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Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma! (Patoleia Mendes ).

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"Ó gentes do meu Batalhão /

Agora é que eu percebi /

Esta amizade que sinto /

Foi de vós que a recebi…"

(José Justo)


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EMBLEMAS DAS UNIDADES OPERACIONAIS ESTACIONADAS EM TITE E AINDA DAS COMPªS DO INICIO DO BART

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sábado, 26 de setembro de 2015

Guiné Bissau, independente há 42 anos (unilateral)

Caros Companheiros
O Expresso publicou na semana passada, um interessante artigo sobre a Guiné-Bissau actual, com entrevistas aos intervenientes nativos, na guerra colonial, tanto do PAIGC como da nossa tropa.
É uma maneira de comemorar os 42 anos de independência (unilateral) do país e que vale a pena ler, tendo continuação nesta semana. 
E Tite é uma das localidades referidas.  
Estes artigos do Expresso, focam a Guiné na sua generalidade e por isso vale a pena lê-los.

com a devida vénia ao Jornal Expresso e ao jornalista Luis Pedro Nunes e Fotógrafo Alfredo Cunha.




De todos os relatos gravados e lidos, nunca se percebe qual foi a acendalha que levou ao primeiro tiro

PRIMEIRO TIRO DE GUERRA, FOI UMA LANÇA!

23 DE JANEIRO DE 1963, QUARTEL DE TITE
É difícil explicar a geografia da Guiné a quem nun­ca lá foi. Afinal “aquilo tem o tamanho do Alente­jo” . Mas é um engano. Todo o litoral é uma planície pantanosa que se abre à foz de vários rios. O que quer dizer que para descer o equivalente a 30 quiló­metros em linha reta, teremos que utilizar um bar­co ou dar voltas por terra horas sem fim a contor­nar a boca de várias entradas de rios. E há o terreno de lama. A vegetação. O clima tropical. As chuvas. Os mosquitos. No início dos anos 60, a Guiné não era como as joias da Coroa: Angola e Moçambique. Para o meio milhão de autóctones de dezenas de etnias, havia uns meros dois mil portugueses da Metrópole. Alguns deles militares, espalhados por quartéis nos principais pontos do país. A zona sul, que faz fronteira com Conacri, terrível em termos de geografia, e que seria comandada por Nino Viei­ra, iria ser o ponto de partida da guerra na Guiné. Tite, um quartel da tropa portuguesa, foi escolhido para a primeira investida noturna do PAIGC. É co­nhecido por ser o local do primeiro tiro. E ainda se comemora como tal. É uma data.
O quartel português de Tite ainda lá está. Mas em escombros. Restam as paredes e como sempre o mato vem reclamar o que lhe pertence. Ainda foi ocupado pela tropa guineense, mas abandonado em 1994. A poucos metros, impassível, está um poilão, uma magnífica árvore sagrada com dezenas de me­tros de altura. À sua sombra, os velhos. E, com eles, a memória. Logo ali dois que lutaram no exército português. Pedro Ussumani, 66 anos; e Brema Jasse, 73. Foram tropa feijão-verde. Brema, aliás, passou de soldado ‘tuga’ a coordenador do PAIGC, e fala desses tempos com cumplicidades e risadas. “Querem um terrorista? Vamos a casa do grande bazuqueiro. e lá caminhamos umas dezenas de metros ate à casa de Brame Sane, 63 anos, o tal artista da bazuca. Tudo amigo. “Fomos soldados, não há rancores", diz. Ussumani vai adiantando “que depois tas descolonizações há sempre uns exageros”. Mas a questão não era entre guineenses, era da política de Salazar. Gostava de acabar nesta frase. Não posso . Da mesma maneira que entre os jovens não há grande ligação com o poder colonial, há um saudosismo verbalizado sem medo na geração mais velha. Até em combatentes da libertação. Um cansaço da instabilidade. Da destruição. Da pobreza. Mais do que do resto. O que confunde. E ouve-se isto. “Se era para ficar assim, sem nada, com este braço sem força devido aos estilhaços, não tinha ido combater'. diz o bazuqueiro do PAIGC.
E o tal primeiro tiro, como foi? O homem que o deu morreu há poucos meses. E eis que chega à sombra do poilão Pape Dabo, 89 anos, um homem pequenino. Não sabe de ouvir dizer. Esteve presente no ataque de 23 de janeiro de 1963 e participou nas reuniões que decidiram a operação no quartel de Tite. Tiro? Não foi tiro. “Só tínhamos dez armas e a sentinela estava a dormir e, quando avançámos pela porta do quartel, matámos o homem com um canhaco. ” Canhaco? É uma lança que se põe num arco. Mas foi com a mão. Perfurou-lhe o pescoço.
Mas voltemos um pouco atrás. Pape Dabo conta a história do ataque como já a terá repetido centenas de vezes. Não permite interrupções. Ele é o narrador e o dono da versão. Começa com ele e o irmão no quartel, a trabalharem como padeiros dos portugueses, e termina depois do ataque com ele a voltar a ser reconhecido pelos militares portugueses como um “dos bons” e, assim, a poder espiar. Pelo meio, o ataque: divididos em quatro grupos, só primeiro entra no quartel; os portugueses acorriam; os tiros; as mortes do lado dos ‘tugas’ terroristas ( “terroristas eram vocês do PAIGC”, diz Pedro); depois, teve que voltar no outro dia, foi obrigado a ver os cadáveres dos companheiros mortos e ter de fingir que não os conhecia. E recorda ainda quando o comandante alinhou a população na praça em frente ao quartel e disse: “A guerra começou.”

Jornalista - Luis Pedro Nunes
Fotografias - Alfredo Cunha
Jonal Expresso - 19/09/2015

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A este respeito, voltamos a publicar aqui, algumas das fotos tiradas ao actual estado do quartel de Tite, numa visita que o Raul Soares (na foto) fez recentemente àquelas paragens.









 A fotografia do poilão, tirada pelo Raul Soares

nota - na próxima semana contamos publicar uma reportagem dos mesmos autores e que foca a Operação militar "Mar Verde", que libertou os nossos companheiros que na altura se encontravam presos em Conakri. Este relato tem a participação de elementos do IN que participaram na operação.

1 comentário:

Hipolito disse...

"Bistes", oh cabeçudos duma figa?! . . .
Debaixo do depósito da água, a repartição mais importante e célebre do quartel de Tite (o SPM) . . .
Cujo responsável, apesar de parecer, não dormia na forma . . .
Abraços e beijinhos para a velhice