Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Votos de Feliz Natal do nosso Coronel Ventura Vaz.


O nosso Coronel Ventura Vaz, que não mexe nas novas tecnologias, envia um grande abraço a todo o pessoal de Tite, com votos de Natal Feliz e Bom Ano 2020.

Votos de Feliz Natal do Mestre e Vilão


Os nosso amigos Mestre do Monte Fialho e Vilão de Coimbra, enviam um grande abraço com votos de Feliz Natal e Bom Ano de 2020, a todos os companheiros e amigos do BART 1914 e restantes Unidades.

O NATAL HOJE...

O NATAL HOJE………..
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Uma noite igual a tantas outras
Diferente da noite de ONTEM
As pessoas
A ausência
Os sentimentos que não somos capazes de transmitir
Os filhos
As desilusões, os desencontros
A impaciência e a desconfiança
A traição, a angústia a dor e o medo.
O medo da doença
O emprego e a falta dele
O medo do dia de amanhã
Os media e as notícias
A corrupção e a vergonhosa existência de gente podre de rica
Ninguém sabe como
Alguns sabem
Também eles miseráveis.
Desgraçados!
E desgraçados deixaram tanta gente boa
 Podres de ricos
Os bancos e os Administradores de mau carácter
Os empréstimos e o receio do despejo
A inveja, a competição a incompetência
A partidarite, os tachos e os boys
A bufaria e a bajulação
Ontem, também os  havia
Notavam-se menos.
Havia vergonha em ser notado.
Hoje são uns desavergonhados
Os da partidarite e seus lacaios
Hoje é angustiante ter de viver com  tantos “sem-vergonha”
A violência, o crime e os assassinos organizados e desorganizados
Os constantes flagelos naturais
As secas, as cheias e a poluição ambiental
Os tsunamis
O computador, a internet o facebook e tantos outros
O consumismo desenfreado
O pinheiro de plástico. Que já não é só verde.
Também é vermelho, branco……..
As lâmpadas led
Nada se faz, nada se cria, tudo se compra
Neste Natal  faz-se de conta. Nada de mal existe
Não há crise
As pessoas são todas inteligentes e honestas
Faz-se de conta
Vive-se stressado numa correria constante
Faz-se de conta
Correm. Atropelam-se
É a “magia” do comprar e dar presentes
Decididamente um absurdo
Como tudo é diferente!
Mas……………..
Ainda conseguimos, felizmente
Pôr na mesa os valores éticos, morais e sentimentais de ontem.
O conceito de família prevalece. Por enquanto.
O ontem e o hoje leva-me a concluir que o homem errou em muitas das experiências que foi fazendo ao longo dos tempos.
Brincou demasiado com a humanidade.
António Cavaleiro
(dezº2010)

domingo, 22 de dezembro de 2019

O Natal não é um história de faz-de-conta...


O Natal não é uma história de faz-de-conta


Quando uma família vive a generosidade que é própria do amor cristão, o Natal não é uma história faz-de-conta, nem uma mera evocação, mas algo encantador que acontece. Santo Natal!
Quando o João passou pela esquadra do bairro, o subchefe, baixote e barrigudo, como a função exige, apresentou-lhe o Manuel, um rapaz de cinco anos.
A sua história era breve, como breves são sempre as desgraças. Órfão de mãe, vivia com o pai, conhecido traficante de drogas que, apanhado em flagrante delito, recolhera, por ordem do juiz, ao calabouço, deixando só aquele único filho, que também não tinha parentes próximos que o pudessem acolher.
Era já a antevéspera do Natal e, como depois se metia o fim de semana, o subchefe não tinha tempo para, antes das festas, pedir à segurança social que providenciasse o destino do menor.
João, pai de numerosa e barulhenta prole, teve então uma feliz ideia:
– Pois olhe, subchefe, se quiser, eu levo o miúdo para casa, porque, onde estão dez, também cabem onze e depois logo se vê para onde vai o rapaz. Assim, pelo menos passa estes dias em família, enquanto se arranja melhor solução.
Ao agente da autoridade a ocorrência pareceu óptima, sobretudo porque assim ficava aliviado daquele imbróglio. Por outro lado, sendo o João um bom médico e excelente pai, o Manuel não poderia ficar em melhores mãos.
Dito e feito. Era já hora de jantar e o João ligou pelo telemóvel para a sua mulher, para a advertir da demora e do novo comensal. Mal chegou a casa, apresentou o Manuel à Luísa e aos filhos:
– Este é o Manuel e vai ficar connosco uns dias. É como se fosse um presente de Natal para toda a família! Como só tem um ano a menos que o Miguel, o mais novo cá de casa, fica no seu quarto.
O benjamim ficou radiante com a responsabilidade de acolher o Manuel e fez questão de que se sentasse ao seu lado, na ampla mesa da casa de jantar. Para o Manuel toda aquela algazarra era algo insólito, pois nem sequer os nomes deles conhecia. Mas, como todos o tratavam com tanta naturalidade, parecia que se conheciam desde sempre.
Foi preciso improvisar uma cama, o que se conseguiu armando um divã que estava no sótão, e arranjar um pijama e uma escova de dentes para o Manuel, que não trazia nada com ele. Para vestir no dia seguinte, a Luísa foi buscar algumas roupas antigas do Miguel, que já não lhe serviam e que tinha guardado para dar na paróquia.


