Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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domingo, 4 de maio de 2014

A nossa homenagem a todas as Mães...


 "Quanto é doce quanto é bom

No mundo encontrar alguém

 Que nos junte contra o peito

 E a quem nós chamemos mãe

 

Vai-se a tristeza o desgosto

 Põe-se a um ponto na tormenta

 Quando a mãe nos dá um beijo

 Quando a mãe nos acalenta
 

 E embora seja ladrão

 Aquele que tenha mãe

 Lá tem no meio da luta

 Ternos afagos de alguém

 
José Afonso"






 

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sábado, 3 de maio de 2014

Diário do Justo - continuação 1

Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração. Tite 12 Novembro 1967 ..................2 da manhã no quarto e Centro Cripto pág. 2 de 7 

Não recordo quando teria sido a última vez que peguei neste “Diário”, contudo não vejo também qual o valor que possa ter, fixar uma data, que por si só não tem o interesse que tantas outras ao contrário possuem. Recordo vagamente que temia o que na realidade aconteceu. Mais uma vez...momentos tão desesperantes... Tudo começou como quase sempre. Era dia 1 de Novembro, dia dos anos da mãe Lena e tantas vezes dela me lembrei, que se foram tornando um bálsamo esses mesmos momentos. Todos esperava-mos que durante o período de fins de Outubro e meados de Novembro, acontecesse qualquer coisa que pudesse ser adicionado a tantas outras congéneres. Fomos avisados na madrugada deste dia que os “turras” (designação na gíria militar em referência aos guerrilheiros, a nós eles, chamavam-nos TUGAS) se encontravam em Tite de Baixo e Tite Mancanha, em dois “bigrupos” (equivalente ao nosso Grupo de Combate) preparados e equipados com artilharia pesada de Infantaria, para atacar naquela noite o quartel de Tite. O informador referiu também que o PAIGC, na véspera tinha arrebanhado nas tabancas próximas, várias dezenas de nativos, que como era hábito, serviriam de carregadores de munições e armas pesadas para a realização do ataque. Com a rapidez costumada nestes momentos, logo se preparou a defesa. Assim que soube a notícia, fui para junto da Arrecadação de Material de Guerra, aproveitando a ocasião para ajudar o Palma a abrir cunhetes de munições e preparar algumas metralhadoras extras, granadas de morteiro etc. para logo que necessário entrarem em acção. Tudo estava preparado. Todos a postos. Reforço dos postos avançados com mais pessoal e munições, as duas Auto-metralhadoras Daimler a postos junto à porta de armas para pronta saída, os não operacionais directos abrigados nos respectivos abrigos, luzes desnecessárias apagadas e o mortal silêncio dos momentos de grande expectativa. O tempo foi decorrendo com uma lentidão mortal, tornando a espera num crescendo enervante, mais do que nunca era penosa a espera, e a cabeça estava num turbilhão. Sentia um medo enorme, e fumava sem parar. Estava de serviço e não sai do Centro Cripto, pois embora ligeiramente protegido com sacos de areia por cima do tecto, tinha-mos uma mesa de trabalho enorme e super grossa de madeira de Bissilon muito rija que dava alguma protecção. Sei que durante momentos, algo indescritível, um nervoso miudinho, me impedia de raciocinar direito. O arrastar penoso do tempo era uma tortura difícil demais de suportar. Reflectia-se em todos uma falta de animo, neles próprios e nos outros, que contribuía para o desanimo geral e falta e confiança mutua. Tanto tempo passou !! Nada se ouvia que nos pode-se dar uma ideia de como, quando e vindo de que direcção, seria o ataque. Nada que desse azo a que cada um desse largas ao ódio contido dentro de si próprio. Mais uma vez o reacender do instinto animal da lei da guerra “matar para não ser morto”... Nada que fizesse as culatras levarem a ração de morte que a cada um cabia, pela implacável mão drástica do destino sempre incansável quando semeia a morte. Tudo continuava quase normal... Mas foi passando o tempo...nada...nada...nada... Óh! Que horrível ansiedade. Porque nada acontecia ? porque não começavam tudo aquilo para que tinham vindo, porque não concretizavam todos os seus intentos ? porque não COMEÇAVAM COM AQUELA MERDA, PORRA ? Que estavam a tramar para ainda não terem começado com os momentos de pavor ? Já passava das duas horas da manhã, quando ouvimos duas longas rajadas de metralhadora que passaram por cima do quartel, da PPSH (a costureirinha) provavelmente. Devia mesmo ser a “costureirinha” pois era a única arma automática do PAIGC que operava com carregadores circulares de 75 munições, daí as longas rajadas. Começou então um verdadeiro pandemónio, que de antemão tanto temia...começou o inferno, a destruição e morte... A nossa reacção foi imediata e no ar ficou a pairar o fumo, o fogo de morteiros, o matraquear de armas ligeiras, como que um convite a morrer. Uma gentileza gratuita; Morrer para deixar de sofrer, quase vale a pena !!! Contando os longos momentos pelo matraquear convulsivo e macabro das nossas metralhadoras, o estrondo de saídas dos nossos morteiros, comecei a contar as contas do meu rosário pagão, das minhas recordações, e mais uma vez nessa noite me lembrei de minha mãe. Vi nitidamente a sua imagem esfumada à minha frente por segundos !! Fazia hoje anos, mais um aniversário na minha querida mãe que tanto adorava, e que tanto me protegeu, apoiou