Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Os Natais - pelo José Justo!




O nosso amigo Guedes fez-me uma encomenda, tipo faca ao peito!!...
Falar de Natais em Tite...
Francamente, com alguns pormenores não me lembro de nenhum Natal a destacar, mas de uma grande ceia de fim de ano de 1967, primeiro ano do nosso Batalhão em Tite, já sobejamente relatado e  para mim e companheiro de apartment, Pica Sinos, de triste memória!!!...

Aqui vai um resumo:

Como sempre no pouco que escrevia para casa (o que me dói hoje pensar nisso) sempre tive o cuidado de compor o ramalhete sem pormenores de guerra nem lamentos, o que a juntar á desinformação e habitual escondidinho impostos pelo regime, tranquilizaria os pais, mau grado as saudades e o afastamento.

Fotos sempre limpinhas e felizes, relatos sobre caçadas, jogos de futebol (em que eu inábil nesse mister e devido a ter dois pés esquerdos, nunca participei) e principalmente relatos dos muitos petiscos que fazia-mos, o que até era pura verdade.

Numa das cartas da costumada pedincha que habitualmente antecedia as saudades e os beijinhos, pedia entre outros, um daqueles medidores plásticos de líquidos, porque já não lembro porquê, fazia-nos falta para as petiscadas.

Creio que foi no Natal de 67, o Palma arrancou com a ideia de se fazer uma festa com o maior número possível de pessoal, o Cavaleiro encarregou-se do MENU, que ficou super giro e combinou-se que cada um dos convivas arranjaria os comes & bebes  que entendesse para compor a mesa, sendo o lema; tudo para todos.

Foi mesmo um sucesso (tenho umas fotos que vou ver se descubro).

Comeu-se e bebeu-se em substância, e as vitualhas apareceram em quantidade e variedade. Vinhos e cervejas e creio que até houve um grupo que fez uma grande sangria num tacho de ferro.

Nesse tempo, e antes da tropa, como Lisboeta de gema BA, já tinha o vício dos petiscos e como, pouco a pouco, lá fui chegando a casa cada vez mais tarde (durante anos apanhava sempre na Estação do Rossio o último comboio, o das 2,25 h, o que adorava, pois apanhava todo o pessoal dos teatros do Parque Mayer, no regresso a casa, depois da segunda sessão, com as lindas coristas e principalmente com o MAX, que era um espanto de humor e boa disposição.  Eu e o grupo bilharista do Café Nacional, tinha-mos conta aberta, a pagar no fim do mês, nalguns tascos conhecidos e eram jantaradas de horas. O dono era galego, e a oração era sempre a mesma “si num pagas una vez, te corro com lo porro (pau)”.

Lembro-me do Bife do Luanda, do Relento de Algés e da Trindade, embora este último já fosse puxado para os nossos bolsos.

Dessa ceia de  Natal em Tite, ainda hoje tenho no palato o sabor dos enchidos da província que a maioria dos camaradas tinha pedido para casa. Não se via muito por Lisboa material daquele...chourições, linguiças, alheiras, torresmos e sei lá que mais, em que até a gordura era divinal.

Claro que queimei bem, pois o motor estava a aquecer com tanto petisco de eleição...

Abreviando:
O tal copão plástico que tinha pedido para casa, estava-me a servir de copo, e recordo que me deu um travadinha que comecei a deitar-lhe um pouco de cada bebida da mesa??!!...e ato contínuo...em duas ou três goladas...ficou vazio??!!....

A ceia, fez bastante sucesso no aquartelamento e alguns furriéis e oficiais, depois das suas ceias nas messes próprias, vieram até à nossa para continuar a petiscada.

Entre eles o Alferes Médico do Batalhão...que eu admirava imenso.

Virei-me para ele de copão em riste e disparo: - É pá és um médico porreiro, és de Lisboa??!!...e passados momentos, caio redondo no chão??!!...

Pobre do Pica Sinos e do médico que me aguentaram creio que dois dias, in extremis com coma alcoólico, resultado final da brincadeira do copão.

Gostava de ter tido durante todos estes anos a oportunidade de por feliz acaso reencontrar o nosso Médico.

Ao Pica, não há obrigados que cheguem...devo-te a vida companheiro!!

Outros Natais!!

Desde muito criança que os Natais eram vividos em nossa casa de uma maneira muito intensa.

Havia sempre o presépio com muitas figuras e o pinheiro de Natal enfeitado com pinhas, bogalhos e estrelinhas, abrilhantados com anelinas multicores, tudo feito pelo pai, que cada ano juntava um figura nova no presépio e um adereço novo o pinheiro (que recordação do cheirinho a resina pela casa fora), que com muitos cuidados era sempre feito às escondidas para nossa surpresa suprema na abertura do Natal.

O pai tinha umas mãos quase sobrenaturais...já muito miúdo eu ficava horas a apreciar e ajudar as suas múltiplas facetas. Móveis, obras em casa e até um enorme fogão a lenha de ferro maciço, que para o trazer do sótão para baixo foram precisos oito homens,  alargar a escada, e construir uma rampa.

Tenho em mãos uma pequena homenagem escrita de louvor a esse grande homem, que só mais tarde vim a compreender e a amar como ele merecia. A sua vida e sucesso profissional, sempre os admirei e pós Guiné foi por ele que me facultou o curso com que reiniciei a minha vida de trabalho.

Ponhamos os sapatinhos na chaminé e no dia 25 logo de manha lá ia-mos numa correria embasbacar com os brinquedos, doces (as célebres sombrinhas da Regina que nos sabiam pela vida) e algumas peças de roupa, a que eu e o meu irmão não ligava-mos nenhuma, pois os olhos iam só para o que interessava??!!

Pós Guiné, continuamos os rituais Natalícios, que intensificamos a partir de 23 DEZ 71 fatídico dia para uma dama, que me tem aturado deste então.

Se eu gostava do Natal e tudo o que ele engloba de lúdico, minha mulher superava tudo, e sempre fez questão que a ceia fosse na nossa casa.

