Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A prenda de Natal do Pica Sinos para o Zé Justo...


Justão
Há muito que andava a magicar que prenda te ía oferecer neste Natal.
Dei voltas e mais voltas para saber o que ficava de melhor este ano nas tuas vitrines.
E eis que a sugestão surgiu, espero que gostes.
Tem um bom Natal na companhia daqueles que mais amas.
Com saude e trocos.
E eu que vá lendo as tuas publicações nos blogs e nos emails que envias.
Aquele abraço

Raul PSinos

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...É PÁ!!!...QUE GRANDE MARTELADA AMIGO!!!!
AINDA NÃO ATERREI!!
QUE IDEIA MAIS SUBLIME, E COMO APANHASTE TODOS OS RECANTOS, MESMO O BECO DA RICARDA??!!..
RAULÃO, JÁ ABRI UM ATALHO, E VOU TOMAR UMAS NOTAS PARA TE ENVIAR PORMENORES DE TODAS AS FOTOS, ESPERO SER UM TRABALHINHO COM ALGUM VOLUME, QUE LOGO QUE PRONTO TE ENVIO.
OS PORMENORES DE MUDANÇAS DE TOM É CINCO ESTRELAS E MAIS CINCO SÓIS....
OBRIGADO...OBRIGADO...OBRIGADO, AMIGO, ÉS UM ESPANTO!!
DECERTO PERDESTE UM DIA PARA ESTAS RECOLHAS!!!...
MIL ABRAÇOS, E BREVE TE DOU NOTÍCIAS.
JUSTO
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Foi só a tarde de sábado para fotografar
e a tarde de domingo para compor o filme.
Mas também gosto do resultado.

Pica
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Transcrevemos a seguir um texto do Justo, escrito em resultado desta simpatia do Pica, em que ele descreve minuciosamente todo o ambiente que vivia naquelas ruas de Lisboa, na sua juventude:

AS MINHAS ORIGENS

Uma prenda de Natal 2013 do Pica Sinos, que não mais vou esquecer!!

Raulão:

Em cima já disse tudo, mas vou realçar o trabalhão que deves ter tido, e o tempo que dispensaste neste primoroso trabalho, e ainda por cima, com nuances lindas.
Armazéns do Chiado - Onde eu, em miúdo ia por as meias da mãe a “apanhar malhas”, o que como deves calcular era um frete de todo o tamanho, inclusive, tinha imensa vergonha da “apanhadeira” Dª Estela, sentada numa banca pequenina, logo entrando nos Armazéns á direita.
Também era lá que á época que ela se abastecia de materiais para o atelier de costura, pois os Armazéns eram grandiosos em espaço e artigos e tiveram uma certa auréola nos anos 1950.
Elevador de Santa Justa - Acesso da Baixa ao Carmo, e donde, do cimo, no gradeamento de fronte aos elevadores, nos velhos tempos da Veiga, deitávamos balões cheios de água, e não só!! sobre os policias, que á cacetada dispersavam os manifestantes na rua do Ouro. Serviram também algumas vezes para a rapaziada se “pirar” das cargas da GNR, quando o pessoal se lembrava de os provocar frente ao quartel. O número era sempre o mesmo, e sempre com os mesmos intervenientes; alunos dos anos mais avançados, gritando em altos berros, perante o espanto das pessoas que estavam na fila para apanhar o eléctrico, cuja paragem era em frente ao quartel, e que há anos não existe.
“Li-ber-da-de…Li-ber-da-de…Li-ber-da-de…vamos p’ra avenida da Liberdade…vamos p’ra avenida da Liberdade”. E p’ra quê?, gritava um…dar milho aos pombos, dar milho aos pombos…do…Ro-ssio…do Ro-ssio…do Ro-ssio”. Também por duas vezes a GNR entrou pelo portão a dentro da Veiga, distribuindo cacetada que não foi brinquedo, mas a malta reagiu, e ficaram dois bonés dos gajos no chão, depois da
nossa debandada geral.
Estação do Rossio – Que vi diariamente durante anos da infância e parte da juventude, das janelas do quinto andar da Calçada. Á direita da foto, hoje um espaço muito agradável, era naquele tempo chamado de “A Casa dos Cavalos” por ter um chafariz onde os cavalos bebiam água, antes de rumarem ás santas terrinhas, findo o Mercado da Praça da Figueira, e mais tarde do da Ribeira.
Não esqueço, pelo Natal, os bandos de perus ás centenas, com os respetivos guardadores de cajado e tudo. Era nesse largo que se fazia o comércio destes bichos, que na altura eram todos pretos e era uma chinfrineira com os Glu…Glus. Era minha avó que todos os anos embebedava o bicho, enfiando-lhe aguardente por funil, goela abaixo.
Já depois de vivermos na linha de Sintra, e também até á tropa, lá fazia o trajeto Café Nacional, Estação do Rossio, para apanhar o último comboio, o das 2,25 H, o que adorava. Já contei que era o “comboio dos artistas” pois vinham sempre as beldades dos teatros, sempre muito bem maquilhadas e o impagável MAX, que tinha um espirito de eleição, e nos bancos da carruagem ao redor, os notívagos de Lisboa…sem pópó
claro…mas super atentos ás conversas.
Calçada do Duque – Lá está o último andar de varanda corrida, com as três janelas.

