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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes, furriel milº Angola ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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"NINGUÉM DESCE VIVO DUMA CRUZ!..."

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

O “GASOLINAS VAI AO NOSSO 23º ALMOÇO/ CONVIVIO EM LISBOA

O ENCONTRO FOI ÁS PORTAS DA CIDADE VIDREIRA
Telefone 244569448
O dia 12 de Julho estava solarengo, embora o vento incomodasse, não foi impeditivo de ir ao encontro do “gasolinhas”, camarada que a maior parte de nós não o víamos há 42 anos.

Este homem de 66 anos, com o nome de baptismo, Nelson Vreia Alves, é natural de Alfarelas de Jales, freguesia do concelho de Vila Pouca de Aguiar, em plena Serra da Falperra/Minho. É o 10º de 11 filhos, casado e pai de 2 filhos (um casal), tem netos/as e, uma delas vai ficar encarregada de abrir o Blog do Bart 1914, para lhe dizer as últimas dos seus antigos camaradas de armas.

Este homem que em Tite estava adido ao parque auto, para além de ser responsável pela manutenção de fornecer combustível à frota automóvel, tinha também a tarefa de abastecer, ligar, desligar e, manter em perfeitas condições de funcionamento os 2 enormes geradores de electricidade em Tite. A sua presença era sempre reclamada por todos quando a luz exterior era tardiamente ligada, ou de pronto desligada quando na presença dos ataques ao aquartelamento que foram muitos.

Veio para a Marinha Grande com 17 anos de idade, para trabalhar junto de um seu irmão numa oficina de automóveis. Trabalhou em diversas fábricas deste concelho, mas a sua maior parte do tempo do trabalho foi na área do fabrico de plásticos de quem foi colega, por vários anos, do Vítor Barros ex-rádio telefonista.

Aliás este encontro, que visou abraçar este companheiro há largos anos ausente de nós e com ele travar conversas do passado e do presente, teve lugar num restaurante às portas da Marinha Grande. Foi organizado pelo Vítor Barros e, foram convidados para além do Nelson e a sua mulher. A  Mª de Jesus, mulher do Vítor, o Pica Sinos, e a sua mulher, a filha mais nova e a sua neta Lara, e imagine-se, e também a senhora sua sogra.

Depois de se comer os finalmentes, doce “sopa do bosque” e o tradicional cafezinho, despedimo-nos do “gasolinas” com a promessa que teremos a sua presença no próximo 43º aniversário da nossa chegada da Guiné, comemorado em simultâneo com os festejos do 23º Almoço/convívio, em Lisboa.

Vitor Barros e Pica Sinos

O “ZIPPO” da treta e a gasolina em bidões!


Gostei de rever o “Gasolinas”, passadas tantas décadas...a ele e a sua proeminente “curva da abastança” !!!
Vou contar um episódio passado em Tite entre mim e o Nelson, que duvido ele se recorde, mas que eu nunca mais esqueci.


Não lembro como me veio parar as mãos, mas tinha na altura um isqueiro imitação do famoso Zippo, com o logos Cruz Vermelha, semelhante ao da foto.
Para estes isqueiros de torcida, convinha usar gasolina própria, muito diferente da convencional, pois a sua cor branca, indicava ser tratada especialmente para os fins em vista.


A utilização de gasolina convencional, provocava uma fumarada e cheiro difíceis de suportar.
Tinha levado de cá, uma lata de gasolina da que se vendia para os isqueiros Ronson, mas tinha acabado.
Acabou-se a gasolina, mas não se tinha acabado e vicio do cigarro, e como mesmo não sendo grande espingarda o “zippo” da Cruz Vermelha, fazia-me muito jeito.


Quando ia para o duche, passei pelo “gasolinas” e lembrei-me: E pa, ele e que pode safar-me, vou-lhe pedir um pouco de “gasosa” para o maçarico.
Peguei numa garrafa de refrigerante, e lá me dirigi as bombas de gasolina, onde abasteciam todas as viaturas do batalhão, quartel-general do nosso “responsável gasolineiro”.
Devo dizer, que ao contrário do que sobressai nestas fotos recentes, o nosso amigo sempre me pareceu um pouco antipático, e o seu ar sempre sisudo, afastava o pessoal.


A necessidade faz a situação, e lá o abordei com a garrafita, a pedir um pouquinho de gasolina na garrafa, explicando-lhe para que era.
Bem...sabem qual a foi a resposta dele, sempre com aquele “ar simpático”???
E pá, gasolina aqui só aos bidões, e estão todos fechados??!!!!!!
Imaginam como fiquei, ou como qualquer um ficaria!
Gelei, bloqueei totalmente e contrariamente ao meu hábito, nem reagi...virei-lhe costas e jurei que aquilo não ficava assim.


Bem, acabou por ficar assim, gasolina CA TEM, acabei por arquivar o assunto e lá pedi umas latitas para o papa, que nunca recebi, pois informou-me que não era permitido o envio de inflamáveis em encomendas.
Uma coisa vos garanto, nunca mais olhei para a cara do “gasolinas”!!!!


Tudo já lá vai, as crises da guerra, isolamento, saudades e tudo o mais que nos ABRASAVA, provocaram situações caricatas e por vezes penosas que hoje ao longe, se calhar ate aceitamos.
Repito que ele decerto não recordara esta aventura, mas ao ler estas linhas, possivelmente o episódio seja lembrado.
O que lá vai, lá vai.....Para o camarada Nelson, um abração e tudo de melhor para ele e família.

Jose Justo

3 comentários:

leandro guedes disse...

Boa noticia esta!
Mais um companheiro encontrado.
Falta só dizer em que dia foi o almoço e já agora o nº. de telefone do Gasolinas, para quem lhe quiser telefonar. Eu serei um deles.
Para p Gasolinas um forte abraço com votos de boa saúde.

leandro guedes disse...

Faltou dizer que, quem vai ficar contente por saber do Gasolinas, vai ser o Guimarães, que fazia parte da mesma Secção, e que mora bem perto da Marinha Grande, em S.Jorge, Batalha.
Um abraço.

José Justo disse...

Gostei de ver o "Gasolinas".
Um look espaçoso impecavel.
Lembrei-me duma "estoria" entre mim e ele, que vou tentar passar ao papel.
Passem bem