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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes, furriel milº Angola ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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"NINGUÉM DESCE VIVO DUMA CRUZ!..."

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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segunda-feira, 3 de março de 2008

Os piriquitos...

Foto da guarda avançada do centro cripto

“OS PIRIQUITOS”
O DE GRAVATA PRETA, E O BRIGADEIRO.
E O SORRISO AMARELO DO “DONO” DO CENTRO DE CRIPTO

Estamos recordados – a Guiné – continha e contém vários ecossistemas, com uma grande variedade de espécies vegetais e animais. Entre os meses de Maio e sensivelmente até Novembro, era a estação mais húmida e os restantes meses, obviamente, a estação de maior seca. As chuvas, ao contrário do “continente”, começavam em Maio, aumentando gradualmente até Agosto. Quem é que não se lembra das fogueiras que fazíamos junto ao refeitório para atrair e matar a formiga de asa que aos milhares – milhões – surgiam, antes de começar a chover?
Tudo aquilo era diferente, os relâmpagos, as trovadas em simultâneo, e cheiro, a terra vermelha, as arvores, as aves, (vocês lembram-se dos jagudis, com as latas de refrigerantes penduradas ao pescoço?) os repteis, os pombos verdes (caçados com a G3, só se aproveitava um terço do bicho) etc. A mim irritavam-me os lagartos de cabeça amarela (estavam sempre a fazer flexões) e os sapos. Ó Justo, lembraste uma vez que tivemos que matar dezenas de sapos à vassourada, para conseguirmos dormir?
Bom, vamos ao que interessa. Muitos de nós, em Tite, adoptamos bicharocos. Não sei quem o trouxe, mas demos guarida, no Centro de Cripto (como sabem só podia entrar “gente” credenciada), a um piriquito de gravata preta. O pássaro era um espectáculo de bonito, mas…. Mau a valer, selvagem pois claro. Quando estendíamos o dedo (para lhe dar poleiro), era bicada certa. O Justo dizia: Queima o bico com o cigarro quando ele for “morder”, vais ver que ele amansa! Assim fiz…
Nos dias seguintes, pensava eu, correr tudo às mil maravilhas, quando o piriquito, resolveu vingar-se dando-me uma valente bicada no dedo grande do pé, de tal forma que o bico ficou “colado”. Dorido, sacudi o pé com tal força que o pobre do bicho foi contra a parede e morreu. A partir daí convencionamos, que jamais algum “piriquito” entrava no Centro de Cripto.

Bom, e foi o que aconteceu também ao Brigadeiro (piriquito) responsável pela região operacional (*) de Tite. Que como é habito, não recordo o nome – mas expressão facial sim - acompanhado pelo 2º Cmd, aquele que nos “cedeu” as bananas, não o deixamos, eu e o Justo, entrar, na medida em que quando lhe perguntamos o nome, ainda não constava da relação (lista) colocada nas traseiras da porta da entrada, das entidades que podiam ter acesso ao respectivo centro. Nem pestanejou quando lhe dissemos a razão. Quem não gostou nada da “brincadeira” foi o Furriel Cavaleiro, na época o “dono do Centro de Cripto”. Andando “amarelito” uma semana e não era caso para menos. Sabem uma coisa? Pouco tempo depois lá alteraram a lista, com o nome do Brigadeiro, referindo que a norma estava cumprida.

Raul Pica Sinos
(*) A região de Tite, para além de incluir a localidade de Tite, era bem mais abrangente, incluía outras regiões onde estavam aquarteladas as Companhias Operacionais.

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