Batalhão de Artilharia 1914


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Benfica - Glórias do passado - pelo Zé Justo






Guedes
Um bolinho do séc. passado para os Benfiquistas recordarem.
Velhos tempos...
o Zé Águas que está numa das fotos, tinha o alfaiate dele no1º andar do prédio onde nasci e vivi em miúdo e adolescente.
Ainda me lembro de o ver com a Lena d'água pela mão, ela muito pequenina e muito traquinas !!Xau ZJ
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Grande jogada esta Zé.
Não sou benfiquista, mas gostei.
Fico à espera que faças a mesma resenha do FCP e do SCP, e já agora de outras glórias do passado - Belenenses, Atlético, Lusitano, e outros de que te lembres.
Leandro Guedes
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Como nem todos podemos ser perfeitos..., aqui vai a resposta do Pica:
Raul Pica Sinos disse...
Grande Justo
Não vás na conversa dos que querem tirar a beleza ao glorioso.
Mesmo que tenhas não respondas a esta provocação de publicar outras equipas.
Nenhuma outra equipa tem a beleza desta. Bem nenhuma isto é.....a do juniores também é bem simpatica. E essa estás autorizado a publicá-la.
Benfica sempre!

Subtil, o Pica Sinos descobre as verdades...


Uma notícia surpreendente?

2008-05-30Deambulando ociosamente pela Net para tentar saber quantas vezes terão aumentado hoje a gasolina e o gasóleo, dou com uma inesperada notícia da LUSA:

a Comissão Europeia aplicou uma multa de 8,6 milhões de euros à GALP por concertação de preços entre a BP, a Repsol e mais algumas.

Mas então, pergunto-me, os aumentos mais ou menos simultâneos dos preços dos combustíveis não são, afinal, coincidência?

Estarão GALP, BP e Repsol combinadas para, como diz a comissária europeia da Concorrência, Neelie Kroes, enganar "os consumidores, as autoridades e os contribuintes"?

Será que a Autoridade da Concorrência revelará os resultados da investigação sobre a concertação de preços que não há entre as petrolíferas para enganar "consumidores, autoridades e contribuintes" e serem todas felizes nos negócios ao mesmo tempo?

Só depois reparo que a notícia é de Outubro do ano passado e se refere a um cartel que, durante 12 anos, partilhou o mercado e combinou os preços do betume para asfalto em Espanha.

Uff! Por pouco perdia a inabalável confiança que tenho na honestidade comercial da GALP, BP e Repsol! ...

Afinal foi em Espanha...

Estou certo que GALP, BP e Repsol não fariam uma coisa dessas em Portugal...

É que, se fizessem, nunca se descobriria...

Haja feno !!!

Aparício Torelly Aporelly, o barão de Itararé


Do nosso amigo Cavaleiro recebemos esta lição de vida ! Aqui vai, porque nem só de tropa vive o homem!...

No Curso de Medicina, o professor dirige-se ao aluno e pergunta:
- Quantos rins nós temos?
- Quatro! Responde o aluno.
- Quatro? - Replica o professor,arrogante, daqueles que têm prazer em gozar sobre os erros dos alunos.
- Traga um molho de feno, pois temos um asno na sala - ordena o professor ao seu auxiliar.
- E para mim um cafezinho! - Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.
O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era, o humorista Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), mais conhecido como o 'Barão de Itararé'.
Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:
- O senhor perguntou-me quantos rins "nós temos". "Nós" temos quatro: dois meus e dois seus. Tenha um bom apetite e delicie-se com o feno.
A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento! Ás vezes as pessoas, por terem mais um pouco de conhecimento ou acreditarem que o têm, acham-se no direito de subestimar os outros...
Haja feno

Uma árvore a servir de tecto duma escola, na Guiné Bissau


O Pica Sinos pesquisou este artigo que mostra os caminhos que a Guiné Bissau vem traçando apesar do seu presidente Nino Vieira andar de Hamer a passear pelas ruas esboracadas de Bissau.


Com a divina vénia,
Do Jornal Digital Noticias Lusofonas pode ler-se

Uma Mangueira serve sala de aula há 18 anos para ensinar língua portuguesa.
Pier de Carvalho, antigo combatente das forças armadas portuguesas na Guiné-Bissau, ensina há 18 anos numa escola improvisada, debaixo de uma mangueira no Bairro de Santa Luzia em Bissau, para tentar salvar a língua portuguesa.·
Actualmente, cerca de cem crianças frequentam o "estabelecimento de ensino", debaixo da árvore de fruto, onde aprendem ortografia, caligrafia, geometria e ciências.·
Em funcionamento desde 1990, a escola do professor Pier é das poucas que ainda ensinam à moda antiga, como na "época colonial". O velho professor gosta do seu trabalho, mas lamenta que as crianças "hoje em dia não falem o português". "Querem falar o francês ou o inglês, o português é que não gostam de falar, talvez por complexo de errar. Mas aqui sabem que têm que tentar falar o português", sublinhou o professor.·
Pier de Carvalho culpa os pais das crianças que "não gostam de falar o português em casa" e o ensino oficial do país pelo nível da língua de Camões na Guiné-Bissau.·"Qualquer dia ainda será difícil encontrar um jovem guineense que saiba falar o português correctamente", disse.·
Pier de Carvalho dá como o exemplo as "calinadas" que, disse, se cometem na aplicação correcta dos termos em português.
"Na Guiné-Bissau é normal dizer 'arrancar' em vez de 'começar' quando se quer indicar o início de uma coisa", disse o professor, frisando que o termo é utilizado de forma errada.·"'Arrancar' é dar início a uma coisa através de um processo mecânico, como os motores, agora 'começar' é dar início a uma actividade humana", explicou Pier de Carvalho. "É este tipo de coisas que também tento ensinar às crianças, para que saibam empregar os termos da linguagem de forma correcta", disse.·
Pier de Carvalho é guineense mas serviu a tropa colonial portuguesa como soldado atirador de artilharia e mais tarde foi destacado como professor para o posto escolar militar número 10 na Ponte-Caium, entre Pitche e Burumtuma, no leste da Guiné-Bissau. De 1972 a 74, Pier de Carvalho ensinou as crianças guineenses e os soldados portugueses "com pouca instrução escolar". Finda a guerra colonial, Pier de Carvalho ainda trabalhou no Ministério da Educação guineense. Mas com o tempo compreendeu que "não dava" para continuar como funcionário público.·Para ensinar as crianças, Pier de Carvalho decidiu enveredar pelo o ensino privado, montando a sua própria escola. Só que, por falta de meios para alugar uma casa, o velho professor apenas tinha uma escolha: ir para debaixo de uma mangueira. "Às vezes apanhamos com o sol e com a chuva e somos obrigados a interromper as aulas", disse Pier de Carvalho.·
Embora não seja uma escola oficial, o professor Pier dá aulas de explicação às crianças "com paciência e com amor" de segunda a sexta-feira.·De manhã e de tarde, os alunos, entre os cinco e 15 anos, saem das explicações e vão para a escola oficial.·A mensalidade varia entre 500 a 1000 francos CFA (cerca de 1,5 euros). Mas, às vezes, acontecem situações em que os pais das crianças não conseguem pagar a mensalidade por falta de dinheiro, sublinhou o professor que, nesses casos, aceita as desculpas que lhe são apresentadas.·
"Ensino as crianças por paixão, não por dinheiro", sublinhou Pier de Carvalho.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Isto será verdade ???...


Um amigo fez-me chegar esta noticia inacreditavel. Mas isto será verdade?.