Os dias foram passando e Miguel continuava a ser o seu mais próximo amigo, com quem partilhava o quarto, a roupa e os brinquedos. A integração do Manuel era tão perfeita que era difícil distingui-lo dos filhos: todos conviviam em absoluta igualdade.
A bem dizer, era mais do que perfeita, ou perfeita demais, porque parecia quase irreversível, tal o apego de parte a parte. Por isso, João aproveitou uma saída da Luísa com o Manuel, para se reunir com os filhos, a quem explicou a situação. Depois de recordar que o levara para casa porque o pai dele fora detido e depois se evadira, advertiu que era provável que o Manuel tivesse de ir para alguma instituição, ou fosse entregue a algum seu familiar. Terminada a exposição, só o Miguel fez uma observação, com uma não contida raiva:
– O pai – disse – é pior do que o pai dele!  
Dito isto, saiu porta fora, com cara de poucos amigos. Os outros filhos sorriram com aquela atitude do mais novo, que tinha tido a coragem de dizer, em alto e bom som, o que todos, de algum modo, intuíam. Ninguém se lembrou de que já eram muitos, que o espaço era escasso e remediada a economia familiar. O Manuel era da família, ponto final parágrafo.
Esta história verídica, com já mais de dez anos, aqui transcrita com nomes e circunstâncias fictícias, teve um final feliz: o Manuel foi adoptado por aqueles pais, que já o tinham como seu, e pelos filhos deles, que já eram, de facto, seus irmãos.
Quando uma família vive a generosidade que é própria do amor cristão, o Natal não é uma história faz-de-conta, nem uma mera evocação, mas algo encantador que acontece.
Santo Natal!

P. Gonçalo Portocarrero de Almada
Sacerdote católico
 (dez2014 - enviado por Nuno Martins)

O Natal e o Avião que dava cambalhotas


O NATAL E O AVIÃO QUE DAVA CAMBALHOTAS

 ...Bom dia Georgina… disse sorridente a Ti Rosa, no momento que empurrava a porta de entrada da minha casa.
…Bom dia…respondeu-lhe
…Que frio que está hoje e, tu pela manhã, já a limpares e, a arrumares o tampo da comoda…

A comoda que, em casa existia, ficava situada no lado esquerdo da entrada. Quando pequeno, a altura do móvel dava pelo meu peito. No comprimento, tinha 3 gavetas sobrepostas. Ocupava todo o espaço da parede até ao quarto.
No tampo, estava colocada uma toalha de renda, alguns biblôs, uma jarra, sempre composta com as flores do quintal e, algumas imagens de santos. O candeeiro de vidro, a petróleo, estava ali mesmo à mão, uma ou outra fotografia, por lá, também se via.

…Não filha…ripostou minha mãe
…Estou a tirar tudo do tampo da cómoda para construir o presépio…
…O Raul foi à mata, buscar musgo, não deve tardar…

Apanhar e carregar o musgo, todos os anos, para o presépio, era da minha responsabilidade.
De balde de zinco na mão, uma faca, alguns velhos papéis dos jornais para separar as camadas do musgo que, viria a ser arrancado da terra, lá ia eu a caminho da mata de São Domingos de Benfica, ou da serra de Monsanto.
O balde já por si era pesado, carregado com o musgo, pior um pouco. Era um recado/trabalho que fazia com muito gosto.
O presépio, lá em casa, era muito bonito! Todo ele era feito de bonecos de barro, excepto a cabana que era de palha.
Na cabana de palha estava o menino deitado nas palhinhas da manjedoura, acompanhado das imagens exigentes da tradição.
Tinha na sua frente, ao longo do tampo da comoda, espalhados no musgo, todo um aparato de pequenos bonecos. Uns representando a vida numa aldeia. Outros, a vida do pastor no monte, com o cão e, as ovelhinhas a pastar.
Não faltava uma pequena cascata, feita da folha de prata, a imitar a água a correr para um lago, não mais que, um pequeno espelho, contendo um ou dois minúsculos patos.

…Anda cá oh Rosa…disse-lhe a D. Georgina, minha mãe.

