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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Quando o Pica Sinos assentou praça...




AS REFEIÇÕES ESTAVAM A “MILHAS” DAS COZINHADAS PELA MINHA QUERIDA MÃE

Para fugir à guerra, quando aos 18 anos de idade, dou obrigatoriamente o nome para o serviço militar, confesso que me passou pela cabeça desertar para um qualquer país da Europa a exemplo do que fizeram muitos jovens do meu círculo de amizades. Não tive essa coragem, entrando nas fileiras, como recruta, a 2 de Maio de 1966, na Serra da Carregueira (Sintra).
Aqui, desde inicio a disciplina imposta era muito rígida. Não havia facilidades para ninguém. As marchas de quilómetros, o rebolar pelas silvas e por terrenos acidentados propositadamente escolhidos, à minha pessoa não afectou grandemente. A prática, durante cerca de um ano das modalidades desportivas – luta greco-romana – no Ginásio Clube Português e mais tarde – no raby – no Sport Lisboa e Benfica, permitiu-me enfrentar sem grandes dificuldades a “radicalidade” da instrução militar. Os ombros, esses sim, tinham que suportar as dores originadas pelo “coice” ocasionado pelo disparo da espingarda mauser. As refeições estavam a milhas dos cozinhadas da minha querida mãe, nada tinham a haver com os bifinhos de cavalo com ovo e batatas fritas que a Georgina me presenteava muitos dos dias da semana. Também me incomodava seriamente acordar de madrugada, quando menos previa, para o exercício militar, desajustado à guerra de guerrilha praticada em África.
Concluída a recruta, passei para um regimento na cidade de Leiria. Tirei a especialidade de escriturário. Para fazer face às viagens nos fins-de-semana a Lisboa, era organizador de excursões cujo lucro era apenas o do custo da viagem na vinda e volta. De regresso ao quartel não faltava o avio da Georgina. Um naco de queijo, chouriço e umas latas com sardinhas, atum em azeite ou com pasta de carne, para servir de reforço às más refeições que o exercito também ali serviam.
Quando em 16 de Setembro do mesmo ano, já inaugurada a Ponte que liga Lisboa a Almada (Ponte Salazar, mais tarde 25 de Abril) sou colocado no Batalhão de Transmissões na Trafaria para tirar a especialidade de Cripto (especialidade esta que ainda hoje consiste na aplicação das técnicas que visam a transformação da escrita legível para ilegível, manual ou em termos mecânicos), as coisas aqui começaram a ser ligeiramente melhores. Também podia, com mais frequência, ver a “miúda” e os meus amigos, na medida em que só ficava no quartel quando de (faxina) serviço.
Dado com pronto e colocado no Quartel-general (QG), em Lisboa, em de Março de 1967, entre três cabos e dois sargentos, das muitas mensagens decifradas, quis o destino que fosse eu a decifrar aquelas que ditavam: a minha mobilização para a Guiné, a morte de dois soldados na Serra da Carregueira, por acidente de arma de fogo, no estágio das manobras do aperfeiçoamento militar, da Companhia de Comandos e Serviços que mais tarde viria a integrar o Bart 1914.

A 8 de Abril desse mesmo ano, no cais de Alcântara em Lisboa, despeço-me da família que me acompanhou ao embarque no paquete Uíge, que ao som da fanfarra militar e do acenar dos lenços, largou amarras e encetou a sua “marcha”, com destino à Guiné Bissau. A guerra essa “era já ali!”

Pica Sinos

terça-feira, 20 de maio de 2008

José Costa - galeria de fotos


Amigo Guedes!

Achei uma boa ideia essa de juntar uma foto antiga a uma actual.
Tinha ideia de o fazer antes, mas passou-me. No jantar dei conta de como a tua ideia é óptima. Pois ninguém me reconheceu e poucos eu reconheci também.
Pois aí vão duas fotos
Um abraço
Costa
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Raul Pica Sinos disse...
Oh Malta.
Este gajo quando era "puto" era quase modelo. Mesmo depois de "velho" não perdeu o charme. Oh Costa tu estás muito bem para a presente idade, conta lá como fazes?...
Pica Sinos

O que é que o Justo fazia quando no activo?.



Amigo Costa
Chamou-me a atenção comentares as tuas visitas a feiras de Maquinaria e C.Civil.Dizes que provávelmente nos deveria-mos ter cruzado nessas lides, o queacredito decerto aconteceu.Ora as Feiras de C.Civil, durante anos sempre foram em paralelo com as deMetalomecânica, que era o meu ramo. E isso tanto no Palácio de Cristal comojá na Exponor.Decerto que deves conhecer a firma onde laborei 32 anos de nome FERRÁRIA até1991 e depois NOVA FERRÁRIA, e o melhor para possivelmente te recordares seráo nosso Stand que geralmente mantinha a mesma traça.Como nota exclarecedora...o primeiro piso com o toldo ás tiscas era só BAR !!e as ferramentas era fixadas aos expositores com braçadeiras de cor...porcausa dos gamanços e também porque no local era só montar os expositores eestava pronto.As fotos referem o meu último Stand na METALOMECÃNICA 2002. Projectei, monteiedecorei todo o Stand nas nossas instalações do Lumiar, só não indo para oPorto, pois já estava reformado, foi como que uma despedida pela portagrande.O Stand tinha as dimensões de 30x12 metros e o bar no piso elevado 12x3 m.Era um espaço "simpático" !!Estás com óptimo aspecto, bem como o pessoal mais "chegado", isto pelas fotos que o Pica tirou do Almoço.Um grande abraço
Zé Justo

A malta em bate-papo...