«EDP cobra a todos os clientes as dívidas de alguns»

Um cliente exemplar, que paga as contas todos os meses, incluindo a da electricidade, pode vir a ter de pagar também as facturas dos clientes da EDP que não pagam. A proposta está em cima da mesa para consulta pública – e, foi apresentada pela Entidade Reguladora para o Sector Energético, que aceita, assim, uma reivindicação antiga da EDP. A ideia é que a EDP possa distribuir, já a partir do próximo ano, as dívidas consideradas incobráveis por todos os clientes particulares e empresas. O montante este ano, de acordo com o Diário de Notícias, deve ultrapassar os 13,5 milhões de euros. O que representa perto de 0,3% da facturação total da empresa. Feitas as contas, cada cliente teria um acréscimo de pouco mais de um euro na sua factura.
A decisão será tomada até ao final de mês de Julho.

domingo, 15 de junho de 2008

Não deixou que lhe cortassem uma das mãos...



Emblema do pelotão de Morteiros ......................Fosso onde se encontrava o Morteiro

Zé Manel



EM BISSAU ELE NÃO DEIXOU CORTAR UMA DAS MÃOS

Todos nós sabíamos que o IN era conhecedor do terreno com grande pormenor e a sua organização militar era forte. Tinha o apoio das populações e, dispunha de um potencial de meios de guerra igual se não superior aos do Batalhão.

Do conhecimento existente à data, numa escala de 0/20, o nosso Batalhão, como consequência das operações que desencadeou, assim como das emboscadas, minas e flagelações que o IN lhe infligiu, incluindo os acidentes, não deve ser difícil aceitar, tendo em conta o elevado numero de mortos e feridos, que a sua posição era pelo meio dessa escala. (ver texto Espólio de Guerra/publicação do Blog Bart1914 em Março de 2008)

Por vários níveis da hierarquia militar, como consequência de toda esta operacionalidade, o número dos militares condecorados ou louvados foi também elevado, ainda assim, tenho na ideia que ficou incompleto, em minha opinião pelo menos um falta.

A presente história resultou de uma conversa durante um dos almoços de confraternização em que eu participei e dada sua importância creio que não é justo deixar ficar por contar:

O Pelotão de Morteiros 1208, por volta do mês de Julho de 1967, foi para Tite substituir um outro Pelotão em fim de comissão. Para além do comandante (Alferes), do Furriel e dos outros operacionais, incorporava três motoristas; um cabo e dois soldados, cujas funções eram, no fundamental, iguais aos demais, a condução das viaturas ficava quase sempre para segundo plano.

O posto/abrigo dos morteiros estava situado (próximo dos geradores), entre duas torres de vigia, considerado o mais importante para a defesa do aquartelamento, na medida em que, era o único provido de telefone ligado às torres, recebendo delas coordenadas/instruções dos alvos a atingir por ocasião dos ataques ao aquartelamento que foram muitos.

Para quem não tenha conhecimento destas coisas, os postos/abrigos dos morteiros estavam construídos em Tite com se fossem “poços de água” de diâmetro de entre 12/16 metros e de profundidade para mais de 2 metros. A peça de artilharia estava colocada ao meio desta construção, o acesso para o turno/operacionalidade era por via de uma escada.

Ainda dentro destes postos, havia uma pequena entrada que dava acesso ao chamado abrigo, aqui, guardavam-se as caixas de munições e variados materiais de suporte a estas peças de artilharia de calibre 81.

Na noite do fim do ano da chegada do pelotão a Tite, um dos “gasómetros” (na prática uma garrafa com uma torcida), que dava luz ao posto, motivado não se sabe bem o porquê, mas que se presume que tenha sido pelo vento, caiu sobre uma caixa contendo cargas propulsoras que, espalhado o liquido em chamas por elas, provocou de imediato um forte incêndio.

O clarão foi de tal forma intenso que quem estava de serviço ficou “cego”, não conseguindo identificar o local onde estava colocada a escada que lhe dava acesso à fuga para o exterior do morteiro. Já reposto e consciente do iminente desastre, optou, o militar de serviço, por agarrar na caixa em chamas e, arremessa-la para bem longe daquele inflamável local, evitando, com o seu gesto, danos incalculáveis quer físicos quer materiais.

Evacuado nessa mesma noite por helicóptero para Bissau, onde lhe queriam cortar a mão direita, foi no final de 4 semanas foi transferido, em voo comercial, para Lisboa a fim de ser internado no hospital militar. A “reparação” levou 24 meses e no fim deste tempo, já depois do seu Pelotão estar desmobilizado, os “pensantes militares” queriam que ele ainda fosse acabar a comissão à Guiné. Este homem dá pelo nome de José Santos Amaro (O Alcântara).

Pica Sinos
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Infelizmente houve um colega nosso, também dos Morteiros, que após colocar a granada dentro de tubo para ser lançada, não me lembro porque motivo, foi mais lento a retirar a mão e a granada cortou-lha instantaneamente. Esse jovem é de Lamego, já organizou um almoço na sua terra, um dos memoráveis, e foi também ao almoço do ano passado em Pedras Rubras, organizado pelo Viana. Este ano não apareceu.
Leandro Guedes

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A manifestação dos camionistas

Como nem só de tropa vive o homem e para inicio de conversa eu não alinho no pensamento imanado dos politicos do governo ou da oposição, sejam eles quem forem e muitos menos de comentadores papagaios "que quando não sabem, explicam" nem tão pouco de jornalistas a maior parte das vezes mal informados e impreparados para as matérias que abordam nos seus longos telejornais.

Nos ultimos dias tem sido chique desancar nos camionistas - porque são incultos, porque não têm formação, porque se julgam com força suficiente para pararem o país.
E eles têm essa força, não se esqueçam!
Mas eu não o sendo, toda a minha vida profissional trabalhei de perto com camionistas, uns sendo patrões tendo empregados para conduzirem os camiões, outros sendo patrões trabalhadores, ou seja conduzindo as próprias viaturas.
E a ideia que tenho desta gente é de simpatia generalizada e de muito respeito pelo seu trabalho. Trabalham normalmnente em condições dificeis, a concorrencia é muita, são sugados diariamente pelos impostos do Estado e pela fiscalização da Policia, os preços que praticam são esmagados ao máximo não só pelos colegas que se "comem" uns aos outros, mas também pelos próprios clientes que sabendo da sua fragilidade, são eles mesmos a fazerem os preços dos fretes ou mesmo dos materiais a fornecer para não falar dos prazos médios de pagamento que impôem muitas vezes a rondar os 180 dias. Se falta cimento passam noites a fio à porta das cimenteiras. Se falta ferro passam horas a fio à porta das siderurgias. Se falta tijolo e telha, horas a fio à porta das ceramicas. Se o gasóleo está caro têm que ir a Espanha abastecer os camiões e os clientes não deixam actualizar os preços.
A sua dificuldade em andar nas estradas ditas nacionais é muita e só há meia duzia de anos a esta parte os restantes automobilistas, tendo mais consciencia do que é a dificuldade de conduzir um camião, são mais simpáticos para com os camionistas dando-lhes passagem, ajudando-os muitas vezes na procura de endereços em terras que eles desconhecem.
No entanto, há meia duzia de dias, para surpresas dos bem falantes, dos jornalistas e dos governantes e dos politicos em geral, os camionistas uniram-se, mostrando uma grande capacidade de reeinvidicação.
Não fizeram mais que aderir aos pedidos dos Presidentes da Republica para que O POVO NÃO SE RESIGNE E MANTENHA O SEU DIREITO À INDIGNAÇÃO.
Há sempre excessos, como em todas as profissões, só não há excessos naqueles que ganham ordenados milionários ou têm reformas douradas. Mas para estes excessos contribuem sempre as televisões que, sabe-se lá com que objectivos e a mando de quem, insistem na recolha de imagens violentas o que provoca mais violencia e até um certo apetite para a "cena"
Mas este acto dos camionistas provocou aquilo que o primeiro ministro disse - QUE O ESTADO ESTEVE VULNERAVEL.
O alerta que faço é que agora foram os camionistas, mas já se fala nos taxis e nos agricultores. Todos terão as suas razões. O pior será quando chegar à alimentação.
O que não pode continuar é o facto de as petroliferas estarem a sugar todo um povo, no seu trabalho, no seu suor, provocando-lhe as lágrimas duma vida desfeita e eternamente hipotecada.
E não pode o Sr. Presidente da Republica assistir a tudo isto, sem aparentemente mexer uma palha.
Prevejam o tsunami enquanto é tempo, mas prevejam-no tomando as precauções próprias para desafogar a vida do povo português, principalmente dos mais desfavorecidos e não como é costume, favorecendo e acautelando os bolsos dos ricos e poderosos.
Porque não sei se se lembram que há idosos em Portugal a receber 130 €uros por mês... (26 contos na moeda antiga)
Leandro Guedes

Lavadeiras de Tite, pelo Pica Sinos


Lavadeira do José da Costa

Nesta foto vê-se entre outros, o saudoso Luis Filipe ao fundo, na direcção da janela.