e escondeu de meu querido, mas tão ríspido Pai. Parece ironia, mas o presente de anos foi para mi. Sei apenas que nunca da minha memória será esquecido o dia 1 de Novembro de 1967. Os ataques perpetrados pelo PAIGC ao quartel eram efectuados com método e muito bem planeados. O maior perigo para as NT eram os primeiros rebentamentos dentro do quartel, pois invariavelmente atingiam sempre zonas vitais. O porquê, era simples. Os ataques do PAIGC só se efectuavam já noite, para que a nossa força aérea não perseguisse os guerrilheiros na sua fuga pós ataque para as bases instaladas a quilómetros do local. O quartel era naturalmente super visível à noite a uma grande distância, e toda a iluminação exterior do arame farpado demarcava em pormenor o perímetro do mesmo. Com os ataques feitos na base de morteiros e canhões sem recuo, armas pesadas de Infantaria, tinha o IN todo o tempo do mundo para se instalar a alguns quilómetros de distância, nas posições operacionais mais convenientes. As luzes, bem como mapas desenhados do quartel ??!! permitia-lhes referenciar e regular os aparelhos de pontaria com a máxima precisão. Com a sucessão do disparo de dezenas, por vezes centenas de granadas, com os recuos naturais, as armas iam alterando as cotas de tiro, e as granadas caiam mais deslocadas dos centros nevrálgicos, fazendo no entanto sempre bastantes estragos. O mapa do quartel de Tite capturado, entre outros documentos, a um guerrilheiro morto, fora decerto fornecido pela irmã de um comerciante nativo, que se soube, mais tarde, ser informadora do PAIGC e passar a vida a espiar as NT. É curioso como nos momentos maus e verdadeiro sofrimento, o pensamento nos foge, procurando a imagem bela da pessoa que mais amamos. É sempre a imagem da mãe quem avidamente procuramos e é pensando nela que muitas vezes os olhos de fecham para não mais se abrirem...é a última vontade, o último agarrão à vida que se esfuma, o último consolo para quem pouco pedia e até a própria vida deu, sem o querer e sem saber muito bem para quê... Tudo findou...tudo findou como se nada na realidade se passasse. Não houve feridos nem mortos desta vez. Não os houve felizmente para todos. Eles não fizeram um ataque formal como de costume. Tudo o que temia-mos, desta vez não foi avante. O que fizeram, comparado com o que era hábito, foi mais uma vez um simples espicaçar dos nossos nervos. Volta e meia, e mesmo durante o dia ouviam-se rajadas por cima do quartel em tom de desafio, e para provocar a instabilidade nas NT. Logicamente todo o pessoal desatava numa correria para abrigos e postos de combate. Sempre para nos darem cabo da cabeça...eles sabiam ser eficaz esta guerra psicológica... Por sorte e feliz acaso, não tivemos ocasião de ver repetir-se o espectáculo a que já nos acostumamos, mas que de cada vez se torna sempre mais desencorajante.
Quando nos avisaram do iminente ataque, o nativo, elemento da população, foi instruído para nos levar a cair numa emboscada já preparada. Por isso mesmo, e esperando a nossa saída do quartel para montar-mos emboscadas, tinham já eles colocado minas e armadilhas com granadas na estrada de acesso a Tite de Baixo e Tite Mancanha. Com um pavor medonho imagino a carnificina que seria. E por mi vi passar o dia em que na estrada de Nova Sintra rebentou uma mina. Revejo a correria dos “jipões” com os feridos, uns para a enfermaria, outros para a pista onde os helicópteros Alouette III os viriam evacuar. O seu destino era o fatídico hospital Militar de Bissau, e nos casos ainda de maior gravidade, a evacuação para o Hospital Central de Lisboa, o que para os sobreviventes era quase preferível, e uma sorte, para não suportarem uma guerra tão longa e arrasante. Destes hospitais por onde milhares de militares passaram e de onde tantos já saíram, mas não para continuarem o laborioso dia-dia que lhes é imposto, que lhes é obrigatório cumprirem. (Sabia-se que dentro da eterna política do esconder e camuflar a Guerra do Ultramar, foram dadas instruções rigorosas para que os feridos graves evacuados para a Metrópole, só fossem desembarcados no Aeroporto de Lisboa e enviados para o Hospital Militar da Estrela, de noite, muito discretamente, e no máximo secretismo) Sei que tudo o que mais temo não ficará por aqui. Sei também que tudo o que é francamente mau, tem tendências predominantes e que inevitavelmente se impõe sempre. Que posso fazer ? Estará na minha mão, sozinho regenerar o Mundo ? Não o creio, porque é impossível... Até ao próximo escrito, que não sei quando será, ou se o conseguirei fazer. Zé Justo
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Grande Guedes
...e eis senão quando....vejo prantado no blog o meu diário??!!
Agradável surpresa amigo.
Parece que foi ontem que compilei este trabalho, e já lá vão 5 anos!!!
O tempo passa que é uma pressa.
Ao reler hoje, tenho forçosamente que me remeter em pensamentos aquela época e como me sentia ao escrever estas linhas no diário, por acaso bem giro, que comprei na cantina lá em Tite.
Já disse e escrevi muita vez, como aqueles dois anos me deram cabo da cabeça, e acredita que passando os olhos por estas linhas, consigo reviver o estado de espirito da altura.
Amigo, obrigado pela surpresa e um abração.
Espero que tudo esteja nos conformes com o teu filho lá por terras de África.
Bom fim semana.

