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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes, furriel milº Angola ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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"NINGUÉM DESCE VIVO DUMA CRUZ!..."

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra colonial


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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domingo, 17 de fevereiro de 2008

A malta, o porco e o dono do porco...

De Tite, todos temos histórias “giras” para contar. Aquelas que eu conheço, ou melhor… que eu me lembro, mal é certo, têm quase sempre os mesmos protagonistas do círculo que mais frequentava – malta de Lisboa e arredores. Também recordo histórias que partilhei com o Justo e…. do Justo, que um dia, penso, terei a oportunidade de vos contar. Dois anos com ele no mesmo serviço (Cripto), no mesmo quarto, nos medos, na fome, etc,. Ele, “puto” de grande carácter, artista, camarada, amigo do seu amigo e no saber partilhar. Éramos muitos os “residentes” na obrigação dos objectivos para que fomos mobilizados, mas o sistema, a hierarquia e formas de estar na vida, obrigava-nos a círculos de convívio. Os círculos de que falo eram: das transmissões; dos criptos, dos morteiros, das daimleres, dos calados; dos refilões; dos coboys; dos bufos; da igreja; dos furriéis; dos oficiais; da malta de Lisboa, etc. Não querendo dizer com isto, que não raras as vezes, uns quantos, dos variados círculos (bufos à parte) não se juntassem, sobretudo nos copos, na batota e na tasca do branco. Haviam sempre motivos que nos levavam a fazer coisas. Na ocasião pareciam-nos “inocentes”, mas à luz da realidade, não eram tão inocentes quanto isso. E um deles era a fome. A “tasca do branco, o Silva” ficava no exterior do quartel a cerca de 100/150 metros da chamada porta de armas. No caminho/rua existiam à esquerda e à direita tabancas. Também porcos, galinhas, patos e outros animais domésticos que os naturais, guardavam religiosamente, nas suas casas, mas durante o dia, soltos na rua, debaixo dos seus olhares atentos, não fora o “diabo” tece-las. Contudo, havia gente mais “organizada”, pelo menos existia uma família, (cuja tabanca estava situada do lado direito de quem seguia pela “rua” em direcção ao “branco”), que tinha trancado a sete chaves, um curral/galinheiro, com as galinhas, galos, patos e dois ou três lindos porcos pretos (pequenos) que, um deles, foi obrigado a “desertar” grunhindo desesperadamente! Oh grande amigo Palma, e companhia……… passamos……. à frente! Não sei qual o mês nem o dia, (mas se não era devia ser feriado), por todo o quartel pairava, um cheiro, um aroma, um perfume… vindo de um assado, penso que da padaria, motivado pelo cozinhado do porco, fazendo “borbulhar o sangue” ao mais distraído cidadão em Tite. Pois, quem não gostou nada da brincadeira foi o dono do porco, que também vindo atrás do cheiro, mas acompanhado por um Capitão (….) assim dizia…roubaram o porco de mim!!!!!! roubaram o porco de mim!!!!!! Penso que o dito Capitão deveria contar como foi resolvido o protesto do dono do porco, uma vez que o bicho não foi devolvido mas sim comido e bem regado com cerveja. Raul Pica Sinos alcindaleal disse... Gosto de ler este blogue e de ver as «confissões» dos protagonistas desta história que cabendo num período negro da nossa História pode contribuir para a reconstituição de uma história social!E também nos mostra a grande capacidade do ser humano resistir às adversidades! Parabéns aos meus compatriotas! (Obrigado Alcinda pela sua simpatia)

1 comentário:

alcindaleal disse...

Gosto de ler este blogue e de ver as «confissões» dos protagonistas desta história que cabendo num período negro da nossa História pode contribuir para a reconstituição de uma história social!
E também nos mostra a grande capacidade do ser humano resistir às adversidades! Parabéns aos meus compatriotas!