Lavadeira de Tite, amamentando o seu filho


DEVEMOS ESTAR GRATOS ÁS “LAVADEIRAS” E A PROFESSORA PRIMÁRIA TINHA RAZÃO

Com a recente luta no país dos pequenos e médios empresários camionistas tendo em vista a redução dos encargos, fundamentalmente com o dos combustíveis, surgiu-me uma vaga ideia de que, há época, também houve problemas com os combustíveis em Tite. Sonhei ou creio ter ouvido falar que uns bidões de gasóleo desapareciam (?) nos dias em que um comerciante se oferecia para quartos de sentinela perto do local onde o arame farpado estava disfarçadamente cortado.

Bom, como a esmagadora maioria do pessoal não tinha necessidade do gasóleo, não tinham carros para atestar, a não ser o dito cujo comerciante, não é desta cena que vos quero recordar, mas sim das “lavadeiras” de Tite.

Como estão recordados, as chamadas “lavadeiras” de Tite, ao pessoal que estava de “passagem” por aquelas bandas, desde que contratadas obviamente, lavavam mas também engomavam, emendavam ou cosiam o vestuário que lhes entregavam sobretudo fardamento militar. Algumas das “lavadeiras” de Tite faziam muito mais que isto. São outras histórias que, para agora, creio, também, já não interessam.

A palhoça da minha lavadeira estava situada na direcção da tasca do branco Silva, ou seja, na área da tabanca dos indígenas de etnia fula. A Maimunda era casada, o seu pai era o chefe da tabanca o marido agricultor, tinha três filhos, dois rapazes e uma rapariga, onde o mais velho, que estava em casa de familiares em Bissau, era estudante. Dava para perceber que os restantes, logo que tivessem idade, lhes seguiriam o mesmo caminho. Tinha um número considerável de “fregueses”, por isso pouco trabalhava no campo, estas tarefas eram imputadas a outras duas mulheres mais novas, também casadas com o seu marido de quem já tinham filhos de “colo”, servindo de aia ás suas companheiras na “vivenda”.

Cá para o rapaz, quando não dormia na cama de lona existente à porta da palhoça, segurada por dois dos prumos que sustentavam o tecto, a “minha” lavadeira, tinha comigo momentos de conversa muito interessantes que só anos mais tarde os vim a perceber em toda a sua plenitude estando-lhe grato pela simpatia que ela e sua família me dispensaram.

Um dia, recordo, no conjunto familiar, depois de almoçarmos, estava uma mulher que nunca antes avistara, que ao mostrar-lhe fotografias, que comigo levara onde me retratava com a minha namorada no interior de um automóvel que disse ser meu, na verdade não era, perguntou-me fixando bem a minha face,

“Diz-me qual é a razão da vossa presença neste país?”
Estamos aqui para vos defender, disse convicto.
Não me pareceu satisfeita com a resposta.
Com os olhos rasos de água, retorquiu: “Já pensaste que se não vos mandassem para cá não existia esta guerra, que os nossos rapazes não eram forçados a combater-vos, que os nossos haveres e produtos agrícolas não era roubados quer por uns quer por outros?”
Fiquei incomodado. Mais tarde vim a saber que era professora primária em Bissau.
E o que penso eu disso já há largos anos?
Minha querida professora primária, continuo sem saber quem tu és, sabes uma coisa…. Tinhas toda a razão.

Pica Sinos

Botas, foi encontrado pelo Pica e pelo Zé Manel.



EM VESPERAS DE STº ANTÓNIO
FOMOS ALMOÇAR COM O “DESENFIADO” BOTAS

Á nossa espera, sentado num dos bancos do jardim situado na Avª do Mar no Barreiro, o Fernando Botas, mais conhecido por Botas, sorriu ao avistar-me com o Zé Manuel. Instantes depois chegou o Palma.
Como devem calcular foi muito bom este encontro a quatro. O Botas não conseguiu segurar as lágrimas e sentimento de alegria generalizou-se.
Na “Flor do Barreiro”, restaurante típico junto ao Pavilhão da Quimigal, enquanto esperávamos pelas pataniscas de bacalhau, fizemos uma entrada de queijo de Azeitão acompanhado com vinho tinto da região de Pias. Uma delicia.
A conversa desenvolvida acompanhou o repasto e logo que esgotadas as pataniscas veio o “escondido”, ou seja: febra de porco (fininha) grelhada no carvão. Um espectáculo.
Claro que perguntamos ao Botas o seu actual “estatuto”. Foi dizendo que está reformado e os filhos criados. Falamos também da “malta” em Tite e de histórias giras que prometeu contar.
Foi a vez de ele perguntar por muitos de nós, o que fazemos, por onde andamos. Disse que as saudades são enormes.
Fez largos elogios ao Blog do Bart1914, gostou muito de ver as fotos do pessoal nele apresentadas, também vai criar o seu endereço electrónico e dar a conhecer ao pessoal.
Mandou um abraço ao Guedes e a todos prometendo para noticias em breve.
Gentil, prepara-te talvez sejas o próximo.
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Tive o azar de abrir este mail antes da hora de jantar. E com uma descrição tão ao pormenor das iguarias, até me doeu o estomago...
Um abraço Botas e companhia
Leandro Guedes

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Camerata Vocal de Torres Vedras - Concerto duma noite de Verão


Caros amigos,

A Camerata Vocal de Torres Vedras vai, encerrar as actividades 2007/2008 com um Concerto a que chamamos "CONCERTO DE UMA NOITE DE VERÃO" e que irá ter lugar nos Clautros da Igreja da Graça em 21/06/2008.Este é um convite pessoal que dirijo aos meus amigos. Porém, como todos temos amigos, ele será extensivo também aos vossos amigos que apreciem este tipo de música.Assim, se acharem por bem, divulguem por eles este evento da CVTV. Todos serão Bem-Vindos.Eu sou suspeito para o afirmar mas penso que irá ser BOM!!
Tomem nota na vossa Agenda.
António Rodrigues

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Noruega e Portugal. Vamos comparar?


O Raul Soares mandou este texto interessante, como ele diz, para pensar...


