“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...
Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…
Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314
Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
Meus amigos
Pela mão do nosso companheiro Pica Sinos, chegou-nos esta interessante norma militar, chamada de Cartilha de Higiene, elaborada pelo Ministério da Guerra de então.
É bom lembrar que esta norma tem cerca de cem anos e foi elaborada antes da 1ª. Guerra Mundial, que como sabemos foi bastante severa para as tropas portuguesas, e cujo tema foi há tempos abordado no nosso blog.
Para a nossa época tem o valor que tem.
Mas para aquele tempo deve ter sido um importante instrumento para a disciplina e orientação higiénica das tropas de então.
Queremos ainda lembrar que os termos empregues são bastante duros e crus.
Este trabalho tem 36 páginas e irá sendo publicado periodicamente.
Esperamos que apreciem o seu teor e se assim entenderem, façam os vossos comentários.
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Obrigado Pica.
Um abraço para todos.
Meus amigos
Relembrando o dia em que muitos de nós chegámos a Lisboa, no regresso da Guiné, fui confirmar na minha caderneta militar esse acontecimento.
Foi na verdade o dia mais feliz das nossas vidas até àquele momento.
Tanta alegria sentida naquele dia, tanta saudade saciada, tanta gente à nossa espera. Alguns de nós eram de Lisboa e logo ali encontraram os seus familiares e amigos, as suas namoradas, as suas esposas e alguns até os seus filhos. Mas muitos outros, a maior parte, eram de vilas e aldeias afastadas, no interior do Algarve, Alentejo, das Beiras, do Norte e tiveram que calcorrear horas de estrada até chegarem aos seus lares, à sua família, aos seus amigos, ao seu ambiente.
Foi um dia luminoso nas nossas mentes.
É com emoção que recordo este dia e esse momento, revendo a folha da minha caderneta que assinala o facto e o navio que nos trouxe, o Uige.
E recordo aqueles que entretanto partiram - tanto aqueles que infelizmente vieram antes de nós e não viram a Luz daquele dia; e também aqueles que faleceram posteriormente e que tal como nós chegaram a experimentar a alegria desse dia.
A foto do Uíge foi legendada em tempos pelo Pica, e muito bem, dizendo o seguinte:
"Regresso a Lisboa depois de dois anos de tormento. Que sensação ver nascer a ponte sobre o Tejo, muitas vezes pensei não mais a ver. Foi o dia mais feliz da minha vida".
E mais adiante diz: " Debruçam-se do convés, põem as mãos em pala por cima dos olhos e tentam identificar quem possa esperá-los naquela multidão anónima e desconhecida..."
Abraços para todos..
Meus amigos
Segundo informações através de escutas, mas que não tem nada haver com a face oculta, uns determinados mouros estão a preparar um ataque a monte Fialho onde por acaso mora o nosso amigo Mestre.
Eu pedia apoio ao nosso mentor religioso para movendo as suas influencias arranjar quem meta umas minas nas Viúvas (passagem obrigatória para monte Fialho) ou fazer abrigos subterrâneos para o Mestre meter as cabritas e não só, porque com aqueles lateiros tudo é possível.
Um abraço a todos
Vítor Barros.
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Aí vai a minha bênção . . .
Por sorte, no meu scanner, passaram essas escutas e delas concluo:
O pretexto para o ataque, prende-se, não com a lateirice que lhes é congénita, mas, tão-só, com o facto de estarem a preparar a próxima visita do Papa.
Assim, o Pica, o Zé Manel, o Contige, o Palma, o Carlos Azevedo, parece-me, também o Justo, e, porventura, ainda outros que tais, reconhecidos na praça como fervorosos beatos, vão, em conjunto com o Mestre e aproveitando o silêncio do local, ensaiar aquela do “totus tuus”, que fica de uma esmerada estereofonia com as afinadas e copofónicas goelas daqueles fidalgos.
E, também, por influência e conhecimentos do Pica, junto do patriarcado, vão provar os bonés e as t-shirt's, aí conseguidas, tudo a condizer com as bandeirinhas de símbolo pontifício que irão levar na mão, tão do agrado de todos.
Desta vez, como é por uma causa nobre, estão absolvidos. Não será necessário meter as “bombas” nas Viúvas. Nem os buracos, porque, se algum cai neles, nem com as máquinas do Mestre se desencarceram de lá os aprumados guerreiros.
Mas que vai ser de morrinhanha, vê-los, na TV, a desfilar, felizes e contentes, isso vai.
Olhem para o que vos digo! . . .
Viva o dia da mulher.
Viva a todas as mulheres.
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Procurando o porquê deste dia:
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""A ideia da existência de um dia internacional da mulher foi proposta no virar do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial, quando ocorreu a incorporação da mão-de-obra feminina em massa, na indústria. As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte das trabalhadoras. No dia 8 de Março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque fizeram uma grande greve para reivindicar melhores condições de trabalho, tais como redução na carga diária de trabalho de dezasseis para dez horas, equiparação de salários com os homens e não aproximadamente um terço do salário pelo exercício da mesma função e tratamento digno no ambiente de trabalho.