À esquerda o nosso quarto, meu e de meu irmão, ao centro o atelier da mãe, á direita os quartos dos avós maternos. Além disso havia mais nove divisórias??!!, divididas também por um grande sótão, que dava acesso ao telhado, onde o pai nos tirou algumas fotos. Ainda tenho a máquina fotográfica dele comprada durante a sua comissão militar em Cabo Verde.
Nas fotos das escadinhas, com portas verdes, o restaurante que pertenceu a um primo do pai. Lá estão as esplanadas, coisa relativamente recente, e que no meu tempo não existiam…turismo!!… Mas acho bem, porque se tem uma vista de eleição, nas noites, de verão, com o Castelo de S. Jorge iluminado, e uns petichiers pra criar peito…È super bom.
A entrada do nº3 tinha á direita e esquerda duas tascas. Estava bem protegido o prédio!!
Na tasca do lado direito da entrada, serviam no inverno uma bebida, que só conheci naquele tasco, com um bocado de mau aspeto. Tratava-se de café a ferver em copo de vidro, com aguardente, canela, e raspa de limão, Bebia-se sempre com as duas mãos a envolverem o pequeno copo e…goela baixo. Era uma maravilha, e houve tempos que fazia muito em casa.
Beco da Ricarda – Estas fotos foram as mais inesperadas. Não me lembro de em Tite ter feito referência a este local, mas decerto o Sherlock Pica Sinos lá deu com ele!!
Está muito ligado aqueles meus tempos por vários motivos: No prédio da direita vivia a minha avó paterna, e onde o pai viveu até casar, indo viver depois de casados com a mãe, para o quinto andar da Calçada.
Acontece que ao fundo á direita da foto ainda se vê um pouco das traseiras do nosso prédio. Portanto os pais em solteiros eram vizinhos próximos de poucos metros, e exatamente por causa disso é que começou o namorico de varanda á varanda!!
A mãe conta coisas maravilhosas desses piscar de olhos entre ambos, que começou praticamente na infância, e da procura que o pai tinha no meio feminino, da rua do Duque, que tinha acesso pelas escadinhas ao Beco.
Minha mãe, era também muito bonita, e fizeram um casal de eleição, até á partida do pai, depois de 52 anos de uma perfeita comunhão de espíritos.
Na mesma foto, no rés-do-chão á direita, vivia a minha tia A., irmã da avó paterna M,
com a filha e o genro, primos portanto dos meus pais, e com quem fizeram algumas viagens de férias pelo nosso belo Portugal. Esta minha tia, ”tinha poderes” o que a irmã M. não via com bons olhos, e certa vez, para me curar de uma constipação, pôs a arder num fogareiro de barro muito pequenino, o raio de uma ervas, que me puseram a chorara sem parar, mesmo saindo de casa dela, mais de 15 minutos??!! Nunca mais me apanhou lá em casa durante anos!!
Era também neste Beco, que nos santos populares de fazia uma fogueira, e a vizinhança toda. lá ía dar os saltinhos da praxe, e começar alguns namoricos. Nós assistia-mos a tudo isto do alto da varanda, que nas traseiras só tinha três andares. Portanto até o calor da fogueira nos aquecia as bochechas. Eu e o meu irmão, fazia-mos muitas visitas esta avó M. (avó tété, porque tinha galinhas e em miúdos nos dava muitos ovos).
Claro que as visitas eram sempre com ela fisgada!!…venham lá as moedinhas!!.
Rua do Duque – A rua em que mais tempo passei várias fases da minha vida, e também, de certo modo ligada á fada do meu lar!
No que respeita a ela, teve explicações durante dois anos no dr. R., pai do C., com quem estiveste a falar numa das tuas anteriores visitas aquela rua….lembras-te??!!

A fábrica da famosa e antiga Confeitaria Nacional, na Praça da Figueira e que agora também já existe a poucos metros de mim, é logo a seguir ás escadinhas de acesso ao Beco da Ricarda.
Já contei que a miudagem do beco, todos os dias da parte da tarde, concentrava- se á porta da fábrica esperando a vinda do sr. Castanheira e do filho, e assim que despontavam junto a gradeamento da foto, logo se iniciava uma correria, - Olha o sr. Castanheira…olha o sr. Castanheira…e ele, dando a mão aos mais pequenitos, lá nos encaminhava para dentro da fábrica, onde estava sempre um tabuleiro de chapa enorme, com bolos. Era de fartar!!
Também tinha o Grupo Desportivo do Carmo, onde se jogava ping-pong, via o Bonança na TV e á noite as velhotas da rua enchiam uma saleta para ver televisão.
Também de quando em vez havia bailarico, mas as miúdas da rua eram poucas, e o pessoal acabava por ir para o carvoeiro/tasca, poucos metros á frente jogar matraquilhos. Estes ficavam mesmo pegados á tulha do carvão, que muitas vezes a malta tinha que pisar para lá chegar.
Tinha um grande e saudoso amigo que era um craque nas “bolas dos três”. A Veiga também tinha malta que fazia jogatinas “perde paga” e “algum por fora” contra a malta da rua, mas invariavelmente levavam na corneta. O E. era mesmo um caso raro de habilidade nos bonecos. Havia também muitas “purrias” entre a miudagem (alguns já espigadotes) entre a rua do Duque e da Condessa, rua logo a seguir, subindo as escadinhas ou indo pelo Largo do Carmo.
Eu e o meu irmão, andava-mos sempre a levar porrada, até que um dia demos a volta á coisa, por tão fartos de enfardar, treinava-mos movimentos de boxe, á noite, no quarto, e na entrada do nosso prédio com outro amigo, filho do cabeleireiro das escadinhas.
Fomos fazendo algumas demonstrações, agora a três, e a coisa a partir daí acalmou.
Este meu amigo, campeão de matraquilhos, foi com quem começou a “reviravolta” a sério. Estava eu e o meu irmão á porta da Leitaria A Beirense, na foto, no fundo á direita, frente á entrada do meu prédio, quando ele vindo dos bilhares do Nacional, espeta um murro no estômago do C, com tal força, que ele se vergou todo??!!…Olha, virei-me a ele ao murro, e andamos os dois rebolados no passeio, mesmo no meio
das vendeiras de fruta!!! Foi um show, com espectadores ao redor e tudo. Por sorte ninguém se apercebeu de minha casa. A minha preocupação, finda a contenda foi olhar para cima, e a longa varanda deserta tranquilizou-me. Ele era o galã do bairro e pertencia ao grupo dos quatro “mauzões”!!… mas ficou a sangrar e eu com o punho todo lixado. Poucos anos mais tarde, viemos a ser amigos inseparáveis. Chegamos a ser
colegas de trabalho na mesma empresa, e grandes farras fizemos em conjunto durante trinta anos. Foi ele que tramou o tal almoço no Tavares Rico, naquele ano de 1977 ou 78.
Não sei onde estará para além das nuvens. Mas decerto está como sempre viveu; muito e depressa… e a recordar as princesas do Príncipe Negro…
Mesmo debaixo do gradeamento, descendo a Calçada, ficava a pequena capelista onde em miúdo, comprava cadernos, lápis de cor, e pelo carnaval, os estalinhos, tric-tracs e garrafinhas de mau cheiro, que pela surra espalhava-mos pelo chão dos estabelecimentos dos comerciantes com quem embirrava-mos …sacanagem né!!. Vê-se também, á direita da foto a entrada para as cavalariças do quartel do Carmo da GNR, onde eu e o meu irmão nos entretinha-mos a ver ferrar os cavalos, e onde nasceu a minha grande paixão por esses esbeltos animais.
Foi também numa das alfaiatarias da Calçada que os pais nos compraram os primeiros casacos “á homem”!!

