Batalhão de Artilharia 1914


“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Algumas fotos no almoço anual em 2009

O Ramos, o Mestre e o Correia

O Rosas, Guedes, Arrabaça (falecido), Ramos, Carlos Azevedo, Botas (falecido), Mestre e Pica Sinos
Arrabaça (falecido)


Palma e o Pedro

Almoço no passado dia 14 de Agosto, nas Minas de S.Domingos.


O Pedro e a esposa do Hipólito

O Magro, o Mestre e o Pires
No passado dia 14 de Agosto, houve almoço com o Pedro nas Minas de São Domingos.
E, foi-se, paz à sua alma!, uma lebre, à caçador, confeccionada e condimentada por uma alentejana, aqui vizinha, regada com um néctar dum garrafonito, aquela e este ofertas do sr. Mestre.

De tal sorte que, o Carlos Vaz Pires, a custo e agarrado às paredes, caiu, de bruços, no sofá, onde conseguiu chegar e, até agora, ressona, fazendo tamanho "basqueiro" que mais parece um tremor de terra de escala 7 . . .

Oh Francisco Ferreira,

Não te esqueças de levar, para Tábua, pelo menos, uma notita de 20, para o que der e vier . . .

Eu, não tenho a vida a jeito . . .
Hipólitozinho!

20º almoço anual, organizado pelo José Costa, no ano de 2009.


Fotos em video, enviadas pelo José Costa. Para ver clique na seta.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

19º almoço anual, Salir do Porto

Mais um almoço organizado pelo Domingos Monteiro, o terceiro. Desta vez foi em Salir do Porto, no ano de 2008.











VEJA ESTE VIDEO COM AS FOTOS DO ALMOÇO - CLICAR NA SETA:

Relato do Pica Sinos:

OVAR É JÁ ALI….A CIDADE QUE SUCEDE
17 de Maio de 2008, ao chegarem é-lhes difícil não contemplarem a linda baía de S. Martinho do Porto, o mar, apesar de uma ligeira ventania estava calmo, o sol esse semi-escondido. São cerca das 10,30 horas.
 Em frente ao Parque de Campismo Baia Azul, ponto de encontro deste nosso 19ª Almoço Convívio das: Companhia de Comandos e Serviços, Companhia de Caçadores 1743, Pelotão de Morteiros 1208, Pelotão Daimler 1131 e Secção de Obuses, estacionados em Tite, componentes do Bart 1914, os participantes começam a chegar isolados ou acompanhados das suas esposas, filhos, filhas e netos alguns.
São habituais os gestos com os cumprimentos daqueles que todos os anos fazem questão em marcar presença nestes almoços convívio. Naqueles que há largos anos por esta ou aquela razão não tiveram a oportunidade de se encontrarem, não se fazem esperar fortes abraços, vive-se mais alegria, os olhos esses lacrimejantes, espalha-se ternura nas conversas que se sucedem entre os amigos de guerra e amigos para sempre.
Pergunta um; olha aquele é o Capitão Paraíso Pinto não é? Diz outro; sim é; está falar com o Cavaleiro. Olha o Guedes e o Gentil. O Costa e o Amador. Olha o “Chapa” e o Pintassilgo…. é, é, era padeiro com o Contige. Desculpa lá…. aquele não era o sacristão? E aquele ali não era o despenseiro Serafim a falar com o Alferes Claro?.....O Justo, onde anda o Justo? As perguntas e as respostas sucedem-se.
 São 12,30 horas, o Monteiro, furriel sapador, organizador deste evento, dá ordem de partida à caravana automóvel ali presente. Salir do Porto é o rumo, espera-nos o almoço no restaurante Nascer do Sol cujos lugares nas mesas têm que ser aumentados, o número das presenças bateu o recorde. Nunca um almoço convívio teve tantos participantes com este, disse que sabe.
 Todos se acomodam, nas mesas os aperitivos, vinhos, sumos e cerveja à nossa espera. Ouve-se aqui e ali o barulho característico das rolhas a serem sacadas das garrafas. O bolo comemorativo do BART 1914 – Sem Temor - está junto à cabeça das mesas. A festa há muito já começara, agora brinda-se, os copos tilintam, tiram-se fotografias para mais tarde recordar. As conversas não se esgotam, juntam-se, aqui e ali para mais “dois dedos”. O bodo é entretanto servido.
Pela sobremesa, obviamente, os discursos não faltaram, houve quem cantasse o fado, que declamasse. O Pintassilgo assobiou uma linda melodia. Cantou-se os parabéns a alguém que fez anos. As palmas, essas, foram muitas. Mas as recordações dos anos 20 em Tite e os “retratos” das suas vidas depois, essas não cessaram todo o momento……. Não… diz o Henrique…tens razão diz o Arrabaça. Diz o Abreu….o Bagulho onde anda esse gajo?
São cerca das 17 horas, na partida repetem-se os sorrisos e os abraços com a mesma força da chegada, com a promessa que em Ovar – ano do 40º aniversário da chegada de Tite – os abraços serão mais fortes.
Pica Sinos.

