De Pedro Abrunhosa
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"O Fim · Jorge Palma
Um mundo perto do abismo é aquele onde cresce o horror do ódio e sucumbem, exaustos, os Poetas. Os que nunca entregaram as palavras à vã vertigem da mediocridade carregam a flor salvífica à qual esse mundo esboroante se vai agarrando. Há uma luz na Música de Jorge Palma que é espinha dorsal deste país, que o há-de ajudar a construir-se porque não há Portugal sem
o espelho translúcido, honesto, dos seus autores. Nas madrugadas dos ‘80 cruzámos mãos e harmonias no piano do Hot-Club. Éramos quase adultos, a Música o nosso tecto e chão. Tocávamos, felizes, naquela cave jazzenta, para os três ou quatro resistentes que esperavam o milagre da madrugada. Depois vieram os discos, as milhares de vozes a cantar as suas músicas e eu, tantas vezes, entre elas. Em muitos espectáculos encerrei o palco com esse sublime hino que é ‘Encosta-te A Mim’. Não muito longe dessa original Praça da Alegria, lhe dediquei há três dias a última canção do meu concerto. Não foi premonição. Foi respeito. Pelo homem e amigo que foi e pelo Músico que há-de continuar a ser. Este país não faz ideia do quanto precisa de ti, Jorge! Encosta-te a nós. E obrigado! Mil vezes,
Obrigado"
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