Batalhão de Artilharia 1914

4


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Rações de combate tipo E

 Ração de Combate tipo E

Do livro de Memórias da CCAÇ 797, enviada pelo amigo Manuel Pinto, transcrevemos este texto sobre as famosas Rações de Combate tipo E.


"Ração de Combate

O combatente tem que comer quando está na actividade operacional.

Era-nos distribuído um Kit, individual, e por vezes colectivo. “O Tipo E” está dentro do contexto que nos era entregue. Tínhamos bisnagas de leite condensado, leite com chocolate também condensado, além de frutas cristalizadas que nos aumentava a sede. O colectivo estava baseado, em enlatados de feijoadas, grão-de-bico com carnes de porco e vaca, juntamente com frutos secos e bolachas individuais.

Só que o transporte era penoso. Não levamos o bornal; (Saca em lona) que nos dificultava na progressão. Desfazia-mos o Kit, embrulhava-mos em sacos de plástico, só que; em tempos de chuvas, e travessias de rios a água ensopava a comida. Fez-se diversas tentativas para escolher a melhor opção, mas eram goradas.

Na mata, muitas vezes recorreu-se no terreno apanhando os frutos que se encontravam, que na maioria das vezes nos satisfaziam melhor, além das vezes transportavam algum liquido, que era o nosso principal drama a falta de água.

Manuel Pinto

CCAÇ 797 (BCAV 1860)"

nota - lamentavelmente este tema não foi tratado no nosso Livro de Memórias. LG.

Porto, Monumento de Homenagem aos Combatentes da Guerra do Ultramar

 O monumento está a ser construído em Lordelo do Ouro, mesmo ao lado da Capela do Senhor e Senhora da Ajuda, no Porto.

Monumento em construção

 Está a ser construído um novo monumento na cidade do Porto, em Lordelo do Ouro, para homenagear os militares do Porto que combateram no Ultramar. A construção já começou e está previsto que o memorial fique pronto até Março deste ano.

 A iniciativa é da responsabilidade da Associação para o Monumento de Homenagem aos Militares do Porto que combateram no Ultramar, em parceria com a Câmara do Porto, e vai consistir na "construção de uma praça hexagonal composta por cinco lápides e oito bancos, todos revestidos a granito", de acordo com o portal do município.

Capela do Senhor e da Senhora da Ajuda, perto do local onde está a ser construído o Monumento

nota - clica aqui para veres vídeo que relata lendas associadas à Capela do Senhor e da Senhora da Ajuda, bem como às mudanças do Catolicismo para o Anglicanismo, em Inglaterra. - CAMINHOS DA HISTÓRIA.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Do tempo da outra senhora


 Blog que se recomenda:

https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

é da autoria de Hernâni Matos

Blogue dedicado à Cultura Portuguesa (Etnografia, História, Literatura Oral, Bonecos e Olaria de Estremoz, Defesa do Património, Azulejaria, etc.)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Estatísticas no dia de hoje

 

De sempre498439
Hoje457
Ontem402
Este mês1343
Mês Anterior4240
Visitas por paises no último mês:
Suécia
972
Portugal
295
Alemanha
203
Estados Unidos
200
Ucrânia
113
Itália
80
Emirados Árabes Unidos
49
Coreia do Sul
38
Irlanda
13
Roménia
13
Canadá
11
França
8
Brasil
5
Bélgica
3
Singapura
3
Índia
2
Rússia
2
Bulgária
1
Guiné-Bissau
1
Outros
13


O Jornal Expresso e os Prisioneiros de Bissassema.

AINDA A RESPEITO DOS PRISIONEIROS DE BISSASSEMA, O EXPRESSO ORGANIZOU EM 1997, UM ALMOÇO CONVIVIO EM LISBOA PARA HOMENAGEAR OS PRISIONEIROS PORTUGUESES, LIBERTADOS EM CONAKRY



Revista EXPRESSO', n.º 1.309, de 29 Novembro 1997.

Editada em Lisboa, com 122 páginas, muito ilustrada.