domingo, 13 de agosto de 2017

18º almoço anual, Leça da Palmeira


Este almoço foi organizado pelo nosso companheiro Viana e pela filha, que entretanto faleceu. Foi no ano de 2007 e estiveram presentes 107 pessoas, entre guerreiros, amigos e familiares. Não temos fotos deste almoço.

sábado, 12 de agosto de 2017

17º almoço anual, Leiria


Este almoço fi organizado pelo Domingos Monteiro, pela 2ª vez, em Leiria no ano de 2006. Não temos fotos deste almoço.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

16º almoço anual, Braga



Mais um almoço organizado pelo alf. Vaz e Alves e pelo Narciso Costa, em Braga, no ano de 2005. Não temos fotos deste almoço.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O Victior Barros foi operado

O Victor Barros foi operado a uma hérnia na passada segunda-feira
Falei ontem com ele e diz que já está em casa e se encontra a recuperar bem.
Votos de boas melhoras companheiro. Um abraço de todos nós.
Leandro Guedes.



15º almoço anual, organizado pelo António Vilão, em Cantanhede, em 2004

Não temos fotos deste almoço.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Almoço em casa do Francisco Ferreira, em Lamego

O Alfredo Alves e esposa, foram visitar o Francisco Ferreira a Lamego.
O Alfredo enviou-nos esta foto. Obrigado Alfredo.


14º almoço anual, organizado pelos amigos José Bezelga e Henriques Guimarães, na Madalena, em Vila Nova de Gaia, em 2003

Não temos fotos deste almoço.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

13º almoço anual, organizado pelo Joaquim Henriques, em Peniche, em 2002



Não temos fotos deste almoço. A foto aqui apresentada refere-se a um mini almoço realizado pelo Henriques em 2008.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

José Luis Feitor Amaro, do Pelotão de Morteiros


Mais uma foto atribuída ao respectivo dono, o José Luis Feitor Amaro, do pelotão de morteiros 1208 (com a ajuda do Pires. É mais uma contribuição do Narciso. A ambos agradecemos.

nota - afinal o José Luis Feitor Amaro,  que morava na zona de Coimbra, faleceu há já alguns anos. Falei há momentos com o Hipólito que me deu esta informação. PAZ À SUA ALMA!

12º almoço anual, organizado pelo Vaz Pires, em Almoçageme, Cascais, em 2001

Estiveram presentes 80 pessoas.
Não temos fotos deste evento.

domingo, 6 de agosto de 2017

11º almoço anual, organizado pelo Arrabaça, na Nazaré, no ano 2000


Estiveram presentes 85 pessoas.
Não temos fotos deste almoço

sábado, 5 de agosto de 2017

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Esclarecimento do Hipólito - O Emidio de Sousa já faleceu há alguns anos.


