Alexandre Leal
35º almoço em 2026 - Figueira da Foz - Quinta da Salmanha.
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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar
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domingo, 18 de maio de 2014
Pessoas presentes no almoço anual das Caldas da Rainha
Alexandre Leal
O almoço nas Caldas
O falecimento do nosso Capelão
sábado, 17 de maio de 2014
Nunca Direi Adeus - homenagem a Sérgio Borges e conjunto João Paulo
Companheiros
É sempre lindo recordar este tema!!
Neste grupo estão as duas filhas do Sérgio Borges.
http://www.youtube.com/watch?v
Há mais atuações delas.
Bom almoço no Sábado e abrações para todos.
O Coral Inesperado - A.C.Camargo Cancer Center
sexta-feira, 16 de maio de 2014
ALMOÇO NAS CALDAS, no próximo sábado 17 DE MAIO
Temos 106 inscritos, devidamente repartidos:
- 70 guerreiros
- 35 Senhoras
- 1 criança
Quem ainda não se inscreveu que se apresse, porque os lugares esgotam...
Entretanto fomos sabendo de companheiros, bastantes, que se encontram doentes e alguns deles à espera de serem operados, outros operados há pouco tempo, e que por isso não podem vir ao almoço.
Para eles os nossos votos de boas melhoras.
Abraços.
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Este ano não me é possível estar presente, já tinha outros compromissos, espero que tudo corra bem, dá um forte abraço a todos os colegas. Espero estar presente no próximo ano se Deus quiser
Alberto Camelo
Faleceu o nosso Capelão
Segundo noticia recebida há minutos, faleceu o nosso Capelão, Padre Luís Costa e Silva.
À família enviamos os nossos sentidos pêsames.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Conjunto académico JOÃO PAULO
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Ex-combatentes sem abrigo - um artigo do alf. Moreira da CART 1690
sábado, 10 de maio de 2014
O nosso Capelão Padre Luis Costa e Silva
Segundo informação do Hipólito, o nosso Capelão Padre Luis Costa e Silva, encontra-se internado no hospital de Viana do Castelo em "estado de coma".
Para ele os nossos votos de melhoras.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Diário do Justo - Final
Estes textos foram publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração. Tite 02 de Março de 1968.........................2,40 da manhã, no Centro Cripto pág.6 de 7 Não sei bem como começar a descrever mais um infindável número de factos, já macabros pela própria forma como decorreram. Mais um daqueles costumados momentos maus. Não sou muito claro quando digo momentos maus, porque cada segundo que aqui passo nesta terra, não é senão um suplício tremendo. – Vou chamar-lhes antes, os piores momentos !! Comecei outro contar desenfreado até “22” no dia 2 de Março de 68...parece talvez anedota correr e contar, mais parece de maluquinhos, no entanto, podemos salvar a vida com este simples suceder mental e rápido de algarismos. Tem uma justificação prática e
bastante útil este sistema.
Logo que identifiquemos uma “saída” (estrondo característico das granadas ao serem disparadas por morteiros ou canhão sem recuo) começa-se a correr para o abrigo mais perto e simultaneamente a contar.
Chegando a 20...22...é deitar de imediato no chão e aguardar o rebentamento da primeira granada.
Foi exactamente o que fiz, perto das 20 horas, simplesmente, não me deitei no chão.
Ao contrário, no desespero de me abrigar, continuei a minha louca correria ás escuras até ao abrigo das transmissões (O batalhão tinha um electricista de dia permanente aos dois enormes geradores eléctricos, e quando começava um ataque ao quartel, imediatamente apagava todas as luzes excepto as do perímetro de arame farpado para detecção de aproximações por parte do IN).
Quando ouvimos o estrondo simultâneo de duas “saídas”, eu e tantos outros que de momento tinha-mos ido à cantina, partimos como loucos em direcção dos abrigos.
