Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Hipó e a sua algarvia...






“Al vezes”, influência, daqui,  da terra dos “Al’s” e dos figos de pita, (*) que os pariu, picam mais que os ouriços-cacheiros !, quase me passa pela cabeça que, alguns de vós, poucos, me andam, não sei se, acintosamente ou, por santa inocência, a catalogar de Hipo.  

Embora, venha hesitando em abordar o assunto, por temer tentar negar uma evidência, o certo é que, o meu nome próprio, herdado pelo baptismo do meu padrinho, derivará, etimologicamente, do grego (e é bem capaz de dizer a letra com a careta).
É, assim:
Hipos (cavalo);
Litos (de pedra);
O que dará, nem mais, nem menos,
Hipos+litos = Hipólito = cavalo de pedra.
Até no nome, continuo sem sortinha nenhuma ! . . .

“Portantos”, por conseguinte e consequência, ide chamar asno (hipo) ao burro do moleiro da v/santa terrinha que, no novas oportunidades,  aprendeu a ler e escrever mas, quando já se desabituara de comer, patinou . . .
Uma pena . . . Apesar de não insubstituível, é triste ver desaparecer, de entre nós, mais um portento de cultura, logo agora que, para a maioria, o livro de cabeceira obrigatório é a Bola, o Record, o Jogo ou, vá lá, do mal o menos, a Playboy !
(A  frase seguinte está encriptada...)

Ouvi, mesmo agora, duma algarvia, esta, para interiorizar, antes da deita:

Com deus me dêto,
Com deus magasalho
Uma mão no pêto
A outra no  . . .  (pareceu-me, será?)  . . .  soalho.

PS (post-scriptum, por môr das confusões): sonhei ou algo me alerta de que, um ou dois, fregueses se preparam para lançar uma OPA à, já, muito debilitada economia cá da minha tabanca.
Aviso: o crédito da Cofidis, foi-se, há muito; vou, já, no da Cetelem, quase, quase a esvair-se, agora sem os reembolsos directos, com a alimentação e veterinária do canito e os devaneios de anteriores golpes de mão de que fui vítima, num passado recente.
Ir-me-á valer, de certezinha absoluta, a amizade solidária dos amigos (amigos na guerra, amigos para sempre), a quem irei, obrigatoriamente, recorrer, sob pena de, acossado pelos cães dos credores, só parar na “Inbicta”, onde me valerá o pau de marmeleiro que, à cautela, mantenho atrás da porta.
E, também, conto com a ajuda do kipper (o tal cão, fera q. b.) que, para o efeito, já comecei a treinar.

(*) Oh tu, militante e puritano censor, enxergaste, porventura, desta vez, o realce e o negrito da vírgula, ou preferes um raspanete da alta autoridade respectiva ?!!!.

Tenho dito.
Hipólito (Hipolitinho, pr’ós amigos)

Nova Sintra - as memórias

Caros companheiros
Acerca deste mote sempre quente, o de Nova Sintra, publicamos há dias um excelente artigo do n/Alf. Vaz Alves, acompanhado duma foto da época e do local de Nova Sintra, elucidativos do que ali se passou e que viveu na péle todo aquele drama, desde a desbravação da mata, o atravessar de rios e bolanhas, até chegar ao ponto “X” préviamente marcado, o do futuro aquartelamento de Nova Sintra. É certo que foram dias dificeis com ataques permanentes durante o trajecto por mata serrada, com mortes e feridos.
Entretanto surgiu o comentário do nosso companheiro Joaquim Caldeira, furriel da CCAÇ 2314, que põe em causa factos e datas e até mesmo a foto.
Se se quiserem dar ao trabalho de ler as crónicas assinaladas no lado esquerdo deste Blog, na rubrica “Etiquetas ordenadas pela frequência de visitas” e clicando na posição “Nova Sintra”, vão encontrar dois artigos muito interessantes de seu titulo “NOVA SINTRA 100 METROS DE HORROR” e “NOVA SINTRA – O PÃO QUE O DIABO AMASSOU”.
No primeiro, da autoria do nosso companheiro Pica Sinos, é relatado ao pormenor o inicio da Batalha de Nova Sintra, em que intervieram pelo menos a CCS do BART 1914 com Sapadores, Atiradores, Serviço de Transportes, Transmissões, etc, Pelotão de Morteiros, Pelotão Daimlers, CART 1743, CART 1802, Pelotão de Milicias e concerteza também a CCAÇ 2314, embora o Joaquim Caldeira não reconheça na foto nenhum companheiro da sua Companhia.
Mas neste artigo do Pica Sinos, os factos relatados são baseados em documentos oficiais de carácter Confidencial à época, o que quer dizer há 43 anos atrás. A memória pode-nos atraiçoar, mas os documentos não. E surgem nestes artigos, comentários de vários companheiros, que comprovam o que ali se passou.
Nesta crónica é assinalado o dia 6 de Maio de 1968 como o da partida da CCAÇ 1802 de S.João (destacamento avançado de Bolama), com 17 viaturas, e a sua chegada ao ponto do futuro quartel às 15 horas, onde já se encontravam as tropas vindas de Tite.
Saber quem pôs o pé primeiro, quem colocou a primeira pedra parece ter pouca ou nenhuma importancia dada a grande quantidade de feridos e mortos, em combate ou acidentes, que as nossas tropas sofreram naquelas paragens onde na verdade, “foi comido o pão que o diabo amassou”.
O que interessa foi o esforço, os sacrificios, feridos graves e ligeiros, estropiados e mortos, que tão desgraçadamente as NT sofreram em Nova Sintra.
Posto isto, parece-me que descrição do Alf. Vaz Alves é coincidente nos factos e nas datas com os relatos de outros companheiros – Sapadores, Atiradores, Morteiros, Reabastecimentos, Transmissões, Daimlers, etc, estacionados em Tite e que intervieram na Campanha de Nova Sintra.
E para que se relembre tudo o que foi relatado, transcrevemos a seguir aqueles dois artigos.
Abraços para todos
LG.
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Meu Caro Guedes
Faz o favor de ler o artigo que eu escrevi sobre Nova Sintra Vem lá referidas datas de quem é quem. Atenção os movimentos e as respectivas datas foram copiadas de sitrepes. O algodão não engana...
Podes puxar por Nova Sintra – O Pão que o diabo amassou
São 2 artigos ou então republica-los.
Dizer ainda que eu vejo na fotografia o Vaz Alves e não creio Que a fotografia fosse tirada noutra “estância de férias” na Guiné.
Uma coisa te garanto quem não este lá fui eu (e tu também não...) e ainda hoje tenho Pena de quem lá esteve a passar todo aquele horror
Tem um bom dia Pica Sinos

