Segundo informação do CORREIO DA MANHÃ, vai ser publicado no Jornal do próximo domingo, um relato do Joaquim Caldeira., furriel operacional da CCAÇ 2314.
Leandro Guedes
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
-
"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
-
“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
-
“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
Segundo informação do CORREIO DA MANHÃ, vai ser publicado no Jornal do próximo domingo, um relato do Joaquim Caldeira., furriel operacional da CCAÇ 2314.
Leandro Guedes
No passado dia 6 de Fevereiro, completaram-se 56 anos sobre
a tragédia de Cheche, travessia do rio Corubal, quando do abandono de Medina de
Boé pelas NT – 47 mortos.
Publicamos esta noticia porque um militar ex-alf. milº Virgilio Teixeira, testemunha do acidente, faz um apelo ao Luis Graça, gestor do blog LUIS GRAÇA & CAMARADAS DA GUINÉ, , solicitando a publicação dos nomes daqueles 47 homens, para que não caia no esquecimento esta tragédia.
Este homens seguiam numa jangada, onde iam também viaturas e outro
material. Ao que diz o Virgilio nunca se soube bem as causas de tamanha
tragédia.
Nós associámo-nos a esta divulgação, homenageando os Heróis.
Foi julgado em tribunal militar, o alferes responsável pela
travessia, tendo o Gen. Spinola sido sua testemunha de defesa. O mesmo foi
absolvido.
Também é motivo para a publicação desta noticia da nossa parte, o facto do
responsável do Sector à altura, ser o nosso ex-comandante Coronel Hélio Felgas,
já falecido, que interveio na operação.
Quem estiver interessado em saber pormenores deste desastre,
lendo os imensos testemunhos descritos, pode consultar o blog do Luis Graça,
procurando nas seguintes etiquetas:
- Cheche
- Jangada do Cheche
- Rio Corubal
- Medina do Boé
- Coronel Hélio Felgas
- CCAÇ 2405
-- CCAÇ 1790
“Data - 6 frev 2022 18:26
+
Assunto - Desastre do Cheche em 6 de Fevereiro de 1968.
Medina do Boé, Cheche, rio Corombal.
“Luis, boa tarde
Lembrei me agora que faz 53 sobre o desastre do Cheche, com a jangada, que ninguém ainda hoje sabe o que aconteceu
na realidade.
Foram 47 vidas ceifadas na flor da idade. E
estupidamente! Da CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852
e da CCAÇ 1790 / BCAÇ 1933.
O Cap José Aparício, comandante da nossa CCAÇ 1790, já não nos podes contar, dizem que está
doente, com doença degenerativa de evolução prolongada.
Paz para a alma de todos. (**).
Luís, se puderes fazer uma referência agradecia.
Saúde para todos.
Virgílio Teixeira (***)”
Ver o blog de Luis Graça & Camaradas da Guiné:
VISITA A VILA VERDE DOS FRANCOS:
Em Maio de 2016, os alunos do Professor Manuel Granada, da
disciplina de Cultura Geral, da qual eu fazia parte, da Universidade Sénior de
Torres Vedras, foram fazer uma visita à Histórica Vila Verde dos Francos. É o
resumo dessa visita a uma Vila que chegou a ser sede de Concelho, que aqui vos
deixo, da autoria da nossa amiga Albertina Granja, a quem agradecemos com a
devida vénia.
(ver seu blog diversidadesquecidas.blogspot.com)
“As ruinas do Castelo Medieval, o Palácio dos Marqueses de
Angeja, a Capela da Misericórdia, boa companhia, descontracção, um delicioso
cozido à portuguesa e belíssimas paisagens, foram os ingredientes para um dia
perfeito...!!!
A visita foi extremamente interessante, pois permitiu
"saborear" os aspectos históricos desta Vila doada por D. Afonso
Henriques ao cavaleiro francês Alardo, em Janeiro de 1160.
Começámos pelas ruínas do Castelo medieval, classificado
como "Imóvel de Interesse
Público", desde 1957, o qual, segundo alguns historiadores, foi
edificado por ordem de D. Alardo...
Seguiu-se o Palácio dos Marqueses de Angeja, mandado
construir, em meados do século XV, por D. Gonçalo de Albuquerque (pai de D.
Afonso de Albuquerque, vice-rei da Índia), que ainda conserva a janela, onde,
segundo a lenda, Luis de Camões se enamorou de Natércia...