Todos corriam, e em todas as direcções, no entanto. Não havia atropelos, a precipitação era grande, mas talvez o instinto de sobrevivência, levasse cada um pelo caminho mais curto e com o mínimo de obstáculos a retardarem a chegada ao refúgio, que parecia ficar distante milhas e milhas...isto mesmo com as luzes apagadas.
Sabia ser melhor deitar-me no chão, junto a uma vala ou parede e aguardar que se desse o primeiro rebentamento.
Inconscientemente não parei, nem sequer me deitei.
Quando circundava o edifício das transmissões, uma explosão medonha mesmo na minha frente ensurdeceu-me e quase me cegou por breves segundos, ao mesmo tempo que via um clarão enorme na direcção da oficina de pintura, misturado tudo com um cheiro intensivo a pólvora e “cor-dite”.
Apavorei-me, mas não parei.
Sabia que não podia parar, e agora que estava tão perto do abrigo era só mais um esforço.
Se conseguisse chegar depressa reduzia bastante a possibilidade de ser atingido pelos estilhaços.
Foi titânico o meu esforço.
Senti que tudo girava em meu redor e que enfim...tinha chegado a minha hora.
Já no alto passeio do edifício das TMS e preparando-me para fazer a curva em direcção á entrada...sempre no escuro, calculei mal as dimensões da parede e ao curvar, bati estrondosamente de frente contra a parede !!??
Com o impacto cai e cheio de dores na cara e no braço esquerdo, lá consegui escapar-me e continuar a correr, percorrendo os poucos metros que faltavam, desta vez na direcção certa.
Apesar de cheio de dores, a cara e braços esfolados, tão tranquilo me senti quando cheguei perto dos outros camaradas.
As explosões de granadas dentro do quartel eram às centenas (num dos vários ataques, foram referenciados perto de 200 rebentamentos)
Uns nus, outros em pijama das mais diversas formas, todos tinham chegado ao ponto final da sua louca correria, o abrigo salvador.
O resto foi o que já nos habituamos a ouvir: As consecutivas “saídas” dos morteiros da nossa parte, correspondidas pelos rebentamentos de armas pesadas d’eles.
O caos por fim terminou.
Esporadicamente ainda se ouviam rebentamentos que no entanto não conseguia já identificar, como sendo fogo nosso ou deles.
Apenas me limitei a saber o balanço final.
Infelizmente mais uma vez eles conseguiram alguns trunfos.
Sofremos dois mortos e vários feridos, alguns posteriormente evacuados para Bissau.
Continuo na mesma eterna inconstância, sem saber como tornar os dias o mais suportáveis possível.
Aguardo os acontecimentos, e tenho quase a certeza de que a próxima vez que voltar a abrir este “Diário” será para como de costume tentar passar para ele, tudo aquilo que me vai na alma, para assim, quem sabe...talvez, aliviar a carga imensa que carrego todos os dias, e que cada mês que passa mais faz doer.
Dois anos...24 meses...8760 dias...210.240 horas...neste inferno...neste maldito clima...nestes sobressaltos permanentes...neste arriscar a vida diário...com esta comida de merda, que por vezes nem a porcos se daria...é uma violência, uma desumanidade.
Para ter uma mãe Pátria que a isto me obriga e assim me trata e destrói...antes queria ser órfão !!
Nunca mais seremos os mesmos, findos estes malditos anos...
ma...todos os dias morremos um pouco !!
Quantas vezes já me arrependi de não ter tentado “fugir a salto” para as Franças, e ver-me longe destas misérias.
Que saudades de sentir outros odores, embora não mais vá esquecer estes...outras cores...aquelas fabulosas e lindas mulheres de mini-saia (abençoada Mary Quant), que tanto embelezam a minha Lisboa.
Sim eu tenho uma terra minha...não é nestes tons, nem com estes odores.
As pessoas não são desta cor...Não se vestem nem falam assim...Não se alimentam nem enterram os seus mortos assim...Não se olham como aqui...Não bebem, o que bebem aqui...não comem com as mãos...
