Batalhão de Artilharia 1914
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
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domingo, 4 de maio de 2014
A nossa homenagem a todas as Mães...
sábado, 3 de maio de 2014
Diário do Justo - continuação 1
Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.
Tite 12 Novembro 1967 ..................2 da manhã no quarto e Centro Cripto pág. 2 de 7 Não recordo quando teria sido a última vez que peguei neste “Diário”, contud
o não vejo também qual o valor que possa ter, fixar uma data, que por si só não tem o interesse que tantas outras ao contrário possuem.
Recordo vagamente que temia o que na realidade aconteceu.
Mais uma vez...momentos tão desesperantes...
Tudo começou como quase sempre.
Era dia 1 de Novembro, dia dos anos da mãe Lena e tantas vezes dela me lembrei, que se foram tornando um bálsamo esses mesmos momentos.
Todos esperava-mos que durante o período de fins de Outubro e meados de Novembro, acontecesse qualquer coisa que pudesse ser adicionado a tantas outras congéneres.
Fomos avisados na madrugada deste dia que os “turras” (designação na gíria militar em referência aos guerrilheiros, a nós eles, chamavam-nos TUGAS) se encontravam em Tite de Baixo e Tite Mancanha, em dois “bigrupos” (equivalente ao nosso Grupo de Combate) preparados e equipados com artilharia pesada de Infantaria, para atacar naquela noite o quartel de Tite.
longas rajadas de metralhadora que passaram por cima do quartel, da PPSH (a costureirinha) provavelmente.
Devia mesmo ser a “costureirinha” pois era a única arma automática do PAIGC que operava com carregadores circulares de 75 munições, daí as longas rajadas.
Começou então um verdadeiro pandemónio, que de antemão tanto temia...começou o inferno, a destruição e morte...
A nossa reacção foi imediata e no ar ficou a pairar o fumo, o fogo de morteiros, o matraquear de armas ligeiras, como que um convite a morrer.
Uma gentileza gratuita; Morrer para deixar de sofrer, quase vale a pena !!!
Contando os longos momentos pelo matraquear convulsivo e macabro das nossas metralhadoras, o estrondo de saídas dos nossos morteiros, comecei a contar as contas do meu rosário pagão, das minhas recordações, e mais uma vez nessa noite me lembrei de minha mãe.
Vi nitidamente a sua imagem esfumada à minha frente por segundos !!
Fazia hojQuando nos avisaram do iminente ataque, o nativo, elemento da população, foi instruído para nos levar a cair numa emboscada já preparada.
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Grande Guedes
...e eis senão quando....vejo prantado no blog o meu diário??!!
Agradável surpresa amigo.
Parece que foi ontem que compilei este trabalho, e já lá vão 5 anos!!!
O tempo passa que é uma pressa.
Ao reler hoje, tenho forçosamente que me remeter em pensamentos aquela época e como me sentia ao escrever estas linhas no diário, por acaso bem giro, que comprei na cantina lá em Tite.
Já disse e escrevi muita vez, como aqueles dois anos me deram cabo da cabeça, e acredita que passando os olhos por estas linhas, consigo reviver o estado de espirito da altura.
Amigo, obrigado pela surpresa e um abração.
Espero que tudo esteja nos conformes com o teu filho lá por terras de África.
Bom fim semana.
Justo
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
O nosso capitão Paraiso Pinto celebra hoje 80 anos.
Para o nosso capitão Paraiso Pinto, um abraço de parabéns neste dia em que faz 80 anos.
Muita saúde e tudo de bom junto dos seus.
O Caldeira faz hoje anos
O ex-furriel Joaquim Caldeira da CCAÇ 2314, faz hoje anos.
Para ele muitos parabens e votos de boa saúde.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Velho diário imcompleto - pelo Zé Justo (pela sua importância histórica, voltamos a publicar o Diário do Justo, em 5 capítulos)
Velho Diário Incompleto
Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.