Noruega... para pensar
'Na Noruega, o horário de trabalho começa cedo (às 8 horas) e acaba cedo (às 15.30). As mães e os pais noruegueses têm uma parte significativa dos seus dias para serem pais, para proporcionar aos filhos algo mais do que um serão de televisão ou videojogos. Têm um ano de licença de maternidade e nunca ouviram falar de despedimentos por gravidez.'
'A riqueza que produzem nos seus trabalhos garante-lhes o maior nível salarial da Europa. Que é também, desculpem-me os menos sensíveis ao argumento, o mais igualitário. Todos descontam um IRS limpo e transparente que não é depois desbaratado em rotundas e estatuária kitsh, nem em auto-estradas (só têm 200 quilómetros dessas «alavancas de progresso»), nem em Expos e Euros, nem nas chorudas reformas milionárias de alguns, nem nos altos salários de quadros e gestores publicos e privados que nada gerem a não ser os seus bolsos.' 'É tempo de os empresários portugueses constatarem que, na Noruega, a fuga ao fisco não é uma «vantagem competitiva». Ali, o cruzamento de dados «devassa» as contas bancárias, as apólices de seguros, as propriedades móveis e imóveis e as «ofertas» de património a familiares que, em Portugal, país de gentes inventivas, garantem anonimato aos crimes e «confundem» os poucos olhos que se dedicam ao combate à fraude económica.'
'Mais do que os costumeiros «bons negócios», deviam os empresários portugueses e seus gestores pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para nos ensinar. E, já agora, os políticos e os gestores publicos. Numa crónica inspirada, o correspondente da TSF naquele país, afiança que os ministros não se medem pelas gravatas, nem pela alta cilindrada das suas frotas. Pelo contrário, andam de metro, e não se ofendem quando os tratam por tu. Aqui, cada ministério faz uso de dezenas de carros topo de gama, com vidros fumados para não dar lastro às ideias de transparência dos cidadãos. Os ministros portugueses fazem-se preceder de batedores motorizados, poluem o ambiente, dão maus exemplos e gastam a rodos o dinheiro que escasseia para assuntos verdadeiramente importantes.' 'Mais: os noruegueses sabem que não se «projecta o nome do país» com despesismos faraónicos, basta ser-se sensato e fazer da gestão das contas públicas um exercício de ética e responsabilidade. Arafat e Rabin assinaram um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba, não foi preciso desbaratarem milhões de contos para que o nome da capital norueguesa corresse mundo por uma boa causa.' 'Até os clubes de futebol noruegueses, que pedem meças aos seus congéneres lusos em competições internacionais, nunca precisaram de pagar aos seus jogadores 400 salários mínimos por mês para que estes joguem à bola. Nas gélidas terras dos vikings conheci empresários portugueses que ali montaram negócios florescentes. Um deles, isolado numa ilha acima do círculo polar Árctico, deixava elogios rasgados à «social-democracia nórdica». Ao tempo para viver e à segurança social.' 'Ali, naquele país, também há patos-bravos. Mas para os vermos precisamos de apontar binóculos para o céu. Não andam de jipe e óculos escuros. Não clamam por messias nem por prebendas. Não se queixam do «excessivo peso do Estado», para depois exigirem isenções e subsídios.
É tempo de aprendermos que os bárbaros somos nós. Seria meio caminho andado para nos civilizarmos.

Catando disparates...


Meus amigos

Venho hoje convidar-vos a darem de vez em quando uma voltinha por este interessante blog, que tem como função sublime, digo eu, a de procurar disparates na imprensa.
Vão lá encontrar coisas do arco da velha. Vale a pena.
Passará a fazer parte da nossa coluna de blogs simpácticos.

Encontrei este blog quando navegava num outro blog também muito simpáctico
Um abraço

Leandro Guedes

Luis Filipe. Mais um companheiro que faleceu.




Luis Filipe ao centro, de branco. Descansa em Paz, Amigo!
O site do blog do Luis Filipe é: http://www.mestrefilipe.blogspot.com/









O José da Costa, na sua incansavel procura, trouxe-nos esta triste noticia.

Amigos e companheiros ajudem-me!

Na minha ânsia de procurar os nossos colegas de transmissões, eis que deparei com este Blog onde me parece que a pessoa em questão era o nosso compaheiro radiomontador LUIS FILIPE, que nos seus tempos livres, dava escola aos putos e os punha a marchar como na Mocidade Portuguesa. Eu penso ser ele, porque hà uns 5 anos atrás eu reconheci-o a dar uma entrevista na RTP e tomei conhecimento que ele estava a trabalhar em marionetes em Lisboa. Confirmem aí junto da família.
Vos envio esta foto onde ele está vestido de branco, eu estou no meio e o Victor Hugo atrás, que é feito deste?

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

O Adeus a Luís Filipe Baptista
Caros amigos e colegas,

O Grupo Mestre Filipe e As Suas Marionetas, perdeu no dia 23 de Abril o seu Mentor e Fundador.Mestre Filipe morreu, deixando para trás um belo e enorme Tesouro… O da Educação Cívica, o da União Humana, o da sua Passagem de Testemunho.Para nós, Carla e Filipa, a grande tarefa de manter as suas Marionetas vivas.Tinha a grande vontade que a União dos Marionetistas fosse grande, construtiva e saudável… A sua grande paixão eram as Marionetas e as Crianças… continuaremos a trabalhar nessa linha… por um Mundo Melhor.Grande parte de vocês, participaram na sua vida pessoal e profissional, mesmo quando ficou doente e pediu ajuda a todos, para poder adquirir carro e uma cadeira eléctrica… ele conseguiu isso. Dessa forma, continuou com grande força e motivação o seu trabalho a que ele chamou Brin’Cadeira.A todos o nosso Obrigada.

Publicada por Mestre Filipe e as suas Marionetas em 14:00 1 comentários
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do Zé Justo:
Amigo Costa
Mais uma cacetada !!Fiquei muito triste com esta noticia.Eu tinha muitas conversas com o Luis sobre a já paixão dele pelos bonecos,teatro, e tinha muita habilidade manual.Já o tinha visto algumas vezes na TV em programas sobre o seu trabalho com ascrianças, mas não sabia da sua imnvalidez...que tristeza, ele não merecia,sempre me pareceu um tipo muito porreiro, não gostava de confusões e erabastante educado.Enfim, acabaram os seus tormentos. Muitas crianças o recordarão.Um grande abraço e obrigado pela noticia.
Justo
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Do Raul Pica Sinos...
O Luis Filipe em Tite era um moço cinco estrelas. Vivia e trabalhava no mesmo pavilhão em que eu vivia e também trabalhava - o de transmissões - seu quarto que era partilhado com o Madureira fazia paredes meias com o meu que era o mesmo do Justo. Ajudou-nos a construir o abrigo por cima destas divisões onde dormiamos. Por vezes dava uma vista de olhos ao seu trabalho de concertar os rádios quer fixos quer portateis. O furriel, que já não me lembro do nome, não gostava muito, mas ele sempre simpático dizia: Deixa lá na próxima oportunidade e que ele não esteja e chamo-te. Lembro-me de um ataque que lhe destruiu a sala/oficina das reparações, estava comigo abrigado no quarto mais o Cavaleiro, Justo e o Madureira.Porra dizia ele, trabalho não me falta, ao ver a oficina semi-destruida.Encontrei-o várias vezes na Rua Augusta com a filha numa demonstração dos "bonecos" que construia e manipulava para miudos e graudos. Era um artista. Mestre como lhe chamavam.Ainda há dias falamos dele no encontro que tive com o Palma e o Zé Manel.
Descansa em Paz Camarada!
Pica Sinos

domingo, 8 de junho de 2008

Porque não nacionalizar?...