Justo

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sexta-feira, 2 de maio de 2014

O nosso capitão Paraiso Pinto celebra hoje 80 anos.



Para o nosso capitão Paraiso Pinto, um abraço de parabéns neste dia em que faz 80 anos.
Muita saúde e tudo de bom junto dos seus.

O Caldeira faz hoje anos



O ex-furriel Joaquim Caldeira da CCAÇ 2314, faz hoje anos.
Para ele muitos parabens e votos de boa saúde.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Velho diário imcompleto - pelo Zé Justo (pela sua importância histórica, voltamos a publicar o Diário do Justo, em 5 capítulos)

Velho Diário Incompleto Nota: Estes textos serão publicados alternados por vários dias. Para ver o Diário completo, abrir em Etiquetas “TITE - Diário” e começar a leitura pelo último Post e não pelo primeiro devido à sequência decrescente de datas e numeração. Intróito: ..........................................................................e pág. 1 de 7 Por alusão do amigo Guedes e ex-companheiro de armas, a um seu Diário escrito na Guerra da Guiné nos anos 60, e que no regresso à Metrópole, após dois anos de comissão, num rompante, decidiu larga-lo borda fora do navio UIGE, lembrei que também eu tinha feito uma “ameaça de Diário” exactamente na mesma época e local. Muito procurei e lá o descobri nos recônditos de montes de papelada e livros... Eis umas breves notas explicativas. Ficou pelo caminho esta tentativa de fazer um “Diário de Guerra” na Guiné...começou tarde e terminou cedo !! Estes textos não tem o mínimo de pretensões literárias, nem grandes “desanrincanços” de prosa, nem muita qualidade...mas são sinceros, porque foram vividos intensamente e escritos com o coração !! Estão bastante espaçados no tempo, porque não havia grande paciência para a escrita, nem disso eu era muito amante. Foram passados ao papel em ambiente de guerra, no quartel de Tite, sempre nas madrugadas daquelas longas noites e com pouco mais de vinte anos. Até para casa e família, as minhas cartas eram escassas e lacónicas. Anos mais tarde, disso bastante me penitenciei, pois a ausência de noticias muito fazia sofrer meus pais. Sempre me exprimi com algum sucesso, por palavras e “bonecos”. Ao invés, confesso a falta de jeito com a pena, para narrar no papel a catadupa e turbilhão dos meus pensamentos. Não inclui relatos pormenorizados dos ataques do PAIGC que sofremos, tendo-o no entanto feito em folhas de papel, com o intuito de mais tarde os incluir num capítulo em separado “Ataques ao Quartel” Infelizmente esses manuscritos levaram sumiço, o que é pena, pois continham descrições pormenorizadas, medonhas e sofridas, com número de mortos e feridos, estragos materiais, material de guerra capturado ao IN etc., dos maiores ataques efectuados durante dois anos. Ao meu rigoroso e saudoso pai, que muito me ajudou e com quem bastante “conflituava” naqueles tenros anos, a minha grata recordação. Só mais adulto, o comecei a compreender e verdadeiramente a amar. Muito me apoiou sobre todos os aspectos, neste amargo período da minha vida. Ele sabia dar valor ao que eram as saudades e o ambiente de guerra, pois como furriel miliciano de engenharia, tinha nos anos 38-40, também passado pela Guiné e feito comissão na Ilha do Sal, Cabo Verde. Sempre o vi, até à sua doença e ausência física, como um líder, sempre a estudar e elevar-se profissionalmente. Involuntariamente e com tristeza, cedo admiti, lhe ter dado vários desgostos. O seu grande sonho de ver os filhos Dê Rés; o “assentar”, casar e constituir família; depois de casado, o não querer ter logo filhos; o sair de casa pouco tempo após o regresso da Guiné; o nunca acabar o curso de programador no Centro Informático da RTP que ele chefiava, ficando-me pelo de Mecanógrafo, entre outras avarias pós Guiné, n’uns loucos anos, em que vivia como se fosse o último dia – noite, melhor dizendo - da minha vida. Mesmo assim, foi esse curso informático, que me proporcionou o primeiro emprego a sério pós Guiné, e onde curiosamente me metia com uma colega que não podia comigo nem um bocadinho, que tinha uns olhos lindos, e que infelizmente para ela, acabou por comigo casar e piedosamente me aturar com “pachorra” de santa há... 37 anos. 37 anos que me parecem 37 dias !!...Gosto mais dela do que torradinhas do meio !! Ainda sobre o pai: Todos sabemos e facilmente se adivinha o que seria naquele tempo e condições, a alimentação da “soldadesca”. Quando em comissão no Ultramar, era-mos obrigados a deixar cerca de metade do vencimento a um familiar na Metrópole, recebendo na zona operacional o restante. Como não conseguia tragar a comida do quartel, passava o tempo a “lutar pela vida” ora comendo no “Branco” ora alinhando nos petiscos que os camaradas arranjavam. Claro que isso trazia custos acumulados, e como o que recebia não chegava, passava a vida a pedir ao pai para me enviar a “pensão” de que ele era fiel depositário. O dinheiro da Metrópole tinha uma mais valia, pois “cambiávamos” por mais 10% em “patacão” da Guiné. Esgotei a pensão, mas ele nunca falhava com o apoio monetário, dizendo que lhe pagaria quando findo o tormento, já em “casa”, tivesse a vida organizada e começasse a trabalhar. Quando finalmente me vi regressado à casa paterna, com que alegria ele me dava as novidades.... A primeira refeição foi frango assado picante com bata frita às rodelas e esparregado salteado com alho (que eu adorava), depois o nosso quarto remodelado, nova televisão, obras na nova casa...tudo preparado para a recepção do” filho pródigo”. Por último - surpresa maior - a papelada para abrir uma conta bancária com todo o dinheiro da pensão de dois anos, que supostamente me teria enviado para a Guiné, mais uma verba que ele dizia ser de “juros do capital investido” !! Fiquei espantado !! Nunca mais esquecerei deste gesto. Muitos outros de grande generosidade se seguiram pelos largos anos que ainda viveu. A minha singela homenagem, ao grande homem que me vincou o carácter e do qual muito herdei. Zé Justo Maio 2009 Glossário: Bolanha - Grandes extensões de água pantanosa que serpenteiam por toda a Guiné-Bissau, onde se planta o arroz. Tabanca - Aglomerado de casas das populações nativas em barro e colmo. “Branco” - Único comércio/restaurante/bar, existente em Tite, propriedade de um Metropolitano branco. Patacão - Dinheiro na gíria da Guiné. PAIGC - Partido Africano para Independência Guiné e Cabo Verde, designação do único grupo de guerrilha que nos combatia na Guiné. IN - Abreviatura militar para Inimigo NT - Abreviatura militar para Nossas Tropas “Saidas” - Estrondo característico dos disparos de granadas de Morteiro e Canhão sem recuo. Morteiro - Lança granadas vertical de infantaria Canhão sem recuo - Lança granadas de infantaria, podendo ser montado num Jeep. RPG7 - Lança Granadas Foguete Roncos - Espécie de amuletos da boa sorte, normalmente em forma de cinto ou colar, usados principalmente pelos guerrilheiros, como “protecção”. Também se designavam por Ronco, as festas nativas. Choro - Comemorações nativas fúnebres. Tite 4 de Novembro de 1967 3,5 da manhã no Centro Cripto Não será um diário o que pretendo fazer. Não é isso que quero ao começar a analisar e mais propriamente ainda, conservar nas páginas em branco de um insignificante livro. Sei não ser este o meio mais usual para guardar ideias (ou talvez seja...) mas que me importa o cenário, se ao deixar transparecer um pouco de mi próprio me torna mais fácil o continuar sempre igual e terrível dos dias que amargamente terei que aqui passar. Mais um dia, igual decerto ao que há oito meses atrás marcou o começo pouco risonho de mais um marco da minha vida. Será um dia simples ??!!...ardentemente desejo que seja na realidade um dia simples. Só aqui nesta terra dos longos silêncios e das vistas largas pelas Bolanhas, sinto a felicidade do recordar das coisas pequeninas e sem história, mas que me faziam feliz. Sei que poderá ao contrário ser também um dia de desgraça, catástrofes e morte. Portanto um dia escuro como escuro é também o negro do luto, e amiúde, o tom da minha alma. Sei que poderá ser amargo e negro, em que mais uma vez sinta o terror que já tantas vezes senti. O mais desesperante, é a permanente incógnita, quando o dia começa a morrer e a negrura da noite cai sobre nós, o eterno receio de mais um ataque. Será hoje ? e quando ? durará muito ?... Apercebemo-nos que o dom auditivo se desenvolveu em todos nós de uma forma estranha. Conseguimos captar o mais estranho som a quilómetros de distância, o que nos proporciona as rápidas fugas para os abrigos ou postos de combate, logo que se ouvem ao longe os estrondos das “saídas”, denunciando o começo de mais um ataque. Mas que posso fazer ?? Não estou eu, bem como tantos, condenado às intempéries de um futuro tão sombrio ? Tão incerto como tudo o que