A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. 129 tecelãs morreram carbonizadas, num acto totalmente desumano. Somente em 1910, numa conferência na Dinamarca em homenagem a este facto, foi oficialmente instituído o Dia Internacional das Mulheres e em 1975 esta data foi oficializada por decreto pela ONU.
Este facto tem extrema relevância na vida das mulheres que pouco a pouco foram ganhando suas conquista e direitos. Não devemos falar em mulheres ocupando espaço masculino e sim em mulheres ocupando seus espaços por competência, dedicação e comprometimento com suas actividades laborais.
Alguns marcos históricos importantes devem ser lembrados. Em 1788 o filósofo francês Condocet reivindica direitos de participação política, de emprego e educação para as mulheres. Em 1940, Lucrecia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos. Em 1859, na Rússia, ocorre luta pelos direitos das mulheres. Em 1862, as mulheres puderam votar pela primeira vez em eleições municipais na Suécia. Em, 1865 foi criada a Associação Geral das Mulheres Alemãs. Em 1866, a exigência pelo economista John S. Mill do direito igualitário para as mulheres inglesas. Em 1870, na França, as mulheres ganham o direito de freqüentar o Curso de Medicina. Em 1878, foi criada a Universidade feminina na Rússia. Em 1901, houve defesa do direito de voto das mulheres francesas pelo deputado René Viviani.
Em Portugal há cerca de 40 anos as mulheres tinham que pedir autorização aos maridos para saírem do país e não podiam sequer ter passaporte individual, só o chamado passaporte familiar. Enfermeiras não podiam casar. Professoras só podiam casar com quem ganhasse tanto ou mais que elas.
Ainda hoje em vários países do mundo as mulheres são fortemente descriminadas, não podendo sequer estudar, sendo sujeitas a vários condicionalismos, submissões, vexames e proibições absolutamente desumanos.
Por solicitação do meu amigo Francisco Vieira, aqui vai um pedido de ajuda:
Olá colegas, amigos, conhecidos entre outros...
Venho por este meio solicitar a vossa ajuda para encontrar um familiar meu que desapareceu no passado dia 03-03-2010 pelas 19:30 na zona de Sobreiro Curvo,A-dos-Cunhados,Torres Vedras.
Chama-se Joana Correia, tem 16 anos e o seu cabelo é comprido e preto, olhos castanhos, 1,64 de altura, estatura magra.
Piercing no lábio inferior do lado direito, com maquilhagem escura na zona ocular, vestia camisola preta, lenço aos quadrados pretos e brancos, calças aos quadrados pretas e vermelhas, botas de salto alto pretas.
Saiu sem qualquer documento de identificação e sem objectos pessoais o que indica que talvez possa ter desaparecido sem ser de livre vontade.
Agradeciamos que reencaminhassem para todos os vossos contactos e que se soubessem qualquer informação nos contactassem porque estamos muito preocupados!
.ESTAVA A VER QUE NÃO...!!!.
Puxa, meu!
Acordei, hoje, “assarapantado”, sequela, presumo, de um pesadelo ocorrido durante o sono.
E, de ciência certa, fruto da embrulhada em que me meteram uns “bicos” do n/batalhão, ao empurrarem-me a organização do próximo convívio.
Mas, esses, lá “irão para onde o paguem” . . ., está garantido lá no livro do “deve e haver” do S. Pedro, meu amigo e a quem já passei a informação.
Sonhei que me apareceu, aqui na minha tabanca, uma caterva de manjacos, futa-fulas, bijagós e outros que tais lá da nossa tropa, para o almoço/convívio, que já havia esquecido por completo.
* Bonito serviço! . . ., dizia a minha consorte. És sempre o mesmo despassarado! E, agora, que se há-de fazer aos donos desta prenda? . . .
* Oh mulher, não te amofines. Transmite-lhes que eu mando dizer que não estou em casa e despacha-os para a “sopa dos pobres” ali da misericórdia. E até já passa a vez . . .
* Boa malha! . . . Cabecinha pensadora ! . . . E ficas safo destes marmelos, sossega ela, já mais tranquila.
* Pois claro! . . . É como quem limpa o “furo” a meninos . . .
Bom, pesadelo atrás de pesadelo, vamos ao verbo.
Para aliviar o stress, adianto que o n/convívio ocorrerá no dia 8 de Maio próximo futuro.
Apontaram, já, nas vossas ocupadas agendas?
Local de concentração: jardim contíguo à igreja do Sameiro, em Penafiel, local muito aprazível, sinalizado e de fácil acesso à A4 (auto-estrada que liga ao Porto e a Vila Real), a partir das 10 horas.
O convívio comestível será no hotel PENAFIEL PARK (distante do local de concentração uns 200 metros), com 54 quartos para quem pretender nanar.
Quanto a ementa, de momento, não tenho presente. Sei, apenas, que o cabito e a minha consorte estão a tratar do assunto, tendo-lhe dado a sugestão de que, para cotas de 60 e muitos anos, deveria ser levezinha (talvez, umas migas à la mestre e uma lapardana digestiva).