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100 METROS QUADRADOS DE HORROR,
FECHADOS POR ARAME FARPADO
Enfraquecida a acção da guerrilha na zona, resolvidos os problemas das acessibilidades e escolhido o local, agora o objectivo estava virado para a construção do aquartelamento em Nova Sintra.
Na manhã do dia 6 de Maio de 1968 parte de S. João a C. Caç. 1802, com 17 viaturas. Chega ao local para o novo aquartelamento cerca das 15 horas do mesmo dia. Já ali se encontravam as NT, saídas de Tite. Nenhuma destas duas forças militares, nos itinerários então percorridos, teve contacto com o IN.
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Havia a noção geral que a guerrilha jamais aceitaria a construção de um novo aquartelamento numa zona que sempre dominara. Todos tinham a noção que o IN voltaria a reunir forças para retomar a actividade e procurar repor o prestígio que gozava naquela região. Sabíamos do seu grande enfraquecimento, abalado pelas perdas bélicas e humanas, sobretudo desde a sua neutralização em Bissássema. Mas também se sabia que os seus recursos estavam longe de esgotados. Impunha-se começar os trabalhos na instalação do aquartelamento e proporcionar, com o feito, a melhor segurança para a defesa dos objectivos e das NT.
Despejadas as viaturas, os trabalhos iniciaram-se a ritmo acelerado. Isolou-se o perímetro com o arame farpado, construíram-se valas-abrigos, a norte e a nascente, talvez com 2 metros de largo e 5 metros de comprimento e as latrinas. Deu-se começo às fundações para os futuros pavilhões e postos de guarnição para a defesa das posições. Começou-se também a limpar terreno com vistas a abertura da pista de aterragem.
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Conta-me o ex-Furriel  Sapador, Domingos Monteiro, que
as moscas e os mosquitos eram “personagens” deveras e muito incomodativas de dia. Á noite faziam desesperar com as sucessivas picadas, nem mesmo roupa que trazíamos vestida as conseguia travar!
Acrescentando que …
As horas que contava, na escuridão daquela selva, mais pareciam dias.
As chuvas também estiveram presentes, quando, passados 2 dias de medos e incertezas, pela calada da noite, o perímetro de terra e lama onde as NT se aquartelavam, com cerca de 100 m2, é atacado, em força, por cerca de 100 homens, bem armados e municiados mas prontamente repelidos com pesadas baixas!
Pelas manhãs e durante o dia os trabalhos continuavam. Patrulham-se estradas e caminhos, aqui ali rastos de sangue e material bélico ligeiro deixado para trás. A cozinha de campanha enquanto não fez fumo, os alimentos eram das rações de combate, que sempre transportávamos. Na água que bebíamos colocávamos comprimidos para evitar as diarreias e febres. Um dado dia foram distribuídas 2 cervejas a cada militar, até nisto tive azar, porque ainda hoje não gosto desta bebida!
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Por sua vez o Carlos Leite (Reguila) refere
Na sucessão dos dias tudo era igual, o trabalho com as pás e com as picaretas calejava-me as mãos, o medo era constante, mas a disposição para a luta sobreponha-o. O cantarolar da passarada não nos parecia ter o mesmo encanto. No terreno lamacento, alguns sapos, eram “sticados” pela pá ou com a picareta, aqui ali ouvia-se o ladrar de um cão. Pelas noites dentro o sofrimento era maior, o vento ora forte ora brando, fazia-me confundir o “som” da selva. Eram nestes momentos que a falta da família e dos meus amigos mais se sentia. Ouvia as flagelações do IN a outros aquartelamentos e questionava-me – quando será a nossa vez?
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O aquartelamento de Nova Sintra, durante o mês de Maio, foi flagelado 7 vezes, causando 1 morto (a 13/05) e 19 feridos graves que, muitos destes, foram evacuados, nessas mesmas noites, por helicópteros directamente para Bissau. Do lado contrário as mortes confirmadas foram em número de 26 e feridos 31.
A 05/06/68 o aquartelamento de Nova Sinta foi visitado pelo CMDTChefe acompanhado pelo CMDT do Bart.
A 11/07/68 foi inaugurada a iluminação exterior e, a
19/07/68 a pista de aterragem por uma avioneta, um Dornier 27.
A luta, essa, estupidamente tinha que continuar, causando continuadamente mortes e feridos de ambos os lados, estragos e desgraças bem ao gosto daqueles que as fomentam.
Pica Sinos

Nota:As fotos são do museu do Jordão Justo
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Nova Sintra - O pão que o diabo amassou...


Meus amigos O prometido texto sobre Nova Sintra aqui está, escrito em duas partes. O Pica é o seu autor.
Para ele o nosso abraço.

NOVA SINTRA – O PÃO QUE O DIABO AMASSOU

O saudoso Ramiro Neto, destacado na cozinha do nosso Batalhão, dias antes da partida, disse: - …Meu Capitão, eu tenho muito medo, não me deixe ir para N.Sintra, tenho um mau pressentimento… -
…Não sei? Vou falar com o Comandante, logo te digo…respondeu-lhe o Capitão.
…Então meu Capitão já tem resposta para mim?
…Tenho! O Comandante não abre excepções. Vão todos. Ninguém fica para trás…olha que insisti bastante…não consegui demovê-lo!

Aquando da flagelação IN, 7 dias depois de estacionadas as NT em Nova Sintra, o nosso bravo camarada morreu. Morte originada pelo estilhaço do rebentamento de uma granada de morteiro. Pensava ele estar protegido pela tampa da chapa de bidão, que colocou na vala-abrigo construída. O fragmento entrou pelo único buraco que deixou aberto. Foi a 13 de Maio de 1968.
Quem esteve por lá sabe que, na zona operacional do comando do Bart 1914, a tabanca de Tite, que ladeava a sul e a norte o aquartelamento das NT, era (a seguir a Bissássema com dimensão para além do triplo), o maior agregado populacional desta área, seguindo-se os das regiões de Jabadá e Fulacunda.
Também é do conhecimento que esta dispersão populacional, contornada por rios, bolanhas e matas, rica no cultivo orizícola, em pecuária (bovino) e na suinicultura (suínos), possibilitava, ao IN, grande mobilidade no desencadear acções de guerrilha, para flagelação aos nossos aquartelamentos, para controlo demográfico e político-administrativo das populações. Consequentemente, ainda permitia sacar, das populações, farto abastecimento em géneros e roupas (panos), e elevado recrutamento de carregadores. Com vistas a desencadear as já citadas flagelações, com armas pesadas, às nossas posições aquarteladas na região, nomeadamente em Tite, Enxudé, posto avançado e porto fluvial de Tite, Jabadá, Fulacunda, Empada e ainda em S. João, destacamento avançado de Bolama. Assim como na montagem de emboscadas, colocação de minas e armadilhas com vistas a barrar ou mesmo anular o avanço no território das NT. Toda esta magnificência operacional do IN, obrigava, no ponto de vista militar, a implementar um vasto e variado conjunto de operações, que foram em número de 117, até à ocupação do terreno de N. Sintra, visando desobstruir estradas e caminhos há muito emaranhados por denso matagal, possibilitando fácil acesso das NT ao patrulhamento, batidas, emboscadas e outras acções de confronto, com vistas ao enfraquecimento e despejo do IN da região.
Desobstruídas as estradas de terra batida, reparados, reconstruídos ou mesmo construídos os pontões, permitiu utilizar outros meios, até aí impossibilitados, nomeadamente os carros de combate – Daimlers – (jeeps blindados) e de transportes das tropas em viaturas ligeiras e pesadas, concludentemente a uma mais rápida ligação aos aquartelamentos implantados na região, proporcionando eficazes controlos territoriais e populacionais, fixar tropas e materiais de engenharia no terreno, nomeadamente em Nova Sintra, visando a construção de um novo quartel.

