Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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segunda-feira, 7 de março de 2011

TABACARIA, de Fernando Pessoa - pelo Cavaleiro

Companheiro,

O carnaval, como tudo, faz-me recordar variadíssimas coisas.
E porque esta bela poesia do Fernando Pessoa é, para mim um hino à modernidade e à universalidade de qualquer expressão poética, lembrei-me que, embora inserida noutro contexto, também ela reflecte muito o “carnaval” dos nossos dias.  

Julgo por isso que, “Tabacaria” é digno de constar no nosso blog. Aprazível de ser lido…………….muitas vezes.

Espero que partilhes do meu gosto.

Um abraço,
Cavaleiro

                              ………..
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

TABACARIA (15-1-1928 )  
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
0 mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra ,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.

0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.

In Pessoa, F. (1981): Obra Poética

sexta-feira, 4 de março de 2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ser ou não ser TUGA, eis a questão...

De Pedro Farinha
pedronogueira@netcabo.pt
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Boa noite,

Tenho apenas 28 anos, não combati mas o meu pai foi militar (não foi ao ultramar) e tenho o maior respeito pela classe militar e pelos sacríficios que os nosso Portugueses fizeram naqueles anos.

A razão do meu e-mail é porque não consigo encontrar a origem do termo “Tuga”, que me disseram que tem origem na guerra do ultramar.

Ninguem melhor que vocês me pode ajudar a transmitir o significado deste termo, se me confirmarem que teve origem na guerra (seja do lado dos portuguese, seja dos locais)

Um grande abraço e obrigado.
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Caro amigo
Procurando dar satisfaçãoà sua pergunta ,pesquisamos na Wikipédia e o resultado é o que a seguir se transcreve.
Cumprimentos
.
Tuga

Tuga(s) é uma expressão utilizada para designar o(s) portugues(es), tal como acontece com Lusitanos ainda que este último seja um termo mais erudito ou literário. Tuga é uma abreviatura de Portuga que, por sua vez, é uma derivação regressiva de português, com fontes registadas desde 1899.[1]

Tuga na Guerra colonial
O termo tuga popularizou-se durante os anos 1960, no decurso da dita "Guerra Colonial", como expressão para designar os portugueses por parte dos guerilheiros e oposição independentista africana em geral. Tinha como contraponto o termo turra (para terrorista, influenciada por gíria turra (andar às turras), usado pelos portugueses para designar os guerrilheiros independentistas. Ambas as expressões foram, nessa época, entendidas como depreciativas, por serem usadas pelo inimigo.
Um exemplo adicional numa obra mais recente que releva a conotação depreciativa do termo, in [1]: " (…) Ma-Tuga no mato. Imagens sobre os portugueses em discursos rurais moçambicanos * (…) * «Tuga» é um termo algo depreciativo utilizado, em especial nos contextos urbanos, para definir portugueses.(…)"
Tuga nos nossos dias
Nos últimos anos, em Portugal, a expressão tuga tem vindo a ganhar nova força, já sem a carga negativa que teve em África nos anos 1960. É muito usada no desporto e em formas de cultura ligadas aos jovens e à música (especialmente nos movimentos Rap e Hip Hop).
No Brasil o termo tuga não é usado, apesar de portuga o ser amplamente.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Viana do Castelo

Um belo video sobre o "Ouro" de Viana, enviado pelo nosso companheiro Julio Garcia da CCAÇ 2314, que nos substituiu em Tite.
Obrigado companheiro.

Cique aqui em baixo
http://lugardoreal.com/video/ouro-tradicional-de-viana-do-castelo/

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Companheiros, vamos aos fados? Está na hora!


com a devida vénia, video RTP, enviado pelo Cavaleiro

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Vêm-me aporrinhando os viperinos do costume...

Vêm-me aporrinhando os viperinos do costume . . .
E não há duas, sem três . . .