O semanário 'EXPRESSO', editado em Lisboa, juntou os sobreviventes da prisão do PAIGC em Conakry, 27 anos após aqueles acontecimentos, fazendo uma retrospectiva dos anos passados entre o serviço militar na Guiné Bissau, a captura e prisão pelos guerrilheiros e o resgate efectuado na 'Operação MAR VERDE', dirigida por Alpoim Calvão em finais de 1970.

Dos 25 prisioneiros resgatados então, foi possível localizar 16 e juntar esse homens para efectuar este trabalho josnalístico e hstórico, com fotografias da actualidade e da prisão de Conackry.

"27 ANOS DEPOIS DE CONACRY

O EXPRESSO juntou, em 1997, em Lisboa, 16 dos 25 militares portugueses libertados das cadeias do PAIGC na sequência da invasão da Guiné-conacky pelas tropas de Alpoim Calvão.

O encontro coincidiu com a data de aniversário da operação, justamente considerada a mais espetacular de todas as missões realizadas pelas Forças Armadas portuguesas nas três frentes de batalha.

Desse grupo de ex-prisioneiros, um já morreu, dois estão na Madeira, três vivem no estrangeiro e outros tantos em parte incerta. Desde o regresso à pátria, na primeira semana de Dezembro de 1970, nunca mais se haviam visto. Alguns vivem em condições de pobreza aflitiva; outros ainda não se refizeram física e psicologicamente doa anos horríveis nas cadeias de Conakry.

Texto de José Manuel Saraiva”

Temas em destaque da revista:

- GUINÉ-CONACKRY


1969-1997: PRISIONEIROS DE GUERRA

- OS ANOS DO CATIVEIRO

Entrevista com Cabral; - Visita de Thomaz; - Meias lavadas; - Sofrer como os outros; - Vinte dias a pé; Sete anos de cadeia;

- OS PRESOS: João Vaz (52 anos - comerciante); José Lauro (53 anos - Funcionário da EDP); Luís Vieira (52 anos - Ajudante de Pedreiro); António Duarte (52 anos - Ajudante de Pedreiro); Manuel Silva (52 anos - Torneiro mecânico); Jerónimo sousa (52 anos - Motorista); Vítor Capítulo (52 anos - Fiscal municipal); António Rosa (51 anos - Prof. de Educação Física); Geraldino Contino (52 anos - Quadro da TAP); José Teixeira (52 anos - Construtor Civil); Rafael Ferreira (50 anos - Empregado de armazém); José Morais (52 anos - Vigilante); Jacinto Barradas (52 anos - Comerciante); António Lobato (57 anos - Oficial da Força aérea); Agostinho Duarte (52 anos - Operário); e Manuel Oliveira (53 anos - Operário);


Bissássema, o desastre - Memórias do Oficial de Dia...

"Memórias do Bart 1914 em terras da Guiné

   Um dia difícil de descrever, mas para sempre recordar

Estavamos nos primeiros dias de Fevereiro de 1968. Um dia ou dois antes, tinhamos tido a visita do Conjunto Académico João Paulo, um conjunto de rapazes madeirenses muito apreciado na época, pelas suas músicas que ficavam no ouvido da malta jovem.

Por essa altura os altos comandos do C.T.I.G., resolvem fazer uma operação de limpeza e ocupação da tabanca de Bissássema, por constar, devido a informações chegadas ás chefias, que os homens do PAIGC andavam por ali a impôr as suas ideias e isso tornava-se deveras perigoso não só para Tite, mas até para Bissau.

Assim, o comando do BART 1914 resolve desencadear uma operação, já com alguma envergadura, convocando um vasto grupo de soldados, cujo número não posso precisar ( talvez 70 ou 80 homens) onde estava um pelotão da CART 1743 e dois pelotões de milícias, um de Tite e outro de Empada, mais alguns homens do Pel. de Morteiros e das Transmissões, tendo como comadante o saudoso Alferes António Júlio Rosa, (com pouco mais de 1 mês de comissão, pois tinha chegado á Guiné em meados de Dezembro, do ano anterior) para não só ocuparem a tabanca, mas também construir abrigos, para lá colocar em permanência uma força militar para defesa da mesma.