Conversas em côr de rosa disse... Amigo Pica Sinos.... No passado dia 17 de Maio, foi muito importante para mim!Tinha saudades de te abraçar, e rever os velhos amigos!Só faltou o meu amigo Justo, a quem eu gostava muito de rever...Gostei muito de falar com a tua esposa, é um espectáculo!Quero deixar as desculpas à tua esposa, por não me ter despedido dela... a confusão das despedidas faz-nos esqueçer sempre de alguém!Temos que combinar qualquer coisa, extra estes almoços. Fica com o meu contacto: 963 406 250. Gostava que me mandasses o teu e o do Justo.Gostei muito deste blog, e vou mandar umas fotos minhas e da minha família mais recentes!Um grande abraço deste teu grande amigo Contige. Espero ver-te em breve. 19 de Maio de 2008 16:33 ------ Raul Pica Sinos disse... Amigo Contige Obrigado pelas tuas simpáticas palavras. Fica descansado que transmitarei o recado à minha mulher.O meu telefone é 965617492 o do Justo 964548194.A minha morada electrónica é raulpsinos@netcabo.pt a do Justo é hrjusto@sapo.pt.Uma nota mais: Quem atende o telefone do Justo é a Alda sua mulher pois o Justo tem ainda alguma dificuldade em falar e não pode nesta fase forçar muita a voz, portanto evita falar e dá preferência ao e-mail.Estou de acordo que o pessoal logo que seja possivel vá comer umas sardinhas assadas ao Meco à tua relote. Temos tempo lá para o verão o tempo estará mais seguro. Uma grande abraço também para ti.Pica 19 de Maio de 2008 18:03 ------ disse... Ó Guedes, o Pica tem razão, na realidade o emblema não tem as dimensões convenientes.Segue por correio uma caixa de garrafas de Whisky 25 anos (de galão) e um EMBLEMA NOVO para, se fazes o devido favor, incluires no Blog mas em ECRAN INTEIRO.Muito se agradece 19 de Maio de 2008 21:36 ------ disse... Grande Amigo Costa Não leves a sério as piadinhas sarcásticas cá do pessoal.O teu Porto já ganhou muita coisa, deixa os lagartitos de quando em vez molharem o bico.Um abração...BIBÓ PORTO CARAGO !! 19 de Maio de 2008 21:39 ------ disse... Amigos Quem é "Conversas em cor de rosa" ??Claro que devo conhecer...mas já vi o Blog e não consigo chegar lá !!É uma senhora !!?? estou curioso. 19 de Maio de 2008 22:22 ------ disse... ...Esqueçam...já vi que é o Contige !! Ganda malandro, está camuflado no Blog !! 19 de Maio de 2008 22:26

Estou de birra !


do Pica Sinos
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disse...
Éh...Éh...Éh...gostei desta...bem bolada !! Pica estás inspirado !!Vamos lá ver se os nossos amigos quebram um pouco a letargia e dão um bocadinho deles aqui ao Blog do BART.O esforço e dedicação, principalmente do Guedes e Pica Sinos merecem umas histórias e fotos de ontem e actuais.Vamos fazer um Blog de luxo !!Abraços para todos.
Zé Justo

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Galeria de Fotos

Meus amigos- Estou à espera que me mandem as fotos para iniciarmos a nossa galeria. Além das minhas tenho as do Pica Sinos, do Justo, do João Aleixo e pouco mais. Mandem as fotos, por favor. Um abraço Leandro Guedes leandro.guedes@pluricanal.net

Parabens aos Sportinguistas !


