (em baixo).
Bem hajas Justo
Um grande abraço
Pica Sinos
alcinda leal disse...
Leandro fui ao Blogue do seu camarada Zé Justo e fiquei encantada!Que jeito!E as fotos também são uma maravilha!Cumprimentos
10 de Abril de 2008 23:18
Jorge disse...
Olá a todos. Este é o meu segundo comentário no blog do meu Pai...ou do Guedes. Para mim que tenho hoje 33 anos, e não vivi os horrores da guerra, nem tão pouco cumpri serviço militar(passei á reserva) não me é dificil perceber como um simples blog, email, ou almoço, sirva para "alimentar" toda uma amizade que dura deste a altura da Guerra Colonial. Por tudo o que passaram em conjunto, as alegrias, as tristezas durante esse tempo, vale a pena os vossos encontros e que a vossa amizade perdure por muitos e bons anos.Um grande abraço para todos.Velhote...tás aquela máquina, emails e blogs e internet é contigoagora!!
11 de Abril de 2008 15:49
Jorge disse...
Esqueci-me de mencionar que consultei alguns sites sobre a guerra colonial que talvez vos ajudem a encontrar mais companheiros de armas.www.guerracolonial.home.sapo.pt.
11 de Abril de 2008 15:55
disse...
Raulão, gostei da frase "de valor" não sei se vez a novela da TVI ? embora não embarque nessas coisas, acho um piadão ao indíviduo que utiliza muito essa frase !!
11 de Abril de 2008 18:33
Raul Pica Sinos disse...
Ao ler a intervenção do filho do Guedes, que está um "brinco" pela sua simplicidade, não podia deixar passar despercebido aquele "grande abraço para todos". Aceita o meu grande abraço também. Jorge eu sei que não tens dúvidas quanto ao teu pai. "Velhote...tás aquela máquina....mas, enquanto te abraço digo-te ao ouvido que o pai quando "menino e moço" em Tite já era aquela uma máquina. Não penses que ele era, passava, despercebido ao "povo". O teu pai sabe, eu sei que ele sabe histórias muito interessantes da malta, em especial do seu principal circulo - os furrieis - dignas de serem publicadas. Que tal uma "cunha" ao filho para lhe dar coragem nos "desabafos".Obrigado Jorge. Muitos e muitos anos cheios de felecidade também ti e para todos aqueles que amas
Raul Pica Sinos

Havemos de voltar a Viana, onde já fomos muito felizes num belo almoço organizado pelo Cavaleiro ...

Amigos,

Apenas por curiosidade (e porque não “cultura”) quero dizer-vos que a Biblioteca de Viana do Castelo é um projecto do Arquitecto Sisa Vieira. É um edifício digno de ser visitado. É uma referência para a cidade de uma obra de um grande arquitecto! Não se quem fez referência à escassez de livros, mas…………aproveito para informar que a biblioteca de Viana do Castelo dispõe de um espólio grandioso e valiosíssimo! Provincianos, mas…………………orgulhosos daquilo que é nosso!!

Falar-vos de Viana poderei ser entendido como “suspeito”. Entendam o que quiserem, mas não me vou privar de vos dizer que dentro do programa POLIS, na qual a biblioteca está inserida, existe um outro projecto, muito badalado, de autoria do meu filho. Trata-se do CMIA - Centro de Monitorização e Interpretação Ambiental, que faz parte integrante do parque da cidade. É uma obra (recuperação) digna de ser visitada. Evidentemente que estou muito orgulhoso, mas………..quero mais!!!!

Podem visitar em

http://www.youtube.com/watch?v=oRgLVAaCv0o

http://www.vianapolis.pt/conteudo.php?id=1676

Um abraço,
Cavaleiro

Sobre o ensino e os seus "pensadores" de tudo e de coisa nenhuma

Como diz um dos Gatos Fed. há gente que quando não sabe, explicaAqui vai uma carta que o Cavaleiro me fez chegar. Sobre os Professores - a Miguel de Sousa Tavaress, (não sei se os meus camaradas acham que vale a pena ocupar o espaço deste nosso blog com este sr. mas de qualquer maneira aqui vai uma excelente carta duma senhora professora:) "É do conhecimento público que o senhor Miguel de Sousa Tavares considerou 'os professores os inúteis mais bem pagos deste país.' Espantar-me-ia uma afirmação tão generalista e imoral, não conhecesse já outras afirmações que não diferem muito desta, quer na forma, quer na índole. Não lhe parece que há inúteis, que fazem coisas inúteis e escrevem coisas inúteis, que são pagos a peso de ouro? Não lhe parece que deveria ter dirigido as suas aberrações a gente que, neste deprimente país, tem mais do que uma sinecura e assim enche os bolsos? Não será esse o seu caso? O que escreveu é um atentado à cultura portuguesa, à educação e aos seus intervenientes, alunos e professores. Alunos e professores de ontem e de hoje, porque eu já fui aluna, logo de 'inúteis', como o senhor também terá sido. Ou pensa hoje de forma diferente para estar de acordo com o sistema? O senhor tem filhos? - a minha ignorância a este respeito deve-se ao facto de não ser muito dada a ler revistas cor-de-rosa. Se os tem, e se estudam, teve, por acaso, a frontalidade de encarar os seus professores e dizer-lhes que 'são os inúteis mais bem pagos do país.'? Não me parece... Estudam os seus filhos em escolas públicas ou privadas? É que a coisa muda de figura! Há escolas privadas onde se pagam substancialmente as notas dos alunos, que os professores 'inúteis' são obrigados a atribuir. A alarvidade que escreveu, além de ser insultuosa, revela muita ignorância em relação à educação e ao ensino. E, quem é ignorante, não deve julgar sem conhecimento de causa. Sei que é escritor, porém nunca li qualquer livro seu, por isso não emito julgamentos sobre aquilo que desconheço. Entende ou quer que a professora explique de novo? Sou professora de Português com imenso prazer. Oxalá nunca nenhuma das suas obras venha a integrar os programas da disciplina, pois acredito que nenhum dos 'inúteis' a que se referiu a leccionasse com prazer. Com prazer e paixão tenho leccionado, ao longo dos meus vinte e sete anos de serviço, a obra de sua mãe, Sophia de Mello Breyner Andersen, que reverencio. O senhor é a prova inequívoca que nem sempre uma sã e bela árvore dá são e belo fruto. Tenho dificuldade em interiorizar que tenha sido ela quem o ensinou a escrever. A sua ilustre mãe era uma humanista convicta. Que pena não ter interiorizado essa lição! A lição do humanismo que não julga sem provas! Já visitou, por acaso, alguma escola pública? Já se deu ao trabalho de ler, com atenção, o documento sobre a avaliação dos professores? Não, claro que não. É mais cómodo fazer afirmações bombásticas, que agitem, no mau sentido, a opinião pública, para assim se auto-publicitar. Sei que, num jornal desportivo, escreve, de vez em quando, umas crónicas e que defende muito bem o seu clube. Alguma vez lhe ocorreu, quando o seu clube perde, com clubes da terceira divisão, escrever que 'os jogadores de futebol são os inúteis mais bem pagos do país.'? Alguma vez lhe ocorreu escrever que há dirigentes desportivos que 'são os inúteis' mais protegidos do país? Presumo que não, e não tenho qualquer dúvida de que deve entender mais de futebol do que de Educação. Alguma vez lhe ocorreu escrever que os advogados 'são os inúteis mais bem pagos do país'? Ou os políticos? Não, acredito que não, embora também não tenha dúvidas de que deve estar mais familiarizado com essas áreas. Não tenho nada contra os jogadores de futebol, nada contra os dirigentes desportivos, nada contra os advogados. Porque não são eles que me impedem de exercer, com dignidade, a minha profissão. Tenho sim contra os políticos arrogantes, prepotentes, desumanos e inúteis, que querem fazer da educação o caixote do( falso) sucesso para posterior envio para a Europa e para o mundo. Tenho contra pseudo-jornalistas, como o senhor, que são, juntamente com os políticos, 'os inúteis mais bem pagos do país', que se arvoram em salvadores da pátria, quando o que lhes interessa é o seu próprio umbigo. Assim sendo, sr. Miguel de Sousa Tavares, informe-se, que a informaçãozinha é bem necessária antes de 'escrevinhar' alarvices sobre quem dá a este país, além de grandes lições nas aulas, a alunos que são a razão de ser do professor, lições de democracia ao país. Mas o senhor não entende! Para si, democracia deve ser estar do lado de quem convém. Por isso, não posso deixar de lhe transmitir uma mensagem com que termina um texto da sua sábia mãe: 'Perdoai-lhes, Senhor Porque eles sabem o que fazem.' Ana Maria Gomes Escola Secundária de Barcelos " http://educar.wordpress.com/