Intróito: ..........................................................................e pág. 1 de 7
Por alusão do amigo Guedes e ex-companheiro de armas, a um seu Diário escrito na Guerra da Guiné nos anos 60, e que no regresso à Metrópole, após dois anos de comissão, num rompante, decidiu larga-lo borda fora do navio UIGE, lembrei que também eu tinha feito uma “ameaça de Diário” exactamente na mesma época e local.
Muito procurei e lá o descobri nos recônditos de montes de papelada e livros...
Eis umas breves notas explicativas.
Ficou pelo caminho esta tentativa de fazer um “Diário de Guerra” na Guiné...começou tarde e terminou cedo !!
Estes textos não tem o mínimo de pretensões literárias, nem grandes “desanrincanços” de prosa, nem muita qualidade...mas são sinceros, porque foram vividos intensamente e escritos com o coração !!
Estão bastante espaçados no tempo, porque não havia grande paciência para a escrita, nem disso eu era muito amante.
Foram passados ao papel em ambiente de guerra, no quartel de Tite, sempre nas madrugadas daquelas longas noites e com pouco mais de vinte anos.
Até para casa e família, as minhas cartas eram escassas e lacónicas.
Anos mais tarde, disso bastante me penitenciei, pois a ausência de noticias muito fazia sofrer meus pais.
Sempre me exprimi com algum sucesso, por palavras e “bonecos”.
Ao invés, confesso a falta de jeito com a pena, para narrar no papel a catadupa e turbilhão dos meus pensamentos.
Não inclui relatos pormenorizados dos ataques do PAIGC que sofremos, tendo-o no entanto feito em folhas de papel, com o intuito de mais tarde os incluir num capítulo em separado “Ataques ao Quartel”
Infelizmente esses manuscritos levaram sumiço, o que é pena, pois continham descrições pormenorizadas, medonhas e sofridas, com número de mortos e feridos, estragos materiais, material de guerra capturado ao IN etc., dos maiores ataques efectuados durante dois anos.
Ao meu rigoroso e saudoso pai, que muito me ajudou e com quem bastante “conflituava” naqueles tenros anos, a minha grata rec
ordação.
Só mais adulto, o comecei a compreender e verdadeiramente a amar.
Muito me apoiou sobre todos os aspectos, neste amargo período da minha vida.
Ele sabia dar valor ao que eram as saudades e o ambiente de guerra, pois como furriel miliciano de engenharia, tinha nos anos 38-40, também passado pela Guiné e feito comissão na Ilha do Sal, Cabo Verde.
Sempre o vi, até à sua doença e ausência física, como um líder, sempre a estudar e elevar-se profissionalmente.
Involuntariamente e com tristeza, cedo admiti, lhe ter dado vários desgostos.
O seu grande sonho de ver os filhos Dê Rés; o “assentar”, casar e constituir família; depois de casado, o não querer ter logo filhos; o sair de casa pouco tempo após o regresso da Guiné; o nunca acabar o curso de programador no Centro Informático da RTP que ele chefiava, ficando-me pelo de Mecanógrafo, entre outras avarias pós Guiné, n’uns loucos anos, em que vivia como se fosse o último dia – noite, melhor dizendo - da minha vida.
Mesmo assim, foi esse curso informático, que me proporcionou o primeiro emprego a sério pós Guiné, e onde curiosamente me metia com uma colega que não podia comigo nem um bocadinho, que tinha uns olhos lindos, e que infelizmente para ela, acabou por comigo casar e piedosamente me aturar com “pachorra” de santa há... 37 anos.
37 anos que me parecem 37 dias !!...Gosto mais dela do que torradinhas do meio !!
Ainda sobre o pai: Todos sabemos e facilmente se adivinha o que seria naquele tempo e condições, a alimentação da “soldadesca”.
Quando em comissão no Ultramar, era-mos obrigados a deixar cerca de metade do vencimento a um familiar na Metrópole, recebendo na zona operacional o restante.
