Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

As velhas do meu bairro...do blog do Pica Sinos

Do blog do Pica, com a devida vénia, transcrevemos este interessante artigo.
Vale a pena ler o artigo e ler o blog.

"Oh Ti Georgina! Chama alguém junto da cancela do quintal.
Quem é? Retorquiu.
Sou a Adélia.
Diz filha…, o que queres?
Olhe: A sua roupa que está estendida no estendal, já está toda enxuta. Eu preciso dos arames!
Ah é? Então vou já querida, vou já.

Por causa da ocupação, por uma só pessoa, de muitos dos arames por via da roupa estendida, havia por vezes discussão.
A Ti Georgina, bem cedo, ocupava quase todos os arames do lado direito do estendal do lavadouro existente ao fundo das ruas do Bairro.
A roupa que lavava, proveniente do Laboratório onde trabalhava, era imensa. Sobretudo toalhas, batas e alguns lençóis da casa das doutoras, que quando penduradas nos arames e estendidas no chão ao sol, pouco espaço deixava. Principalmente para quem também tinha muita roupa para estender.

As “velhas” do meu Bairro, em especial as da minha Rua, porque melhor as conheci, eram, (algumas felizmente ainda vivas), gente muito humilde, simpáticas e de bom trato para com todos. Sobretudo com as crianças.
Respeitavam o próximo e faziam-se respeitar.
Quase todas analfabetas, mas conhecedoras da vida como ninguém.
Eram “mestras” em ultrapassar as dificuldades com que se deparavam e, não eram embaraços tão pequenos como isso.
Eram tempos muito difíceis.
Quantas vezes comiam mal, para que o pouco que tinha não faltasse aos seus filhos e quiçá maridos.
Contudo, diga-se, que nem todas as “velhas” do meu velho Bairro das Furnas, pautavam pelo mesmo grau de dificuldades. Umas tinham menos dificuldades que outras. Mas todas tinham vidas sofridas. Contudo, também sabiam rir e brincar, sabe Deus, muitas vezes, a que custo.

Onde vais Georgina? Diz-lhe uma vizinha ao vê-la subir a rua dos Plátanos. Vou à praça. À Cármen. Vou fazer contas com ela, e comprar uma cenourita. Talvez também um nabo para pôr na sopa.
Olha…Não vou demorar. Tenho o feijão ao lume, há duas horas, e o “cabrão” ainda não cozeu. O Adriano vem comer ao meio-dia, não me posso atrasar.

A Cármen, vendia, frutas e as hortaliças na praça. Cujo edifício detinha diversas bancas de produtos hortícolas e de frutas. Também era provido de talho, padaria e mercearia. Ficava situado na entrada do Bairro.
A Cármen era uma mulher alta e bonita. A sua voz era forte. Amiga do seu amigo. Sabia das dificuldades de todos os seus clientes, e sempre que saldavam as contas ao “rol”, ajudava, na nova encomenda, com a oferta de uma ou outra peça da sua bancada.

Como eu recordo: Da mãe da Beatriz. Da mulher do Ti Cardoso, mãe do Meca. Da Ilda (dos óculos), da Ti Carolina. Da Ti Engrácia, da Ti Teresa, que vendia azeitonas e morava em frente à casa da Olga. Da Ti Rosa, da Ti Irene.
Como eu recordo: A mãe (e da irmã) do Zé Koi, que mais tarde foram para a rua das Oliveiras.

Como eu recordo: Da Maria do Carmo, Da mulher do alfaiate, que morava em frente à minha casa. Da Ti Matilde infelizmente pouco me lembro. A Ti Josefa, alentejana e mulher do sapateiro, que o seu ritual diário era estender, em panos colocados no chão, as ervas e pétalas das flores, que colhia, secando-as ao sol, destinadas à venda para chá.
Como eu me lembro da Adélia, felizmente ainda viva.

A minha casa, a pretexto do romance do “Tide”, que passava todos os dias na rádio, pela tarde, depois do almoço, era palco de encontro de diversas vizinhas.
Quer o romance, quer o que se passava depois dele, o que conversavam/contavam umas às outras, não me preocupava saber.
Confesso que não gostava de romances e muito menos de “encontros de cusquice”. Se bem que não podia deixar de as ouvir, mesmo fechando a porta do meu quarto.
Num dia… diziam as cenas passadas ou ouvidas de personagens suas vizinhas ou não. Salvaguardando o escárnio e o mal dizer, de alguém que pudesse estar presente.
Num outro dia… o “fado” era o mesmo.
Comentava-se as cenas de quem esteve na reunião anterior, e outras cenas entretanto acontecidas. Faziam uma espécie de “acta falada”.
Sabes o que disse a….daquela que mora…
O marido da fulana… bateu-lhe com a bebedeira.
A sujeita tal… deve-me dinheiro que lhe emprestei e há duas semanas e ainda não me deu. Se o meu marido sabe, tenho “sermão”.
O miúdo da…tem a cabeça cheia de piolhos…
O filho da…está com anginas.

Todos nós, rapazolas, respeitávamos as “velhas” do nosso Bairro. Mas também é certo que gostávamos mais de umas de que outras. Daquelas que nos metiam medos, dizendo que iam fazer queixas às nossas mães, quando encetávamos as barulhentas brincadeiras, gostávamos pouco. Não gostávamos mesmo nada, daquelas porque “dá aquela palha”, faziam queixas ao fiscal Costa. Como era o hábito da personagem chamada Estrela que à beira da sua casa tinha uma palmeira.

Desta senhora, a Estrela, não era só os miúdos que tinham medos. A vizinhança dizia que era irmã da governanta do Salazar. Se era ou não, da fama não se livrara. Como era uma senhora muito altiva, quiçá arrogante, as “conversas” com as suas vizinhas ficavam-se, por uns (entre dentes) bom dia ou boa noite, e mais falas não haviam.