O blog também serve para alertas. E este do nosso incansavel Zé Justo, é mesmo importante

URGENTÍSSIMO Fiquem atentos nos próximos dias!Não abram nenhuma mensagem com um arquivo chamado 'invitation',Independentemente de quem a enviou.É um vírus que 'abre' uma tocha olímpica que 'queima' todo o Disco rígido docomputador.Este vírus virá de uma pessoa conhecida cujo nome faz parte sua Lista de endereços, por isso você deve enviar esta mensagem a todos os seus contactos·É preferível receber 25 vezes esta mensagem, do que receber o vírus e abri-lo.Se receber a mensagem chamada 'Invitation' não a abra e apague-a do seu computador imediatamente!·É o pior vírus Anunciado pela CNN e classificado pela Microsoft Como o mais destrutivo que já existiu.Ele foi descoberto ontem à tarde pela McKafee e não existe Anti-vírus para ele.O vírus destrói o Sector Zero do Disco Rígido, onde as informações Vitais de seu funcionamento são guardadas.ENVIE ESTA MENSAGEM A TODOS AQUELES QUE VOCÊ CONHECE.

Este Pica Sinos, tem mesmo pica, não pára. Assim dá gosto...


Malta
Já tenho o endereço electrónico do Sopinha.
O Sopinha era um Op. de Cripto que nós fomos render mas que ainda esteve uns meses connosco em Tite.
Casou lá por procuração e fomos, os "companheiros da profissão", convidados à boda que tivemos a honra de confeccionar.
Há registos disso e fotos que junto uma onde o Sopinha está na companhia do Justo à porta do Centro de Cripto.
Como estão recordados na porta do Centro de Cripto havia um pequeno passeio, mas suficiente alto que dava para nos sentarmos, conversarmos, observarmos e "cuscar". Ali víamos tudo ou quase tudo.
Há cenas giras que muitos de nós presenciamos. As minhas, aquelas que presenciei e que me lembro, quando houver mais tempo não deixarão de aparecer.

Pica Sinos

Belas imagens enviadas pelo Pica Sinos, para o descanso dos guerreiros





























terça-feira, 8 de abril de 2008

Faz hoje 41 anos...


Meus amigos

Foi no longinquo dia 8 de Abril de 1967, que partimos rumo à Guiné, onde permanecemos vinte e três meses, durante os quais se criaram laços de amizade que perduram entre nós. Completam-se portanto, 41 anos.
Ainda hoje é um dia de emoções...
Recordando esse dia envio um grande abraço para todos.
Lembremos aqui e agora aqueles que não regressaram e também aqueles que tendo regressado, entretanto também já partiram..
Leandro Guedes.


Renasceu dois de nós. Só por vos termos encontrado, o Sopinha e o Costa, valeu a pena iniciarmos este blog.
Outros serão encontrados também.

José Costa disse...
Meus Deus!! Quis o destino que precisamente hoje, 41 anos depois, e de tanto procurar os meus companheiros da CCS Bart 1914, nos jornais,nas revsitas e anúncios vários, numca encontrei ninguém!E hoje por um acaso encontro este blog!!!Então eu sou o Costa Op.Msgs!! Alguém se lembra de mim? Dêm-me notícias vossas... porra!
8 de Abril de 2008 23:42

alcinda leal disse...
As maravilhas da blogosfera!Leandro, razão tinha o nosso professor em insistir que criássemos os nossos blogues!Estou completamente rendida! Já viu as possibilidades de Comunicação?O vosso camarada Zé Costa encontrou-vos através do blogue!Também na minha família criámos um blogue de forma a comunicarmos os cerca de 40 elementos que a constituem!O meu blogue fica assim para a comunicação entre amigos!Eis a razão por que estou rendida à Blogosfera!Cumprimentos
9 de Abril de 2008 15:42

Raul Pica Sinos disse...
És o Costa de Ovar?Onde andas?O Blog já falou de ti várias vezesO Cavaleiro também já perguntou por ti.O Justo já mostrou várias fotos tuas.Vai ler a história do Padeiro Contige e lá vens mensionado.Diz coisas rapazDeixa a tua morada electrónicaPica Sinos
9 de Abril de 2008 18:16

Justo disse...
Grande Costa, sejas ben aparecido rapaz, sou o Justo op. Cripto lembras-te? Tenho perguntado por ti pois eras do nosso grupo de convivio diário. Vou falar com o pessoal de forma a contactar-mos mas sem deixar mails nos Blogs.Um abração e até breve.
9 de Abril de 2008 20:17

Amigo Costa
Folgo em saber que ainda "mexes"A malta ( Justo e Cavaleiro entre outros) têm perguntado por ti e não tinha respostas. Disse que te encontrei várias vezes (há muitos anos) no Porto na estação deS.Bento. Mas que perdi o teu rasto. Felizmente apareceste. Tenho escrito umas coisas para o blog onde mencionei o teu nome uma ou duas vezes.Seria muito bom que dissesses algo aos amigos que te procuraram e já agora, no Blog.
Um AbraçoPica Sinos

Nota: Para todos
Um dia destes vou encontrar-me (para a semana que vem) com o Dr. ParaísoPinto para me fornecer uns elementos Da nossa vida em Tite, já está tudo combinado.Como ele não "mexe" nestas coisas da Internet vou fazer copia de todos os textos do blog entregar ao amigo.Aliás fiz ao Contino que mandei por correio.Também para a semana (talvez no mesmo dia) vou almoçar com O Sopinha e vou dar os vossos endereços electrónicos. Se não se importarem.
(ainda perguntas?. Segue em frente Amigo).