conhecemos, um futuro que será tudo menos: risonho, feliz e tranquilo, um futuro que ficara talvez na minha memória como um espaço de tempo tão doloroso e amargo, tão terrífico que só a simples lembrança me causará medo. Tanto desejo que isso não aconteça que uma simples esperança se vai avolumando em mi de uma maneira tão categórica que já se tornou uma obsessão. Eu quero que o dia 8 de Novembro seja e desfolhar natural de mais uma folha de calendário. Quero que quando esta mesma folha tombar com a sua história passada, não seja uma data para fixar. O que há tempos atrás me parecia uma criancice, naturalmente hoje é um ardente desejo. Sinto que o mundo de fantasia e de boa vida vivida, repleto de esperanças e grandes planos, hoje, não está morto, mas sinto que está sobremaneira transformado. Transformado com a necessidade premente de uma aniquilação total e negligente para facilitar o alheamento da confusão em que me vejo. Recordo que no princípio da comissão, quase todas as minhas noites eram um manancial de belos sonhos e até de prelúdios mais ou menos longos e felizes. Tudo revivia, com a plena certeza de apenas os interromper por um tempo. Hoje, passados 212 longos e penosos dias, que se arrastam, essa convicção já nem sequer me torna feliz. Sobreposse à certeza bela e realizável, o monstro enorme e horrendo da incerteza e dos contínuos pavores. Tento não desanimar... Contudo tão difícil se torna já a ideia de que o tempo que imperiosamente ainda me resta de sofrimento nesta maldita, mas também tão bela terra, terá que passar tão lentamente que a sua lentidão me causa horrores. Não são os dias em si que me atormentam. É sim o que eles também contém e conterão, o que definem e hão de definir com o seu inconstante nascer e morrer. Relembro hoje a data de 19 de Julho de 1967, o nosso primeiro ataque em grande escala. Relembro, ainda mais recentemente, o dia 31 de Outubro e 1 de Novembro. Quantos dias como estes ainda terei mais que passar ? Quantos medos arrepios sentirei percorrerem-me todo o corpo até o sentir gelado ? Quem ganhará na realidade com esta guerra ? eu só vejo perdas...principalmente de vidas e de carácter, perante as durezas da guerra. Tantas perguntas e nenhuma resposta !! Tantos horrores, tanto sangue e morte ainda terei que presenciar para finalmente o dia glorioso do regresso se impor ao que tanto me torturou e fez sofrer. Quero logo que ponha os pés na minha amada Lisboa, apagar da memória estes malditos dois anos de Guiné. A constante de dois longos anos, é e será sempre tudo o que não quero, mas que forçosamente tenho que suportar. Tudo o que nunca imaginei poder ser verdade e concluí corresponder à verdade, à imagem real de factos sempre presentes em quem os passou e em quem os passa para mais tarde os abandonar e trocar por tudo o que são os “sonhos lindos”. Mesmo esses que tudo sofreram e agora tudo gozam, de certo se lembram dos que, e para quem, planos futuros lhes serviram a eles de mortalha e aos outros de lágrimas e dor. “Na paz os filhos enterram os pais, na guerra os pais enterram os filhos”...tanta verdade esta frase contém !! Já por duas vezes vi camaradas de armas morrerem, e por duas vezes senti que transpareciam em mi todas as quimeras por eles ansiadas e tão cedo a morte lhas ceifou nesta maldita Guiné. Dura experiência essa que passei. Duras horas também as que se seguiram. É nesses momentos que se sente o terror, a incógnita e obrigatoriamente uma pergunta se enraizou no meu cérebro que sinto já tão doentio: Quando será a minha vez ? será que também eu vou ter este fim? e se fico sem pernas, cego, condenado a uma cadeira de rodas para toda a vida ? Prefiro a morte, a ficar por metades, estilhaçado e dependente da caridadesinha alheia. Nunca !!.... Quando por fim me volto a sentir mais tranquilo, acredito que a vida me voltará a sorrir e serei de novo o insignificante mas feliz humano que só com 22 anos, tanta desumanidade já viu, viveu e teme, ainda viverá... Sei que tudo terminará, e tudo dentro de alguns longos meses, não parecerá talvez, mais que um simples sonho mau, o qual terminou quando acordei e vi frente a mi os rostos felizes de todos os que me são queridos, e a janela aberta para a vida convidando-me a entrar no seu seio de frivolidades, incertezas também, alegrias e nunca mais ódios. Vou esgotando dia a dia nesta vermelha terra, a capacidade de voltar a odiar !! Zé Justo