Já nos anos 1980 e seguintes, trabalhando nas Picoas, e no tempo das duas horas para almoço, muitas vezes me metia no metro para o Rossio, e ia almoçar uma dobradinha com broa de milho, mas daquelas amarelas por dentro, mesmo próprias para fazer sopinhas no espesso molho das feijocas. Um bravo penalty tinto, e para sobremesa, café e duas meias águas em balão, sem gelo.
Largo do Carmo – Já muito falei sobre este Largo, ligado por décadas aos meus passos. Destaco só desta vez, a Escola Primária 73. Só lá andei metade da primeira classe. Sempre tive um problema, decerto congénito, de que quando me enervo em excesso, de imediato se reflete na barriga e…casa de banho, precisa-se urgentemente!!.
Ainda hoje a coisa acontece assim ??!!
Ora a professora primária da 73, a Dª L. de seu santo nome, era uma víbora!! Certa vez, durante a aula, estando necessitado, pedia insistentemente para ir a casa de banho. Por proibição da víbora, não pude evitar, e a coisa deu-se mesmo na aula. Chamada a minha mãe, a coisa foi o bom e o bonito, e no dia seguinte os pais decidiram que não mais voltaria aquela escola. Fui para a 78 na Praça da Figueira, onde acabei por me licenciar com a antiga 4ª classe.
Claro que há que recordar a velha Veiga Beirão, a Leitaria Académica, a Papelaria do Carmo, onde tinha reservado semanalmente o Cavaleiro Andante, o quiosque frente á Veiga, a paragem do elétrico, que nos servia amiúde para patifarias aos esperantes do amarelinho, claro a GNR e o de boa memória e grandioso 25 de Abril. 
Largo Rafael Bordalo Pinheiro - Poucos saberão onde fica este largo. Não é muito grande, e situa-se entre o Largo do Carmo e o Teatro da Trindade. Em miúdo passava por ele todos os dias a caminho do Passos Manuel, e outras vezes para comprar bilhetes de cinema para os pais, no velhinho Chiado Terrase, que ficava na rua da PIDE!!
Antes de ir trabalhar para a firma de A. O. na rua dos Fanqueiros, trabalhei em três lojas de moda. Duas neste Largo: Meia Hora e Rainha das Malhas. Ambas tinham uns sótãos para arrumação das centenas de caixas vazias, manequins e material para montras, e onde o colega R. tinha feito uns mini furos mesmo por cima dos WC…para arejar claro!!
Também na Hora Bela, do mesmo patrão, na Calçada do Sacramento, frente á Igreja do mesmo nome, por onde toda a família passou, deste batizados, casamentos, comunhões etc. etc.
Teatro da Trindade – Tão perto e tão distante!!!…por incrível que pareça, só fui a este teatro uma vez??!! Já nos anos 1990, acabei por o ver diariamente uns anos, pois a A. ficou sem emprego e sem vencimentos devidos, convenceu-me a adquirir-mos uma pequena loja de brindes etc. mesmo colada á Cervejaria da Trindade. Acabamos por fechar, pois a coisa já estava a dar mais chatices que lucros.
Neste período, fomos clientes assíduos de dois restaurantes muito bons da zona. Um na rua que liga a da Trindade á rua da Oliveira ao Carmo, e outro, o primeiro da rua do Duque, que quase se vê na foto do teu filme.
Rua Diário de Notícias – Decerto a rua mais simbólica da minha vida, no coração do velho BA. Como o outro dizia: “já fui tão feliz nesta rua”!!.
Na foto vê-se a entrada do Luso, onde também só entrei duas vezes. Á época estava virado para Fados e um pouco mais tarde para o folclore, sempre com montes de turistas todas as noites. Era dono do Luso o Oliveira, também proprietário do Lua Nova.