Acham que já viram tudo ???...


Então leiam esta:

O "artista" costa riquenho Guillermo Habacuc Vargas ultrapassou todos os limites - éticos e humanos - ao expor um cão faminto amarrado em uma galeria de arte. O animal acabou por morrer durante o "evento artístico".

domingo, 6 de abril de 2008

Do livro do Alf. António Rosa - a trágica noite de Bissassema

este trecho, gentilmente enviado pelo Pica Sinos. No capitulo Bissassema, a paginas 60 do seu Livro Memórias de Um Prlsioneiro de Guerra, diz 0 António Julio Rosa (4): "Dentro do posto encontrava-me eu, o Maciel, o Cardoso, o Gomes e os tres operadores das transmissoes. De repente, apareceu, transtornado, o comandante da milicia de Tite. So teve tempo de nos dizer que os terras estavam dentro do perimetro e se dirisiam para o local onde nos encontravamos, Mal acabou de falar fomos atacados. Nao deu sequer tempo para se tentar encontrar uma solução... Rapidamente procuramos sair para 0 exterior. 0 Maciel, o Cardoso, 0 Djaló e o Gomes conseguiram sair, Quando cheguei a porta, seguido pelo Geraldino e pelo Capitulo, rebentou uma granado ofensiva mesmo na nosso frente. Eu levava a arma na mão mas de nada me serviu. Com o sopro da exptosão fui empurrado para trás e não via nada pois tinha os olhos cheios de terra. Com o estrondo, fiquei surdo,. Foi uma sensacao horrivel!... Pensei que ia morrer!...Foi impressão instantanea que passou em segundos. Entretanto, tive outra sensacão!... Tive o pressentimento que ia ser abatido.. Sinceramente, fiquei preparado para morrer... Foi o que senti e afirmo que, naquele momento, se tivesse acontecido, nao me teria custado nada, Reconheci que estava impotente e nada podia fazer para contrariar aquela accão, Afinal, nao tinha chegado ainda a minha hora e, agora, espero bem que não esteja para chegar em breve. Naquele dia foi mesmo Deus que não permitiu o fim do meu viver; e a proteccão divina ir-se-ia manter no futuro, pois foram muitas as vezes em que a minha vide esteve presa só por um fio muito tenue. Senti-me agarrado, ao mesmo tempo que alguem me socava, violentamente, mas não sentia qualquer dor. Recordo-me que o meu quico saltou da cabeca e nunca mais o vi, Estava prisioneiro.. 0 Dino e o Capitulo tiveram a mesma sorte!... 0 Ramalho, um dos telefonistas, recuou escondendo-se debaixo duma cama, assistindo a toda aquela cena. Foi mais bafejado pela sorte!... Nunca mais o vi nem falei com ele. Depois de nos terem levado para longe dali, fugiu para Tite." Do meu filho Jorge ... Este meu velho é o máximo, sempre em cima do acontecimento. Agora ele é blogs e internet. Força aí velhote!!E um abraço para os restantes membros do Batalhão de Artilharia 1914. Alguns de vós se lembrarão que também estive no primeiro dos vossos encontros na Areia Branca perto da Lourinhã.Um abraço para todos.

Parabens ao Futebol Clube do Porto.


A todos os nossos camaradas e amigos do F.C.P. os nossos parabens.
Aos outros que tenham a dignidade de reconhecer quem foi melhor.
É assim a vida.
Um abraço.
A propósito de futebol, o meu amigo Carlos Pinheiro (que acho eu é benfiquista...) enviou esta mensagem, que acho deliciosa:

IRS 2008 - Anedota
*Dúvida colocada no site das Finanças:
"Sou sócio do Benfica e estou a fazer a minha declaração de IRS. * *Como pago a quota de sócio todos os meses, devo colocar o Benfica como meu dependente?"

Resposta das Finanças:
"Claro que não. Só pode colocar dependentes na Declaração de IRS quem ganhou alguma coisa em 2007. * *No seu caso, uma simples Declaração de Isento é o suficiente."*

Sempre convosco na minha mente... Amizades na guerra, amizades para toda a vida...


"Grande Justo

Hoje Abril, vou comemorar os quatro anos da minha neta Inês. Os miúdos vão brincar, os mais velhos confraternizar, é praticamente tudo familia.Espero um dia receber a noticia que tu entraste para o meu clube -- os dos avós--.Dói-me as costas como o caraças. Por causa da festa tive que mudar na casa da minha filha um autoclismo e estou todo empenado. Não foi só por isto, fui ao Furam de Almada comi lá uma sopa que me fez uma diarreia daquelas que não te digo nada. Isto tudo junto faz que esteja todo derriado. Mas isto passa.Tu meu grande camarada e amigo. como sabes sempre presente na minha mente também. Desejo-te um bom fim de semana e para sempre tudo do melhor.Até sempre.

Pica Sinos

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Já Guerra Junqueiro escrevia assim em 1886...



Qualquer semelhança com a actualidade em Portugal, é pura coincidência.

" Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."

terça-feira, 1 de abril de 2008

Almoço convivio de 2008 - 19º.


Meus amigos, chegou a hora de ir almoçar...
Data - 17 de Maio, um Sábado
Local de concentração - Junto ao parque de campismo Baía Azul, em S.Martinho do Porto
Hora da concentração - 11:30
Almoço - no restaurante NASCER DO SOL, JUNTO AOS CAMINHOS DE FERRO DE SALIR DO PORTO

Ementa:
Entradas e aperitivo
Sopa de legumes
Bacalhau à casa
Cozido à Portuguesa ou Javali grelhado
Vinho, sumos, cerveja
Fruta e café
Bolo do Batalhão

Inscrições
Limite dia 9 de Maio. Façam a inscrição por favor porque é muito importante, sem isso o Monteiro não pode dizer no restaurante quantos somos.

Preços:
Adultos - 19 €uros
Crianças dos 3 aos 10 anos - 9,5 €uros

Contactos
Domingos Monteiro
244 771 895, ou 916100894

O Monteiro este ano fez um esforço para que o preço fosse mais barato e conseguiu. Não haverá prendas, porque tudo isso encarece...

O pessoal que vier de comboio apanha a linha do Oeste e sai em Salir do Porto, venha do norte ou do sul. Ficam logo ao pé do restaurante. Se quiserem ir à concentração então saem em S.Martinho do Porto e depois alguém lhes dá boleia para o restaurante.
Os que vierem de carro, metem-se na A8 e saem na TORNADA. Depois é só seguir as indicações para São Martinho do Porto, venham do norte ou do sul.