Dos nossos opositores, todas estas acções não podiam ficar sem resposta. Detentores do território, organizados, bem armados e municiados, procuravam, energicamente, impedir a progressão das NT, montando, por efeito de nomadização, várias emboscadas, colocando dezenas de minas no terreno e granadas accionadas por fio de tropeçar. Destruíram, por várias vezes, os pontões já implantados, colocavam abatizes armadilhados, obstáculos constituídos por grossos ramos de árvores, fortemente ligados ao solo com as extremidades aguçadas, tudo obviamente com vistas ao impedimento da progressão das NT.

Cumulativamente desencadearam, aos diversos aquartelamentos e posições agrupadas nas regiões afectas (exemplo Bissássema), 47 flagelações, com destaque para Fulacunda e Tite, causando às NT, até ao final de Março de 1968, 8 mortos (2 por afogamento) cerca de meia centena de feridos, alguns de muita gravidade e com necessidade de serem evacuados para o continente, e ainda 3 capturados.


Sabemos que as moedas têm duas faces, as guerras também. Até ao começo da implementação do quartel em Nova Sintra, – Maio de 1968 – nas operações, de diverso tipo, desencadeadas pelas companhias aquarteladas em Tite, Jabada, Fulacunda, Empada, pelo destacamento de S.João e por Companhias de Pára-quedistas (2 vezes), estima-se que foram mortos 128 guerrilheiros, feridos, mais do dobro, presos ou capturados 117, dos quais foram soltos por falta de interesse estratégico/militar 112. Destruído 3 de acampamentos militares, 12 canoas e capturadas várias toneladas de material de guerra, pesado e ligeiro, onde se inclui 1 canhão s/recuo.

(Continua Pica Sinos As fotos são do museu do Justo e do Carlos Leite (Reguila)

Raul Pica Sinos disse ainda...
Estava de serviço no Centro de Cripto, quando foi atacado., uma das vezes, o aquartelamento em Nova Sintra. Nessa noite, o ataque às NT era constante e no quartel em Tite a correria das várias patentes para o Centro de Transmissões foi de modo a chamar a minha atenção e de outros. Apercebi-me que alguém estava agarrado ao microfone do rádio dizendo aos presentes (2 Capitães entre outros) …eles dizem (repetidamente) que façam troar Stª Barbara! Aquele conjunto de oficiais olhava uns para os outros interrogados. Pois não entendiam tal pedido. Nem constava a frase no livro criptado que eram portadores os oficiais, quando em operações e, que um dos Capitães, (vejo ao entrar no Centro de TMS com o ex-furriel Cavaleiro) desfolhava nervosamente. E o operador de rádio continuava a dizer …eles dizem, façam troar Stª Barbara…Façam troar Stºa Barbara.. Quando de rompante o Cavaleiro e em segundos disse: Óh pá que merda (era típica esta expressão do Chevalieir) …o que eles pedem é o fogo de artilharia. Pedem que os obuses funcionem. É isso é isso, É isso, disse um Capitão loirinho que por lá andava e tinha na ideia que era mais bravo que os outros. E assim foi, mas enquanto não souberam das coordenadas para fazer o fogo que era pedido, a nossa malta embrulhava. Ainda hoje não percebo porque é que o oficial em Nova Sintra não foi claro no pedido. Era tão simples dizer …ponha os obuses a funcionar porque estamos a ser atacados. Enfim

Os apontamentos do Marinho que me pede para publicar
Fui diversas vezes em D.O., Dakota e Heli, lançar artigos para o aquartelamento de Nova Sintra, tais como pregos, correio, pão, rações de combate e outros artigos em virtude de não poderem ser reabastecidos ou entregues por via terrestre. Uma das vezes que fui lançar artigos, tinha chovido muito e eu comentei para o piloto furriel Honório, que era um crime lançar os sacos de pão naquele terreno, todo encharcado e enlameado, a resposta do Honório foi…eles têm que se desenrasquem pois não temos outra hipótese. Não sei em que data, mas foi quando o Cap. Vicente estava a substituir o Cmdt da C.Caç 1802, evacuado, a mina levou-lhe uma perna.
O Cap. Vicente, sem passar cavaco a ninguém, partiu de Nova Sintra, com viaturas e parte de um pelotão da Companhia, passando por uma estrada que todos nós tínhamos muito medo, a estrada de IUSSI, ou seja “a mata do Jorge”, todos ficamos admirados, por ele não ter tido qualquer contacto com o In. O CMDT Hélio Felgas ao vê-lo em Tite, ficou em ponto de rebuçado. Deu-lhe uma grande descompostura, dizendo-lhe que ele com a sua leviandade pôs os seus subalternos em perigo, em risco de vida, respondendo o Cap. Vicente…eu sou um oficial da Academia e não um oficial básico…ele considerava que os oficiais que não passavam pela Academia eram básicos. Nesse mesmo dia estava eu a chegar com um carregamento que tinha ido levantar ao Enxudé e, logo que me viu disse-me…Tenho que ver o que vem nas guias. Quando as entreguei, que mal olhou, começou a mandar colocar nas viaturas que trouxera de N.Sintra o que queria, dizendo-lhe eu que tinha caixotes com dobrada.
Essa merda os teus companheiros não a comem. “ A dobrada era liofilizada que depois demolhada os pedaços com 2cm passavam a ter 10cms. Comemos nós em Tite”

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Faleceu o nosso Alferes Vasconcelos Forra