Não nos sentimos estranhos, como aqui...Não se manifestam, como aqui...Não moram em casas como as daqui...Comem legumes e frutas e carne com tamanhos normais, não como aqui, onde tudo é pequeno e raquítico...Não veneram o Deus d’aqui...nem andam cheios de mezinhas e “roncos”...Não andam permanentemente com o terror de não terem amanhã...
Não andam sempre de chinelos...Não cheiram como aqui...Falamos todos a mesma língua, com várias nuances que só a embelezam...Somos uma só raça, não como aqui...Posso amar muitas vezes, com quem, quando e onde me apetecer, aqui não...
Não queremos correr com os vizinhos, como nos querem correr daqui...Podemos acreditar que quando nos sorriem, é mesmo por satisfação e não por obrigação ou medo...Não alimentamos e apoiamos por grandes e egoístas interesses comercias, inconfessáveis e sorrateiramente, quem vai decerto matar um seu irmão amanhã, irmão esse, que ali está a milhares de quilómetros de casa, longe dos seus, passando privações, para o defender a ele e aos seus interesses...
Não tenho, quando o sol entra no ocaso, ter de me enfiar em buracos debaixo de terra para me proteger de bombas...Não tenho q
Até um dia....se voltar a haver um dia.... José Justo
Op. Cripto Tite – Guiné 1967-69
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Diário do Justo - continuação 3
Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.
Tite 05 de Abril de 1968................3 da manhã no Centro Cripto pág 5 de 7
Em consequência do forte ataque o IN ocupou Bissassema, caindo prisioneiros o Contino, Capitulo e Alferes Rosa.
Na retirada desapareceram o Furriel Cardoso e um Sargento da milícia de Tite.
Mais tarde o Sargento foi encontrado morto no Rio Geba.
O cadáver foi recuperado sendo impossível o mesmo no que respeita ao Furriel Sousa do Pelotão de Morteiros.
Foram ouvidos na rádio Konacry (rádio oficial e de propaganda do PAIGC, situada na República da Guiné) o Contino, bem como o Alferes Rosa e o Capitulo.
Em vários ataques posteriores à reocupação de Bissassema pelas nossas tropas, foram mortos 22 guerrilheiros e apanhado diverso material de guerra.
Um ferido IN veio para Tite, tendo morrido dias depois em virtude dos ferimentos”.
Zé Justo
fotos Google
terça-feira, 6 de maio de 2014
O dia da Mãe, pelo Justo - com arte, como é seu costume!
Com três letrinha apenas, se escreve a palavra Mãe, que embora sendo pequena, é a maior que o mundo tem!
Obrigado companheiro!.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Diário do Justo - continuação 2
Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.
Tite 25 de Novembro de 1967...................3,10 da manhã no Centro Cripto pág. 3 de 7
Nada de especial consumou mais um dia sem acontecimentos relevantes (felizmente, por um lado), mais um dia sem história e mais um dia a pensar se “virão hoje à noite ?”. Não sejam pequenos nadas a proporcionarem raros momentos de boa disposição e não seria tão menos penoso a descida que termina quando também terminar o monótono desfiar de recordações e mágoas, mas com o doce cenário de um outro local, outras gentes e outro bulício, que não sejam estes. Às vezes ve
jo toda a beleza desta terra, do habitat que me rodeia com agradável prazer, esquecendo o quanto também a odeio, mas fico estarrecido perante tanta beleza natural e principalmente o cheiro intenso, doce, único, desta terra vermelhão.
Tantos momentos já me senti num extase completo e magnifico ao estar longos períodos a contemplar o panorama tão belo de um por de Sol, de uma árvore mais exótica, de um pequenito nativo chapinhando na água turva, enlameada da Bolanha, na naturalidade com que a mãe dá o seio grande , negro e belo à criança que parece nunca estar saciada, ao silêncio imenso das enormes extensões de Bolanhas, salpicadas com algumas árvores isoladas, como que envergonhadas de si próprias e da sua solidão, dos maravilhosos pássaros de cores celestiais.