Para terminar a visita, a Capela da Misericórdia, edificada
por volta de 1627, deixou-nos deslumbrados pelos seus notáveis azulejos.
Muito obrigada Professor Novais Granada....
Albertina Granja”
Damos as boas vindas à D. Eunice Maria Lourenço, que
reencontramos recentemente. É filha do nosso saudoso amigo Gentil Félix
Lourenço e irmã do Nuno, ambos residentes em Vila Verde dos Francos, no
concelho de Alenquer, perto de Torres Vedras. A Mãe de ambos já faleceu.
Transcrevemos de seguida, um texto do Raul Pica Sinos,
escrito na altura em que fomos convidamos pela familia Gentil Lourenço, para um
agradável almoço em Vila Verde dos Francos, na sua casa em 2010:
"Finalmente a 16 de Outubro de 2010, chegou o grande
dia para confraternização com o nosso companheiro Gentil, no objectivo de
comemorar a vitória deste, sobre a recente doença que o queria vencer.
O nosso 1º Cabo em Tite, na Guiné-Bissau, era um dos
responsáveis pela manutenção oficinal. Hoje já reformado, casado e com 2 filhos
(uma jornalista e outro especializado em logística) tem um minimercado na rua
principal na Vila Verde dos Francos terra onde reside.
Creio que foi cerca das 11 horas que o pessoal começou, aos
poucos, por chegar. Precedidos do Pica Sinos (Corroios), Amador e o Botas
(Barreiro), o Palma e mulher (Algés). Seguiram-se o Contige (Stª Iria d’Azoia)
e o Zé Manuel (Cacém) acompanhados das respectivas mulheres. O Carlos Leite e a
mulher (Lourel, Sintra); o Hipólito e a mulher (Baltar); o Viana e a mulher
(Porto) chegaram, pelas 12 horas. O Costa chega de Ovar. O Barros e a mulher
(Marinha Grande). Logo a seguir o Arrabaça da Nazaré e, o Guedes de Torres
Vedras. Também o Carlos Marinho de Oeiras. Ainda houve uma réstia de esperança que
o Cavaleiro mais a mulher (Viana do Castelo) se fizessem ao caminho, mas desta
vez não lhes foi possível. Igualmente se passou com o Henrique (Peniche), o
Régua (Amadora) e o Correia (Lourel, Sintra) que já depois dos “bilhetes
comprados”, por afazeres familiares e profissionais tiveram que “perder
espectáculo”.
Depois dos beijinhos e abraços, o anfitrião fez as honras da
casa na Colectividade onde a festança foi feita. Começamos por conhecer os
simpáticos filhos do Gentil, a sua amável mulher e demais família. Também
tivemos a oportunidade de conhecer outros agradáveis amigos que vieram ajudar a
montar todo o aparato que serviu o almoço. E enquanto a caldeirada apurava,
visitamos as instalações da Associação Desportiva, Recreativa e Cultural de
Vila Verde dos Francos, fundada em 1980, onde o Gentil foi o cicerone e dá a
sua colaboração activa como Director.
Conforme ilustram as fotografias a festa foi rija e
participada. Todos estavam muito felizes, em especial o Gentil e a família. No
final para marcar a já citada vitória, oferecemos ao nosso amigo uma placa em
vidro, acompanhada de um postal com muitas assinaturas de camaradas e amigos do
Gentil. Outros, tendo em conta as distancias, não puderam estar fisicamente
presentes, como foi o caso do Mestre (Monte Fialho, Beja), o Justo (Carnaxide)
e o Ex-Cap. Paraíso Pinto (Algés) mas não deixaram de enviar mensagens de
felicitações.
Até sempre Gentil
R.P.Sinos "
Votos de boa saúde para os manos Eunice e Nuno e sucessos
pessoais.
Leandro Guedes.
O Blog do BART 1914 completa hoje 14 anos de vida.
Teve inicio em janeiro de 2008 e durante todo este tempo
recebeu 618.660 visitas e imensas participações através de mensagens, escritos
vários onde a guerra nem sempre foi o tema, relatos sofridos e outros bem
dispostos, fotografias, vídeos de companheiros, amigos, familiares e
visitantes.
Muitos reencontros se verificaram durante este tempo.
Organizaram-se trinta almoços anuais em diversos pontos do
País, interrompidos devido ao covid.