Como não conseguia tragar a comida do quartel, passava o tempo a “lutar pela vida” ora comendo no “Branco” ora alinhando nos petiscos que os camaradas arranjavam.
Claro que isso trazia custos acumulados, e como o que recebia não chegava, passava a vida a pedir ao pai para me enviar a “pensão” de que ele era fiel depositário. O dinheiro da Metrópole tinha uma mais valia, pois “cambiávamos” por mais 10% em “patacão” da Guiné.
Esgotei a pensão, mas ele nunca falhava com o apoio monetário, dizendo que lhe pagaria quando findo o tormento, já em “casa”, tivesse a vida organizada e começasse a trabalhar.
Quando finalmente me vi regressado à casa paterna, com que alegria ele me dava as novidades....
A primeira refeição foi frango assado picante com bata frita às rodelas e esparregado salteado com alho (que eu adorava), depois o nosso quarto remodelado, nova televisão, obras na nova casa...tudo preparado para a recepção do” filho pródigo”.
Por último - surpresa maior - a papelada para abrir uma conta bancária com todo o dinheiro da pensão de dois anos, que supostamente me teria enviado para a Guiné, mais uma verba que ele dizia ser de “juros do capital investido” !!
Fiquei espantado !!
Nunca mais esquecerei deste gesto. Muitos outros de grande generosidade se seguiram pelos largos anos que ainda viveu.
A minha singela homenagem, ao grande homem que me vincou o carácter e do qual muito herdei.
Zé Justo
Maio 2009
tranha.
Conseguimos captar o mais estranho som a quilómetros de distância, o que nos proporciona as rápidas fugas para os abrigos ou postos de combate, logo que se ouvem ao longe os estrondos das “saídas”, denunciando o começo de mais um ataque.
Mas que posso fazer ??
Não estou eu, bem como tantos, condenado às intempéries de um futuro tão sombrio ?
Tão incerto como tudo o que conhecemos, um futuro que será tudo menos: risonho, feliz e tranquilo, um futuro que ficara talvez na minha memória como um espaço de tempo tão doloroso e amargo, tão terrífico que só a simples lembrança me causará medo.
Tanto desejo que isso não aconteça que uma simples esperança se vai avolumando em mi de uma maneira tão categórica que já se tornou uma obsessão.
Eu quero que o dia 8 de Novembro seja e desfolhar natural de mais uma folha de calendário.
Quero que quando esta mesma folha tombar com a sua história passada, não seja uma data para fixar.
O que há tempos atrás me parecia uma criancice, naturalmente hoje é um ardente desejo.
Sinto que o mundo de fantasia e de boa vida vivida, repleto de esperanças e grandes planos, hoje, não está morto, mas sinto que está sobremaneira transformado.
Transformado com a necessidade premente de uma aniquilação total e negligente para facilitar o alheamento da confusão em que me vejo.
Recordo que no princípio da comissão, quase todas as minhas noites eram um manancial de belos sonhos e até de prelúdios mais ou menos longos e felizes.
Tudo revivia, com a plena certeza de apenas os interromper por um tempo.
Hoje, passados 212 longos e penosos dias, que se arrastam, essa convicção já nem sequer me torna feliz.
Sobreposse à certeza bela e realizável, o monstro enorme e horrendo da incerteza e dos contínuos pavores.
Tento não desanimar...
Contudo tão difícil se torna já a ideia de que o tempo que imperiosamente ainda me resta de sofrimento nesta maldita, mas também tão bela terra, terá que passar tão lentamente que a sua lentidão me causa horrores.
Não são os dias em si que me atormentam.
É sim o que eles também contém e conterão, o que definem e hão de definir com o seu inconstante nascer e morrer.
Relembro hoje a data de 19 de Julho de 1967, o nosso primeiro ataque em grande escala.
Relembro, ainda mais recentemente, o dia 31 de Outubro e 1 de Novembro.
