Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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sábado, 10 de outubro de 2009

FOMOS COMEMORAR A REPÚBLICA AO ALENTEJO

No dia 5 de Outubro de 2009, fomos comemorar a Republica, na casa do Mestre, no Alentejo! Esperávamos a presença mais companheiros, mas por vicissitudes diversas não nos deram por ora essa alegria. O fim-de-semana era grande, naturalmente aproveitado, por uns, para visitar familiares há muito distantes das vistas, por outros infelizmente por insuficiência física, própria ou de familiares chegados, não deixando de referirem, ao justificarem as faltas, que o ano tem 365 dias e a vontade de confraternizarem com o Mestre e demais camaradas não se esgotou!

Comigo o Carlos Leite e o Marinho. Se bem que já tenha feito esta viagem por duas vezes, na saída da A2, em Castro Verde, o meu velhinho “GPS” não encontrou, por diversas vezes, as “coordenadas” do Monte Fialho. Momentos em que o condutor do veículo (Carlos Leite), não se inibiu de me catalogar de “caduco”, não porque o dissesse expressamente, mas não me foi despercebido aquele olhar de interrogado e de gozo.

Mestre!

Sim? “dize”…

É pá estamos aqui….

Aqui, ooonde?

Na estrada!

Escuta Pica, és nabo, volta para trás e no cruzamento telefona novamente!

Creio que a nossa chegada foi por volta das 10,30 da manhã. O Mestre e sua mulher, D. Conceição, recebem-nos com grande satisfação e alegria. Como sempre a mesa estava “pronta” com a produção caseira…Paio, Presunto de porco preto, Queijo, fresco e seco, Pão e Vinho. A conversa na mesa desenvolve-se muito animada e, mais animada se torna na medida em que o tempo passa e os produtos se “consomem”, sobretudo nos copos que o Mestre não se cansava em encher.

Enquanto a D. Conceição se esmerava na cozinha, nós com as barrigas pançadas do melhor e bem bebidos, chegava a hora de distorcer as pernas! O anfitrião brinda-nos com uma visita à sua “herdade”. Visitamos a sua produção hortícola e as obras da sua casa. “Chapéu” novo, garagem em novo estilo, tudo muito bem pintado. Parabéns Mestre, que a gozes com saúde e demais família.

Na visita à adega, vejo que o desengaçador/esmagador das uvas e a prensa hidráulica com uma rosca sem fim, já estão devidamente arrumados. As “pipas” estavam cheias e tapadas, ocorre o processo da fervura/fermentação. O cheiro é específico.

O Mestre desenrola os saberes da sua produção e, para meu espanto, desenvolve-se franca e animada discussão entre os enólogos Mestre e Reguila, atributos que desconhecia neste último camarada.

Com o desenrolar das opiniões e dos saberes, não tenho dúvidas se o camarada Hipólito estivesse presente viria engrandecer tal cavaqueira. Experimentado que foi, em Tite, no saque, engarrafamento e prova de produtos etílicos, destinados às prelecções apostólicas, hoje já bem especialista, tal como o Mestre e o Carlos Leite, na discussão da ciência que estuda todos os aspectos relativos ao vinho, desde o plantio, escolha do solo, vindima, produção, envelhecimento, engarrafamento e por último o “escoamento”, certamente ficaríamos (ainda mais), eu e o Marinho, de boca aberta por espanto de tais saberes. Óh Correia, Guedes, Cavaleiro, Contige, Barros, Zé Manel e Ramos, não sabem o que perderam!

Obviamente que na adega não houve prova, já tinha acontecido antes e…longas. Fogo, os gajos não se calavam com o processo do melhor fazer. O Leite dizia que devia existir uma torneira no fundo da “pipa”, o Mestre era de opinião contrária! Um dizia…isto é assim! O outro dizia-se discordante! Estes dois enólogos não se entendiam, que falta se fez sentir a terceira opinião. Já junto das cabras ainda se discutia o fazer do vinho, só na presença da já famosa cabra “menina”, os gajos mudaram de assunto. Os porcos pretos, já estão gordos, bem bonitos, quase prontos para a matança.