Com a devida vénia, transcrevemos a seguir um artigo de Mário Crespo, no JN, que o José Costa enviou, porque interessa a todos nós: "Por que não nacionalizar? Mário Crespo, Jornalista Se o mercado não consegue disciplinar os preços, os lucros nem o selvático prendar dos recursos empresariais com os vencimentos multimilionários dos executivos, então por que não nacionalizar os petróleos e tentar outros modelos? Quem proferiu este revolucionário comentário foi Maxine Waters, Democrata da Califórnia, durante o inquérito conduzido pelo Congresso, em Washington, às cinco maiores petrolíferas americanas. Face à escalada socialmente suicidária dos preços dos combustíveis, o órgão legislativo americano convocou os presidentes para saber que lucros tinham tido e que rendimentos é que pessoalmente cada um deles auferia. Os números revelados deixaram os senadores da Comissão de Energia e Comércio boquiabertos. Desde os 40 mil milhões de dólares de lucro da Exxon no ano passado, ao milhão de euros mensais do ordenado base do chefe Executivo da Conoco-Phillips, às cifras igualmente astronómicas da Chevron, da Shell e da BP América. Esta constatação do falhanço calamitoso do mecanismo comercial, quando encarada no caso português, ainda é mais gritante. Digam o que disserem, o que se está a passar aqui nada tem a ver com as leis de oferta e procura e tem tudo a ver com a ausência de mercado onde esses princípios pudessem funcionar. Se na América há cinco grandes empresas que ainda forçam o mercado a ter preços diferentes, em Portugal há uma única que compra, refina, distribui e vende. É altura de fazer a pergunta de Maxine Waters, traduzindo-a para português corrente- Se o país nada ganhou com a privatização da Galp e se estamos a ser destruídos como nação pela desalmada política de preços que a única refinadora nacional pratica, porquê insistir neste modelo? Enunciemos a mesma pergunta noutros termos - Quem é que tem vindo sistematicamente a ganhar nestes nove anos de privatização da Galp, que alienaram um bem que já foi exclusivamente público? Os espanhóis da Iberdrola, os italianos da ENI e os parceiros da Amorim Energia certamente que sim. O consumidor português garantidamente que não. Perdeu ontem, perde hoje e vai perder mais amanhã. Mas levemos a questão mais longe houve algum ganho de eficiência ou produtividade real que se reflectisse no bem-estar nacional com esta alienação da petrolífera? A resposta é angustiantemente negativa. A dívida pública ainda lá está, maior do que nunca, e o preço dos combustíveis em Portugal é, de facto, o pior da Europa. Nesta fase já não interessa questionar se o que estamos a pagar em excesso na bomba se deve ao que os executivos da Galp ganham, ou se compram mal o petróleo que refinam ou se estão a distribuir dividendos a prestamistas que exigem aos executivos o seu constante 'quinhão de carne' à custa do que já falta em casa de muitos portugueses. Nesta fase, é um desígnio nacional exigir ao Governo que as centenas de milhões de lucros declarados pela Galp Energia entrem na formação de preços ao consumidor. Se o modelo falhou, por que não nacionalizar como sugeriu a congressista Waters? Aqui nacionalizar não seria uma atitude ideológica.Seria, antes, um recurso de sobrevivência, porque é um absurdo viver nesta ilusão de que temos um mercado aberto com um único fornecedor. Se o Governo de Sócrates insiste agora num purismo incongruente para o Serviço Nacional Saúde, correndo com os existentes players privados e bloqueando a entrada de novos agentes, por que é que mantém este anacronismo bizarro na distribuição de um bem que é tão essencial como o pão ou a água? Como alguém já disse, o melhor negócio do Mundo é uma petrolífera bem gerida, o segundo melhor é uma petrolífera mal gerida. Na verdade, o negócio dos petróleos em Portugal, pelas cotações, continua a ser bom. Só que o país está exangue. Há fome em Portugal e vai haver mais. O negócio, esse, vai de vento em popa para o Conselho de Administração da Galp, para os accionistas, para Hugo Chávez e José Eduardo dos Santos. Mas para mais ninguém. A maioria de nós vive demasiado longe da fronteira espanhola para se poder ir lá abastecer. Mário Crespo escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras

Histórias que ficam por contar... pelo Pica Sinos


AS HISTÓRIAS QUE FICAM POR CONTAR

Para desanuviar e desafiar quem por elas passou, as histórias que hoje (não) vou contar decorrem entre duas “personagens”……. O Raul e o Pica Sinos.

O Raul, depois das limpezas mais cuidadas que desde de manhã efectuou, no alvéolo onde tem estacionada a sua velha relotte, num dos Parques de Campismo na Costa da Caparica, disse: ……Oh Pica….já é tarde, não queres ir à deita? Não, francamente não me apetece, não tenho sono, vou antes rever, agora no silêncio, umas fotografias do nosso tempo em Tite e, procurar uma história ou crónica para tu contares, diz o Pica.
A esta hora, retorquiu o Raul? Sim….diz o Pica Sinos, todas as horas são boas para recordar! Vês esta fotografia com as vacas a entrarem no aquartelamento de Tite que foi “produto” de uma operação militar? É capaz de dar uma boa história……Vamos, conta lá. Não, não, diz o Raul….nem pó, essa história é muito complicada; há época houve quem dissesse que o gado, que aí vês retratado, foi “abandonado” pelo IN no seu acampamento ao pressentir o avanço das NT. Outros, “más-línguas”, disseram que o gado foi roubado para subsistência de todos os que estavam aquartelados em Tite e em Jabadá. E ainda outros disseram que o gado foi “comprado”, ficando o respectivo valor para pagamento, à disposição dos legitimos donos, na secretaria do quartel. E não só…. Também teria que descrever (o que proferiram alguns) do esforço físico desenvolvido com a penosa marcha que a condução da manada pela mata e bolanhas em dias que foram de chuva ocasionou, sistematicamente acompanhados por um terrível mosquedo. Como vez...... (diz o Raul), a história torna-se complicada de contar, a esta hora não dá, mais a mais acresce que não há uma só versão dos acontecimentos.

O Pica não desiste. De novo a olhar para a fotografia, diz ao Raul: Então se essa não dá, pode ser interessante contares como é que as vacas, está implícito, eram mortas e onde. Éh pá…. Que raio……lembras-te de cada uma. Óh Pica Sinos pára com isso; sabes que tinha que contar que não havia propriamente um “matadouro”, que as vacas eram mortas no mato, mas perto do nosso aquartelamento, com um tiro “no cabeça”, que os jagudis, aves rapinas, bicharocos protegidos por lei (os almeidas lá do sitio) não se podiam matar porque eram eles que faziam a “limpeza” do resto das carcaças, etc., etc. Desculpa lá mas não estou para aí virado. Essa não!

“Chato”, como o conhecem, o Pica Sinos não desiste: Então está bem. Prometo que não te importuno mais se me contares, por que razão aparece um camarada em dia de chuva, só em calções e um outro de capa de borracha a proteger-se da dita chuva? Oh Pica, deves estar a brincar comigo, diz o Raul, não vês que o que está de capa de borracha foi um dos operacionais que foi buscar o gado. Certo que levou horas a palmilhar por terrenos lamacentos e obstáculos vários….não dava muito jeito ir de calções e de chinelos enfiados nos dedos dos pés para uma operação militar, digo eu! O que é que achas? O outro que está de calções é obvio que estava no aquartelamento ao fresco e no fresco queria continuar a estar. Sabes, quando chovia, malta havia que gostava de tomar banho com a água das chuvas. Eu e o Justo também o fizemos. Mas aqui só para nós, penso que o camarada foi despido, ou melhor, foi calções só vestido, na ânsia de ver mais de perto os bifinhos que no dia a seguir lhe iam tocar.

Deixa-te de tretas…. Diz o Pica Sinos, vou dormir, mas amanhã, Raul, tens que contar as histórias por que passaste ligadas às garraiadas que esta manada ocasionou.

Raul Pica Sinos

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Carta ao Serafim...


Casino do Estoril

Carta ao Serafim...do “Incendiário do Casino”

Meu caro amigo, gostei bastante de ver nas fotos do almoço 2008, o ar bastante jovem e um pouquinho mais “largo” que nos idos tempos de Guiné.

Folgo saber que a grande maioria dos antigos companheiros de armas e hoje amigos, estão com um looking de invejar.

Chamou-me a atenção os vossos anos de trabalho e as referências ao Casino do Estoril, tanto do Serafim como do saudoso “Porto”.

Tenho três histórias sobre o Casino, e aqui vai a primeira:

Será que o Serafim se recorda deste episódio, que embora tenha ocorrido nos aos 70 e poucos, pelas suas repercussões, é provável que ele tenha registado.

Tinha à época o Casino, bastantes montras do tipo fechado e eu decorava duas para a firma J.Paulo.
Uma delas ficava do lado esquerdo de quem entrava para a antiga zona dos jogos de mesa - conheci o enorme salão de jogos principal...mas durante o dia, pois ao tempo, ainda não tinha nem idade nem “cabedais” para ser habitué de tais ambientes.

Ora tinha que decorar uma delas com puxadores e acessórios para portas em porcelanas e latões de bastante requinte.
Fiz uns blocos enormes em esferovite, coloridos e dourados, e para realçar enchi-os de lâmpadas também nos tons da pintura.
O único ponto de luz extra a iluminação da montra, era uma banalíssima tomada de parede, e feita a ligação em série das luzes, tudo ficou muito lindo.