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Toque a doentes...

Mais dois companheiros se encontram em convalescença, após internamentos hospitalares, são eles:

Victor Manuel Lopes Serafim
"CAMARADAS;Grande marrada do destino,passei a Pascoa no Amadora-Sintra estou a recuperar, mas vou ter de voltar não é facil.
Um abraço para todos,espero estar em forma para o almoço.Até breve. 
SERAFIM"



Carlos Costa Ramos.

Os dois prometem estar presentes no almoço anual.
Para ambos os nossos votos de pronto restabelecimento.
Um abraço de todos nós.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Parede - algumas fotos enviadas pelo Costa.

Publicamos as raras fotos que temos e que foram enviadas pelo nosso amigo José Costa.

a Porta d'Armas

O Costa com o Jock, o cão do falecido Heitor








O Costa com dois companheiros

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Quartel da Parede - parte dum texto do Pica Sinos, já anteriormente publicado


Corria o mês de Março de 1967, no Centro Cripto do Quartel-general (QG), em Lisboa, entre três cabos e dois sargentos, quis o destino, que fosse eu a decifrar a mensagem que ditava a minha mobilização para a Guiné, ficando incorporado no Batalhão de Artilharia 1914, composto por três Companhias Operacionais e uma de Comando e Serviços, já em trânsito no Regimento de Artilharia Costa (RAC), em Parede, Carcavelos.
Não me espantou! A situação era mais que previsível para os jovens militares da minha idade.

Dou a notícia em casa à minha mãe, à namorada, hoje minha mulher. Com o meu pai, na altura internado no Centro de Saúde do Telhal, despedi-me com um abraço e um beijo, sabendo que era incerto encontrá-lo de novo com vida, por mim, que parto para o incerto, ou por ele, tendo em conta a sua debilitada saúde.

Após o curto período de férias, a 7 de Abril de 1967, um dia antes do embarque, já no quartel em Parede, entre dezenas de militares, procuro o op. cripto Justo, companheiro das noites de Lisboa, também ele mobilizado, na Companhia de Comando no mesmo Batalhão. Conheço o furriel de transmissões de nome Cavaleiro.
Aqui, além uma outra cara já conhecida. É-me indicado o Sargento a quem tenho que me apresentar.
…Onde andou rapaz? ….Não fez a instrução de aperfeiçoamento operacional (IAO), devia cá estar há um mês…!
Pergunte no QG….(Quartel General), foi a minha resposta.