Oportunamente (lá mais para diante, seguindo o conselho do Costa), irei expedir as convocatórias (mais uma trabalheira).
Um xi do exmº e revmº organizador
Hipólito
(P. S. aviso de que estou isento de livro de reclamações)
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E “num” é que o hotel “num” tem mesmo luz “inléctrica”, Zé?!!!
O que tu, muito bem, observaste são milhões de “belinhas”, colocadas por ocasião da procissão das endoenças, quinta-feira santa, tradição ancestral nestas terrinhas do demo, como, v. g., em Entre-os-Rios.
Também se nota um ou outro “lampião”, raça em vias de extinção por estas bandas. Por isso, é que, à míngua de tais medievos artefactos, já, um “lampião” daí, se apronta para aparecer de véspera, na expectativa, vã, diga-se, de brilhar em território do “dragão”.
Do programa das festas consta uma “missinha com todos”. Não me digas que, após isso, a artilharia ainda pretende almoçar?!!!
Por falar nisso. Será que desta vamos ter o prazer de “acamaradares” connosco?
E não te preocupes. Para ti e para o Guedes, comemorando o (seu, só dele, Guedes) “looking”, aparecem sempre umas papinhas de sarrabulho e umas iscas de cebolada, sem contra-indicações para o hemorroidal.
Dizem os entendidos, que denomina-se por design, qualquer processo técnico e criativo relacionado à configuração, concepção, elaboração e especificação de um artefacto. Esse processo normalmente é orientado por uma intenção ou objectivo, ou para a solução de um problema. Existem diversas especializações. Actualmente as mais comuns são o design de produto, de visual, de moda e o design de interiores.
O profissional que trabalha na área de design é chamado de designer. É assim que temos que passar o chamar o Contige…O designer Contige… Que com as suas filhas (uma arquitecta e a outra modelo) e mulher abraçaram esta área com sucesso.
há 2 anos, mais propriamente a 20 de Fevereiro de 2008, no Bloog do Bart 1914, escrevia-se assim:
Lembram-se do Contige? Um rapaz alto, um pouco musculado, quase sempre “pintado de branco”, passando a maior parte das horas, quando em descanso, encostado à ombreira da padaria, edifício com a frente virada para o edifício das transmissões, conversando com o Costa de “Ovar”, Operador de Transmissões, este, sorna na primeira linha.
E afirmava: O Contige era o padeiro….
…. Pois…. É isso mesmo que estão a pensar, o Contige, quando possível, dava-nos um pãozito escondido. E nós (……) quem? Os outros! Retribuíamos (não que ele pedisse) com “ produtos da exportação dos paizinhos e mãezinhas, das esposas, das namoradas e mesmo das chamadas madrinhas de guerra.
SE durante anos foi difícil encontrar o Contige, depois de o descobrimos, não têm parado os encontros. Num desses, muito recentemente, na Tasca dos Bolas, em Almada, ele trouxe mais fotografias, onde curiosamente, espelham também outros camaradas que ainda não tivemos a oportunidade de encontrar. A seu tempo, direi eu, os encontraremos.
Como o prometido é devido, aqui vai um pequeno texto sobre como eu vivi os últimos dias em Tite. Afinal fui um dos últimos portugueses a deixar este aquartelamento que curiosamente, em 1963, no dia 23 de Janeiro, tinha sofrido o primeiro ataque realizado pelo PAIGC naquela que seria a malfadada guerra em que nos meteram.
Falas em encontrarmo-nos pessoalmente. Eu vivo em Lisboa, mais propriamente na Portela de Sacavém. E tu onde vives?
Um abração
Fernando Teixeira
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TITE A ÚLTIMA POSIÇÃO PORTUGUESA NO QUÍNARA
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Como referi em crónica anterior, a 2ª C. Art do B. Art.6520/72 deixou Nova Sintra, rumo a Tite, no dia 17 de Julho de 1974, pernoitando a Companhia, em Tite, para, no dia seguinte, embarcar para Bissau, rumo ao “Puto”.
E assim, foi. De manhã, para aproveitar a maré, chegou a LDG que iria levar os homens e material da Companhia. Acompanhei-os até ao Enxudé e despedi-me, um a um dos meus homens. Os homens do Segundo Grupo de Combate da unidade. Ao despedir-me fui confrontado com a minha frustração de comandante que tinha traçado como seu primeiro objectivo recambiar para Portugal todo o seu pessoal são e salvo. Infelizmente, falhei este meu objectivo e este falhanço tem-me perseguido a vida inteira. E naqueles momentos em que a síndroma pós-traumática ataca com mais força tento sempre convencer-me, infelizmente em vão, que quem vai à guerra dá e leva. E, assim, ainda hoje, choro os homens que estavam à minha responsabilidade e que eu não fui capaz de devolver aos seus entes queridos, vivos ou inteiros. Os dramas de um comandante.