Passem palavra, por favor.
Um abraço e até lá.

domingo, 30 de março de 2008

Livro do Alf. António Julio Rosa

Foto da capa do livro, que está exposta no blog da força aérea, abaixo mencionado
Já encontrei o nome do livro do alf. Rosa, que foi indicado pelo Pica Sinos. A editora é Campo das Letras
Aqui vai um excerto dum texto do blog dos especialistas da Força Aérea, que podem procurar em "Blogs simpácticos"

"Memórias de um Prisioneiro de Guerra"

É bonito e comovente recordar o passado!
Camarada,Victor Barata,antes de mais quero dar-te os parabéns por criares este espaço que nos tem trazido apontamentos dignos de serem contados passados tantos anos, que,para além nos recordarem tempos antigos,têm passagens que só a Guerra nos proporcionou.
Ando algum tempo para entrar neste "NOSSO" Blogue,mas,embora tenha sido,com muito orgulho,ZÉ,fiz a comissão em Angola,e não sabia se seria possível entrar nesta,que agora digo,"Nossa" casa,mas depois de falar contigo,confirmei que continuamos a ser uma grande e unida família,OBRIGADO!
Fiquei surpreso com a mensagem anterior,desconhecia a existência de tal obra,mas já consultei a editora no intuito de me dizerem onde posso adquiri-la, em Gouveia ou se é possível enviar á cobrança.


Aproveito também para vos falar do Livro "Memórias de um Prisioneiro de Guerra" escrito por um camarada(1) do exército que foi capturado juntamente com mais dois companheiros.
É uma obra que é digna de ser lida para se poder avaliar o sofrimento destes homens que na flor da sua juventude, passaram alguns anos em cativeiro.
O local que lhes destinaram para ficarem prisioneiros,chamava-se"MAISON DE FORCE",em Kindia,era uma prisão de trabalhos forçados.
Na página 82/83 desse livro, pode ler-se isto:
"Os guardas daquele estabelecimento prisional,na Guiné Conacry,levaram-nos para o interior e fecharam-nos em celas individuais.Estas eram de tamanho muito reduzido e só deixavam ver um pátio central,através das grades,colocadas na parte superior da porta de ferro.Fiquei muito confuso e levantaram-se-me muitas dúvidas: Que mal teria eu feito àquele país,para me terem prisioneiro?!... Seria que nos iriam sujeitar a trabalhos forçados,como sugeria o nome da prisão?!...Estava deveras muito apreensivo
quando,inesperadamente,alguém abriu aporta da cela!...
Com espanto,vi um guarda acompanhado por um homem,de raça branca,com uma barba loira enorme.Pensei imediatamente:Só me faltava haver aqui cubanos!... Afinal estava enganado!... Estendeu-me a mão para me cumprimentar e perguntou-me se estava bom.A minha expectativa manteve-se!... Quem seria aquela personagem?...Ao apresentar-se-me dissiparam-se as dúvidas:
-"Sou o Lobato(2)!...Sou piloto da Força Aérea e estou aqui,como prisioneiro,há mais de quatro anos!..."
Vale a pena ler,hoje,o que os nossos Camaradas sofreram ontem,mas que felizmente,julgo estarem bem se saúde,que bem merecem.
Obrigado Victor.
Saudações ESPECIAIS!
António Ferreira OPC 2/68

(1) António Júlio Rosa,natural de Abrunhosa-a-Velha,Concelho de Mangualde.
Alferes Milº. Atirador/Artª.

(2)António Loureiro Sousa Lobato
Sargº.Pil.Av

VB-Ferreira tu e TODOS os militares,independentemente da província onde estiveram ou o RAMO DAS FORÇAS ARMADAS que representaram,têm sempre esta porta aberta para o que entenderem dever contar.
de biavisa:
Visito o seu blog porque acho útil dar-nos a conhecer o que se desconhecia. Talvez por ser proíbido e tendo tido 2 irmãos na guerra,não na Guiné, nunca me lembro de lhes ouvir histórias semelhantes. Porque regressaram sãos e salvos, talvez optassem por pôr uma pedra no assunto. E naquela altura, até talvez fosse melhor pois sabiam o que tinha sido doloroso para nós. Hoje e apesar dessa guerra ser uma parte negra da nossa história, que eu acho devemos esquecer, gosto dos relatos que fazem para ficarmos, na matéria, menos ignorantes.

Hoje é domingo, os dias são mais longos...

Foto de prisioneiros portugueses, na Guiné Conakry, onde se incluem o Continuo, o Capitulo e o Rosas, da CCaç 1743.

do Zé Justo:
Gooooooooood Morning...Vietnam !!Lembras-te deste filme Raulão, adorei a interpretação do gajinho, gandamáquina de actor.Ele é bom actor e tu bom escritor !! Gostei da ideia de deixares aos teus,relatos de dois marcantes anos da tua vida.Eles nunca se aperceberão na realidade do que foram esses tempos, mas devemos lembrar as asneiras de quem nos governou (e ainda outros governam).Lembro-me sempre que aos 16 anos já me martelava a cabeça o raio da guerra.Quanto mais os anos passavam, mais perto da tropa estava, e cada vez mais pensava no que me esperava.Depois corria a história (lembras-te) de que, quem se pirásse e fosse apanhado ia no mínimo para o forte de Elvas, e era condenado entre outras torturas, a subir e descer montes de vezes uma rampa de terra bastante ingreme com um barril meio cheio de água ás Costas !! Imagina o balançar da água dentro do pipo e tudo isto debaixo das caloraças Alentejanas.Andava a estudar na Veiga Beirão, e via os meus amigos ano-após-ano a desaparecerem do nosso convívio, rumo áquelas por um lado belas terras e que tanto mal nos fizeram por outro.Rapaz, elogios tu não precisas, mas gostei bastante da tua ideia. Já li os novos textos e já adicionei ao DVD Guiné.O DVD já está bastante mais completo do que o que vocês têm.Logo que ponha mais umas coisitas vossas e minhas, regravo tudo e mando uma cópia para cada um.Amigos Guedes e Cavaleiro...vamos lá a BOTAR FALADURA no Blog, têm que dar um ar da vossa graça, então essas recordações ??Volto a pedir-vos que no próximo almoço com o pessoal, divulguem o Blog, o trabalhador incansável, o Guedes e nós, merecemos mais colaborações.Hoje é Domingo, os dias são mais longos...vá lá um sorrisosinho prá objectiva !! Um abração para vocês
Zé Justo

e diz o Cavaleiro:
Nunca deixes aquilo que amas por aquilo que desejas, Pois aquilo que desejas te deixará pelo que amas! Hoje as 00:00h, o teu amor verdadeiro dará conta de que te ama! Algo acontecerá entre 1 e as 4. Amanhã prepara-te para a maior sorte da tua vida... (Fico à espera, mano...)

e diz o Pica Sinos:
Grande Justo. Sinto que já estás operacional. Ainda bem fico contente.Sei que a malta se vai encontrar, talvez dia 17 de Maio, um Sábado, numa localidade perto das Caldas da Rainha (Salir do Porto) .O convite deve estar quase a chegar.Dá para pensares em dares lá um pulo? Ou é muito penoso para ti? O que é pensas disso?Olha meu amigo. Esta coisa de andar pelas net(s) descobri muita coisa sobre a operação que não sei o nome que levou prisioneiros o Contino o Capitulo e o Alferes Julio Rosa. Inclusivé tenho fotografias deles na prisão em Conacry. Vou escrever brevemente um texto sobre esta operação e desta vez não posso deixar de citar fontes uma vez que encontrei depoimentos do "outro lado" e do Alferes Julio Rosa dando notas do acontecimento. (Aqui um recado para o Guedes - O ALferes tem um livro publicado sobre este acontecimento. Há morada? como podemos adquirir o dito livro?)Junto uma fotografia para "abrir o apetite"Bom, Justo: o que é que quero de ti? Quero que abras essa cabeçinha e que contes mais do que aquilo que escreveste nas fotos que tens no CD. Decerto te lembras de mais coisas que possam marcar esse dia. Aceita um abraço
Pica Sinos

sexta-feira, 28 de março de 2008

Mais uma sexta-feira, e nós mais velhos...