Nunca imaginei tanta poesia, nem quadros tão belos que perante os meus olhos desfilam, fazendo esquecer o verdadeiro sentido de estar ali...a guerra...
Se conseguir sair daqui inteiro, se esta maldita guerra terminar a contento dos dois lados, tenho que cá voltar daqui a uns anos, como civil, para então sim, me embriagar de toda esta beleza africana.
Encher bem os pulmões destes doces odores.
No entanto são tão poucos esses momentos e cada vez menos costumados, que sinto fugir-me aquele tão grande amor pelo que é belo e vale a pena admirar.
Sou por vezes um romântico...
Sei que nunca me chamariam de tal, porque sei nunca ter dado a adivinhar a alguém um sentimento que teimo em esconder.
Não que o esconda por vergonha ou medos, mas apenas porque só o vejo na realidade realizado dentro de mi próprio.
Fechado na caixa de ouro em que nasceu e que forçosamente morrerá...
Mesmo n’uma constante luta, penso que só momentos como estes me podem tirar o peso também constante de uma vida atormentada e de medos, apenas constituída por sobressaltos e um terror de terminar antes de começar.
Este continuar a poder abrir a caixa, sempre que quiser, para somente a fechar quando sentir ter conseguido mais um lenitivo para as horas, minutos e segundos em que sinto o fel amargo do desanimo de mi se apoderar...
Que a vida continue mais um pouco, para me mentalizar para a morte !!!
Tite 13 de Janeiro de 1968..................3 horas da manhã, no C. Cripto pág. 4 de 7
São 3 horas da manhã.
Mais um perí
odo de serviço está prestes a terminar.
Como a maior parte das vezes, foi um dia movimentado no tráfego das “secretas”.
Infelizmente será um dia memorável no mau sentido para tantos, o que para mi não passou de mais um.
Mais um a juntar a tantos sempre tão iguais desta maldita guerra.
Empada e o destacamento de Gubia, foram atacados simultaneamente.
Quase já me habituei a saber estas desgraças.
Penso o que terá sido a vida dos outros, dos que hoje deram decerto o máximo deles próprios para poderem garantir a integridade de si e também dos companheiros.
Gubia tem tido azar !
Três dias seguidos de ataques.
Não podem ter um pouco de sossego.
Para eles vai a minha grande admiração. Aqui também sabemos o que isso é ! aliás, toda a Guiné sabe o que isso é !!...
Espero o dia em que também voltemos a viver o tempo incontável que demora esse cáus.
Sinto que não falta muito para de novo reviver momentos como os de 19 de Julho, 6 Novembro e tantos outros, que já vou esquecendo as datas.
Esperemos...
Zé Justo
fotos Google
domingo, 4 de maio de 2014
A nossa homenagem a todas as Mães...
sábado, 3 de maio de 2014
Diário do Justo - continuação 1
Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.
Tite 12 Novembro 1967 ..................2 da manhã no quarto e Centro Cripto pág. 2 de 7 Não recordo quando teria sido a última vez que peguei neste “Diário”, contud
o não vejo também qual o valor que possa ter, fixar uma data, que por si só não tem o interesse que tantas outras ao contrário possuem.
Recordo vagamente que temia o que na realidade aconteceu.
Mais uma vez...momentos tão desesperantes...
Tudo começou como quase sempre.
Era dia 1 de Novembro, dia dos anos da mãe Lena e tantas vezes dela me lembrei, que se foram tornando um bálsamo esses mesmos momentos.
Todos esperava-mos que durante o período de fins de Outubro e meados de Novembro, acontecesse qualquer coisa que pudesse ser adicionado a tantas outras congéneres.