Este pequeno bar, ficava imediatamente a seguir á porta do Luso, na travessa da Queimada. O Lua Nova era o nosso escritório de dia e de noite. Foi lá que depois de um casamento de seis meses, voltei ás lides, porque estar solteiro para mim não dava e conheci no Lua uma senhora que me ajudava, e que á pressão, ao fim de dois anos, tive que deixar, poucos meses antes de casar.
Nesta rua Diário de Notícias, vivia com ela, logo no 1º andar do prédio á esquerda que faz esquina, entrando pelo lado do Luso. Preste a dar o nó, tive que dar o “piro heróico” e como tinha muita roupa que não queria deixar, combinei com o meu irmão e um taxista, tirar tudo de casa, á noite e pela surra.
Assim fizemos e lá mudei de poiso as minhas quase vinte camisas e cinco ou seis pares de sapatos. Sei que foi uma atitude muito imprópria da minha parte, mas não conseguia dar explicações aceitáveis. Poucos anos mais tarde, tive oportunidade de falar com ela, ficamos amigos e o que lá vai, lá vai!!
Aliás ela estava informada de tudo sobre mim, pois trabalhava no Princípe Negro e o resto do meu Grupo da Desgraça continuou as visitas 2 ou 3 vezes por semana. Soube do meu casamento, e sem ironias comunicou aos colegas que desejava que eu fosse feliz., e que quando quisesse, podíamos beber um copo.
Era pequenina, muito morena (embora prefira as loiras) roliça de carnes, super minha amiga e protetora. Durante dois anos, jantava-mos diariamente no Restaurante Alfaia, pouco mais abaixo do Luso no mesmo passeio.
Nesta mesma rua, Diário de Notícias, mesmo no último prédio, e do mesmo lado esquerdo, num terceiro andar. Tinha um privado em casa da madrinha do meu grande amigo E. Era lá que tinha as minhas coisas, como o TV oferecida pelo pai, móveis, estantes, muitos livros, já na altura, rádio gira-discos trazido da Guine, e que dava como
morada e telefone oficiais para a família e A.??!!…
Era lá que fazia as minhas primeiras pinturas, depois daquela experiência na Guiné com os óleos do nosso amigo Cavaleiro. 
Acabei por os levar para casa do meu cunhado, em S. Mamede á rua da Escola Politécnica, depois de casar, pois vivemos até 74 num apartamento pequenino porta ao lado da minha sogra. Foi o pai e eu que fizemos a nossa cama de casal, com os dois divãs de solteiros, meus e do C. Ficou uma cama á barão!!…tinha 1,70 de largo e uma cabeceira enorme, toda acolchoada com um acrílico mate, mesmo idêntico á pele de foca.
Foi também numa das salas de minha sogra, que montei o meu primeiro atelier de pinturas e móveis originais, todos dourados e patinados, que um dia qualquer vou fotografar com calma.
Severa – Pouco frequentava casas de fado, mas pós Guiné, com a nova família de cunhadas e cunhados, começou-se a dar umas perninhas nestes ambientes, no BA e em Alfama. A Taverna Del Rey era da Maria Valejo, da mesma terra alentejana e de famílias próximas do meu ex-cunhado.
Tenho uma foto de grande grupo que reunimos numa jantarada e de fados na Severa.
Vou ver se encontro.
Largo de Camões – Claro que tecnicamente o Camões é Bairro Alto!!
Lembro-me na juventude pelo Natal ir comprar figuras de presépio nas tendas que por essa altura ali eram montadas. Ficava fascinado e ainda hoje fico, com as iluminarias dessa época. Tenho um empatia muito grande com a noite e as luzes. Adoro a noite, e tudo o que ela é, e o que nela se faz e vive!!

Sempre gostei de quando em vez, ir para a noite sózinho. Começava normalmente pela rua da Conceição, O 33 dos passarinhos fritos e na rua do Comércio, os caracóis de cebolada e caracoleta assada com molho picante, e as cadelinhas á Bulhão Pato. Num desses deambulamentos, e desta no Caracol da Esperança, meti conversa com um tipo, numa mesa ao lado e também sózinho, talvez na casa dos cinquenta e tal. Um autêntico filósofo de bairro, dos muitos da nossa Lisboa, daqueles tempos. A conversa tornou- se nteressante, durou umas três horas, enchemos a mesa de pires de cascas, copos e garrafas de cerveja, e entre várias tiradas altamente filosóficas, mas de uma lucidez tremenda. Lembro-me destas:
- Você já reparou que as pessoas á noite olham umas para as outras, principalmente as mulheres. Ninguém anda com os cornos enfiados nos passeios. Os grupos que se vêm ás mesas ou na rua, estão todos a rir, abraçarem-se e beijam-se!!…Já sentiu bem o cheiro da noite, das ruas a serem lavadas á magueirada, a força que o neon dá á nossa vida. O imenso prazer de estar a fazer um pecadinho fora de horas. Fazer uma grande mijada numa esquina furtiva, tendo a certeza que daí a pouco está outra vez a tirar a falta?!?!
Á noite, a gente sente-se a viver caraças!!
Rua do Alecrim – O grande declive para a zona Red Light do Cais do Sodré.
Do texas, com as porta de vai-e-vem, do Flamingo e principalmente do Bar Europa, o do nosso cabeleireiro das sextas-feiras, com o penteado Hardy cheio de laca e cheirinho.
Era a pré romagem até mais uma noite de Príncipe Negro. As boas noites ao Grande Alberto porteiro, mesa de pista para quatro e cervejas grandes, iguais as da Guiné??!!
…que ao que sei seria o único cabaré de Lisboa a servir as Bazzokas.
Antes de dar a curva para os bares, quase no terminus da rua, A Cervejaria Alemã…caróta que se fartava, mas faziam umas salsichas grelhadas cortadas ás rodelas que sabiam pela vida.
Mais tarde na Feira Popular, abriu num grande espaço a Cervejaria Alemã, que entre outras especialidades, como o Einsbein (joelho de porco assado ou cozido) e Chucrute (couve branca envinagrada), serviam as ditas salsichas grelhadas com uns molhos em pequenas taças, dignas de constelações Michelin. Eu e a luzinha dos meus olhos, durante dezenas de anos, era-mos visita assídua da Feira, únicamente aos dias de
semana. Depois de várias experiências, acabamos nos últimos anos por nos fixar na Alemã ou naquele, frente ao Júlio das Farturas. Lobos do Mar de seu nome, que tinham além de ótimas sardinhas, pessoal bastante afável, e ambiente sem grandes barulhos.
A filha, de forma diferente, seguiu os nossos paços, embora sem sardinhadas. No fim dos anos letivos, o colégio organizava uma festa, e á noite rumavam todas para a feira, e era ponto de honra, nós fazermos de conta que não a conhecia-mos!!. Era um espanto ver tanta rapariga junta, vestida de igual, gritando, pulando, correndo…com as saias cheias de inscrições, votos e desenhos, e que alegria!!… “pareciam bandos de pardais á solta”. Claro que as saias ficavam offshore e esta praxe só era feita no último ano.
Cacau da Ribeira – No mesmo cais do Sodré, o famoso e conhecido em todo o mundo matinal e notívago; Cacau da Ribeira e mais tarde a Sopa da Avó. Era o remate perfeito de uma noite bem passada e regada, e dizer bom dia ao senhor Sol!!
Primeiro a Sopa da Avó (feijão encarnado, couve, batata e todos os segredos para criar aquele néctar) seguia-se o cacau bem quente, e a pedido com licor beirão, aguardente ou Whisky, pagando, e bem, o extra, claro…..
Raulão, muito do que aqui está, descrito, o estará de uma forma mais ilustrada na tal “Camisa da Minha Vida” que como já disse, retalhei de onício em 60 fotos, para editar.