Há um mês, o “capo”  dos “dótôres da mula russa” e “calões”, à última potência, (a primeira expressão, da autoria do mesmo capitão, a segunda, conclusão, minha),  azucrinou-me a moleirinha, até dizer, chega  . . . “bombeirito de meia tijela”, “protegido do blog”,  “inveterado saltimbanco por tudo que é sítio comestível”, etc., etc.
Há uma semana, “o maestro” dos ditos cujos, só faltou escrever que o, no wc, surgido, eram “ideias de merda” (desculparão, se não vai escrita conforme o novo acordo ortográfico).
Ontem, ao tentar convencer o Mestre, de que estava, eu, a providenciar, no sentido de obter, para o pessoal das transmissões, uma bêncão papal que os redimisse e encaminhasse, de novo, para o bem, tipo “arrocho”, pespega-me ele:
- Pede, mas é para ti, que bem precisas, meu arrota-pescadas . . .
Tentei, ingloriamente, convencê-lo de que, límpido, puro, sincero e sem mácula, como, à evidência, sempre fui e sou, não precisaria dessa benesse.
 -Tu ?! . . . Nã vareies !  . . . Nã sabes, tampouco, quando nascesti !!!  . . .

Cheirou-me, logo, a sacarrolhice do “maestro da charanga”, junto do seu dileto assessor, para obter informação, não conseguida de motu proprio, quiçá, para insondáveis desígnios.
É desconsideração e afronta, de sobra, para um homem só . . .
Vilipendiado, apodado de queixinhas, doravante, escreverei só melengas, tipo todo do nosso senhor, e estou safo.

Ademais . . .
Na agro, como na higiene,  não leram, está na cara, a cartilha de higiene militar, documento altamente instrutivo e que, em tempos, apareceu no blog, não dão uma pr’á caixa . . .

Pois, meus meninos, fiquem sabendo . . .
Serve, aqui, a tesoura, para aparar o grelo (da batata), evitando, no rego (qual carreiro, qual cabaça ?!), uma exagerada florestação, como, ora, é moda, higiénica, segundo alguns,  e, onde (rego) se “sameiam”, ou “repousam”, consoante as individuais potencialidades, pois claro, as batatas.
Confesso ignorar (não se pode ser bom a tudo),  se, no nabal (cultura mais arreigada em Gondomar), outrora frondoso e viçoso, vem sendo aplicado o mesmo processo.

Essa, a das abluções matinais em zonas íntimas, via repuxo ou similar, após evacuação, como vi, acrescido (mas extra preço de cartaz) de massagem com leitinho de colónia, no tal poiso, que reservei, já, no século passado, entraram, neste reino, em completo desuso, simplesmente, por susceptíveis de potenciar, no of  . . ., tumefacções, género calo no “c . . . com’ó macaco”, como mais para sul, de águas muito ferruginosas, ainda, hoje, como confessado, poderá muito bem acontecer ao mais pintado dos daí e periferias.

Presumivelmente, desse uso e abuso, advirá a fama e proveito, como consta e é consensual, de que, os do sul, não levantam o rabo, por nadinha deste mundo . . .

Hipólito
(aspirante a quê ?!!!)

Poema aos homens constipados


(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
Anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes
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Amigo,

Um pouco de cultura fica sempre bem no Blog.
Poderá acontecer até, que “alguém” se reveja neste poema do António Lobo Antunes, não achas?!!

Um abraço,
Cavaleiro
_______________________
Tens toda a razão companheiro.
ESte poema está divinal.
Pena é que as Lurdes dos nossos amigos não venham aqui contar as vezes que já sentiram os maridos "quase morrerem" por causa dum pingo no nariz ou duma réstia de febre, ou até duma simples dor de cabeça...
Seria muito interessante.
Abraços.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

pelo Hipólito...

"Há tantos burros mandando em homens com inteligencia, que às vezes penso que a burrice é uma ciencia."
Antonio Aleixo.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ainda o aniversário do Marinho.

Embora com atrazo, aqui se publica um mimo do Justo para o Marinho.
Abraços

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

7 vezes 13 são 28 ???

Não acreditam? Então vejam.

Ser feliz ou ter razão...

Assunto: Ser feliz ou ter razão?
O TEXTO É BEM PEQUENININHO E INTERESSANTE P/PENSAR A RESPEITO
SER FELIZ OU TER RAZÃO?

Oito da noite, numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos. O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem.
Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados. Mas ele ainda quer saber: - Se tinhas tanta
certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais... E ela diz: - Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.
Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!