Para os nossos amigos e familiares que são Sportinguistas, aqui vão os nossos parabens e um grande abraço pela conquista da Taça de Portugal.
Leandro Guedes
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disse...
Amigos PortistasEmbora eu seja um lagartito de corrida e de quinta escolha, e não vá nada á bola-da-bola, vi na TV uma coisa de que francamente não estava á espera...um amigável e civilizadíssimo convívio entre adeptos das duas equipas.Pena é que não seja norma o que me pareceu excepção.Estranhei não ouvir o habitual "hino" da "morte aos mouros"...e outros epítetos do bom gosto costumado.No entanto, no melhor pano cai a nódoa, e no Marquês lá se viram uns tristezitos com comentários alarves ao FCP...enfim...devia haver um clube só para toscos !!Parabéns ao Porto, por tornar a vitória Sportinguista ainda mais digna.
19 de Maio de 2008 15:46
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Raul Pica Sinos disse...
Oh Guedes
Está bem registares a vitória do Sporting sobre o Porto mas o emblema não tinha de ser tão "expressivo". Podia ser um emblema mais pequeno. Já agora dizer que nas minhas bandas as businas dos carros não se calaram. Era a malta do Porto a protestarem pela derrota... EhEhEh. Bom apesar de tudo VIVA O BENFICA
19 de Maio de 2008 18:58
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disse...
...á viram algum nabo com boa cabeça ??...pois é, esta abécula fez dois comentários sobre a bola, mas no sítio errado.Vejam o texto do pedido das fotos do Guedes, mesmo acima deste.BROOOOOOOOONNNNNNCO !!

E já pensamos no próximo almoço, em Ovar !

Grande Costa Fiquei contente em aceitares o convite para organizares o próximo encontro na tua terra - Ovar -. Assumiste uma gratificante responsabilidade. A exemplo do de Salir do Porto e dos outros encontros, Ovar vai ficar na história dos melhores encontros já efectuados. As gentes do norte também sabem receber bem os amigos, não tenho a menor dúvida, ... acresce porque tu "és" das transmissões. E a malta das "transmissões" são aquela máquina, podes já inscrever-me.....e mais.... se necessitares de alguma ajuda conta comigo, a 250 quilómetros é certo mas conta com mais um das "transmissões"....eu! A última vez que estive em Ovar foi dois ou três dias depois da inauguração do Hiper Feira Nova. Já nem sei há quantos anos. De resto só "vi" Ovar quando passava no comboio a caminho do Porto. Recordo Ovar sobretudo a chamada "baixa" e a praia que é muito agradável. Um grande abraço Costa Pica Sinos
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Meus bons amigos!!! O dia 17 de Maio, vai ficar na minha memória para sempre!! Não imaginam como foi gratificante para mim rever aquela malta toda. Malta que, pelas vicissitudes da vida perdi o contacto durante 40 anos!!! Quis o destino que o nosso grande amigo Leandro Guedes me "descobrisse". Foi fantástico rever estes amigos que com eles passamos 24 meses bem duros com risco da própria vida naquele território de África. Pois é com muito prazer e uma satisfação mesmo do fundo do meu peito, que terei o maior gosto de ser o anfitrião e organizador do próximo convívio que será o 20º. e que se vai realizar em 23 de Maio de 2009 nesta cidade de Ovar sendo esta terra mais conhecida como cidade do azulejo, pão-de-ló e do carnaval. Até lá vamos estando em contacto permanente quer no Blog ou pelo meu Telem. 964013329 Sincero abraço José Costa
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disse... RapazesTenho um pressentimento que para o ano, e com o almoço organizado pelo nosso Zé Costa, e tanto quanto já me constou, até vão haver dois palcos com streep tease feminino e masculino com vara e tudo.Força Costa, sabemos que estás nos teus terrenos."O que faz falta é alegrar a malta". 19 de Maio de 2008 15:54
------ José Costa disse... Grande Pica Sinos!! Não perdes-te tempo rapaz!! Até já descobriste fotos do meu Furadouro. Excelente. Pois eu quero que o recorde de presenças seja alcançado em Ovar. Irei "bater" às portas de todos os colegas para marcarem presença.Um abraço
Costa 19 de Maio de 2008 17:56
------ Raul Pica Sinos disse... Boa CostaMas olha que não fui eu que lá coloquei a fotografia, foi o Guedes.No entanto quero dizer-te que eu não tenho a menor duvida que vais bater o record. Bom trabalho e já sabes estou cá para ajudar se necessário.
Pica