Apesar de saber que a guerra, final e definitivamente, tinha acabado para eles, foi com uma enorme emoção que os vi desaparecer rumo a Bissau. Nesse momento, tirei o meu lenço de seda azul – distintivo do grupo – que todos usávamos com o nosso fato de combate. Afinal já não comandava mais o 2º Grupo de Combate da 2ª C. Art. do B.Art. 6520/72. Restava-me mais uns meses de espera em Tite, antes de chegar a minha vez. Afinal, eu ainda estava a meio do período da minha comissão e, como tal, fui requisitado para ficar como adjunto do Comandante do COP 6 que, entretanto, tinha sido criado em Tite para assegurar a defesa Sul da capital. Passei, assim, a exercer as funções de amanuense de luxo, com direito a gabinete com paredes meias com o gabinete do “Maior”.
E os dias foram passando cada vez mais lentamente na medida em que as saudades da família iam crescendo. Afinal tinha estado casado somente três meses antes de partir para a Guiné, vítima de uma inqualificável mobilização em que fui preterido em detrimento de outros oficiais mais modernos.
Porque era amanuense de luxo tive oportunidade de viajar com o “Maior” pelas outras companhias ainda presentes no terreno, Jabadá, Gã-Pará (ou Ganjuará). Com muita pena minha não visitei Fulacunda.
Para visitar Gã-Pará fomos de avião até Porto Gol, atravessando o rio Geba, de Sintex, até ao extremo do Quínara. Que impressão me fez ver as instalações onde esta Companhia viveu mais de dois anos. Simplesmente, abaixo de cão. Ao que me disseram fruto da teimosia de um cabo de guerra que pontuou na Guiné por alguns anos...
Nesta altura já contactávamos assiduamente com os elementos do PAIGC que circulavam livremente por todo o Quínara. Uma coisa que me marcou nestas relações com o ex-IN foi o elevado nível de cortesia e aprumo militar que sempre pautaram todos os nossos contactos. Simplesmente exemplar. Porém, se as coisas corriam bem com a tropa portuguesa, as relações com os elementos da tropa africana que fez a guerra ao lado do Exército Português denotavam uma certa frieza, quando não agressividade. Uma situação que muito nos preocupava pois temíamos retaliações do PAIGC sobre os GEMIL. Lembro-me de ter ouvido, por mais de uma vez, o nosso “Maior” avisar os responsáveis do PAIGC para o perigo dessa atitude pois poderia significar iniciar um País – a Guiné Bissau – com uma guerra civil.
Carta Militar de Tite
Diariamente lá me ia desembaraçando das minhas tarefas e aprontando a nossa saída eminente do Quínara. Um dia recebi ordens para começar a incinerar os nossos arquivos, livrando-nos de toda a papelada inútil. E ao passar os documentos um a um, a certa altura, cai-me nas mãos um documento que continha a explicação da minha mobilização abusiva e irregular para o CTIG. Era a confirmação daquilo que eu já suspeitava há muito. Não resisti a mostrar esse documento ao Comandante e a dizer-lhe que, na roda da vida, uma vez se estava em baixo, outra vez se estava em cima e, naquele momento, eu estava em cima. Poderia ter guardado o documento para me servir dele como arma de arremesso quando chegasse a Portugal. Mas, não. Resolvi pegar num fósforo e queimá-lo ali mesmo. Passados trinta e quatro anos ainda não me arrependi desse gesto. Afinal, nessa altura, Portugal já era um País livre...
Em dado momento recebemos instruções para pagar o pré à tropa africana abonando, esta, até ao fim do ano. A nossa presença em Tite caminhava a passos largos para o fim. Restava-me ainda viver mais dois episódios complicados como resquício dessa guerra em que estivemos envolvidos.
Porque a Companhia de Jabadá estava para evacuar a posição daí a alguns dias, fui com o “Maior” fazer a despedida àquele aquartelamento situado na curva do Geba. Fomos em dois barcos Sintex para aproveitarmos, no regresso, trazer alguns víveres que já começavam a escassear em Tite. O Comandante resolveu partir à frente tendo eu permanecido mais algum tempo em Jabadá para proceder ao carregamento dos víveres. Estávamos ao fim da tarde. Estando a Guiné numa zona com 11º de latitude Norte, a geometria terrestre provoca uns ocasos extremamente rápidos, caindo a noite num ápice. Assim, passado pouco tempo depois de deixarmos Jabadá rumo ao Enxudé, já estávamos a descer o Geba de noite. Corria tudo bem até que o motor fora de borda do Sintex calou-se. O barqueiro que de barcos nada percebia, tentava desesperadamente repor o motor em funcionamento. Como eu tinha alguma experiência na matéria fui verificar a quantidade de combustível disponível no depósito. E aí residia o problema. Este estava completamente seco. Pior foi quando eu conclui que não havia mais combustível a bordo do Sintex. Estávamos à deriva, descendo rapidamente com a corrente rumo ao Atlântico. As luzes de Bissau, na outra margem, iam aumentando e nós na escuridão da margem esquerda. Mandei desmontar umas grades de batatas que transportávamos para, com as tábuas de que estas eram feitas, improvisar uns remos de emergência. Porém, rapidamente percebi que com as tábuas dos caixotes nunca conseguiríamos vencer a forte corrente. Ainda pensei tentar dirigir-me para a margem mas um elemento do PAIGC que vinha connosco avisa-me: “ – Alfero, neste sítio manga de crocodilos!”. Assim pensei ser mais assisado prosseguir ao sabor da corrente.
