Batalhão de Artilharia 1914


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

-

"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

-

“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

-

Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
---

“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

---

Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
----------------------

"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


.

.
.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

OVAR

Ao nosso amigo e companheiro José Costa laborioso organizador do Almoço Convívio do Batalhão em 2009 na linda cidade de Ovar.

Os Editores do Blog Ovar é uma cidade portuguesa, situada no Distrito de Aveiro, região Centro e subregião do Baixo Vouga, com cerca de 16 849 habitantes. É sede de um municipio com 149,88 km² de área e 57 511 habitantes (2006), correspondendo a uma densidade populacional de 337 habitantes/km², estando subdividido em 8 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Espinho, a nordeste pelo de Santa Maria da Feira, a leste pelo de Oliveira de Azemeis, a sul pelo de Estarreja e pelo da Murtosa e a oeste pelo Oceano Atlântico, que banha perto de 15 km da sua costa, contribuindo para um clima ameno e praias agradáveis. História Ovar foi elevada a cidade em 1984, pela lei n.º 9/84, de 29 Junho. Nas enciclopédias, o nome "Ovar" é um tanto ou quanto invulgar, apenas se encontrando para ele três significados: o nome desta cidade (não existe outra povoação do mesmo nome em Portugal ou em qualquer outro país); verbo transitivo (pôr ovos, criar ovos ou ovas) e verbo transitivo brasileiro (fazer ovação, aplaudir, aclamar, vitoriar). O litoral de Ovar encontrava-se compreendido no maior segmento de costa baixa e lisa do País, mas nem sempre isso aconteceu, porque primitivamente a ria não existia e o mar avançava mais para o interior, formando uma baía. Aliás, conforme ensinam AMORIM GIRÃO, ALBERTO SOUTO e JAIME CORTESÃO, todos os terrenos do concelho de Ovar, a poente da linha do caminho-de-ferro (actualmente a estação da CP de Ovar dista cerca de 5.200 metros do litoral, estando a uma altitude de 17,24 metros do nível do mar) foram domínio do mar. A formação da Ria é contraditória, pois há quem lhe dê uma longevidade de quatro milénios, mas também quem lhe aponte os meados do século Xou mesmo XI, como início da sua sedimentação. Tudo leva a crer que, no séc. X, a linha da costa passava a linha em Ovar. No entanto, o afastamento progressivo da linha da maré originou com que Ovar ficasse cada vez mais no interior, decaindo como porto de mar. Freguesias As freguesias de Ovar são as seguintes: : Arada, Cortegaça, Esmoriz, Maceda, Ovar, S. João de Ovar, S. Vicente de Peraira Jusã, Válega.