Do nosso companheiro Carlos Pires recebemos o seguinte email:

"Caro amigo Raúl
Espero que esteja bem de saúde, assim como a sua família.
Nós por casa estamos todos bem, graças a Deus.
Venho por este meio comunicar-lhe, uma triste notícia que aconteceu no dia 29 passado:
Faleceu o meu compadre e nosso Alferes - José Vasconcelos Forra, quando estava no Algarve de férias, com a sua esposa.
Agradecia que providenciasse que o seu nome fosse eliminado, na lista do nosso grupo.
Apresento os meus cumprimentos
Carlos Pires"

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Nova Sintra - pelo Alf. Vaz Alves

Braga, 31 de Julho de 2011-08-08







Amigo Guedes
Um abraço antes de mais e as desculpas por só agora ir ao encontro do que me solicitaste. Já tinha há tempos o “rascunho” feito desta história, mas perdi-lhe o sitio onde o tinha guardado. Ontem, ao passar a vista no blog, envergonhei-me ao ler a tua carta e prometi a mim mesmo que de hoje não passava a história da foto do comandante Spínola.
Não sei se a foto tem alguma data no verso mas ela anda à volta do dia 7 de Junho de 1968.
A minha referencia vai para essa data uma vez que tinha passado um mês sobre o inicio da construção de Nova Sintra. (esta data confirma-se, escrita pelo então Ten-Cor. Hélio Felgas).
Nesse dia o comandante Felgas disse-me que no dia seguinte viria a Nova Sintra a Companhia Operacional de Tite e por sua vez a Companhia de Nova Sintra ia a S.João buscar reabastecimentos. Nessa altura a ementa estava limitada a arroz com chouriço  e chouriço com arroz.
A chegada dos helicópteros com a poeira do quartel ainda em construção, encheu-nos a panela de areia e arroz. Ao mastigar é que notávamos a diferença.
O comandante Spínola viu a situação e no dia seguinte enviou alguns helis com frango e outros alimentos.
A situação era um pouco “gágá” em termos de segurança, uma vez que fiquei só no quartel, a fazer a defesa e a segurança aos helicópteros, com alguns cozinheiros e elementos do meu pelotão, num total de cerca de uma dúzia de homens. Isto porque o meu pelotão (Nativos 66) tinha sido reduzido por ferimentos no 1º. ataque ao quartel, em 10 de Maio.
Nesse ataque vi uma série de granadas de morteiro a explodirem nas árvores em frente ao meu abrigo.
Essas que explodiram em cima das árvores, espalhavam os estilhaços e atingiam as pessoas em especial na cabeça. Uma das que não explodiu em cima, veio pela árvore abaixo, atingir o Sapador Neto, que faleceu dali a dois dias.
Algumas dessas granadas, pelo que me disse o rádio telegrafista, que estava com o meu pelotão, andaram por bem perto de mim, com os estilhaços a ficarem marcados na árvore do meu abrigo.
Nesta dia, melhor, a esta hora lembrei-me de Bissássema e até a sombra dos baga-baga, lembravam alguém a rastejar na nossa direcção. Aliás nesse ataque os “turras” chegaram a tropeçar no arame farpado.
Nesse período de Bissássema, eu não estava em Tite, porque fui destacado pelo Quartel General, para fazer exames aos que tivessem 3ª. ou 4ª. classe, como se dizia na altura.
Foi o período negro do Batalhão em que, além de Bissássema com a captura pelo IN do Alf. Rosa e dos Soldados Contino e Capítulo, (da CART 1743) rapazes das transmissões, aconteceram a morte do Alf. Carvalho, do Soldado Victor e do furriel Rato, que trabalhava ao meu lado na sala de operações, em Tite.
da esquerda para a direita: Rato, Vaz Alves e Bagulho

Durante esses quatro meses o Comandante Felgas pressionou o Quartel General de tal maneira que tive de voltar a Tite. Ele argumentava que eu lhe fazia falta, mas o que é certo é que logo a seguir me mandou para Nova Sintra, como que “castigado”, embora eu nada fizesse para sair para os exames. Conheci no entanto vários pontos da Guiné e cheguei a pernoitar em Madina do Boé (o Algarve da Guiné...).
Com estas e com outras já não te falava na foto.
Em primeiro plano estão o Alf. Domingos Sá, um antigo colega meu do Liceu de Braga e que faleceu num dos ataques a Nova Sintra, em finais de 1968.
Logo a seguir aparece o Cap. Vicente que estava a comandar a Companhia Operacional 1802 em Nova Sintra, a substituir um Capitão que tinha sido apanhado por uma mina anti-pessoal.
Voltando ao caso da foto, queres saber o porquê da foto com toda a gente em calções e tronco nu? É simples. Era assim que se andava há um  mês, com barba por fazer, vestidos o mais aligeirado possivel. Ninguém avisou da ida do Gen. Spínola e os guarda fatos estavam “fechados”, com as fardas nº. 1.
Aliás, o nosso banho era tomado com uma mangueira não sei de quantos polegadas e um motor a puxar água dum charco. Tenho a impressão que no meu album, que há tempos vos enviei, existe lá uma foto do banho, penso que com o Cap. Vicente, o Alf. Sá e eu.
Sem mais, aí vai mais um abraço e telefona quando receberes este “arrazoado”.
Vaz Alves
____________________
do nosso companheiro Joaquim Caldeira, furriel da CCAÇ 2314, recebemos o seguinte email:

"Caro Leandro Guedes. Boa tarde e que estejas bem.
Como habitualmente fui espreitar o Blog do Bart 1914 e vi que, a foto do cabeçalho refere uma visita  do Gen. Spínola a Nova Sintra e que fala aos combatentes que iniciaram a construção do quartel.
Penso que talvez possa haver aí uma leve falta pois que quem iniciou a construção do quartel de Nove Sintra foi a CCAÇ 2314, depois da aventura de Bissássema e nunca o general, que eu recorde, visitou o terreno. Nem tão pouco o Ten.Cor. Felgas.
Também não me parece que, naquela fotografia esteja alguém da minha companhia.
Isso leva-me a pensar tratar-se de uma visita do Gen. a alguma companhia que deu continuidade à construção do quartel.
Não tenho nada contra o que a fotografia diz nem me importaria não fosse a história carecer de ser bem contada.
Apenas pretendo não restem dúvidas para os nossos vindouros.
 
Com amizade,
Joaquim Caldeira"
joaquimcaldeira@netcabo.pt
___________________________
Dadas as consideraçõs do Joaquim Caldeira, vamos contactar o Alf. Vaz Alves e tentar esclarecer algum ponto que seja necessário.
Entretanto, se alguém poder dar uma achega, nomeadamente o pessoal das transmissões ou da sala de operações, seriam bem vindas esses esclarecimentos. Ou também pessoal Sapador ou da  CART 1743.
Um abraço.
LG.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Man´ Hipó, vá mazé dá banhe ó cã...