…Quero-te mostrar o brinquedo que vou pôr no sapatinho do Raul…
…Comprei-o na papelaria do Chico…
O Sr. Chico tinha uma papelaria na Cruz da Pedra. Vendia também brinquedos.
Estava situada um pouco à frente da Pastelaria (A Colmeia), na Estrada de Benfica, perto da loja de eletrodomésticos, onde o Bica, da minha rua, mais tarde veio a trabalhar para aprender a profissão de eletricista.
A loja do Sr. Chico, por esta época festiva, era das poucas lojas, em redor do velho Bairro das Furnas, que, tinha a montra mais recheada de brinquedos.
Era costume ver a pequenada, pasmada, encostada aos vidros da montra, a admirarem todo aquele aparato.
Eu já fizera há muito a minha escolha, “perdendo”, quando pela loja passava, largos minutos a vê-lo trabalhar.
Maravilhado, perguntei à minha mãe se o Pai Natal me podia dar?
Da resposta apenas obtive o silêncio.
…Oh Georgina foi caro? Pergunta-lhe a Ti Rosa. 
…O Sr. Chico deixa-me pagar por 3 vezes… retorquiu
…Eu, para a minha mais velha, vou comprar umas meias de vidro, destas agora, sem costura. Para os outros ainda não sei…avançou indecisa a Ti Rosa.
Naquela noite, 24 de Dezembro, do ano de 1953, o poial da chaminé da minha casa estava muito branquinho. Não passara uma semana que fôra caiado.
Tinha em cima dos azulejos uma pequena toalha de cor branca, 2 sacos de flanela de cor vermelha, um meu sapato cardado na sola, couro amarelo e ensebado, onde supostamente, o Pai Natal iria colocar os brinquedos por mim solicitados e, ainda, os pedidos pela minha sobrinha Madalena, então com 4 anos.
Bem fiz aturados esforços contra o sono, na espera da meia-noite, mas o “joão-pestana” foi bem mais forte.
De manhã cedo, ainda noite escura, corro para a chaminé para ver das minhas sortes!
Eu o pressentia!
Lá estava a minha paixão!
…O meu primeiro brinquedo de corda. O avião que dava cambalhotas e que, durante alguns dias, o via deslizar nas improvisadas pistas na montra da loja do Sr. Chico…
Não posso descrever o sentimento dos meus pais ao assistirem à minha alegria, mas recordo de
como era bonito ver contentes, com os novos brinquedos, nesse dia de Natal, os miúdos/as da minha rua.
Que vaidoso estava, por brincar com os demais, vendo o meu avião de corda “voar” e a dar cambalhotas na “pista” da velha Rua dos Plátanos.
Foi assim o dia de Natal, naquele ano.
Hoje, nesta quadra natalícia, quero os dias a correrem depressa. Quero ver retratado, nos lindos rostos, das filhas e das/o netas/o, a alegria originada pelas prendas “oferecidas” pelo velho Pai Natal.
Dezembro de 2012
Nota:A imagem do avião, igual ao brinquedo que me foi oferecido neste Natal, foi copiada, com a divina vénia, do Blog Meus Brinquedos Antigos

Pica Sinos
FELIZ NATAL e
BOAS FESTAS
(dez2012)

sábado, 21 de dezembro de 2019

O Natal da minha infância... pelo Joaquim Caldeira!




"O Natal da minha infância 
Recordo que havia sempre muito frio, por vezes muita neve e, invariavelmente, gelo que se acumulava nos beirais das casas e nos caminhos e riachos. A igreja matriz era devidamente enfeitada para poder transmitir aos fiéis uma onda de misticismo condicente com a época. Passava-se isto na aldeia de Louriçal do Campo. Para quem não souber onde fica, eu ajudo. É na base da serra da Gardunha, na vertente sul. Durante cerca de uma semana que antecedia o dia de Natal, havia um grupo de rapazes mais velhos do que eu, juntamente com homens que se voluntariavam para arrancar o cepo da maior árvore que houvesse nas redondezes e carregá-lo para o adro da igreja a fim de, na véspera, se poder fazer o braseiro que arderia durante vários dias até se extinguir ou a chuva o apagar. Durante a fase em que ardia, era frequente ver rapazes, - raparigas não, - a atiçar o lume ou aquecer pés e mãos, enquanto se divertiam. Em casa, as mães já tinham feito as filhoses em quantidades muito grandes para poder satisfazer a gula dos mais novos, competindo para fazer a maior quantidade. Era tradição. Chegado o dia era a entrada solene na Igreja onde o padre muito bem paramentado aguardava os fiéis enquanto se ouviam cânticos próprios da época. Seguia-se o sermão onde se explicava a origem da tradição e o seu valor religioso. Ao lado via-se o presépio sempre muito bem construído e enfeitado. Ainda hoje dá gosto lembrar. No final era tradição beijar o pé do Menino. Filas para esse acto. Finda a cerimónia era caminhar para casa para um almoço diferente. Mas pouco, porque não se vivia com a fartura que há hoje. Após a refeição, os mais novos brincavam com os presentes, quando os havia. Nesse tempo, quem queria brinquedos tinha de fazê-los. Eu nunca chegava a entender como o Menino Jesus nascia em família tão pobre e em dia tão frio para salvar os homens e vinha a morrer três meses depois já com trinta e três anos. Era muito pouco tempo para tanto mistério. Por vergonha nunca pedi que mo explicassem. Talvez ainda hoje não entenda muito bem. Durante esta quadra, por não haver escola, tinha mais tempo para brincar com os meus irmãos e fazíamos grandes bonecos de neve que se mantinham por vários dias, até que a chuva ou o sol os derretesse. As árvores estavam lindas, cobertas de neve, e algumas partiam com o peso enquanto os ribeiros congelavam e o gelo se formava sob a terra dos caminhos fazendo um ruído próprio quando pisado. Tudo tão diferente do natal que comemorei no ano de 1968 em que, em Fulacunda, após uma ceia tão agradável quanto possível, nos foi servido o filme “O Homem das Pistolas de Ouro” e, cinco minutos após fomos servidos de um ataque que provocou um rasto de morte, feridos e destruição. O filme continuou a correr em sala vazia até que cortaram a energia e tudo parou. 
Mais tarde tentei recriar o Natal da minha meninice para o servir aos meus filhos. Já não era possível. Tudo tinha mudado. Hoje, resta a saudade. Tenham um bom NATAL. 
Joaquim Caldeira"
(dezº2010)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O Natal... ontem !