A nossa tropa sai de Tite, salvo erro no dia 1/2/1968, ocupa a tabanca sem qualquer resistência e começa de imediato a construção dos abrigos previstos para aquele fim. Na noite de 2 para 3 de Fevereiro, estava eu de oficial de dia ao BART, ouvem-se fortes rebentamentos, para os lados da tabanca de Bissássema, que indiciavam que o pior podia estar a acontecer. Tentámos contactos com a nossa tropa, via rádio, mas não tivemos qualquer êxito. Ninguém nos ouvia e muito menos respondia. Meia hora depois o tiroteio parecia ter acabado. Foi esperança de pouca dura, pois logo a seguir começou um novo ataque, vindo mais tarde a saber que o IN tinha entrado pela tabanca dentro, lançando granadas e semeando o pânico. Abalado com a explosão de uma granada o Alferes Júlio Rosa e vários soldados foram apanhados á mão, levando o IN também algum material de transmissões.


Aquela noite foi de uma angústia terrível, sem termos notícias do que se estaria a passar. A tropa que tinha ficado em Tite, ficou toda a noite em estado de alerta máximo, ávida por ter notícias, mas também não fosse o IN aproveitar a ocasião, para  atacar o aquartelamento.

Com o amanhecer e aparecimento da luz do dia, começaram a chegar ao aquartelamento de Tite alguns dos nossos soldados, lavados em lágrimas, alguns esfarrapados outros semi-nus, uns com armas, outros sem nada nas mãos, dando a todos os que os viram chegar uma imagem fiel e terrível do sofrimento, por que tinham acabado de passar. Gostaria de mencionar o nome de todos os nossos homens feitos prisioneiros, mas para além do já citado Alferes Júlio Rosa recordo também o furriel miliciano do Pelotão de Morteiros 1208 de seu nome Manuel Nunes Reis Cardoso, o 2º sargento da Companhia de Milícias nº 7, Manga Colubali e mais 3 militares da CART 1743 o Rosa, o Capítulo e o Contino. Que me desculpem se faltam alguns, mas a minha memória já não dá para mais.

Apenas e para terminar este meu pequeno texto dir-vos-ei, que naquela altura chorei e muito e a imgem que tenho guardada na minha memória, irá comigo para a cova, quando o Senhor entender, que chegou a minha hora.

Ainda hoje sinto uma estranha sensação, ao recordar estes acontecimentos.

Para registo, este foi um dos piores momentos por que passei naquela terra.

Para todos vós um grande abraço de amizade e o grande orgulho de vos ter tido por companheiros e camaradas daquelas campanhas.

Augusto Antunes

Alferes Miliciano"

Oficial de Dia, no dia 3/2/1968


Compromissos

Achei estranho . . .

Que, no dia seguinte ao Sporting ter ganho ao Benfica, o Minguinhos, Dmssantos Santos, me tenha telefonado a, como quem não quer a coisa, perguntar se, comigo, estava tudo bem . . .

Fiz-me desentendido, como bom passarinho velho . . .

De útil, na conversa, comprometeu-se a, logo que possível, organizar, na zona da Marinha, um convívio comestível para meia dúzia, levando, para aperitivo uma garrafosa do tal whisk, desde que, o Jorge Claro, outro “unhas de fome” que tal, se comprometa a levar uma bichinho “ingualinho” a este:



A cura pelas águas...

 


Emails em falta

 Agradecemos aos seguintes companheiros, o favor de enviarem os seus emails:

Manuel Moreira Fazendeiro

Manuel Sousa Duque

Oliveiros Pinto

Carlos Augusto Vaz Pires

José Eusébio Lopes

José Florindo Silva

José Manuel Amaro Santos

Alvaro Rosa Dias Carvalho

José Esteves Luzio

José Simões Sequeira

Manuel António Oliveira Pereira


João Conceição Rosa

Joaquim Henriques

Carlos Alberto Martins Costa

Daniel Pinto

José Borgas Farrajana

Ilidio Mamede Gonçalves Matos

Joaquim António Almeida

Jorge Francisco Orrico Carvalho


O envio do Livro de Memórias.



 Caros amigos, companheiros, familiares e visitantes

Informo que o nosso capitão Paraíso Pinto, deu hoje por encerrado o envio pelos CTT de todos os LIVROS DE MEMORIAS, de acordo com os pedidos feitos.

