Batalhão de Artilharia 1914

4


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

-

"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

-

“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

-

Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
---

“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

---

Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
----------------------

"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


.

.
.

terça-feira, 9 de março de 2021

Hoje há poesia !...

 De Luis Manuel Dias

 

HOJE, há Poesia!

Para gáudio vosso, Queridas/os Amigas/os, e meu desjejum, vos apresento, em modo de Soneto, o poema: 'A Noite da minha Vida'.

Dele dir-me-eis algo, estou certo.

Beijinhos às nossas Meninas. Abraços, do coração, a Todos.

À leitura, então:

=

A NOITE DA MINHA VIDA

-

Cada vez mais alucinante e viva


Se apresta, veloz, ágil e decisiva,

Da minha vida a noite emergente,

Em negro e branco cavalo, silente!

-

Nada dela senão a memória vivida!

Guardo saudades, fulgores de antes…

Da vida jovem, corajosa, destemida…

Contraponho o enrugar periclitante.

-

Íntegra, viçosa, plena de ardor e força

Subiu a mil penhascos, tal bela corça,

E íngremes atros desceu, vis, funestos!

-

Na noite minha vislumbro, inda, rastos

Donde brotam fosforescências, cintilos

E nela há célicos reflexos, sóis, brilhos!

-

LMD, 09.03.21

9 de Março de 1969. A chegada a Lisboa, há 52 anos atrás...


 
 O farol do Bugio, estávamos a chegar a Lisboa.

nota - Bugio quer dizer qualquer coisa bojuda, redonda, circular, que se contorna e a que se dá a volta, tal como Bojador, Bugio é aqui um derivado regressivo do verbo bojar, assim o significado aceitável para Bugio, é, de facto, o que caracteriza a forma invulgar do Forte, ser bojudo, redondo, circular e a que se pode dar a volta.

 Uma nota final sobre a expressão popular "ir bugiar", o mandar bugiar que já aparecia em Gil Vicente, e que Tomás Pinto Brandão, falando do Bugio em 1681, a utiliza em 1738,

 "Ali a fortaleza do Bugio

Com quem de quando em quando

Muita mestrança anda bugiando

E sem lhes darem vaia

Vinham os mais deles bugiar à praia."

 In " Elucidário de alguma Oeiras", Jaime Casimiro, 2010

--------------------------- 

José da Costa:

Sem duvida que ninguém dormiu nessa memorável noite. Recordo-me perfeitamente ao aproximarmos da barra e ver luzes muito ténues ao longe! Nunca esquecerei esse dia maravilhoso que foi a nossa chegada e o desembarque meio atabalhoado, tal como no embarque em Bissau com malas a cair ao rio!

---

Amadeu Contige:

É Verdade quando vimos o nosso Cristo Rei foi uma alegria

segunda-feira, 8 de março de 2021

O dia da Mulher - pelo Pica Sinos

 



"MODESTO TRIBUTO ÀS HEROINAS DA MINHA VELHA RUA DO BAIRRO DAS FURNAS

- INTRODUÇÃO –

No decorrer dos anos 1943/1944, tendo como cenário a segunda guerra Mundial, o Povo, as famílias portuguesas, foram assoladas de grande miséria por via da privação de muitos dos bens essenciais para a sua alimentação, sendo uma das principais causas a exportação desses bens para a Alemanha nazi e não só.

Salazar, para que nada faltasse ao “senhor da guerra”, decidiu racionalizar ao povo português muitos desses bens, tais como: o açúcar, o azeite, o leite, e o pão entre outros. Sendo só possível adquiri-los através de senhas que classificou de “racionamento”.

Esse racionamento visava na atribuição a cada família a quantidade dos bens alimentares para o seu sustento, proporcional ao número de pessoas do agregado familiar.

Com a situação do desemprego que era muito e a precariedade dos existentes, gerava, variadas vezes, a falta do dinheiro para adquirir, em parte ou em todo, esses bens alimentares. Não sendo poucas as vezes a razão dos protestos da população, nas grandes filas nos postos da distribuição, esfomeada e a gritar por pão, logo reprimida à bastonada pelas forças policiárias ali presentes.