No meio da escuridão da noite, a um dado momento ouve-se um motor fora de borda. Percebi que deveriam andar à nossa procura. Bem gritámos a pedir socorro mas o barulho do motor abafava os nossos chamamentos. Lembrei-me a certa altura de que era portador de uma pasta contendo uns quaisquer documentos confidenciais e vi, nesses documentos, uma provável maneira de sairmos desta situação que começava a ser bastante complicada. E como eles eram “confidenciais” logo pensei que a melhor maneira de preservar essa “confidencialidade” seria utiliza-los com archote para localizar a nossa posição à embarcação que andava à nossa procura. Meio dito, meio feito. Chega-se-lhes um fósforo, lá se “foram” os documentos mas fomos localizados. Cabo de reboque passado, recolhemos à segurança do Enxudé.
Os dias iam passando e a um dado momento recebemos instruções para desarmar a tropa africana. Aí percebemos que íamos ter complicações graves e percebe-se porquê. Eu, se pertencesse àquela tropa, não ficaria nada descansado tanto mais que já tinha havido um incidente grave entre um ex-combatente dos GEMIL e elementos do PAIGC. Exposta a situação a quem de direito em Bissau, fomos visitados por uma delegação de oficiais portugueses e oficiais dos Comando Africanos que vieram a Tite para tentar deitar água na fervura entre a tropa africana e os elementos do PAIGC. Desta visita ficou-me gravado na memória o facto do oficial português mais graduado da comitiva – um capitão-tenente da Marinha – ter acompanhado o almoço com uma garrafa de whisky só para ele, como se de vinho se tratasse. No fim nem uma gota ele deixou no fundo da garrafa. Nunca pensei que se pudesse emborcar tanto álcool de uma só vez!
Acalmaram-se os ânimos. Pelo menos por algum tempo. Aproveitou-se para retirar o armamento à tropa africana e acondicioná-lo na respectiva arrecadação. Os nervos desta tropa ficaram à flor da pele. Para complicar tudo voltam a dar-se incidentes com elementos do PAIGC. OS ex-combatentes que tinham combatido ao lado do Exército Português entram em alvoroço e ameaçam arrombar a arrecadação de material de guerra para reaver as suas armas. Foi o diabo para os conter. Tivemos que os ameaçar que abriríamos fogo se tal fosse tentado. Para nós estava criada uma situação dificílima pois se pretendíamos evitar incidentes, entre ambas as facções guineenses, de um lado tínhamos um bando de desesperados. Prevendo que, aproveitando a noite, poderia haver uma tentativa de assalto às armas, tomámos uma medida engenhosa para evitar o pior no caso da tropa africana levar a cabo o citado assalto. Assim, o mais disfarçadamente possível, cada oficial foi à arrecadação, retirou umas dezenas de culatras das G3, metendo-as, seguidamente, nos seus sacos e malas de bagagem pessoal e dissimulando-os nos seus quartos. Assim, as armas de fogo tinham passado a meros varapaus. Foi uma noite de angústia para todos nós já que poderíamos ter de abrir fogo sobre os nossos antigos apoiantes. Mais umas acções diplomáticas junto de ambas as partes e lá se conseguiu apaziguar os ânimos. Contudo, foram dias muito difíceis para nós que ficámos a temer que, a qualquer momento, o “caldo se entornasse”.
Finalmente recebemos ordens para evacuar Tite. Na última semana que lá passei, porque já não houvesse mais mantimentos, comemos a todas as refeições feijão guisado que cozia permanentemente nos caldeiros tal era o seu estado de dureza.
E, assim, nos primeiros dias de Outubro, em data que já não consigo precisar – talvez no dia 2 ou no dia 3 – chegou o nosso último dia em Tite. De manhã bem cedo, formou a tropa portuguesa com a tropa do PAIGC ao lado e uma grande parte da população a envolver-nos. Içou-se a bandeira de Portugal pela última vez no mastro do quartel ao som dos toques de ordem. Seguidamente, o corneteiro perante o silêncio sepulcral de todos dá o toque para arriar a bandeira. Esta desce devagar, é dobrada e entregue ao Comandante. Vi neste momento, numa emoção verdadeiramente sentida com muitos elementos da população civil com as lágrimas a correr pela cara abaixo. O corneteiro toca novamente a içar a bandeira e sobe no mastro de Tite a bandeira da Guiné Bissau.
Tinha acabado definitivamente a guerra no Quínara, no exacto local onde se deu a primeira acção militar das tropas de libertação. Corria, então, o dia 23 de Janeiro de 1963 quando o PAIGC faz um ataque ao quartel de Tite. Deste ataque resultou 1 morto e 1 ferido das NT e 8 mortos confirmados e vários feridos graves no IN.
Agora, os portugueses partiam. Saíram todas as viaturas com o pessoal rumo ao Enxudé onde aguardava a LDG. Depois de todos partirem, o Comandante e eu subimos, então, para uma viatura e abandonámos Tite. Fomos os últimos portugueses a deixar a povoação. Os últimos não. Ficou um português, civil, muito idoso, que trabalhava para os Serviços de Agricultura havia dezenas de anos e que não quis abandonar Tite.
