
“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
nesta foto está o Pedro ao lado do nosso comandante Hélio Felgas, vendo-se o Costa ao fundo, entre outros Companheiros.
No ultimo almoço alguém me disse que o Pedro havia falecido.
Agora soube pelo Pica Sinos, que o António Costa Mestre, de Mértola, encontrou o Pedro há meses atrás e que afinal, ele trabalha nas obras no Algarve, tendo uma vida bastante humilde.
Apesar desta situação, fico contente em saber que o Pedro está connosco. Espero, meus amigos que ele vá ao nosso almoço de Ovar e para o efeito irei pedir a ajuda do Mestre para o encontrar e combinarmos como fazer.
Disse-me o Pica que o Pedro contou ao Mestre, que gostava de me encontrar. Ele lembra-se que após o embarque o levei comigo para o Porto, cidade que ele gostava de conhecer, fomos visitar alguns locais interessantes, ficou em minha casa e depois levei-o ao Algarve uns dias mais tarde.
E neste seu regresso a casa foi vestido de fato e gravata que ele havia comprado em Tite, sapatos novos, meias e cuecas como ele gostava de dizer... e o seu belo rádio transistor .
Fiquei contente, Pedro!
nota - lamentavelmente o Pedro não faz parte da nossa lista de moradas, não sei porquê.
Leandro Guedes

Mas o melhor é transcrever estratos da bonita missiva que me fez chegar com vistas a dar respostas aos que por ele perguntam:
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Meu Amigo Raul Pica Sinos
…Foi na pacata freguesia de Santo Amador que estudei até aos 11 anos! Aos 15 anos já trabalhava no campo, aos 19 casei e aos 20 anos tive a primeira filha…
…No B.C.8 em Elvas, com 21 anos, fiz a recruta, sendo transferido para Lisboa, mais propriamente para o Quartel de Campolide, para tirar a especialidade de Transmissões. Segui de pronto para Beja, sendo mobilizado, para rendição individual na Guiné, em Março de 1967. Deixei cá a filha com 18 meses…!
…Não fui com o Batalhão, em Abril, porque não tinha ainda gozado os 10 dias de férias. Quando cheguei a Tite, em 15 de Junho do mesmo ano, já vocês tinham sofrido 2 ataques no aquartelamento...
…Dizes-me para eu contar uma história…:
…Dos muitos ataques ao aquartelamento que mais me marcou, foi aquele quando estávamos no refeitório, alguém gritou …. Deitem-se nas valas!! Deitem-se nas valas!! (As valas que o Ramos refere acompanhavam lateralmente o edifício. Para além de servirem de escoamento das aguas pluviais, por vez
es também serviam para despejos dos restos de comida sobretudo quando os bidões já estavam cheios) E assim fiz de primeiro, caindo-me em cima quase todo o “regimento” e o esparguete que não me faltou em tudo do meu corpo…!
…A outra, …tu lembras-te…, o tal ataque quando caiu um projéctil na arrecadação das TMS que não rebentou. Quando lá fomos ver, o Vítor Hugo estava desmaiado ao lado da granada…!
…Quando regressámos comecei a trabalhar para uma adega da qual fui chefe adegueiro, mas a GNR visitava-me muito e dizia-me …vá para a GNR com a sua especialidade, é um senhor…! Assim fiz, passando por Lisboa 3 anos, vim para Moura para o posto de rádio, onde permaneci durante mais 23 anos...
…Já estou reformado, estou careca, com saúde, pai de 2 filhos (estão na Inglaterra), avô de 2 netos, sou feliz! Tenho tempo livre para pescar no Alqueva e para passear...
…Sabes, uma das vezes que fui a Almada, vi um desfile dos bombeiros. Não é que disse que o chefe bombeiro que aí na frente tinha um bigode muito feio!!! Tenho que pedir desculpa ao Duque, não o reconheci...
…Um grande abraço para ti Raul. Manda-me o telefone da malta porque tempo não me falta e eu quero falar com eles, Ramos…
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Raul Pica Sinos
Fotos.
1- O Ramos na horta do major em Tite
2- A malta das TMS – Cavaleiro, Luís, Ramos, Costa, Amador, Flores, Silva, Camelo, Correia, Mestre, Lopes , Barros e Vítor Hugo
3- O Ramos hoje

nesta foto o Hipólito de camisa encarnada, ao lado do Costa, no almoço em Salir do Porto em 2008.