Eram festas, com quase três centenas de familiares e amigos, em que ela se desdobrava numa trabalheira que a mim por vezes me levava a extremos de irritação, porque teimava em fazer praticamente tudo sozinha, mas caindo em mim refletia e lá dava uma mãozinha na loiça e muitos beijinhos.

Hoje, pela lei da vida, a família e amigos foi-se reduzindo, mas já poucos, continuamos a fazer tudo como se continuasse-mos muitos.

NATAL 1965


Dos Natais pré tropa, recordo um; o de 1965 meu último ano como cívil....

Nos anos 1960, entre muitos sítios típicos para petiscos, havia um que talvez fosse dos mais frequentados pela boémia Lisboeta: O Vinho Verde, Caramão da Ajuda ou Mata Verde.

Três alcunhas que designavam o mesmo restaurante com tasca anexa, situado no cimo da Serra de Monsanto. Hoje totalmente remodelado dá pelo nome de Mercado do Peixe, sendo como o nome indica o seu enorme interior uma réplica do mercado Ribeira, com banca de pedra, peixe fresco, que o cliente escolhe e manda cozinhar ao momento.

A convite gentil de meu administrador, almocei lá um robalo escalado, que me soube pela vida!!!.

O antigo restaurante era enorme, e a tasquinha embora relativamente pequena juntava muito pessoal, principalmente noite-a-dentro.

Foi a primeira vez que bebi vinho verde tinto, e não fiquei cliente!!...cá por baixo, no Sul, tirando o velho tinto, verde...só branco.

Como um velhote muito sábio, certa noite de copos na Casa do Caracol na Rua do Comércio, degustando umas supremas caracoletas assadas ao piri-piri, e em amena cavaqueira, me disse: - Amigo, vinho: só tinto, o branco é para vinagre e o verde é a cor da garrafa!!!...

Exatamente dois dias antes do Natal de 65, baseados à volta do bilhar grande de três tabelas do Nacional, a ver o vice-campeão de três tabelas, e quem explorava o salão de  bilhares, Jorge Pinto, a fazer as suas raras demonstrações ás três tabelas e fantasia, a categoria das carambolas a que assistia-mos abriram-nos o apetite e decidimos nessa noite não fazer o jantar, tantas vezes costumado mesmo ali juntinho ao pano verde (Galão escuro e Torrada)!!.

Onde vamos...onde não vamos...MATA VERDE, está decidido.

Rastreio ás massas disponíveis (sempre fraquitas) e a coisa estava preta...que fazer?. Pede-se emprestado ao António, empregado de mesa do Nacional que fazia serviço no salão de bilhar, e que era abastecido por um mini-elevador da cave à copa do Café no piso superior.

Este António era um porreirinho!!...baixote, mas muito mexidinho, muitas vezes lhe ficava-mos a dever o galão e a torrada...além disso, de quando em vez, lá nos abonava uns tustes. Nenhum de nós quatro lhe ficou a dever um centavo.

Ao nosso grupo “Poolista” (o nosso forte era a variante de snooker com bolas numeradas, designado Poole) decidimos chamar-lhe; Trio los Quatro.

Era-mos todos grandes amantes de Poole e trabalhadores-estudantes na Veiga Beirão.

Com o tempo acabamos por tirar o curso bilharista em prejuízo do curso Comercial na Veiga.

As presenças às aulas aconteciam na razão inversa das presenças no Café nacional (hoje Celeiro na rua 1º Dezembro ao Rossio).

Voltando um pouco atrás, lá conseguimos uns dinheiritos emprestados pelo António, que cálculos feitos, dariam para os táxis e petisqueira.

Dinheiro no bolso, ala com rumo ao Caramão da Ajuda, e eu no taxi já estava a pensar nas sandóchas de torresmos, moda da altura, que lá, eram sempre molinhas e super saborosas.

Torresmos, salada de polvo, pataniscas, saladinha de orelha de porco cheia de coentros e picante, peixinhos-da-horta (mais um petisco que adoro) e para não embuchar....tinto da pipa em caneca de barro a pedido.

Tudo isto foi consumido numas horas, e paga a conta chegamos á conclusão que já não havia dinheiro para o taxi de retorno à base.

Que fazer???...bem há que dar corda nos sapatos e rumar até Belém para apanhar o elétrico para a baixa, pois três de nós apanharíamos o costumado último comboio das 2,25 h.

As noites de Inverno de 65 foram especialmente frias em Lisboa e o pessoal vestia aquelas gabardinas curtinhas, pelos joelhos e luvas, moda da época.

A caminhada tornou-se numa galhofa. Ria-mos, cantava-mos, todos de gabardinas na mão!! não sei porquê!!, de repente todos ficamos acalorados!!

Devia-mos estar muito perto de Belém, quando o Tony, empregado do Nicola e um dos meus mais chegados amigões (tempos atrás tinha-nos dado na veneta fazer musculação, e conseguido o dinheiro para pagar um mês de treino para cada um, lá nos fomos inscrever no Ginásio Hércules, que ficava na Avª do Brasil.

Marcação feita do primeiro treino para o dia seguinte, o Tony teve a brilhante ideia de irmos em crosse até ao Ginásio??!!...”gandas malucos”...o percurso do Nacional até lá devem ser uns 10 kms talvez!!!...e não é que fizemos a gracinha durante uma semana??!!

Claro que acabaram os crosses, o Hércules passados tempos também se finou, e com alívio deixa-mos de beber as 7 garrafas de leite vigor diárias, recomendadas pelo treinador??!!

Portanto a caminho de Belém, o Tony manda-nos parar??!!...É pá está ali uma bicicleta!!...vamos dar umas voltas!.

Montou a bicicleta, pés nos pedais e...catrapuz...chão com ele para um lado e a bicicleta para outro. - Então não sabes andar?...- Sei mas não percebo, isto não anda??!! Todos de volta da máquina para analisar, e...tinha uma corrente com cadeado na roda traseira.

O Tony ainda estatelado no chão, foi perentório...essa m....na anda pelo chão, vai andar pelo ar!!!

E vai de meter a bicicleta ao ombro e recomeçando a caminhada para Belém. Estava-mos aparvalhados??...mas onde é que esta gajo quer ir com a bicicleta?

