Obrigado Joaquim Silva e Gracias Nanque.
Realmente Bissau era uma bela cidade, capital da Guiné.
Foi lá que tirei a minha carta de condução em 1967.
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
-
"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
-
“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
-
“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
---
"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
Obrigado Joaquim Silva e Gracias Nanque.
Realmente Bissau era uma bela cidade, capital da Guiné.
Foi lá que tirei a minha carta de condução em 1967.
A TRAGICA HISTORIA DA CART 1690, pertencente ao. BART 1914
O Hipólito alertou-me
em tempos para o facto de haver alguns textos no blog do Luís Graça &
Camaradas da Guiné, que citam a CART 1690, Companhia que pertencia ao Bart 1914
e que muito sofreu durante a sua permanência na Guiné. Obrigado Hipólito.
Publico aqui parte do que lá é escrito e quem quiser saber
mais deve consultar o blog deles
https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/search...
Do blog Luis Graça & camaradas da Guiné (LG),
transcrevemos os seguintes excertos, com a devida vénia ao blog Luis Graça
& Camaradas da Guiné. O nosso muito obrigado.
"Vd. poste de 24 de abril de 2015 > Guiné 63/74 -
P14514: Memória dos lugares (288): Gentes do Geba, parte I (A. Marques Lopes,
coronel inf, DFA, na situação de reforma, ex-alf mil da CART 1690, Geba, 1967; e
da CCAÇ 3, Barro, 1968)
(**) Último poste da série > 25 de setembro de 2014 >
Guiné 53/74 - P13650: In Memoriam (195): Cap art Manuel Carlos da Conceição
Guimarães (1938-1967), morto na estrada Geba-Banjara, região de Bafatá... As
suas irmãs, Teresa e Ana descobrem agora, emocionadas, as referências sobre ele
no nosso blogue e encontraram-se há dias, em Lisboa, com o Coronel A. Marques
Lopes, seu amigo e companheiro de infortúnio.
A CART 1690 foi mobilizada pelo RAL 1, fazendo parte do BART
1914 (Tite, 1967/1969). Partiu para a Guiné em 8/4/1967 e regressou à Metrópole
em 3/3/1969. Esteve em Geba e em Bissau. Comandantes: Cap Art Manuel Carlos da
Conceição Guimarães (morto em combate), e Cap Mil Art Carlos Manuel Morais
Sarmento Ferreira.
Esta subunidade tem um dos mais trágicos historiais da
guerra da Guiné: 10 mortos em combate, incluindo o Cap Art Guimarães, 2 alferes
milicianos e um furriel miliciano; 12 militares "retidos pelo IN" (e
levados para Conacri), dos quais 2 morreram no cativeiro; 5 militares, feridos
em combate, e evacuados para o Hospital Militar Principal, da Estrela, em
Lisboa, incluindo dois alferes milicianos, o A. Marques Lopes e o Domingos
Maçarico (meu parente afastado). (LG)"
Nota - no blog Luis Graça aparece algumas vezes a sigle LG
que pertence às iniciais do Luis Graça.
In Memorian. Documento da Academia Militar a quem agradecemos:
≈ In Memoriam ≈
Nome: Manuel Carlos Conceição Guimarães
Posto: Capitão de Artilharia
Naturalidade: Lisboa
Data de nascimento: 27 de Outubro de 1937
Incorporação: 16 de Outubro de 1954 na Escola do Exército
(nº 415 do Corpo de Alunos)
Mobilizações:
Alferes/Tenente: Índia de Maio de 1959 a Março de 1961
Capitão: Guiné de Abril de 1967 a Agosto de 1967
Condecorações:
TO da morte em combate: Guiné
Data da morte: 21 de Agosto de 1967
Circunstâncias da morte: No dia 21 de Agosto de 1967, uma
patrulha de reconhecimento e combate que regressava do exterior, já próximo do
aquartelamento da CArt 1690 em Geba, detectou a existência de minas na picada e
transmitiu para a base essa informação. O Capitão Guimarães deslocou-se para o
local para procederem ao levantamento das minas A/C tendo uma delas deflagrado
provocando-lhe morte imediata.