Como eu recordo: A mãe do Luis Filipe, no seu passo pequeno mas ligeiro, a subir a minha rua. A mãe dos irmãos Espinha. Da do Armando Claro, da do José Silva, da Ti Virgínia, entre outras.
Fora da minha rua dos Plátanos, também recordo com saudade: A mãe do “Rabaloto” que era peixeira. Da mulher do Caixinha que era revisor da CP. Da ti Amélia que vendia fruta numa carroça. Da Pomposa das mamas grandes e de outras tantas.
Que saudades meu Deus.

Dada a proximidade do Bairro ao Jardim Zoológico e quando o vento soprava a norte…
Numa dessas manhãs, oiço perguntar:
Olha lá, não ouvistes toda a noite o uivar dos leões e o cantar dos pavões?
Não dormi toda a noite!
Não filha, não ouvi! Retorquiu a Ti Georgina.
O que ouvi, e que não me deixou dormir toda a noite foi o ressonar do meu marido, com a ressaca da bebedeira de ontem à noite! Raios o partam!

Pica Sinos."

DICA PARA FAZER COMENTÁRIOS

Eu já experimentei e deu resultado. E então é assim:

1- temos primeiramente que abrir o email com o qual queremos fazer o comentário
2- abrimos o blog que queremos comentar
3- inserimos o comentário na janela respectiva
4- em "comentar como", clicamos em "conta google"
5- clicamos em enviar comentário
6- inserimos o endereço do email aberto e respectiva senha, se ele pedir, pois nem sempre pede
7- a seguir ele pede para colocar aquelas letrinhas chatas
8- clicamos em "enviar comentário" e já está.

Ou seja, o segredo da questão está aparentemente, em abrir previamente o nosso email e todo o resto é igual ou parecido com o anterior.

Abraços.
LG.

domingo, 6 de novembro de 2011

Vamos dar corda ao blog? - pelo Cavaleiro (há uns tempos atrás...)




Companheiro,
Vamos dar “corda” ao nosso BLOG?!
Se estiveres de acordo, eu continuo com Fernando Pessoa.
Mesmo em tempo de crise é possível presentear os meus Amigos com uma PRECIOSIDADE, que no meu entender, considero uma maravilha ...
O Menino Jesus, nas palavras de Alberto Caeiro, pela voz única, grave e ternamente sentida de Maria Bethânia.
Espero que gostem………………………………………..de POESIA e de Maria Bethânia!!
Um abraço,
Cavaleiro
________________________________
 Alberto Caeiro - Poema do Menino Jesus


Num meio-dia de fim de primavera
Eu tive um sonho como uma fotografia
Eu vi Jesus Cristo voltar à terra.
Veio pela encosta de um monte.
E era a eterna criança, o Deus que faltava.
Tornando-se outra vez menino,
A correr e a rolar pela relva
E a arrancar flores para deitar fora.
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir de segunda pessoa da Trindade.
Um dia, que Deus estava dormindo
e que o Espírito Santo andava a voar
Ele foi até a caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro, ele fez com que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo, ele criou-se eternamente humano e menino.
E com o terceiro ele criou um Cristo
e o deixou pregado numa cruz que serve de modelo às outras.
Depois ele fugiu para o sol
e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje ele vive comigo na minha aldeia
e mora na minha casa em meio ao outeiro.
É uma criança bonita, de riso e natural.
Atira pedra aos burros.
Rouba a fruta dos pomares.
E foge a chorar e a gritar com os cães.
Nem sequer o deixaram ter pai e mãe
como as outras crianças.
Seu pai eram duas pessoas: um velho carpinteiro
e uma pomba estúpida, a única pomba feia do mundo.
E sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Não era mulher, era uma mala
em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que justamente ele pregasse o amor e a justiça.
Ele é apenas humano,
limpa o nariz com o braço direito,
chapina as possas d'água;
colhe as flores, gosta delas,
esquece-as.
E porque sabe que elas não gostam
e que toda a gente acha graça,
ele corre atrás das raparigas
que carregam as bilhas na cabeça e levanta-lhes as saias.
A mim, ele me ensinou tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as belezas que há nas flores.
E mostra-me como as pedras são engraçadas
quando a gente as tem nas mãos e olha devagar para elas.
Ensinou-me a gostar dos reis e dos que não são reis.
E tem pena de ouvir falar das guerras e dos comércios.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente.
Sempre a escarrar no chão e a dizer indecências.
E que a Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meias.
E o Espírito Santo coça-se com o bico;
empoleira nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é tão estúpido como nas Igrejas.
Diz-me que Deus não percebe nada das coisas
que criou - do que duvido.
"Ele diz por exemplo que os seres cantam sua glória.
Mas os seres não cantam nada
se cantassem, seriam cantores.
Eles apenas existem e por isso são seres..."
Ele é o humano que é o natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E é por isso que eu sei com toda certeza que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E depois, cansado de dizer mal de Deus
ele adormece nos meus braços.
E eu o levo ao colo para minha casa.
Damo-nos tão bem na companhia de tudo
que nunca pensamos um no outro.
Mas vivemos juntos os dois
com um acordo íntimo,
como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer, nós brincamos nas cinco pedrinhas do degrau da porta de casa.
Graves, como convêm a um deus e a um poeta.
É como se cada pedra fosse um universo
e fosse por isso um grande perigo deixá-la cair no chão.
Depois ele adormece.
E eu o deito na minha cama despindo-o lentamente
seguindo um ritual muito limpo, humano e materno até ele ficar nu.
E ele dorme dentro da minha alma.
Às vezes ele acorda de noite e brinca com os meus sonhos.
Vira uns de perna para o ar.
Põe uns encima dos outros.
E bate palmas sozinho sorrindo para o meu sono.
Quando eu morrer, filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo.
E leva-me para dentro da tua casa.
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde, para eu tornar a adormecer.
E dá-me os sonhos teus para eu brincar...

(Alberto Caeiro)
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Cavaleiro:
A corda partiu-se???!!!
Estamos à espera de mais textos teus.
Abraços
LG.

sábado, 5 de novembro de 2011

Poema aos homens com gripe...