Fomos avisados na madrugada deste dia que os “turras” (designação na gíria militar em referência aos guerrilheiros, a nós eles, chamavam-nos TUGAS) se encontravam em Tite de Baixo e Tite Mancanha, em dois “bigrupos” (equivalente ao nosso Grupo de Combate) preparados e equipados com artilharia pesada de Infantaria, para atacar naquela noite o quartel de Tite.
longas rajadas de metralhadora que passaram por cima do quartel, da PPSH (a costureirinha) provavelmente.
Devia mesmo ser a “costureirinha” pois era a única arma automática do PAIGC que operava com carregadores circulares de 75 munições, daí as longas rajadas.
Começou então um verdadeiro pandemónio, que de antemão tanto temia...começou o inferno, a destruição e morte...
A nossa reacção foi imediata e no ar ficou a pairar o fumo, o fogo de morteiros, o matraquear de armas ligeiras, como que um convite a morrer.
Uma gentileza gratuita; Morrer para deixar de sofrer, quase vale a pena !!!
Contando os longos momentos pelo matraquear convulsivo e macabro das nossas metralhadoras, o estrondo de saídas dos nossos morteiros, comecei a contar as contas do meu rosário pagão, das minhas recordações, e mais uma vez nessa noite me lembrei de minha mãe.
Vi nitidamente a sua imagem esfumada à minha frente por segundos !!
Fazia hojQuando nos avisaram do iminente ataque, o nativo, elemento da população, foi instruído para nos levar a cair numa emboscada já preparada.
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Grande Guedes
...e eis senão quando....vejo prantado no blog o meu diário??!!
Agradável surpresa amigo.
Parece que foi ontem que compilei este trabalho, e já lá vão 5 anos!!!
O tempo passa que é uma pressa.
Ao reler hoje, tenho forçosamente que me remeter em pensamentos aquela época e como me sentia ao escrever estas linhas no diário, por acaso bem giro, que comprei na cantina lá em Tite.
Já disse e escrevi muita vez, como aqueles dois anos me deram cabo da cabeça, e acredita que passando os olhos por estas linhas, consigo reviver o estado de espirito da altura.
Amigo, obrigado pela surpresa e um abração.
Espero que tudo esteja nos conformes com o teu filho lá por terras de África.
Bom fim semana.
Justo
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sexta-feira, 2 de maio de 2014
O nosso capitão Paraiso Pinto celebra hoje 80 anos.
Para o nosso capitão Paraiso Pinto, um abraço de parabéns neste dia em que faz 80 anos.
Muita saúde e tudo de bom junto dos seus.
O Caldeira faz hoje anos
O ex-furriel Joaquim Caldeira da CCAÇ 2314, faz hoje anos.
Para ele muitos parabens e votos de boa saúde.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Velho diário imcompleto - pelo Zé Justo (pela sua importância histórica, voltamos a publicar o Diário do Justo, em 5 capítulos)
Velho Diário Incompleto
Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração.
Intróito: ..........................................................................e pág. 1 de 7
Por alusão do amigo Guedes e ex-companheiro de armas, a um seu Diário escrito na Guerra da Guiné nos anos 60, e que no regresso à Metrópole, após dois anos de comissão, num rompante, decidiu larga-lo borda fora do navio UIGE, lembrei que também eu tinha feito uma “ameaça de Diário” exactamente na mesma época e local.
Muito procurei e lá o descobri nos recônditos de montes de papelada e livros...
Eis umas breves notas explicativas.
Ficou pelo caminho esta tentativa de fazer um “Diário de Guerra” na Guiné...começou tarde e terminou cedo !!
Estes textos não tem o mínimo de pretensões literárias, nem grandes “desanrincanços” de prosa, nem muita qualidade...mas são sinceros, porque foram vividos intensamente e escritos com o coração !!
Estão bastante espaçados no tempo, porque não havia grande paciência para a escrita, nem disso eu era muito amante.
Foram passados ao papel em ambiente de guerra, no quartel de Tite, sempre nas madrugadas daquelas longas noites e com pouco mais de vinte anos.