José Justo

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

No Ano Novo também se dão prendas - e aqui está uma reliquia do Pica Sinos, oferecida a todos nós.

Meus Caros Amigos

Talvez alguns não saibam, mas em 1968, no  centro de Mensagens em Tite, uma noite, a um conjunto de malta de transmissões deu-nos para fazer uma brincadeira que foi gravada, onde participaram alguns camaradas a saber:
- Pica Sinos
- Costa
- Flores
- Justo
- Silva
- Correia
- Camelo
- Ramos e ainda
- o Amador

Esta brincadeira foi gravada e guardada por mim e já tive a oportunidade de a oferecer em DVD, aos intervenientes.

A gravação estava em péssimas condições auditivas e incorporava algumas asneiras que era preciso anular.

Consegui colmatar umas e outras que agora vos ofereço, dentro da qualidade que me foi possível apurar. São 10 minutos de cantorias que ficam para a história sobretudo dos familiares dos protagonistas

Tenham um bom ano 2014
 Pica Sinos

Nota: Se não conseguirem abrir chamem pelo programa movie maker

Costa deixou um novo comentário na sua mensagem "Costa, é a tua vez de fazer anos.":

Quero agradecer, a todos que carinhosamente gastaram um tempinho do seu dia pra me desejar feliz aniversario.
Deus dê em dobro tudo que me desejaram! Sou uma pessoa muito feliz, feliz mesmo... Pois tenho pessoas maravilhosas que me cercam... Uns bem de perto... Uns de longe... Outros de bem longe... Não importa a distância e sim o carinho...
Obrigado(a)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Bom Ano Novo, do Raul Soares


Com estas lindas paisagens, aproveito a oportunidade para enviar VOTOS DE UM BOM ANO NOVO, com saúde, paz, amor, paciência, bons negócios  e algum para gastos.
Um abraço
Raul Soares

Bom Ano Novo, do Carlos Ramos


AS MAIORES FELICIDADES PARA ESTE NOVO ANO PRESTES A COMEÇAR

UM GRANDE ABRAÇO


Carlos Costa Ramos

Bom Ano Novo, do Jorge Claro

        
F E L I Z  2 0 1 4!!!!
Saudações de JORGE CLARO

BOM ANO, do Carlos Marinho


A todos os companheiros, votos de Bom Ano com saúde.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Bom Ano Novo, do Zé Justo

Zé Manel e Ferreira
Já estão registados os acontecimentos de que vocês os dois foram protagonistas.
Em anexo aqui vai o resultado.
Claro, que isto é uma pequena amostra das já, 162 montagens idênticas, mas com várias temas que irão ser enviadas para todos os camaradas e amigos, aos soluços diários, para não enjoar!!
Abraços

Justo


______________
O Justo envia a todos os camaradas votos de Bom Ano de 2014, com a descrição dos actos de bravura destes nossos dois companheiros - O Zé Manel e o Francisco Ferreira.
Bela ideia para fechar o ano e preparar o Novo que aí vem.
Obrigado Justo.
Um abraço a todos os companheiros, familiares, amigos e visitantes, com votos de Bom Ano Novo com saúde.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Bom Ano Novo, de Albertina Granja

"Olá boa noite...

Ao "passar" há pouco pelo Bart1914, deparei-me com uma nova e bonita imagem que agora encima o blog.
Quero por isso dar os parabéns pela belíssima escolha, mas também aproveitar esta oportunidade para expressar os meus votos de um FELIZ ANO NOVO...!!!
Que seja um ano repleto de coisas boas, com muita paz, alegria, boa disposição e acima de tudo, MUITA SAÚDE....!!!


Albertina Granja"

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Costa, é a tua vez de fazer anos.



Ao nosso amigo Costa, um grande abraço de parabens neste dia do seu aniversário.
Que contes muitos com saúde, companheiro.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Boas Festas, do Jacinto Borges


O Jacinto é um amigo e colega de escola e foi quem há cerca de seis anos me fez o click, para eu avançar com a publicação do nosso blog.
Agradecemos ao Jacinto os votos de Feliz Natal e Bom Ano e retribuimos com um abraço.

Boas Festas, do Joaquim Caldeira, da CCAÇ 2314

Caro Leandro.
Desejo que o teu Natal seja cheio de alegria, paz e amor.
Feliz Ano Novo. 
Boas Festas e um grande abraço.
  
P.S.
Faz hoje 45 anos que, pelas 21 horas, iniciei a visualização do filme "O HOMEM DAS PISTOLAS DE OURO" e que só conclui quarenta anos passados.

Nesse dia, os tiros que se ouviram não foram os que provinham do filme mas sim do grupo que queria tomar Fulacunda.
Joaquim Caldeira

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Boas Festas, do Hipólito


Um bom Natal para ti e toda a família, assim como para os nossos companheiros e respectivas familias, com tudo do que mais desejarem.

Hipólito

Boas Festas, do Alfredo Alves



O Alfredo Alves, escriturário da sala de operações, que deseja a toda rapaziada da CCS Bart 1914 um bom NATAL e próspero ANO NOVO.