domingo, 18 de maio de 2008

O nosso agradecimento ao Monteiro e sua mulher

Olá Monteiro Tem este email o unico objectivo de te agradecer o belo almoço que a todos nós proporcionaste. A ti e à tua mulher porque sei que ela também te ajudou e muito nesta tarefa. O local de encontro era lindissimo, tendo como fundo a baía de São Martinho do Porto, com toda aquela marginal muito bonita, já sem a terra misturada com a areia. O calçadão de São Martinho está lindo. Depois o restaurante também muito agradavel, com óptima comida e bebida, muito bem servida, com abundancia e qualidade, num local sossegado e bonito.Estás de parabens Monteiro. Fizeste um belo almoço. O pessoal do restaurante foi incansavel procurando que toda a gente estivesse satisfeita. A escolha dos pratos foi muito boa e agradou a todos nós.Bem hajas Monteiro pelo teu esforço, porque realmente fizeste boa figura. Com um toque muito importante - é que o preço foi muito bom e a nossa confraternização não perdeu dignidade. Mas sabemos Monteiro que o dinheiro que pagamos não deve ter chegado para tudo. Um grande obrigado a ti e à tua mulher. Assim já mereces a reforma que chega daqui a sete meses... Um abraço. Leandro Guedes ------ Raul Pica Sinos disse... Óh Guedes Aqui só para nós que o Monteiro não nos "ouve". O Almoço correu deveras bem. Estava muito bem preparado. A comida, o bacalhau, o cozido à portugesa e o javali estavam divinais. O vinho foi á discrição e de várias castas. Fruta, gelado, pudim, café. Um "casamento" não seria melhor. Gostei muito do gesto do Monteiro em oferecer wisque ao pessoal. Devemos todos dar-lhe os parabens. Tudo ficou contente, satisfeito. Foi tudo muito bom. Grande Monteiro do Pica Sinos. ------ disse... Apreciei com bastante agrado todos os vossos comentários sobre o Almoço 2008.Nunca na realidade imaginei que fosse tanto pessoal.Daqui também os meus parabéns e apreço ao casal Monteiro, pena é que não o veja em nenhuma das fotografias.Seria um prazer revê-lo de novo, mesmo em foto.Um abraço a todos os convivas, estão todos lindos nas fotos. Zé Justo nota - Zé Justo, conforme o Pica Sinos te explicou o Monteiro aparece, embora um pouco longe.

O nosso almoço de ontem... com texto do Pica Sinos


Zé Manuel (Alcantara), Amador e Pica Sinos ............................................???





O Pereira e o ...??? .....................................................................João Aleixo e ???



Serafim à direita, o Guilherme ao lado dele.......................... Aqui falham-me os nomes

José Costa, ao lado dele o Hipólito (sacristão)
e o Cavaleiro de Costas


V.Alves, Paraiso Pinto, Claro, Guedes e F.Alves....................... Bolo do Batalhão


Os homens do clarim (os Bicos...) ....................................................... e ???


Leal, José Costa, Guedes e Pintassilgo ................Guedes, Serafim e Raul Soares (Comp.1743)


V.Alves, Pereira, P.Pinto e...? ....................................................................Vários

Todas estas fotos foram simpácticamente tiradas pelo Pica Sinos.
Quem me puder ajudar na identificação da malta, agradeço.
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Meus Amigos
O Monteiro e o Guedes pediram-me que eu fizesse uma "reportagem"deste dia comemorativo com o objectivo de se colocar no Blog.Eu como não sou jornalista procurei fazer o meu melhor no mais curto espaço de texto, pois se for muito grande a malta não lê, nisso estou eu habituado.Isto não impede que vocês façam também pequenas histórias neste dia complementando este pequeno trabalho que ora vos envio.Tenham um bom fim de semana
Pica
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Para o Zé das Osgas - o Justo:
Nota - Alguns amigos pediram-me para te mandar uma msn.Desses tenho fotografias individuais e na cabeça as "palavras de amizade"vou escrever a seguir.
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OVAR É JÁ ALI….A CIDADE QUE SUCEDE

17 de Maio de 2008, ao chegarem é-lhes difícil não contemplarem a linda baía de S. Martinho do Porto, o mar, apesar de uma ligeira ventania estava calmo, o sol esse semi-escondido. São cerca das 10,30 horas.

Em frente ao Parque de Campismo Baia Azul, ponto de encontro deste nosso 19ª Almoço Convívio das: Companhia de Comandos e Serviços, Companhia de Caçadores 1743, Pelotão de Morteiros 1208, Pelotão Daimler 1131 e Secção de Obuses, estacionados em Tite, componentes do Bart 1914, os participantes começam a chegar isolados ou acompanhados das suas esposas, filhos, filhas e netos alguns.

São habituais os gestos com os cumprimentos daqueles que todos os anos fazem questão em marcar presença nestes almoços convívio. Naqueles que há largos anos por esta ou aquela razão não tiveram a oportunidade de se encontrarem, não se fazem esperar fortes abraços, vive-se mais alegria, os olhos esses lacrimejantes, espalha-se ternura nas conversas que se sucedem entre os amigos de guerra e amigos para sempre.


Pergunta um; olha aquele é o Capitão Paraíso Pinto não é? Diz outro; sim é; está falar com o Cavaleiro. Olha o Guedes e o Gentil. O Costa e o Amador. Olha o “Chapa” e o Pintassilgo…. é, é, era padeiro com o Contige. Desculpa lá…. aquele não era o sacristão? E aquele ali não era o despenseiro Serafim a falar com o Alferes Claro?.....O Justo, onde anda o Justo? As perguntas e as respostas sucedem-se.

São 12,30 horas, o Monteiro, furriel sapador, organizador deste evento, dá ordem de partida à caravana automóvel ali presente. Salir do Porto é o rumo, espera-nos o almoço no restaurante Nascer do Sol cujos lugares nas mesas têm que ser aumentados, o número das presenças bateu o recorde. Nunca um almoço convívio teve tantos participantes com este, disse quem sabe.