O Emídio, faleceu, há já uns anos.
Residiu na freguesia de Guilhufe, em Penafiel e foi sepultado no cemitério da sua residência.
O Cabito anda a diligenciar uma placa para colocar na sepultura onde iremos em romagem.
O Eusébio reside em Ponte de Lima, sendo conterrâneo é amigo do Daniel, serralheiro.

Hipolito Almeida Sousa

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Eusébio e Emidio

Mais dois companheiros de quem conseguimos fotos. Se alguém tiver mais fotos deles, é favor enviar por email ou facebook. Obrigado.
Agradeciamos também saber o nome completo de qualquer um deles. LG.


Eusébio, era Clarim em Tite

Emidio

Emidio

Tony, de Castanheira de Pera

Tony, António Manuel Antunes Costa, de Castanheira de Pera.
Falamos há pouco ao telefone e soube que felizmente está tudo bem com ele, familiares e amigos mais próximos, após os trágicos acontecimentos em Pedrogão, Castanheira e Figueiró.
É uma noticia que com certeza alegra o nosso grupo.
Um grande abraço para o Tony, António Costa, que era do pelotão de morteiros e que durante algum tempo fez serviço na messe de sargentos, em Tite.
O Tony veio pela primeira vez aos almoços anuais, em Almada em 2012, org
anizado pelo Pica, Contige e Palma.
Votos de boa saúde.
Leandro Guedes.




José Simões Sequeira e Manuel Fazendeiro

Com a preciosa ajuda do Narciso Costa, sempre atento a estas coisas, arranjamos fotos correspondentes a dois companheiros, José Simões Serqueira e Manuel Fazendeiro, que não faziam parte da nossa galeria. Aqui fica o reparo, tanto no blog como no facebook.
Muito Obrigado Narciso.
Leandro Guedes.
Manuel Fazendeiro, Clarim em Tite
José Simões Serqueira, de Coimbra

8º almoço anual, organizado pelo António Cavaleiro, em Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo, no ano de 1997

Neste almoço estiveram presente 102 pessoas, entre guerreiros, amigos e familiares.








Como homenagem ao Minho, região onde foi organizado pelo Cavaleiro este 8º almoço anual, aqui se reproduz um video enviado pelo Jorge Claro.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

7º. almoço anual, organizado pelo Francisco Ferreira, na Serra das Meadas, Lamego, em 1994


Não temos fotos deste almoço. Aguardamos envio das mesmas. Talvez o Ferreira tenha.
Obrigado. Um abraço. LG.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

4º. almoço anual em 1993, organizado pelo José Arrabaça, em Atalaia/Barquinha

Este almoço teve a presença de 102 pessoas, entre guerreiros, amigos e familiares.
Foi organizado pelo saudoso José Arrabaça, na Atalaia/Barquinha.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Coronel João Trabulo faz hoje anos


O nosso coronel João Trabulo, que pertencia à CCAÇ 2314, aquartelada em Tite, passa hoje mais um aniversário.
Para o nosso coronel um abraço de parabens nesta data, que tenha muita saúde e que o dia seja alegre e bem disposto, junto de familiares e amigos.
Um abraço.
Leandro Guedes.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

1º. almoço anual, na Areia Branca, perto de Torres Vedras, foi em 1990.

Estalagem da Areia Branca, hoje desativada

Dão-se alvissaras a quem enviar uma foto do primeiro almoço realizado na Estalagem da Areia Branca, perto de Torres Vedras, em 1990. Infelizmente a Estalagem está desativada, nas mãos dum qualquer banco. Por sugestão do Cavaleiro, na ultima vez que nos encontramos em Vilar Formoso, se um dia a Estalagem voltar a funcionar, vamos lá organizar um almoço anual. Quem sabe ! Aqueles que foram a este primeiro almoço, lembrar-se-ão que em frente está o mar, uma paisagem lindíssima, num dia de muito significado para todos nós - o do reencontro. Ficamos à espera da foto. 
Forte de Paimogo, ao fundo, perto da Estalagem da Areia Branca

sábado, 22 de julho de 2017

3º almoço anual em Mira, Aveiro, organizado pelo Jorge Claro em 1992.