Ai, mãe ! . . .
Convidativo  à “sostrice”, este ambiente algarvio.  Até custa distender os dedos para teclar ! . . .
Providencial, esta chuvinha, aqui, na paradisíaca (para mim, “fajuta”, para vós outros,  ainda bem) Fuzeta, para reanimar as meninges.
E, ao nó, para uma purificação ambiental, já que, sem os conhecimentos adquiridos na Guiné, como caminhar incólume por entre minas e armadilhas, sentiria alguma dificuldade em desviar-me, a cada metro,  dos “engulhos,” na via pública, depositados pela, mais que muita, bicharada.
E, também, por outras alimárias, os ditos, pelos daqui, “regalistas”, como eu.

As “melas” (abreviatura de “meladas”, creio), como são conhecidas as mulheres de cá nadas e criadas, epíteto com que se abespinham, lá se vão insurgindo, guerreando, mas, vai no batalha, sem êxito, por não serem exemplo.

Para compor o ramalhete e diluir o alegado  (plaquita, de latão ou níquel, de aniversário) sofisma da sua deslocação ao reino dos algarves, por reivindicta e rebate de consciência, mal chegado a penates, após me ter esfolado (esposa, filha, netas e cão, de uma assentada, com o acrescento do Mestre, tomem nota!) e levado o meu parco orçamento (a tal bula e outras minudências) quase à bancarrota, despachou-me, já “repeso”, via express-mail, um canito (aliás, muito macho, ladra, não mia !?, talqualmente o alfa pendular pr’ó Tua !), talvez comprado, em saldo numa qualquer feira da ladra lá pr’ós Corroios, aos chineses ou ciganos, por muito pulgoso, e que irá, por certo, contribuir para maior poluição excremental e me obrigar a andar de luva e saquinho atrás das costas, para disfarçar.
Só me saem duques ou malacuéques.
Fiquei, palavra, com’ó chapéu d’um pobre . . .  Um azar, nunca vem só! . . .

-Eh, môce, ‘stás esgazeando em ponto morto ou almareaste ?!  . . . Vai, lá, fazer “cosquinhas” ao “Bimbo da Costa”, dirão os habituais detratores.

Macacos me mordam, se torno a abrir o bico . . .

Mane Hipó, vá mazé dá banhe ó cã...

José dos Santos Correia - CART 2771

Companheiros
Por sugestão do Carlos Marinho e com a devida vénia ao Correio da Manhã e seus jornalistas, transcrevemos a seguir um artigo que veio publicado na revista do ultimo domingo dia 31 de Julho, deste Jornal..
É o relato da passagem por Nova Sintra, do companheiro José dos Santos Correia, da CART 2771.
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A minha guerra

“"Cheguei a pensar que não regressava”

"Fui gravemente ferido. ao meu lado morreu um camarada, foi o dia mais difícil da minha vida, na Guiné, inferno de tiros, mosquitos e calor"

Por:José dos Santos Correia, Guiné (1970-1972)

Cheguei à Guiné-Bissau a 23 de Setembro de 1970 a bordo do navio ‘Uíge’, 1200 homens, ‘Os Duros’, como éramos chamados, a caminho do desconhecido. Éramos aguerridos e valentes, apesar de novos, e tínhamos mesmo de o ser: no meio daquele inferno de tiros, mosquitos e calor, com um copo de água o dia todo. Tínhamos mesmo de ser duros para sobreviver, porque não estávamos preparados para a guerra, mas lá fomos.
Nunca tive medo, a verdade é essa. Lembro-me até do furriel Nelo me dizer: "Ó Correia, não seja tão valente, porque mais vale um cobarde vivo do que um herói morto." Já passaram muitos anos, mas não se pode negar o que se viveu, a guerra é parte da minha, da nossa, história.
A minha companhia esteve em Nova Sintra – era miséria pura. Fiquei fragilizado ao ver aquilo, há coisas que marcam para sempre, mexem mesmo com o coração. Mas o mais difícil da minha jornada na Guiné foi o dia 27 de Junho de 1971. Saímos todos para o mato – ficou só o número mínimo de homens nos aquartelamentos para guardar – e fui gravemente ferido. E depois de grave, é morto. Fui ferido na operação que tinha por nome ‘Sardão Dourado’ – foi logo no primeiro dia da operação, levei um tiro nas costelas. À minha beira, morreu um camarada de Pombal, o Mota, que era muito calmo, muito mais calmo do que eu, não tinha nada de nervos.
Quando fomos atingidos, os colegas das radiotransmissões informaram logo de imediato Bissau, levantaram logo os helicópteros que estavam no aeroporto, estendeu-se logo uma espécie de lençol, no chão vermelho retinto, porque não tinha árvores, numa clareira, só tinha erva ou capim. Passados dez minutos, quando o helicóptero pousou, eu entrei, pelo meu pé, já o Mota foi carregado à mão e no ar. Já a caminho do hospital militar, a enfermeira, civil, disse logo para o piloto aviador, ou só para ela, não sei: "Este já passou."
Foi uma frase muito triste, tão triste como a própria noite. Tanto que eu só pensei: daqui a bocado sou eu. Porque eu punha a mão às costelas e aquilo era punhados de sangue. As palavras mexeram muito comigo. Ela disse a verdade mas eu pensei: pronto, já não vou voltar mais a Portugal. E já era casado quando fui para a guerra, mas ainda não tinha filhos. E menti sempre à minha mulher para não a preocupar, nem lhe disse que tinha sido ferido, dizia sempre que estava tudo bem e ela acabou por não saber.
Quando voltei, já estava recuperado, mas ainda hoje, ao passar sabão naquela zona, dói-me. Ou quando pego numa escada de alumínio para ir apanhar fruta, a escada não pode ir naquele ombro, porque toca naquele sítio. Da Guiné trouxe também um papel que atestava o facto de ter tirado a carta de condução, de ligeiros e pesados, e de louvor, por bom comportamento.
SEIS HOMENS PARA TRÁS
Perdemos muitos homens, alguns dos nossos foram mesmo acidentados por eles próprios. De caminho, nos primeiros 15 dias, foram logo dois embora. A montar e desmontar armas. Ao todo, perdemos seis camaradas. E tínhamos um furriel da Guiné, de origem africana, que pediu ao capitão para ir ao peixe, só que era inexperiente, levou uma granada de guerra, tirou-lhe a cavilha de segurança, deixou-a ficar mais de três segundos na mão e ela rebentou. Ficou irreconhecível. Mas além das memórias tristes, trouxe também comigo memórias de camaradagem. Trouxe da Guiné amigos de corpo e alma, que hoje reencontro nos almoços da companhia. Passamos horas a lembrar o que passou. ""

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Renault 4L, faz hoje 50 anos.