Ao almoço a D. Conceição brinda-nos com uma tachada de guisado de galinha do campo, logo seguida de uma outra com feijoada de porco preto. “Chi rapazes”! Momentos depois fomos brindados com a presença do João e da Graça, neto e filha do Mestre. Falámos de muita coisa e fizemos mais uns exercícios de informática, não sendo possível visitar desta vez o blog, por esgotado o carregamento.

Antes da partida ainda deu tempo para visitarmos uma aldeia ali bem perto. O Carlos Leite queria levar uns “mimos” caseiros, tais como pão, chouriça e queijo, sendo que o melhor estava para vir. O Mestre ofertou-nos, para além de uns queijinhos frescos e secos, um frasco de mel e uma lebre. Obrigado grande Mestre e D. Conceição, é sempre uma grande felicidade visitar estes amigos, até à próxima!

Pica Sinos
Blogger Hipólito disse...

Estás a topar estes zac-sarapantões, António?! Os porcos estão já quase prontos . . . É necessária uma terceira opinião, avalizada e científica . . . Até à próxima . . . etc., etc. e coisa e tal . . . Cá pr'a mim, estão os magalas a perfilar-se para um próximo golpe de mão. Ainda bem que nem sequer faço a mínima ideia onde fica o Monte Fialho, mas que a pintura e obras de tua casa estão a precisar de bênção e sequente molhadela, lá isso estão. E, para tal (só na parte relogiosa), penso que serei indispensável . . . Um grande abraço a todos.

13 de Outubro de 2009 11:32

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Presença Portuguesa na Guiné/Bissau - pelo Pica Sinos.