- A HABITALIDADE E A SITUAÇÃO SOCIAL -

 As casas da minha rua dos Plátanos, como todas as ruas do meu velho bairro, eram térreas e construídas (forradas) por chapas de lusalite. No corredor do lado direito, comportavam na sua frente um pequeno quintal, as casas do corredor do lado esquerdo, o quintal estava situado nas traseiras.

A vida dos seus habitantes, na esmagadora maioria, era humilde, sofrida e de pobreza. Existia muita tristeza por verem os seus filhos mal calçados, mal vestidos, sem o acesso aos brinquedos que as montras das vendas fora do bairro mostravam. No entanto apesar das dificuldades, havia lugar aos sorrisos, quando viam os seus miúdos e miúdas a brincar com os brinquedos que os próprios/as construíam. Procuravam serem felizes com o que a vida lhes proporcionava.

Embora as dificuldades nas famílias fosse diversa, na alimentação, em geral, comia-se mal. A grande escassez do mercado de trabalho, uma certa cultura masculina, davam entendimento para vedar às mulheres a sua participação no trabalho assalariado, vindo a permitir às mães da minha rua (e não só), serem as grandes e principais responsáveis, a tempo inteiro, pela educação e partilha da alimentação aos seus filhos e filhas, fundamentalmente na idade escolar. Realçar, por vezes em seu próprio prejuízo, a sua mestria no ultrapassar das dificuldades para que, do pouco, nada lhes faltasse, inclusive aos seus maridos. 

- A GERAÇÃO DE 1945/50 -

Na minha rua dos Plátanos, a geração dos anos 1945/55, (onde me incluo), os rapazes primam pela maioria. Hoje, felizmente muitos ainda vivos e com a responsabilidade de serem pais, avós e até já bisavós.

Quatro desses rapazes moravam no lanço de baixo da rua. O José Silva (já falecido), os irmãos Fernando e Carlos Espinha, o Bica (já falecido), e o “preto” que era branco e de cujo nome não me lembro. No lanço de cima, habitavam mais 11 rapazes. O Luís (Filipe Vieira), o Luís (Damião), o José (Fernando), os irmãos Manuel e Valdemar, o Fernando, o Raul Pica Sinos, o Pedro, o Luís (Augusto), o Emílio e o Pisco (já falecido).

Habitavam muitos outros mas as suas idades já se situavam na esfera da adolescência.

- AS VELHAS SENHORAS DA MINHA RUA -

Como eu me recordo: da Ti Florinda, da Ti Laura Cardoso, da Ilda (a dos óculos), da Ti Carolina, da Ti Engrácia, da Ti Teresa (a das azeitonas) Como eu recordo a Ti Irene, (onde na sua casa aos domingos se cantava o fado). Aa mãe do Zé Koi, (cujo nome já esqueci), Como eu recordo a Maria do Carmo, da mulher do alfaiate, (que morava em frente à minha casa), da Ti Matilde, da Ti Etelvina que em frente à sua casa morava a Ti Josefa, (a alentejana a estender em panos colocados no chão, para as ervas e pétalas das flores que colhia, com vistas a secar pelo sol, destinadas à venda para chá).

Que saudades da Ti Adélia, da Ti Hirondina, da Ti Emília (a peixeira)

Quem não se lembra da TI Paulina (das mamas grandes) que vendia lixivia. Como eu recordo a Ti Benvinda (que sempre me cumprimentava com um sorriso ao passar à minha beira no seu passo pequeno mas ligeiro), da Ti Leonilda.

A moradora de nome Estrela (dizia-se que era irmã da governanta do Salazar e por isso pouco se falava com ela, a custo a saudação). Da Ti Luísa, (que morava na ultima casa da rua), da Ti Virgínia, da mãe do Bica (não me lembro do nome da senhora), da Ti Rosa (que morava no principio da rua). Da Ti Georgina (minha querida mãe e mulher do cantoneiro da limpeza do bairro)

Todos nós, ao longo da nossa infância e não só, respeitávamos e muito as “velhas senhoras” do nosso Bairro. Também é certo que gostávamos mais de umas de que outras. Gostávamos pouco daquelas que nos metiam medos, dizendo que iam fazer queixas às nossas mães, quando encetávamos as barulhentas brincadeiras, No entanto, já na adolescência, como ficávamos vaidosos ao ver as senhoras mães satisfeitas no observar os “seus” meninos de outrora, já pequenos homens a prepararem e a lutarem pelo seu futuro.