Um abraço para todos.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Conversas com a namorada, II...

Foto dum Choro

Tite, 31 de Março de 1968

Minha Querida Milocas
………………….
Há três dias para trás, fui assistir ao choro, nós chamamos velório, de um soldado que morreu. É impressionante quando se faz um enterro nesta terra. Muitos nativos, penso que familiares e amigos que vivem noutras, bem distantes, localidades se deslocam para fazerem o choro. Depois de visitarem o morto, vão saindo aos pares, a chorar e cantar dando voltas na tabanca onde está o corpo, outros dançam ao som do batuque.
Toda a população da tabanca e os visitantes oferece algo de seu, porcos, galinhas, cana (aguardente), vinho, panos, etc. e deixam-se ficar sentados nas tabancas em redor.
Há beleza na cerimónia, pois durante o choro há várias “lutas” entre os nativos de povoações diversas, não quero deixar de falar nas corridas com os braços abertos no ar acenando e parando rapidamente voltados para os presentes para os admirarem.
Todos vêm vestidos de bons panos, só as mulheres mais chegadas ao morto têm o peito descoberto. Muitos dos homens pintam de forma exagerada o cabelo com o pó do arroz. Mas o mais que me impressionou foi a mãe do desafortunado, aparentando ter cerca de setenta anos, de quando em quando dava cambalhotas, outras vezes sentava-se no chão batendo fortemente com as mãos contra a terra. Era impressionante a sua dor e sofrimento pela perda do seu filho.
Por fim chegou a hora do enterro, muitas das oferendas foram depositadas na campa. O choro entre eles durou mais três dias. E segundo me disseram repete ao fim de três meses. Assim vai a nossa africa toda ela cheia de surpresas.


Tite, 07 de Abril de 1968
………………
Esta noite que passou, a de segunda para terça, não me deitei, pois gostei de passar uma noite servindo de ajudante de padeiro. Amassei pão, depois foi a vez de brincar, enquanto os meus camaradas trabalhavam no dito cujo, eu fazia especialidades, tais como: uma rosca, uma carcaça e um caracol. Nada de risotas, as coisas até ficaram engraçadinhas, só queria que provasses quando as mui nobre especialidades saíram do forno!
Depois quando já eram umas seis horas da “matina”, já o café pronto, agarrei nos meus feitos e, vai daí botei manteiga. Só te digo que quentinhos como estavam e barradinhos com “teiguinha” sabiam demais……….


Tite, 22 de Maio de 1968
……………...
Tenho assistido aos jogos das equipas de futebol que se construíram em Tite. Uma até tem equipamento vindo de Bissau. Impressionado com tanta destreza, ontem para distrair e variar fui também eu dar uns pontapés na bola, acontecendo-me um percalço. Mas eu conto o desenrolar da jogada para que melhor possas compreender:

A bola estava nas mãos do guarda-redes adversário que a passou a um defesa da sua equipa. Este correu com ela ficando no meio campo. Ao ter encontro com um camarada da minha equipa foi desarmado. Corre para a baliza contrária, passou a bola cá ao rapaz. Eu senhor da bola corro em profundidade, finto um, dois, três, qual Eusébio, quando me preparo para rematar à baliza, em vez de dar o pontapé na bola dou no chão e o golo fica por marcar. Não só sofri pelas críticas dos restantes membros da equipa como pelos assobios da assistência que entenderam todo, injustificadamente, que nada jogo. E como sofro agora com dores no pé de inchado que está, mas não te preocupes que isto passa.

Raul Pica Sinos

quinta-feira, 20 de março de 2008

Páscoa Feliz 2008

A todos os meus amigos e familiares desejo uma Páscoa Feliz, com fortes votos de boa saúde e bem estar, não esquecendo paz e amor.
A todos um grande abraço.

notyet disse...No que me toca, retribuo com grande abraço
22 de Março de 2008 10:45

Zé Justo disse...
Meu caro, amêndoas e miminhos quanto baste nesta Páscoa, para ti e todos os Guedesinhos.
22 de Março de 2008 17:41

alcindaleal disse...
Leandro desejo-lhe a si, à Ana e restante família uma excelente Páscoa! Quero aproveitar este espaço para enviar a todos os combatentes em Tite e colaboradores deste blogue o meu muito obrigada pelas narrativas e BOA PÁSCOA! Aproveito para lhe dizer que o e-mail que lhe enviei hoje foi devolvido,mudou de endereço? Cumprimentos (Alcinda: não mudei de email, só que estava cheio).
22 de Março de 2008 18:27

Raul disse...No que a mim me toca quero agradecer os votos de Pascoa Feliz que retribuo a Alcindaleal. Quero também agradecer a simpatia manifestada por ler as narrativas que os colaboradores do Blog produzem e onde me incluo.Peço-lhe que não deixe de fazer criticas ou de fazer observações sempre que entenda por conveniente
23 de Março de 2008 20:50

O regresso...


NEM TODOS, E DIFERENTES
NO REGRESSO DA VIAGEM À GUINÉ

Tens em troca órfãos e órfãs
E campos de solidão
E mães que não têm filhos
Filhos que não têm pais
Zeca Afonso


A tarde já vai alta. Sem fanfarra e sem lenços a acenar soa a sirene do navio. São menos os que partem naquela primeira segunda-feira do mês de Março de 1969. Não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes.

Ficam para trás as águas barrentas, o navio já vai distante. Na ânsia da partida não tive tempo para me despedir daquela terra de cor vermelha, do seu cheiro, das árvores centenárias, dos pássaros, das bolanhas, do seu magnífico pôr do sol, do silêncio das noites estreladas, do seu povo. Imagem que a guerra não conseguirá apagar.

Dos ausentes, em tempo, “Em nome da Pátria”, através de um qualquer oficial subalterno, naquela que foi sua morada, a notícia da morte. A família e os amigos choram a sua sorte.

Com a data de cinco meses antes, a mim, e aos demais que me acompanham na viagem, é-me entregue um “papel verde”, “O Comandante Militar atesta o seu apreço pelos serviços prestados á Pátria na Província da Guiné”. Aos que ficaram para a vida inteira mutilados, estropiados não sei se a “Pátria” também lhes atestou o seu apreço.

As mesas e beliches nos porões do Uíge, pelo seu uso, não se notam que são de madeira, negra é a sua cor. Os vomitados do enjoo já não importa, a limpeza precária e a falta do banho diário, o barulho dos motores, pouco ou nada incómoda. Repete-se a vida no convés. Só nas conversas se observam excepções, são de contentamento e alegria.

Todos acordam cedo naquela manhã de 9 de Março, a brisa do mar gela-me a cara, os meus olhos já avistam a terra que me viu nascer. Uns choram, outros abraçam-se, procuro um lugar, como muitos, na amurada do navio. Já vejo o Tejo e os “cacilheiros”. Todos estrategicamente se calam para após a passagem da ponte, dizerem em uníssono……JÁ PASSOU.