Companheiros
Segundo vi na comunicação social, faz hoje 50 anos que começou a circular a velhinha e saudosa Renault 4 L. Quem não se lembra desta máquina, autentico carro de combate para civis...
Durante a minha actividade profissional e no periodo de 10 anos tive duas e sei bem o que elas passaram nas minhas mãos, andando por montes e vales em caminhos impróprios, atravessando riachos, nunca ficava para trás.
E tal como eu, muitos de vós conduziram concerteza este magnifico carro.
Queremos por isso associar-nos a esta justa efeméride.

da Wikipédia, com a devida vénia, transcrevemos o seguinte texto:
“Por dentro a 4L era extremamente simples. Acomodava bem quatro passageiros em bancos muito simples, que só tinham forro, sendo que a estrutura era visível por trás e de lado. O espaço para bagagem também era razoável, podendo chegar a 950 litros sem assentos traseiros. À frente do volante de três raios ficavam apenas velocímetro e marcador de combustível, e o retrovisor no centro do painel do habitáculo. Tinha de cilindrada 950 cm3 e a alavanca de velocidades era em cima, junto ao tablier”
LG.
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Então é assim: Eu tive uma em 2ª mão de 1966 cx 3 Velc. de côr vermelha que vendi alguns meses depois, era muito fraquinha. O meu primeiro carro foi um Peugeot 403 de 1957 matrícula MT..-.., e como era e é “mais carro” logo desisti desta 4l de três velocidades. Em 1972 comprei uma fabricada em Espanha (R1125S)e vendia em 1983 Um grande barrete, pois este motor nada tinha a haver com os modelos franceses. Esta era uma gastadora de óleo. Em paralelo eu viajava em 1977, matricula HT-..-.., com uma outra de fabrico francês (R1123) que era uma maravilha. Motor fiável e até era mais rápida que a minha de 1972. Esta viatura andou comigo até 1986… qualquer coisa como 400 e muitos mil klms percorridos sem grandes problemas a não ser travões que era de maxilas á frente e a trás, e nas montanhas de Viseu e Lamego ainda sem as famosas IP5 etc.Em 1987, em virtude de me estabelecer por conta própria, adquiri em 2ª mão uma 4F de 1982 matrícula  BV..-.., (R1123). Esta viatura andou comigo até 1992. Fiz com ela mais de 360 mil Klms só mudando pneus e tampas de distribuidor! Não sei porquê, talvez pela electricidade estática, de vez em quando ela não “pegava” porque a dita tampa estava estalada. Esta viatura também era de travões com maxilas, logo não muito famosas, pois eu continuava, agora por minha conta na mesma região de trabalho… Viseu e Lamego. Este foi uma das 4L’s que mais prazer me deu conduzir. Oficina nem precisava. Apenas mudar óleo e filtro de óleo e ar era a minha preocupação. Um dia, pensei: Puxa, há quanto tempo não mudo as velas e platinados?! Resolvi tirar as velas e qual a surpresa, as mesmas nem os polos tinham! Mas a carrinha não deixava de “pegar” com toda a genica no dia a dia.
José Costa.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Os avós...

Os avós vêm de muito, Muito longe…
E vêm cansados. De tão longa caminhada. Cheios de pó, metem dó!
E vêm vergados. Por tantos anos vividos a trabalhar.
Também vêm sós. Tudo perderam pelo caminho: A Elegância, A Formosura,Toda a frescura, Os mais belos sonhos, Anos risonhos, Os seus amigos, Os seus parentes. Mesmo seus maiores afectos.
Apenas lhes resta o coração.
Esse, guardam-no religiosamente - Para amar, e para dar de presente...
...Aos seus netos.
(do blog Educação de Infancia, mas de autor desconhecido.)

quarta-feira, 20 de julho de 2011

FINALMENTE FOMOS À FUZETA ENTREGAR A PLACA DO ANIVERSÁRIO DO NOSSO EX-1º CABO HIPÓLITO DE SOUSA

A placa comemorativa das 66 primaveras do nosso ex-1º Cabo Hipólito de Sousa, insere a data do aniversário natalício do nosso SPM em Tite, que foi a 19 de Junho passado, se bem que ele só fosse aceite no registo civil, cerca de um mês mais tarde.

Este atraso, no registo civil, tem uma longa história, deve-se a várias vicissitudes, que hoje não interessa comentar. No entanto sabemos que “obriga” a família a festejar 2 vezes, no ano, o seu aniversário, argumentando que ele não foi o culpado pela doença do burro que fazia o transporte do seu povoado à cidade. Mas deixemos isto para mais tarde.
Estávamos a dizer, que o seu aniversário biológico foi a 19 de Junho passado e, o nosso amigo, como os demais a quem já ofertamos placas de aniversário, não tinha só a obrigação de se deslocar de Baltar a Lisboa, para receber o “mimo” dos seus ex-camaradas de armas, mas também, a obrigação de pagar o almoço aos mastigantes responsáveis pela oferta. “Tá quiéto! pensou e melhor fez ele” Não apareceu.

A distância, o preço do combustível, a reforma que só recebe lá para meados do mês, etc., serviram de desculpa.
Sendo assim, e com desculpas mais que justificadas, na falta de outras alternativas, vimos da hipótese de sermos nós a deslocarmo-nos.

Munidos da procuração de muitos, a tarefa para a deslocação para a entrega da placa, no mais curto espaço de tempo, seria na Fuzeta, local onde o nosso amigo todos os anos passa férias com a família. E os responsáveis desta incumbência, o Mestre e o Pica Sinos.

Como o mais comum dos mortais sabe, não é fácil fazer deslocar, a uma 2ª feira, dois humildes cidadãos, a esta bonita terra de pescadores situada no fim do continente e, que ainda conserva muitas das suas casas de forma cúbica, rematadas por terraços – as açoteias – de onde ainda se vai avistando, em algumas, a ria e as ilhas.

No caso do Mestre, a deslocar-se do coração do Alentejo - Monte Fialho – só era possível se a “menina”, sua cabra de estimação o acompanhasse. Diz ele que “transportar a cabra no seu Mercedes são grandes as dificuldades de colocar nela o cinto de segurança”, portanto esteve bem difícil a sua deslocação à Fuzeta, só pela insistência em vários dias, foi possível convencê-lo a vir ao nosso encontro sem a cabra.