MORAL DA HISTÓRIA   
Esta pequena história foi contada por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não. Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais freqüência: 'Quero ser feliz ou ter razão?
Outro pensamento parecido, diz o seguinte: "Nunca se justifique; os amigos não precisam e os inimigos não acreditam".
Com isto vamos ver se o mundo melhora.
____________________
enviado por mão amiga.
Obrigado

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Faleceu o João Leite - CCAÇ 2314

Caros companheiros.
Ainda há dias me referi ao João Leite.
Volto agora para comunicar o seu falecimento em 16 deste mês, vítima de doença prolongada, na sua terra natal - São Miguel, Açores.
Joaquim Caldeira
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Hipólito disse...

Descanse em paz.
Mais um guerreiro condecorado nos deixa, com muita saudade nossa.
E, com ele, se vai um pouco da nossa memória coletiva, enquanto habitantes forçados de Tite.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

OS ESCLARECIMENTOS QUE FALTAVAM POR OCASIÃO DA VIAGEM A MACEDO DE CAVALEIROS E AINDA A PROPÓSITO DA SEMENTEIRA DAS BATATAS NO QUINTAL DO HIPÓLITO

Não sei se vos passou o mesmo pela cabeça …
No meu caso, se não conhecesse a capacidade de organização do pessoal das transmissões, era motivo para enquadrar, face às confusões do Hipólito, levar a tenda de campismo para Macedo de Cavaleiros, mas fiquem descansados que tal não é necessário!


Diz o Hipólito para enquadrar o resumo da sua viagem a Macedo de Cavaleiros, ou melhor, escreve o nosso aspirante de eclesiástico jubilado, embora de forma encapotada, que as ideias só lhe surgem quando em função na sanita, ficando irritado e “co’a” a mosca quando não encontra o “acessório higiénico” após funções e prós “ finalmentes”. Mais fulo ainda porque a sua viagem a Macedo de Cavaleiros lhe foi “ordenada” por um “criptólogo” e benfiquista, nascido na freguesia e simpatizante do clube lampião, porque lhe estragou, embora não o denunciasse, a “plantação” das batatas no seu quintal marcada para o mesmo dia.

Pois é. Já tinha notado! Ah minha pessoa também é pela manhã que vêm as ideias à cabeça, mas sinceramente só depois de todas as funções pró fisiológicas e com acabamentos higiénicos tipo século XXI. “Cá na casa” há anos que só se usa o jornal para leitura. Ao contrário do Hipólito, sinto-me aliviado e contente por ter “nascido”.



Adiante! Colocando tudo isto de parte, o nosso amigo Hipólito, a custo, (olha as batatas) lá partiu de Baltar para Macedo de Cavaleiros, ao encontro de mais um “Dr. das Transmissões”, (“Dr.” cognome escolhido e praticado em Tite por um conhecido capitão), levando no pensamento aquela “boa” disposição por ir ao descubro de mais um “pilha-galinhas” das transmissões, o Alberto Camelo, ex-1º Cabo de Transmissões e, da 1ª liga do ti-ri-ti-ti na Guiné, no período de 67/69. E como resultado desse encontro declara:
Fiquei com a certeza de que está em boas mãos a organização do dito cujo (Assembleia Geral do Bart 1914 em 14 de Maio), tal o entusiasmo e empenho, dele, da esposa, filho e nora, demonstrados…


Mas a confusão foi estabelecida, quando o meu pedido de ser encontrado um local, acessível à minha bolsa, com vistas a pernoitar no dia anterior ao evento. Que, ao parece tal não visitou, mas sim terá lido um prospecto de propaganda do Convento de Balsamão, anunciando que o preço das pernoitas eram bastante acessíveis, dado dispor de aquecimento central os 37 quartos. Provido de sala de convívio e TV, bar e restaurante. Acrescentando, que para tal, ou então não percebi, tinha que ser contactado um polaco de nome Casimiro WiszynsKi, sendo também condição para os hospedes aqui albergados, rezar o tercinho, antes da deita, caso contrário não eram aceites! Será (?).

Também não percebi porque o nosso amigo Guedes, troca o nome de Balsamão por Balsemão. Será que este último também tem um convento com condições dormitarias lá nas redondezas apresentando-se mais barato? Façam o favor de esclarecer tá bem?