Aqui para os lados da serra da estrela muito frio mas é agradável ver a neve. um abraço para ti amigo Guedes

Boas Festas, do nosso capitão


O nosso capitão Paraíso Pinto, envia a todos os companheiros um forte abraço Natalício, com votos de Boas Festas e que o Novo Ano nos traga muitos encontros, com saúde.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Boas Festas, do alferes Vaz Alves



" Um abraço e os votos de um Bom Natal e um Ano Novo o melhor possível são os votos do alferes Vaz Alves"

Ex-alferes VAZ ALVES

Boas Festas, do Victor Barros.



PARA
TODOS OS  MEUS AMIGOS E ANTIGOS CAMARADAS DESEJO UM NATAL FELIZ E QUE  O PROXIMO ANO SEJA COM MUITA SAUDE

Victor Barros

sábado, 21 de dezembro de 2013

Boas Festas, do Luis Dias.



A TODOS

os meus diletos familiares e amigos

1. porque é difícil sintetizar o que nos vai na alma,
2. não apenas na quadra que perpassa, mas no estender do ano,
3. A TODOS - por que me merecem o mesmo amor, carinho e dedicação -
4. faço VOTOS de MUITA PAZ, MUITA SAÚDE, MUITO MENINO JESUS a dar o que mais fôr preciso,
5. e a quem se sentir indiferente à quadra, UM BEM HAJA, por me ter aturado!

6. Beijos às minhas lindas meninas -
7. e fortes abraços aos rapazes -
8. de quaisquer idades,
9. pois todos moram no meu coração.

o sempre amigo e, no que puder, disponível.

Luís Manuel Dias

tm 918346325

Boas Festas, do Cavaleiro e Esposa.

Votos de Festas felizes e de um 2014 com muita saúde.
 Manuela e António Cavaleiro

 Obs. Nós não esquecemos os amigos! Estamos em crise, mas há sempre uns trocos para um presentinho!!!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Boas Festas do Centro Social dos Montes Altos




Agradecemos e retribuimos,abraço forte de Diogo sotero e Zé Pedro.

Feliz 2014 para todos os companheiros do BART 1914.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Boas Festas do Andrade e da Mara


Os nossos simpáticos amigos e visitantes, Andrade e Mara, enviam os seus votos de Boas Festas, através deste postal, elaborado pelo Andrade.
Agradecemos e retribuímos com um abraço.

BOAS FESTAS, DO RAUL SOARES


Leandro

Agradeço e retribuo os Votos de Boas Festas e que o novo ano nos traga saúde, paz e amor.

Um abraço
Raul Soares

Boas Festas do Amador


Olá, Pica Sinos!
Podes colocar no blog esta mensagem:

O Amador deseja a todo o pessoal do BART 1914 e famílias Boas festas e feliz Ano Novo.

Abraços
Amador

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Boas Festas, do Fernando Botas

O Botas envia os seus votos de Feliz Natal para todos os companheiros, familiares, amigos e visitantes, através deste seu CONTO DE NATAL, que esteve exposto no átrio da Universidade Sénior, que frequenta no Barreiro.
Um abraço ao Botas.


NATAL

" Dia 24 de Dezembro, três deliciosos rapazes e uma irrequieta rapariga - Tiago, Francisco, Vicente e Maria João, aguardam o momento de colocar as meias penduradas no parapeito da lareira.
Tiago, expedito, é o primeiro a colocar a sua meia de exuberante de cor vermelha.
Francisco, mais comedido, secunda-o, colocando a sua meia de côr amarela.
Vicente, mais lento, não sendo o último, coloca a sua colorida meia, com bonecos.
Maria João, maria rapaz e desinibida, coloca uma das suas meias mais compridas e às cores.
Tiago.
Diz o Tiago à Maria João: tu és muito afoita, assim consegues mais prendas do que nós.
Comenta o Vicente - não é justo!
E a seguir o Francisco - eles têm razão, assim não vale.
Responde a Maria João - eu não pretendo muitas prendas, só desejo como prenda, uns Pais...

Fernando Botas.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Sousa faz hoje anos



O ex-furriel Sousa, que era do CA, faz hoje anos.
Um grande abraço de parabens.

Boas Festas, do Francisco Vieira.

Mais uma vez os alunos do agrupamento de escolas D.Luís Ataíde em Peniche, levou a cabo a montagem da árvore de natal feita com plásticos, madeiras e outro material. Um belo efeito dado pela imagem que se junta.
E com esta bela árvore, envio a todos os amigos votos de Feliz Natal.

Francisco Vieira.

Boas Festas do Carlos Justo

DESEJOS DE UM FELIZ  NATAL A TODOS E UM BOM ANO


CARLOS JUSTO E FAMILIA

domingo, 15 de dezembro de 2013

Que comunidade a destes 4 homens?


De facto a pergunta em título é muito pertinente
…Que comunidade a destes 4 homens?

De tempos-a-tempos, ex-camaradas d’armas que prestaram serviço militar na Guiné, mais propriamente em Tite, organizam-se em pequenos encontros, à volta de uma mesa num restaurante, convenientemente equipado, ao desejo do que se quer trincar. Desta vez aproveitou-se a reclamação de um fanático por cabeças de garoupa cozidas. E procurou-se insistir na da presença de alguém, comum a todos, em especial aos que abraçaram a especialidade de Operador de Cripto. (foto acima)
  

Da mensagem para o Justo:
…Na próxima 5ª feira dia 12/12/13, um grupo da malta vai almoçar ao Pragal...cabeça de garoupa cozida. São eles, os criptos: Pica, Contino, Miguel e,  ainda o Zé Manuel, o Palma, o Carlos Azevedo, o Contige e o Amador.
Queres aparecer ou ainda estás em penitência na tua cela?...

Da resposta:
Amigos e Camaradas
Para todos vós, família e amigos, os meus muito sinceros votos de um Natal e Novo ano que se aproxima, o melhor que seja possível, e principalmente com muita...muita saúdinha e da melhor. Erguerei a minha taça á vossa neste Natal, mas no ano novo não vou conseguir ergue-la, porque vocês são muitos, e as saúdes foram tantas!!... Abrações
E tudo e tudo de bom.
Justo.