(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)
Este poema (já anteriormente publicado neste blog) foi-nos enviado há algum tempo pelo Cavaleiro, e como eu passei por "estes momentos de aflição" recentemente, achei oportuno publicá-lo...

"Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes"

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

As trocas das intimidades, do Hipólito...

Uma embirração, talqualmente!
Não consigo, como outros, “bitaitar”, diretamente, no blog.
Insondável desígnio da dita dura dos co editores do sul, esses queridos, um dos quais, ora, “Furniano”, na busca de nelinhas e outras inhas do antanho, até no “Glorioso” repastado, como represália à indigitação, também como co, salvo seja!, do nortenho Costa, para escrever ainda menos que eu ?!!! . . .

Numa, das deambulações apostólicas, fui topar com o Barros, que me aguardava à entrada da Marinha Grande, concentradíssimo, na “psico” e a tentar convencer uma ucraniana, por sinal linda como o sol, das que à berma da estrada, numa cadeira, aguardam papalvos, como “cavalgar em toda a cela”.
Inconsolável e carinha de larocas ficou, quando deu de caras com a esposa que, logo, ironizou:
- Tomara, o figurão, pr’áqui armado em don juan, ter óleo para a almotolia lá de casa (sic)  !!! . . .
C’um “stapôr” ! . . ., por esta não esperaria . . .

Noutra, no último fim de semana e aproveitando o congresso do bombeiral, fui à demanda, com a prestimosa colaboração do Ferreira, dos morteiros e conterrâneo, do Oliveiros Pinto, com quem, em Tite, me relacionava.
Era ele, se bem se lembram, mecânico de armamento, baixote e entroncado, mas teso e bravo, q.b.
Recordo-o, ainda hoje, nos ataques ao aquartelamento, ao invés dos que se metiam debaixo da cama, nos abrigos a choramingar, ou nos postos, mas, na horizontal.
Com o morteiro 60 nas mãos, apoiado no joelho e num gingarelho que o próprio engendrara, junto ao arame farpado e a peito descoberto, aviava o IN com as “ameixas” da ordem, muitas das vezes até em tiro directo e certeiro.
Num desses ataques, em que o IN ousou aproximar-se mais, foi atingido, embora sem gravidade, por estilhaços da metralha daquele.
Para que conste e me não vilipendiem com o pecado da gula, “triguei-me” de, tanto na casa de um, como na do outro, me aboletar e dar, demasiado, à cremalheira.

Quem era o sarg. Gaitas ?!  . . .
Ora essa, Guedes! . . .
Deixa-te de “kuskices” e não te preocupes.
Manda, cá pr’ó rapaz, os bolinhos que mereceu e encarrego-me, pessoalmente, de os agasalhar e fazer chegar a bom porto . . .

E, com estas me vou.
Até porque, esta semana, tenho em casa  “dois terroristas” que me põem a moleirinha em sal e a casa como a dos “afeganisteus”.
Tudo “masturado”, uma autêntica bagunça e fé em Deus.
A ponto de, com a desorientação generalizada e a pressa, ter enfiado as cuecas da consorte e ‘sconfio que também a camisola interior por, ao dobrar a espinhela, me ir parar ao meio das “adoelas” ...
Aih mãenh! . . .
Hipólito

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Dia de Defuntos

Monumento aos Mortos da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras

Neste dia de Defuntos, lembremos todos os nossos companheiros já falecidos, do nosso Batalhão, das outras Unidades de Intervenção que passaram ou estacionaram em Tite e com quem convivemos durante os 23 meses em que estivemos na Guiné.
Lembremos ainda  familiares, amigos e visitantes que também já partiram.

LG.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sentinela abatida a tiro - Em Tite


No quartel de Tite estavam ao serviço oito escriturários. Eu fiquei com a secção de operações e planeamento. Éramos muito amigos

Da revista Domingo do Correio da Manhã, transcrevemos com a devida vénia, mais um artigo da série "A MINHA GUERRA", série esta onde também já foi noticia o nosso companheiro Pica Sinos há umas semanas atrás e cujo artigo está também publicado no nosso blog.

"Corria o ano de 1963 quando assentei praça no quartel de Espinho. Tinha 20 anos e cheguei à tropa em Maio, no ano em que a guerra começou na Guiné-Bissau. Completei a especialidade de escriturário no quartel de Torres Novas.
A temida ordem de mobilização chegou no final do Verão. Fui destacado para a Guiné-Bissau e parti, integrado no Batalhão de Comando e Serviço nº 599, a 12 de Outubro. A partida foi muito difícil. Ao embarcar no navio ‘Índia’, no Cais de Alcântara, deixando em terra família, amigos e a namorada de então, apoderou-se de mim uma tristeza enorme, que nunca antes tinha sentido.
Chegámos à Guiné depois de cinco dias e meio de viagem. O navio parou ao largo de Bissau e fomos depois levados de ferryboat até ao nosso destino – o quartel de Tite, zona onde já se tinham registado vários combates com o inimigo. Sentimos de imediato as dificuldades da geografia local. Calor intenso e estradas empoeiradas tornavam a respiração muito difícil.
No aquartelamento de Tite éramos oito escriturários. Eu fui colocado na secção de operações e informações. Passava à máquina os planos dos ataques e as informações que nos chegavam.
ATACADOS 16 VEZES
O ano de 1964 foi relativamente tranquilo. Não sofremos ataques do inimigo, mas, a partir de 65, fomos flagelados por várias vezes. Enquanto estive em Tite, lembro-me de o quartel ter sido atacado em 16 ocasiões. Os tiros de morteiro e as granadas choviam por cima dos telhados. Corríamos desenfreados para os abrigos e recordo situações de grande ansiedade. Apesar de ter funções administrativas, também tive de disparar contra os vultos que via rondar o quartel durante a noite. Participei numa operação no exterior do quartel para montar uma emboscada, mas dessa vez o inimigo não apareceu.
Um dos episódios mais tristes que lembro foi a morte de uma sentinela, abatida a tiro dentro do quartel . Nesse dia havia uma sessão de cinema para a população civil e dois guerrilheiros que tinham sido apanhados no mato ficaram amarrados com cordas dentro da casa do guarda. Ficaram sozinhos – o que nunca devia ter acontecido – e um deles soltou-se. Alcançou uma metralhadora G3 e matou a sentinela. Só a corajosa intervenção de um cozinheiro, que conseguiu desarmá-lo e abatê-lo, evitou males maiores.
Outra perda que não esqueço foi a morte de um grande amigo. A dada altura criou-se uma força de comandos para a qual foram pedidos voluntários. Do nosso aquartelamento ofereceram-se nove soldados. Sete deles morreram em combate, incluindo esse meu amigo.
Na guerra, muitas vezes era a fé que nos ajudava. Tínhamos um altar com uma imagem de Nossa Senhora de Fátima. O altar foi atingido pela balas do inimigo, mas a imagem escapou sempre incólume aos ataques, o que nos emocionou a todos.
Parti da Guiné-Bissau em Agosto de 1965 e regressei a Portugal, onde reencontrei a namorada com quem me casei e que viria a ser mãe do meu filho. Mas os primeiros meses de regresso a casa foram duros. Estava de tal forma habituado a acordar a meio da noite para fugir aos ataques que demorei vários meses a habituar-me a viver em paz.
PERFIL
Nome: Afonso Catarino
Comissão: Guiné-Bissau (1963-1965)
Força: Batalhão de Comando e Serviço nº 599
Actualidade: Aos 68 anos, tem um filho e três netos. Reformado, vive em Matosinhos"