Estive práticamente um dia inteiro no Casino, e na realidade a montra ficou bastante sujestiva.
Se nessa época o Serafim ou o “Porto” já lá estariam, é muito provável que nos tivesse-mos cruzado !!.
No dia seguinte recebo a noticia que A “MINHA” MONTRA TINHA ARDIDO TOTALMENTE !!
Fiquei para cair...dirigimo-nos de imediato para o Casino, eu e o gerente da firma, e o espectáculo era assustador.
Quase não se percebia que aquele buracão todo negro, tinha sido uma montra repleta de bonitos acessórios.

Resumindo...como a montra era totalmente fechada, e não tinha nenhuma saída de ar, o calor concentrado das cerca de 20 lâmpadas coloridas, começou a derreter a esferovite, e pegou ao forro de papel-veludo.

Não posso deixar de referir, que o responsável pela parte das montras e exposições de pintura temporárias do Casino foi impecável, assumindo os prejuizos, mas claro o material estragado...kaput !!
Foram também bastante eficientes ao debelar rapidamente o sinistro, embora com todos aqueles materiais inflamáveis pouco houvesse a fazer.

Amigo Serafim, será que já lá estarias neste tempo 73/74 ?? e se sim, recordas este episódio ?
As outras duas histórias, narrarei em breve.
Um grande abraço
Zé Justo

O Palma, antes e depois...


Um trabalho do Zé Justo, aquela máquina...
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Grande Justo
Muito oportunas as tuas imagens.No almoço que fizemos dei aquele abraço ao Palma conforme pedido.Falamos de ti. E dos momentos difíceis que passaste e que se certo modoainda te importunam, menos é certo.Penso que já tiveste a oportunidade de anotar e-mail dele, caso contrário aqui vai:manelpalma@netcabo.pt .É a filha que os lhe entrega.Não sei se lhe queres mandar alguma mensagem, isto porque me esqueci de lhedar o teu e-mail.Podes ir preparando uma montagem com o Botas, vou para a semana almoçarcom este amigo que também já não vejo há largos anos.Sempre a considerar-teUm abraço para ti amigo
Pica

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O Régua faltou este ano


O Régua tem vindo regularmente aos almoços, embora falte uma vez por outra. Mas o ano passado não veio e este ano também não.
Tem uma sólida empresa de materiais de construção, na zona de Odivelas.
Cheguei a encontrá-lo várias vezes, mas há cerca de dois anos que não sei nada dele.

Desejamos que esteja tudo bem contigo amigo.
Um abraço
Leandro Guedes

Calma.... Relaxa que dia 10 de Junho TEMOS OUTRO FERIADO!


Não sei porquê mas nós, os reformados, damos muito valor aos feriados, sábados e domingos. Porque será?
E nunca temos tempo para nada!
Um abraço Pica Sinos pela tua lembrança.

Monteiro, ainda te lembras deste pisa-papeis?...
















O Monteiro quando veio de férias à Metrópole, ofereceu-me este pisa-papeis personalizado, a mim e a mais alguns acho eu.
Se nunca te agradeci devidamente, aqui vai o meu abraço...
Leandro Guedes

Bau de recordações, pelo Zé Justo











Guedes

Ao dar uma visitita de olhos pelo "dossier Guiné" pensei que estas fotos fossem interessantes para ilustrar o Blog do BART. Escusado será dizer que a opção é tua.

A foto em que estou "antes-depois" poderá servir para que o pessoal alheio a isto se aperceba do que nos transformávamos fisicamente em tão curto espaço de tempo.Claro que nem faço referências ao que as nossas cabeças "martelavam "!! é dificil contar o incontável!!Bom inicio de semana, bons estudos e bons passeios.

Zé Justo
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Monteiro


Esta fotomontagem é autoria do Zé Justo
Monteiro tens que dar um beijinho ao Zé Justo quando o encontrares...

O Almoço entre o Pica Sinos, o Palma e o Zé Manel








FUI ALMOÇAR COM O MANUEL PALMA E COM O JOSÉ MANUEL
O BOTAS VEM A SEGUIR


Do almoço que marquei com o Palma, há hora marcada, respondendo ao convite no Blog apareceu o José Manuel e demos aquele forte abraço a quem há cerca de 40 anos não o víamos – o Palma –.

O almoço teve lugar no restaurante Arizé no Pragal/Almada, não foi a quatro porque o “desenfiado” Botas, convidado em cima da hora, não pôde participar.

Devidamente acomodados, enquanto não vieram as migas a acompanhar o entrecosto fomos conversando na companhia de uns tintos – Monte Velho – carapauzinhos fritos, queijo e chouriço. Uma delicia.

O tema começou naturalmente pela família: o Zé já casado há 40 anos tem um casal, mas netos “cá tem”. O Palma, a pensar na reforma, é casado em segundas núpcias. Pai de duas meninas também não é (ainda) avô. Depois recordámos passagens em Tite, dos amigos, das tertúlias, da sorte e dos azares, algumas das histórias que “pincelámos” a seu tempo prometeram contar.

Entre muitos outros; falamos do Justo, do Guedes, do Henrique, do Gentil, do PP, do Cavaleiro, do Luis (rádio montador) que tem uma fabrica de marionetas”, do Matos, do Costa que ficou de organizar o próximo almoço em Ovar, do Monteiro, do Serafim, do Bagulho, do falecido Heitor e de outros que já não estão entre nós.

Combinamos engatar o Gentil, que mora em Vila Verde, para os lados do Cadaval, para o “convidar” a almoçar na terra dele. Que Henrique não vai escapar da caldeirada em Peniche - diga-se de passagem está farto de convidar a malta -. Um amigo que também veio à “baila” foi o Arrabaça e outros, muitos outros.

As horas passaram num ápice, despedimo-nos com um até breve, não antes de o Manuel Palma fornecer a sua morada electrónica, cuja recepção fica à responsabilidade da sua filha mais nova. manelpalma@netcabo.pt – portem-se bem até breve.

Pica Sinos
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Amigos
Grande almoçarada deve ter sido.
Ficamos à espera que traga bons escritos deste vosso encontro.
Um abraço amigos
Leandro Guedes

Madrinhas de Guerra... pelo José Costa

Apesar do ridiculo que hoje suscita, não deixa de ser verdade que naquele tempo, as madrinhas de guerra preencheram muitas horas de todos nós.
Estas eram as cartas com que nos escreviamos, chamados aerogramas. Eram endereçados para um SPM (Serviço Postal Militar), seguido de um numero, em que o nosso era salvo erro o 4268 (seria?) e sem mais nenhuma identificação, além do nosso nome, claro!
Amigos!!

Hoje quero falar do papel que as "MADRINHAS DE GUERRA" tiveram nas vidas de muitos de nós que fizeram a Guerra Colonial.

Quase todos nós deixamos tudo: Mães, avós, noivas, mulheres, filhos, sonhos etc. Tudo enfim, para cumprir o seu dever de soldado.

Recordo-me com saudade, quando se houvia o roncar de uma DO ou o DAKOTA a expectativa que se gerava entre nós: Olha é o correio a chegar, diziam uns. Olha que não diziam outros. A verdade é que corríamos para a "pista" ver a carga do avião. E alguns momentos depois, lá estava o nosso Hipólito a chamar um a um. E era ver os olhos daqueles que recebiam uma ou mais cartas em contraste com outros que nada recebiam. Eu era um felizardo. Rara era a vez que "lerpava".
Então, além das cartas da família, também tinha uma Madrinha de Guerra. De seu nome Maria da Graça. A minha madrinha, foi uma "companheira" durante mais de um ano! Nesse período que me escrevia, eu apreciava bastante as palavras de carinho, conforto e principalmente de alento para superarmos aqueles momentos dificeis e traumáticos da Guerra Colonial.
Quando cheguei à Metrópole devia, até por obrigação moral, de ir procurá-la até para a conhecer pessoalmente. Mas a vida tem destas coisas. Numca a procurei, mas numca a esqueci. Era um dever moral que eu tinha de concretizar para lhe agradecer o trabalho e a dedicação que sempre teve comigo naquele período dificil.
Pois hoje resolvi ir procurá-la para a conhecer pessoalmente, e encontrei-a!! Já se passaram 40 anos! Mas valeu a pena. Estive um hora com ela a recordar os caminhos que cada um traçou a partir de Fevereiro de 1969. Vamo-nos encontrar mais vezes concerteza, mais a mais que agora sei onde vive.
Bem haja a todas as Madrinhas de Guerra, que contribiuram para a felicidade de muitos de nós ex-combatentes.