O pós independência Amilcar Cabral, o fundador do PAIGC não viu o sonho de uma Guiné independente tornar-se realidade, tendo sido assassinado em circunstâncias ainda não esclarecidas na Guiné-Conacri. É o seu irmão Luis Cabral quem ascende à presidência do país. Uma onda de perseguições alastra pela Guiné. Comandos Africanos que serviram o exército Português e alguns régulos e chefias tradicionais que durante a luta de guerrilha não tinham apoiado o PAIGC são perseguidos e executados. Em Tite num só dia 40 antigos comandos e régulos são fuzilados e enterrados em vala comum. Um número avultado de pessoas procura o exílio nos países vizinhos, o Senegal e a Guiné-Conacri. O regime multipartidário e as primeiras eleições Com o fim da guerra fria, acabava também o sistema de mono partidarismo em África, dando-se inicio em 1991 ao processo de democratização com a alteração da constituição que passava a permitir o pluralismo politico. Em 1994 têm lugar as primeiras eleições legislativas e presidenciais livres. Nino Vieira pelo PAIGC confirma a presidência com 52% na 2ª volta que disputa com Kumba Yalá (48%) do PRS. O parlamento é partilhado com outras forças politicas : PAIGC (62 deputados), RGB (19), UM (12), PRS (6) e FLING (1). Nos quatro anos que se seguiram não se registou grande evolução na resolução dos maiores problemas do país. O descontentamento dos veteranos de guerra e a crise económica agravavam-se dia para dia. Nino Vieira experimenta uma aproximação à Francofonia aderindo à zona do franco CFA em Maio de 1997 e assinando um acordo de defesa e segurança com o Senegal que obrigava a Guiné a apoiar Dakar na luta contra a guerrilha do MFDC de Casamansa. Neste quadro demite em Janeiro de 1998 o Chefe de Estado-Maior, o Brigadeiro Assumane Mané, acusado de ser responsável do tráfico de armas para Casamansa e de permitir a existência das bases da sua guerrilha em território nacional. 3 Assumane Mané a 07 de Junho de 1998 tenta evitar o seu julgamento encabeçando uma revolta e tentando neutralizar Nino no aeroporto de Bissalanca quando estava de partida para uma reunião da OUA. Grande parte da população adere à junta militar, ao que Nino dizendo tratar-se de um golpe de estado pede a intervenção do Senegal ao abrigo do acordo de defesa e segurança. Nino serve-se também das boas relações com Lasana Conté, presidente da Guiné-Conacri para que o seu vizinho do sul intervenha no conflito. Durante o conflito que opôs a junta militar e as forças governamentais, registaramse importantes confrontos na região. Unidades da Guiné-Conacri e do Senegal desembarcam em S.João (Bolama/Bijagós) e avançam pelos sectores de Tite e Fulacunda. Perante o avanço das forças estrangeiras que invadiam a região, as forças da junta militar são reforçadas por antigos combatentes do PAIGC e por antigos comandos africanos do exército português. Os primeiros combates entre as duas forças registaram-se na região fronteira entre Tombali e Quinara na estrada que liga Buba a Mampata onde se confrontaram as unidades da junta militar vindas de Quebo e as unidades governamentais que estavam estacionadas em Fulacunda. Nessa altura a junta militar transferiu o governo da região que se encontrava instalado em Fulacunda para Buba, onde a partir de então se instalaram também os diversos serviços do estado. Mantendo o estatuto de capital oficial, Fulacunda pretende recuperar esses serviços e o governo da região. A 25 de Agosto é assinado um acordo de cessar fogo na cidade da Praia mediado pela CPLP que é quebrado em Outubro com a conquista pela Junta Militar das cidades de Bafatá e Gabú ocupadas pela Guiné-Conacri. A 01 de Novembro tendo como mediador a CEDEAO é assinado em Abuja novo acordo de paz. Nino Vieira não desarma o batalhão presidencial de 600 jovens Bijagós “os aguentas”. A junta militar a 7 de Maio de 1999 lança uma operação militar em Bissau obrigando à rendição das forças leais a Nino Vieira que se refugia na embaixada portuguesa donde parte para o exílio, permanecendo em Portugal até às eleições de 2005. A 28 de Novembro de 1999 têm lugar as eleições Presidenciais e Legislativas, obtendo o PRS o maior resultado com 37,25% dos votos expressos contra 28,43% do PAIGC a nível nacional. Na região de Quinara é o PAIGC quem regista maior número de votos (5277) seguido de muito perto pelo PRS com 5204 votos. O círculo Buba-Empada elege 2 deputados do PAIGC e o PRS apenas 1, enquanto no círculo Fulacunda-Tite acontece o inverso (2 deputados PRS, 1 PAIGC). Os resultados das eleições presidenciais obrigam a uma 2ª volta a 16 de Janeiro de 2000, obtendo Kumba Yalá (PRS) 72% e Malam Bacai Sanhá (PAIGC) 28% a nível nacional. Na região de Quinara Kumba obtém 51,7% dos votos contra 48,3% para Malam Bacai Sanhá. Nas eleições Presidenciais de 2005 à 2ª volta (vide gráfico pág. ), Malam Bacai Sanhá (PAIGC), natural de Cam uma tabanca do sector de Empada, consegue 61,2% dos votos contra 38,8% para Nino Vieira (candidato independente). A nível nacional o resultado teve o sentido inverso tendo saído eleito Nino Vieira com 52,35% contra 47,65% para Malam. Nestas eleições registaram-se alguns casos de 4 pressão e intimidação especialmente junto da Rádio Comunitária Papagaio para que a campanha de Nino não tivesse acesso aos Media da Região. A 12 de Março de 2007 entre os principais partidos PAIGC, PRS e PUSD é assinado o Pacto Nacional de Estabilidade. Para o Governo da região é nomeado o governador membro do PUSD, assim como para o Sector de Fulacunda. O PRS assegura a administração dos sectores de Tite e Empada, e o PAIGC o sector de Buba. A 05 de Agosto de 2008, após ter sido demitido o governo de Martinho N’Dafa Cabi, sendo nomeado primeiro ministro Carlos Correia, são também nomeados novos administradores de sector e governador da região de Quinara, passando todas as funções a ser tituladas por membros do PAIGC. “A Missão de Observação Eleitoral Internacional 1999/2000. A participação Portuguesa”, Guilherme Zeverino / Luis Branco “A luta pelo poder na Guiné-Bissau”, Álvaro Nóbrega “História da Guiné – Portugueses e Africanos na Senegâmbia”, René Pelissier

domingo, 4 de outubro de 2009

Implantação da República - comemorada ao mais alto nivel em Mértola...