Todos se acomodam, nas mesas os aperitivos, vinhos, sumos e cerveja à nossa espera. Ouve-se aqui e ali o barulho característico das rolhas a serem sacadas das garrafas. O bolo comemorativo do BART 1914 – Sem Temor - está junto à cabeça das mesas. A festa há muito já começara, agora brinda-se, os copos tilintam, tiram-se fotografias para mais tarde recordar. As conversas não se esgotam, juntam-se, aqui e ali para mais “dois dedos”. O bolo é entretanto servido.

Pela sobremesa, obviamente, os discursos não faltaram, houve quem cantasse o fado, que declamasse. O Pintassilgo assobiou uma linda melodia. Cantou-se os parabéns à mulher do Pereira, que fez anos ontem. As palmas, essas, foram muitas. Mas as recordações dos anos 20 em Tite e os “retratos” das suas vidas depois, essas não cessaram todo o momento……. Não… diz o Henrique…tens razão diz o Arrabaça. Diz o Abreu (que não melhorou nada, mesmo nada...)….o Bagulho onde anda esse gajo? Foi para o Brasil, dizem alguns.

São cerca das 17 horas, na partida repetem-se os sorrisos e os abraços com a mesma força da chegada, com a promessa que em Ovar – ano do 40º aniversário da chegada de Tite – os abraços serão mais fortes.
Pica Sinos

Justo, esta mensagem é para ti...

O Zé Justo, actual...





O Vira-pipas e o Pintassilgo............................................................O Sopinha e o Cavaleiro


Amador....................................................................................José Manuel (Alcantara)




Pintassilgo............................................................................................Chapas



José Costa .........................................................................................Contige
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Justo há só um! Este e mais nenhum
Amigão

Num outro texto fiz um pequeno comentário ao 19º Almoço Comemorativo da malta de Tite.
Penso que o Guedes e o Monteiro depois de o completarem o vão publicar no blog.
Tenho várias mensagens para ti. Muita malta sabendo que comigo partilhavas o
serviço de cripto é natural que me perguntasse por ti.
Eu disse aquilo que me tens dito. Que estavas doente.....mas que as melhoras eram bem visíveis e
um dia que estivesses operacional não deixarás de abraçar o pessoal.
E é aqui que a malta - amigos de sempre - me dizem:

Então dá lá um a braço ao gajo.
Diz que espero ansiosamente o dia de o poder ver e abraçar.
Diz que quero "beber" uns copos com ele.
Parece que o estou a ver, disse outro

Justo foram muitos sem conta. Mando a foto individual de alguns que por ti perguntaram
Diz coisas

Pica Sinos
Um abraço.
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e diz o Justo:
Grandes Amigos
Estou banzado com a quantidade de pessoal no almoço !!
Estou a trabalhar num texto abrangente sobre este evento, para o Guedes fazer ofavor de incluir no Blog.
Farei todos os comentários e elogios devidos e mais alguns apontamentos, para ficar coisa de jeito.Entretanto estou a editar e organizar as fotos.
Como estou a por fotos do antes-depois, nalguns casos tenho dúvidas...para já esta:
O da foto é na realidade o Pintassilgo ?
Aguardo vossa preciosa ajuda, e até muito breve com o texto.
Abrações
Justo
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nota - O caramelo de barbas é mesmo o Pintassilgo.
Sabes que da primeira vez que tentei encontrá-lo disseram-me que ele era inspector da PJ no Porto. Vai daí telefonei para a PJ a perguntar pelo inspector Pintassilgo. Responderam-me que ele estava no arquivo.
Eu, inocente, retorqui:
- Então volto a ligar daqui a pouco, quando ele já estiver no seu gabinete.
Responde o outro.
- Está emganado, o arquivo é o gabinete dele, é que o marmanjo não é inspector, é arquivista...
Isto foi há 19 anos...
Um abraço.
Leandro Guedes
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disse...
Para todos vós.
Sensibilizado e muito grato pelas referências dos amigos e antigos camaradas.Estou a preparar um texto para o Blog, agradecendo de uma forma global a msg que o Pica Sinos aqui transmite.Até muito breve.
Zé Justo.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Em jeito de gravata... (do Pica Sinos)


“EM JEITO DE GRAVATA” TRANSPORTAVAM NO PEITO AGARRADAS POR CORDEIS AS GRANADAS DOS MORTEIROS

As chuvas agravam o estado do terreno e particularmente das bolanhas na área de Tite. Atentos, “sentíamos” que o IN, conhecedor em pormenor do terreno, não deixará passar a oportunidade de exercer e desenvolver a sua actividade operacional. Os nossos pressentimentos têm fundamento quando somos conhecedores, através da informação, da intenção do IN instalar, por escassos dias, acampamentos perto das principais tabancas localizadas no perímetro operacional de Tite para, através da força e com o objectivo de engrossar os seus efectivos, “recrutar” jovens e outros elementos da população nativa com vista à prestação dos apoios como carregadores das suas colunas para reabastecimentos de material bélico e dos géneros alimentícios; fundamentalmente, o arroz de que necessita para o sustento dos seus exércitos. Simultaneamente procurar conhecer e, consequentemente, anular a movimentação das NT com vista a evitar que os naturais desses principais aglomerados populacionais se apresentem com as denúncias.