Destas, têm o estatuto de vila as freguesias de Cortegaça, S. João de Ovar, Válega, e são cidades, para além da sede do munícipio (Ovar), também a freguesia de Esmoriz. Maceda foi a última freguesia do concelho a ser elevada à categoria de vila 1999 enquanto São João foi a última freguesia a ser criada, por desmembramento de parte do território da freguesia de Ovar, a 9 de julho de 1985. Actualmente 2005 estão a decorrer as diligências necessárias para a criação da freguesia do Furadouro; a sua criação implicará mais uma vez o desmembramento da freguesia de Ovar. Por outro lado, há também a assinalar o desejo de Esmoriz em ser sede de concelho autónomo, o que implicaria uma redução, quer na área, quer na população do concelho de Ovar. Concelho O Concelho de Ovar é um dos 19 concelhos que constituem o distrito de Aveiro, ocupando neste, uma posição excêntrica, no litoral norte. Pertencente à Diocese do Porto, é composto por 8 freguesias - Ovar, Esmoriz, Válega, Cortegaça, Maceda, São João de Ovar, Arada e S. Vicente de Pereira. Com uma área de 149.88km2 e 15 km de costa Atlântico, o concelho beneficia da sua excelente localização relativamente à cidade de Aveiro (35 km a sul) e do Porto (35 km a norte). O seu regular desenvolvimento sócio-económico terá de associar-se obrigatoriamente, à proximidade do mar e da ria, à fertilidade do solo e à planura da região. Com cerca de 57 511 , o concelho de Ovar assume-se como um pólo de centralidade e de desenvolvimento regional (carece de fontes). Primitivamente denominado Var ou O Var, resultou da fusão de várias vilas próximas. Também denominada de São Cristóvão de Ovar é cidade desde 1980 sendo uma das freguesias que compõem o Concelho de Ovar. Área GeográficaSituando-se no extremo sul do Concelho, Ovar localiza-se numa planície, ocupando uma área aproximada de 53 km2 . Espraiando-se entre a beira-mar e a ria, a sua Praça da República dista mais ou menos 4.600 metros da costa marítima e, em relação aquela laguna 2 km do cais da Ribeira e 2.650 metros do cais do Carregal. É uma freguesia de casas compactas com numerosas ruas e largos, mas ao mesmo tempo uma povoação alongada com casas ao longo das vias de comunicação que a cortam. Habitantes Os habitantes ou naturais de Ovar são denominados Ovarenses ou Ovarinos já que vareiros ou varinos são todos os indivíduos da beira-mar entre Aveiro e Porto aproximadamente. Com cerca de 16 849 habitantes esta cidade tem sofrido grandes desenvolvimentos. Principais Actividades Apresenta uma forte dinâmica nas áreas dos serviços e do comércio, bem como nas suas estruturas produtivas, sendo a indústria transformadora a principal fonte de emprego. Cartaz Turístico O famoso e divertido Carnaval de Ovar, as Procissões Quaresmais, as Festas do Mar no Furadouro, a Festa em honra de S. Cristóvão, a Festa da Senhora da Boa Viagem, a Romaria em honra da Senhora do Parto realizada no Jardim dos Campos e a Festa em honra de Santa Catarina na Ribeira, são várias expressões culturais de índole colectiva que marcam a actividade sócio - cultural. Outro elemento importante no património cultural de Ovar é a utilização do azulejo como componente decorativa na arquitectura local. Dos elementos naturais de elevado valor ecológico destacam-se o mar, a floresta e a ria, com particular aptidão para o desenvolvimento de actividades ligadas ao turismo e lazer. Gastronomia Da gastronomia local destacam-se as saborosas caldeiradas de peixe e de enguias, as enguias de escabeche, os ovos moles, a rosca de ovos e o afamado pão-de-ló de Ovar. Em termos gastronómicos, o Pão-de-Ló de Ovar é, sem sombra de dúvidas, o "ex-libris" da cidade. Famosíssimo em todo o país e além fronteiras, é um doce muito apreciado e que quase não encontra paralelo na doçaria regional, pela sua particularidade. Ovar é terra de gentes do mar, por isso é natural que os pratos de peixe sejam também bastante apreciados, sendo a Caldeirada de Enguias também uma importante referência na gastronomia vareira, contudo infelizmente é cada vez mais complicado encontrar quem bem saiba confeccionar este apreciado prato, reservando-se essa sorte para apenas alguns. Mas em Ovar pode-se encontrar um conjunto variado de pratos que certamente lhe satisfarão o paladar. Colectividades Ovar está muito bem representado com as suas multifacetadas colectividades, tais como: ADO, Orfeão de Ovar, Museu de Ovar, Associação de Diabéticos de Ovar, Grupo Folclórico "As Varinas de Ovar", "Os Moliceiros", "As Morenitas", Grupo Desportivo da Habitovar, LAHDO (Liga dos Amigos do Hospital Distrital de Ovar), Banda Filarmónica Ovarense, AFIS (Atletas de Fim de Semana), Clube Desportivo do Furadouro, C. F. Aliança, Sociedade Columbófila Ovarense, NADO (Nautica Desportiva Ovarense), Contacto, CAO (Clube Atletismo Ovarense), C. C. R. D. Bairro da Misericórdia, Victória Clube de Ovar, Racing Clube de Ovar, A. C. R. da Ribeira, A. C. R. Bairro São José, A. D. C. Torrão do Lameiro, Amigos do Cáster, APADO - Associação protectora dos animais domésticos de Ovar , Dragões de Ovar - Delegação FC Porto n.º 16 Grupo de Bandolins de Esmoriz ComCordas - Encontro Musical de Cordas de Esmoriz Grupo Coral Sol Poente Contacto - Grupo de Teatro Água Corrente de Ovar GRESC - Grupo Recreativo Escola de Samba Charanguinha Escola de Samba Costa de Prata - Associação Cultural.