Amigos
Amanhã 5 de Outubro vamos comemorar a Republica
na casa do Mestre no Alentejo!
E que "Republica"
Sei que vão mais companheiros, mas comigo vai o Carlos Leite,
o Correia e o Marinho.
Creio que vamos chegar por volta das 10 da manhã.
Depois das comemorações dou noticias, até lá cliquem 2 vezes em cima da
endereço abaixo e oiçam que é um poema e musica lindos.
Quem quiser aparecer....avance. --
Pica -----------------

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Antigos Combatentes - Suplemento Especial de Pensão

Lei nº. 3/2009 de 13 de Janeiro Meus caros amigos: Recebi hoje da Segurança Social a informação de que ia receber um Suplemento Especial de Pensão, no valor de 100 € por ano. Por trás dessa carta vem impressa a Lei em epígrafe, que explica o inexplicável, justificando a atribuição de semelhante fortuna - como diz o Pica, nem dá para um papo seco por dia. Junto essa Lei para vossa apreciação... Abraços Leandro Guedes

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Fanado

Fanado - Cerimónia de iniciação masculina à vida na Guiné Bissau O Fanado é uma cerimónia de iniciação na vida adulta, para rapazes, praticada, ainda na actualidade, entre a tribo dos Balantas. Os Fanados já foram mais frequentes. Na actualidade são mais raros, dadas as precárias condições de vida deste povo e a cerimónia pressupor o consumo abundante de géneros alimentares, como o arroz e bebidas. A foto que acompanha este texto foi tirada a um grupo de Balantas, em alturas desta cerimónia. Eis como Eva Kipp (Guiné-Bissau: aspectos da vida de um povo, EDITORIAL INQUÉRITO, 1994), descreve a cerimónia: Normalmente, é o pai quem decide enviar o filho ao fanado ou, na sua ausência, o irmão mais velho; mas por vezes são os jovens que pedem para ir, desde que o irmão mais velho já tenha ido. Nas vésperas do início do Fanado, realizam-se várias festas e uma das mais interessantes é um concurso de canto e dança entre os diversos grupos que irão participar no mesmo. Cada grupo escolhe no seu seio o melhor artista, na dança e no canto. Durante todo o dia, esses artistas exibem-se na tabanca, simultaneamente, procurando arrastar atrás de si os espectadores. Assiste-se a correrias dos artistas que procuram arrastar as pessoas interessadas na sua actuação em detrimento dos outros concorrentes. Cada um procura fazer o melhor que pode no canto e criar improvisações teatrais mais interessantes. Ao fim da tarde, há um dos concorrentes que consegue arrastar atrás de si praticamente todos os presentes. É o grande vencedor do concurso e o mais famoso dos que irão entrar no Fanado. Nessa tarde, todos os que vão ao fanado comem a última refeição em casa, desaparecendo em seguida no mato sagrado, onde irão permanecer durante quase dois meses. O que acontece lá durante esse tempo é um segredo que nenhum deles poderá desvendar após a saída, mas sabe-se que, para além da circuncisão, eles têm de dar provas de poder passar a adulto e aprendem a nova forma de estar na sociedade no pós-fanado. No dia em que regressam do mato sagrado, realiza-se na tabanca uma grande festa e os que regressam do fanado recebem diversos presentes dos familiares e amigos. É a partir desse dia que eles conquistam o direito de usar um barrete de cor vermelha que distingue os adultos que já foram ao fanado na sociedade Balanta. É também a partir desse dia que o grupo de «blufos» da geração seguinte, jovens que ainda não foram ao fanado, começa o longo período que os conduzirá ao próximo Fanado, porta de acesso à sociedade dos adultos.” Publicada por JoséMVRio In: psvicente.blogspot. Zé Justo

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Do nosso António da Costa (Mestre...)