Pica Sinos:
Abri hoje o correio. Pelo que depreendo, mesmo "avariado" continuas com uma pedalada de fazer inveja. Desconfio que os comprimidos que tomas serão da família ou, pelo menos, com "química" dos "--- agra". Bem hajas tu e os co-autores do blog pelo excelente trabalho a que meteram ombros e que tantas recordações armazenadas no subconciente nos têm avivado.
Rápidas melhoras.
Penso que, relativamente ao n/capelão P. Luís, fizeste uma abordagem adequada e correcta. Pessoalmente irei envidar esforços para que ele colabore no blog. Assim como irei tentar localizar o "cabito" que residia em Penafiel e o José da Silva Maia, que reside aqui por perto. Um outro, cujo nome ora não sei referir, e que residia em Freamunde - Paços de Ferreira, faleceu há cerca de um ano, segundo soube.
Numa busca às recordaçõe do antanho, encontrei algumas fotografias que, a título devolutivo, te vou endereçar. Delas farás o tratamento que te aprouver.
Uma delas, fez-me sorrir.
Naquela em que, o então fur. mil. Guedes, me dizia, com aquele ar de quem não partia um prato: SPM (ou sacristão, não recordo já), empresta lá o "popó" porque estou com urgència de ir ver se chove lá para os lados da tabanca (ou seria para ir ver se a capela estava em ordem? Pensando melhor, aqui, seguramente, não, se bem que não tenha a certeza).
É que (pura ingenuidade de então) ainda hoje estou para perceber porque é que tanta "psico" aqueles dois "fresquinhos" (o dito furriel e o seu chefe, um capitão) teriam que realizar. Seria das suas funções, seria ...
Bem avisado andou aquele comandante que por lá passou e que (lembram-se?), a certa altura, proibiu (também não vislumbro o porquê) os senhores oficiais e sargentos de conduzirem as viaturas militares. E quem "desenrascava", ao menos, para passar à porta de armas? Alguns, "je".
Talvez o n/capelão possa desvendar algo, se for desobrigado do dever de sigilo (não terá já prescrito?), se é que esses meninos alguma vez se confessaram.
Bom, se me estatelei e ofendi alguma susceptibilidade mais púdica, foi-o involuntariamente, garanto.
Outra, mas ao contrário.
A que estou com o saudoso Luís Filipe Batista. Tempos antes de falecer, entrou em contacto telefónico comigo para agendarmos um encontro. O raio da vida sempre frenética não o permitiu, talvez por culpa minha. Ainda hoje, quando lembro, sinto um arrepio.
Um abraço.
Entretanto, darei notícia.
Hipólito
hipolito.sousa@iol.pt
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A seguir o email que o Pica nos enviou e ao qual o Hipólito respondeu com o texto acima:
Meus Amigos Guedes e Hipólito
Isto anda mal em termos de saúde.
O frio não vai e a constipação acompanhada de tosse também não.
Claro que tomo uns comprimidos e mais umas mesinhas. A coisa
melhora mas o "fado" volta no dia seguinte.
É a velhice camarada.
Venho pedir-vos duas ou três fotos do Padre Luís para eu as poder
trabalhar visando ilustrar o texto que vou escrever sobre este amigo.
Eu já lhe escrevi! Mas tenho receio que alguma vez me responda.
Nessa perspectiva será necessário dizer uma ou duas coisas sobre ele,
nomeadamente o que fazia a igreja que organizava em Tite.
Se bem me lembro o edifício era no exterior numa das extremidades
do quartel e para além do culto religioso, também servia de escola.
Creio que foram celebrados alguns baptizados, mas mais não sei.
Tu Hipólito que acompanhavas o amigo no culto religioso podes e deves
dar uma ajuda dos factos mais importantes!!
Talvez tenha sonhado, mas tenho na ideia que numa certa noite
por lá caiu uma morteirada sem consequência físicas!
(A missa á noite era outra)
Vou perguntar ao Justo se tem fotos deste acontecimento, se é que existiu (?)
Podem dar uma ajuda?
O texto referirá certamente o Concelho de Valença
com um pouco da sua história, se de todo em todo o homem
(o Padre Luis) ficar mudo nas respostas
É também importante saber a idade.
Pica Sinos
Acidentes auto...impressionante !!
http://www.wreckedexotics.com/newphotos/videos/028.shtml
Descrição:
Este video foi considerado como contendo as melhores cenas de filme crash históry.
As cenas são tão envolventes e realistas ao longo do filme, que o torna bastante dramático.