Se alguém não o recebeu, devido a atrasos nos correios, agradecemos o favor de nos comunicarem.

Um abraço.

Leandro Guedes

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

"Naquele dia foi mesmo Deus que não permitiu o fim do meu viver..."

 Bissássema - um excerto do livro do ex-alf. António Júlio Rosa, já falecido.

O aprisionamento dos companheiros Alf. Rosa, Contino e Capítulo:

 "Dentro do posto encontrava-me eu, o Maciel, o Cardoso, o Gomes e os três operadores das transmissões.  De repente, apareceu, transtornado, o comandante da milícia de Tite. Só teve tempo de nos dizer que os turras estavam dentro do perímetro e se dirigiam para o local onde nos encontrávamos.  Mal acabou de falar fomos atacados. Não deu sequer tempo para se tentar encontrar uma solução...

Rapidamente procuramos sair para 0 exterior. 0 Maciel, o Cardoso (que viria a falecer neste combate), 0 Djaló e o Gomes conseguiram sair. Quando cheguei à porta, seguido pelo Geraldino e pelo Capitulo, rebentou uma  granada ofensiva mesmo na nosso frente. Eu levava a arma na mão mas de nada me serviu. Com o sopro da explosão fui empurrado para trás e não via nada pois tinha os olhos cheios de terra. Com o estrondo, fiquei surdo,. Foi uma sensação horrível ... Pensei que ia morrer!...Foi impressão instantânea que passou em segundos. Entretanto, tive outra sensação!... Tive o pressentimento que ia ser abatido.. Sinceramente, fiquei preparado para morrer... Foi o que senti e afirmo que, naquele momento, se tivesse acontecido, não me teria custado nada. Reconheci que estava impotente e nada podia fazer para contrariar aquela acção, Afinal, não tinha chegado ainda a minha hora e, agora, espero bem que não esteja para chegar em breve.

Naquele dia foi mesmo Deus que não permitiu o fim do meu viver; e a protecção divina ir-se-ia manter no futuro, pois foram muitas as vezes em que a minha vida esteve presa só por um fio muito ténue.  Senti-me agarrado, ao mesmo tempo que alguém me socava, violentamente, mas não sentia qualquer dor. Recordo-me que o meu quico saltou da cabeça e nunca mais o vi.

Estava prisioneiro.. 0 Dino e o Capitulo tiveram a mesma sorte!... 0 Ramalho, um dos telefonistas, recuou escondendo-se debaixo duma cama, assistindo a toda aquela cena. Foi mais bafejado pela sorte!... Nunca mais o vi nem falei com ele.

Depois de nos terem levado para longe dali, fugiu para Tite."

António Júlio Rosa (do seu livro MEMORIAS DUM PRISIONEIRO DE GUERRA)

nota - este texto foi publicado no bart1914.blogspot.com em 8 de Dezembro de 2013.



Alf. Rosa, capturado pelo IN

Capitulo, capturado pelo IN


Contino, capturado pelo IN


Furriel Manuel Nunes Reis Cardoso, desaparecido em combate nessa noite. Morreu também em combate nesta noite o 

MANGA COLUBALI, - 2º. SARGENTO DA COMPANHIA DE MILICIAS Nº. 7



Durante o cativeiro, em Conakri


Após a libertação

Tristes Memórias... há precisamente 53 anos atrás!

 Tristes memórias…

BISSÁSSEMA – 3 DE FEVEREIRO DE 1968

Há 53 anos, de madrugada, a caminho de Bissássema para socorrer, ingloriamente, um pelotão da CArt 1743 e dois pelotões de Milícias.

À CCAÇ. 2314, fora ordenado para se deslocar de Tite para BISSÁSSEMA a fim de socorrer as NT que se encontravam nessa tabanca. À chegada, verificou-se que a enorme tabanca estava praticamente abandonada, sem militares, sem forças do PAIGC e sem população.

Num forte ataque, o PAIGC penetrou no dispositivo de defesa, lançando granadas e semeando o pânico. Em consequência do forte flagelação, o PAIGC expulsou a forças existentes e fez prisioneiros o Alferes António Rosa e mais dois seus militares, cabo cripto Geraldino  Marques Contino e soldado Victor Manuel Jesus Capitulo, da CArt. 1743 e os restantes puseram-se em debandada para salvar a vida. Na retirada ficaram desaparecidos um furriel e um sargento e este, mais tarde, foi encontrado morto no rio Geba.