Compadres

Cá me vou desensarilhando do engulho em que o “magana” do Pica me atascou e a prova é que atamanquei, sozinho, este texto, iniciado, embora, lá vão já 15 dias, para mim, stressantes.

E para vos contar estórias que, há muito, sinto assolerpadas cá no gasganete e que, se não desembucho, rebento como uma castanha.

Tinha ido em operação para o mato, numa emboscada, como radiotelegrafista e por ordem superior, comuniquei, para a base em Tite, ser necessário apoio aéreo e de artilharia, que não se efectivou.

Passado o imbróglio, já em Tite, curei de indagar à boa maneira alentejana.

Banzado fiquei com o que se passara, segundo testemunhos insuspeitos, idóneos e oculares de vista:

O op. de mensagens de serviço, talvez para esquecer o nega levado da lavadeira, pouco antes, tinha, ao seu lado, uma telefonia, no máximo, sintonizada naquele programa de discos pedidos do PIFAS da emissora oficial.

E, confundindo o meu pedido com o que ouvia na emissora, escreveu, assim, a dita mensagem:

“Aqui, Mamadu Djaló, que firma no Catió.

A mim pidi canção de Giani Morandi, cá sou digno di bó.”

Também, me vai parecendo, que, naquela secção de reabastecimentos, não seriam lá grandes espingardas.

O Marinho, ao que se vê, passava o tempo na estância balnear do Enxudé ou a fazer viagens turísticas na DO ou no heli; o Guedes (hoje, já mais “calaceiro e calão”), na psicotomática da tabanca; o chefe, idem aspas, mais a tarefa da psico-fúnebre, pressagiando a salazarenta queda da cadeira; e o SPM, também da coesa equipa, entretido na enóloga e secreta missão de trasfega do bento néctar; e não sei se mais algum . . .

A talho de foice (os TMS, até se masturbam!), fui avivado pelo Narciso de que, afinal, o nicho e respectiva imagem, já referidos no blog, apenas, foram, pelo sacrista (a quem até já chamara a capítulo), limpos das teias de aranha e do pó acumulado, passados que foram três meses da nossa chegada e, pelos vistos, após insistente pressão da gandulagem e a iminente chegada do capelão.

Com esta, compadres, me vou, na busca de mantença para a escultural tropa do dia 5 próximo, a ver se cato, à mão, uns daqueles coelhos adoentados com mixomatose e que já mal podem das pernas.

Tirem-me daqui, p.f.

Um abraço do vosso

Tónio

(Mestre em bazucas)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Conto popular da Guiné/Bissau - pelo José Justo

CONTO POPULAR DA GUINÉ-BISSAU Dizem na Guiné que a primeira viagem à Lua foi feita pelo Macaquinho de nariz branco. Segundo dizem, certo dia, os macaquinhos de nariz branco resolveram fazer uma viagem à Lua a fim de traze-la para a Terra. Após tanto tentar subir, sem nenhum sucesso, um deles, dizem que o menor, teve a ideia de subirem uns por cima dos outros, até que um deles conseguiu chegar à Lua. Porém, a pilha de macacos desmoronou e todos caíram, menos o menor, que ficou pendurado na Lua. Esta lhe deu a mão e o ajudou a subir. A Lua gostou tanto dele que lhe ofereceu, como regalo, um tamborinho. O macaquinho foi ficando por lá, até que começou a sentir saudades de casa e resolveu pedir à Lua que o deixasse voltar.
A lua o amarrou ao tamborinho para descê-lo pela corda, pedindo a ele que não tocasse antes de chegar à Terra e, assim que chegasse, tocasse bem forte para que ela cortasse o fio. O Macaquinho foi descendo feliz da vida, mas na metade do caminho, não resistiu e tocou o tamborinho. Ao ouvir o som do tambor a Lua pensou que o Macaquinho houvesse chegado à Terra e cortou a corda. O Macaquinho caiu e, antes de morrer, ainda pode dizer a uma moça que o encontrou, que aquilo que ele tinha era um tamborinho, que deveria ser entregue aos homens do seu país.
A moça foi logo contar a todos sobre o ocorrido. Vieram pessoas de todo o país e, naquela terra africana da Guiné Bissau, ouviram-se os primeiros sons de tambor. Zé Justo in shvoong.com fotos: BlogBaobá fotolog.com