Pica Sinos".

-------------------------------

A complementar o anterior artigo do Pica Sinos, o amigo do Pica, também ele de seu nome Jorge Gouveia, enviou estas senhas de racionamento, que herdou do seu pai, que nasceu em 1900 e que viveu todo o sofrimento desse tempo. Obrigado Jorge.
Todos nós ouvimos na nossa infância, relatos que nos contavam como se vivia naquele tempo.




sábado, 6 de março de 2021

Pombalinho/Golegã

 Aqui mora o Pica Sinos





"Estas duas fotos são do Jardim comunitário do Pombalinho/Golegã.

400 anos de história.

Pica Sinos"

Toque a doentes !

 


Desejamos as melhoras a todos os nossos amigos, companheiros, familiares e visitantes que estão doentes. Votos para que se restabeleçam o mais depressa possível para que breve voltem ao convívio dos seus familiares e amigos.

Não esquecemos as famílias de cada um, que cuidando deles, estão  preocupadas e ansiosas com a saúde dos seus ente-queridos. 

Bem hajam!

Leandro Guedes.


sexta-feira, 5 de março de 2021

Parabéns Francisco Ferreira








 Sé de Lamego

Operação Mar Verde - a Liberdade



Se quiseres ver o video, copia o endereço abaixo e cola-o no GOOGLE.

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/operacao-mar-verde-parte-ii/

quinta-feira, 4 de março de 2021

Gandhi


 

quarta-feira, 3 de março de 2021

O Regresso! Faz hoje 52 anos...


Alberto Sousa:

Obrigado pela Recordação. Um abraço.

 ---

Amadeu Contige

E já lá vão 52 anos obrigado Guedes pela recordação abraços grande amigo

 ---

José da Costa

Foi um grande dia de emoções fortes!

 ---

Raúl Soares

Há 52 anos, estava ainda em Nova Sintra a entregar o material á Compª. Cav. 2484. No dia 4 (amanhã) saída do último grupo da Cart.1743, onde estava incluido e chegada a Bissau a 5. No dia 7 saída para o XIME em lancha, para entrar na operação "LANÇA AFIADA", No dia 8 pelas 8 horas estávamos emboscados e tentamos apanhar á mão elementos armados do PAIGC, sem sucesso. Houve cumprimentos. Passados 15/20 minutos, via rádio, recebo ordens para levantarmos e começarmos a progredir. Houve mais cumprimentos e ouvi o silvo das balas. Como bom militar atirei-me ao chão e a rapaziada retribuiu. Passadas umas horas entramos numa tabanca e fomos brindados novamente e nós não reagimos, porque dentro desta estavam elementos nossos. Ao meu lado as balas batiam no chão, levantavam terra e poeira, mas nós quietinhos. O ataque durou cerca de 30/40 segundos. Pensaram que nós estávamos a envolvê-los e puseram-se a cavar. A partir desta cena atacaram-nos várias vezes mas de longe, com armas ligeiras. Esta operação foi ao nível de 3 batalhões e acabou a 17/03/69 (10 noites ao luar no meio da mata), com a visita de abelhas e mosquitos, além de outros rastejantes. Abraço a todos os combatentes em todas as frentes.

---

Anibal Silva

Raúl Soares Amigo Raul Soares permite uma correção, a entrega de material foi á Ccav 2483 e não á Ccav 2484, ao alferes Carriço e ao 2 Sargento Canaveira

Um abraço

Operação Mar Verde - Preparação



Se quiseres ver o video, copia o endereço abaixo e cola-o no GOOGLE.

 https://arquivos.rtp.pt/conteudos/operacao-mar-verde-parte-i/

segunda-feira, 1 de março de 2021

Selo comemorativo dos 450 anos de abertura do porto de Kochinotsu, no Japão

 Os Correios do Japão, fizeram uma emissão de selos comemorativos dos 450 anos de abertura do porto de Kochinotsu, em Minamishimabara, pelos navegadores Portugueses, em 1543.

Os navegadores Portugueses fizeram história, ao darem Novos Mundos ao Mundo.

(in Embaixada de Portugal, em Tóquio.)