Voltou-se para nós, poisou a bicicleta e começou a calçar as luvas, enrolando a gabardina no quadro do velocípede.

...- Isto é pra não ficarem as impressões digitais.

Bem...aos malucos é melhor não contrariar!!, e lá fomos todos atrás do nosso António, sempre á espera de ver no que aquilo daria.

De repente ouvimos um grande alarido e gente a correr??!! - Agarra, agarra...ladrões, ladrões!!!

É pá, bicicleta no chão e toca a correr que nem desalmados, mas sempre sentindo gente aos berros na nossa peugada.

O Tony gritou, pirem-se cada para seu lado, encontramo-nos junto á estação de comboios de Belém. Dito e feito cada um fugiu para seu lado.

Eu quase tive uma coisinha má!!...o tinto especial de pipa era bom, mas precisava de muito sossego, e eu não lhe estava a dar nenhum...

Com várias paragens pelo caminho para ganhar folgo, sempre escondendo-me atrás de árvores para confirmar não ser perseguido, cheguei finalmente á estação de Belém e num cantinho fiquei esperando a chegada dos amigos.

Esperei bem perto de uma hora, olhei para o relógio...3,20 da manhã!!...bonito!!...comboio já foi, dinheiro para taxi não há.

Já estava disposto a meter-me ao caminho, a pé, até casa dos pais, coisa aí para uns 30 kms...

Andei uns bons metros, mas sempre roído a pensar nos companheiros. E se eles foram apanhados, senão todos, algum?...devem estar na esquadra de Belém!!!

Não estava bem comigo, pirar-me sem saber deles?...NÃ...

Inverti a marcha e comecei a rumar na direção da dita, já com a gabardina vestida e as luvas, porque os calores já se tinham dissipado.

Ainda a uns largos metros da esquadra, na zona frontal ajardinada, oiço um grande rebuliço e sou agarrado??!! - Apanhei-te meu sacana!...a bicicleta, onde é que está a bicicleta??

Apanhei um sustão dos grandes, aparece-me assim aquela prenda do nada, parecia um fantasma, a agarrar-me á bruta e chamar-me nomes...é pá, ia-me passando, mas o sujeito era do tipo armário... parecia uma torre, e eu claro, já com os copitos mais que destilados e a cabeça a funcionar, fiz-me de parvo.

Ele insistia, eu negava, ele perguntava o que é que estava ali a fazer aquelas horas...rebéubeu etc. não me largava.

De repente, saiu-me: - Largue-me já, que eu quero ir fazer queixa de si ali á esquadra.

Queres fazer queixa...então tá bem, vamos lá fazer queixa.

Vamos a entrar na esquadra e o guarda de serviço à porta, barra-nos a entrada, com aquela carinha típica de muitos policias dos anos 60 da nossa Lisboa (os Zé Broa, como o pessoal lhes chamava).

Abreviando:
Mandaram-me sentar num banco e esperar...esperei, esperei, e nada. Olho para o relógio 4,30 da manhã...estou feito!!!

Entretanto tinha acabado o tabaco (já nesse tempo fumava bastante) e dirigi-me ao guarda da porta, perguntando se por acaso não teria um cigarro, pois tinha acabado os meus. – Queres fumar, queres?...já vais levar pra tabaco, vai-te sentar que já vais ser interrogado pelo chefe.

Comecei a ver a coisa muito mal parada. O tal tipo que tinha entrado lá para o gabinete do dito chefe, não o vi sair nem soube mais nada dele??!! Estranhei, mas que fazer senão esperar.

Passada mais cerca de meia-hora, abre-se a porta do gabinete  e aparece o chefe, que afinal era sub-chefe: Pançudo de bigode farfalhudo, fica uns instantes a medir-me de alto a baixo, a abanar a cabeçourra, e finalmente lá me manda entrar.

Com que então a roubar bicicletas ás tantas da noite!...bonito...bonito!

Bem... atalhando o diálogo entre nós: o chefe afirmando eu negando. O que estava ali a fazer aquelas horas, com quem estava etc. etc.

Aí contém o que realmente se tinha passado, mas como estando sozinho, saindo no entanto da tasca acompanhado poucos metros por clientes com quem tinha estava à conversa lá dentro, e por me aperceber que já não tinha dinheiro para o taxi de volta, decidi ir a pé até Belém para apanhar o primeiro transporte da manhã.

Vais ficar detido para averiguações!
Bem...caiu-me o céu em cima naquele momento.

Mas o cérebro começou logo a funcionar na velocidade máxima...
Trabalhava então numa das Companhias da Família Oulman, ao fundo da rua dos Fanqueiros.

Tantas e gratas recordações mantenho de quatro anos de trabalho com estas pessoas de alto coturno: Albert Oulman o pai e Alain Oulman o filho, este com quem lidava diariamente.

Era genro de Albert e cunhado de Alain uma figura super típica, muito alto, diferente e que eu admirava pelo exotismo e porte. Sempre com o seu chapéu de aba direita tipo espanhol e fumava imenso. Tratava-se do Conde de Mesquitela casado com uma irmã de Alain Oulman.

O Conde de Mesquitela tinha um cargo de estado que exercia, creio lá para os lados do Campo dos Mártires da Pátria (já não recordo bem) e eu fui por várias vezes levar-lhe expediente para assinar relativo á firma.

Eu tinha uma certa vaidade naquelas entregas!!!...um puto, com pasta de cabedal preto debaixo do braço entrar por ali dentro e dizer que queria falar com o senhor Conde de Mesquitela, ficavam a olhar para mim??!!...mas eu xutava logo... - O senhor Conde está à minha espera, venho do escritório com despacho para assinaturas.

Ele era na verdade impecável, e não sei porquê simpatizava comigo, e havendo outro colega, fazia questão que fosse eu a tratar dos seus assuntos exteriores, o que por vezes era frete, outras lá dava uns cobres de gratificação.