Por último dizer ao nosso “baltarnenseque pessoalmente estou na disposição de pagar o preço que pagou pelo tempo gasto a quem disse para “plantar” as batatas no seu quintal.

Sei das queixinhas que fez ao Mestre sobre a minha pessoa.

Sei que este nosso amigo alentejano, também das transmissões, lhe disse que, ele, Hipólito, não é homem a quem se dê a incumbência, com esta idade, semear (não plantar) as batatas. Explicando ao “baltarnense” que é necessário lavrar a terra para que ela fique mole e fazer, nela, carreiros. Só depois, nos carreiros, são colocadas e afastadas umas das outras, as batatas de semente junto com o adubo e, por fim os carreiros com as batatas tapados.

E ainda ao queixinhas disse o Mestre:

Oh Hipólito, tu não podes! Olha as tuas costas!
Isso é uma canseira para ti que nunca foste habituado a trabalhar.
Não é só isto Hipólito!
Olha as tuas costas e não só!
Sabes que mais tarde, logo que a batateira venha à luz do sol, é necessário sachar, tirar as ervas daninhas, manter a terra húmida e se necessário sulfatar.

O Pica foi teu amigo na oportunidade que te deu de te “pirares” para Macedo de Cavaleiros ao encontro do Camelo. Não tenhas pena amigo, se quiseres semear batatas, podes vir ao Monte Fialho que tens tudo o que é necessário para colmatar a insatisfação. Ah, ainda outra coisa, a tesoura não tem aplicação nas sementeiras das batatas.

Pica Sinos  

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Destacamento de S.João - Bolama

Meus queridos amigos.
É a primeira vez que entro a comentar por esta via, embora sempre, o mais possível,atento a tudo o que nos diz respeito. Nestas e noutras matérias. Além de querer enviar apertado abraço a todos e a cada um dos que naqueles tempos andámos por aquelas bandas, permitam que lembre que da área territorial do BART 1914, além do que mencionaram, fazia também parte o Destacamento de S.João, da Companhia de Jabadá. Como se lembrarão, S. João ficava praticamente em frente de Bolama. Era um destacamento ao nível de pelotão, como o Enxudé. Nunca estive em S.João. Comheci muito melhor Enxudé. Mas a Cart 1743 esteve uns dias em Bolama a aguardar ordem para partir para a Ponta Gã Eugénia e dali para Gubia, a fim de fazer segurança à construção de um aquartelamento naquele local. Ao fim de uns dias, chegou a ordem, mas para regressar a Tite.
Por Nuno Martins

Guiné Bissau à procura de reforçar a sua importancia regional

Com a devida vénia publicamos este artigo do Jornal O SOL, do jornalista Francisco Kalemfa.
Clicar na noticia para ver em ponto grande.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Manuel de Arriaga (1840-1917)

Gente de outros tempos!
Era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos.
O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o. 
Trabalhou, dando lições de inglês para poder continuar o curso.
Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado.
Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Foi reitor da Universidade de Coimbra.
Foi Procurador-Geral da República.
Passou cinquenta anos da sua vida a defender uma sociedade mais justa.
Com 71 anos foi eleito o 1º. Presidente da República, após a implantação da mesma.
Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este.
Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso.
Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar também do seu bolso.
Este SENHOR era Manuel de Arriaga e foi Presidente da República Portuguesa.

 (Na presença de exemplos destes, como foi possível regredirmos !??)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O Marinho faz hoje anos


fazendo parte da equipa de futebol da 1ª. liga de Tite


a luz dos seus olhos e da sua Maria
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O Marinho faz hoje anos.
Convém aqui lembrar que o Marinho só foi reencontrado graças a este blog e aos esforços do Pica Sinos,  ao fim de 40 anos de termos regressado da Guiné.
Nunca antes tinha sido visto.
E desde aí comparece sempre que lhe é possivel, nos vários convivios que têm sido organizados.
Para o Marinho as maiores felicidades, votos de boa saúde e um abraço de parabens, dos seus companheiros.
LG.
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A propósito do reencontro com o Marinho, junto publicamos a noticia que então foi escrita pelo Pica Sinos para o blog:

"NO ENXUDÉ, “GASELA” ESTUFADA COM TODOS
Para saber a certeza da morada, que me foi facultada, de um indivíduo que dá pelo nome de Carlos Alberto Teixeira Marinho, que comigo permaneceu durante 2 anos na Guiné, que hà 4 décadas ninguém, que eu saiba, partilhou com ele qualquer momento, desloco-me a Oeiras, correndo o risco de “bater com o nariz” na porta, ou ficar desiludido pelo malogro do propósito. É pelas 10 horas que chego à entrada do “mundo” que é aquela cidade, sem GPS para me orientar, páro e atrevo-me a perguntar, aos cantoneiros de limpeza que na ocasião por ali passavam, onde fica a Avª Brasília, sorte a minha por serem trabalhadores brasileiros, de pronto me elucidaram o melhor caminho, bem perto e de fácil acesso. Já no prédio com o nº 9, dois grandes cães barravam-me a entrada. Devagar, devagarinho estendo o braço para as campainhas e carrego na do r/c frente, ao mesmo tempo, oiço uma velhinha dizer…os cães são mansos. Mais descansado entro no prédio, na frente da porta de entrada do r/c indicado, mais uma vez toco à campainha, não obtenho resposta. Quando, já desiludido, oiço uma voz sumida…quem é?...Oh Carlos é para ti! Na minha frente o Marinho, não tenho a menor dúvida. Ele sim….és o Palma? Não sou o Pica Sinos! Pois és, dá cá um abraço! Sentamo-nos a conversar na sala de jantar, disse o objectivo da minha visita, a necessidade que muitos de nós tem em saber da tua saúde. Contente, este homem que a sua meninice foi passada na ilha da Madeira, natural de Lisboa, durante anos funcionário na antiga Companhia do Gás e Electricidade (EDP). Hoje, trabalha como Auxiliar de Acção Educativa na especialidade do Áudio Visual. Passou um ano em São Tomé e Príncipe, ao serviço da empresa Camilo Alves, obrigado a regressar por motivo de doença hepática. Felizmente já curado. …Oh Pica dá-me os números de telefone do pessoal, prometo que os vou contactar! Quero o endereço do Blog! A conversa desenvolve-se, no período e nos tempos idos: …Uma vez o Capitão Vicente, militarista em excesso como sabes, no gabinete onde eu também trabalhava, como 1º Cabo Escriturário, na área do reabastecimento, ouvimos a algazarra que ia no campo de futebol, ocasionando na minha pessoa fervilhar de inveja que não passou despercebida ao oficial. De pronto me disse se eu também queria jogar? Claro que sim meu Capitão, então vai lá, quando em simultâneo chega a informação que no Enxudé tinha chegado transporte com abastecimentos e que estava a ser preparado um petisco muito especial… …Certo e sabido que já não fui jogar à bola, o destino foi Enxudé, com mesa posta, petisco muito bem ornamentado, tendo como ementa gazela estufada, caçada para os lados de Foia, disseram, regado com vinho tinto engarrafado, que tivemos o cuidado de transportar, demos ao dente até fartar…Quando e depois de enaltecermos tal pitéu, foi-nos mostradas as “ossadas” da dita “gazela” que, não era mais nem menos um crocodilo e o pedaço de carne que lhe faltava foi a que comemos…a cauda! …Olha lá Pica, sabes o que é que vão servir de almoço em Ovar?
Sei, é cozido à portuguesa!
Então vou a Ovar não tenhas a menor dúvida! Os contactos com o Marinho são: Av. Brasília, 9 r/c Frente – 2780-001 Oeiras Tels – 214413843 - 963412317
Pica Sinos"
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E os respectivos comentários:

Leandro Guedes disse...

Amigos
Tal como aconteceu quando foram encontrados o Carlos Reguila, o Mestre, o Pedro, e tantos outros, também ao saber do paradeiro do Marinho, senti imensa alegria.
Procurei-o logo no primeiro almoço há 20 anos e não o encontrei. Ao longo dos anos uns diziam que tinha ido para Africa, outros que tinha ido para o Algarve e afinal estava aqui bem perto.
Um abraço para ti Marinho e se não for antes, vamo-nos também ver em Ovar.
Um abraço também para o Pico pelo seu incansavel trabalho.