A presença Portuguesa na Guiné/Bissau - pelo Pica Sinos

A Guerra colonial Os ventos de mudança pós segunda guerra mundial que levariam às descolonizações em África também se fizeram sentir na Guiné. Depois do governo português ter recusado qualquer possibilidade de negociar a transferência política do território, o PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde) iniciou a luta armada no território. Encravado entre o Senegal e a Guiné-Conacri pode o PAIGC beneficiar do constante apoio destes países. A densidade das matas no sul do país e o relativo isolamento a que esta região era obrigada pela existência de inúmeros rios que sulcavam o território permitiram ao PAIGC consolidar uma luta de guerrilha mais efectiva que no norte do país onde os amplos espaços abertos não ofereciam as mesmas condições para este tipo de luta. A proximidade da fronteira da Guiné-Conacri constituiu sempre uma retaguarda segura que abastecia a guerilha. Os Balantas que durante o séc XIX tinham migrado para as zonas húmidas do sul em busca de terrenos férteis, pelo seu carácter combativo, constituem a base do movimento de guerrilha. Muitos dos seus primos do norte rumam às zonas sob controle do PAIGC para se juntarem à luta de libertação. A tomada de Guileje pelo PAIGC na estrada que ligava os sectores de Cacine e Bedanda em Tombali junto á fronteira da Guiné-Conacri permitiu à guerrilha criar o espaço para o estabelecimento das suas bases em território nacional que alargaram aos sectores vizinhos e à região de Quinara, formando assim a primeira grande zona libertada do país. 2 No limite norte da região, os sectores de Tite e Fulacunda, separados apenas pelo rio Geba, distam apenas alguns quilómetros de Bissau. A sua importância estratégica esteve na origem de violentos combates entre as forças portuguesas e o exército de libertação com frequentes bombardeamentos para a tomada destas posições. Passados 35 anos ainda se podem observar inúmeros efeitos indesejados desses combates. A presença de inúmeros projecteis não deflagrados (uxos) constituem uma ameaça às populações. As forças portuguesas vão perdendo o controle do território ficando sitiadas na ilha fronteira de Bissau e em aquartelamentos e povoações dispersos pelo interior. Buba resiste a intensos bombardeamentos das forças do PAIGC refugiando-se a sua população civil na margem oposta do rio durante longos períodos escondida nas suas matas. A 24 de Setembro de 1973, com a maior parte do território nacional sob controle das suas forças, em Madina do Boé, zona libertada junto à fronteira da Guiné- Conacri, o PAIGC declara unilateralmente a independência, reconhecida imediatamente por 80 países. “A Missão de Observação Eleitoral Internacional 1999/2000. A participação Portuguesa”, GuilhermeZeverino / Luis Branco “A luta pelo poder na Guiné-Bissau”, Álvaro Nóbrega “História da Guiné – Portugueses e Africanos na Senegâmbia”, René Pelissier 5 (próximo capítulo - "O PÓS INDEPENDENCIA")

sábado, 26 de setembro de 2009

MAIS UM QUE ESTAVA DESAPARECIDO E FOI ENCONTRADO PELO HIPÓLITO

Caro Amigo Raul Pica

Recebi a tua carta à qual passo a dar resposta como já falamos pelo telemóvel.

Como dei a entender está tudo bem, é bom que a gente se encontre para um almoço é só dizeres com tempo que é para eu estar preparado.

Aqui mando a minha foto como pediste, não tenho mais nenhuma de momento, mas se for preciso mais alguma coisa a gente se comunica pelo telefone.

Despeço-me mandando um abraço a todos os camaradas e um muito especial para ti, não esquecendo o Reguila (Carlos Leite).