Foram dadas entrevistas à TV e Jornais sobre a nossa
participação na Guerra do Ultramar.
Com base no Blog foram elaboradas as MEMÓRIAS DO BART
1914.
O BLOG continua a ser um elo de união entre todos os Combatentes da CCS do BART 1914 e demais Unidades Militares estacionadas em Tite, no Sector de Quinara, na Guerra do Ultramar/Colonial, (Bissassema, Nova Sintra, Jabadá, Enxudé,) entre outras localidades, principalmente no período de abril de 1967 a março de 1969.
Com a valiosa ajuda de todos, nestes 14 anos muita coisa
está aqui plasmada, umas boas outras nem tanto, mas é sem duvida um testemunho
da História.
Muito obrigado a todos.
“Amigo, lembrei-me desta vez focar uma triste realidade que
foi a destruição inútil da obra que de qualquer forma se construiu e poderia
ter beneficiado, e muito a população de Tite.
Claro que poderá ser controverso
José Justo”. 24/01/2022.
Antes de mais parabéns pelo XI aniversário do Blog da BART
1914. É dos blogues que conheço o que mais e melhor informação transmite sobre
a guerra na Guiné. Entrar no blog da BART 1914 é aceder a um vasto conteúdo que
nos situa, com todo o realismo, numa Guiné em guerra,
social e culturalmente pobre, vítimas de uma colonização
desprezível, com milhares de jovens portugueses a combater em nome de uma
Pátria que há muito tinha abandonado os territórios africanos.
Seja assim ou assado, fico grato pela informação que o blog da BART me tem proporcionado.
Que dure por muitos e bons anos,
Uma cordial abraço
João Godim"
15/02/2019
"José Justo
21 de janeiro às 21:08
·
REMEMBER
Tenho imensas ESTÓRIAS de vida recordadas desde há decadas
!!
Esta, teria eu uns 8/9 anos, por ai !!
Das pessoas que mais adorei e que guardo com muito carinho
no coração, era minha querida avó materna, de seu nome; Conceição (foto 8).
Tratava-a por São e já como adulto Sãozinha.
Meu avô – ser humano fantástico – (foto 11) faleceu cedo no
Hospital de Marinha, ficando a avó viúva.
Embora nós os cinco vivesse-mos na mesma casa, nunca nada substituiria as saudades do muito amado marido.
Para quebrar a solidão e como nova motivação de vida,
dedicou-se à igreja, tanto religiosamente como participante ativa nas obras de
apoio social (foto 5).
Agora o problema!!... Eu e meu irmão começámos a ter contra vontade
“uma forçada vida religiosa muito ativa”!!.
Na nossa família a Igreja do Sacramento, no Chiado (fotos 6
e 7), tinha muitas tradições, pois foi lá que nossos pais casaram (fotos 3 e
3A), eu e meu irmão fomos batizados, 1ª comunhão, Comunhão Solene, Crisma…e
“assistentes forçados” em bastantes atos solenes nas datas de destaque
litúrgicos.
Missas dominicais - ainda em Latim - em bastante quantidade
!! Te Deum’s e Via Sacra !!!!
Lembro-me como eu e meu irmão sofríamos horrores com “estas
torturas” !!
Tanto as missas como estas duas cerimónias eram tão
longas…tão longas, tão monótonas…tão monótonas
e repetitivas!! que nos
desesperavam.
Nas Via Sacra, estávamos sempre “mobilizados” para
acompanhar todo aquele ritual das Estacões sempre à volta da igreja e nós os
dois de opa vermelha vestida (foto 1A) e tocha gigante acesa nas mãos (foto
00A), sempre ao lado do padre Carvalho (foto 4), que diga-se de passagem era
super antipático para a miudagem e nós por várias vezes ouvimos responsos da
avó por comportamentos inadequados logo à saída da igreja e em casa desta vez
pela mãe!!
Como em cada Estação lá tínhamos que nos ajoelhar de tocha
acesa na mão (foto 00A) enquanto ouvíamos a “ladainha”, eu tinha o vicio de
estar sempre a tirar bocadinhos de cera da tocha, fazia bolinhas e deitava para
o chão para junto das cadeiras dos fiéis !!…como dizia o outro: “criança não
pensa” mas eu pensava e fazia de propósito!!
Certa vez, por tanto mexer e raspar no suporte superior da tocha que era em madeira com uma grande mola interior, desenrosquei o suporte…salta a mola… e começa a oscilar “feita doida” com a vela a pingar cera por todos os lados!!... e foi o que se vê (foto 1).