O Pão por Deus...

Pão-por-Deus
Em Portugal, no dia de Todos-os-Santos, 1º de novembro as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos bandos para pedir o pão-por-deus de porta em porta. As crianças quando pedem o pão-por-deus recitam versos e recebem como oferenda: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas,ou castanhas que colocam dentro dos seus sacos de pano, de retalhos ou de borlas. É também costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro. Em algumas povoações chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’.
Com o passar do Tempo, o Pão-por-Deus sofreu algumas alterações, os meninos que batem de porta em porta podem receber dinheiro, rebuçados ou chocolates. Esta actividade é principalmente realizada nos arredores de Lisboa, relembrando o que aconteceu no dia 1 de Novembro de 1755, aquando do terramoto de Lisboa, em que as pessoas que viram todos os seus bens serem destruídos na catástrofe, tiveram que pedir "pão-por-deus" nas localidades que não tinham sofrido danos.

Origem: com a devida vénia à Wikipédia, a enciclopédia livre.

LG
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A situação mantém-se...
Não se consegue comentar no Blog..., eu pelo menos não consigo...

Mas a propósito do post sobre o "PÃO-POR-DEUS", de onde se infere que se trata de uma prática que acontece por todo o lado, gostaria de dizer o seguinte:
  
"Só tive conhecimento desta prática, quando cheguei a Torres Vedras, há 22 anos....!!!
Santa ignorância a minha....!!!
Mas de facto, na região de onde sou natural e onde sempre vivi, não existe este costume...!!!
Por isso, quando cá cheguei, fiquei muito surpreendida quando, no dia 1 de Novembro, a criançada me bateu à porta a pedir "Pão-por-Deus"...
Sinceramente eu não sabia o que isso era....!!!!
Agora, depois de tantos anos passados, já estou habituada e, na verdade, até acho interessante.....
Até a minha neta, como boa Torreense que é, vai pedir "Pão-por-Deus"....!!!_

Albertina Granja
_________
Na verdade também comigo aconteceu algo semelhante. Não tinha conhecimento desta tradição e só quando cheguei a Torres, há 40 anos atrás, me fui apercebendo do que se tratava.
Acho que é interessante esta actividade frenética das crianças, pedindo bolinhos, rebuçados, sugos, gomas, chocolates ou brôas e também alguma moeda.
Este costume está mais enraizado nas aldeias à volta de Torres, e já não tanto na cidade.
E por isso este ano pareceu-me que o movimento foi menor, tendo apenas aparecido à minha porta, duas equipas, uma com apenas duas meninas e outra mais basta com meninos e meninas de várias idades.
Ficamos à espera do próximo ano, vendo crescer a miudagem!...
LG.

domingo, 30 de outubro de 2011

O Esmoriz

Foto actual

Foto em Tite

Tive, hoje, a oportunidade de tomar um café com o Tónio Esmoriz, numa ida, por outros motivos, à terra da sua residência.
Encontra-se bem, com o aspecto da foto que me entregou e que vai em anexo.
Falou, longamente, do seu trajecto de vida, após o regresso de Tite.
Uma vivência com altos e baixos, com vicissitudes e sucessos, como todos nós, se bem que um tanto atribulada nos primeiros anos, após a desmobilização.
Chegou a ser empresário, no ramo de polimento de móveis, com 17 empregados, e fez ainda parte da fanfarra dos bombeiros voluntários de Esmoriz.
Presentemente, tem a vida estabilizada, como reformado, vivendo com sua esposa, tendo filhos e netos, emigrados na Suíça.
 Fiquei ainda a saber que teve direito a uns bolos (ou pastéis?) de feijão, oriundos de Torres Vedras, que muito apreciou.
 Tanto eu, como o sargento gaitas, os que mais se esforçaram, lá em Tite, por merecer umas guloseimas dessa jaez, bem poderemos esperar sentados  . . .
 Um abraço
Hipólito
___________________
Desta vez os bolinhos foram para a Sra. Presidente da Junta, para o Esmoriz e para o Costa.
Para a próxima, talvez te calhem alguns. Quem sabe?.
Quem é o sargento gaitas? O Bico?
Abraços.
LG.