Este é um dos selos


Este quadro representa a chegada dos Navenagores Portugueses a um porto do Japão
(in Infopédia)


Este quadro representa a chegada dos Portugueses ao Japão 
(in Infopédia)

O Expresso foi visitar o Cemitério Municipal de Bissau

 

"O Turra Maneta que cuida dos Tugas  mortos no cemitério de Bissau. Tentou devolver uma granada que lhe mandaram e acabou por perder uma mão. Mais de quarenta anos depois, é ele quem cuida do cemitério onde estão enterrados os antigos inimigos mortos em combate. Sabe algumas histórias dos soldados cujos corpos foram deixados para trás, outras ficaram para sempre perdidas no tempo e nas lápides que não levam nome" 

Sim, um 'turra´ que perdeu a mão com uma granada toma conta dos ‘tugas’ mortos na guerra colonial. Eis como chegámos até ele.

 Foi com algum receio que ultrapassámos a porta do Cemitério Municipal de Bissau para visitar os talhões dos militares portugueses. Situa-se numa das zonas mais degradadas da cidade antiga. Na Guiné há cerca de 30 locais onde existem corpos de soldados portugueses mortos durante a guerra colonial. Alguns destes locais estarão ao abandono ou já não se sabe a localização exata de certos corpos, como feridas que há muito sararam e não deixaram cicatrizes. Há histórias escabrosas de campas abertas, revoltas, profanadas pelo abandono e desinteresse de mais de quatro décadas.

 Entra-se e, como sempre, é o verde do mato que sobressai. Fica-se a saber que há um responsável pelos três talhões de militares portugueses mortos. Logo à entrada, junto a campas sem nome, deparámos com duas placas de 2010 da Liga dos Antigos Combatentes, o que revelava ter havido ali alguma preservação recente. Mas a verdade é que grande parte do cemitério, lá para a zona do fundo, está destruído ou a ser “reciclado”, isto é, reutilizado. Foi sempre um trauma não superado, uma história que não resolvemos — a dos nossos mortos deixados para trás, soldados enterrados nos quartéis que depois foram abandonados à pressa. Os familiares tinham que pagar 11 contos para os trazer para a Metrópole. Era muito dinheiro.

 Deambular pelo cemitério é sempre um passeio errático, no meio de capim alto e mármore partido que se tem receio de pisar. Ao longe vem um homem a passo largo. Ainda há uns três anos, Bissau era conhecida por ser um local difícil para jornalistas. Não se conseguia trabalhar sem uma ou duas autorizações escritas de diferentes entidades superiores. E uma notinha em dinheiro para fazer o quer que fosse. Pois, isso acabou.

 Aproxima-se aquele homem de cara fechada. Mão agarrada a um braço que perdeu.

 - É o responsável aqui pelo talhão dos militares portugueses? (Abre-se um sorriso amigo.) - Sou sim senhor. Francisco Monteiro, 68 anos, antigo guerrilheiro do PAIGC, a pedido mostra o coto. Perdeu a mão em 1973, ao tentar devolver uma granada lançada pela tropa portuguesa. É ele o cuidador dos seus “inimigos” mortos em combate. Não há ironia nem poesia nisto. E, posso testemunhar, não há rancor. - A guerra foi trabalho de Salazar, eles não tiveram culpa e ainda ficaram aqui.

 

 

Francisco Monteiro, antigo combatente do PAIGC, junto às campas de soldados portugueses 


O ‘turra’ Francisco Monteiro, ananeta que cuida dos ‘tugas’ mortos dá uma volta connosco pelos talhões. Há aproximadamente 480 campas. Francisco Monteiro garante que no ano passado ainda foram trasladados para Portugal três e que recebe visita de portugueses “meses sim, meses não”. Há campas não identificadas, sabe as histórias de meia dúzia, nomeadamente de mortos de finais dos anos 60, como a de três portugueses que morreram pela ação de um morteiro e cuja campas aponta. E, como tantos ex-combatentes do PAIGC que encontramos, Francisco Monteiro é um desencantado com o país de hoje e com o que vive: “Não tenho nada. O povo não tem nada. A Guiné podia ter tudo.”

 ... Quando saímos do cemitério, demos uma nota ao 'turra' maneta. Quando íamos a entrar no carro vimos que ele estava a entregar a nota a uns tipos à porta do cemitério. Chamámos.  — Está a dar o dinheiro a outros? Porquê?

