

35º almoço em 2026 - Figueira da Foz - Quinta da Salmanha.
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
REFORMADO HÁ 10 ANOS, O SEU TEMPO
magro q.b., de cabelo branco que facilmente reconheço, embora não o visse pelo menos há 40 anos.
Já sentados começamos a nossa conversa, estando eu longe de nesta agradável manhã, ter uma “lição” de electrotecnia avançada. Não é difícil constatar que conversa se desenvolve com o ex. Furriel Ernesto Bento Rosa, rádio montador em Tite, hoje Eng.º Electrónico, jubilado, pai de 2 filhos (um rapaz e uma rapariga) e com 3 netos (dois rapazes e uma rapariga) dividindo o seu tempo a visitá-los, ao rapaz em Bragança e à filha na Austrália, não sem antes passar por Abrantes onde tem as suas raízes desde 1940.
Depois, animado, transmite-me que quando regressamos a Lisboa, foi admit
ido na então Emissora Nacional, com a profissão de Rádio Técnico Montador. Aprofundou o estudo da área e formou-se mais tarde como Engenheiro Electrotécnico.
Como recordamos Tite e as peripécias! Ele que numa bela tarde, com mais 2 Sargentos e todo o seu pessoal, quis montar uma antena, para os novos rádios transístorisados, com 12 metros em altura, junto ao depósito da água, espiada e com a ajuda de um Unimogue, depois de largas horas gastas nas tentativas da montagem, não o conseguiu, na medida em que a estrutura se dobrava. Acabando por montar, “em meia hora”, uma antena apenas com 3 metros, no cimo do citado depósito de água, com igual ou superior desempenho na captação/retransmissão em rádio.
Rir a bom rir, foi recordarmos os “saltos, as nevróticas coçadelas e o arrancar de cabelos” do Comandante “raquetes” e do M
ajor “hortelão”, no dia em que Tite ficou sem transmissões de qualquer espécie, por culpa deste “aspirante a engenheiro à data”, dado que pensou que poderia poupar a “vida” das baterias ligadas entre si, baixando para 12 voltes a voltagem da central de baterias (que ficava junto ao Centro de Cripto) quando a devia manter nos regulares 14 voltes. Resultado: Energia para os rádios “cá tinha”, salvou a situação (enquanto as baterias não voltaram a carregar), um pequeno rádio retransmissor para eventualidades de recurso guardado na secção STM (Serviço Telefónico Militar).
Com a barriga a dar “horas”, preparamos as despedidas não sem antes recordamos vários amigos: O Mestre Luís Filipe, o Madureira e o Vítor Hugo, o primeiro infelizmente já falecido e os outros dois com o paradeiro desconhecido.
O Ernesto Rosa despede-se finalmente de mim com um até “breve” em Ovar,
Pica Sinos
nesta foto está o Pedro ao lado do nosso comandante Hélio Felgas, vendo-se o Costa ao fundo, entre outros Companheiros.
No ultimo almoço alguém me disse que o Pedro havia falecido.
Agora soube pelo Pica Sinos, que o António Costa Mestre, de Mértola, encontrou o Pedro há meses atrás e que afinal, ele trabalha nas obras no Algarve, tendo uma vida bastante humilde.
Apesar desta situação, fico contente em saber que o Pedro está connosco. Espero, meus amigos que ele vá ao nosso almoço de Ovar e para o efeito irei pedir a ajuda do Mestre para o encontrar e combinarmos como fazer.
Disse-me o Pica que o Pedro contou ao Mestre, que gostava de me encontrar. Ele lembra-se que após o embarque o levei comigo para o Porto, cidade que ele gostava de conhecer, fomos visitar alguns locais interessantes, ficou em minha casa e depois levei-o ao Algarve uns dias mais tarde.
E neste seu regresso a casa foi vestido de fato e gravata que ele havia comprado em Tite, sapatos novos, meias e cuecas como ele gostava de dizer... e o seu belo rádio transistor .
Fiquei contente, Pedro!
nota - lamentavelmente o Pedro não faz parte da nossa lista de moradas, não sei porquê.
Leandro Guedes