O NATAL ... ONTEM !

Fazia frio, às vezes chovia, era noite.
Horas perdidas no tempo, ao frio e à chuva.
Brinquedos de Natal.
Nariz esborrachado no vidro da montra.
Olhos de felicidade.
O combóiinho passava.
Carruagens atreladas umas às outras…..
Ora apareciam, ora desapareciam…..
Escondiam-se. Voltavam a aparecer.
Deslumbrante!
Aviões presos com fios. Parecia que voavam!

Bonecos, bonecas e palhaços.
As motas e os carrinhos em alumínio.
Vermelhos, pretos. Alguns brancos e amarelos.
O presépio com peças em movimento.
Era fascinante!
Em casa
Não havia computador nem televisão.
Nem aquecimento central.
Havia o rádio. Nalgumas casas.
O pinheirinho lá num canto. Em cima de uma mesa.
Pinheiro do monte.
Muito algodão, fios e figuras em papel prata coloridos.
Pendurados e adornando lá estavam
Os cigarrinhos, quatro motas, quatro violas,
Quatro relógios, quatro coelhinhos e
Um Pai Natal. Tudo em chocolate.
Intocáveis até aos Reis.
Na noite de Reis era desfeito o pinheirinho.
Era feita a repartição.
Espaço de tempo interminável. Aqueles chocolates……
Tocava neles. Que vontade de arrancar uma viola!
Não! Os rituais são para ser cumpridos.
Na base do pinheiro, simples figuras toscas
Sobre o musgo da encosta
Simbolizavam o nascimento.
O fumo e o cheiro abundavam
Era um fumo bom, agradável
Fumo e cheiro aquela noite
Cheiro e fumo de abundância.
O pinheirinho era feliz.
Nós éramos felizes.
À mesa
Uma noite igual a tantas outras
Diferente na azáfama e nas regras
A família estava mais presente
Era uma noite de sentimentos
Sentimentos de família
Sentimento de alegria de solidariedade e de partilha
As crianças eram o mundo
Era uma noite condescendente.
O bacalhau, as batatas, o nabo e a hortaliça ajudavam
Os bolos de bacalhau
O vinho igual ao de todos os dias
As rabanadas, os mexidos a aletria o leite creme o arroz doce.
Delicioso. Tudo era bom
Um cálice de”vinho fino”. Dava direito.
As nozes, os figos, as passas, os pinhões.
Às vezes, jogávamos as cartas
O rapa. Jogávamos aos pinhões
Com casca.
Vezes houve que fui  à missa do galo
A igreja era perto de casa
Era à meia noite. As doze badaladas.
O silêncio da noite era lindo
Ia  com a minha avó.
O fogão já não dava calor
Estava quase frio
Era bom que arrefecesse depressa
O sapato queria dormir em cima
À espera do Pai Natal.
Apagavam-se as luzes.
Cansados de alegria a cama chamava.
Felizes.
Foi a noite de Natal.
De manhã o espanto
O pai Natal passou por aqui!
O sapato irradiava a felicidade que não conseguíamos transmitir.
A curiosidade apoderava-se!
Não interessava o quê!
Fosse o que fosse era o selo do merecimento
O valor das coisas não se avaliavam pelo seu custo
Uns chocolates, umas nozes, uns pinhões. Às vezes uma camisola.
Às vezes uma nota que oferecíamos de imediato à mãe e ao pai
Portei-me bem durante o ano
Era a recompensa de uma ilusão
Ficávamos muito gratos ao Pai Natal!
Não se podia exigir mais
Eram muitas as crianças que se portavam bem
Quase todas.
O Pai Natal era pobre
Nós também.
Ricos de alegria e felicidade
Compreensivos e agradecidos
António Cavaleiro
(dezº de 2010)