Esta foto é do 3º almoço em Mira, Aveiro, organizado pelo Jorge Claro salvo erro em 1992. Aqui se verifica a evidente juventude dos participantes, muitos deles com bigode, outros bastante cabeludos, mas todos, ou quase todos, de gravata. Que belo friso.
Vêem-se aqui alguns companheiros já falecidos - o nosso alferes capelão Padre Luis Silva, Gentil, Heitor, Águas, Arrabaça, Botas, e outros que nunca mais apareceram nos almoços - Bagulho, Sargento Araújo, Alferes  Fernando Alves, entre outros.

LG.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

O primeiro ataque a Tite após a nossa chegada - pelo José Justo



O 1º. ATAQUE A TITE (19 DE JULHO DE 1967), DURANTE A NOSSA PERMANENCIA, DESTA VEZ VIVIDO PELO JUSTO.
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A guerra na Guiné 7.000 guerrilheiros era sem dúvida muito mais intensa e sistemática, que em Angola 6.500 guerrilheiros e Moçambique 6.500 guerrilheiros.Devia-se isso principalmente a:Pequenez do território 36.128 Km2, portanto mais controlável pela guerrilha.Ser o PAIGC o único grupo armado que nos combatia; (ver mapa Africa)Fazer fronteira com dois países que nos eram hostis - Senegal a norte e Guiné Conakry a sul - e dos quais o IN recebia apoios.Como se não bastasse, tinha um clima terrível; calor e humidade intensos, pragas de mosquitos, formigas gigantes vorazes, dificuldade de abastecimento e conservação de frescos, água só filtrada e com um sabor horrível, tomava-mos duche e quando nos estava-mos a limpar já suava-mos de novo, etc.O PAIGC concentrava a luta de guerrilha, principalmente nos ataques nocturnos aos quartéis, com armas pesadas - de véspera engajavam os civis das tabancas próximas para carregarem as granadas e muitos fugiam a coberto da noite antes de espoletarem as granadas de morteiro (esta cena vai dar outra história curiosa).A nossa vida diária, e logo que começava a escurecer, era ir para dentro, ou estar muito perto dos abrigos subterrâneos (ver foto), ou de alguns edifícios reforçados com sacos de areia entre o telhado e a cobertura.O quartel estava sempre iluminado com duas principais linhas periféricas: o quartel propriamente dito, e uma linha posterior onde se situavam os postos de defesa avançada.A força motriz era fornecida por dois enormes geradores que funcionavam alternadamente 24 horas por dia, e tinham sempre um electricista de dia, que além da manutenção normal, tinha a função importantíssima de, quando se ouvissem as “saídas” (nome dado aos estrondos dos primeiros disparos dos morteiros e canhões sem-recuo) desligar todas as luzes, excepto da vedação posterior, para pudermos ver e repelir tentativas de aproximação e invasão do quartel.A parte mais mortífera dos ataques, eram os primeiros rebentamentos, O PAIGC instalava-se de noite, a alguns kms do quartel e como tinha a referência das luzes, podia calibrar e apontar as armas pesadas, sem pressas e com toda a precisão. Daí as primeiras granadas a cair, sempre tocavam os pontos mais vitais (numa operação, foi capturado a um guerrilheiro morto, um mapa pormenorizado do nosso quartel, assinalado com o comando, tms, etc. e até da prisão, com uma exactidão impressionante !!??)Uma noite, como sempre, estava no abrigo subterrâneo a jogar á Sueca e era hábito haver sempre alguém que se encarregava de ganhar algum “patacão” com um mini comércio de