No caso do Pica Sinos, este não foi de modas, chegou na véspera, desculpando-se que era necessário organizar atempadamente todo o aparato da entrega da placa para o dia seguinte, e levou para o ajudar, a mulher, filha, netas e a cadela a “tucha”.

Chegado o dia (18 de Julho 2011), a placa foi devidamente entregue por estes dois bons cidadãos. Durante a manhã numa cervejaria local do “larguinho da Fuzeta” saboreamos umas cervejas fresquinhas, com o olho na “celulite feminina” de quem passava. O almoço foi na esplanada de um restaurante, tendo como cenário a ria, concluindo-se que a operação foi um êxito. Na falta de peixe fresco por ser 2ª feira, e ainda pela ausência do Guedes para nos confeccionar o Xarêm com conquilhas, podemos dizer, fiquem descansados os camaradas que a “bula” foi paga por quem de direito. Que foi bom o menu (alternativo), composto por bifes de novilho, mistas de carne, salada, vinho, cerveja, pudim, café e vistas de biquínis no tope.

Tenham um bom dia e quando puderem vão à Fuzeta

Mestre e Pica Sinos

terça-feira, 19 de julho de 2011

Xarém com conquilhas

Segundo consta, estão vários mastigantes na casa do Hipólito, na Fuseta. A passar alguns dias de férias. Pois bem
Aqui lhes envio a receita do Xarém com conquilhas, prato que está a concorrer às Sete maravilhas Gastronómicas de Portugal. É só comprar os aviamentos e fazer.
Esta receita é copiada, com a devida vénia, do blog do nosso colega de escola Leal, cujo titulo é XARÉM COM CARNE. É um Olhanense de gema, a par da Albertina Granja e do Domingos.
Então aqui vai:
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Xarem com Conquilhas

É mais ou menos assim:

Põe-se uma panela de água temperada com sal ao lume.
Quando a água sair do frio começar a juntar aos poucos, farinha de milho peneirada (fina) e mexer sempre para não encaroçar.
Juntar umas tiras finas de toucinho (ou bacon) fritos e deixar cozer em lume brando.
Assim que o milho começar a fazer bolhas, juntar as conquilhas, muito bem lavadas e sem areia, e deixá-las abrir.
Quando a papa estiver mais consistente juntar banha, mexer até a banha derreter e servir quente.

As quantidades para 4 pessoas são aproximadamente:
  • litro e meio de água
  • 1 kilo de conquilhas
  • meio kilo de farinha de milho
  • 200 gramas de toucinho
  • 50 gramas de banha
e …. “ bom provête”
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Albertina Granja disse...
Exactamente......., é mesmo assim que se confecciona este delicioso prato "XARÉM COM CONQUILHAS".
Quem não conseguir fazer, desloca-se a Olhão, ao RESTAURANTE HORTA e aí encontrará, com toda a certeza, o melhor Xarém do Algarve.......

domingo, 17 de julho de 2011

Nós os ex-combatentes, e a guerra colonial

A nossa relação com a guerra colonial

Há guerra quando existem conflitos entre pessoas, entre povos, entre nações, entre familias, entre vizinhos, pela independencia, por um regato de água, por um marco mal posto, eu sei lá mais porque motivo.

A nossa guerra, a guerra colonial, aconteceu porque uns teimavam em ser donos de algo e de alguém e esse alguém assim não o entendia.

E como resultado de tudo isso fomos convocados para ir para a guerra, a guerra colonial – uns por convicção, outros por ambição e a maior parte por obrigação.

Mas a guerra colonial para nós, não foi apenas os 23 meses que por lá estivemos, mas perdurou nos tempos até hoje, para uns com marcas fisicas e psiquicas mais visiveis, do que para outros.

E vem a propósito falar das várias etapas que nas minhas meditações, entendo terem sido os mais marcantes, à nossa chegada e nos primeiros dias - nós os Piriquitos, ou seja, os recém chegados:

O porto fluvial do Enxudé, os transportes, as Lavadeiras, Spm, alimentação, as relações com os civis nativos, a guerra própriamente dita e as relações entre nós militares.

Enxudé – Quando chegamos a Bissau desembarcamos directamente para s LDM que nos aguardavam. Foi para mim um espanto chegar de LDM ao porto do Enxudé. Ver a primeira enxurrada de nativos, quase nus e também os militares que iamos render, com ar de quem sendo mais velho, tem direito a gozar com os piriquitos (nós, recem chegados). De onde és tu?. Há alguém de Lisboa, de Santarém, do Porto?. O desembarque das malas e o carregamento nas viaturas que nos levaram depois até Tite.

Transportes – depois de carregadas as malas e outros mantimentos nas viaturas, lá fomos na direcção de Tite. Ao passar por Foia, vimos as primeiras tabancas, expressão que não conheciamos mas que os mais velhos nos iam explicando. Alguns miudos estavam à beira da estrada a dizer adeus aos Piriquitos acabados de chegar. Chegamos a Tite.

Lavadeiras – Achei engraçado que estivesse na altura uma pequena multidão de "mulheres grandes" e "bajudas" nativas, junto ao aquartelamento, vestidas com os seus panos (vestidos) novos. Muitas delas com os filhos às costas, como é tradição. Os torvantes nas cabeças. Logo que desambarcamos fomos quase assaltados pelos companheiros que iamos render, aconselhando-nos a ficar com as suas Lavadeiras, que iriam tratar da nossa roupa no futuro. E assim eu fiquei com a Lavadeira que já lavava a roupa ao meu antecessor e o mesmo aconteceu com quase todos os outros. A Marcelina, A Anssel, a Maria, a Satu, a Maria Mancanha, a Teresa, eu sei lá quantas mais. Cada um saberá o nome das suas. Logo ali acertamos preços e numero de lavagens por semana.

SPM  (serviço postal militar)– uma das maiores preocupações de cada um de nós, foi saber como iamos receber e despachar correio. E logo nos foi dito que o serviço estava montado, faltava apenas ser nomeado um responsável . No nosso caso foi nomeado o cabo Hipólito que, graxa lhe seja dada, desempenhou muito bem a sua tarefa. Em parte time ficou também com a assistencia eclisiastica. Nesta ultima, como ele era o maior pecador, algo ficou por explicar quanto a esta nomeação.