De novo na esquadra.
Queria tentar resolver aquilo de qualquer maneira, e não me estava a ver passar uma noite na esquadra.
O Chefão via e revia os documentos que lhe mostrava, BI, cartão de aluno da Veiga Beirão, Licença de Isqueiro??!!, cartão do ginásio e mais uns cartões de grupos desportivos do Bairro Alto e Carmo.

Há meia volta...disparo com esta: - Se o senhor guarda...- Eu não sou guarda, sou sub-chefe, ouviste!!!..- OK desculpe sr. Sub-chefe!!...já me chamou ladrão várias vezes e isso é grave. Fala-me em bicicleta, e eu mal sei andar nisso, e depois para ficar esclarecido sobre quem eu sou, agradeço-lhe que ligue para o sr. Alvaro Moreira de Carvalho da Costa de Sousa de Macedo, Conde Mesquitela e perguntará ao senhor quem eu sou, pois sou seu funcionário. Terá no entanto que fazer o favor de esperar pela abertura do Ministério que é as nove horas. Um pormenor: primeiro terei eu que ligar para a secretária do sr. Conde a contar esta situação e ela porá de aviso o sr. Conde, porque ele não atende qualquer pessoa sem passar pela secretária.

Isto até era tudo a pura da verdade, embora fosse um grande abuso da minha parte mencionar um nome ilustre, com um cargo político relevante e pior ainda, familiar dos meus patrões, assim como se almoçasse com ele todos os dias, como que sendo da sua igualha. Era muito atrevimento e arriscado da minha parte, mas a situação impunha-se...
No entanto estava desesperado e ao mesmo tempo convencido de que se, se confirmasse a chamada do trombudo bigodaças, e como o Conde Mesquitela não podia com policias, a coisa se resolveria, talvez a meu favor.

Caso contrário, estaria metido numa grande alhada com a policia e com a firma onde trabalhava.
Bem o Sub-chefe parecia que tinha apanhado um choque!!! Ficou calado uns minutos e disse: - Bem, não há necessidade de incomodar o senhor...afinal já me convenci que isto foi brincadeira de uns copitos a mais, e como é Natal a coisa fica assim.

Tomou umas notas, deu-me os cartões e disse que podia ir, mas que não se repetisse a gracinha. Guardei todos os pertences, pedi a gabardina, e com uma grande lata, tentei mais uma jogada...pedi-lhe um cigarro!...ficou de novo a olhar para mim uns segundos, tocou a campainha de secretária, veio o tal policia da porta e ele mandou-o dar-me um cigarro, o que o trombudo dois assim fez....- Desculpe, se pudessem ser dois agradecia-lhe muito...ia-me comendo com os olhos, mas lá dobrou a dose.

Desejei-lhes bom dia e bom Natal, e pus-me a andar, para o escritório dos Oulman pois esperava-me mais um dia de trabalho, depois de mais uma noite em branco.

Á saída da esquadra, encostada à parede lá estava a bicicleta, assim como que a rir-se para mim. Não faço ideia como foi lá parar.

Nesse dia, à noite no Café Nacional, no reencontro com os protagonistas da véspera, todos ficaram de boca aberta com o que me aconteceu. Todos eles se tinha safado sem problemas, foram para casinha e o Zé com o coração partido a pensar nos colegas acabou por se prejudicar.

Nas minhas rotinas de saúde, sempre que vou ao Egas Moniz passo pela dita esquadra que está exatamente na mesma, e recordo sempre o Natal de 1965. A Aldinha sorri e comenta... - Eras fresco!!!

Guedes, não tenho grande prosa, mas grandes recordações que dariam vários volumes em biografia.
Foi o que se me surgiu, de Natais e recordações dos saudosos anos 60.
Para mim; Saudade é a permanente presença feliz da ausência.

Não quis deixar de responder á tua solicitação.
Se bem, se sofrível, se mau...tu o analisarás e se vires que tem o mínimo...PRANTA, no inverso, arquiva cronologicamente no cesto dos papéis...

BRAÇÕES para ti.
______________________
Grande texto do Justo.
Esteve para se dividido em dois, mas perdia o encanto e por isso se publicou na integra.
Os leitores, com paciencia, com uma fatia de bolo rei e um calice de vinho do Porto, vão saboreando tudo e verão que valeu a pena.
Feliz Natal para todos. Boas Festas.
LG.
______________________ 


Tenho montes de relatos escritos, mas que não gosto quando releio, tento corrigir e ficam piores. A mente acelera a 200 à hora mas a pena respeita os limites de velocidade.

Gostava de fazer uma coletânea de experiências diurnas e principalmente noturnas que se tornariam interessantes, não só pela quantidade, mas pela qualidade!!

Sei que isso nunca se irá concretizar, mas tenho pena.

Hoje num dos meus  hobbies, talvez o preferido, o Modelismo e Colecionismo, que mais do que isso acaba por ser uma importante terapia, quando estou de volta dos brinquedos lá vêm à memória estas antigas estórias, muitas delas, e durante décadas com a Aldinha; Uma mulher à homem...como lhe chamo!!!...

Um fragmento muito pequeno das minhas imensas recordações.

Tentei muito e consegui fazer-me feliz QB até hoje. só invejei na vida “quem bebe água em todas as fontes”. Sempre foram as pequenas coisas da vida que me fizeram feliz.

Ainda hoje mantenho muitas das antigas amizades a vários níveis.

Neste Portugal de hoje, tão diferente do dos nossos tempos, já não me apetece viver. Não consigo aceitar e digerir  o que diariamente, mesmo tentando fugir, vejo e oiço de mau e vergonhoso. A perda total de valores horroriza-me.

O tal dia 21 em que se anuncia o fim do mundo??!!|...não estaremos há muito nesse dito fim?. Todas as antigas civilizações quando atingiram o apogeu do desenvolvimento, o perigeu foi a sequência, e a extinção a morte final. Será que estamos perto dum final idêntico??

Mais um abraço.
José Justo        
Natal 2012 

Amigos para sempre - do amigo Joaquim Cosme

 
 
 
Joaquim Cosme

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Feliz Natal - do Jorge Claro.