Com altos e baixos, lá se vai mantendo à tona para unir os amigos e companheiros que estiveram em Tite, bem como os seus familiares e visitantes.
Estamos quase com 700.000 visitas, o que para um grupo de cerca de 200 amigos, é obra.
Bem hajam os que por aqui passam.
Foi assim que começou este blog:"Olá Amigos
Boa tarde a todos. Não podendo passar ao lado das novas tecnologias e, embora já no Outono da nossa vida, vamos criar este blog... Falar uns com os outros, inserir fotos daqueles tempos ou actuais, fazer comentários, cortar na casaca uns dos outros, vale tudo, ou quase... Bons e maus momentos, saudades dos que connosco partiram para lá e que não chegaram a regressar O nome deste blog nasceu da nossa condição de veteranos da guerra colonial, do ultramar ou de Africa, como lhe queiram chamar e do local onde estivemos aquartelados - TITE, na Guiné Bissau.. Podem aceder também filhos, netos, até bisnetos, outros familiares e amigos. É mesmo um BLOG GLOBAL. Um abraço para todos.
Leandro Guedes"
BOM ANO NOVO PARA TODOS E AS MELHORAS PARA OS NOSSOS DOENTES.
Transcrevemos mais uma vez, um artigo do Expresso, e do seu repórter Alfredo Cunha, a quem agradecemos, sobre a Guerra Colonial :
23 DE JANEIRO DE 1963, QUARTEL DE
TITE
É difícil explicar a geografia
da Guiné a quem nunca lá foi. Afinal “aquilo tem o tamanho do Alentejo”. Mas
é um engano. Todo o litoral é uma planície pantanosa que se abre à foz de
vários rios. O que quer dizer que para descer o equivalente a 30 quilómetros
em linha reta, teremos que utilizar um barco ou dar voltas por terra horas sem
fim a contornar a boca de várias entradas de rios. E há o terreno de lama. A
vegetação. O clima tropical. As chuvas. Os mosquitos. No início dos anos 60,
a Guiné não era como as jóias da Coroa: Angola e Moçambique. Para o meio
milhão de autóctones de dezenas de etnias, havia uns meros dois mil
portugueses da Metrópole. Alguns deles militares, espalhados por quartéis nos
principais pontos do país. A zona sul, que faz fronteira com Conacri,
terrível em termos de geografia, e que seria comandada por Nino Vieira, iria
ser o ponto de partida da guerra na Guiné. Tite, um quartel da tropa
portuguesa, foi escolhido para a primeira investida noturna do PAIGC. É
conhecido por ser o local do primeiro tiro. E ainda se comemora como tal. É
uma data.
O quartel português de Tite ainda lá está. Mas em escombros. Restam as paredes e como sempre o mato vem reclamar o que lhe pertence. Ainda foi ocupado pela tropa guineense, mas abandonado em 1994. A poucos metros, impassível, está um poilão, uma magnífica árvore sagrada com dezenas de metros de altura. À sua sombra, os velhos. E, com eles, a memória. Logo ali dois que lutaram no exército português. Pedro Ussumani, 66 anos; e Brema Jasse, 73. Foram tropa feijão-verde. Brema, aliás, passou de soldado ‘tuga’ a coordenador do PAIGC, e fala desses tempos com cumplicidades e risadas. “Querem um terrorista? Vamos a casa do grande bazuqueiro”, e lá caminhamos umas dezenas de metros até à casa de Braine Sane, 63 anos, o tal artista da bazuca. Tudo amigo. “Fomos soldados, não há rancores”, diz.
Ussumani vai adiantando “que
depois das descolonizações há sempre uns exageros”. Mas a questão não era
entre guineenses, era da política de Salazar. Gostava de acabar nesta frase.
Não posso. Da mesma maneira que entre os jovens não há grande ligação com
o poder colonial, há um saudosismo verbalizado sem medo na geração mais
velha. Até em combatentes da libertação. Um cansaço da instabilidade. Da
destruição. Da pobreza. Mais do que do resto. O que confunde. E ouve-se isto.