Depois, foi arrumar na bagagem o camuflado distribuído e sair para jantar.Dia 8 de Abril de 1967, no cais de Alcântara, em Lisboa, despeço-me da família que me acompanhou ao embarque. Segue-se a formatura. Um emproado oficial superior e sua comitiva fazem a revista da praxe, o embarque das tropas sucede-lhe. Ao som da fanfarra militar e do acenar dos lenços, o paquete Uíge largou amarras. A Torre de Belém fica para trás, a ponte sobre o Tejo já não se vê, a terra é coisa sumida, os olhos há muito que estão rasos de água.
Pica Sinos
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Por coincidência, a SIC apresentou ontem, no seu programa do Jornal da Noite, ABANDONADOS, uma reportagem sobre a Artilharia de Costa, onde a Parede é referenciada.

http://sicnoticias.sapo.pt/programas/abandonados

e procurar em "ABANDONADOS: REGIMENTO DE ARTILHARIA DE COSTA".
___________________ 
Comentário a este programa da SIC:
"Antonio Guimaraes
Gostei imenso de ver o programa do jornalista Pedro Mourinho mas tambem alguma alguma tristeza ao ver ao estado em que chegou a Bateria da Parede do RAC.Era oficial miliciano e comandei interinamente o quartel da Parede desde 10de Março de 1974 ate 31 de Agosto de 1974.Ha 40 anos estive metido no quartel durante 15 dias sem sair. Tinha muito gosto pelo quartel da Parede.Gastei todo o dinheiro que havia a pintar a colocar telhas vidros etc.Fiz tiro com as mesmas peças em 1972 em S. Martinho ( Madeira ) Montei as granadas, espoletas e detonadores pelo livro de instruçoes.o que me valeu um louvor do grande oficial que era o Brigadeiro AIRES MARTINS( Governador Militar da Madeira )que tinha como ajudante de campo o Alferes Alberto Joao Jardim. Depois de ver o vosso programa pergunto-me a mim proprio a razao de ter arriscado a minha vida e aminha grande dedicaçao ao Quartel da Parede RAC.
Antonio Jose Eckenroth Sousa Guimaraes

Ex Alferes Miliciano"

domingo, 27 de abril de 2014

TOQUE A DOENTES...

Os nossos companheiros José Arrabaça e Fernando Santos, estão doentes.

O Arrabaça fez mais uma operação, cujo pós-operatório não tem corrido muito bem.
Espera no entanto ir ao almoço às Caldas


Já o Fernando Santos, a morar em França, tem também que fazer uma operação, que em principio está marcada para o dia 12 de Maio, pelo que não poderá estar presente no nosso almoço.

Para ambos os nossos votos de boas melhoras.

Quartel da Parede - Relembrando...

Fernando Limão
Ex-militar, não do RAC, mas de Infantaria como 1º Cabo Músico, no Regimento de Infantaria Nº 15 de Tomar, em 1986/87. O meu fascínio pelo RAC, tem origem no meu Pai, que foi Militar do RAC em 1961. A criação deste Blog, é uma forma, não só de representar, mas também, homenagear o meu Pai e todos os Camaradas que tiveram a Honra de servir o Regimento de Artilharia de Costa. Todas as fotos publicadas neste blog, são contribuições de todos os que serviram nesta Grande Família, que foi o RAC.

2ª Bataria da Parede
Esta Bataria, era o 2º reduto da defesa da costa marítima portuguesa, reforçando assim, o poder de fogo da 1ª e 3ª Batarias, respectivamente.
Cobria um área desde Cascais até Oeiras, e era equipada com 3 peças Vickers de 152mm de médio alcance.
   

   Peça em fogo real.


 Aparelho de telemetria.
 Neste aparelho, eram efectuados todos os cálculos,
 transmitidos ás peças, depois de obtidas as   informações necessárias, vindas do Posto de Observação.


 Boca-de-fogo em estado de abandono.


 Panorâmica da Bataria.


Ao lado, sempre alerta.




  Apesar do seu estado de corrosão, ela diz-nos que continua de sentinela.


 Porta de Armas da Bateria.
As histórias que ficam para sempre nestes portões.