O navio prepara-se para atracar, aqui, alem vêm-se cartazes….Estou aqui Manuel….., Leiria Esperamos por ti…….Família Santos Aqui……Massarelos Presente. Os gritos de alegria com o desembarque comovem. Mães, Pais, Filhos, Mulheres, Noivas, Amigos, todos se abraçam. A nuvem negra parece ter passado o sofrimento acabado.

Quartel do RAL 1 nos Olivais. O aeroporto de Lisboa está por perto, entregamos o que resta dos fardamentos. Despeço-me dos meus camaradas com um até breve. Vou para casa onde a família me espera. A guerra, essa sim, durou mais cinco anos.

Raul Pica Sinos
A foto e as legendas são do Justo
Zé Justo disse...
Raulão, tinhas o teu amor esperando ? eu desembarquei com 2$50 no bolso e a dever 40 e tal paus da lerpa...que nunca paguei !!!
22 de Março de 2008 17:44
Raul disse...
Não me lembro se tinha trazido algum dinheiro, penso que sim, mas não precisava pois tinha familia no RAL1 á minha espera. Ainda te lembras da cena ao entregar a roupa? Eles queriam que a malta entregasse mesmo estragada a roupa que nos tinham distribuido. Aqui vale-nos o Cap.PP em mandar rasgar tudo ao meio pois faziam já faziam duas peças. Que grande cena. Depois a coisa acalmou e houve malta que deixou lá a roupa em monte e veio embora. Esta cena foi o máximo. Raul Pica Sinos
23 de Março de 2008 19:15

Conversas com a namorada...


“ CONVERSAS COM A NAMORADA”

Tite, 15 de Janeiro de 1969

Minha Querida,
……………………………… Segundo informações no dia 28 de Fevereiro vamos para Bissau, embarcaremos a 03 de Março e devemos desembarcar a 8 ou a 9 se não houver avaria do navio tal como aconteceu na volta.
No entanto nada disto tenhas como certo, pois sabes que já várias vezes esteve marcada a nossa viagem para Lisboa e foi alterada. Diziam que a comissão era de dezoito meses, já lá vão 20 meses.
……………………. Como de costume outro grande susto. Talvez o maior desde que cá estou, pois durante cerca de quarenta minutos ouvi rebentamentos. Agora já passou, mas nada está garantido que não nos venham “visitar” em breve. Quem sabe? Daqui a 4, 5, 15 dias? Este tempo de espera, a saber que a partida está muito próxima, dá-me cabo da cabeça.

Tenho para dizer que hoje vi o caso mal parado, na medida em que já estava deitado e a dormir quando às duas horas e cinquenta e cinco minutos vieram-nos “aborrecer”. Minha querida Milocas, não te quero assustar mas se eu disser que hoje nos atacaram com seis canhões sem recuo, quatro morteiros 82 e outras armas ligeiras que também fazem grandes estragos não estou a mentir. Resultado: 14 feridos dos quais, dois em estado grave, evacuados para Bissau, uma caserna parcialmente destruída, uma outra no fundo do quartel com os lavabos que já eram, um jeep danificado, estilhaços dos projécteis nas paredes e nas portas e duas tabancas no exterior ardidas foi numa primeira analise o resultado verificado. De todos os ataques tenho tido medo, mas este foi demais. Talvez por cair uma granada do morteiro a cerca de três metros do meu quarto e ver faúlhas por todo lado.

Tite, 21 de Janeiro de 1969

Querida Milocas,
…………………………. Hoje escrevo para um dia poder recordar. Hoje sinto que devo fazer um balanço dos ataques que as nossas tropas já sofreram, os respectivos mortos, feridos e também desaparecidos:

19 de Julho de 1967, em Tite, três feridos;
03 de Fevereiro de 1968, em Bissassema, cinco mortos, nove feridos e três desaparecidos;
02 de Março de 1968, em Tite, dois mortos e sete feridos;
16 de Julho de 1968, em Tite, um morto e seis feridos; no Enxudé seis feridos;
16 de Outubro de 1968, em Tite, um ferido;
01 Novembro de 1968, em Tite, um morto e três feridos;
01 de Janeiro de 1969,em Tite, 1 morto e um ferido;
Um morto, soldado sapador deslocado em Nova Sintra.
15 de Janeiro de 1969, em Tite, catorze feridos.

Com consequências apenas materiais;
27 de Maio de 1967, em Tite;
28 de Maio de 1967, em Tite;
06 de Novembro de 1967, em Tite;
31 de Agosto de 1968, em Tite e
15 Janeiro 1969, no Enxudé.
Por acidente; dois mortos em Tite e um no Enxudé.
Em resumo: 14 mortos (inclui também naturais), 47 feridos (inclui também naturais) e 3 desaparecidos.

Querida Milocas, parece-me que já é uma “boa dose” de desgraça, isto é apenas ataques, não contados os tirinhos e rajadas que por vezes nos vêm cá dar. Mas deixemos agora a guerra e vamos falar dos nossos assuntos………………….

Despeço-me com muitas saudades, com muitos xoxos e muitos xis corações do noivo amigo que muito te ama

Raul Pica Sinos

quarta-feira, 19 de março de 2008

Dia do Pai...

Do amigo Zé Justo para todos nós, pais, avós etc.

Diz ele:

"Amigos, salvé este dia, e não nos esqueçamos da outra parte... as nossas mulheres!"

Um abraço Zé Justo.

A respeito do dia do Pai, vou transcrever aqui um poema de José Fernandes Castro. É dirigido a uma Filha ou a um Filho.

MINHA RAZÃO DE VIDA (José Fernandes Castro)

Minha filha meu poema Meu doce tema... d´inspiração.

Amor por mim inventado Musa dum fado... feito paixão...

Meu pedacinho de vida Com olhos lindos... da côr do céu

Minha roseira florida Prémio que a vida... me ofereceu.

Minha filha minha amada. Minha alvorada... de encantamento.

Meu respirar de alegria Meu novo dia... meu novo alento...

Tens no rosto tal beleza Que à natureza... fazes ciúme

Tens perfil de terna flor E o teu amor... é meu perfume

Meu quadro d´amor sublime Por ti se exprime... meu coração

Meu sonho realizado Fado cantado... com devoção...

Meu sol de cada manhã Meu talismã... minha verdade

Poema mais que desperto Caminho aberto... prá felicidade

Por pouco não se deu uma desgraça...