“Se era para ficar assim, sem nada, com este braço sem força devido aos
estilhaços, não tinha ido combater”, diz o bazuqueiro do PAIGC.
E o tal primeiro tiro, como foi?
O homem que o deu morreu há poucos meses. E eis que chega à sombra do poilão
Pape Dabo, 89 anos, um homem pequenino. Não sabe de ouvir dizer. Esteve
presente no ataque de 23 de janeiro de 1963 e participou nas reuniões que
decidiram a operação no quartel de Tite. Tiro? Não foi tiro. “Só tínhamos
dez armas e a sentinela estava a dormir e, quando avançámos pela porta do
quartel, matámos o homem com um canhaco.” Canhaco? É uma lança que se põe
num arco. Mas foi com a mão. Perfurou-lhe o pescoço.
Ussumani vai adiantando “que depois das descolonizações há sempre uns exageros”. Mas a questão não era entre guineenses, era da política de Salazar. Gostava de acabar nesta frase. Não posso. Da mesma maneira que entre os jovens não há grande ligação com o poder colonial, há um saudosismo verbalizado sem medo na geração mais velha. Até em combatentes da libertação. Um cansaço da instabilidade. Da destruição. Da pobreza. Mais do que do resto. O que confunde. E ouve-se isto. “Se era para ficar assim, sem nada, com este braço sem força devido aos estilhaços, não tinha ido combater”, diz o bazuqueiro do PAIGC.
Mas voltemos um pouco atrás. Pape Dabo conta a história do ataque como já a terá repetido centenas de vezes. Não permite interrupções. Ele é o narrador e o dono da versão. Começa com ele e o irmão no quartel, a trabalharem como padeiros dos portugueses, e termina depois do ataque com ele a voltar a ser reconhecido pelos militares portugueses como um “dos bons” e, assim, a poder espiar. Pelo meio, o ataque: divididos em quatro grupos, só o primeiro entra no quartel; os portugueses acordam; os tiros; as mortes do lado dos ‘tugas’ terroristas (“terroristas eram vocês do PAIGC”, diz Pedro); depois, teve que voltar no outro dia, foi obrigado a ver os cadáver dos companheiros mortos e ter de fingir que não os conhecia. E recorda ainda quando o comandante alinhou a população na praça em frente ao quartel e disse:
“A guerra começou.”
|
"N |
As
várias equipas preparadas para atacar o quartel partiram de uma aldeia próxima de Nova Sintra. Reuniram-se numa mata próxima de Tite muito cedo, de manhã, à
espera da hora para atacar. Havia apenas uma arma por cada dez homens, estando
os outros combatentes armados com catanas e paus. O ataque iniciou-se apenas à
uma hora da madrugada.
No rescaldo do ataque os combatentes do PAIGC tiveram dois mortos e dois feridos.
Na foto de grupo em cima, tirada em Tite depois da Guerra, estão alguns dos guerrilheiros que participaram no primeiro ataque a Tite em Janeiro de 1963 (a devida vénia ao Expresso, aos seus Jornalistas e Foto-Jornalistas, pela partilha desta sua foto)
"Preparação para o 23 de janeiro em Tite começou com recuperação de emblema que simboliza o nosso grande setor Tite obrigado jovens os cacubas de Tite com apoio de todos filhos amigos di Tite força irmãos estamos juntos."
Esta é a noticia de UMARO USHER DE TITE (ver no facebook a sua página), que dá conta da recuperação do Emblema de Tite, que após a saída dos Portugueses ficou muito degradado, tal como todo o quartel que hoje está ao abandono.
Este Emblema, chegou a ser fontanário com ligação ao depósito de água do Quartel, onde o povo de Tite se abastecia. Salvo erro foi iniciado pelo Batalhão 1860, que nos antecedeu e depois o Bart 1914 foi mantendo.