Hipólito disse...




Bem aparecido, Marinho.
És testemunha "ocular de vista" de que, com aquela minha carinha de fome na fotografia do Enxudé, não me tocou nada do tal petisco.
Um gande abraço e até Ovar.
Hipólito


Leandro Guedes disse...




Falei com o Marinho há pouco pelo telefone.
Foi uma alegria. Revivemos cenas engraçadas da nossa passagem por Tite. Lembramos com saudade aquelas "taras militaristas" que o cap. Vicente tinha, quando alguém lhe dirigia a palavra e colocava as mãos em cima da sua mesa - O Cavaleiro e o Abreu foram alguns dos protagonistas destas cenas.
Coisas que iremos concerteza reviver no nosso almoço em Ovar, que está para breve.
Um abraço Marinho.


José Costa disse...




Oh Marinho!!
Merecias uma grande carolada no caracuto da tua cabeça!
Será que numca te deu pra digitares no GOOGLE,o Bart 1914?
Ficas perdoado se apareceres em Ovar no de 23 de Maio pf
Felicitações ao Pica e ao Guedes,são os que mais esforço têm demosntrado na procura da "rapaziada"

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

HISTÓRIAS QUE NÃO SABIAM?


DE SACOLA DE PANO Á TIRICOLO PARA APRENDER JUNTAR AS PRIMEIRAS LETRAS

Eu morava na Rua dos Plátanos. Rua situada ao fundo, do lado este, do meu Bairro das Furnas. A minha escola primária era fronteira à da escola das raparigas, por detrás da capela.

Esta igrejinha estava situada no ponto mais elevado deste meu Bairro. O seu acesso passava por subir uma longa escadaria feita com pedras de calçada de cor branca. Ladeada por vários ciprestes de delicado trato pelo jardineiro.

Um outro acesso à escola era subir por um carreiro junto às hortas que começava no terreno que chamávamos de “campo de futebol”. Era um espaço existente do lado esquerdo, por detrás e um pouco além do Salão de Festas. É hoje ocupado por prédios um pouco antes do chamado Bairro dos Sargentos.

No ano de 1952, no meu primeiro ano de aulas, recordo que a escola dos rapazes tinha 4 filas de carteiras, comportando as turmas da 1ª, 2ª, 3ª e da 4ª classe.

Recordo ainda que a secretária da mestra estava colocada num estrado que me parecia muito alto. Na parede, por detrás desta secretária, uma ardósia também enorme, não chegando, quando chamado a prestar exercícios, os meus pequeninos braços, mesmo em bico de pés, ao meio desse quadro.

Como a recordo a jovem e bonita professora, sobretudo quando a sua face se apresentava rosada não só por irritada com os seus alunos.

A DISCIPLINA E ESTUDO NA ESCOLA DO MEU BAIRRO

Em tempos idos, era habitual dizer-se quando uma criança revelava uma atitude

de rebeldia e se a pretendia rectificar com uns açoites, estes eram justificados pela frase “de pequenino é que se torce o pepino”. Na maior parte das vezes resultava.

Corria o ano de 1954. A primavera chegara. No final das aulas, os alunos das turmas da 1ª, 2ª e 3ª classes, sequencialmente e de forma ordeira, lá iam saindo. A professora, como de costume, assistia de pé, posicionada e vigilante na frente da sua secretária.

O… “até amanhã senhora professora”… era acompanhado, de quando em quando, com um aceno de cabeça da mestra, em jeito de concórdia.

O interesse dos rapazes com a passarada nesta época do ano, não raras as vezes equipados com as fisgas, visco e na procura dos ninhos, deu razões à professora para que os alunos da turma da 4ª classe ficassem mais um pouco na aula e sentados.

A mestra pretendia anunciar que, no dia seguinte seriam feitas perguntas sobre a importância e o comportamento das aves, procedimentos insertos num dado texto do livro de leitura para esta classe.

Recomendara bastante o seu estudo, uma vez que iriam reler este importante texto e seriam feitas perguntas às quais a turma tinha que prontamente responder.