Oliveiros Pinto

Fotos enviadas pelo Hipólito, em que se vê o Oliveiros Pinto com o Ferreira, ambos de Lamego.
Foto actual

Foto em Tite

sábado, 29 de outubro de 2011

Hora de Inverno!

Meninas e meninos
Não esquecer de logo à noite atrazar os relógios uma hora.
Beijinhos e abraços
LG.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Luta diária contra o cancro.

Companheiros, amigos, familiares e visitantes
Neste dia mundial contra a doença, seja este ou qualquer outro dia, venho lembrar os familiares que lutam,  um amigo, outro amigo e mais outro amigo que ontem mesmo me disse também ter entrado nesta "familia" que infelizmente não pára de crescer...
Para todos eles os votos de rápidas melhoras e que tenham a certeza que todos nós puxamos por eles e acreditamos que vão vencer!.
Abraços e beijos para eles.
LG.
_________________
"Este ano houve muitos que foram diagnosticados  perto de nossas casas. Para todos os amigos, família, entes queridos e aqueles que talvez não conhecemos...Sexta-feira é Dia Mundial do Câncer – Faz uma Prece, não dói nada... "

(esta mensagem foi enviada pelo Hipólito, bem como a foto. No entanto parece-me que o dia da Luta contra o Cancro é a 4 de Fevereiro. De qualquer maneira fica a intenção, já que esta luta tem que ser diária...)
_____________________
Camaradas
Um dia Mundial a lembrar o que a solidariedade humana deve ter nos restantes 364 dias.
Por mim, Amigos, Camaradas e demais, quero ser solidário com quantos foram atingidos por este (quase) flagelo do Século e que atemoriza o mais descontraído dos mortais.
Que a Esperança e a Confiança jamais lhes falte, porque ter Fé, é, Acreditar.
Abraços Solidários, do
Santos Oliveira
_____________________
Parece que continua a não ser possível, pelo menos para mim, comentar o Blog BART1914.
Relativamente ao post do video "Bolero de Ravel", tentei, pelo menos 3 vezes, mas dá sempre erro.
No que se refere ao último post "Luta diária contra o cancro", verifica-se a mesma situação. Neste caso só comentei uma vez mas acho que não vale a pena insistir porque continua a dar erro...

Quanto a este tema "Luta diária contra o cancro", muito há, infelizmente, para dizer....
Toda a gente tem, ou teve, familiares ou amigos que não escaparam a esta "maldição"...
No entanto dá-nos algum ânimo pensarmos que, apesar de tudo, existem casos de sucesso.....
Há, efectivamente, quem tenha a sorte de conseguir ultrapassar e isso, é o que no dá alguma força e coragem para se enfrentar a dura realidade que nos cerca, para não se desistir da luta, para não se deixar cair os braços, para continuar a ter esperança......., mas em abono da verdade se diga...... é muito difícil...., extremamente difícil...., porque muitas vezes parece já não haver mais imaginação, nem energia para transmitir alento a quem enferma desse mal...
Mas é preciso ter esperança, é preciso acreditar na cura e para isso, É PRECISO LUTAR....
Albertina Granja

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cinco minutos que valem a pena. Deliciem-se...

BOLERO DE RAVEL

enviado pelo Joaquim Caldeira

Bronca no blog


Caros amigos e visitantes
Algo de anormal se passou com o nosso blog novo.
Perderam-se várias mensagens e comentários, desde o dia 1 de Outubro de 2011, além de ser dificil para alguns de nós fazer comentários..
Como já tinhamos informado estavamos decididos a voltar ao blog velho, uma vez que a "velhice é um posto na tropa."
Por isso amigos divulguem aos quatro ventos que o nosso blog definitivamente passa a ser o
http://bart1914.blogspot.com/

Quando tiverem dificuldades em fazer comentários, enviem os mesmos para um dos seguintes emails:
lg.tvedras@gmail.com
bart1914@gmail.com

O outro blog continua activo por alguns dias e depois será encerrado.

Abraços.
LG

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Ser ex-combatente das ex-colónias. Pelo Joaquim Caldeira

Ser ex-combatente das ex-colónias
Ao ler notícias de ex-combatentes nas ex-colónias que, por terem sido feitos prisioneiros de guerra, deixarem de ter direitos a pensões e ou subvenções, estando-lhes a ser contado o tempo efectivo de combate e só, não pude deixar de sentir raiva.
E quero ajudar a denunciar, o melhor que puder, esta situação injusta em comparação com as chorudas subvenções vitalícias pagas a ex-deputados e outros fiéis servidores.
Tal como vós, também fui recompensado com a lei Paulo Portas, passando a ser abonado em cerca de 150€ que foram diminuindo para 115€, estando agora em cerca de 58€.
Só por chincalhice. Para os desgraçados, combatentes que tanto deram àquela pátria que era nossa, não há verbas para os deixar viver e morrer com alguma dignidade. Limitam-se a sobreviver com a pensão que, por especial favor, lhe foi concedida pela benevolência de alguma assistente social, vindo a ser, mais tarde aplicada a esmola P.P.
E, se olharmos à nossa volta, temos exemplos de pessoas cuja infância foi pobre e, volvidos poucos anos, por magia, ficaram tão ricos que são uma obscenidade. Mas continuam a ter direito a subvenções vitalícias de valor mensal igual ou superior ao que um comum mortal auferirá num ano. Mas há casos ainda mais gritantes.
Ai, Portugal! Ao que foi possível chegares. Que grandes desigualdades, que injustiças e quantos roubos a coberto da legalidade.
Mas não haverá mais quem veja e denuncie, para além do Bastonário da Ordem dos Advogados?
Será que algum dia viveremos em democracia? Estou certo de que sim. Mas há muito para fazer.
Companheiros; Denunciem todas as situações de fraude, roubo ou injustiça de que tiverem conhecimento.
Havemos de abafá-los e vencer.
Joaquim Caldeira

As nossas elites falharam... pelo Dr. Marinho e Pinto

Companheiros
Como nem só de Tropa vive o homem, publicamos a seguir um video que nos foi enviado pelo nosso amigo Joaquim Caldeira, e que se refere a um discurso muito oportuno do Bastonário da Ordem dos Advogados, na abertura do ano judicial de 2011. Vale a pena ver, ouvir....