As Operações Especiais em Tite, (Bagulho por onde andas?) são informadas por populares que um grupo de 20 elementos maltratou a população de Tite de Baixo e acabara de se apoderar de grande quantidade de arroz e de vestuário (panos). Obrigara algumas mulheres a carregar o arroz roubado. E que um outro grupo com cerca de 30 elementos armados com morteiro 60, 2 LGP, e material ligeiro montara uma emboscada na orla da mata junto a Brambanda na esperança que as NT viessem a acorrer ao local nesse dia. Mas não! Era demasiadamente prenunciada a armadilha.

Por vezes, pelo silêncio da noite, era a melhor ocasião para solicitar aos telegrafistas rectificações aos “sitrepes” ou apanhados das transmissões via telegrafia. Identificar letras em textos cifrados, frases sem nexo e sem sentido de entre todos aqueles “apitos” não era uma tarefa fácil, ainda mais difícil quando as condições climatéricas eram adversas.

Uma das noites do mês de Outubro do ano de 1967 em conversa com o Amador e um outro camarada, que hoje não consigo identificar pelo nome, perguntam-me: Eles já saíram?

Não! digo eu, estão na fase da concentração. Então, dizem, vai lá ver e depois diz qualquer coisa. Assim o fiz. Abandono por instantes o “tiriri” do Centro de Transmissões e dirijo-me para a porta de armas.

Na minha frente perfilados a subir para os carros (GMC e Unimogues) os meus camaradas operacionais. São quatro horas e pouco da manhã, os homens, cerca de 50, vão armados com as mais diversas armas, as mais visíveis pelo seu porte são algumas metralhadoras pesadas e morteiros de 60mm. Agrupados por secções, uns, levam a descoberto as serpentinas das armas que suportam projécteis 7,92mm, outros, “em jeito de gravata”, transportam no peito agarradas por cordéis, as granadas dos morteiros. Estamos em plena época das chuvas, munidos com capas de borracha camuflada por cima dos corpos, com as espingardas metralhadoras G3 em segurança, mas com as balas já introduzidas nas câmaras, os meus amigos de todos os dias estão prontos para avançar rumo ao “desconhecido”. Às ordens dum oficial a operação………… começara. Em pensamento despeço-me….Até amanhã camaradas.

Raul Pica Sinos

Como umas chinelas podem salvar uma vida !... (do José Costa)


Como umas chinelas podem salvar uma vida!....

Devem estar recordados, que nos princípios o IN só atacava antes da meia-noite. A partir de uma passagem de ano, começaram a visitar-nos depois da meia-noite.
Num dos últimos ataques, deviam ser umas duas e pouco da madrugada, estava eu nessa altura a dormir juntamente com outros colegas no posto de rádio, quando fomos acordados com o matraquear das armas "deles" e dos morteiros. Imediatamente nos levantamos e há que fugir. Acontece, que eu ao por a mão na porta, dei conta que estava descalço. Naquele momento passa muita coisa pela nossa cabeça. Como tenho muita sensibilidade na sola dos pés, resolvi voltar à cama para os buscar, como tudo ficou às escuras demorei uns milésimos de segundo a procurar até que algo caiu entre a enfermaria e uma pequena antena que havia no posto de rádio virada para essa enfermaria e a verdade é que me iluminou. Calcei as chinelas (havaianas borracha) e quando abro a porta do posto de rádio, ouço um zumbido e instântaneamente o enorme estrondo e vejo um jeep a arder junto à caserna e a caserna a começar a arder também. Dirigi-me para aquele quarto que ficava no extremo do edificio de transmissões onde trabalhava o Vitor Hugo o Luis Filipe, Matos. Mas quando vou a entrar, gritam-me para não o fazer, pois tinha caído um morteiro. Efectivamente a peça caiu nesse pequeno hall furando o telhado e ao cair fez um pequeno buraco no cimento mas não explodiu.
Moral da história. Se eu não demorasse aqueles breves segundos à procura das chinelas, provavelmente teria levado nas costas ou na tola sei lá onde,com o roquete que atingiu o Jeep. E quem sabe se o morteiro que caiu no hall e não explodiu me teria atingido na tola!

Abraço-vos a todos
José Costa

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Anophelis, o da malária, do paludismo....