O padre Carvalho e a avó São estavam petrificados - ainda
hoje recordo as expressões daqueles dois rostos - o meu irmão ria, ria…o
sacristão – outra pestezinha – de volta da tocha a tentar apagar a vela e meter
a mola dentro do corpo de madeira… enfim imagine-se!!
Querida avó São, tantas saudades.
Houve um período, quando trabalha nos Oulman na rua dos
Fanqueiros que ia almoçar todos os dias a casa da avó e pós almoço nos dias
bons, ficava-mos á janela do quarto dela a falar, a falar…das suas vivências,
do meu querido avô Jordão, do tempo de quando jovem, viveu em Inglaterra e
tantas vezes sobre religião, admitindo ela que a minha maneira de pensar talvez
tivesse origem na forçada, mas inocente presença e influência religiosa.
Sendo ela católica praticante bastante devota, aceitava sem
comentários criticos, as minhas linhas de pensamento - sendo eu já na altura
Agnóstico Ateísta - embora à época, sem o saber exatamente.
Estou certo e hoje compreendo os tempos e as circunstâncias
de então – os pais também adorariam aquele período da casa vazia só para eles
!! LOL – .
Tenho as minhas convicções anti religiões dogmáticas de uma
maneira global, fortemente vinculadas em oito ou nove livros temáticos, e não
só.... “Os dogmas são se discutem, ou se acreditam ou não”!!.
Triste e saudosamente, todos estes queridos “já da lei da
vida se libertaram” formaram lá no alto,
uma nova e bela constelação.
…Quando me for lembrando de algo caricato ou interessante,
que ache valer a pena, eu “pranto aqui” depois já sabem: passem ao boneco
seguinte e esqueçam !! Cuidem-se.
José Justo"
21 h ·Dia 19 de janeiro de 2022.
Hoje, cumpriu-se um desejo que ansiava. Recebi o relato do
cativeiro de um amigo que escreveu após ter sido libertado a 22 de novembro de
1970.
Há precisamente 54 anos fazia o seu último registo
fotográfico antes de ser feito prisioneiro em Bissassema na madrugada de 3 de
fevereiro de 1968, pelo PAIGC na Guiné.
Uma recordação que guardarei com saudade...
Bem-hajas António Júlio Rosa, estejas onde estiveres!
O livro e a sua última foto antes de ser feito
prisioneiro...
João Manuel Pais Trabulo – Coronel."
Mais um aniversário, desta vez o Domingos Monteiro. Parabéns amigo que contes muitos mais com saúde junto dos teus.
Desde sempre – 615254
Hoje - 525
Ontem - 582
Este mês - 3205
Mês Anterior - 8394
Histórias de uma guerra…
O LIVRO DO CATIVEIRO DE UM AMIGO
Finalmente, consegui adquirir o livro que o amigo António
Júlio Rosa escreveu sobre o seu cativeiro que teve inicio na noite de 2/3 de
Fevereiro de 1968, em que foi feito prisioneiro pelo PAIGC, em Bissassema,
GUINÉ.
Era esse o meu desejo e após 50 anos, nos finais de 2018,
consegui falar com ele. Perguntei-lhe como conseguiria adquirir o livro que
escreveu. Deu-me várias pistas, que não tiveram êxito, pois estava esgotado.
Estivemos a trocar impressões durante largo tempo pois muito havia para
conversar. Combinámos encontrar-nos quando eu fosse a Lisboa ou ele viesse à
sua terra, à Abrunhosa, Mangualde e que tinha cá uma foto para lhe dar, a
última antes de ser feito prisioneiro.
Pelas circunstâncias da vida, já não se concretizou. Falou-me muito da sua
vida, principalmente do seu cativeiro e, em especial da doença que,
infelizmente, o afetava. Sofria de problemas respiratórios e, inclusivamente, a
sua respiração já era ajudada por meios auxiliares. Disse-me que já não andaria
por cá por muito tempo. Procurei animá-lo, mas ele tinha a perceção do que o
esperava.
Era Alferes Miliciano da CArt 1743 e faleceu no dia 5 de
Abril de 2019.
Agora que adquiri o seu livro, tenho uma recordação deste
amigo para o recordar com SAUDADE...
10 de Janeiro de 2022.
JT