Tradições O concelho de Ovar é particularmente rico em tradições, principalmente as de carácter religioso. As mais importantes são sem sombra de dúvidas a Procissão dos Terceiros e a dos Passos, que pela sua beleza e grandiosidade costumam atrair imensos visitantes. Uma outra tradição já secular é o "Cantar os Reis", que ocorre anualmente ao dia seis de Janeiro. Pelas diversas freguesias do concelho vão acontecendo também todos os meses as festividades e/ou romarias religiosas dos diversos padroeiros dos lugares das freguesias. Turismo Com vastos motivos para o visitar, o concelho de Ovar está integrado na Região de Turismo da Rota da Luz, fazendo parte da Costa de Prata Portuguesa. Esta região é uma excelente opção para quem deseja passar umas férias num local onde encontrará de tudo um pouco, o que certamente satisfará qualquer seu desejo. Pode começar por vir já em Fevereiro, altura em que se realiza o maior e melhor Carnaval do país, sendo também reconhecido a nível internacional, o que o torna num grandioso cartaz turístico por excelência. Organizado desde 1952, o alegre e folgazão Carnaval ovarense atrai anualmente milhares de visitantes, e durante sensivelmente um mês, durante o qual se multiplicam os bailes, as brincadeiras, as iniciativas culturais e o desfile de cerca de dois mil foliões vareiros, todo o concelho é "invadido" por uma gigantesca onda de alegria e boa disposição. Mas Ovar permite ainda a descoberta de múltiplos encantos: as suas belas praias e extensos areais, o azul do mar, o verde dos pinhais e o sol. Depois tem ainda a ria, com as suas deliciosas águas mornas, um verdadeiro convite à tranquilidade. Um pouco mais a norte do concelho pode ainda apreciar a beleza natural da Barrinha de Esmoriz. Em matéria gastronómica, também não ficará mal servido. Desde o magnífico pão-de-ló de Ovar que certamente o irá deixar com "água na boca", passando por toda a doçaria conventual e pelos típicos e deliciosos pratos do mais "fresquinho" peixe, o turista ficará muito bem servido em matéria gastronómica. A etnografia, a arte e a história marcam a presença em vários monumentos, quase sempre de evocação religiosa. As originais capelas dos passos é um outro ponto de grande interesse que quem visitar Ovar não deve perder. Por fim, se preferir os divertimentos nocturnos, como os bares e discotecas, tem muito por onde escolher e descobrir a vida cosmopolita de uma cidade que embora não seja grande, dispões de alguns locais como Esmoriz, Cortegaça, Furadouro e Ovar onde a vida nocturna é mais marcante. Curiosidades O pugilista Santa Camarão, considerado o maior pugilista Português de todos os tempos, nasceu, viveu e faleceu em Ovar.

Os Redsocks (banda punksk) são naturais de Ovar. Referências Instituto Geográfico Português. Página visitada em 29 de Junho de 2007. O wikipedia commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Ovar

Wikipedia Google JJ edição fotos

quarta-feira, 8 de abril de 2009

8 de Abril - há 42 anos, neste dia, embarcamos para a Guiné.