Todos os rapazes saíram satisfeitos. A lição escolhida pareceu-lhes fácil. De pássaros e dos seus comportamentos não havia ninguém quem melhor os conhecessem. Consequentemente, o estudo da lição e as recomendações da senhora professora foram colocados como algo desnecessário por certezas mais que evidentes.

No dia seguinte, a mestra, no tempo do questionário verbal sobre a lição recomendada no dia anterior, apenas teve tempo para fazer a primeira pergunta, o resto do tempo foi destinado e ocupado por uma série de 3 reguadas em cada mão dos alunos da 4ª classe. Castigo infligido, pelo raciocínio ora confirmado, de que ninguém tinha estudado a lição como ela recomendara.

Mas que pergunta foi feita que os seus alunos da 4ª classe não souberam responder, ou melhor, que eles responderam rápido… mas erradamente? Simplesmente…de como se chamava…a fêmea do pardal…! A que todos “sabiamente” responderam…”pardala”…! Quando na verdade deviam ter respondido…pardaleja ou pardaloca...

“Pardala” não constava da lição nem sequer existia (existe) no dicionário da língua portuguesa.

DO ÓDIO AO OLEO FIGADO DE BACALHAU…

Quem não se lembra daquela mistela castanha a que davam o nome de óleo fígado de bacalhau. O óleo fígado de bacalhau, era servido numa colher da sopa na cantina escolar antes das refeições dos alunos e, era tido e considerado como complemento alimentar.

Ao contrário de muitos outros alunos da minha escola, felizmente eu não passava fome! Os meus pais, muito pobres, procuraram sempre que o seu menino tivesse, em termos de alimentação, o melhor que a vida lhes permitia dar, mas longe de dispensarem as refeições que a escola oferecia aos seus alunos.

Se era um facto que a sopa ingerida na escola era na grande parte das vezes bem-vinda, já não o era o óleo fígado de bacalhau.

Como eu recordo o sacrifício de tal ingestão. Quantas tentativas falhadas para fintar a contínua “carrasco” por tais obrigações. O processo alternativo era rapidamente comer de seguida 3 ou 4 colheradas da sopa servida, caso contrário os vómitos acompanhados de um ou dois estalos não se faziam esperar.

…AO ENCANTO PELOS JOGOS DO FUTEBOL

Marcante também foi a “festa da rija” por derrotados em duas frentes!

Como já acima se disse, o nosso “campo de futebol”, estava situado em paralelo com a Rua das Furnas, logo abaixo da colina onde a escola se situava, por detrás do Salão de Festas.

A nossa equipa era constituída por alunos da 4ª classe e estava a perder com os eternos rivais alunos do Pedro Santarém.

O empenho era tanto que mal ouvíamos a contínua Palmira

…meninos venham para cima…! …meninos venham para cima…!

Pois há muito que o horário, marcado para as aulas no período da tarde, tinha sido ultrapassado.

Ao lado da contínua Palmira a mestra já com as faces ruborizadas, com o cabelo enrolado em jeito de carrapito, de bata branca com mãos atrás das costas, assistia incrédula à indisciplina dos seus alunos da 4ª classe que, muito tristes, a pouco e pouco, desistiam de jogar desmotivados, por um lado, pela impossibilidade de recuperar os golos sofridos e, por um outro lado, pelas consequências disciplinares que se adivinhavam, às quais já não podiam fugir.

Nesse dia, a maior parte de nós sujos e suados, nem sequer tivemos a oportunidade de nos sentarmos nas carteiras. E para exemplo dos prevaricadores e sob o olhar atento dos alunos das restantes turmas as reguadas mais uma vez foram postas em prática.

RETRATOS DA VIDA DE UMA PROFESSORA QUE ADORO E QUE JAMAIS A ESQUEÇO

Mas quem era, quem é esta professora que eu adoro e que já mais esqueço?

A professora Maria Helena, em recentemente encontro no Centro Comercial das Amoreiras, em Lisboa, onde esteve presente um outro seu antigo aluno – o José Fernando - também ele professor jubilado e licenciado em Pintura, deu para saber que esta amorosa personagem, já considerada por mim morta, é natural de Lisboa da Freguesia de S. Cristóvão. Se bem que tenha crescido e vivido, durante praticamente toda a sua vida, na freguesia de Santa Isabel, lá para os lados de Campo de Ourique.