vinho, cerveja e alguns petisquitos de ocasião.Só que naquela noite, mau grado, não apareceu ninguém a “abrir a tasca” e estava tudo a seco. A “secura” na Guiné tinha dois grandes inconvenientes; O calor chegava aos 40 e tal graus, e “não bebo, logo penso...portanto...não rebentes a tola”.Claro que as jogas da Sueca eram levadas muito a sério, e sempre para as bebidas...quem perde paga, e segue a música.Dispus-me a ir á cantina buscar quatro belas e grandes cervejas de 6 dl.Tinha acabado de pagar, quando um barulho intenso denúncia as “saidas” bum...bum...bum...bum, aí estava mais um ataque...logo se apagam todas as luzes e desato a correr e a contar intimamente 1.2.3... - tinha aprendido na recruta, com um alferes que tinha estado na Guiné, que quando apanhados nesta situação, devemos começar a correr para o abrigo mais próximo, a contar e chegando ao 10-12-15 deitar no chão, fechar a boca e tapar fortemente os ouvidos com as mãos, por causa da descompressão de rebentamentos muito próximos.Corri que nem um desalmado, sempre a contar, mas aos vinte e tal, parei de contar...mas não me deitei no chão, sempre na ânsia de chegar até ao abrigo das transmissões.Sem luzes e numa noite bastante escura, corria e guiava-me mais pela intuição e o desespero de me abrigar, do que pela visão, quando um rebentamento tremendo de granada, na paliçada junto à porta de armas, me projecta não sei para onde, e senti um calor enorme. Ainda fiquei mais em pânico, pois as ondas de choque dos rebentamentos próximos, levantavam muita terra, e parte dessa “chuva” caiu-me em cima.Com a projecção, caí, mas logo me levantei e recomecei a correr. Dois ou três passos dados, senti uma pancada enorme na cara e na mão direita, que me deixou completamente tonto !! cheio de dores começo às apalpadelas, e passados segundos, apercebo-me que em vez de estar a correr na direcção da rua, com o rebentamento, tinha ficado virado para a parede do edifício já muito perto do abrigo, e tinha corrido a bom correr...DE ENCONTRO Á PAREDE.Por fim lá me abriguei, incólume, mas sem uma sapatilha e a cabeça toda empoeirada.Desta vez o ataque tinha feito desgraça entre nós, um deles foi o “piriquito” da Compª operacional, com 5 dias de Guiné, que se tinha desenfiado do reforço e morreu com um estilhaço que lhe entrou pelo anus...incrível.A seu tempo vou contar esta triste história, mais uma ironia do destino.No dia seguinte, na cantina e enquanto comentávamos a noite desgraçada da véspera, , perguntei como descargo de consciência das quatro cervejas que tinha pago e ficaram em cima do balcão, claro que já previa que tinham sido “capturas pelo IN”, mas não !!! o cantineiro (mas uma vez...os nomes) abre a arca e pôe-me as cervejas no balcão !!! fiquei de boca aberta...não comentei...e acabamos os dois por beber as 4 loirinhas.Não acredito num gesto destes na cantina de um quartel na Metrópole, onde os gajinhos das cantinas eram uns lateiros-mete-nojo.Se a maldita da guerra, terá uma única coisa de bom, será a forte amizade entre irmãos de armas e sofrimento, durante dois anos, num teatro estúpido de guerra.O que me dói, e ofende a minha inteligência, é; porque se provocam carnificinas, e passados anos os então inimigos, passam a irmãos !! não será possível a tal irmandade antes do morticínio ?? tá bem...pronto, já sei que não sou deste planeta !!Zé Justo.