Hoje faz 42 anos quando da viagem para a Guiné ! Foto do embarque, no Uige, em 8 de Abril de 1967. "Este parte, Aquele parte, E todos, Todos se vão, Oh terra ficas sem homens, que possam cortar o pão. Zeca Afonso " . . 8 de Abril de 1967, Cais de Alcântara em Lisboa. Após a despedida da família que nos acompanhou ao embarque, seguiu-se a formatura, um emproado oficial superior e sua comitiva fazem a revista da praxe, o embarque das tropas sucede-lhe. Ao som da fanfarra militar e dos gritos de adeus e do acenar dos lenços, o paquete Uíge largou amarras. A Torre de Belém fica para trás, a ponte sobre o Tejo já não se vê, a terra é coisa sumida, os olhos de todos há muito que estão rasos de água. Muitos de nós fomos acomodados nos porões do navio (a maioria), lugares destinados a dormitório e, também para tomada das refeições. Os camarotes e as salas de refeições de categoria, terceira, segunda ou primeira classe, estavam destinados ao militares consoante a hierarquia. As condições de quem “vivia” nos porões eram degradantes. As mesas estavam colocadas ao comprimento dos porões, com lotação para uma vintena de militares, os beliches, também em madeira, acompanhava-os na altura. Os vomitados do enjoo eram constantes, a limpeza era precária, que em conjunto com a falta do banho diário o cheiro era nauseante, asfixiante. Com barulho dos motores, etc., o ambiente era insuportável. Durante os oito dias (mais três que o normal por avaria num dos motores) que a viagem durou, foi neste contexto que os jovens militares fizeram a sua vida no navio. Inconformados com o destino, no convés, uns passeavam, outros conversavam e ainda outros jogavam ou viam jogar às cartas. Uma ou duas vezes fizeram-se exercícios de salvamento em caso de naufrágio. Os peixes voadores que quase sempre acompanharam o barco eram também motivo de entretenimento. Em 14 do mesmo mês, chegamos ao destino para o qual fomos obrigatoriamente mobilizados. O pior estava para vir……a guerra. Aqui o sofrimento a todos tocou! Raul Pica Sinos

terça-feira, 7 de abril de 2009

Casa Hipólito, em Torres Vedras

Amigos Como nem só de tropa vive o homem... Enviaram-me hoje uma série de fotos dos anos 50. E uma delas quero partilhar connvosco - um eléctrico a passar no Campo Grande em Lisboa, com um placard de publicidade à Casa Hipólito. A Casa Hipólito foi a maior industria do século passado, em Torres Vedras. Esta fábrica teve o seu inicio em 1900 como pequena latoaria em Torres Vedras. Foi-se desenvolvendo, chegando a ter nos anos setenta, 1.200 funcionários, sendo um dos seus principais produtos, os fogareiros a petróleo. fogão a petróleo
Quem não se lembra destes fogões a petróleo, que cozinharam refeições para muitas gerações por esse Portugal fora, sendo exportados para muitos paises! Eram a coqueluche da época. E também os Petromax, candeeiros a petróleo e mais tarde a gáz, feitos na Casa Hipólito e exportados para todo o mundo, principalmente Africa, América do Sul e Central. Mas a empresa não resistiu à globalização desenfreada, não se modernizou atempadamente e teve que fechar as portas, tendo nessa altura apenas 300 funcionários. Mas o que me faz falar desta importante industria do concelho, a mais importante, é o facto de por ela terem passado dezenas de homens que serviram nas colónias, tal como nós.
Eram homens que ali trabalhavam, iam para o ultramar, regressavam, constituiam familia e todos os seus membros trabalhavam na Casa Hipólito. Era na altura prestigiante trabalhar na casa Hipólito - os salários eram atractivos, pagos a tempo e horas.
Os agricultores passaram a operários da Casa Hipólito, cultivando as suas vinhas em parte-time. O nivel de vida subiu no concelho. Hoje as suas antigas instalações estão transformadas num parque de estacionamento, em prédios de apartamentos e numa grande superficie.