Alimentação – esse foi outro dos assuntos quentes que era preciso resolver. Tão quente que ainda hoje se aguçam unhas quando se toca neste ou naquele ponto mais frágil. Cada um queria saber onde ia comer,como era anteriormente e como se processava tudo isso. Também nesta área era preciso nomear alguem e no nosso caso, graças a Deus foi nomeado o Serafim, pois eu estive mesmo à bica para exercer o mandato. Mas como tinha alguma pratica de escrever à máquina fui requisitado para os reabastecimentos, pelo Cap. Vicente. Tite, embora no Mato, era bem organizado nas refeições, havendo o Rancho Geral, uma Messe de Sargentos e outra de Oficiais. Não vou agora tecer considerações sobre a boa ou a má comida, digo apenas que, no que me toca, fui gerente de Messe durante dois  consecutivos – no primeiro mês correu muito bem porque arranjei um nativo que me ia fornecendo petiscos de que a malta gostava. Mas como era de prever tive prejuizo. No segundo mês houve que recuperar o perdido e no fim do mandato fui dispensado...

As relações com os civis nativos – Eram razoáveis no essencial. Havia alguns que nos fintavam com informações que levavam para o IN, e as informações que  traziam do IN eram aquelas que o IN pretendia que soubéssemos para nos distrair. Na sua maioria os homens não trabalhavam, nem no campo (eram as mulheres que o faziam com os filhos às costas e muitas vezes a dormir) e por isso precisavam do dinheiro das mulheres que eram lavadeiras. E daí as coisas correrem mais ou menos bem. Acho eu. É justo aqui lembrar o nosso companheiro já falecido, Luis Filipe, que mantinha com as crianças e jovens nativas, uma saudavel relação, fomentando a ginástica e a Mocidade Portuguesa, que diga-se o que se disser, era para as crianças um orgulho nela participar. E também tinha com elas algumas aulas de instrução primária, não me lembro bem em que regime.

A guerra própriamente dita – bem a guerra, era o que é – uma guerra. Muitas vezes entende-se a guerra como algo em que é preciso pedir licença para atirar, tipo Raul Solnado. Mas a guerra é bem diferente, sejam quem forem os intervenientes. Houve desvios violentos de parte a parte. No nosso quartel a guerra estava entregue a Sapadores, Atiradores, Artilheiros, Morteiros, Daimlers, Transmissões, Serviços de Saúde. Peço desculpa se me esqueço de alguém. Mas era a guerra nas suas várias Armas. Uma foto que espelha bem o que era a guerra, tivemos há tempos publicada no cabeçalho do nosso blog, enviada pelo ex-alf. Vaz Alves, e de quem estamos à espera duma descrição pormenorizada daquilo que se passou antes, durante e após aquela foto. Tem uma história aquela excelente foto, quanto mais não seja em saber qual o motivo por que está o Comandante Chefe da Guiné, Gen. Antonio de Spinola, a falar às tropas desde o soldado ao brigadeiro, estando alguns em tronco nú, barba por fazer, com barrete, sem barrete. Tem que haver uma justificação e uma permissão muito especial para que assim acontecesse naquele cenário aparentemente tão tranquilo, mas na verdade tão trágico..
É isso que o alf. Vaz Alves nos há-de contar.

As relações entre nós militares – por fim, este é o ponto mais delicado e por causa dele escrevemos este modesto artigo. Tinhamos em Tite, duas Companhias, chegamos a ter três, dois Pelotões e uma Secção. Ao todo devia prefazer perto de 300 homens. Fechados num quadrado, vedado a arame farpado e bidons de chapa cheios de terra, no meio do mato, junto a uma Tabanca. A tensão era muita. A 19 de Julho de 1967, sofremos o primeiro ataque de noite, sem sabermos própriamente o que isso era. Os estragos foram muitos como demonstram varias fotos publicadas neste blog. Outros ataques se sucederam. A enfermaria era o local onde eram recebidos feridos e mortos em combate e foram bastantes. Acidentes mortais com viaturas e armas de fogo. Era o stresse total. As relações neste ambiente, muitas vezes degradavam-se e as coisas não corriam bem. Era o soldado com o cabo, o cabo com o furriel, o furriel com o sargento, com o alferes, ou mesmo com o capitão (foi o meu caso, por uma coisa simples), o sargento com o alferes e por aí fora. Mas todas estas quesilias serviram para cimentar aquela frase que nós temos vindo a dizer e que é “AMIGOS NA GUERRA AMIGOS PARA SEMPRE”. Todos tivemos pequenos problemas com este ou com aquele, culpa nossa, culpa do outro, não interessa, agora passados que são 42 anos.Mas nem sempre as feridas se sararam.

Há uns meses tivemos um almoço organizado pelo Henriques em Peniche, e no qual vieram à baila queixas mutuas, entre um furriel e o capitão ali presentes. Falaram, falaram, falaram... E as coisas aparentemente sanaram. No almoço em Macedo de Cavaleiros até pareciam marido e mulher, tal o “amor” que os envolvia, em atenções mutuas.

Por isso meus caros companheiros, para finalizar este escrito que já vai longo, vamos esquecer os problemas com a alimentação no rancho geral ou noutro lado qualquer, o isqueiro que ficous em gasolina, o furriel que foi bruto para o responsavel por esta ou aquela secção, o alferes que foi mal educado, o capitão arrogante, ou o sargento presunçoso. O José Justo retrata muito bem, num comentário a um anterior artigo sobre o reencontro com o Gasolinas, como as relações se complicavam por causa de meio dedal de gasolina para abastecer um simples isqueiro...

No cabeçalho do nosso blog, dizemos que tem sido uma alegria reencontrar companheiros que não vemos há 42 anos. Sem querer dar conselhos a ninguém nem estar com moralismos excessivos, vamos levar isso à letra, abraçando os que chegam e esquecendo coisas antigas, pois tudo tem solução. Vamos exercer uma atenção especial para esses casos e procurar activamente o reencontro entre os desavindos – só àqueles que antes de nós partiram, não podemos já pedir reconciliação. E no meu caso gostaria imenso de esclarecer com o Cap. Vicente aquilo que nos afastou, mas já não vou a tempo!

Abraços fraternos.
leandro guedes

nota - no comentário que o Pica faz a seguir, trouxe-me à memória a côr da terra - avermelhada. Esse foi também outro motivo de admiração para mim e que esqueci nesta breve crónica. Tudo era avermelhado à volta. Não havia terra castanha ou preta. Tudo era avermelhado. Além disso a vegetação, que não era igual à nossa da Metrópole.
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Muito bom artigo este do Guedes.

Resume de forma clara muita da vivência em Tite. Gostei!
Este artigo, digamos que é um "retrato" tirado por este "fotógrafo".
Outros (poucos) o têm feito em areas especificas.
Levou tempo, mas.....


É pois um bom exemplo, para outros que connosco viveram naquela terra distante de cor vermelha, o sigam.
Basta tão só "retratarem" o que fotografaram e, a história acontece.
Aquele Abraço

Raul Pica Sinos