Natal, é quando um homem quiser! - José Justo


Natal
Desde sempre, tive a feliz dita de uns Natais que sempre recordarei.
Fui abençoado por tudo o que em criança e mais tarde como adulto, ansiei nesta quadra.
A árvore de Natal enfeitada com lindos adornos de purpurinas multi coloridas feitas por meu pai., com pinhas e bogalhos.
O presépio completíssimo, de menino Jesus abençoado pelo padre Carvalho a pedido de minha avó, rodeado por musgo verdadeiro, que minha mãe comprava no Mercado da Ribeira (o tal da novela Laços de Sangue).
No dia 24 antes de deitar, eu e meu irmão ir-mos muito respeitosamente por os sapatinhos na chaminé enfeitada com papel prata, para o Menino Jesus colocar no dia seguinte os seus presentes, sempre com a nossa promessa, ajoelhados, qual altar, de nos portar-mos melhor, comer tudo e não atentar a avó São, no novo ano esperado.
Já na minha própria casa, fiz por manter tudo como na meninice, e há mais de trinta anos, a família reúne-se e vive a época da melhor maneira.
À grande obreira Alda, que se “esfalfa” em trabalhos e pormenores para que todos os muito convivas, sintam a alegria da quadra.
O meu apreço e admiração, pelo seu génio decorativo, culinário e logístico.
Na mesa as cadeiras tem vindo a reduzir-se. Pela ordem natural da vida os que partiram, são já mais do que os que nasceram, mas a vida continua, e todos são lembrados.
“Só se morre quando já não se é recordada”
Não sei nem posso realçar um único dos meus Natais, por de todos ter muito gratas recordações.
Substituindo-me, e de forma superior, deixo-vos um dos mais belos poemas de um homem que enriqueceu como muito poucos, a nossa língua com magistrais palavras, Ary dos Santos :
-
Natal, é Quando um Homem quiser
Tu que dormes à noite na calçada do relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nama vida a amanhecer
que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
 Ary dos Santos
-
José Justo

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

O Abreu faz hoje anos.



Desta vez é o Abreu a fazer anos.

Muitos parabéns companheiro, que contes muitos mais com saúde.
Um grande abraço.
Leandro Guedes

Sombra rala, que me levanta! - Natal


A TODOS, que comigo conviveram no BART, e aos demais, camaradas ex-combatentes, suas famílias e amigas/os nossos:
--- --- ---
VOTOS SENTIDOS - de BOM NATAL em paz -, aos me lêem, seguem e fazem o favor de ser meus Amigos!
Beijinhos afectuosos às sempre Queridas Meninas.
Abraços, de fraternal amizade, do coração dados, a Todos.
Como modesta lembrança, ou prenda - se preferirem - aí vão umas linhas, em jeito de Soneto. Lêde-as e dizei de vossa justiça.
=====

SOMBRA RALA, QUE ME LEVANTA!

Tonto me sinto, zonzo, deveras combalido,
A voz fraca, tremida, distante, num sumiço.
Faço-me de forte, embora lasso, esmaecido
E , sim, quero dar-me apto, lúcido, decidido!

O coração urge, bate-se-me descompassado,
Em ritmo ora doído, ora cavalar, estonteante,
Nuns bruscos saltos inadvertidos de corrente
Às vezes furibunda, célere, a passo no restante.

A escrita sai-me baça, descolora-se-me turva
E passeia-se, andarilha sem dó, na penumbra
Que me escapa, íris azul-amarela densa e curva.

Que direi de mim, que me perturba e espanta?
Sinto-o, francamente sim, como negra sombra.
Curioso, directa, rala, não consome, até levanta!

LMD, 17.12.19.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Feliz Natal para o Povo de Tite, Guiné/Bissau.


Feliz Natal para o Povo de Tite, Guiné/Bissau



Para todos, sem excepção, naturais, residentes, velhos e novos, homens grandes, mulheres grandes e demais Gentes de Tite, de todas as Raças e Côres, o nosso voto de Feliz Natal.
Convosco passámos dois Natais (1967 e 1968), e não os esquecemos…, não só porque estivemos longe das nossas famílias, mas também porque à vossa maneira, independentemente das vossas etnias, nos acolheram a todos, compreenderam as nossas “Festas”…, as nossas “Boas Festas” e connosco confraternizaram naquela época em que a distância e as circunstâncias da guerra faziam com que sentíssemos, ainda mais, a ausência dos que nos eram queridos….
Queremos agora desejar a todos vós que este Natal seja um símbolo de amor e paz….!!!
Para vós, Gentes de Tite, votos sinceros de um Santo e Feliz Natal, repleto de harmonia e que o Novo Ano de 2012 vos traga paz, tranquilidade e progresso, que já é tempo de vos chegar às mãos.
O mesmo que para nós desejamos...
Leandro Guedes

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

"A Loa" , de Miguel Torga


"Loa

É nesta mesma lareira,
E aquecido ao mesmo lume,
Que confesso a minha inveja
De mortal
Sem remissão
Por esse dom natural,
Ou divina condição,
De renascer cada ano,
Nu, inocente e humano
Como a fé te imaginou,
Menino Jesus igual
Ao do Natal
Que passou.

S. Martinho da Anta, 24 de Dezembro de 1969.
Miguel Torga"
-
Enviado por Mário Beja Santos, a quem agradecemos e a quem enviamos os nossos votos de Feliz Natal.
Leandro Guedes.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Boas Festas, do Santos Oliveira



Obrigado amigo pelos teus votos. 
Que tenhas muita saúde e alegria nesta Quadra Festiva.
Um abraço.
Leandro Guedes.



Boas Festas, do José Justo.


Retribuímos os teus votos, amigo.
Que tenhas muita saúde companheiro
Que passes um Belo Natal em Familia.
Abraço.
Leandro Guedes.

Recordando, pelo Pica Sinos...