Cândido Teixeira

Começo esta breve nota sobre o Cândido Teixeira, cuja morada foi encontrada pelo Hipólito, chamando atenção sobre a história da formação da freguesia onde nasceu, viveu e cresceu, este nosso camarada d’armas, até à idade da incorporação militar, e cujo paradeiro, há mais de 4 décadas, era desconhecido.

Com efeito, a Freguesia de Nogueiró, situada no distrito de Braga, refere na sua Resenha Histórica que, o seu povoamento talvez tenha sido feito desde a idade do ferro e, crê-se, habitada por uma tribo de Brácaros, povo que deu origem à cidade de Braga.

Foi nesta freguesia, situada na região de Entre-Douro e Minho, que o nosso Cândido Teixeira nasceu há 64 anos. Aqui aprendeu as primeiras letras e o ofício de marceneiro e da restauração de antiguidades. Oficio que abraça desde os 13 anos de idade.

Este nosso 1º Cabo Sapador-Mineiro, 10 anos emigrado na Alemanha, onde se encontram ainda a filha e os 2 netos, há muito que era procurado por nós, sobretudo pelo Carlos Leite, seu grande amigo.

Ó Pica, uma vez, diz o Carlos, eu estava de serviço na porta d’armas quando vejo chegar o Cândido. Ao ver-me triste perguntou-me… que se passa rapaz? … Oh pá estou cheio de fome… disse. Ai estás? …deixa lá que eu vou já tratar disso… finalizando a conversa o nosso sapador-mineiro diz …vai acendendo um fogueira que já volto.

Ó Pica, eu acreditei. Por detrás do “barraco” da porta d’armas, reuni uns pequenos troncos de madeira e fiz o que ele me mandou. Não é que na volta, passados cerca de 15 minutos, aparece o Cândido com um “nheco” meio depenado, e uma garrafa de vinho branco fresco. Foi talvez dos melhores manjares que comi em Tite. Estou ansioso para o abraçar.

Cândido Teixeira

Rua Francisco nº 7 r/c Dtº Brito

4805-070 Guimarães

Telm. 910666198

Pica Sinos

Na foto em abaixo o Cândido está com a enxada na mão

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A presença Portuguesa na Guiné/Bissau - pelo Pica Sinos

A presença portuguesa na Guiné Bissau.
A presença portuguesa nos rios da Guiné data já de 1440, quando as primeiras caravelas no esforço de encontrarem a passagem para o Indico foram também reconhecendo toda a costa africana. Ultrapassada a costa desértica mauritana e o Senegal, a recortada costa de estuários e rios que caracterizam a Guiné foi lugar de frequentes paragens para os marinheiros e mercadores portugueses que comerciavam com as populações comprando os produtos locais e escravos que numa primeira fase forneciam as cidades do sul de Portugal e mais tarde o mercado de trabalho escravo nas plantações de açúcar do Brasil. A região de Quinara foi desde essa altura conhecida desses marinheiros que penetravam terra dentro pelos rios abertos ao mar. O rio Grande de Buba passou a ser uma referência a partir de então especialmente para o resgate de escravos realizado pelos mercadores estabelecidos nas vizinhas ilhas de Cabo Verde. Alguns desses mercadores mestiços estabeleceram-se em permanência no continente. Conhecidos como lançados foram eles que primeiro realizaram a presença de Portugal nesta costa. Viviam das frequentes guerras entre reinos e etnias da região de que se aproveitavam e muitas vezes promoviam para a fácil aquisição de escravos. Embora presentes desde muito cedo em povoações costeiras, o efectivo controlo colonial só se veio a fazer sentir nas primeiras décadas do século XX depois de intensas e contínuas campanhas que opuseram os Portugueses aos reinos e etnias da região. Especialmente importantes foram as campanhas que os portugueses tiveram que realizar para pacificar e controlar os territórios dos Beafadas e Fulas na região de Quinara. Os interesses europeus por esta região de África, cedo se fizeram sentir. A presença portuguesa e francesa limitava o acesso e escala aos navios ingleses pelo que estes tentaram estabelecer uma colónia na vizinha ilha de Bolama situada na foz do rio grande de Buba ocupando a península que lhe fica fronteira e que integra actualmente os sectores de Tite e Fulacunda anexando-as como dependências à colónia Britânica da Serra Leoa em Dezembro de 1860. Este projecto de colónia anglófona à imagem da próxima Gâmbia, encravada na Guiné-Portuguesa não vingou por muito tempo. Depois de várias disputas e confrontos, a questão de Bolama é submetida á arbitragem dos Estados Unidos retomando Portugal a posse destes territórios em Outubro de 1870. Contudo, durante este período, frequentes vezes as etnias e reinos da região foram utilizados pelas duas potências coloniais para contestar a presença ora de uns ora de outros. A animosidade Beafada à presença estrangeira manteve-se durante muitos anos. O último dos grandes confrontos regista-se no sector de Tite e Fulacunda com os portugueses. A linha do telégrafo ligava Buba à capital da Guiné-Bissau que se estabelecera então em Bolama. Os Beafadas queriam fazer-se pagar pela passagem do telégrafo no seu território destruindo e atacando instalações o que originou a retaliação do exército colonial, pacificando-se a partir dessa data a região.
EUROPEAN UNION ELECTION OBSERVATION MISSION Guinea Bissau Legislative Elections – 16 November 2008 Region Overview Brief Historical Overview Fotos/imagens Google (próximo capítulo "A GUERRA COLONIAL")