Hoje está recuperado como mostra a imagem seguinte:
Realizou-se hoje o 50º convivio do Grupo MAGNIFICA TABANCA DA LINHA, no restaurante Caravela d' Ouro, em Algés.
Estes convívios são organizados pelo carola Manuel Resende e
destinam-se a todos aqueles que estiveram na Guiné.
Compareceram mais de 100 companheiros de armas, de várias
Unidades.
Do nosso Batalhão 1914, estiveram presentes (na foto, da
esquerda para a direita), Joaquim Henriques de Peniche (sala de operações), José da Costa de Ovar, (Transmissões) Cap Paraíso Pinto de Lisboa, (Comandante da CCS) Leandro Guedes de Torres Vedras, (Reabastecimentos operacionais) alf António Alves
de Oeiras (Sapador da CCS) e alf. Augusto Antunes de Lisboa Comandante Pelotão Daimler 1131).
Foi pena não terem comparecido os nossos amigos que são da
zona de Lisboa.
Leandro Guedes.
Não faltou a famosa aguardente de medronhos algarvia, do
irmão do nosso capitão.
O nosso companheiro António Vilão, completa hoje mais um aniversário.
Parabéns amigo que contes
muitos mais, com saúde e bem estar junto dos teus amigos e familiares.
Que tenhas um excelente dia
de aniversário.
Leandro Guedes.
Mais um aniversário completa hoje o nosso companheiro Domingos Monteiro.
Muitos parabéns companheiro, que contes muitos com saúde junto dos teus familiares e amigos.
Um forte abraço.
Leandro Guedes.
Hoje, um pouco de poesia que, a medrar, ou a marinar, deixei uns dias...
Vêde dela se algo vale e dela me dai apreciação.
Beijinhos, às Meninas. Abraços a todos, do coração.
LMD, 07.01.23.
===
AVANTE SEMPRE!
-
É aproximar-nos, a função da tristeza.
Uns aos outros nos achegar
claro é, com pungente delicadeza,
e, cortesmente, por bem nos deixar.
-
É um elo.
Uma ligação.
-
Um desejo vívido, um anelo
ou, deveras, súbito alarme do coração!
-
Encontra-se, suave e sempre, no centro
do augúrio que fazemos, numa adivinhação
que transcende espúrio, negregado acto malsão.
-
Assim visto, então entendo.
Destarte, entrego ao meu irmão
quanto de bom inda tenho:
desde gestos a amor e fraterna admiração!
-
Não! Vil tristeza não me afoga
não!… Lá longe, no azul celeste voga,
guiando-me, a solar luz que enternece
e aquece o quiçá em desventura ser,
que sou! E na alma, que me possui e faz ver,
larga, abundante energia flui, me desentorpece
em actos de coragem e nobre, valerosa inspiração.
-
Avante sempre, pois então!
-
LMD,04.01.23.
“A pedido do meu avô (Manuel Pereira) envio em anexo a fotografia do colega Armando Salgueiro da Costa para que faça a réplica para o cemitério.
Qualquer coisa que necessite é só dizer.
Cumprimentos,
Cátia Pereira""
NOTA -
O Armando Salgueiro da Costa, estava em Tite, Guiné/Bissau, no rancho geral e/ou
cantina das Praças.
Faleceu em 29 de Abril de 2022 e está sepultado no Cemitério
de Barcelos
Do Facebook da D. Patrícia Bezelga, filha do nosso amigo Bezelga , partilhamos o seguinte texto.
O seu marido faleceu há dias, vítima de doença súbita.
Expressamos a nossa solidariedade à D. Patrícia Magalhães Bezelga, neste momento tão triste da sua vida, dos seus filhos e do seu Pai, nosso amigo:
Que o seu marido descanse em Paz:
“Feliz 2023 🙏
Que seja um ano de saúde, paz e muito amor ❤️
Uma palavra de gratidão para com todas as pessoas que estiveram comigo em mais um momento de dor.
Se em 2021 perdi a minha mãe de um momento para o outro em 2022 perdi o meu amor eterno da mesma maneira ✨️✨️
Com vocês aprendi o que de melhor existe na vida AMOR.
