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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes, furriel milº Angola ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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"NINGUÉM DESCE VIVO DUMA CRUZ!..."

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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domingo, 9 de março de 2008

Manhã na praia, arroz de marisco às refeições


Junho de 1967, O calor da noite é muito, a humidade também. Numa das mesas da cantina uns quantos reguilas jogavam às cartas e bebiam cervejas não só com o propósito de matar a sede mas também para “compensar” a desidratação. A noite vai alta, o grupo já é restrito, alguém informa …………”depois de amanhã chega ao Enxudé um carregamento de géneros”……… Diz célere um outro…….e se fossemos dar uns mergulhos à “praia”?
Oito horas da manhã, o calor do sol já se faz sentir, na porta de armas dois camiões GMC, dois honimogues e outros tantos jeeps aqueciam motores. Há muito que o pelotões: Daimler, de sapadores, minas e armadilhas tinham saído para “picar” a estrada que liga Tite ao porto do rio Geba. Alguém dá ordem de marcha……”Hó Guerra a tua GMC vai na frente, os outros carros não saem do trilho”. Vamos embora!
Pelo caminho a beleza das bolanhas, e das névoas que as rasavam, as aves, sobretudo patos, aos milhares, levantam voo incomodados com o barulho à nossa passagem, aqui e ali nenúfares multicoloridas do tamanho das rodas de camião, os pássaros pequenos beijam-nas na procura de alimentos. Passamos Foia, aldeia também de pescadores. Já estamos perto.
Finalmente o rio Geba. Aqui a água é barrenta não tem ondas. Junto ao barco, não só tropas mas também naturais com algumas cestas de fruta na esperança de alguém de nós a comprar. As crianças brincam por perto na margem. Enquanto os carros são carregados por uns, nós aprestamo-nos……….em cumprir com o nosso objectivo…….dar uns bons mergulhos na “praia”.
Numa pequena e emprestada embarcação a remos, afastamo-nos para o meio do rio, à cautela são lançadas na água várias granadas de sopro, o objectivo, não vá o diabo tecê-las, é afastar eventuais “alfaiates” (crocodilos) que na zona abundam. Os saltos para a água, as “amonas” e as corridas são as brincadeiras que sucedem.
Saciados, preparámo-nos para o regresso. Hoje o rancho vai ser melhorado. O almoço e o jantar foram feitos pela equipa de natação. A ementa é arroz de marisco. Pois é! Quem nos emprestou o barco, em troca compramos uma “saca de batatas” cheia de ostras e alguns camarões. O arroz foi “cravado” ao branco Silva, o Contige, o padeiro, “deu” uns pães, a patuscada foi até às tantas, depois uns quantos foram levados às costas para os seus beliches de dormir.

Raul Pica Sinos

Nota: A foto foi cedida pelo camarada Justo
do Pica Sinos:
Justo Boa Noite. Deu-te a Pica e ainda bem....Tá muito giro.Fartei-me de rir eu a Maria Emilia. Tá muito bom.Espero que te dê a Pica para outros.O da "praia e arroz de marisco" seria bom que colocasses uma foto ou desenho do repasto. Eu não tenho fotos das almoçaradas e muito menos das jantaradas que foram muitas. Este almoço/jantar, até deu para uns quantos - a pedido do Cap. Paraiso Pinto - que tinham chegado de uma operação cheios de fome, comerem ainda sopa que também tinhamos feito.Eu ainda não me esqueci do teu "coma" um dia destes quando me der a mim também a Pica, vou ver se escrevo alguma coisa.Um abraço AmigãoRaul Pica Sinos

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