Embarcámos na LDG e, quando ela meteu marcha à popa desatracando da rampa, vi o Quínara, onde tinha vivido momentos tão amargos, ficar cada vez mais pequenino. Virava-se mais uma página da história da minha vida igual a tantas outras vividas pelos meus camaradas de armas naquele País distante.
Fernando Teixeira
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Meu Caro Fernando
Li e reli o teu relato sobre Tite.
Está um excelente texto e vamos publicá-lo no nosso bloog.
A história é assim. Só com estes e outros relatos se saberá, para os presentes, para os homens e mulheres do futuro,
o sofrimento da juventude na tua e nossa geração.
Uma guerra, (em que hoje e já desde há muito) é catalogada como desnecessária, estúpida e injusta para todos os seus intervenientes, seus familiares directa ou indirectamente ligados. E não me refiro apenas à Guerra Colonial na Guiné,
mas também noutros territórios considerados à época, pelos mandantes e outros quejandos, como "Império Português".
Meu Caro
Eu sou natural de Lisboa, mais propriamente da freguesia de Benfica.
Presentemente moro em Corroios-Seixal
Em e-mail separado mando-te o meu nº do telemóvel para me contactares.
Podemos organizar, em breve, um encontro com "meia dúzia" de camaradas
que moram em Lisboa e nos arredores.
Até lá um Abraço grd.
Pica Sinos
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Meu caro Fernando
Foi com imenso prazer que li esta sua completa descrição daquilo que foram os vossos últimos dias em Tite. Este relato era por todos nós esperado há muito tempo, pois não tínhamos contacto com ninguém que tivesse esta vivencia.
Ainda bem que o amigo apareceu para suprir esta falta.
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Há no entanto situações um pouco mais particulares que gostaríamos de saber como se processaram, como sejam, qual o comportamento da população civil em relação à nossa tropa, nos últimos dias. Não podemos esquecer que a tropa era um meio importante na dinamização da economia local, não só pelos contratos com lavadeiras (Maria, Maria Mancanha, Anssel, Marcelina, Satu e tantas outras) mas também com o movimento que era feito nas lojas locais, compra de animais etc. Havia uma particularidade interessante com as lavadeiras, como se lembra. É que quando as companhias se rendiam, elas passavam entre camaradas do mesmo posto. Por exemplo o furriel dos reab que ia embora passava a sua lavadeira ao furriel dos reab que chegava. O cabo das transmissões fazia o mesmo ao seu sucessor, bem como o soldado da cantina, o cabo mecanico auto, todos fazia o mesmo. Até o comandante.
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Os chamados homens grandes (Abdulai e outros) que aparentemente estavam de bem com as NT, foram massacrados ou escaparam à demanda?
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No nosso tempo tínhamos um companheiro de seu nome Luís Filipe, da área das telecomunicações, infelizmente já falecido, que mantinha uma escolinha de futebol, jovens nativos, onde os craques floresciam já com alguma intensidade. Essa escolinha ainda existia?. Lembra-se disso?
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Existia ainda um administrador de origem cabo verdiana, cuja filha de linhas redondas e fartas, fazia as delicias visuais de alguns malandros. Ficaram lá ou foram embora?
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A capela ainda estava de pé?. Tinham sacerdote e um Hipólito para o ajudar? E a Mesquita junto ao aeródromo ainda se mantinha?
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Saber também o que foi feito do Silva e mulher, se ficaram lá até ao fim. E o comerciante paquistanês? Já agora não me lembro do português que diz trabalhava no campo.
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Quanto aos nativos que serviam ao lado das NT, sabe que se constou muita coisa logo após a independência, mas deduzo pela sua descrição que não assistiram a nenhum comportamento vingativo por parte dos PAIGC, embora isso seja evidente a curto prazo, após o desarmamento daqueles homens valorosos.
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Tocar estes assuntos é ir ao encontro das recordações de todos nós.
Pela sua descrição o nosso muito obrigado.
Leandro Guedes
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Amigo Guedes
Foi hoje, que com calma e atenção reli pela última vez esta longa e excelente crónica do ex Alf. Fernando Teixeira, focando os últimos dias da presença Portuguesa no sector de Quinara, e no que nos diz respeito, em Tite.
Lembras-te que o comandante deste mesmo sector era o Nino Vieira, que bastantes dores de cabeça nos deu, e que foi o mentor entre muitos, do desgraçado ataque de Bissassema, onde o PAIGC ocupou as nossas posições e fez prisioneiros três camaradas das nossas Companhias.
Várias vezes e por causa dele, recebemos informações do QG Bissau, classificadas de “ZULU SECRETO A1” (ZULU=Prioridade absoluta de transmissão sobre o tráfego rádio; A=Importância operacional máxima; 1=veracidade muita segura) sobre movimentações das tropas do Nino com o fito de ataques a Tite, e aos nossos aquartelamentos de Jabadá, Fulacunda, Enxudé etc..