Não é facil seguir em frente pois a vossa partida deixou um vazio, uma dor, uma saudade, uma solidão...
Mas sei que tenho no céu as minhas maiores forças para me guiarem.
Aqui bem junto de mim tenho a minha maior razão de viver os meus filhos 💙💟
Para 2023
Que nunca me falte a capacidade de sonhar e de ir a luta todos os dias por aquilo em que acredito pois sonhar permite me ter objetivos.
Mas aprendi que mesmo sonhando dia a dia devo viver cada um deles como se fosse o ultimo.
Viver intensamente com amor e paz
A todos aqueles que entraram na minha vida e me fazem sorrir e nunca me deixam sentir sozinha espero continuar a ter-vos na minha vida 🙏
🍀❤️🍀❤️🍀❤️🍀❤️🍀❤️🍀❤️🍀❤️🍀❤️🍀”
O Agostinho completa hoje mais um aniversario, o 77⁰.
Parabéns amigo que tenhas muita saude e bem estar junto dos teus familiares e amigo. Longa vida companheiro.
Um grande abraco.
Leandro Guedes.
Caro Henriques
No dia de hoje enviamos-te um grande abraço, pelo teu aniversário.
Desejamos que o passes com alegria e boa disposição junto dos teus familiares. e que tenhas muita saúde.
Um abraço
Leandro Guedes.
BOAS FESTAS PARA O POVO DE TITE.
Para o Povo de Tite, os nossos votos de Boas Festas e Feliz
Ano Novo.
Que consigam ultrapassar os problemas que os afectam a eles
e a toda a Guiné.
Um abraço dos militares que estiveram em Tite, entre Abril
de 1967 e Março de 1969, do BART 1914 e dos restantes pelotões independentes e
Companhias que por lá passaram durante este período.
Leandro Guedes.
"O Natal da minha infância
Recordo que havia sempre muito frio, por vezes muita neve e,
invariavelmente, gelo que se acumulava nos beirais das casas e nos caminhos e
riachos. A igreja matriz era devidamente enfeitada para poder transmitir aos
fiéis uma onda de misticismo condicente com a época. Passava-se isto na aldeia
de Louriçal do Campo. Para quem não souber onde fica, eu ajudo. É na base da
serra da Gardunha, na vertente sul. Durante cerca de uma semana que antecedia o
dia de Natal, havia um grupo de rapazes mais velhos do que eu, juntamente com
homens que se voluntariavam para arrancar o cepo da maior árvore que houvesse
nas redondezes e carregá-lo para o adro da igreja a fim de, na véspera, se
poder fazer o braseiro que arderia durante vários dias até se extinguir ou a
chuva o apagar. Durante a fase em que ardia, era frequente ver rapazes, -
raparigas não, - a atiçar o lume ou aquecer pés e mãos, enquanto se divertiam.
Em casa, as mães já tinham feito as filhoses em quantidades muito grandes para
poder satisfazer a gula dos mais novos, competindo para fazer a maior quantidade.
Era tradição. Chegado o dia era a entrada solene na Igreja onde o padre muito
bem paramentado aguardava os fiéis enquanto se ouviam cânticos próprios da
época. Seguia-se o sermão onde se explicava a origem da tradição e o seu valor
religioso. Ao lado via-se o presépio sempre muito bem construído e enfeitado.