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A TELA COM OITO HOMENS

Estranho!
Hoje, ao passear por uma Galeria de Arte, em pleno centro de Lisboa, confrontei-me com uma imagem que não sei como descrever. Eles eram oito! Não oito quadros, nem tão pouco oito esculturas. Eram oito homens, retratados numa tela a “olharem e a sorrirem” para mim. As perguntas que logo me surgiram foram “O que é que faziam oito homens sentados a uma mesa? O que pensariam? Do que falariam? Porque sorriam? No fundo, quem teriam eles sido para terem lugar numa tela de exposição”. Com mais entusiasmo ao analisar aquelas personagens, pelas suas rugas definidas e cabelos grisalhos, deu para reconhecer aquele que está em primeiro plano do lado esquerdo e, logo pensei que só poderiam ser pessoas com história de vida daqueles que dá gozo ouvir. Naquele retrato, embora hoje certamente já todos avôs, “vejo” uma união de jovens. Uma união de jovens que em tempos lutaram por aquilo que lhes diziam ser o melhor, mas que dessa mesma luta, recordam sobretudo (e foi o melhor) os laços de forte amizade que só a força de viver aliada ao perigo de a perder poderia ser conseguida. Um beijo para todos Sara Neves A "tela" é do Justo Santos Oliveira disse... Confesso não saber quem Homenagear. Por um lado a Sara Neves, cuja forma de expressão dá a ideia de ser uma Jovem com sentido incomum, nas Novas Gerações, no que respeita á Guerra do Ultramar. Por outro, o Justo, Autor da Tela, que retrata o Grupo de Amigos em que se integra, representando o todo dos Avós que se irmanaram pela Peleja. Será "Justo" que se repartam os Louvores e Honras entre ambos. Também o Leandro Guedes deixou um novo comentário: Minha Cara Sara Não a conheço e por isso me perdoe o à vontade. Mas quero-lhe dizer que não estou nada, mas mesmo nada, de acordo consigo. Dizer que aqueles oito magalas NÃO SÃO ESCULTURAS??!! Tenha santa paciência. Já viu homens mais formosos e esplendorosos que aqueles oito, ali sentados após uma bem regada feijoada?. Para a próxima a minha amiga vai ter que ir almoçar connosco, para ver de perto OITO VERDADEIRAS ESCULTURAS. Brincando consigo... Muito obrigado pela sua participação neste blog e continue porque é sempre bem vinda e é bom ter connosco alguém jovem, simpática e divertida. Leandro Guedes Ao companheiro Santos Oliveira: Também não o conheço, mas pelo seu curriculum, teria passado por Tite antes de nós. Seja também bem vindo caro amigo e continue a colaborar connosco. Mande os seus textos para um de nós e procuraremos sempre publicá-los. Um abraço Leandro Guedes