Amigos, aqui vai minha mensagem de Natal de 2012!
Muita Saúde, Paz e um ano inteiro de Alegrias para todos Nós, em 2013!
Jorge Claro

Do Sol da Esteva.

 Para vós o nosso agradecimento e votos também de Feliz Natal.
Um abraço.

Feliz Natal - de Carlos Justo


 
DESEJOS DE UM FELIZ NATAL PRA TODOS ,E UM BOM 2013

 DE CARLOS JUSTO E FAMILIA

domingo, 16 de dezembro de 2012

Votos de Feliz Natal para o Povo de Tite !

 
Para os habitantes de Tite, que connosco conviveram durante dois anos, enviamos o nosso abraço fraterno, traduzidos nesta bela canção Açoreana, votos extensivos a todos os "gentios da Guiné"
Independentemente das etnias e dos lados da barricada, todos passámos bons e maus momentos, sempre na vossa companhia.
Para todos vós os desejos que passeis um Feliz Natal e que o Novo Ano de 2013 vos traga melhores dias, com paz e desenvolvimento.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Feliz Natal - do Costa

NATAL 2012
Amigos e Companheiros!
Servindo-me das palavras e do cartão de Natal (bem engendrado) do “nosso” Justo, e agora que os anos começam a pesar, quero que vcs tenham uma boa ceia de Natal junto de quem mais amais, e que o novo ano que vai ter muitos cortes ao menos que seja mãos largas por “Quem” determina a nossa existência na Terra!
Abraço
Costa

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

PARABENS AO PICA SINOS! FAZ 67 ANOS !!!

 
Parabens ao Pica Sinos pelos seus 68 anos.
Um abraço dos teus companheiros com votos de boa saúde e que contes muitos, junto dos teus familiares.
 
(já no ano passado houve duvidas sobre os anos que o Pica teria. As duvidas foram desfeitas. Este ano voltei a enganar-me e atribui-lhe 68 anos quando na verdade são 67. Ao Pica os nossos Parabens, faça ele 67 ou 68. Um abraço)

Feliz Natal - do Pica Sinos


Para ti também companheiro, com votos de boa saude e boas novas para 2013.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Feliz Natal




Desde o início deste nosso blog temos contado sempre com o apoio simpático do BLOGGER, entidade que suporte este tipo de equipamento.
A par dele,  as disponibilidades oferecidas pelo GMAIL , através do seu email, que tem sido fundamental na ligação e uso de todas estas tecnologias.
E como o Natal é uma época de reencontros, vimos nesta quadra agradecer ao BLOGGER e ao GMAIL todo esse apoio. Graças a ambos tem sido possível o reencontro de muitos amigos que andavam dispersos. Estes reencontros são para nós muito importantes e significativos, ao fim de mais de quarenta anos.
Mais recentemente entrámos no FACEBOOK, que tem sido outro meio de comunicação entre nós, com muita assiduidade.
Para vós também, os nossos agradecimentos e votos de Feliz Natal.
 
Por último vem o TWITTER, com menos movimento é certo, mas que não deixa também de ser um meio ao nosso dispor.
 
A todos, o nosso muito obrigado e votos de Feliz Natal e Ano Novo com mais movimento.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Feliz Natal - do Justo.

“Todos nós temos Pessoa na alma”
A todos nós, a cada dia, nos vão semeando tortura na alma, como a tinha Fernando Pessoa.
Que a estrelinha que intencionalmente eu quis a verde, consiga com a sua cor, irradiar a nossa esperança futura nesta terra.
O Natal possível para todos, que sinceramente desejo com muita saúde e calor humano.
Justo

Do Santos Oliveira.

 
Feliz Natal também para ti companheiro.
Um abraço.
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O Cavalinho
Certa tarde o pai saiu para um passeio com as duas filhas, uma de oito e a outra de quatro anos.
Num determinado momento da caminhada, Helena, a filha mais nova, pediu ao pai que lhe pegasse ao colo, pois estava muito cansada para continuar a andar.
O pai respondeu que estava também muito fatigado, e diante da resposta, a garotinha começou a choramingar e a fazer o "corpo mole".
Sem dizer uma só palavra, o pai cortou um pequeno galho de árvore e entregou-o à Helena dizendo :
- Olha aqui um cavalinho para montares, filha !
Ele irá ajudar-te a seguir em frente.
A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o galho verde tão rápido, que chegou a casa antes dos outros.
Ficou tão encantada com seu cavalo de pau, que foi difícil fazê-la parar de galopar.
A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e perguntou ao pai como poderia entender a atitude da Helena.
O pai sorriu e respondeu dizendo :
- A vida é assim, minha filha.
As vezes as pessoas estão física e mentalmente cansadas, certos de que é impossível continuar.
Mas encontramos então um "cavalinho" qualquer que nos dá ânimo outra vez.
Esse cavalinho pode ser um bom livro, um amigo, uma canção... assim, quando te sentires cansada ou desanimada, lembra-te de que haverá sempre um cavalinho para cada momento, e nunca te deixes levar pela preguiça ou pelo desânimo.
E Sorria !!!...

A mais completa perda de tempo de todos os dias é aquela na qual tu não sorriste nem uma vez !
Autor Desconhecido.

Feliz Natal
Santos Oliveira

domingo, 9 de dezembro de 2012

Do Pica Sinos.


Feliz Natal para ti também, junto dos teus e que o Novo Ano nos traga muitos encontros
Um abraço.

sábado, 8 de dezembro de 2012

DIA INTERNACIONAL DAS PESSOAS COM DEFICIENCIA


 
O dia internacional das pessoas com deficiência (3 de Dezembro) é uma data comemorada internacionalmente, promovida pelas Nações Unidas desde 1998, com o objectivo de promover uma maior compreensão dos assuntos concernentes à deficiência e para mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem-estar das pessoas. Procura também aumentar a consciência dos benefícios trazidos pela integração das pessoas com deficiência em cada aspecto da vida política, social, económica e cultural. Em cada ano o tema deste dia é baseado no objectivo do exercício pleno dos direitos humanos e da participação na sociedade, estabelecido pelo Programa Mundial de Acção a respeito das pessoas com deficiência, adoptado pela Assembleia Geral da ONU em 1982.
Em Torres Vedras, este ano,  é comemorado no dia 8 de Dezembro.