Quantos dias como estes ainda terei mais que passar ? Quantos medos arrepios sentirei percorrerem-me todo o corpo até o sentir gelado ?
Quem ganhará na realidade com esta guerra ? eu só vejo perdas...principalmente de vidas e de carácter, perante as durezas da guerra.
Tantas perguntas e nenhuma resposta !!
Tantos horrores, tanto sangue e morte ainda terei que presenciar para finalmente o dia glorioso do regresso se impor ao que tanto me torturou e fez sofrer.
Quero logo que ponha os pés na minha amada Lisboa, apagar da memória estes malditos dois anos de Guiné.
A constante de dois longos anos, é e será sempre tudo o que não quero, mas que forçosamente tenho que suportar.
Tudo o que nunca imaginei poder ser verdade e concluí corresponder à verdade, à imagem real de factos sempre presentes em quem os passou e em quem os passa para mais tarde os abandonar e trocar por tudo o que são os “sonhos lindos”.
Mesmo esses que tudo sofreram e agora tudo gozam, de certo se lembram dos que, e para quem, planos futuros lhes serviram a eles de mortalha e aos outros de lágrimas e dor. quarta-feira, 30 de abril de 2014
Toque a doentes...
Victor Manuel Lopes Serafim
"CAMARADAS;Grande marrada do destino,passei a Pascoa no Amadora-Sintra estou a recuperar, mas vou ter de voltar não é facil.
Um abraço para todos,espero estar em forma para o almoço.Até breve.
SERAFIM"
Carlos Costa Ramos.
Os dois prometem estar presentes no almoço anual.
Para ambos os nossos votos de pronto restabelecimento.
Um abraço de todos nós.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Parede - algumas fotos enviadas pelo Costa.
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Quartel da Parede - parte dum texto do Pica Sinos, já anteriormente publicado
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Por coincidência, a SIC apresentou ontem, no seu programa do Jornal da Noite, ABANDONADOS, uma reportagem sobre a Artilharia de Costa, onde a Parede é referenciada.
http://sicnoticias.sapo.pt/programas/abandonados
e procurar em "ABANDONADOS: REGIMENTO DE ARTILHARIA DE COSTA".
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Comentário a este programa da SIC:
domingo, 27 de abril de 2014
TOQUE A DOENTES...
O Arrabaça fez mais uma operação, cujo pós-operatório não tem corrido muito bem.
Espera no entanto ir ao almoço às Caldas
Já o Fernando Santos, a morar em França, tem também que fazer uma operação, que em principio está marcada para o dia 12 de Maio, pelo que não poderá estar presente no nosso almoço.
Para ambos os nossos votos de boas melhoras.
Quartel da Parede - Relembrando...
Foi com alguma emoção que deparei com este seu blog, simpatia dum camarada de armas, Raul Pica Sinos, que me indicou o endereço.
Fiquei deveras agradado com o que vi e com o seu relevante trabalho.
O nosso Batalhão de Artilharia, BART 1914, teve a sua concentração na Parede antes de seguir para a Guiné, em Abril de 1967.
Relembro aqui nas suas fotos todo aquele ambiente, na altura já bastante impróprio para que ali habitasse gente, como foi o nosso caso.
Mas mesmo assim foram tempos emocionantes para jovens mancebos que partiam para o desconhecido. Nós regressámos sãos e salvos, outros não, infelizmente, mas quase todos passaram por aquela Porta de Armas, do quartel da Parede.
Presentemente temos um blog dedicado ao pessoal do BART 1914, mas de acesso a toda a gente, onde, com a sua permissão iremos em breve publicar estas fotos, pois sabemos que elas vão ser do agrado geral.
O endereço é:
http://bart1914.blogspot.com
Muito obrigado pelo seu carinho para com este tema da Artilharia e pelo trabalho desenvolvido.
Muito obrigado.
Receba um abraço de todos nós, pessoal do BART 1914.
Leandro Guedes.
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