Sobre o 19 de Julho, pelo Pica Sinos





Não sei se já repararam na forma como escreve o ex. aprendiz Eclesiástico em Tite e ex-Comandante de Bombeiros Voluntários de Baltar, Hipólito Sousa. Ele tem um talento natural para a escrita, inspiração nunca lhe falta. Escrever não é uma tarefa fácil, dá trabalho. Parece-me na forma como o Hipólito escreve tudo lhe é fácil no que diz respeito à escrita. Parabéns amigo. No entanto, para além da inspiração e do bem escrever, compreendo que com a idade que ele já tem, os acontecimentos de “lá longue” lhe vão fugindo. Acontece a muito boa gente. Digo isto e porque ao ler uma passagem do artigo que escreve este nosso amigo, refere que no ataque ao aquartelamento de 19 Julho 1967, o Contige e o Cabito de Penafiel, num ápice se atiraram para o chão, não dando conta o Cabito de quem já estava estatelado. De todo o modo, parece-me que o acontecimento merece mais uns acrescentos. Não que estivesse nesse abrigo, mas porque uma das personagens de tal “filme” me relatou. Então vamos lá “pró explico”. Há duas versões: O Cabito diz que quando começou a estoirar a “pirotecnia” foi ter com o Contige ao dito posto avançado. O Contige diz o contrário. Que quando a “festa” começou ao chegar ao abrigo do posto avançado o Cabito já lá se encontrava. Parece não ser importante saber ao certo quem chegou primeiro, mas é! Se foi o Contige, faz sentido que ele se deitasse de primeiro no chão e o Cabito por cima dele. Ou andaram para melhor cobertura a “dançar o puxa-puxa”, com os bidões vazios existentes no abrigo até caírem no chão, “tocando” ao Cabito ficar com a cara no traseiro do Contige? Para além deste imbróglio impossível de fazer “replay”, o que interessa saber é que o Contige ficou, como é natural, muito incomodado tal era a pressão no seu traseiro. O Cabito, como bom sapador, não desarmou, e a custo lá foi dizendo…comeces tu o que tiveres comido eu aguento! Não tiro a cara daqui. Pica Sinos.

O primeiro ataque a 19 de Julho, visto pelo Hipólito



19 de Julho de 1967 - o primeiro ataque do IN
Este “pinchavelho”, que me enfiaram para, deslocado, aceder à internet, põe-me à beira de um ataque de caspa, dando-me ganas de o atirar pela sanita abaixo. Liga, umas vezes, outras não, e desliga, amiúde, com o trabalho a meio, lembrando-me aquela vez, quando bombeiro militante, de, ao toque a feios da sirene do quartel, ter de interromper, no melhor da refrega, uma função conjugal que, por sinal, estava mesmo nas horinhas do senhor. Ossos do ofício, impecilhos, porém, de um maior rendimento artístico cá pr’ó blog, já que, quanto a refregas, propriamente ditas, estamos conversados. Àquele, menor rendimento, por prescrição médica, perante os sintomas evidentes de “caquetice crónica”, foi aconselhada terapêutica adequada para evitar solilóquios, sobretudo quanto aos estropícios do bart 1914, que nem troco dão. E começaram com pedalada de corredores de fundo! . . . mas, sol de pouca dura . . . As recordações são como as cerejas ou as baratas. Ainda de pensamento imberbe, não sublimei, na altura da nossa tragicomédia guineense, indícios que, ora, vou checando. Naquele primeiro ataque, de que fomos alvo a 19 de Julho, salvo o erro [sim, esse mesmo que o poeta Costinha historiou, versejando, “fui dar com o cabo SPM abrigado debaixo da cama”], soube-o agora, o Contige e o cabito, aquele, matulão, este, franganote, mas reguilóide quanto baste, estavam de sentinela num dos postos avançados. Mal as bojardas se fizeram sentir, já, ambos, acagaçados, estavam na horizontal, de “fuça” no chão, com a agravante de o cabito ficar deitado entre e no meio das pernas do Contige. Bonita posição, sim senhor, e que bem protegida estava a matula no quartel ! . . . Não sei, para ser franco, se essa posição, pouca ortodoxa, era já reveladora de qualquer tendência menos curial. O que sei é que, agora, na praia do Meco, o mesmo Contige e o Zé Manel, coabitam em “datchas” muito aconchegadinhas, entre si, não podendo, ora, precisar a posição exacta, se de lado, se por cima ou se por baixo. E que as respectivas consortes (de ambos) lhes lançam uns piropos brejeiros, disso sou testemunha ocular de vista. E que pediram, encarecidamente, para que a minha consorte não soubesse, também é verdade. Escrevi acima “acagaçados”, do que peço perdão. Por causa das cócegas, deveria, antes, ter escrito “defecados”.
Um xi do Hipólito