Foi dada ordem a esta Companhia para guarnecer BISSÁSSEMA a fim de proteger a população, onde permaneceu até 13 de Março e abandonar a tabanca.

Sobre essa noite fatídica de Bissássema  no seu livro 'Memórias de um prisoneiro de guerra", alferes miliciano António Júlio Rosa, relata-nos:

 "Seria meia-noite, quando, quem estava já dormindo, e era o meu caso, foi despertado violentamente!... Os 'turras' estavam a atacar!... Ouviam-se rebentamentos e muitas rajadas. Era um fogo contínuo e feroz. O ataque tinha sido desencadeado, a sul, no lado da mata... Estavam lá os africanos de Tite e alguns de Empada. O tiroteio manteve-se muito intenso durante cerca de meia hora. Depois... diminuiu até cessar completamente.

Quando o tiroteio acabou, ficámos convencidos de que o ataque tinha sido repelido. Contactei o Maciel para darmos uma volta pelos abrigos e ver se tudo estava bem. Deslocámo-nos até ao último abrigo do meu pelotão, situado a uns cinquenta metros e verificámos que tudo estava normal.

Íamos prosseguir a nossa ronda para sabermos dos africanos, quando, a uns cinquenta metros, se ouviu uma rajada de pistola-metralhadora. O som parecia vir de dentro do nosso perímetro. Ficámos os dois perplexos porque não tínhamos armas que “cantassem” assim!... Regressámos de imediato, à zona do comando e alertámos para a possibilidade do inimigo se achar no meio das nossas forças. Dentro do posto de comando encontrava-me eu, o Maciel, o Cardoso, o Gomes e três operadores das transmissões. De repente, apareceu, transtornado, o comandante da milícia de Tite. Só teve tempo de nos dizer que os ‘turras’ estavam dentro do perímetro e se dirigiam para o local onde nos encontrávamos. Mal acabou de falar fomos atacados. Não deu sequer tempo para se tentar encontrar uma solução!...

Rapidamente, procurámos sair para o exterior. Quando cheguei à porta, seguido pelo Geraldino e pelo Capitulo, rebentou uma granada ofensiva mesmo à nossa frente. Com o sopro da explosão fui empurrado para trás e não via nada pois tinha os olhos cheios de terra. Com o estrondo, fiquei surdo!...

Foi uma sensação horrível!... Pensei que ia morrer!... Foi impressão instantânea que passou em segundos. Entretanto, tive outra sensação!... Tive o pressentimento que ia ser abatido!... Sinceramente fiquei preparado para morrer!...

… Senti-me agarrado, ao mesmo tempo que alguém me socava, violentamente, mas não sentia qualquer dor. Estava prisioneiro!... O Dino e o Capitulo tiveram a mesma ‘sorte’!... Seriamos levados para Conakry…”

Sabe-se que esta intervenção, foi um fracasso para ambos os lados que o PAIGC sempre ocultou no seu historial. Se pelo lado português, para além dos prisioneiros e dois desaparecidos e feridos não se conseguiu concretizar os objetivos propostos; para o lado do PAICG, o elevado números de baixas, levou a que sempre escondesse as suas consequências tendo, inclusivamente, ter sido considerado por alguns, como um dos maior desaires que sofreu no seu movimento de libertação da Guiné.

Eles não merecem ser esquecidos, cumpriram com o seu dever para com a Pátria!

3 de Fevereiro de 2021.

Cor. Pais Trabulo











Nos discorrentes dias...

 Por efeito, decerto, da auto-imposta reclusão, ou necessidade de cobro se dar à dispersão do que nos afecta e desanima, eis uns versitos a propósito - creio bem - para lerdes, Amigos e Camaradas, por quem tenho subida estima e amizade clara.

Ficai bem. Abraço fraternal.

Então, à leitura:

-

NOS DISCORRENTES DIAS

DAS TRISTES HORAS HEBDÓMADAS!