QUANDO O COMPORTAMENTO DE UM SIMPLES GATO
NOS FAZ LEMBRAR HISTÓRIAS TRISTES

“TINHAS RAZÃO, COM O EXCESSO DE ROUPA QUE ME FORÇASTE LEVAR”
A TROCA VALEU-ME MUITAS VEZES PARA MATAR A FOME

O felino que mora comigo na aldeia do Pombalinho, é um gato oriundo da rua onde está sitiada a morada da casa. Este “meu” gato tem todos os recursos para satisfação das suas necessidades. Não tem a porta fechada. Tem ração própria q.b., Não tem obstáculos ao seu misticismo normal da sua condição de felino. Adora passear e de trepar (sem estorvo) às árvores do quintal. Gosta de caçar rolas e ratos. Tem o veterinário à disposição. Mas também tem momentos bem desagradáveis, não poucas vezes irritantes, de fazer “saltar os cabelos”, principalmente quando transporta para casa o espólio com vistas a oferta-lo ao seu tutor.

Interessante é vê-lo quando caça passarinhos. Inteligentemente escondido entre as flores que encobrem a rede do galinheiro, espera que as pequenas aves se “esbanjem” no alimento dos galináceos. No regresso, pelos buracos da rede, as aves, algo pachorrentas por via do papo cheio, é chegado o momento para o ataque do felino. Com sucesso, nada delicado, come-os deixando a ração que lhe é destinada para quem quer que a queira.

Esta atitude do gato faz-me lembrar a “cinco mil quilómetros de distância no tempo”, um comportamento que visava contemplar um pouco a barriga por via das más refeições a que estávamos sujeitos:
Bem gostaríamos de poder caçar os pombos verdes e as rolas em segurança, mas o perigo da guerra e as armas distribuídas não eram o modelo para as poder caçar.
Os lagartos e as aves de grande porte estavam fora de questão.
Gostaríamos de ter as três refeições de “ração” que nos pudesse satisfazer em pleno as nossas necessidades e, talvez partilha-la por outros que dela muito precisavam. Mas enfim
Quando regressei dessa viagem confessei à mãe dizendo “ tinhas razão, com o excesso de roupa que me forçaste levar” valeu-me muitas vezes para matar a fome em trocas feitas, com os nativos, por animais de capoeira. Pois, logo que esgotada, a degradação da comida que nos era distribuída, originou por vezes ser um dos protagonistas que espalhava, propositadamente, junto da vedação de arame farpado, que separava o quartel da tabanca, algumas migalhas de pão, para que um ou outro galináceo (nheco) mais distraído a ultrapassasse, para que o “estomago conquistasse” um petisco com vistas a aconchegar a barriga.
Nota: Sempre que conseguia detetar o dono dos nhecos, saldava as contas no final de cada mês.
Raul Pica Sinos
Dezembro 2019


sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Parabéns ao Pica Sinos

O nosso companheiro e amigo Raul Pica Sinos, passa hoje mais um aniversário.
Para ti amigo o nosso abraço de parabéns, com votos de boa saúde, junto dos teus.
Leandro Guedes.



terça-feira, 3 de dezembro de 2019

BART 1914 - CINQUENTA ANOS DEPOIS...


BART 1914 – 50 ANOS DEPOIS…
Caros amigos:
“Para comemorar os 50 anos do nosso regresso da Guiné, surgiu a ideia de apresentar uma resenha do que ali aconteceu ao longo da nossa estadia em Tite, entre Abril de 1967 e Março de 1969.
Trata-se tão só de descrever de maneira sucinta e, para acervo futuro, enumerar factos que inevitavelmente se vêm desvanecendo desde então.”  (cap. Paraíso Pinto).
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Assim sendo e depois do trabalho feito, restava-nos duas hipóteses: uma era  fazer um pequeno livro com 31 páginas, com uma encadernação simples mas digna, o que custa 5,60, (mais portes de correio); ou então enviá-lo por email para todos, e quem quiser guarda no seu computador ou então manda fazer o livro.
Posto isto vamos enviar por email o referido documento em formato PDF, a todos os camaradas da CCS, Pelotão de Morteiros e Pelotão Daimler,  que nos facilitaram o endereço do seu email.. Aqueles que não receberam por não terem dado o seu email, peço o favor de o fazerem para ser enviado.
Saudações guerreiras.
Leandro Guedes.



sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Parabéns Carlos Ramos

Parabéns companheiro. 
Estás mais velho mas não parece...
Um grande abraço de parabéns, com votos de boa saúde.
Leandro Guedes.
 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Parabéns Carlos Reguila

 Parabens amigo por mais um aniversário
Que constes muitos com saúde, junto dos teus.
Grande abraço neste dia.
Leandro Guedes

Do Correia dos Santos para o pessoal das Transmissões


sábado, 9 de novembro de 2019

Parabéns Jorge Claro

Muitos parabéns ao amigo Jorge Claro.
Que tenhas muita saúde e bem estar junto dos teus.
Um grande abraço.
Leandro Guedes.




sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Parabens Zé Manel (Alcantara)

Muitos Parabens amigo Zé Manel por mais um aniversário, que contes muitos com saúde.
Grande abraço.
Leandro Guedes.




terça-feira, 5 de novembro de 2019

Cozido à Portuguesa - dia 28 de Novembro.