Foto de granadas defensiva e ofensiva

Ao reler uma das várias crónicas do Raulão Pica Sinos, lembrei um acontecimento caricato e quase dramático.
Todo o pessoal andava e tinha sempre junto ás camas a G3 e várias granadas de mão, pois nunca se sabia o que de um momento para o outro aconteceria, e...a “melhor defesa é sempre o ataque”.
Eu e o Pica tínhamos as G3 no Centro Cripto, mas no nosso quarto, debaixo da cama do Pica, tínhamos um stocksinho das ditas granadas como “prevenção”, pois o nosso quarto e Centro Cripto, ficavam mesmo defronte à porta de armas, e logo a seguir a área das tabancas.
Circulava de mão em mão pela malta uma “gracinha” feita por um habilidoso dos mecânicos de armamento - era um “expert” em armamento e desmanchou várias granadas de morteiro para fazer candeeiros, que vendia ao pessoal - tratava-se de uma granada de mão ofensiva, cuja carga de córdite e o detonador tinham sido extraídos, mantendo-se todo o mecanismo de disparo do manípulo com mola e tudo.
Ao principio este “maduro” - ái os vinte anos !! - gozava que nem um louco ao chegar ao pé de um grupo de pessoal, fingindo-se bêbado, aos tombos e a berrar... isto é tudo uma merda... estou farto...vou-vos matar...e sempre com a granada bem à vista na mão fechada.
Puxava a cavilha de segurança, que mandava ostensivamente para cima do pessoal, e de imediato lançava a granada para o meio do grupo !!! claro que a debandada e o pânico eram quase gerais, no entanto, e... parece incrível...mas vi alguns ficaram estáticos a olhar para a granada no chão !!
Havia sempre quem se insurgisse com a “brincadeira”, pelo perigo inerente, e tanta vez a gracinha se repetiu, que já ninguém ligava, pois era topado por todo o quartel.
O alferes Carvalho era viciado na caça, e quando saía para o mato, além duma “bruta” caçadeira semi-automática (que eu adorava) levava no cinto presa com um elástico cinzento largo, uma das tais granadas de mão...mas...claro verdadeira.
Uma tarde, depois de vir da caça o alferes deu-me a granada para levar para o C.Cripto. Estava aflito para ir à casa de banho, e como o Ovar do Centro de Mensagens, estava mesmo á porta, dei-lhe a granada e pedi para entregar ao Pica que estava de serviço. Acto contínuo...ele agarra na granada, mete o dedo na argola de segurança...e LANÇA-ME A GRANADA AOS PÉS !!!...fiquei atónito, e paralisado...passados uns segundos, consegui agarrar de novo na granada, e levei-a para dentro...todo eu abanava !!
Resumindo...pouco depois, quando convenci o Ovar que a granada era real, ele ficou boquiaberto, a cara de gozo com que tinha estado...passou a branca, amarela...sei lá !!
Então ele explicou-me, todo a tremer... que como a granada tinha à volta o elástico cinzento, e a tal granada desarmada, de tanto andar de mão em mão tinha uma fita isoladora CINZENTA à volta para segurar a cabeça que estava sempre a cair...ele pensou tratar-se da...dita falsa !!
Felizmente a argola de segurança tinha as pontas bem dobradas, o
que dificultou...e muito...a sua extracção...senão...decerto que haveria estupidamente...que juntar mais duas baixas no Batalhão 1914 !!

Zé Justo - Março 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

Vamos ler um pouco ?


Do nosso amigo Justo:
"Tal como me enviaram, partilho connvosco. É só fazer clique no título para ler ou imprimir. "

A Divina Comédia -Dante Alighieri
A Comédia dos Erros -William Shakespeare
Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
Dom Casmurro -Machado de Assis
Cancioneiro -Fernando Pessoa
Romeu e Julieta -William Shakespeare
A Cartomante -Machado de Assis
Mensagem -Fernando Pessoa
A Carteira -Machado de Assis
A Megera Domada -William Shakespeare
A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
O Eu profundo e os outros Eus. -Fernando Pessoa
Dom Casmurro -Machado de Assis
Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
Tudo Bem Quando Termina Bem -William Shakespeare
A Carta -Pero Vaz de Caminha
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
Macbeth -William Shakespeare
Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago
A Tempestade -William Shakespeare
O pastor amoroso -Fernando Pessoa
A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
O Mercador de Veneza -William Shakespeare
A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
Trabalhos de Amor Perdidos -William Shakespeare
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
A Mão e a Luva -Machado de Assis
Arte Poética -Aristóteles
Conto de Inverno -William Shakespeare
Otelo, O Mouro de Veneza -William Shakespeare
Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
A Metamorfose -Franz Kafka
A Cartomante -Machado de Assis
Rei Lear -William Shakespeare
A Causa Secreta -Machado de Assis
Poemas Traduzidos -Fernando Pessoa
Muito Barulho Por Nada -William Shakespeare
Júlio César -William Shakespeare
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
Cancioneiro -Fernando Pessoa
Catálogo de Autores Brasileiros com a Obra em Domínio Público -Fundação Biblioteca Nacional
A Ela -Machado de Assis
O Banqueiro Anarquista -Fernando Pessoa
Dom Casmurro -Machado de Assis
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
Adão e Eva -Machado de Assis
A Moreninha -Joaquim Manuel de Macedo
A Chinela Turca -Machado de Assis
As Alegres Senhoras de Windsor -William Shakespeare
Poemas Selecionados -Florbela Espanca
As Vítimas-Algozes -Joaquim Manuel de Macedo
Iracema -José de Alencar
A Mão e a Luva -Machado de Assis
Ricardo III -William Shakespeare
O Alienista -Machado de Assis
Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
A Carteira -Machado de Assis
Primeiro Fausto -Fernando Pessoa
Senhora -José de Alencar
A Escrava Isaura -Bernardo Guimarães
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
Sonetos -Luís Vaz de Camões
Eu e Outras Poesias -Augusto dos Anjos
Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
Iracema -José de Alencar
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
O Guarani -José de Alencar
A Mulher de Preto -Machado de Assis
A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
A Alma Encantadora das Ruas -João do Rio
A Pianista -Machado de Assis
Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
A Igreja do Diabo -Machado de Assis
A Herança -Machado de Assis
A chave -Machado de Assis
Eu -Augusto dos Anjos
As Primaveras -Casimiro de Abreu
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
Quincas Borba -Machado de Assis
A Segunda Vida -Machado de Assis
Os Sertões -Euclides da Cunha
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
O Alienista -Machado de Assis
Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
Medida Por Medida -William Shakespeare
Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
A Alma do Lázaro -José de Alencar
A Vida Eterna -Machado de Assis
A Causa Secreta -Machado de Assis
14 de Julho na Roça -Raul Pompéia
Divina Comedia -Dante Alighieri
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
Coriolano -William Shakespeare
Astúcias de Marido -Machado de Assis
Senhora -José de Alencar
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
Noite na Taverna -Manuel Antônio Álvares de Azevedo
Memórias Póstumas de Brás Cubas -Machado de Assis
A "Não-me-toques"! -Artur Azevedo
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
Obras Seletas -Rui Barbosa
A Mão e a Luva -Machado de Assis
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
Aurora sem Dia -Machado de Assis
Édipo-Rei -Sófocles
O Abolicionismo -Joaquim Nabuco
Pai Contra Mãe -Machado de Assis
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
Tito Andrônico -William Shakespeare
Adão e Eva -Machado de Assis
Os Sertões -Euclides da Cunha
Esaú e Jacó -Machado de Assis
Don Quixote -Miguel de Cervantes
Camões -Joaquim Nabuco
Antes que Cases -Machado de Assis
A melhor das noivas -Machado de Assis
Livro de Mágoas -Florbela Espanca
O Cortiço -Aluísio de Azevedo
A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
Helena -Machado de Assis
Contos -José Maria Eça de Queirós
A Sereníssima República -Machado de Assis
Iliada -Homero
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
Ficções do interlúdio: para além do outro oceano de Coelho Pacheco. -Fernando Pessoa
Anedota Pecuniária -Machado de Assis
A Carne -Júlio Ribeiro
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
Don Quijote -Miguel de Cervantes
A Volta ao Mundo em Oitenta Dias -Júlio Verne
A Semana -Machado de Assis
A viúva Sobral -Machado de Assis
A Princesa de Babilônia -Voltaire
O Navio Negreiro -Antônio Frederico de Castro Alves
Catálogo de Publicações da Biblioteca Nacional -Fundação Biblioteca Nacional
Papéis Avulsos -Machado de Assis
Eterna Mágoa -Augusto dos Anjos
Cartas D'Amor -José Maria Eça de Queirós
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
Anedota do Cabriolet -Machado de Assis
Canção do Exílio -Antônio Gonçalves Dias
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
Almas Agradecidas -Machado de Assis
Cartas D'Amor - O Efêmero Feminino -José Maria Eça de Queirós
Contos Fluminenses -Machado de Assis
Odisséia -Homero
Quincas Borba -Machado de Assis
A Mulher de Preto -Machado de Assis
Balas de Estalo -Machado de Assis
A Senhora do Galvão -Machado de Assis
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
A Inglezinha Barcelos -Machado de Assis
Capítulos de História Colonial (1500-1800) -João Capistrano de Abreu
CHARNECA EM FLOR -Florbela Espanca
Cinco Minutos -José de Alencar
Memórias de um Sargento de Milícias -Manuel Antônio de Almeida
Lucíola -José de Alencar
A Parasita Azul -Machado de Assis
A Viuvinha -José de Alencar
Utopia -Thomas Morus
Missa do Galo -Machado de Assis
Espumas Flutuantes -Antônio Frederico de Castro Alves
História da Literatura Brasileira: Fatores da Literatura Brasileira -Sílvio Romero
Hamlet -William Shakespeare
A Ama-Seca -Artur Azevedo
O Espelho -Machado de Assis
Helena -Machado de Assis
As Academias de Sião -Machado de Assis
A Carne -Júlio Ribeiro
A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
Como e Por Que Sou Romancista -José de Alencar
Antes da Missa -Machado de Assis

