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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes, furriel milº Angola ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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"NINGUÉM DESCE VIVO DUMA CRUZ!..."

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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segunda-feira, 3 de março de 2008

Para Lisboa nem que seja agarrado à ancora...

Foto do navio UIGE, onde estava a ancora do Pica Sinos...
“PARA LISBOA NEM QUE SEJA NA ANCORA” Uns dias antes da chegada da Companhia de Comandos e Serviços para nos substituir, as secções, as áreas de intervenção, etc., tinham feito o balanço para a entrega dos meios e outros materiais, aos futuros ocupantes de Tite. Chegados a Tite, no dia imediatamente seguinte, um dos Criptos que nos veio render, foi-lhe dada a tarefa de entregar material classificado ao camarada da especialidade na localidade de Jabadá. Visivelmente nervoso, recusa tal responsabilidade, seguida de um compulsivo choro que impressionou todos em seu redor. Procurámos acalmá-lo! Que….não havia qualquer perigo! O….transporte era feito de helicóptero! Que….voltaria no espaço de uma ou duas horas. Qual “quê”…. O gajo não parava. A solução que encontramos foi substitui-lo pela minha pessoa, não sem antes quer o Cavaleiro quer o Justo criticarem a atitude do “piriquito”. Chegado a Jabadá, sou informado pelo meu camarada da especialidade que a companhia tinha em Tite recebido ordem de marcha para Bissau, mais: que……o rumo do helicóptero era outro, já não fazia a viagem de Jabadá a Tite, acrescenta o piloto! Não tive outra solução se não ficar apeado. Aqui soube que havia uma LDM (lancha desembarque média) no porto que seguiria para Bissau….mas só dois dias depois! Dois dias??? A altura das águas não permite a navegação antes disso, informam. Para Lisboa já, nem que seja na ancora do navio! Mas como? Peço ao cripto Tété➂ que mande uma mensagem informando o aquartelamento em Tite do sucedido; que vou procurar chegar a Bissau; que levem a mala com a roupa, ofereçam o resto aos “piriquitos”. ➂ - O Tété foi durante anos colega na Robbilac. Ele estava na fábrica em Sacavém, eu em Lisboa. Quando nos reencontramos em Jabadá foi para ele uma festa, para mim…. A tábua de salvação. “Vamos festejar este reencontro Pica”. Levou-me a almoçar ao único (penso) “hotel” existente na cidade, mas a fome era pouca ou nenhuma. Eu só queria sair dali! Foi ele que deu os sucessivos passos no objectivo de chegar a Bissau. Que fazes tu hojeTété? Nunca tive a oportunidade de te agradecer. Um abraço amigão.
➃ - Falhados que foram os transportes de helicóptero e da lancha de desembarque, sabia através do Tété que havia ligação por meio aéreo (táxi). O meu problema é que não tinha comigo qualquer dinheiro e isso podia ser condicionador à deslocação. “Armado ao fino”, entrei para o avião dizendo ao piloto que faríamos contas em Bissau. Treta, patacão “cá tinha”. Quando ele me pediu o dinheiro, identifiquei-me e sugeri que fosse ao QG receber.
Já no navio, rumo a Lisboa, a contar tudo a “todos” o sucedido, sou informado que também se desenvolveram esforços para me retirarem de Jabadá. Entretanto oiço uma voz….pssst, pssst….Era o Capitão Paraíso Pinto, com uma factura na mão a dizer-me que lhe “devia” dinheiro, resultante do custo do bilhete do avião. Raul Pica Sinos

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