   Apesar do seu estado de corrosão, ela diz-nos que vai continuar de sentinela.


 Brasão de Armas que se vai mantendo firme e
"Mostrando a ruda força que se estima".


 Peça em fogo real



Elevador municiador.
Por aqui vinham a munições do paiol subterrâneo.
 Portão de acesso ao paiol subterrâneo.



 Lá vão continuar de sentinela.

Sempre alerta.


 Sem a culatra, por questões de segurança.


 O pórtico junto à pista de obstáculos.



 Radiador de arrefecimento e entrada de ar do
grupo gerador de energia.


Ao lado, a vivenda dos graduados da Bateria.
   
Publicada por Fernando Limão

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Meu caro Fernando Limão
Foi com alguma emoção que deparei com este seu blog, simpatia dum camarada de armas, Raul Pica Sinos, que me indicou o endereço.
Fiquei deveras agradado com o que vi e com o seu relevante trabalho.
O nosso Batalhão de Artilharia, BART 1914, teve a sua concentração na Parede antes de seguir para a Guiné, em Abril de 1967.
Relembro aqui nas suas fotos todo aquele ambiente, na altura já bastante impróprio para que ali habitasse gente, como foi o nosso caso.
Mas mesmo assim foram tempos emocionantes para jovens mancebos que partiam para o desconhecido. Nós regressámos sãos e salvos, outros não, infelizmente, mas quase todos passaram por aquela Porta de Armas, do quartel da Parede.
Presentemente temos um blog dedicado ao pessoal do BART 1914, mas de acesso a toda a gente, onde, com a sua permissão iremos em breve publicar estas fotos, pois sabemos que elas vão ser do agrado geral.
O endereço é:
http://bart1914.blogspot.com
Muito obrigado pelo seu carinho para com este tema da Artilharia e pelo trabalho desenvolvido.
Muito obrigado.
Receba um abraço de todos nós, pessoal do BART 1914.
Leandro Guedes.
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7 comentários a este blog:

David Teixeira14 de agosto de 2013 10:48
Parabéns pelo blog.
Muito lamento ver em que condições se encontram as instalações e armas.
A falta de respeito pela história é uma prática infeliz dos nossos dias.
Penso que o exercito deveria de fazer mais alguma coisa neste caso em especial.
Esperemos de o vandalismo acabe.
Cumprimentos.

Filipe28 de novembro de 2013 08:46
Muitos parabéns por este excelente blog.
Tendo sido oficial miliciano no RAC é com tristeza, que vejo o estado em que está o que resta do património do regimento depois de ter sido desactivado.

Filipe Correia
  
helder alves29 de janeiro de 2014 05:54
http://www.cm-cascais.pt/noticia/assinatura-do-acordo-de-principios-para-criacao-do-museu-militar-de-artilharia-de-costa-2a
  
Nuno C22 de abril de 2014 08:46
boa tarde
Estive lá por duas vezes ao longo deste mês de Abril, a porta de ferro que dá acesso aos tuneis e paiois encontra-se completamente aberta, dos grupos geradores só resta o bloco e bomba injectora de um deles, foi ateado fogo em duas das divisões, o projector anti-aereo tem a base em uma das divisões e a parte do espelho está no tunel que dá acesso ao paiol da 3ª boca de fogo. Embora não tenha cumprido serviço militar fico triste ao ver o estado a que chegaram a maioria das Baterias de Costa.
Talvez me possa ajudar a perceber o que foi uma divisão desta Bateria de Costa. È uma divisão que tem talvez uns 30 mts de comprido e que parece um refeitorio ou cineteatro, o chão é de Tijoleira vermelha.
  
Nuno C22 de abril de 2014 08:51
Obrigado pelas excelentes fotos :)
  
Fernando Limão22 de abril de 2014 12:18
Essa divisão, é o Salão Nobre do Forte, era aí que se faziam os almoços e jantares de Gala dos Oficiais e onde foi assinado o Protocolo para o Museu de Artilharia de Costa com a Câmara de Cascais.
  
Nuno C23 de abril de 2014 04:45
Obrigado pelo esclarecimento :)
Esperemos que o Museu seja implementado pois é um crime deixar estas instalações a degradar-se.
Outra das Baterias de Defesa da Costa que gostaria de ver recuperada é a do Outão pela paisagem com que nos brinda :)
È pena que os deputados usem tanta vez os exemplos de outros paises para justificar certas coisas e não rentabilizem estes espaços como fazem os nossos vizinhos Espanhois.