O nosso capitão Paraiso Pinto já se encontra melhor e começa a estar preparado para o COZIDO À PORTUGUESA. Sugere o próximo dia 28 de Novembro para este almoço de confraternização, na Aldeia de Serreira, no Café Central, perto do Sobral de Monte Agraço. 
Quem estiver interessado agradeço que manifestem a sua vontade aqui no blog, ou no Facebook, ou ainda por email ou telemovel.
Aguardamos noticias.
Um abraço.
Leandro Guedes.



sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Nova Sintra - foto do ex-alf. Domingues


Esta foto tirada em Nova Sintra, a sul de Tite,  foi partilhada do Facebook do ex-alf. Domingues.
Leandro Guedes.

sábado, 26 de outubro de 2019

Três memórias de Tite



Esta foto foi ontem publicada pelo Senhor Coronel Trabulo no facebook. 
É uma foto interessante porque 
  • se vê logo no incio do lado direito, parte da capelinha de Tite;
  •  ao fundo da rua vê-se a pequena mesquita islâmica de Tite e;
  •  foi nesta mesma rua, perto desta mesquita que faleceu o soldado Victor, quando caiu duma daimler em andamento, numa noite de ataque do IN. 
  • Lembram-se disto? Obrigado Senhor Coronel.

Leandro Guedes.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

O nosso capitão Paraiso Pinto foi operado



O nosso capitão Paraiso Pinto foi ontem operado à visicula.
A operação correu bem e espera amanhã ir para casa.
Manda um abraço a todos os companheiros.

LG.

domingo, 20 de outubro de 2019

Fotos de Tite


Alf. Antunes e Cap Paraiso Pinto a bordo duma Daimler

Cap Paraiso Pinto e soldado da CMIL 7, salvo erro a caminho de Bissassema.
(fotos envias pelo nosso capitão Paraiso Pinto)

Fotos na Parada do Quartel

Formatura

Cruzeiro existente na Parada do Quartel
(fotos enviadas pelo nosso capitão Paraiso Pinto)

Fotos do desfile antes do embarque em 8 de Abril de 1967.


Cais da Rocha do Conde de Óbidos
(fotos enviadas pelo nosso cap Paraiso Pinto)

Quartel e Tabanca de Tite, em 1967


Foto enviada pelo nosso capitão Paraiso Pinto



sábado, 12 de outubro de 2019

Página poética


POESIA, hoje!
Sim, por antecipação forçada, mas com o gosto enorme de a alguém proporcionar momentos se libertação - dos que-fazeres diários, da rotina entediante!
Com as habituais saudações, abraços e beijinhos.
Lêde-me!!!
Assim o espero de Vós, Queridas/os Amigas/os:
---
Frente à Mãe-Natura, Mar, Lua
Neste fim de dia, soalheiro e brando,
Olho para ti, Mar fundo em quebranto,
E digo-te – Cala-te, por minutos, se tanto!
A Lua mostra-se já: num transparente branco…
Que inda é dia!
E o frenesim, de se ver-sentir iluminada,
Não lhe dá para tanto!
Há distantes, milhões de seres
Cósmicos,
Estrelas, constelações…
Uma miríada sem fim de cintilos,
De estremecimentos e descuidados suspiros!
Ah! Se pudésseis – astros divos -
Apreciar quanto me vai dentro,
Num coração que jorra sangue
E quiçá lamento
E numa como ebulição constante
Da mente,
Quanto criais, tudo, do Universo belo,
No firmamento
Se transmudaria em suave, terna melodia
E a todos os terráqueos, cada dia,
Lhe daríeis o quanto baste,
Uma alegria!
Instável louco, adivinho e mentalista,
Infrene corro, tal cavaleiro em pista,
Num corcel impante, se aprendiz de alquimista.
Ou andante, em frente e à vista,
Profeta, jogral, bardo, músico artista!
Quanto anseio ter, nas minhas aladas
E inquietas incursões, as mãos postas
Adoradoras,
À selenítica figura densa, especiosa, linda Senhora Lua, deusa minha,
Porfiadas!

Céus de flores às frontes nimbam
Das puras esbeltas ninfas,
Que entrevejo em pasmos, em anelos
De paisagens surreais,
Em terrenos célicos, etéreos,
Onde lanugentos seres dóceis,
Em pascigos amplos, verde-densos
Deambulam pachorrentos, plácidos e lentos,
Tão belos!
Um pouco mais me deixo, fremente,
Nestes peripatéticos, oníricos momentos…
É tempo de voltar!
Há, lá em baixo, trabalho emergente!
Ó minha alma evaporada,
Ó mente ensimesmada,
Posto que lúcida e assoberbada
De que-fazeres:
– Vinde ambas, comigo, em frente!
LMD, 10.10.19