-

Nos discorrentes, fátuos dias,

Espasmodicamente conturbados,

De anelados amplexos invisíveis,

Todo o acto é virtual,

Distante, quiçá virtuoso.

Não vá, diz-se, o maléfico viroso

Proveito haver do que se aproxima!

Assim, sobe e desce a estima,

No ar dança, oh graça peregrina,

A intrínseca e bela virtude,

A par com a anosa senectude

E a jovial, álacre vida menina!

Onde paira a normalidade?

No anormal devir sem estigma,

Ou na assomada mente assassina

De um vírus, que se não topa

Sequer em canto ou esquina?

Aqui estou e alinho palavras,

Sem delas obter breve sentido

E sem lograr menor proveito.

É, só, para que acabe o perfeito

Dia-a-dia inacabado, sem jeito,

Das tristes horas hebdómadas!

LMD, 02.02.21

"Cavaleiro" de Formação Militar...

 Este artigo foi publicado no bart1914.blogspot.com , pela primeira vez em 21 de Fevereiro de 2008:

(na foto, A equipa cripto, junto de uma viatura Daimler)

Simpatizava imenso com este homem...tinha um porte fino...”Cavaleiro” de formação militar, cedo deixou os modos arrogantes típicos dos “Cavaleiros” e tornou-se dos oficiais mais porreirinhos de Tite.

O alf. Vaz Pinto, tinha grandes objectivos, passados e futuros, ele e outros familiares, estavam ligados ao Ténis de alta competição em Portugal, notando-se um “estar” diferente comparado a alguns “brogessos” da sua classe.

No período mais critico de ataques do PAIGC ao nosso quartel, habitualmente, à noite estavam sempre duas auto-metralhadoras Daimler de prevenção estacionadas frente à porta-de-armas, para, que quando começasse um ataque, logo as mesmas saissem disparando, na direcção do ataque, pois se o IN estivesse perto, seria uma persuasão.

Nesse dia de folga, tinha bebido umas bazookas valentes e à noite já estava “benza-te Deus”.

Sabendo que o alf. Vaz Pinto estava de oficial de dia, e que estava junto das Daimler, aproveitei, e para lá me dirigi para a conversa e com a esperança que ele me deixasse ir à messe de oficiais buscar “xarope” pois a minha “gripe” estava a piorar !!

Eu estava com um espírito “anedótica” de eleição, o alferes e o pessoal das Daimler riam que nem uns perdidos, senão quando se ouvem os estrondos das “saídas”...mais um ataque tinha começado...o pessoal salta para dentro das auto-metralhadoras, e uma delas arranca logo. Eu pirei-me para dentro da casa da guarda mas olhando para fora vejo o condutor da Daimler que não tinha saído a gesticular e aos gritos “não tenho apontador...onde está o ???” a aflição dele era tremenda...olhou para mim e disse “Justo embora pá, tenho que sair, vamos embora”.

Francamente nem hesitei, saltei para dentro da Daimler - ainda me entalei ao fechar a tampa de ferro - e ele arrancou para a estrada de Nova-Sintra.

As Daimler, todas fechadas, tem uma luz vermelha no interior, para o pessoal ter o mínimo de visibilidade, tem apontador e condutor, sendo que o apontador fica num nível mais elevado para disparar a metralhadora Dryse.

O condutor - tenho pena de não lembrar o nome - começa aos gritos...”dispara essa merda, porra...dispara prá frente”...e eu que não atinava com a Dryse...só tinha feito fogo com aquilo na recruta à quase um ano atrás...mas lá consegui começar a disparar - os disparos mesmo não vendo o IN, serviam para atemorizar e dar uma resposta rápida ao ataque - mas...que cena louca...a metralhadora não tinha colocado o resguardo-tipo saco para recolha dos envólucros vazios pós disparo, e o desgraçado do condutor, mais abaixo, sem capacete e aos berros, pois estava a levar com os envólucros em brasa, na cabeça, nas pernas...por todo o lado.

Deixei de disparar, e passados largos minutos, já com a Daimler de regresso ao quartel, tive a noção perfeita que me tinha passado a bebedeira, sentia-me perfeitamente sóbrio e todo eu tremia. Não falava...saí da viatura...olhei para o condutor...e arranquei dali para fora.