José Costa
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Amigo Costa
Cada vez mais me interrogo que magia é esta que fez deste tempo em que estivemos todos juntos na Guiné, um futuro de amizades e vivencias inexplicaveis.
E a prova está no teu interesse em procurares a tua Madrinha de Guerra. Foi um gesto muito simpáctico da tua parte e acho que para ti foi um momento de grandes emoções.
Eu também tive a minha, apesar de ela nunca se assunir como tal, mas para mim foi a minha Madrinha de Guerra.
O que aconteceu é que depois de vir do Ultramar, arrastei-lhe a asa e em Março de 1971 estava no altar para dizer o "sim". E com ela tive um filho e uma filha, que já me deram um neto e duas netas.
E continuo casado ao fim de 37 anos...
Parabens amigo por trazeres à nossa memória mais um trecho importante da nossa passagem pela Guiné.
Leandro Guedes

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O Refeitório de Tite...

Nesta foto, tirada no refeitório de Tite, podemos ver o Abreu, o Rui Cautela, salvo erro o Viana ao fundo, o Hipólito e muitos outros

MUITOS DE NÓS NEM NA FORMATURA DO REFEITÓRIO NOS APRESENTÁVAMOS SABENDO ANTECIPADAMENTE O “MENU”

Creio que o Guedes ao criar o Blog Bart 1914, teve como objectivo dar a conhecer e deixar gravado no “papel” histórias, crónicas, episódios e ou acontecimentos que marcaram dois anos da nossa vida em Tite e, também o mesmo no que diz respeito às dos familiares, seus ente queridos, espalhados por este país fora, antes e depois desse mesmo período.

Para além disto, sou da opinião que não é menos importante o conhecimento das mudanças que ao longo dos anos, a todos nós, a vida nos emprestou. O Guedes, para isso, deu um excepcional contributo (!) é bem visível o entusiasmo e o ânimo já de muitos na participação desse objectivo, quer escrito, quer fotográfico (a imagem diz mais que mil palavras) ou ainda presencial, exemplo disso foi o nosso último encontro em Salir do Porto. Sem desprimor para o primeiro (que deu muito trabalho) e os outros, certamente, que lhes seguiram.

Nas histórias/crónicas que tenho vindo a desenvolver procuro enquadra-las nos objectivos do autor do Blog 1914. Não “carrego” muito quando descrevo desgraças, contratempos, reveses ou outras situações, nós sabemos como foi, não desvirtuando, penso que uma “pincelada” dos factos passados é quanto baste, mas….há sempre um mas…. Nas crónicas “revestidas” com as tertúlias estão implicitamente referências à escassez, à qualidade dos alimentos e ou mesmo fome…… é exactamente disso que hoje vou “pincelar”.

Parafraseando o Alferes Rosa (a quem eu rendo o maior respeito e admiração) numa das passagens do seu livro “Memórias de um Prisioneiro de Guerra”, quando faz referencia às refeições que eram servidas na messe dos oficiais em Tite, mais concretamente na página 38, escreve: ……”Comia-se muito bem naquela “pousada”. Havia sempre sopa, um prato, (normalmente carne), sobremesa e sumo de laranja………vinho acompanhava às refeições……. Pois; mas para os restantes militares não oficiais, menos os sargentos, as coisas não se passaram da mesma forma. A escassez a qualidade dos alimentos e a fome era uma realidade na maior parte dos dias, apesar de estarmos a 30/40 quilómetros, linha recta, de Bissau.

O pavilhão que incluía o refeitório apresentava no topo norte a padaria e no topo sul a cozinha. O espaço destinado às refeições dos praças e cabos tinha mais ou menos uma área de 200 metros quadrados, não tinha portas, no meio algumas colunas a sustentar o tecto que era de zinco, o resto eram bancos corridos e mesas em madeira muitas decoradas com frases de escárnio e mal dizer. Nos lados, já no exterior, quer à esquerda quer à direita, dois bidões para os despejos dos restos.

Obviamente que todos os dias tínhamos três refeições:
Ao pequeno-almoço: em cada mesa duas cafeteiras enormes com café e outra com leite condensado misturado com agua em excesso não fosse a malta ficar com o “fígado estragado”, um pão (vulgo carcaça), acompanhado alternadamente com marmelada, doce ou margarina e ainda dois comprimidos. Sobravam os comprimidos e as borras do café.

Ao almoço: sopa, um prato, vinho adulterado para não azedar, mesmo assim não nos livrávamos por vezes do “pico”, agua, pão em fatias, fruta enlatada e três comprimidos. A sopa, servida em terrinas, era sempre de feijão com hortaliça, só mudava a cor do feijão, ora branco, ora manteiga ou encarnado. A base da refeição sólida, também servida em terrinas, durante cinco dias era o arroz misturado com o que houvesse, na maior parte com salsichas, sardinhas ou ovos (alimentos que hoje detectados pela ASAE iam para o lixo) ou a acompanhar aparas de peixe seco, os restantes dias; as refeições eram servidas com feijão só de uma cor ou misturado, a acompanhar alguma carne, algumas fatias de chouriço (e não tinha que chegar atrasado à mesa senão lerpava) os gorgulhos também não faltavam. Por vezes, quando chegava algum “carregamento da carne”, (ver foto) a dita cuja vinha à mesa com as batatas guisadas rijas ou espapaçadas. Batatas cozidas só me lembro uma vez, por ocasião do Natal, a acompanhar uma posta tísica de bacalhau. Sobravam parte dos comprimidos, alguns pratos da refeição base ficavam limpos porque não tinham sido utilizados. Ao vinho muitos não lhe tocavam, para quem tinha dinheiro, havia sempre a alternativa a……. Cerveja. Sumos, esses, só na messe dos oficiais.

Ao jantar a história repete-se: sopa, um prato, vinho adulterado para não azedar, agua, pão em fatias já pró duro. A sopa, servida em terrinas, era sempre de feijão com hortaliça, só mudava a cor do feijão, ora branco, ora manteiga ou encarnado. A base da refeição sólida, também servida em terrinas, durante cinco dias era o arroz misturado com o que houvesse, na maior parte com salsichas, sardinhas ou ovos “prensados”, ou a acompanhar aparas de peixe seco, os restantes dias; as refeições eram servidas com feijão só de uma cor ou misturado, a acompanhar alguma carne, algumas fatias de chouriço. Sobrava quase tudo porque muitos de nós nem na formatura do refeitório nos apresentávamos sabendo antecipadamente o “menu”. Valendo-nos muitas vezes os então “petiscos”, os pequenos-almoços na tasca do branco Silva e das mangas que em abundância existiam em Tite. Isto era no aquartelamento. A “coisa” agravava-se com as dificuldades do reabastecimento de comida quando os meus camaradas saíam para as operações durante dias.

Lembro-me de uma cena junto do pavilhão dos sargentos: Estava o Vítor, o falecido Rui Cautela e um terceiro a conversar com o então Capitão P.P. quando me chamaram ao verem-me sair do Centro Cripto…….Oh Pica como é que estava hoje o almoço? Uma porcaria, nem pus lá os pés disse eu. “Tá a ver Capitão”, disse um deles, o resto já mais não ouvi. Sei que nesse dia houve uma tentativa de levantamento de rancho.