(Wikipédia)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

LA BOHEMIA de PARIS : CHARLES AZNAVOUR en español (Lyrics) / Música romá...

Como nem só de tropa vive o homem, vimos convidá-los a passear por Paris com lindas fotos, ouvindo a bela voz de Charles Aznavour, cantando em espanhol. É uma sugestão do Jorge Claro.
 
Mas têm que ter em atenção que para ver o video é precico clicar na seta e de seguida clicar na legenda que diz:
 
 VER NO YOUTUBE.
 
Deliciem-se com esta pequena maravilha!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Dádivas de Sangue e de Medula Óssea

Caros companheiros, amigos e visitantes.
É raro o dia em que todos nós, não recebemos emails, apelando à doação de sangue, para diversas pessoas.
Já tenho feito o teste de mandar email para o numero que normalmente vem como sendo o do apelador e ninguém responde. O que quer dizer que umas vezes será assunto sério e outras o seu contrário.
Mas para que não existam duvidas, publicamos a seguir as 4 folhas dum pequeno prospeto que diz como fazer em caso de necessidade. E convida as pessoas até aos 65 anos, a fazerem a sua dádiva de sangue periódica e até aos 45 anos a registarem-se também para serem dadores de Medula Óssea, em caso de necessidade.
Por isso amigos, quando solicitados, indiquem a quem faz o apêlo o caminho a seguir.
Está aqui tudo: entidades, endereços electronicos, moradas e telefones.
Abraços.

www.ipst.pt

 
 
 

RUMO A FULACUNDA (blog)


COMPANHEIROS
VIMOS HOJE CONVIDAR-VOS A REVISITAREM O BLOG

http://rumoafulacunda.wordpress.com/tite/  (cliquem neste endereço)

Têm várias fotos sobre Tite e vários comentários também, de ex-combatentes que por lá andaram antes de nós.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A menina dança???...

Com a devida vénia ao nosso companheiro Pica Sinos, aqui transcrevemos um artigo publicado no seu blog, que retrata bem o "antigamente". Podemos reviver os bailes que se realizavam por todo o País e cujos cenários eram idênticos em todo o lado - as miudas, os rapazes, a musica, nums lados por algum pequeno conjuunto noutros lados por gira-discos, as cadeiras onde se sentavam as meninas, as mães, tias, avós,  cuscas e outros "paus de cabeleira", enfim uma agradavel recordação de tempos idos...
Parabens ao Pica.
 
"…Já não se encosta a face à face da dama.
…Já não se trauteia aos ouvidos da donzela.
…Já não aproximam os corpos (a medo) como outrora.
…O rigor da indumentária já não se verifica.
…Os passes de dança já não são motivo de censura por mal praticados.

Recentemente dei nota de uma cena passada no período da

adolescência, num dos frequentes bailes, ao fim de semana, no Clube de Sete Rios, cujas antigas instalações ficavam nos arredores do velho Bairro das Furnas.
Pensando melhor e, pela importância que, naquele período, tais eventos representavam para a juventude, entendi desenvolver um modesto apontamento de registo, a fim de, eventualmente, se tirar ilações e, quiçá, compara-lo com os hábitos/costumes contemporâneos.

A cidade de Lisboa, naquele tempo, estava bem apetrechada de clubes recreativos e sociedades culturais. Eram dos poucos espaços democráticos de raiz popular. Designavam-se, de alguma forma, como um movimento de oposição, de resistência cívica, política social e cultural, ao regime fascista.

Pelo seu empenhamento, umas quantas foram encerradas e, alguns dos seus dirigentes passaram pelos calabouços da polícia política e, do regime.

Creio não estar a ser injusto se referir que, a juventude, na maior parte desprovida das acções da política, para além da sua ocupação no trabalho, ou no liceu, “perdia-se” no pensamento, pela chegada das matinés, ao fim-de-semana, organizadas nas colectividades.

Era das poucas oportunidades, nas voltas de um slow ou de um tango, ter nos braços a sua escondida paixão. Ou para o aprazimento, tanto quanto possível, à sua “fogosidade” que, nessa idade, a todos assolava.
Era quase sempre os rapazes os primeiros a chegarem ao bailarico.
Acomodavam-se no bufete.
Por vezes jogavam às moedas ou diziam dichotes. Mas atentos da chegada daquela, por quem o interesse vinha observado ou observara em fim-de-semanas anteriores.
Raramente se sentavam, a não ser que o seu par já o tivesse por comprometido.

As moças vinham sempre acompanhadas das mães. Ou recomendadas pelo “olhito” de uma vizinha. Só excepcionalmente tinham autorização de sozinhas, irem ao salão de baile. Quanto muito em grupo, mas sempre na presença de alguém de “confiança” dos seus pais.

Apresentavam-se de saias e blusas ligeiramente ajustadas ao corpo. Um ou outro colar de pechisbeque ornamentava o peito, escondendo um modesto decote.
Era raro o uso de calças. Aqui ali, alguém com pudicas e ligeiras camadas de batom nos lábios.

Ao fundo do salão de baile, encontrava-se o palco. Nele, quase sempre um conjunto musical.

Junto das paredes, por debaixo de alguns espelhos, ou de fotografias de cor sépia pelo tempo, as filas das cadeiras, onde se sentavam as raparigas e, as suas “vigilantes”.
Quando o animador da sala, dava o sinal aos músicos para iniciaram a actuação, os jovens, aos poucos, sorridentes, uns atrás de outros, sala fora, lá iam no encontro das donzelas.
Apresentavam-se de fato, casaco necessariamente abotoado e gravata a condizer. Com os sapatos era condição trazê-los bem engraxados, para dar nas vistas quando observados nos passos da dança.
Eram momentos de grande nervosidade.

A menina dança?