foto dum fogão a petróleo e de um Petromax

A Casa Hipólito enriqueceu a história do concelho de Torres Vedras, mas com o seu fecho em 1990, morreu um pouco do espirito empreendedor e da cultura industrial nacional, que tanta falta nos faz hoje.
Leandro Guedes
----------------------------------
O Justo também relembra os seus contactos com a Casa Hipólito:
.
"Amigo Guedes
Desta vez és tu a trazer-me gratas recordações.
Tanta vez que fui à Casa Hipólito naquela rua estreitinha, um casarão enorme, mas cheio de maquinarias e material tão diverso.
Desde a bomba d'água (aquelas com uma grande cabeçorra laranja) aos PETRÒMAX, ferramentas de jardinagem...eu sei lá, tudo lá comprava-mos.
Ainda me lembro dos fogareiros HIPÓLITO (que eram os melhores) a PITRÒLINO, de dar à bomba, e que de quando em vez tinha que se mudar a sola da dita para voltar a conseguir a chama azulada...
Não sabia que tinha fechado...mais uma mágoa para aquela terra, e a quem por essa centenária casa passou !!
Abraços e Saudades com muita pena. Zé Justo "

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Madrinhas de Guerra...

Fomos procurados por uma Senhora, que quer falar sobre MADRINHAS DE GUERRA com quem estiver interessado. Publico a seguir o email que recebi desta Senhora: "Boa tarde. Sou estudante de Jornalismo e estou a realizar uma reportagem também sobre Madrinhas de Guerra. Gostaria de recolher alguns testemunhos tanto de Madrinhas como de Afilhados, pelo que aproveito para perguntar se me podem fornecer o contacto de alguém que queira partilhar a sua experiência. Agradeço desde já. Filipa Moreno <filipa.moreno@gmail.com "
---------------
este email foi já enviado ao Costa, um profissional nestas coisas...

Almoço Convívio - Ovar 2009

sábado, 4 de abril de 2009

Como se o tempo não tivesse passado...

Não sei quem, mas estou certo que, um de “nós” foi o autor da expressão: “Amigos na Guerra Amigos para Sempre”. Não sabendo a razão ao que levou tal proclamação, hoje, arrisco dizer que quem a escreveu ou a pronunciou, tinha decerto os seus motivos, na ideia, bem enraizados. Digo-o, porque partilho, convicto, da justeza desta afirmação.

Digo-o, porque não me passava pelo pensamento de quanta alegria sentida e da reciprocidade manifestada desse contentamento, no momento de abraçar um companheiro, um camarada, um amigo de guerra, sobretudo aqueles que há 4 décadas não os via! Têm sido momentos inesquecíveis. Só quem comigo partilhou esses encontros, saberão avaliar e testemunhar essa satisfação de amizade e de confraternização, de tal forma ricas que procuro continuar e partilhar com os demais, para o papel, até ao dia onde sei que deixei e encontro o lápis. Hoje, sei mais dos “meninos de ontem”! Hoje, quando reencontro um camarada e, por momentos partilhamos retratos da nossa vida, “de lá e de cá”, é com a mesma humildade, confiança e respeito mútuo, como no tempo de “menino” naquela terra distante. Falamos com a mesma humildade, confiança e respeito mútuo, como se o tempo não tivesse passado por nós. Falamos dos percursos das vidas, dos filhos, alguns, dos netos, das maleitas e das preocupações.

Partilho alegrias e desabafos com o amigo de guerra, amigo do peito, com a mesma humildade, confiança e respeito mútuo, como se o tempo não tivesse passado. Como foi possível “desviarem-nos a memória” de conhecer quem ao nosso lado lutava por causas, essas, muitos já sabiam, perdidas? Hoje, nos breves momentos do encontro, permite conhecer mais o “menino” nos tempos da sua infância e adolescência do que no período de 2 anos em território de terra vermelha e do pôr-do-sol inigualável. Como é bom e gratificante vê-los com os olhos ainda brilhantes e, a deixar cair uma ou outra lágrima que teima fugir, alegres e vaidosos, pois claro, satisfeitos do encontro e por contarem histórias passadas naquele chão distante que nos encontrou a todos, ainda, “meninos”.