Tanta vez cifrei e decifrei o nome deste Nino Vieira, que tinha fama de ser bastante duro como militar, e que como sabemos, veio a ser Presidente da Guiné-Bissau, por lá sendo assassinado recentemente.
Fim trágico, para quem afinal arriscou a vida em duros combates durante anos !!
No relato do nosso amigo Teixeira, muito me fez recordar aqueles tempos, e imagino a comoção do momento da substituição das bandeiras.
É isto que me revolta...invariavelmente todas as guerras acabam assim !!
Não focando toda a história de milhares de anos de guerras, nos casos recentes mais emblemáticos das guerras da Coreia e do Vietnam, tudo foi em vão, deixando um rasto de miséria humana, para agora serem “todos irmãos” !!
A mando de políticas e políticos, em nome de valores tantas vezes discutíveis e lavagens mentais, em nome da Mãe Pátria (Mãe para poucos, madrasta para muitos), e para “defender o chão sagrado”... mandam-se para a guerra, para a morte e para a invalidez milhares de homens no apogeu da sua vida, acreditando (alguns) que é por uma causa justa, e no fim os inimigos passam a amigos, os ódios a abraços, os terroristas a patriotas, e pelo caminho muitos encheram os bolsos despudoradamente á custa da guerra, e do sacrifício de muitos filhos, maridos e pais.
Não falando da maioria dos civis, que bem lá no fundo não lidavam muito bem com os militares, principalmente pelas patentes mais baixas.
Para eles, de bom grado guardavam o “Patacão” que por lá deixava-mos nos seus comércios, mas faziam sempre por marcar bem as diferenças !!
Sei de casos, alguns com acesas discussões onde fui interveniente, pós Independência, com ditos “retornados” em Lisboa, que se queixavam de tudo e todos, e que para eles os militares eram muito responsáveis pela sua desgraça (sic)...
Em verdade te digo, que tive dois colegas Portugueses ex-Moçambique, excelentes seres humanos, “polidos” e inteligentes, que embora sofridos e lesados, tinham capacidade para fazer análises lúcidas, e frias á posteriori, da história recente.
Um pormenor: Nos casos que conheço, que são alguns, e admito francamente que por mera coincidência, os ditos “retornados” de Moçambique, mostravam muito mais civilidade, sendo muito menos radicais e obcecados.
Tenho há anos, por esses dois grandes amigos e ex-colegas, regressados de Moçambique, muito apreço e recordo longas conversas sobre esta temática.
Há muito que li, nisso acredito, e volto a repetir, que as guerras só acabarão, quando todos se recusarem a pegar em armas.
O Teixeira foca o problema dos choques que já se adivinhavam entre os elementos do PAIGC e as tropas que no nosso tempo designava-mos por “milícias”.
Li relatos de autênticos morticínios, pós independência, principalmente focados nos Comandos Africanos que combatiam com as nossas tropas.
É sempre assim, e nós Portugueses devíamos ter acautelado um mínimo de protecção a esses militares, que afinal eram para todos os efeitos e de direito, tão Portugueses como nós (na conveniente dialéctica dos governantes, claro).
Repetiu-se o sucedido na Argélia, no Vietnam, e irá acontecer no Iraque e no Afeganistão. Vinganças, sangue e mais mortes.
As perguntas que postaste são interessantes, e também gostava que o nosso amigo desse uns tópicos sobre elas. Será que ele nos dirá algo ?
Só agora me deu a bolha para este tardio comentário, nem volto a desculpar-me, mas já sabes do que a casa gasta !!
Um abraço para ti, para o Fernando Teixeira, e todos os amigos do Blog, que está mais giro com nova cara em suaves nuances Africanas.
Amigos
Recebi novo e-mail do Fernando Teixeira e
dele vos dou conhecimento
Pica
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Meu Caro Raul Sinos,Não foi sem uma enorme emoção que li no blog do B. Art. 1914 as minhas próprias linhas descrevendo os últimos dias de Nova Sintra como posição do Exército Português. Para quem lá passou como nós, tudo o que diz respeito ao Quínara acaba por bulir connosco. E muito. Como diz o nosso camarada Hipólito “...para quê tanto esforço, sangue, suor e lágrimas de todos nós para acabar assim a desgraçada guerra em que nos meteram...”.O Hipólito manifesta gosto em saber como saímos de Tite. Posso descrever como isso se passou pois eu e o Comandante do COP 6 (o mesmo do B. Art.6520/72) fomos os dois últimos portugueses a deixarmos Tite, rumo ao Enxudé. Como eu estava em rendição individual, fui requisitado pelo Comandante do Comando Operacional Nº6 para seu adjunto, não seguindo, pois, com a 2ª C. Art. para Bissau para daí embarcar para Portugal. Deste modo só saí de Tite nos primeiros dias de Outubro de 1974 (em data que já não consigo precisar).Vou preparar um texto e depois envio-te. Em Tite também vivi alguns momentos dramáticos apesar da guerra já ter terminado há muito. Relatá-los-ei nesse texto.Até lá recebe um abração doFernando Teixeira
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Obrigado Fernando Teixeira
Espero que tudo esteja bem contigo.