Do telefonema com o Miguel,
Da resposta:
Bolas Pica Sinos, finalmente lá vou comer o há muito prometido!
Sabes se o Justo vem?
Também gostava de ver o Contino, nunca falei com ele!
Fui eu (como sabes) que o fui substituir quando foi aprisionado, gostava de falar com ele!
  
Do telefonema com o Contino.
Da resposta:
Já vens atrasado…
Quando é? Quinta-feira? Tá bom!
O Justo vai?
……………………………………………

No dia da operação “Cabeça de garoupa cozida com todos”, enquanto o pessoal se servia, despontam as habituais conversas:
Como está este e aquele?
Tens falado com o fulano?
Como está a tua mulher? Os filhos e…os netos?
É pena que o Justo não esteja presente, diz um de nós, com o silencio concordante dos demais.

Nestas ocasiões de convívio a amizade e respeito mútuo sobressaem. Sendo comum, na maior parte do tempo as conversas, recordar-se os tempos passados.


No preciso momento em que estávamos a comentar a tristeza do Miguel, quando em Tite, perdeu o fio de oiro, por hábito pendurado no pescoço, com um pequeno “sexi-simbol” dos homens e, da sua recuperação, ao cabo de 10 anos, entregue por quem o encontrou, toca o meu telefone:

“Estoi” digo eu.
Pica…é o Justo!!

Quando anuncio aos demais, quem estava ao telefone, tudo se calou.
Razões para o silêncio são muitas. Este camarada não se deixa ver por nós há 44 anos.
Tem sido a opção do Justo, contactar regularmente os ex-camaradas d’armas, por via informática.

As saudades deste camarada são muitas, razão para lagrimas nos olhos a querem saltar, quando, todos os presentes neste almoço falaram com este amigo, em especial os que trabalharam, lado-a-lado, com ele.

As vicissitudes passadas por estes 4 camaradas, (entre outros), por via do infortúnio do Contino, creio ter sido o “pingo d’agua” que fez “transbordar” a vontade, há muito escondida, do Justo. Presumindo os presentes que numa próxima operação a executar, o temos como companhia.

Quando conversa puxa conversa, descobre-se que 2 personagens presentes não se avistavam há 47 anos!
O Miguel começa por dizer que não conhecia o Contino e, que muito o honra estar na sua presença.
Adiantando:
…Nunca te vi camarada. Fui eu que te substituí na Companhia, por via do teu aprisionamento em Bissássema pelo PAIGC….
Quem me recebeu no Centro de Cripto em Tite, foi o Pica Sinos que, há época, era meu colega na Robbialac.
E continua:
…Uma das minhas vontades era ter o prazer de te conhecer, trocar conversa contigo, sobretudo saber algo da tua passagem pelas prisões de Conacry.


Responde o Contino:
Pois olha…Tenho estado aqui a pensar de onde conheço a tua cara, com esse corte de cabelo.
Tu não és filho da Morais Soares e da Barão de Sabrosa? (ruas a oriente de Lisboa)
Tu não jogavas bilhar nos cafés….?
Tu não namoraste com a…e, com a…?
A confirmação não se fez demorada, como foram interessantes as 3 horas que demorou o nosso almoço no Praga em Almada.

Raul Pica Sinos
15 de Dezembro de 2013

Fotos:
Cabeçalho: Os 4 criptos que se cruzaram em Tite.
2ª Foto: O Justo a pensar quando era o dia da partida.
3ª Foto: O Miguel a tentar domar o periquito como fazia às namoradas em Lisboa.
4ª Foto: O nosso intelectual Contino a que o Capitão PP chamava de Doutor.
5ª Foto: O Justo e o Contino na frente do CC primorosamente fardados.
6ª Foto: O Pica Sinos e o Miguel (Tété) num café em Bissau.  

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

BOAS FESTAS, de malta amiga, nossos companheiros

Boa noite amigos
Em anexo um vídeo de gente conhecida e menos conhecida ou só conhecida de alguns.
Rapaziada com pontos em comum, mas o principal é que todos estivemos naquela estancia
de terra vermelha na Guiné.

Para quem esteja menos "atento" vão agora verificar duas personagens que não tem sido muito reclamadas
nas nossas fotos das almoçaradas e que agora se apresentam em vídeo são: o Contino e o Miguel, ambos com a especialidade de Op. de Cripto.
O Contino foi um dos camaradas aprisionado em Bissássema.
O Miguel foi o amigo que veio substituir o Contino, mas depois de poucos meses em Tite segue para Jabadá e Fulacunda.
Novidade, Novidade, dizer que neste almoço, o Pai Natal não trouce apenas como prenda as cabeças de garoupa que, estavam um delicia.
Essas já nós contávamos que fossem muito boas e que só sobrasse as espinhas.
Na verdade trouce outras prendas, bem pesadas de alegria que, a todos os presentes neste almoço originaram lágrimas de grande satisfação.
Dizer que a história certamente ilustrada  brevemente a contarei.
Por agora para todos vós desejamos um bom Natal e um prospero Ano Novo.
Aquele abraço camaradas.
Raul Pica Sinos

O Pica Sinos faz hoje anos.





Para o nosso companheiro Pica Sinos, um grande abraço de parabéns, que conte muitos com saúde na companhia da sua família.
E nada melhor para comemorar o dia, do que transcrever um artigo seu:

"HISTÓRIAS DO MEU VELHO BAIRRO DAS FURNAS

A PAIXÃO PELO ARCO E GANCHETA

Era, quando nos recados à padaria da praça do velho bairro, sobretudo nas manhãs, bem cedo, antes de me dirigir à escola, uma das ocasiões mais desejável, para me “transportar” de arco e gancheta.