Pica Sinos
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O Serafim entendeu dizer o seguinte:
Amigo Pica
eu não tenho habilidade que tu tens em fazer historia/crónicas pois a minha vida profissional não foi estar atrás de uma secretaria, mas sim a vender copos “felizmente que era uma das melhores estabelecimentos da Europa”.
Vou ser directo no que tenho a dizer
Quanto a escassez e qualidade de alimentos,quantidade e mesmo pouca higiene penso que devias imformar-te melhor como funcionavam os reabastecimentos.
Quanto a messe de oficiais e sargentos é verdade que comiam melhor e sabes porque?
Porque muitas vezes os géneros que me mandavam não eram suficientes para fornecer o rancho geral e por isso, iam parar às messes.
Quanto em estar em linha recta,30/40 kms de Bissau era preciso ir lá ,não era fácil!
Sabias que eu comprava muitos frescos no comercio civil(só estava autorizado a faze-lo quando os preços eram iguais aos da manutenção militar).Era preciso ir no “zebro”e muitas vezes o GEBA não permitia navegar e eu estava interessado em voltar pois na altura já era casado,ok!
Quanto ao pavilhão (refeitório)devias ter-te queixado ao Hélio Felgas.Todos os dias fazíamos três refeicões, sorte a nossa, muitos tiveram rações de combate.
Quanto a qualidade dos cozinheiros devíamos te-los mandado para a escola hoteleira de Lisboa onde eu andei três anos.
Quanto ao peixe seco não era seco mas sim liofilizado(na altura era a melhor maneira de conservar o peixe).
Quanto aos pequenos almoços na tasca do Branco,se calhar havia muitos camaradas que não podiam lá ir.
Quanto ao "tá a ver capitão" informo-te que o rancho geral estava instalado no conselho administrativo,onde tinha como superiores dois atrasados mentais,o Ponces de Carvalho e o alf. Campos e só ao fim de oito meses é que passo para a companhia.

O DISPENSEIRO SERAFIM
(Curso de Administração militar tirado na Povoa de Varzim)
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o Pica esclarece o seguinte:
Amigo Serafim

Ainda bem que esclareceste o que tinhas para esclarecer.
Foi muito bom da tua parte fazeres o comentário ao meu texto.
Amigo. Tu não és culpado de nada. Nem tive qualquer intensão de te culpabilizar do que quer que fosse.
Se havia pessoal honesto no serviço tu eras um deles.
Trabalhaste e pugnaste por servir o melhor que podias tendo em conta as
dificuldades, muitos de nós, se não a totalidade, não tínhamos dúvidas quanto ao teu esforço e honestidade.
Por isso ainda hoje tens malta que te estima e respeita, e eu como sabes sou um deles.
Eu estou de acordo contigo relativamente aos atrasados mentais.
Se calhar tens aí as respostas.

Amigo
Um grande abraço
Pica Sinos
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Meus amigos
O tempo passou e não podemos esquecer que foi uma altura muito dificil para todos nós.
As recordações que aqui trazemos não são mais que isso mesmo - recordações.
Não estamos a culpabilizar ninguém como diz o Pica, e todos fizémos o melhor que pudemos e soubemos como diz o Serafim.
Na messe de sargentos também houve altos e baixos, e se num mês eramos amados porque as refeições eram boas, no mês seguinte eramos odiados porque apertávamos o cinto para compensar o "déficit" do mês anterior.
Todos nós comemos melhor ou pior, consoante o que havia para confeccionar. Não podemos criticar os que não gostavam do que comiam, nem tão pouco criticar os que gostavam.
Do que nós todos não gostávamos de certeza, era daquela vida - excepto os do quadro...
Um abraço.
Leandro Guedes

domingo, 1 de junho de 2008

Nova Sintra - quem não se lembra... (pelo Zé Justo)

aquartelamento de Nova Sintra




------Estrada de Nova Sintra

Foi o nosso Batalhão que iniciou em 1967 a construção da Estrada de Nova Sintra, onde posteriormente foi instalado o quartel da foto.
Tivemos bastantes problemas, pois toda a estrada foi rasgada em zonas controladas pelo PAIGC.
Nós construíamos de dia e eles á noite destruíam todo o trabalho realizado.
Uma das grandes dores de cabeça do BART 1914, foi o trabalho penoso da construção desta estrada.
Não interessava nada ao PAIGC o espalhar de aquartelamentos das NT, porque:
Ficávamos a controlar mais eficazmente as povoações nativas das áreas em redor.
Diminuía-lhes zonas livres operacionais, ficando cada vez mais longe e difícil atacar os nossos quartéis mais importantes.
Sendo verdade que as tabancas junto da tropa, beneficiavam de vários factores que melhoravam a sua vida: Comércio, lavadeiras, comida, cuidados de saúde, medicamentos etc.
O PAIGC via fugirem as suas áreas de influência e recrutamento de guerrilheiros.

Dois tristes episódios dos vários acontecidos durante as obras da estrada de Nova Sintra:

Num dos primeiros dias de trabalho, era perto do meio-dia quando ouvimos no quartel um forte rebentamento ! pensando ser ataque, embora estranhando, pois nunca tinham feito ataques de dia !! desenvolveram-se os movimentos de defesa habituais. No entanto não se deram mais disparos ou rebentamentos.
Contactámos o pessoal da estrada e disseram ter havido um rebentamento, mas sem consequências.
Pensou-se ter sido mina anti-pessoal accionada por algum animal no mato.
Pouco tempo depois foi-nos comunicado via rádio, que vinha a caminho de Tite a auto-metralhadora Daimler com um ferido muito grave, que tinha caído numa mina ficando sem as duas pernas.
Relatado depois pelos camaradas do local, quando ele accionou a mina, ia distanciado dos outros, e com a explosão o corpo foi projectado pelo ar, caindo no capim, ficando oculto da vista.
Foram os gemidos que alarmaram os que o socorreram.
Antes de ser evacuado no Helicóptero, vi-o na enfermaria, o local onde estariam as pernas, parecia um “croquete”, pois o capim, com a descompressão, tinha-se fixado nos coutos mutilados...horrível...demorei muitos meses para deixar de sonhar com este pesadelo...maldita guerra !!

Outro episódio macabro, também durante as obras da estrada de Nova Sintra:

O calor da Guiné - mais de 40º a maior parte do ano - tornava-se a maioria das vezes insuportável. Quebrávamos um ovo no cimento dos passeios e ficava logo como omolete. Tomávamos banho de água fria, claro, e poucos minutos depois de limpos, estávamos de novo a transpirar.
Depois do almoço, e no período de mais calor, fazia-se sempre uma pausa até recomeço de tarefas. Na obra da estrada, finda esta pausa o condutor do Unimog (ou GMC?) entrou para a viatura, arrancou, mas sentiu uma resistência estranha e um solavanco. Parou, saiu da viatura para ver se tinha sido pedra ou coisa do género a obstruir, quando horrorizado, viu um camarada deitado no chão, a sangrar imenso, e o rodado no pneu marcado na cara...tinha-lhe passado com a roda por cima da cabeça !! O pobre do nosso camarada, foi dormir um pouco para debaixo da viatura protegendo-se do sol e calor, e não acordou quando o pessoal reiniciou os trabalhos.

Já no quartel, nunca vi cenas de tanto desespero do pobre condutor. Tiraram-se todas as armas da caserna e esteve vigiado até ir para Bissau, pois sabíamos que era indivíduo capaz de se suicidar com o desespero de, embora sem culpa alguma, ter morto um camarada.

Zé Justo
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Raul Pica Sinos disse...
Sobre Nova Sintra o Cap. PP contou-me um cena muito trágica. Dizia ele que recebeu ordens do Comandante do Batalhão para enviar todos os elementos de um dado pelotão para Nova Sintra. Um desses elementos era muito nervoso e a maior parte do tempo estava na cozinha como auxiliar pedindo ao Capitão para não ir pois tinha muito medo. O PP sabia que o rapaz falava verdade e voltou a pedir ao CMDT para não o mandar na operação, pedido que foi recusado com alguma veemência. Foi a única morte das NT em Nova Sintra até parece que estava à divinhar.