Esta Mulher que me ensinou a juntar e a interpretar as letras, que eu adoro, não devo nem a quero esquecer. Por grato e motivado pelas boas recordações da escola do meu Bairro das Furnas.

A professora Maria Helena que já me deu a possibilidade de a recordar em outros escritos, nasceu em Julho no ano de 1927. Seus pais, para que a sua única filha pudesse concluir o magistério primário, tiveram que a emancipar aos 18 anos de idade. Em Outubro do ano de 1946, já professora, com 19 anos de idade, foi colocada por concurso, na escola primária do Bairro das Furnas. Local onde dedicou toda a sua vida a ensinar a ler e a escrever os rapazes deste “seu” bairro.

Hoje, com 84 anos de idade, não perdeu a vivacidade e firmeza que lhe conheci enquanto jovem. Já alguns traços de rugas na face bem vincados são certos, com aquele cabelo branco que outrora não estava ali. Aos meus olhos, vejo-a irradiar saúde e felicidade. A sua memória, ao relembrar os rapazes das suas aulas, fez inveja a este seu antigo aluno e certamente ao companheiro também presente na conversa, o José Fernando.

Pica Sinos

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Mais uma acção judicial contra o Estado Português e a União Europeia, do ex-Alf. Moreira da CART 1690

clica em cima desta imagem para a veres em ponto grande.

Com a devida vénia, publicamos aqui um artigo do Jornal Badaladas, da autoria do jornalista Fernando Miguel: Desta vez por causa do abandono dos campos e das pescas em Portugal.
Importa lembrar que a anterior acção judicial movida pelo ex-alf. Moreira, sobre "os escandalosos vencimentos e prémios dos gestores públicos", entregue na Assembleia da Republica em meados de 2010, está à espera de que algum deputado se lembre de a levar a Plenário...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A PROPÓSITO DO TEXTO MÃE D. GEORGINA, LEMBRA E ESCREVE O CAVALEIRO

Infância

(Ary dos Santos)

Não minha mãe. Não era ali que estava.
Talvez noutra gaveta. Noutro quarto.
Talvez dentro de mim que me apertava.
contra as paredes do teu sexo-parto.
A porta que entretanto atravessava
Talhada no teu ventre de alabastro
Abria-se fechava dilatava.
Agora sei: dali nunca mais parto.
Não minha mãe. Também não era a sala
Nem nenhum dos retratos de família
Nem a brisa que a vida já não tem.
Talvez a tua voz que ainda me fala….
….. o meu berço enfeitado a buganvília….
Tenho tantas saudades, minha mãe!

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Amigo
Fiquei deslumbrado com a tua narrativa.
Parabéns.
Deixa-me partilhar o que te vai na alma, acrescentando umas palavras, para melhor realçar o lado “guerreiro” da tua, das nossas mães.

“Quanta força e energia buscavam ELAS, para superar a fragilidade dos seus corpos.
Quanto sufoco e trabalho duro, árduo e suado para nos darem estudo, educação e o pão de cada dia.
Quantas lágrimas derramaram longe do nosso olhar,
E nós,
ingénuos,
julgando que nossas MÃES não sabiam chorar.
Quanto orgulho temos nas nossas MÃES”.

Aproveitando a onda de saudade, recordo em anexo, um dos últimos sonetos escritos pelo Ary dos Santos e que Ele (que também tanta falta nos faz), intitulou “Infância”.


Espero que gostes.
Recebe um forte e apertado abraço,
Cavaleiro

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Rectificação à Passadeira dos Famosos

Por indicação do Joaquim Caldeira, rectificamos o nome do companheiro João Gualberto Amaral Leite, ex-furriel miliciano da CCAÇ 2314, que era comandante do pelotão "Os Brutos" e a quem foi atribuida uma Cruz de Guerra.
O nome que estava indicado era o de Manuel Moreira Fazendeiro, erradamente.
Já agora, pela ordem, da esquerda para a direita, são: Fernando Almeida, Narciso Durão, João Leite e Anselmo Adrião, ex-furrieis da C Caç. 2314.

Aqui fica a rectificação e os agradecimentos ao Joaquim Caldeira.
Breve serão publicdas fotos actuais.