Até para casa e família, as minhas cartas eram escassas e lacónicas.
Anos mais tarde, disso bastante me penitenciei, pois a ausência de noticias muito fazia sofrer meus pais.
Sempre me exprimi com algum sucesso, por palavras e “bonecos”.
Ao invés, confesso a falta de jeito com a pena, para narrar no papel a catadupa e turbilhão dos meus pensamentos.
Não inclui relatos pormenorizados dos ataques do PAIGC que sofremos, tendo-o no entanto feito em folhas de papel, com o intuito de mais tarde os incluir num capítulo em separado “Ataques ao Quartel”
Infelizmente esses manuscritos levaram sumiço, o que é pena, pois continham descrições pormenorizadas, medonhas e sofridas, com número de mortos e feridos, estragos materiais, material de guerra capturado ao IN etc., dos maiores ataques efectuados durante dois anos.
Ao meu rigoroso e saudoso pai, que muito me ajudou e com quem bastante “conflituava” naqueles tenros anos, a minha grata rec
ordação.
Só mais adulto, o comecei a compreender e verdadeiramente a amar.
Muito me apoiou sobre todos os aspectos, neste amargo período da minha vida.
Ele sabia dar valor ao que eram as saudades e o ambiente de guerra, pois como furriel miliciano de engenharia, tinha nos anos 38-40, também passado pela Guiné e feito comissão na Ilha do Sal, Cabo Verde.
Sempre o vi, até à sua doença e ausência física, como um líder, sempre a estudar e elevar-se profissionalmente.
Involuntariamente e com tristeza, cedo admiti, lhe ter dado vários desgostos.
O seu grande sonho de ver os filhos Dê Rés; o “assentar”, casar e constituir família; depois de casado, o não querer ter logo filhos; o sair de casa pouco tempo após o regresso da Guiné; o nunca acabar o curso de programador no Centro Informático da RTP que ele chefiava, ficando-me pelo de Mecanógrafo, entre outras avarias pós Guiné, n’uns loucos anos, em que vivia como se fosse o último dia – noite, melhor dizendo - da minha vida.
Mesmo assim, foi esse curso informático, que me proporcionou o primeiro emprego a sério pós Guiné, e onde curiosamente me metia com uma colega que não podia comigo nem um bocadinho, que tinha uns olhos lindos, e que infelizmente para ela, acabou por comigo casar e piedosamente me aturar com “pachorra” de santa há... 37 anos.
37 anos que me parecem 37 dias !!...Gosto mais dela do que torradinhas do meio !!
Ainda sobre o pai: Todos sabemos e facilmente se adivinha o que seria naquele tempo e condições, a alimentação da “soldadesca”.
Quando em comissão no Ultramar, era-mos obrigados a deixar cerca de metade do vencimento a um familiar na Metrópole, recebendo na zona operacional o restante.
Como não conseguia tragar a comida do quartel, passava o tempo a “lutar pela vida” ora comendo no “Branco” ora alinhando nos petiscos que os camaradas arranjavam.
Claro que isso trazia custos acumulados, e como o que recebia não chegava, passava a vida a pedir ao pai para me enviar a “pensão” de que ele era fiel depositário. O dinheiro da Metrópole tinha uma mais valia, pois “cambiávamos” por mais 10% em “patacão” da Guiné.
Esgotei a pensão, mas ele nunca falhava com o apoio monetário, dizendo que lhe pagaria quando findo o tormento, já em “casa”, tivesse a vida organizada e começasse a trabalhar.
Quando finalmente me vi regressado à casa paterna, com que alegria ele me dava as novidades....
A primeira refeição foi frango assado picante com bata frita às rodelas e esparregado salteado com alho (que eu adorava), depois o nosso quarto remodelado, nova televisão, obras na nova casa...tudo preparado para a recepção do” filho pródigo”.
Por último - surpresa maior - a papelada para abrir uma conta bancária com todo o dinheiro da pensão de dois anos, que supostamente me teria enviado para a Guiné, mais uma verba que ele dizia ser de “juros do capital investido” !!