Aqui a sorte estava ou não na aceitação, na maior parte das vezes, pelo consentimento, por gestos ou sinais, de quem a acompanhava a rapariga.
Registar que, mesmo contra a vontade a quem formulei o convite, levei algumas “tampas”.
Desistir nunca.
Momentos altos, por tão bom, eram quando consentido o encostar do rosto, permitindo (por vezes) cantarolar aos ouvidos da parceira. Quase sempre dava azo a um “apertadinho” mais ousado e, também ao estalo, ou ao abandono, no meio da sala, do cavalheiro. Foi também acontecimento nalgumas vezes.

Interessante era o momento em que, o animador anunciava “damas ao bufete”.

O cavalheiro convidava e obrigava-se a pagar, uma bebida ou um bolo, ao par que, mais “sorte” lhe deu naquela tarde.
Eram também momentos que, o pouco dinheiro nos bolsos desaparecia.
Nem tudo era “mau”.
Nestas ocasiões de “damas ao bufete”, permitia, por breves momentos, ficarmos livres da vigilância da mãe ou do “olhito contratado”.
Aqui os sorrisos, algo comprometedores e, os afagar/encostar os dedos na mão da donzela, eram sinais do interesse para uma maior aproximação e, desejo do namorico.

Mas tudo passa.

Com o surgimento das discotecas, dancigs, pubs, etc., os hábitos de convivência da juventude mudaram muito.
Nos dias de hoje, sobretudo em Lisboa, a importância destas sociedades, como locais de reunião social e cultural, foi decrescendo. Poucas são as que, mantém as raízes. A grande maioria já não funciona. Nas existentes é muito rara a presença da juventude e, ver as “enchentes” como em outrora se verificavam.

Já não se encosta a face à face da dama.

Já não se trauteia aos ouvidos da donzela.
Já não aproximam os corpos (a medo) como outrora.
O rigor da indumentária já não se verifica.
Os passes de dança já não são motivo de censura por mal praticados.
Mas…Sempre que posso, mesmo já no arrastar dos pés, não dispenso uma matine dançante.
A senhora dança?
Pica Sinos"

domingo, 25 de novembro de 2012

Libéria - o exemplo vem de África. Ainda estamos a tempo de aprender...

Mais uma noticia que publicamos, com a devida vénia ao jornal MWANGOLÉME.

sábado, 24 de novembro de 2012

Ai ai ai, Manéli...!!!


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O Justo recordando as Mães de todos nós...


Amigo Guedes
Gostei dos versos sobre a mãe e apreciei muito o teu pensamento de carinho ao recordares decerto os bonitos anos de parte desse século que passou.
As mães marcam muito a nossa mente, e recordo que muito pensava na minha, naqueles malditos dois anos de Guiné.
No meu "diário de guerra" narro um episódio de um previsto e esperado ataque ao nosso quartel, segundo informações secretas do QG de Bissau, que por nossa sorte não se chegou a concretizar. Dispararam só umas longas rajadas da pesada por cima do quartel.
Essa noite, foi de 1 de Novembro, o dia do aniversãrio de minha mãe.
Lembro-me que as lágrimas me escorriam enquanto a caneta deslizava e escrevia o que naquele momento me sangrava a alma, e sentia que a minha cabeça repousava do seu colo.
Sou o homem mais feliz do mundo por a ter comigo.
Felizes dos que ainda beijam as enrugadas mãos que os embalaram.
Abraços para todos
Justo

ADFA - faz hoje 38 anos de existencia.

A ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas, completa hoje 38 anos de existencia.
No fim da guerra colonial ficaram 15.000 deficientes, resultantes de combates ou de acidentes. E a ADFA ocupa-se de muitos deles e também das suas familias, com principal incidencia de viuvas e orfãos de ex-combatentes.
É uma Instituição com créditos reconhecidos nas áreas da saude, principalmente.
A ela se devem dirigir ex-combatentes em situação dificil, pois a ADFA também procura reencaminhar aqueles que estejam nestas situações.
Bem hajam!

GOVERNO DA GUINÉ-BISSAU, PEDE AJUDA INTERNACIONAL.

Com a devida vénia ao Jornal MWANGOLÉ", transcrevemos a seguir um artigo sobre a Guiné-Bissau.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Seriam cem anos!...

Mãe
 
Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!

Miguel Torga, in 'Diário IV'
________________________
Se a minha Mãe fosse viva, faria hoje cem anos.
Este belo poema de Miguel Torga reaviva a sua memória.

LG.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

APRe - Associação de Reformados, Pensionistas e Aposentados. (criada recentemente)


Companheiros
Recebi hoje este email do meu amigo Tito Caetano. E como julgo de interesse para todos nós, aqui vai a sua transcrição:
"Car@s Amig@s,
Com vista a, para além de vos pôr ao corrente sobre a reunião da APRE!, onde estive presente, efectuada em Lisboa, no passado Sábado, conforme e-mail abaixo, da Coordenadora da (Pró)-Associação, Drª. Maria do Rosário Gama, aproveito também para vos enviar, em anexo, algumas outras informações da APRE!

Acho que a “geração grisalha” tem agora (a caminho da formalização em termos legais) uma associação, a nível nacional que, até aqui, tem demonstrado, de forma enérgica, o nosso repúdio pelas medidas constantes do Orçamento de Estado para 2013.
Precisamos de demonstrar a nossa indignação pelas medidas de que estão a ser vítimas os reformados, e só unidos e de forma organizada é que conseguiremos obter a força necessária para obrigar o Governo a recuar.

Todos aqueles que estejam interessados poderão inscrever-se na APRE!. Podem fazê-lo directamente no blogue
 http://apre-associacaocivica.blogspot.pt/

ou através de uma ficha de inscrição que envio em anexo; para aqueles que quiserem estar devidamente informados sobre as actividades da APRE! até aqui, poderão tanto ir a www.facebook.com/groups/445465558822293/
como ao próprio blogue.
Passem a todos os vossos amigos esta informação; a APRE! só com a dinâmica e contributo de todos é que poderá continuar a crescer e a reforçar-se com vista à defesa, não só dos seus associados, mas das gerações mais novas.