domingo, 16 de março de 2008

Por falar em... recordando!


A “suite” que ocupava no edifício das transmissões não tinha mais que seis metros quadrados (3x2). Era provida de um beliche duplo, o indispensável mosquiteiro, armário com gavetas e mesa-de-cabeceira, ambos de madeira com pintura pró abstracto. Duas janelas, uma com vistas para a porta de armas, a outra sem qualquer vista a não ser para a chapa de zinco da caserna que estava perto. A decorar uma das paredes, cuidadosamente e estrategicamente aplicadas, várias fotografias de mulheres em papel de revistas, fazendo inveja a qualquer decoração de cabina de tractores/TIR de longo curso, sendo, não raras as vezes, reclamadas para troca pelas mais variadas patentes militar, capitão inclusive.
Por falar em capitão……. As mensagens dirigidas ao comandante do batalhão por norma eram entregues a um capitão (não miliciano) da Companhia de Comandos e Serviços. Também era norma os operadores de cripto determinarem se o assunto era de molde, a acordar, durante a noite, ou não o dito cujo, sendo certo que em caso de dúvidas não hesitávamos em pôr as pernas ao caminho até pavilhão dos oficias.
Uma das noites, pelas três horas da madrugada, entendi acordar o indivíduo entregando-lhe uma mensagem classificada como urgente e secreta. O homem não gostou: “na próxima vez que me acordares às três da manhã levas com uma bota na cabeça” disse. Não sei que cara lhe mostrei, mas na verdade seguiu-se muitas vezes (nem sempre com a razão de ser) o odioso despertar a horas menos bem sem que as botas “voassem” do respectivo sítio.
Por falar em revistas……. Uma dada ocasião, o Alferes das transmissões, de joelhos em cima da cama superior do beliche, virado para a “exposição fotográfica” procedendo à operação de descolagem e colagem de fotografias, em jeito de brincadeira pergunto…….O meu alferes pertence aos “serviços secretos”? Porquê retorquiu. Os saltos dos seus sapatos têm a marca “SS”……. Não me pareceu que tivesse gostado da brincadeira, na medida em que, pronto respondeu: …….”Deves ter mais cuidado com o que dizes. E…… já agora, avisa lá a Maria Emília, (minha namorada) que deixe de falar com uma tal Lurdes (colega no emprego) sobre o que se passa em Tite”……. Ainda hoje estou para saber com é que ele obteve tal informação. Claro que não deixei de desabafar com a minha namorada a vida em Tite. Avisei, isso sim para Lisboa que a Lurdes tivesse mais cuidado nas conversas fora do contexto a duas.
Mas voltando ao quarto…….Já vos disse que o companheiro que partilhava comigo o quarto, era o Justo. Zeloso dos seus pertences, tinha o cuidado nas gavetas do armário que lhe estavam destinadas, colocar sabonetes desprovidos da respectiva embalagem para que a roupa absorvesse os aromas. A minha ia “à boleia” uma vez que ocupava as gavetas de baixo. Nos momentos de “insónias” tendo em conta “bejecas já despejadas” de entre uma das muitas conversas, o Justo era da opinião de montar na janela fronteira à porta de armas, uma metralhadora “Breda” …… “no caso de infiltração do IN, logo faríamos accionar o gatilho”…….“Umas granadas de mão também não era mal pensado”.
Por falar em granadas de mão……Lembro-me uma vez, com o propósito de caçar “rancho melhorado” numa das bolanhas existentes na estrada que ligava Tite ao Enxudé, junto ao arrozal, não a mais que a um quilómetro do quartel, resolvemos dar uns tiros aos patos que por ali costumavam estacionar. Com a nossa aproximação, logo levantaram voo, por mais tiros que fossem disparados, não vimos cair nenhum. Mas….não viemos sem petisco, as duas granadas de sopro que jogamos na água foi acto previamente estudado, para……no caso de insucesso com os “cantantes” a alternativa estava no caçar peixes, o que aconteceu.
Voltando atrás……evidentemente que expliquei ao belicista que partilhava o quarto comigo que a ideia da metralhadora não era boa. Fazia mais sentido construir entre o tecto falso e o telhado de zinco uma “placa” de toros de madeira e terra de modo a amortecer os impactos causados pelos morteiros 82 que o IN infligia nos ataques ao aquartelamento.
Por falar em ataques do IN……. No “barracão” do Palma, foi festa rija a passagem do ano 1967/68, felizmente sem “fogo de artificio” dirigido ao quartel. Das muitas bebedeiras existentes, uma sobressaiu! Assistido pelo médico e de levado às costas para a cama, o meu companheiro destas conversas esteve em coma alcoólico cerca de dois dias.
Já me esquecia……a placa de toros de madeira e terra que construímos nunca foi testada a sua eficácia, pelo menos no nosso tempo da permanência em Tite.

Raul Pica Sinos
A foto foi cedida pelo Justo