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Carta aberta de El-Rei D.Carlos ao então Primeiro Ministro, em 1892

Grande exemplo!
Enviado por Joaquim Caldeira

Mais um Sapador encontrado, desta vez pelo Contige

“…Mais uma vez,  a minha última sortida, a sul, teve, apenas, intuitos altruístas.
O de saber do estado de saúde, felizmente já bom, do Reguila e de chegar à fala com mais um companheiro sapador, o Mário Soares Sereno. O Contige ficou com o seu contacto e ficou de aparecer no próximo almoço, de arromba, a confiar nos seus 5 ou 6 laboriosos organizadores . . .”

Este, quem o localizou foi o Contige. Fomos três falar com ele: o Contige, o Reguila e eu.
E ficou de obter o endereço de outro sapador, um tal Ribeiro, que é seu conterrâneo e reside lá para os lados de Tomar.
Abraço
Hipólito

O contacto do Sereno, para quem quiser:
Tel. 214064009

"... para ir, à venda, mercar fósf’ros pr’á titi...Começou a recuperação possivel de alguns artigos. E este vale a pena...

Até pode ser que cole, como desculpa.
Atarefado e derreado a tentar ensinar as boas maneiras ao canito, o kiper, que me tocou em rifa.
Mas, reguila e travesso, faz jus à sua origem marrocânea.
Tanto insisto com o “gajo” que, às tantas, aparece de patas ao ar e a ganir
- Caim, caim, caim . . .
- Que foi ?! . . . intervém a sua defensora oficiosa e minha consorte.
- Nada . . . nada. Foi este morcon que vinha na “mecha” e “escarchou” a “fuça” na biqueira do meu sapato . . .
Não aprende, mesmo!  Desisto . . . e vou, mas é, rabiscar uns comentários, já atrasadotes, como gasta a casa.

Estava a ver que não saía a reportagem do correspondente da BBC (Bocas & Broncas Criptólogas), em Londres.
Sua majestade, amiga de longa data, desde o curso de costura que frequentámos, está, também há muito, ciente de que, os “arremelados”, em versão soft, das TRMS (diminutivo de “T’ramelas”, por que eram, e continuam, conhecidos, os do sul), não valerão as “quilhapas dum gato”.

A  foto do ósculo apaixonado saiu “tremida” por obtida de “biscolêta”, em andamento. Uma daquelas em que aqui, no norte, mal desmamados, já “afanávamos” ao pai e, só no pedal, “tchic . . . tchic” . . . até ao mais que provável trambolhão, raspanete, quando não sova, do dono.
Obtido algum equilíbrio, perna para debaixo do quadro e toca a burra, sujando, na corrente oleada, as calças ou, na falta delas, a perna, com os trambolhões da ordem, o raspanete e sova, agora da mãe.
Até que, já espigadotes, zupa, alçando a perna, pr’a cima da bíscola, até rasgar o traseiro das calças ou calções, igualmente com as consequências já descritas e agora de ambos os progenitores.

Muito ao contrário das “bicicretas” do Campo Grande, de senhora e com o cestinho na  frente, à mariconhês, para ir, à venda, mercar fósf’ros pr’á titi.

Mais uma vez,  a minha última sortida, a sul, teve, apenas, intuitos altruístas.
O de saber do estado de saúde, felizmente já bom, do Reguila e de chegar à fala com mais um companheiro sapador, o Mário Soares Sereno. O Contige ficou com o seu contacto e ficou de aparecer no próximo almoço, de arromba, a confiar nos seus 5 ou 6 laboriosos organizadores . . .

E não, como os que, antevendo, tão-só, tirar a barriga de misérias, se previnem com suspensórios a segurar as pantalonas, ou  com “cintinho à lady Gaga” , para disfarce da “quadratura do círculo estomacal”  . . .

E, fico em dia  . . . e mais que desculpado, digo eu.
Hipólito

UMA VERGONHA NACIONAL - Do Blog "COISAS DA GUINÉ" com a devida vénia

«O José António é natural do Peso da Régua, em Junho de 1971 assentou praça no RI 13 Vila Real, três meses depois foi colocado em Abrantes integrado na 2ª. Companhia do Batalhão 4518 e em 24 de Dezembro partiu para a Guiné.
A sua Companhia foi destacada para Cancolim dela faziam parte um Alferes natural de Lamego, que me disseram ser actualmente professor, e que não consegui ainda contactar, o Alferes João Pacheco Miranda, actualmente correspondente da RTP no Brasil.
Em Junho de 1971 foi feito prisioneiro pelo PAIGC, foi levado para Conacry donde em 1973 após o assasinato de Amilcar Cabral foi enviado para uma zona libertada na Guiné Bissau, Madina do Boé. Eram seus companheiros de cativeiro o nosso "morto/vivo" António Silva Batista de Gaia, Manuel Vidal de Castelo de Neiva, Duarte Dias Fortunato do Pombal, António Teixeira da Lixa, Mauel Fernando Magalhães Vieira Coelho do Porto, Virgilio Silva Vilar de Vila da Feira e Jacinto Gomes de Viseu.