Oh Pica; Lembras-te daquele momento no dia em que…? E naquela partida que pregamos ao…? E a fúria do major hortelão quando via que não tinha alfaces na horta…? E aquele petisco na arrecadação…? E a bebedeira do outro que ficou em coma alcoólico…? E o que sofremos porque…. Lembras-te Pica? Se me lembro camarada! É por tudo isto e, por muito mais que não consigo explicar, que continuo a procurar os meus “amigos de guerra, os meus amigos para sempre”! Pica Sinos

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O nosso amigo Pica dedica tanto tempo ao Blog do Batalhão que mesmo quando se desloca no seu novo Mercedes Maybach continua em pleno "laboro" instantâneo surpresa tirado pelo motorista Zé Justo

Carlos Azevedo, mais um encontrado pelo Pica.

OPERAÇÃO ETÍLICA A 40º FOI UM SUCESSO A noite já tinha caído quando me encontrei com o Carlos Azevedo, homem nascido há 63 anos em Vila Nova de Famalicão, terra minhota, situada bem no coração do Vale do Ave. Em adolescente, os seus dias foram vividos numa das colinas de Lisboa, mais propriamente na zona da Graça. A tropa “apanha-o” a trabalhar nas oficinas da antiga Companhia Nacional de Navegação. Embarca para a Guiné com o posto de 1º Cabo/Manutenção Militar, a especialidade e as responsabilidades da sua estadia em Tite são na carpintaria. Quando regressa, entra nos quadros como técnico administrativo na Lisnave, passa pelos Correios e Telecomunicações durante anos e a seguir à situação de reforma. Hoje, faz uma “perninha” como gestor administrativo numa clínica de saúde privada em Almada. Casado, já com netos, lá vai confidenciando que pensava que na situação de aposentado teria mais tempos livres para usufruir, mas não! O trabalho e a família mais jovem não o permitem, diz a sorrir. Este amigo e camarada tem várias histórias em Tite, mas como todos nós, só não quer esquecer aquelas que lhe deram gozo. Confessa a sorrir as incursões que de noite fazia à horta do Capitão “hortelão”, no objectivo de o “ajudar a comer” um ou dois sucosos e nutritivos ananases (entre outros produtos) que cresciam e amadureciam entre as bananeiras. Mas a que lhe deu mais “pica”, com a divina vénia ao ex. Capitão Miliciano Paraíso Pinto - que crê ainda hoje que lhe deve (a ele PP) fazer confusão por não ter conseguido apanhar e identificar o intruso - foi a “operação etílica” que de pronto, secreta e sigilosamente, sem planificação prévia, que arrojadamente desenvolveu na messe dos oficiais. …Uma dada noite, estando de serviço no posto de sentinela que as traseiras davam, por poucos metros, para a messe dos oficiais, ouvi de fazer inveja, entusiasmante festança que exuberava naquele pavilhão. Não sei o que comemoravam, mas os risos e “conversa” eram muitos e… os “brindes” também… …Pensando com os meus botões, “era festa”, mesmo sem ser convidado, que tinha interesse em “participar”, pois, sozinho que estava, fazia todo o sentido associar-me a toda aquela alegria. Os minutos pareciam horas, com eles a observar quando o “IN” se calava e abandonava o local na direcção aos quartos de dormir… …Bem pela calada da noite o silencio imperava, as luzes já tinham sido apagadas, em “passo de ganso” a “operação etílica” desenvolveu-se no estilo golpe de mão (bem sucedido), não hesitando em “acarinhar” uma das garrafas que no bar para mim “olhava e sorria” dizendo …leva-me, leva-me… quando, com a dita cuja bem junta ao coração, um dos convivas, mal “acordado” ou mal “a dormir”, sentindo um invasor por perto, procurou contra atacar com vista à identificação de tal “bandido”... …Oh meu querido e amigo Dr. Paraíso Pinto, a garrafa multifacetada de Antiquary, velho Whisky, com uns valentes anos em cima, com a graduação de 40º, era, (foi) um espanto de tão delicioso sabor. Como naquela noite me correu tão bem o quarto de sentinela e, diga-se também o gozo do partilhar da vossa festa sem ser convidado…
Quem quiser ligar ao Carlos Azevedo: Telm. 967632989 Pica Sinos

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Zé Justo