A larva e a a asa


O Justo tinha duvidas sobre o Anopheles pois cá vai o que consegui arranjar
Um abraço


Pica Sinos


Anopheles na Guiné-Bissau e na África em geral
Introdução
O gênero Anopheles compreende insetos pertencentes à família Culicidae, apresentando a denominação geral de pernilongos. Os insetos adultos medem entre 6 e 15 mm. São os transmissores da malária.
Biologia do parasito
A postura dos ovos é realizada em locais de água pouco agitada. Os ovos possuem flutuadores, sendo ovipostos separadamente uns dos outros. De dois a quatro dias após a ovipostura, o ovo se transforma em larva. As larvas das diferentes espécies apresentam preferências variadas quanto ao grau de salinidade e concentração de matéria orgânica. Larvas e pupas se desenvolvem em meio aquático necessitando subir á superfície para respirar. Em 10 a 20 dias as larvas evoluem à pupa. A pupa dá origem ao inseto adulto após um a três dias. O mosquito apresenta coloração escura com manchas brancas asas longas, com escamas formando áreas com manchas claras e escuras. Durante o pouso, o Anopheles fica oblíquo à superfície. Os insetos adultos se alimentam de água e seivas vegetais. Entretanto, após o acasalamento, as fêmeas necessitam de um maior aporte protéico, tornando-se hematófagas, e facilitando a transmissão de doenças. Após a maturação ovariana as fêmeas procuram os locais para ovipostura. Os anofelinos têm comportamento crepuscular.
Importância e prevenção
Os mosquitos deste gênero têm grande importância médica por serem os principais vetores de Plasmodium, protozoário causador da malária, e da filaríase linfática por Wuchereria bancrofti. Durante a hematofagia o inseto causa desconforto, insônia e até irritabilidade, principalmente quando o número de insetos é grande. A picada também pode provocar reações alérgicas oriundas de proteínas e peptídeos presentes na saliva do inseto. Assim, é necessário controlar o mosquito com o uso de telas nas portas e janelas, mosquiteiros, inseticidas e repelentes. Qualquer dessas medidas de controle deve ser realizada criteriosamente, para evitar intoxicação humana pelos inseticidas. Outras medidas importantes e de impacto coletivo são o saneamento urbano e a eliminação de locais de acúmulo de água parada. Essas medidas contribuem diretamente no controle do inseto e das doenças vetoriadas pelos mesmos. Também é essencial a realização de um monitoramento periódico do ambiente, a fim de identificar os locais onde este mosquito possa estar proliferando e realizar o controle adequado.

Contige, padeiro. Mais um regressado ao lar...



Contige ao volante, Pintassilgo e mais dois colegas.



O Contige, o Porto (de pêra), já falecido, Cap. P.Pinto entre outros



O Régua e o Contige










O Contige

Bezelga, o ???... e o Contige

O Contige apareceu e já disse "Até Sábado". Este ano seremos mais, não sei se devido ao blog, mas somos mais certamente.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Mais um episódio contado pelo Zé Justo




Episódio trágicómico, que não deu tragédia, por pouco, e sem nada de cómico...

Amigo Guedes

Ao ler no Blog o comentário do nosso companheiro Serafim e a referência que faz ao “Porto”, infelizmente já desaparecido fisicamente, mas na nossa lembrança, fiquei com pena a pensar nele, e lembrou-me se não será o mesmo que intervém no relato que se segue.
Perguntarei ao Serafim pormenores que me levem a tirar esta dúvida.

Sabe-se que em teatros de guerra, é inevitável darem-se mortes por acidentes com armas de fogo.

Estou convicto que muitos acidentes fatais acontecem, porque a habituação e contacto permanente com as armas, torna-se tão normal que acabam por ser “coisa banal” e a indiferença substitui as super precauções tidas com armas na vida civil ou desportiva.

Confesso que não sendo belicista - muito pelo contrário - sempre senti um fascínio enorme por armas.
Mesmo longe da guerra e trocada a G3 pelo lápis e o pincel, ficou-me o “bichinho” dos muitos tiros dados na carreira de tiro ao fundo da pista de aviação do quartel de Tite.

Já na vida civil, curiosamente tinha como colegas de trabalho rapaziada que comungava esta atracção, e volta e meia lá fazia-mos uma tirada até á Feira Popular gastar um dinheirão nos tirinhos e...claro, também nos petisquinhos. Eram momentos inenarráveis...que malta gira !!

Confesso que o acto de disparar e sentir vibrar uma arma automática nas mãos, mexe muito comigo ...enfim ...NÓIAS !! nunca conseguiria porém, dar um tiro a um animal vivo por mero “desporto”.
Vou narrar um episódio, onde sou o interveniente principal, bem como a espingarda de fabrico Soviético Simonov SKS.

No posto de rádio, situava-se um armeiro com armas capturadas ao PAIGC e que o nosso grupo de Comandos Boinas Verdes utilizava para as emboscadas nocturnas.

O facto de os nossos Comandos utilizarem armas do IN nas emboscadas, tinha como justificação, a grande diferença de som dos disparos entre o material deles e o nosso. O matraquear das metralhadoras era mais agudo, muito “irritante” notava-se á légua o “cantar” delas, e quando havia contactos entre forças, gerava-se confusão nas tropas do PAIGC sobre “quem era quem”, pois também eles conheciam as diferenças dos disparos.