Ainda hoje dá gosto lembrar. No final era tradição beijar o pé do Menino. Filas
para esse acto. Finda a cerimónia era caminhar para casa para um almoço
diferente. Mas pouco, porque não se vivia com a fartura que há hoje. Após a
refeição, os mais novos brincavam com os presentes, quando os havia. Nesse
tempo, quem queria brinquedos tinha de fazê-los. Eu nunca chegava a entender
como o Menino Jesus nascia em família tão pobre e em dia tão frio para salvar
os homens e vinha a morrer três meses depois já com trinta e três anos. Era
muito pouco tempo para tanto mistério. Por vergonha nunca pedi que mo
explicassem. Talvez ainda hoje não entenda muito bem. Durante esta quadra, por
não haver escola, tinha mais tempo para brincar com os meus irmãos e fazíamos
grandes bonecos de neve que se mantinham por vários dias, até que a chuva ou o
sol os derretesse. As árvores estavam lindas, cobertas de neve, e algumas
partiam com o peso enquanto os ribeiros congelavam e o gelo se formava sob a
terra dos caminhos fazendo um ruído próprio quando pisado. Tudo tão diferente
do natal que comemorei no ano de 1968 em que, em Fulacunda, após uma ceia tão
agradável quanto possível, nos foi servido o filme “O Homem das Pistolas de Ouro”
e, cinco minutos após fomos servidos de um ataque que provocou um rasto de
morte, feridos e destruição. O filme continuou a correr em sala vazia até que
cortaram a energia e tudo parou.
Mais tarde tentei recriar o Natal da minha meninice para o
servir aos meus filhos. Já não era possível. Tudo tinha mudado. Hoje, resta a
saudade. Tenham um bom NATAL.
Joaquim Caldeira"
(dezº2010)
O NATAL DA MINHA INFÂNCIA...!
"
Logo no primeiro dia das férias escolares, dava-se início à
“construção” do presépio.
Munidos de sacholas, enxadas e outros utensílios íamos pelos
campos apanhar: musgo, terra, esta de preferência de cor avermelhada (barro),
arbustos e pedras, para que estivéssemos na posse de tudo o que era necessário
para a nossa grande tarefa….
Depois era deitar mãos à obra e fazíamos de tudo……, bastava
um pouco de imaginação e alguma arte…
Com papel-cenário de côr azul, conseguíamos obter um céu
lindíssimo, as estrelas eram desenhadas e recortadas em cartão e depois
forradas, umas com papel-prata e outras com papel-dourado; construíamos os
montes, os vales, os caminhos, os riachos e ribeiras; com algodão fazíamos a
neve que traduzia a existência do frio próprio da época…. enfim, tudo era feito
com uma dedicação tal que, acabado o presépio, estávamos perante uma autêntica
obra de arte e com a consciência do dever cumprido.
Depois ficava-nos a grande ansiedade pela chegada da noite
de Natal. Era na verdade um grande momento…
Pôr o sapatinho na chaminé na noite do dia 24 de Dezembro,
para que o Menino Jesus pudesse deixar presentes àqueles que, durante ano se
tinham portado bem, que tinham sido obedientes, bons alunos, etc, etc…..era a
tradição que todos nós (os actualmente sexagenários) conhecíamos, era aquilo
que os nossos pais e avós nos transmitiam e que na verdade tinha tanta beleza,
tanto encanto….
O Jantar de Natal era com toda a família reunida e, à
meia-noite, todos ou quase todos, iam assistir à missa do galo.
Porém, ninguém se ía deitar sem primeiro depositar, junto à
chaminé os seus sapatos, ou botas, sim porque se defendia na altura que, nas botas, o Menino Jesus
teria possibilidade de deixar mais e maiores presentes…...
No dia seguinte, bem cedo, era a corrida à chaminé e a
grande alegria para os mais novos que se deliciavam a abrir cada um dos
presentes que o Menino Jesus tinha escolhido para lhes oferecer….
Era assim o nosso Natal…….
E como era interessante, como era lindo, como era mágico……
Que saudades....
Albertina Granja
(Dez2010)"
Caro amigo José da Costa
Muitos parabéns pelo dia de hoje em que fazes mais um ano.
Desejamos que tenhas muitas saúde e bem estar na companhia da tua familia.
Um forte abraço.
Leandro Guedes
“Feliz natal e um santo ano novo para todos os camaradas da ccs, pm .1208 pd.1131.
j. M. Paraíso pinto.
Comandante ca CCS”
Desejamos que tenhas um dia muito feliz, hoje que completas mais um aniversário.
Um forte abraço com votos de boa saúde junto dos teus familiares.
Leandro Guedes.