Durante quase um ano a sua casa foi em Madina do Boé de onde em 7 de Março de 1974, aproveitando um momento em que a vigilânçia abrandou, se dirigiu na direcção do Rio Corubal para tentar a fuga. Andou 9 dias ao longo Rio, até encontrar dois nativos que andavam numa plantação junto ao rio. Um deles de motorizada levou o José António até ao Saltinho. Depois foi transportado para Aldeia Formosa, para ser levado para Bissau. Como naquele tempos díficeis a via aerea já não reunia muias condições de segurança devido aos Stellas, foi transportado em coluna até Buba e dai de LDG para Bissau. Apesar de ser meu conterraneo, na altura não o reconheci, e tal me foi comunicado pelo Cabo do SPM de Aldeia Formosa Camilo também natural da Régua.
Após o regresso em Agosto de 1974, procurei saber da sua situação. Levava uma vida muito complicada, pois se tornou pouco sociável (como muitos de nós), mas não teve uma rectaguarda ou seja um suporte familar que o protegesse e os conflitos eram frequentes. Internado várias vezes, de onde fugia sempre que podia (tornou-se um hábito), foi mais tarde colocado numa casa de acolhimento onde agora vive melhor e é bem tratado. Porém sobrevive com uma pensão de incapacidade de apenas 246 €, o que de facto é insuficiente, para o seu sustento e agora aproveito para agradecer publicamente à familia que o recolheu especialmente à D. Juvelinda que com tanto carinho o trata.
Mas por incrível que pareça, até do miserável suplemento especial de pensão que anualmente é atribuido a antigos combatentes (150 € ano) apenas recebe 75 €, pois como foi capturado com apenas 7 meses de Guiné, o tempo que passou quase 3 anos como prisioneiro não foi considerado!!!  A propósito deste SEP p/Antigos Combatentes, eu propunha que tal verba fosse prescindida por todos aqueles que tem uma reforma acima de determinada importância em favor daqueles ex-combtentes com reformas inferiores ao salário mínimo. Isto para fazer sentir a quem nos governa, que tal esmola nos envergonha e que temos um sentido de solidariedade muito diferente dos políticos que nos têm governado.
Um abraço a todos.
»
José Manuel Lopes
___________________
Um amigo enviou-nos o seguinte comentário...

Folha salarial da Fundação Cidade de Guimarães
Folha salarial (da responsabilidade da Câmara Municipal) dos
administradores da Fundação Cidade de Guimarães, criada para a Capital da Cultura 2012:


-  Jorge Sampaio - Presidente do Conselho de Administração:
14.300 ? (2 860 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 500 ? por reunião
-  Carla Morais - Administradora Executiva
12.500 ?  (2 500 contos) mensais + Carro + Telemóvel + 300 ? por reunião
-  João B. Serra - Administrador Executivo
12.500 ? mensais + Carro + Telemóvel + 300 ? por reunião
-  Manuel Alves Monteiro - Vogal Executivo
2.000 ? mensais + 300 ? por reunião

Todos os 15 componentes do Conselho Geral, de entre os quais se
destacam Jorge Sampaio, Adriano Moreira, Diogo Freitas do Amaral e Eduardo Lourenço, recebem 300 ? por reunião, à excepção do Presidente (Jorge Sampaio) que recebe 500 ?.

Em resumo: 1,3 milhões de Euros por ano (dinheiro injectado pelo Estado Português) em salários. Como a Fundação vai manter-se em funções até finais de 2015, as despesas com pessoal deverão ser de quase 8 milhões de Euros !!!
Reparem bem: Administradores ganhando mais do que o PR e o PM !
Esta obscenidade acontece numa região, como a do Vale do Ave, onde o desemprego ronda os 15 % !!!
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Por isso meu caro José António Almeida Rodrigues, ex-combatente na Guiné durante a guerra colonial, vai sobrevivendo com os tais 246 €uros (olha que há quem receba só 189 €uros...), porque vais ter que esperar mais algum tempo. Compreende, por favor, que o dinheiro do Povo não dá para tudo... ele é a comissão da cultura de Guimarães, são as subvensões vitalicias para 400 politicos, são algumas pessoas a receberem 2 e 3 chorudas reformas. Tens que ter alguma compreensão... Abraços e votos de paciencia!

A crise também chegou ao nosso Blog - enquanto ela não se resolve, vamos parar dez minutos para ver e ouvir esta bela interpretação...




sábado, 1 de outubro de 2011

O DIA DO IDOSO

Hoje dia 1 de Outubro é odia internacional do idoso. Vejam lá....
Para assinalar este dia o Pica enviou-nos este texto, que publicamos com a devida vénia ao Jornal Publico e ao autor.