Andar de arco de gancheta naquelas ruas, não era de todo fácil. O asfalto existente era pobre, irregular, as covas eram mais que muitas.
A minha rua dos Plátanos e, o arruamento de ligação às outras ruas paralelas e, de acesso à saída do bairro, tinham uma ligeira inclinação. Mais acentuada ao confinar com largo onde o mercado se encontrava.
Dizer que este handicap/inclinado originava a velocidade do “transporte” a “dois” tempos. Primeiro em passo de corrida, mas chegado à rampa, aqui o passo era de caracol. Contudo, mais difícil era na descida, tendo em conta a velocidade e os pinotes do arco que, a gancheta e o condutor, mal conseguiam segurar.

O meu arco era aproveitado de um velho aro de bicicleta, originando nas correrias, por mais largo e pesado, dificuldades no manejar. Os arcos dos outros miúdos eram mais leves e finos, eram feitos de ferro, alguns até de aço, mais fáceis de os fazer rodar e manejar. Não tinha serralheiros metalúrgicos na família para me brindarem com um destes bólides, desvantagem jamais desmotivadora das entusiásticas corridinhas, ruas abaixo, na direcção aos “tanques”.


“Tanques” era o nome dado ao lavadouro comunitário, situado a sul dos arruamentos, paredes meias com a linha do caminho-de-ferro.
A rapaziada, aqui chegada, após aturadas correrias, matava a sede com a água sempre fresca que, brotava das torneiras livres de serventia. Seguia-se o molhar das mãos e da cara para que suor e, o avermelhado depressa deixasse de incomodar.

Preventivamente, entre as oliveiras existentes, eramos observados pelas vizinhas na lavagem a roupa. Uma ou outra, de voz bem elevada e ameaçadora, possuindo, nas mãos, algo bem encharcado, “convidavam-nos” a desandarmos “dali-pra-fora”, numa atitude de salvaguardar as roupas lavadas, nos arames estendidas e, a corar no chão sobre as ervas e chorões, para que, não viessem a ser emporcalhadas, no toca e foge, resultante de uma discussão da cachopada, mais acesa, na ultimação das sempre difíceis classificações, para os lugares cimeiros das corridas “ciclo-pedestal” acabadas de realizar.

Hoje, dificilmente se vê um miúdo a andar de arco e gancheta. Talvez num qualquer velho bairro ainda existente, numa das colinas desta Lisboa.

Dezembro de 2013
Raul Pica Sinos

Notas:
1ª Foto do Blog Recordar, Aprender e Descobrir
2ª Foto da C.M.L."

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Boas Festas - do Marinho.


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O Guedes faz anos hoje

A pedido do Pica, aqui fica a noticia...




domingo, 8 de dezembro de 2013

Bissássema - um excerto do livro do ex-alf. António Júlio Rosa

O aprisionamento dos companheiros Alf. Rosa, Contino e Capítulo:

 "Dentro do posto encontrava-me eu, o Maciel, o Cardoso, o Gomes e os três operadores das transmissões.  De repente, apareceu, transtornado, o comandante da milícia de Tite. Só teve tempo de nos dizer que os turras estavam dentro do perímetro e se dirigiam para o local onde nos encontrávamos.  Mal acabou de falar fomos atacados. Não deu sequer tempo para se tentar encontrar uma solução... 
Rapidamente procuramos sair para 0 exterior. 0 Maciel, o Cardoso (que viria a falecer neste combate), 0 Djaló e o Gomes conseguiram sair. Quando cheguei à porta, seguido pelo Geraldino e pelo Capitulo, rebentou uma  granada ofensiva mesmo na nosso frente. Eu levava a arma na mão mas de nada me serviu. Com o sopro da explosão fui empurrado para trás e não via nada pois tinha os olhos cheios de terra. Com o estrondo, fiquei surdo,. Foi uma sensação horrível ... Pensei que ia morrer!...Foi impressão instantânea que passou em segundos. Entretanto, tive outra sensação!... Tive o pressentimento que ia ser abatido.. Sinceramente, fiquei preparado para morrer... Foi o que senti e afirmo que, naquele momento, se tivesse acontecido, não me teria custado nada. Reconheci que estava impotente e nada podia fazer para contrariar aquela acção, Afinal, não tinha chegado ainda a minha hora e, agora, espero bem que não esteja para chegar em breve. 
Naquele dia foi mesmo Deus que não permitiu o fim do meu viver; e a protecção divina ir-se-ia manter no futuro, pois foram muitas as vezes em que a minha vida esteve presa só por um fio muito ténue.  Senti-me agarrado, ao mesmo tempo que alguém me socava, violentamente, mas não sentia qualquer dor. Recordo-me que o meu quico saltou da cabeça e nunca mais o vi. 
Estava prisioneiro.. 0 Dino e o Capitulo tiveram a mesma sorte!... 0 Ramalho, um dos telefonistas, recuou escondendo-se debaixo duma cama, assistindo a toda aquela cena. Foi mais bafejado pela sorte!... Nunca mais o vi nem falei com ele. 
Depois de nos terem levado para longe dali, fugiu para Tite."
António Júlio Rosa (do seu livro MEMORIAS DUM PRISIONEIRO DE GUERRA)

sábado, 7 de dezembro de 2013

Parabens ao Zé Manel (Alcantara)



Ao contrário da mostra do menu que, foi muito discutido por as farinheiras terem sido insuficientes, veja-se por via dessa insatisfação a cara deles na fotografia. Ao contrario, no Pragal, os pratos estão limpos mas os sorrisos é bem a mostra da grande satisfação que reinou neste dia. Não mostramos o menu de proposito, mas podemos dar uma diga....do restaurante ao mar, são meia duzia de quilômetros....
Pica Sinos

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Boas Festas, do José Justo



Amigos e Camaradas
Para todos vós, família e amigos, os meus muito sinceros votos de um Natal e Novo ano que se aproxima, o melhor que seja possível, e principalmente com muita...muita, saudinha e da melhor.
Erguerei a minha taça á vossa na ceia de Natal, mas no ano novo já não vou conseguir ergue-la, porque vocês são muitos, e as saúdes foram tantas!!...
Abrações e tudo de bom.

Justo
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O Justo é também o autor do cabeçalho actual de Natal, deste blog.