Memórias de uma guerra…
A BORDO DO
NAVIO UÍGE - GUINÉ
10 de
janeiro de 1968, pleno Atlântico, o navio Uíge navegava em águas agitadas, rumo
a Bissau, Província da Guiné.
Hora de
almoço, aos oficiais da CCaç 2314, foi destinada a mesa do comissário de bordo,
oficial responsável pela gestão financeira e pela supervisão da administração e
abastecimento do serviço de passageiros e tripulantes do navio, por isso, uma
personalidade importante. Vestido de branco, com um ar senhorial, muito educado
e bem falante, atencioso e, desde logo, pronto para esclarecer o que era a vida
de um navio que transportava militares para a guerra.
Para começar
a viagem, nada melhor que fazer parte desta mesa e foi assim até ancorar no rio
Geba, com a cidade de Bissau à vista.
À hora do
jantar fiquei enjoado com os “balanços” do navio que, segundo ele, não eram
muito fortes. Senão eram, como seriam com o mar revolto. Tive que ir para o
camarote que, segundo a opinião dele, era o desejável.
Amparado
pelo Alferes Pio, cabeça à roda e mal disposto, lá cheguei ao destino e
deitei-me na esperança que o enjoo não fosse de grande duração.
Mal me tinha
deitado, bateram à porta e surgiu um “homem vestido de branco” com uma bandeja
na mão, dizendo: “o Senhor Comissário mandou este chá e torradas que lhe irão
fazer bem”. E fizeram, passado algum tempo estava como novo, mas o navio também
já não balouçava nada.
Foi neste
dia que ficamos a saber que o nosso destino na Guiné era o aquartelamento de
Jabadá com o treino operacional em Tite, durante o mês de Janeiro.
10 de
janeiro de 2026.
JT
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