  — Eles não têm mesmo nada.

 (Pode parecer um final feliz meio arranjado.

 Mas foi mesmo assim que aconteceu. Demos-lhe outra nota. E ele lá foi embora.)

  (Expresso, parte de um artigo de Jornalista Luis Pedro Nunes, Fotógrafo Alfredo Cunha, 29-09-2015, com a devida vénia).

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Marcelino da Mata e os Portugueses mortos em combate abandonados na Guiné.

 

“…Para o ex-Presidente da República, António Ramalho Eanes, a polémica que se levantou em torno da presença do atual Chefe de Estado no funeral de Marcelino da Mata é uma “simplificação radical”. “Marcelino da Mata foi envolvido numa discussão de esquerda versus direita, quando o que deve ser discutido é a guerra, que é extremamente complexa. Esta fórmula maniqueísta [de abordar o assunto] não contribui para um esclarecimento sobre a Guerra Colonial, as suas razões e motivações, e as suas consequências”, diz o ex-Presidente. Também na opinião do ex-ministro da Defesa  e historiador Nuno Severiano Teixeira, este debate “não deve ser visto com um problema de esquerda-direita, mas como uma questão de política da memória...

A diferença é que “no caso português houve uma dupla dinâmica, e nos últimos 30 anos surgiram Monumentos aos antigos combatentes em todo o país”, diz Costa Pinto, lembrando que o antigo Presidente Jorge Sampaio também “esteve presente na inauguração monumento” aos antigos combatentes da Guerra Colonial em Belém [2000].

Agora, o que está verdadeiramente em causa é evitar que a memória da Guerra Colonial fique refém da extrema-direita e seja usada como mais uma bandeira deste sector radical.

“Figuras como a de Marcelino da Mata são clássicas nas guerras coloniais. Houve-as na Guerra da  Argélia, houve-as noutros cenários. No caso português, mais de metade dos combatentes na Guerra Colonial eram de origem africana. As tropas recrutadas localmente conheciam melhor o terreno, falavam as línguas nativas”, explica Costa Pinto.

Marcelino da Mata “cumpria as ordens que lhe eram dadas”, diz Carlos Matos Gomes, capitão de Abril: “Era eficaz” nas operações em que participava, um facto tão pesado e paradoxal para a memória histórica da Guerra Colonial que o fez somar condecorações. “Era necessário promovê-lo e para o promover era preciso condecorá-lo”, explica  Matos Gomes, lembrando que financeiramente não ficou “tão mal” como alguns querem fazer, crer: “Só que tinha 14 filhos. Fui ao funeral porque era amigo dele”, acrescenta o capitão de Abril..."

(Com a devida vénia ao Jornal Expresso de 19/02/2021, parte do artigo publicado – Jornalista  Manuela Goucha Soares)."

---------------------------- 

Nota pessoal – seria bom que aproveitassem esta onda para procederem, com decência, respeito e todas as Honrarias,  à repatriação dos corpos dos combatentes Portugueses que tombaram em combate na Guiné e que por lá continuam sepultados no meio do capim, nas bolanhas e nos cemitérios sem qualquer dignidade. Este é um direito inabalável de todo o Homem Combatente, ter a certeza de que, se morrer em combate, os seus companheiros e superiores, cuidarão dele até à sua morada final, na sua terra. No nosso blog, encima-o, entre outras,  duas frases que dizem tudo, uma atribuída a Jaime Umbelino e que se encontra inscrita no Monumentos aos Combatentes Mortos de Torres Vedras, que diz:

“Eles,

Fizeram guerra sem saber a quem,

morreram nela sem saber por quê...,

então, por prémio ao menos se lhes dê,

justa memória a projectar no além..."

e um outra frase atribuída ao Padre António Vieira, que diz:

“Se servistes a Pátria

que vos foi ingrata,

vós fizestes o que devíeis

e ela, o que costuma!”

Só que a Pátria não se constrói sozinha, sãos os homens, altos responsáveis políticos e militares, que neste caso, têm de responder por Ela perante o Povo… Basta ver na net, os testemunhos das famílias que continuam sem os seus ente queridos, cinquenta anos depois, cinquenta anos...!