Ora; estas armas quando no armeiro, estavam “sempre” descarregadas.

Era habitual fazer-se de quando em vez, fogo de treino na carreira de tiro. Uma tarde como o pessoal ia “queimar uns cartuchos” como sempre, convidaram-me, e... OK dirigi-me ao posto de rádio para ir buscar a Simonov.

Gostava de fazer fogo com ela, por ser muito certeira, muito leve e “elengatíssima” e achava o máximo a baioneta fixa ao cano com dobradiça.

Entrei no posto de rádio, agarrei na arma, puxei a culatra para trás, levei á frente, virei-me para o “Porto”, operador de rádio - e disse-lhe: - Oh “Porto” vou-te rebentar com os c.... ele virou-se para mim e todo lixado comentou: - Lá está este c...com as p....das armas...acto continuo, carreguei no gatilho, e...ouviu-se um disparo !!??...fez uma tremenda ressonância, e o posto de rádio encheu-se de uma fumarada e um cheiro a pólvora enorme.

O “Porto” dá um salto da cadeira e desata a correr aos gritos: - Este c... ia-me matar...é maluco...este gajo está “apanhado”.

O recinto encheu-se de pessoal, e eu, muito aparvalhado, estático, com a arma na mão, apontada para cima, com o buraco no teto feito pela bala ainda fumegando !!

Pormenores:
Na realidade era habitual as armas estarem sempre sem munições, mas na véspera, tinha estado em Tite o então Brigadeiro Spínola, numa das suas habituais visitas surpresa. Foi feita a guarda de honra com as NT e o grupo de Comandos “Boinas Verdes”, havendo ordem de municiar armas.

Após a visita, as armas voltaram para o sítio, mas...o Milícia indígena dos Comandos, não descarregou a Simonov !! e pendurou-a no armeiro.

Outro pormenor: A Simonov, se não tiver munições, a culatra depois de recuada, não avança devido á mesa apresentadora dos cartuchos, subir e bloquear o avanço. Ainda estou para saber porque não me apercebi do fecho da culatra...exactamente por ter munições !!

Safou o fim, não trágico, o cuidado que sempre tive, de nunca apontar uma arma a ninguém, e muito menos carregando no gatilho, daí o ter virado a Simonov para o teto, só depois disparando.

Não avanço a série de problemas que provoquei, mas estive prestes a levar ordem de prisão e provávelmente responder em Conselho de Guerra.

Devo o grande favor ao Alf. Carvalho, ao fur. Cavaleiro e ao facto de ter alguma popularidade entre Oficiais e Sargentos, o não complicarem toda a minha vida.

Já era grande amigo do Porto, admirava-o bastante por ser muito fiche e por ser um exímio telegrafista, mas ainda fiquei mais amigo depois deste episódio, e quando nos “petichiers” bebia-mos uns copos, só se falava do sucedido..

A dúvida se realmente foi ele que faleceu, causa-me bastante saudade e tristeza.
Zé Justo
14 Maio 2008
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do José Costa:
A propósito da história do Justo, uma achega minha.
Recordo-me desse episódio. Eu estava presente, salvo erro foi num Domingo à tarde. Apontas-te a arma, mas eu tinha a ideia que era o Amador de Alter do Chão e não o Porto, mas se o dizes...Agora o disparo foi feito para o tecto. A arma foi capturada ao IN era uma "Mauser" seria? Metia-se um pente 6 tiros calibre igual à nossa G3.Puxava-se a culatra e depois era sempre abrir.Era uma arma leve e muito prática. Essa arma "estacionou" no Centro de Mensagens. O Silva,(Francisco) radiotelegrafista, que me ajudava no Centro de Mensagens, é que saía muitas vezes com ela à caça.Lembram-se deste "gajo" cada tiro era uma rola morta. Que é feito dele?Um abraço a todos
Costa

Pica Sinos - galeria de fotos



Respondendo à sugestão do Guedes nomeadamente "a evolução da vida em termos estéticos"tenho-vos a dizer que a minha primeira fotografia foi tirada na cozinha em minha casa , logo após o meu nascimento no ano de 1945, pesando à data cerca de quatro quilos,descontado naturalmente o involucro.A minha segunda fotografia já tirada em Tite, com 22 anos de idade, num bidão em frente ao Centro de Cripto,numa altura, tendo em conta a feijoada ingerida, que não deu tempo para chegar às latrinas que estavam situadas ao fundo do aquartelamento.A careta que apresento não resulta por qualquer força de ocasião, mas pelo simples facto de eu estar "fulo",danado, marafado, não era para menos, pois pedi "por favor" papel higiénico,optando o fotografo, na ocasião foi o Justo,por me tirar a fotografia mandando cá o rapaz às ortigas, não atendendo as minhas solicitações para a higiene anal. A terceira fotografia, tirada "um pouco" mais tarde do regresso de Tite,nota-se perfeitamente que sou eu! .......Belo como sempre.

Raul Pica Sinos
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