Fiquei espantado !!
Nunca mais esquecerei deste gesto. Muitos outros de grande generosidade se seguiram pelos largos anos que ainda viveu.
A minha singela homenagem, ao grande homem que me vincou o carácter e do qual muito herdei.
Zé Justo
Maio 2009
tranha.
Conseguimos captar o mais estranho som a quilómetros de distância, o que nos proporciona as rápidas fugas para os abrigos ou postos de combate, logo que se ouvem ao longe os estrondos das “saídas”, denunciando o começo de mais um ataque.
Mas que posso fazer ??
Não estou eu, bem como tantos, condenado às intempéries de um futuro tão sombrio ?
Tão incerto como tudo o que conhecemos, um futuro que será tudo menos: risonho, feliz e tranquilo, um futuro que ficara talvez na minha memória como um espaço de tempo tão doloroso e amargo, tão terrífico que só a simples lembrança me causará medo.
Tanto desejo que isso não aconteça que uma simples esperança se vai avolumando em mi de uma maneira tão categórica que já se tornou uma obsessão.
Eu quero que o dia 8 de Novembro seja e desfolhar natural de mais uma folha de calendário.
Quero que quando esta mesma folha tombar com a sua história passada, não seja uma data para fixar.
O que há tempos atrás me parecia uma criancice, naturalmente hoje é um ardente desejo.
Sinto que o mundo de fantasia e de boa vida vivida, repleto de esperanças e grandes planos, hoje, não está morto, mas sinto que está sobremaneira transformado.
Transformado com a necessidade premente de uma aniquilação total e negligente para facilitar o alheamento da confusão em que me vejo.
Recordo que no princípio da comissão, quase todas as minhas noites eram um manancial de belos sonhos e até de prelúdios mais ou menos longos e felizes.
Tudo revivia, com a plena certeza de apenas os interromper por um tempo.
Hoje, passados 212 longos e penosos dias, que se arrastam, essa convicção já nem sequer me torna feliz.
Sobreposse à certeza bela e realizável, o monstro enorme e horrendo da incerteza e dos contínuos pavores.
Tento não desanimar...
Contudo tão difícil se torna já a ideia de que o tempo que imperiosamente ainda me resta de sofrimento nesta maldita, mas também tão bela terra, terá que passar tão lentamente que a sua lentidão me causa horrores.
Não são os dias em si que me atormentam.
É sim o que eles também contém e conterão, o que definem e hão de definir com o seu inconstante nascer e morrer.
Relembro hoje a data de 19 de Julho de 1967, o nosso primeiro ataque em grande escala.
Relembro, ainda mais recentemente, o dia 31 de Outubro e 1 de Novembro.
Quantos dias como estes ainda terei mais que passar ? Quantos medos arrepios sentirei percorrerem-me todo o corpo até o sentir gelado ?
Quem ganhará na realidade com esta guerra ? eu só vejo perdas...principalmente de vidas e de carácter, perante as durezas da guerra.
Tantas perguntas e nenhuma resposta !!
Tantos horrores, tanto sangue e morte ainda terei que presenciar para finalmente o dia glorioso do regresso se impor ao que tanto me torturou e fez sofrer.
Quero logo que ponha os pés na minha amada Lisboa, apagar da memória estes malditos dois anos de Guiné.
A constante de dois longos anos, é e será sempre tudo o que não quero, mas que forçosamente tenho que suportar.
Tudo o que nunca imaginei poder ser verdade e concluí corresponder à verdade, à imagem real de factos sempre presentes em quem os passou e em quem os passa para mais tarde os abandonar e trocar por tudo o que são os “sonhos lindos”.
Mesmo esses que tudo sofreram e agora tudo gozam, de certo se lembram dos que, e para quem, planos futuros lhes serviram a eles de mortalha e aos outros de lágrimas e dor. 