Os Combatentes fizeram a sua parte.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

A última vez que foi içada a Bandeira de Portugal em Nova Sintra.

 Ex-combatentes do BART 6520/72

Desta vez fotos da partida dos Portugueses de Nova Sintra, depois da entrega.

Fotos do facebook do BART 6520/72, da autoria de José Elias, a quem agradecemos.

7 h , em 16 de Julho de 1974.

A última vez que foi içada a bandeira de Portugal, em Nova Sintra e a partida para Tite.

Nova Sintra era uma zona deserta, que pertencia à região de Quinara, pertencente também à zona de intervenção do BART 1914 e onde começou a ser tentado construir um quartel a partir de 1967, com muitos contratempos e dificuldades.











Entrega de Nova Sintra ao PAIGC

 "Ex-Combatentes do BART 6520/72

Chegada dos elementos do PAIGC a Nova SIntra. Do lado direito, de óculos,  Tchambu Mane que era o comandante da artilharia que tanta dor de cabeça nos deu. De boné, o comandante de sector Quinto Cabi"

Esta fotografia está publicada no facebook do BART 6529 e é da autoria de Ramiro Figueira, a quem agradecemos.

Esta foto é de 16 de Julho de 1974 e representa a entrega de Nova Sintra ao PAIGC.

Por trás do Tchambu Mané, parece estar o alf. Fernando Teixeira, que relatou ao Pica as entregas de Nova Sintra e Tite ao PAIGC, relatos esses que fazem parte do nosso Livro de Memórias.

Leandro Guedes.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Capitão Luís Vicente

Cap Vicente, o primeiro da direita. Era disto que gostava, da operacionalidade, estar entre os combatentes, no mato. Esta foto foi tirada em Nova Sintra, para onde ele se ofereceu como voluntário.


Aqui está de costas no dia da inauguração da Nova Escola Primária de Tite


O cap Vicente é o segundo do lado direito, em tronco nú. No seu lado direito o Gen. Spinola fala à tropa. Em Nova Sintra.

Na messe de oficiais em Tite. O cap. Vicente é o segundo do lado esquerdo.

No dia da inauguração da Nova Escola Primária em Tite. O cap. Vicente é o primeiro do lado esquerdo.

Na messe de oficias em Tite. O cap Vicente é o segundo do lado esquerdo, em calções, de perna traçada.


O capitão Vicente era o chefe dos Reabastecimentos Operacionais. Com ele estavam o furriel Guedes e o cabo Marinho.

O capitão Vicente apesar dos reabastecimentos, o que ele realmente era, era um homem operacional, gostava de comandar homens, ir para a frente de ataque, combater, sempre preparado para emboscadas, gostava também ele de emboscar o IN.

Muito arguto no mato. Homem inteligente, um militar. Foi proposto para uma alta condecoração militar, mas que eu saiba nunca lhe foi atribuida.

Era natural dos Açores e morava em Elvas com a esposa e filha.

Foi inglória a sua morte, ao que se diz atropelado no atravessamento a pé, duma estrada, depois do regresso à Metrópole.
 

Ten-Coronel Marcelino da Mata

 



Escola de Tite, onde Marcelino da Mata frequentou o ensino preparatório, segundo o Correio da Manhã.

Tanta polémica tem havido acerca do Ten-Coronel Marcelino da Mata, umas contra outras a favor, e afinal só o Correio da Manhã, revelou na sua revista do último Domingo dia 21 de Fevereiro, que o mesmo frequentou a escola primária de Tite na sua juventude. 

Um facto importante.

As fotos (tiradas por moi méme, como diria o Hipólito...) são da antiga escola primária, a nova escola primária e a laje onde se realça a oferta do BART 1914 do Povo de Tite.

Paz à sua alma!

Placa que simboliza a entrega da Nova Escola ao Povo de Tite

Nova Escola de Tite

Delegado escolar em Bissau, Comandante de Agrupamento Militar, Luis Filipe o professor dos meninos de Tite e capitão Vicente (de costas)

Emblema do BART 1914, colocado junto à Escola.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Parabéns Fernando Santos

 Parabéns Fernando Santos, pela passagem de mais um aniversário.

Desejamos que te encontres bem de saúde.

Um abraço.

Leandro Guedes.