Beijos e abraços,
Gabriela Martins
____________________________ 

Reunião de Lisboa
De acordo com várias opiniões que nos chegaram e com a nossa própria opinião a reunião de Lisboa correu muito bem. Estiveram presentes cerca de 400 pessoas e houve várias intervenções com algumas denúncias da situação em que o O.E. para 2013 nos vai colocar, mas também sugestões, algumas das quais também já havíamos pensado. Aproveito a síntese que a nossa Amiga Maria Viegas colocou no facebook e que traduz o que se passou na reunião.
Veja o blog e facebook, abaixo indicados.

 http://apre-associacaocivica.blogspot.pt/
www.facebook.com/groups/445465558822293/

Maria Viegas"

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

ASSOCIAÇÃO DE APOIO A EX-COMBATENTES VITIMAS DO STRESS DE GUERRA



Caros companheiros:

Vem hoje publicado no Correio da Manhã, que a APOIAR denunciou o facto de haver cada vez mais, antigos companheiros ex-combatentes, com dificuldades em pagar os medicamentos necessários para combater o stress pós-traumático.

Caso conheças algum companheiro nesta situação, por favor informa-o e ajuda-o no que a seguir se transcreve e que está na página seguinte:


 Documentação

Apoio clínico e Modelo 1
Para poder dar início ao acompanhamento gratuíto (clínico, médico e social) na APOIAR, necessita de pedir ao seu médico de família o Modelo 1 devidamente preenchido e assinado por ele, assim como está indicado na Circular Normativa nº 11/DSPSM de 13/08/2001 da Direcção Geral de Saúde:

“No âmbito da rede nacional de apoio aos militares e ex-militares portugueses portadores de perturbação psicológica crónica resultante da exposição a factores traumáticos de stress durante a vida militar, foi emitida a Circular Normativa nº11 de 13/08/01 dirigida aos técnicos dos serviços de saúde e destinada a divulgar os impressos para admissão na rede e a clarificar os procedimentos a ter na elaboração dos processos clínicos

Para informações detalhadas acerca da admissão à Rede Nacional de Apoio consulte o site da Direcção Geral de Saúde, em Normas e Orientações > Normas e Circulares Normativas e pesquisar pelo ano de 2001 e o mês de Agosto onde surge a "Circular "Circular Normativa nº 11/DSPSM de 13/08/2001"

NOTE BEM

Caso o seu centro de saúde desconheça este procedimento poderá descarregar aqui o modelo 1 e pedir ao seu médico que o preencha.

>> MODELO 1(PDF)

Um abraço.

LG.

sábado, 17 de novembro de 2012

A Pátria sou eu, és tu...!!!

Camaradas da Guerra do Ultramar

ILHA DE CÔMO - GUINÉ/BISSAU.
Convido-vos a visitarem o Blogue “Acordar Sonhando”, onde é publicada descrição dos sentimentos de há 48 anos, após ser anunciado, por Manuel Alegre, na “Voz da Liberdade”, a emitir a partir da Argélia, o Massacre de todos os Militares que ocupavam aquele Posição fundamental (na época).
Em meu nome pessoal e do Administrador do Espaço, os meus mais sinceros agradecimentos.
 
Santos Oliveira

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Homenagem aos ex-combatentes Mortos

Com a devida vénia ao jornal Badaladas, transcrevemos a sua noticia, acerca da homenagem prestada pelo nucleo torreense da Liga dos Combatentes, aos militares mortos no Ultramar, e não só, junto ao Monumento de Torres Vedras, por ocasião do dia de Finados.
LG.

domingo, 11 de novembro de 2012

Hoje é a vez do Arrabaça fazer anos.

mascarado de matrafona, no Carnaval da Nezaré
 

uma foto em Tite e outra actual
 
 
Ao nosso amigo Arrabaça, um grande abraço de PARABENS, com votos de boa saúde junto dos seus.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O nosso companheiro Jorge Claro, faz hoje anos.

 

O Nosso amigo Jorge Claro, do pelotão de morteiros,  faz hoje 68 anos.
Para ele vão os nossos votos de boa saúde, após alguns dias no hospital para tratamento do seu coração. Já está em casa e em franca recuperação.
MUITOS PARABENS PARA TI AMIGO E QUE PASSES UM BOM DIA DE ANOS, JUNTO DOS TEUS.
 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

sábado, 27 de outubro de 2012

Atrazar o relogio uma hora

Às duas da manhã de amanhã Sábado, não esquecer de atrazar o relógio uma hora, para o horario de inverno.

sábado, 20 de outubro de 2012

Monumento aos ex-combatentes da Azueira

Com a devida vénia publicamos este artigo que vinha inserto no jornal Badaladas, da passada semana, e que relata o primeiro aniversário da inauguração do Monumento aos ex-combatentes, da Azueira.
Parabens e um obrigado a todos os que contribuiram para a construção deste monumento.
LG.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ainda o aniversário do nosso Capelão


Amigo Guedes
Como o nosso Capelão fez anos no dia 12, e embora um pouco fora-horas, lembrei-me destes poemas da George Sand que reputo de interessante.
Vão dois para facilitar a escolha.
Como sempre tu saberás o que fazer
Um abraço
Justo




nota-
Foram escolhidos os dois, pois ambos são de grande beleza.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O nosso capelão Padre Luis Silva, faz hoje anos

o nosso alferes capelão é o primeiro da esquerda
 

O nosso capelão faz hoje 79 anos.
O Hipólito e o Carlos Reguila, mais as respectivas consortes, foram visitar o nosso capelão no passado dia 2 e acharam-no um pouco debilitado e cansado. Com esta idade ainda dá assistencia a duas paróquias.
Ao nosso capelão enviamos votos de parabens e que a saude o acompanhe.
Um abraço de todos nós.

os ex-combatentes da CCS do BART 1914.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

 
Amigos
150 000 visitas e vamos em frente, embora um bocadinho devagarinho, mas isto já é contágio do "devagar, devagarinho...!!!Aquilo pega-se.
Abraços e tudo a correr bem...desculpem o humor negro da frase, mas na realidade desejava que tudo andasse melhor!!
Justo
150.000 visitas ao nosso blog!
 
A todos o nossos muito obrigado.