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

GRUTAS DAS LAPAS


"AS MISTERIOSAS GRUTAS DE LAPAS
As grutas de Lapas tornaram-se um sítio misterioso com o qual se fizeram muitas lendas que deliciaram o povo.
Tem cartazes expostos, com uma intervenção do compositor e músico Zeca Afonso, a 28 de dezembro de 1968, com a presença de cerca de sete dezenas de espectadores em nítido desafio ao regime ditatorial.
Neste princípio de outono surgiu a oportunidade de visitar as misteriosas grutas de Lapas.
As grutas ficam situadas na pequena aldeia de Lapas. No concelho de Torres Novas. A pequena estrada que lhe dá acesso estende-se por uma elevação aonde as mesmas estão situadas. O ar é mais fresco, se bem que o sol ainda esteja alto. Mas a temperatura estava agradável.
Cheios de curiosidade chegamos ao local por volta das 10,30 horas. Ao nosso encontro, sorridente,   dirige-se a responsável e simpática guia, que nos dá as boas vindas. Nesta manhã de outubro, somos os únicos visitantes e, em pequeno passo no percorrer das galerias, com um ou outro morcego asobrevoar, informa-nos:

As grutas das Lapas são uma rede de galerias artificiais. O aglomerado está implantado numa elevação correspondente a um terraço fluvial do rio Almonda. A sua origem, de idade quaternária, permanece envolta em mistério. Uma das explicações é que tenham sido uma pedreira subterrânea de tufo, acreditando-se que foram os romanos os primeiros a explorarem-nas para extração de tufo calcário.
Acrescentando:
São várias as teorias formuladas, desde uma utilização primitiva como abrigo, associada a cavidades naturais preexistentes, ao refúgio de cristãos primitivos ou à já referida, exploração de blocos de tufo na época romana, havendo ainda várias referências aos mouros no imaginário local.
Os historiógrafos não chegam a consenso acerca de quem e para que fim foram exploradas estas grutas; uns atribuem aos cristãos que as escavaram para se esconder dos romanos, enquanto outros consideram que foram construídas pelos mouros. O que se sabe realmente é que foi das grutas que se extraiu o tufo com que se edificaram as casas da povoação e o próprio castelo de Torres Novas. As grutas tornaram-se um sítio misterioso com o qual se fizeram muitas lendas que deliciaram o povo mas que hoje, estão a cair no esquecimento da própria população.
Ao certo, sabe-se que a própria aldeia, com a designação de Lapas, já existia em 1212, data do compromisso da sua confraria; que, dos trabalhos arqueológicos efetuados, os vestígios mais antigos datam do século XV e, há fontes que referem as galerias já abandonadas em meados do século XVIII.
A simpática guia, após a sua exposição histórica, convida-nos a ver os cartazes expostos nas paredes de tufo, com destaque para a intervenção musical do Zeca Afonso, a 28 de dezembro de 1968, contrariando a política do regime ditatorial, na presença de cerca de sete dezenas de espectadores.
Assim como fotografias de alguns episódios de recentes telenovelas e filmes ali produzidos.
Decerto que voltaremos ao concelho! Desta feita para visitar as ruinas romanas da Vila Cardílio,

NOTAS:
Texto da responsabilidade de Raul Pica Sinos, apoiado em textos de turismo editados pelo município de Torres Novas."

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Tarouca/Lamego - Monumento de Homenagem

MONUMENTO DE HOMENAGEM AOS HERÓIS EX-COMBATENTES DA GUERRA DO ULTRAMAR.
Em Tarouca, Lamego, terra do Contige.


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Formigas voadoras (africanas)

"Apenas para recordar.
No primeiro dia de outubro do corrente ano. Eu e a Maria Emília, minha mulher, por ocasião do jantar, carne de vaca (pois claro) guisada, com batatas, cenoura e outros acompanhamentos. Surge inesperadamente no meu prato, um “ovni”, que bem observado, depois de “pescado” é identificado como uma mosca.
Reparei, a sorrir, no espanto da Maria Emília, quando, com o garfo a recolhi para o guardanapo.
Então, num passado já longinco era com o dedo, disse a gargalhar!
Com o dedo? Observou incrédula.
Sinto-me na obrigação de explicar referindo as cenas com que estávamos sujeitos com as formigas de asa em Tite.
Atenta pela explicação, sorriu, ao conhecer da “ginástica” que fazíamos com uma espécie de himenópteros, no refeitório em Tite, por ocasião das refeições, no período das chuvas.
Quem não se lembra das fogueiras que se faziam nos arruamentos laterais ao refeitório, para atrair e queimar, os milhares das formigas de asas, que de súbito surgiam em redor do amplo refeitório aberto por todos os lados.
Quem não se lembra, do barulho do esvoaçar e do cheiro a “carne” queimada que pelo ambiente ficava.
Quem não se lembra, do zé soldado, a abanar os pratos de zinco, já
amolgados pelo tempo do uso, para que estes “objectos voadores”, (pelo menos do tamanho de três moscas), não caíssem no “menu” que nos era servido.
Qual nojo. Ali não funcionava o garfo. Pois não haviam. Ter colher já não era mau.
Quem não se lembra? Certamente só quem não o frequentava.
Tenham um bom dia e cuidado com as moscas.
Raul Pica Sinos"