Todo mundo morre de uma maneira horrível.
YouTube - Google
Zé Justo
Uma das recordações que trouxe de TITE, foi um isqueiro de marca "RONSON" VARAFLAME Premier V.F.282. Ainda o guardo na embalagem original e tem o preço 350$00.
E claro pra que ninguém mo "levasse" quando cheguei da Guiné, uma das primeiras tarefas foi tirar a licença de isqueiro.
Costa
Neste comentário sobre as Licenças de Isqueiro, o Costa menciona o Isqueiro Ronson.
Recordou-me um documentário que vi no Canal História, q
ue relaciona os famosos Ronson com o tank Sherman.
Os Americanos entraram tarde na Segunda Guerra Mundial, e ao contrário dos Alemães os seus tanks de guerra M4 Sherman, os únicos que possuiam na altura, eram como cascas de nozes para os excelentes e super blindados, Panzer inimigos.
Ora o isquei
ro Ronson tinha fama, e a marca publicitava-o, de acender sempre à primeira...o que para as tropas Americanas, logo serviu como imagem para “batizarem” os seus frágeis tanks Sherman de Ronson’s, pois ao primeiro disparo inimigo, ficavam em chamas.
Curioso não ?
Zé Justo
ente.
Nem dorme...sai da Discoteca às tantas, e continua a trabalhar para os amigos.
Não há dúvida que temos a banda sonora do Blog bem entregue.
Mais palavras para quê...é um artista Português.
Um abração companheiro, e continua com as tuas excelentes escolhas.
Zé Justo
Licença de Isqueiro
Sabiam que, no Portugal Salazarista (especificamente entre 1937 e 1970), para ter um isqueiro era preciso ter licença de uso?
Pois era! E, pelo menos em Lisboa, actuavam diversos “caçadores de multas” a tentar apanhar todos aqueles que acendiam o isqueirozito e não eram portadores da respectiva licença.
O decreto que regulamentava tal medida era o Decreto-lei n.º 28 219 de Novembro de 1937.
Foi abolido em Maio de 1970.
Quanto ao regime político que criou leis tão extraordinárias como a licença de isqueiro, foi abolido a 25 de Abril de 1974.
Publicado por vmar em abril 17, 2004 10:23 PM
Comentários
Se me lembro e os caçadores de multas andavam à paisana. E já agora sabe porquê. Era para proteger a Fosforeira que tinha o monopólio do fabrico de fósforos.
Afixado por: congeminações em abril 17, 2004 11:24 PM
Lembro bem. O meu pai foi abordado várias vezes pelos ditos senhores.
Afixado por: M. em abril 18, 2004 01:52 AM.
O pessoal da Veiga Beirão tinha vaidade em possuir as ditas Licenças de Isqueiro que eram anuais e requeridas na Camâra Municipal de Lisboa.
Os fiscais, normalmente reformados do exército e policia, eram como ratos procurando o queijo.
A sua grande concentração era no Rossio junto ao Pic Nic, muito frequentado pela juventide, pois entre outras iguarias divinais, tinham um gelado semi-frio, cremoso que era de morrer.
Ora, um dos nossos grandes divertimentos, era irmos à noite para perto do Pic Nic e como, já mais ou menos pelas pintas nos cheiravam os fiscais, faziamos um truque com uma caixa de fósforos das pequenas.
Ementa FIM DO ANO 67/68
Grande petisco, em que todos juntamos o que nos tinham enviado da Metrópole e realizou-se uma grande festarola, à qual posteriormente aderiram alguns furriéis e oficiais.
Lembro-me que apanhei uma "constipação" monumental...foi das correntes-de-ar. Creio que o texto foi do Cavaleiro. Fotos do Zé Costa Zé Justo
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Ementa FIM DO ANO 67/68
Foi uma noite memorável!! A minha comparticipação foi, uma lata de uns 5 kls de rojões em azeite,que um familiar me enviou por um portador aí por alturas de Agosto. 
Eu guardei-a para a abrir em um momento especial, e esse momento foi este.
Ao abrir a lata, era um cheiro pestilento que eu nem provei... mas os rojões desaparecem na bôca do saudoso Alf.Vaz Guedes, que também se constipou e muito.A minha constipação, deu-me para me sentar ao volante de um jeep e ali ficar o resto da noite, até que uns colegas do "reforço" me acordaram, estava eu em tronco nú todo molhado da cacimba! Costa