Memórias da juventude, pelo Pica Sinos

OS MENIMOS DO MEU BAIRRO
SABIAM ANDAR DE BICICLETA--IÔÔH
Era vermo-nos vaidosos e felizes por termos, mais uma vez, a oportunidade de andar de bicicleta. A alegria foi de tal forma que não deu para verificar que as horas passaram mais depressa.
Não sei se ainda existe, no Campo Grande (Lisboa), o espaço que era dedicado à rapaziada da minha geração visando ou proporcionando a aprendizagem e o uso das bicicletas. Assim como, não sei se ainda existe um outro espaço contínuo, reservado a mais velhos com vistas a aprender ou praticar o uso de motociclos.
Lembro que as bicicletas, na maior parte, eram velhas e apenas com um travão na roda traseira. Excepção para as que eram consideradas de corrida.
Os motociclos eram da marca Famel (entre outras marcas), predominando a pintura de cor prateada. Só eram cedidos a quem tivesse mais de 15 anos e deixasse como garantia o bilhete de identidade.
O aluguer das bicicletas, tinham, quando eu menino, valor diverso em função do modelo e do tempo de utilização. Alugar uma pequena bicicleta, no tempo de uma hora, pagava-se então 5 escudos. O aluguer das “aceleras” era bem mais caro. Que inveja e tristeza me faziam os “motoqueiros”, quando da sua passagem bem barulhenta.
O meu salário quando comecei a trabalhar, aos 11 anos, era cerca 2$50 por dia, dinheiro que no final da semana era entregue à minha mãe.
Como podia ter dinheiro para alugar, por uma hora, a bicicleta que tanto cobiçava?
Não era fácil. Só possível se juntado aos tostões das gorjetas, o dia de salário que minha mãe me dava, e ainda um ou outro centavo do troco que rapinava quando ia aos recados.
 No meu Bairro das Furnas, a esmagadora maioria dos moradores era de condição pobre. Nós, miúdos, brincávamos com os brinquedos que fabricávamos. Éramos muitos solidários. Facilmente trocávamos os brinquedos, os nossos carros de esferas. A bola de catechu que tinha saído nos “bonecos da bola”, era emprestada a todos quando em desafios. Cedíamos os bilhetes do eléctrico/autocarro repetidos na colecção, por vezes em troca de nada. Quem não tinha bilas, peão ou caricas, não deixava de jogar.
Um dia, um menino com dinheiro suficiente para alugar, durante uma hora, as tão cobiçadas bicicletas do Campo Grande, pela tarde, resolveu por pés a caminho, não só no propósito de alugar uma, mas também decidido a traçar um percurso para longe da pista que lhe estava normalmente reservada.
A chegada do menino ao bairro, foi de festa para todos aqueles que o esperavam. E um a um, deram uma voltinha pelo meu velho bairro.
Era vermo-nos vaidosos e felizes por termos, mais uma vez, a oportunidade de andar de bicicleta. A alegria foi de tal forma que não deu para verificar que as horas passaram mais depressa.
Aflito, o menino, procurou saber por todos os “ciclistas”, se havia dinheiro suficiente para cobrir a despesa, que o tempo extra acumulou. Todos ficaram calados. Não havia!
Então o menino, sem qualquer rebuço, propõe:
Malta, vamos esperar que o dono das bicicletas as recolha e abandone o local.
Depois é só colocar a bicicleta no devido lugar e pirar.
Dito e feito. Já noite, perto da pista vazou-se um pneu da bicicleta e, os 2 ou 3 meninos da aventura, deixaram o velocípede encostado numa qualquer árvore das muitas existentes no Campo Grande. Obviamente, que o tempo extra da posse nunca foi pago, até porque a bicicleta  “avariou”.
Pica Sinos
Fotos Gloog
Notas à margem e não só.
Estas memórias surgiram na conversa com o Carlos Leite (Reguila) no recente almoço em que festejámos o aniversário do Palma.
Não sei bem porquê, vieram as bicicletas à ”baila”. E eu disse que um dia iria escrever sobre as bicicletas que se alugavam no Campo Grande e, uma aventura vivida em miúdo.
Dizendo o Carlos: Pica, como eu recordo esse tempo, e o Campo Grande.
Adiantando:
Eu comecei a trabalhar em Lisboa, aos 12 anos de idade, na antiga Cervejaria Peninsular, praticamente a troco do que comia. Esta cervejaria ficava no inicio do Campo Grande e na sua frente, em redor da estátua, avistava a toda a hora o Mário policia a alugar as motas.
Era ainda muito miúdo mas, enquanto não me sentei naquelas “burras” não descansei.
O Mário era uma maravilha de homem. Nunca me cobrou qualquer importância por eu dar umas voltinhas no recinto que ocupava.
Pica Sinos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Parabens ao Narciso



Segundo os nossos serviços de informação, o Narciso de Braga, faz hoje anos. Serão 66.

O NARCISO ESTÁ DE PARABENS
FELIZ ANIVERSÁRIO COMPANHEIRO

O nosso Narciso, em Tite, integrava o pessoal do reconhecimento e informação. É natural da capital minhota, Braga. Hoje, deve ser de nós o que tem mais netos tem – 5 – para o próximo Outubro vem mais um rapaz.

Casado, com uma linda mulher, também do norte, tem 4 filhos (2 rapazes e 2 raparigas), todos com formação superior. Dos netos 2 são meninos e 3 são meninas. O que vai nascer em Outubro próximo é um rapaz. Disse-o com voz forte.
Parabéns camarada. Que bonito e que alegria, (tu e a tua mulher) devem sentir verem toda esta família sentados à mesa. É certamente sempre uma festa!

O nosso Narciso, antes de ser mobilizado para aquela terra longínqua, trabalhava em Lisboa, mais propriamente em Algés, na profissão de entalhador, na bem conhecida firma Sousa Braga.

Regressado, 2/3 anos depois volta para Braga, e estabelece-se na área do mobiliário, onde chega a possuir 3 estabelecimentos.

OS AVÓS SÃO PAIS COM MAIS AÇÚCAR
Hoje, já reformado como a grande parte de nós, acompanha  amiúde os filhos e babado os netinhos, que reclama ser o campeão (em numero de netos) do pessoal da CCS do Bart 1914.

Aquele Abraço Narciso. Que contes muitos anos (com a demais família) com felicidade e saúde é o desejo de todos nós.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Justo agradece...

PARABENS, do Costa

Amigo Justo!

Olha para o que te havia de dar…  fazer anos. Não tinhas algo mais importante que somar mais um ano? Ainda se fosse fazer anos para diminui-los…
Bom, o melhor mesmo é que tu chegaste até aqui coisa que outros nossos camaradas não conseguiram… Mas para que continues assim com toda essa força de viver e somar mais uns bons pares de anos, aqui te deixo um conselho e uma reflexão.
Hoje é o teu aniversário e por isso aí vão uns conselhos: Sorri enquanto tens dentes, se alguém te chamar de velho, bate com a bengala e quando ele correr, tu atiras a tua dentadura nele ehehehehehe!!!!

Um forte abraço amigo Justo!
Costa
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Grande Costa
Para ti em dobro os desejos amáveis.
Força e genica, quanto a mim QB...a coisa rola bem, quanto a atirar a dentadura...fazes lembrar aquela anedota já com barbas, do tipo que apostou com o amigo que conseguia dar dentadas em ambos os olhos???!!!
Feita a aposta o "rapazinho" tira um olho de vidro e zás, da-lhe uma dentada.
O amigo ficou danado...vá, agora e o outro???
O amigo não esta de modas, tira a dentadura e prega nova dentada do outro olho!!!!!

Vês que tudo na vida normalmente tem dupla utilidade.

ABRAÇOS
José Justo.