Agradeço o texto sobre Tite que vais construir.
Uma grande abraço. Manda sempre histórias,
dos locais por onde passamos, e que entendas que devam ser publicadas.
Tem um bom dia. Quando for oportuno podemos tomar um café juntos
se as distancias o proporcionar
Raul P.Sinos
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Como é interessante o contributo deste nosso companheiro, Fernando Teixeira, para que saibamos o que se passou em Tite nos últimos tempos das NT ali presentes.
Pena que outros companheiros, que também viveram estes dias, não se disponham a desabafar connosco as suas histórias.
Mas eles vão aparecer...
Abraços.
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Guerra colonial: Corpos de militares portugueses exumados
Regresso à Guiné
Uma equipa de missão vai partir para a Guiné-Bissau com o objectivo de exumar mais corpos de soldados portugueses mortos durante a guerra colonial. A viagem, marcada para 22 de Fevereiro, "é a quinta desta missão e, em princípio, a última", disse ao CM o presidente da Liga dos Combatentes, general Chito Rodrigues.
Desta vez, as exumações vão ser feitas em Cheche, junto ao rio Corubal, local onde a 6 de Fevereiro de 1969, aquando da retirada do exército português de Madina do Boé, cerca de 50 militares portugueses perderam a vida.A antropóloga Eugénia Cunha é mais uma vez a responsável pela equipa técnica, que parte mais tarde, a 26 de Fevereiro. "Esta vai ser a mais complexa das missões. Temos exumado campas individuais, mas agora vamos escavar uma vala na qual vários corpos foram enterrados em conjunto e que podem estar todos misturados. A dificuldade será analisada apenas no local", explicou ao CM.
Depois de desenterrados, os corpos dos militares portugueses serão levados para a cidade de Bissau, "onde são, em primeiro lugar, separados, e depois, elaborados relatórios antropológicos com as características de cada um", refere a antropóloga.
Apesar de esta tarefa ter como principal missão "a dignificação dos militares mortos e enterrados em combate, transportando-os para um único sítio, neste caso o cemitério de Bissau", como explica Chito Rodrigues, os relatórios antropológicos vão permitir a identificação dos militares, caso os familiares o solicitem.
A equipa de missão, que parte quatro dias antes da equipa técnica, vai fazer ainda o reconhecimento de alguns locais onde podem estar enterrados mais soldados portugueses mortos em combate. Caso não sejam encontrados, estas serão as últimas exumações realizadas na Guiné-Bissau.
PORMENORES:
EQUIPAS
A equipa de missão é constituída por três oficiais da Liga dos Combatentes. Um deles, o major--general Aguda, é quem vai chefiar toda a missão. Já a equipa técnica, além de contar com Eugénia Cunha, é constituída por mais três elementos.
CEMITÉRIO
Nas quatro operações já realizadas foram recuperados 50 corpos, dos quais nove regressaram a Portugal, disse ao CM Chito Rodrigues. Os 41 restantes ficaram depositados num ossário numa capela recuperada do cemitério de Bissau, onde estão enterrados 352 militares.
IDENTIFICAÇÃO
Para todos os corpos exumados e separados é elaborado um relatório forense. Caso alguma família solicite a identificação de um corpo, esses dados são comparados comos das fichas de inspecção militar. Podem ainda ser feitas análises ao ADN.
Helder Almeida
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esta noticia veio hoje publicada no Correio da Manhã, pela mão do Jornalista Helder Almeida.
Presidente da Guiné-Bissau em visita oficial a Portugal
Lisboa - Malam Bacai Sanhá, Presidente guineense, inicia, esta quarta-feira, uma visita oficial de dois dias a Portugal. Estão previstos encontros com líderes políticos e empresários.
Bacai Sanhá, que está acompanhado da sua mulher, Mariama Mané Sanhá, irá depositar uma coroa de flores no túmulo de Luís de Camões, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.Estão ainda previstas reuniões com o presidente da República, Cavaco Silva, com o primeiro-ministro, José Sócrates, e com o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. Da agenda de Bacai Sanhá faz parte a visita à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), onde se encontrará com empresários portugueses, a fim de estreitar as relações comerciais entre os dois países.
Companheiros
As noticias sobre Tite e sobre a Guiné em geral, são sempre para nós motivo de interesse e curiosidade e por isso trazemos hoje ao blog uma noticia interessante sobre o futuro da Guiné, publicada no Expresso desta semana, no caderno Espaço e Casas, pelo jornalista Fernando Pedro.
Este artigo, que abrange um projecto mais geral sobre África, inclui algumas notas sobre construções de novas escolas a terem lugar no Cacheu, Guiné/Bissau, pela mão do arq. Pedro Mauricio Borges.
Este projecto teve a sua mostra na 8ª. Bienal Internacional de Arquitectura de São Paulo, Brasil.
Vale a pena ler. Para os que já a leram, nunca é de mais.
Um abraço.
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A 4ª e 5ª fotos, a contar de cima, são, precisamente, do local de concentração. O look do blog está, cada vez, mais atractivo.
Hipólito.