Felizmente, desta vez, tinha sido um ataque pequeno, sem consequências muito graves.

Já no Centro Cripto, sózinho...comecei a chorar compulsivamente e em silêncio...se alguém me visse, ou ouvisse...que vergonha !! “um militar não chora” tenho a certeza que se não tivesse com os copos, nunca iria para dentro da Daimler...sempre pensei que o medo é um reflexo de inteligência, mas a partir dessa noite fiquei a apreciar ainda mais os homens de Cavalaria, Artilharia e Infantaria, que todas as noites, tinham que sair para operações e emboscadas.

Viemos a saber depois, que o condutor Daimler de prevenção tinha apanhado uma “gripe” monumental e adormeceu na caserna. Conseguimos todos que o alf. Vaz Pinto não o lixasse.

Hoje compreendo perfeitamente o sofrimento dos camaradas com Síndrome Pós-traumático.

Zé Justo"

sábado, 30 de janeiro de 2021

A visitar um amigo, de Luis Manuel Dias

 ''A VISITAR UM AMIGO''

Não sendo, por meras 24 horas, dia de Sábado [aprazado para a Poesia], apeteceu-me presentear-vos com um poema, feito nos iniciais dias deste Janeiro, tão conturbado que vai! À vossa leitura e apreciação vo-lo deixo. Beijinhos às Meninas e acolhedor abraço a Todas/os, Queridas/os Amigas/os, como uso.

Bora lá, a lê-lo...

LMD, 29.01.21.

-

A VISITAR UM AMIGO!

‘’Volto já!’’

‘’A visitar vou um amigo!’’

E, rota batida, da porta saiu

Sem cuidar ser ou não seguido,

Que nada lá a esconder havia

No que, voluntariamente, decidiu.

Segui-o…

E descobri que, o pai, à igreja ia

‘’Conversar’’ com Deus, no Crucifixo

Pendente, há séculos, por cravos!

Desde então, à hirta figura

Que dantes, olhando-a, me afligia,

Passei, sem medo já, a vê-Lo,

Ao Crucificado, como um ‘’amigo’’.

Não na original imagem, hierática e fria,

Distante parecendo, abstracta, ilusória,

Quiçá primitiva!

Ao invés, no concreto, de mãos abertas,

De todos acolhedor,


Em permanente e total amplexo,

Como de quem nos espera…

Seja ou não compreendido!

A visitar, a ir ‘’àquele amigo’’,

Deixou de ser estranho, inaudito.

Passou a ser quotidiano, querido.

Foi totalmente libertador.

À puridade vo-lo digo!

LMD, 3.12.20.

O Justo e as Memórias do BART

 "Olá amigo Guedes!! Começo por te dizer que, não consigo escrever nada no teu Blog nem no do Pica, vai tudo para o Messenger!!?? 🙁 Cada vez me vejo mais a nora para fazer qualquer coisa nestas tretas. Quase todos os dias ao abrir seja o que for, lá está de novo tudo alterado e lá ando sempre às aranhas!! 🙁 Já não há pachorra!!. Amigos, falei à pouco com o nosso "capitão" P. Pinto a elogiar e agradecer os livros sobre o BART. 

Grande trabalho amigos, e sei bem do que falo porque já andei nestas lides gráficas. O PP salientou e elogiou o trabalho de vós os dois, referindo que se limitou a apoiar-vos. Talvez modéstia, mas repito que está um trabalho de quinze estrelas!! PARABENS para todos vós. Fiquei surpreso por me terem dado a honra de inclusão nos textos. De alguns já não me lembrava. Claro que em evidência tinha que estar o escrivão mor El Pica!! 🙂 Estou a fazer alguns destaques e sinalizações para mais fácil consulta de mim e dos meus. Renovo os pedidos de desculpa por não conseguir incluir este texto nos vossos Blogs! 🙁 Inépcia minha decerto, mas amigos: "Burro velho não aprende línguas" . Abrações para vós, incluindo Cavaleiro e todos os que que escreveram, e bem, nestes 2 grandes livros. Agradeço que incluam, se acharem bem, nos vossos Blogs este texto. OK! ABRAÇÕES para todos.

José Justo".