Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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terça-feira, 3 de março de 2009

Do Cavaleiro

Amigo Zé, Eu prometi!!! A carta estava religiosamente guardada no fundo do BAÙ!!!! Eu sabia que existia!!! Acreditem que foi das poucas coisas que guardei! Porquê?! Esta carta reflecte a amizade, a brincadeira na base do respeito, traduz a minha forma de estar na vida como líder de um grupo – sempre apologista do máximo da liberdade aliado ao máximo da responsabilidade; reflecte a capacidade criativa que sempre admirei no Justo e que esta carta é o exemplo. Criativo na “história”, criativo no desenho, na certeza e na beleza da sua caligrafia. E como eu, também tu escrevias com caneta de tinta permanente, lembras-te? Desfruta deste bocadinho de papel e como eu, espero que dês sempre e sem hesitar (o Pica também) valor à nossa amizade, às nossas convicções e à nossa solidariedade. Obrigado Justo e Pica Sinos. Um abraço para todos, Cavaleiro .................................................. Que grande surpresa o Cavaleiro me pregou...não me lembrava nada da resposta ao postal ilustrado que ele nos enviou de Viana aquando das férias que veio passar à Metrópole.

A da "luz eléctrica" era mesmo para meter a faquinha, pois naquele tempo um dos temas fortes das conversas eram o confronto verbal sobre as "terras" de cada um.

A carta do "amor Guineense", está bem claro que se tratava de uma laracha para envenenar o ambiente amoroso com a namorada !! Aqui vai a "tradução do crioulo macarrónico":

Cavaleiro Meu Amor Quero que quando receberes esta minha carta estejas bem. Quero também que regresses depressa para minha casa, porque a tua presença me faz muito bem. Tenho muitos ciúmes, porque sei que tu estás muito feliz na casa aí na Metrópole. Todos os teus familiares, que te adoram, dispensam-te muitos mimos, mas sabes que quando estás na minha casa a tabanca da Rosa Balanta, e mesmo dando-me muitos chocolates, eu continuo a dar-te milhões de beijinhos na tua cova do ladrão. Eu a Rosinha (como tu me chamas) queria que me troucesses um vestido para o nosso casamento. Regressa rápido para perto de mim porque eu morro de saudades”.

Obrigado Chevalier por esta recordação.

Zé Justo

E O MIGUEL TAMBÉM SE JUNTOU Á FESTA

Caros Através de uma agradável e inesperada conversa com o Pica Sinos, tomei conhecimento deste blog. Foi com enorme prazer que revi este "papelinho", por mim assinado, e do qual, confesso, não tinha a mais remota noção da sua existência. Nem me lembrava que tinha o "cognome", (alcunha não é tão nobre), de TÉTÉ. Um grande abraço para todos e um especial agradecimento ao Raul por me ter proporcionado este agradável "regresso ao passado", que certamente vai ter futuro numa convivência que vamos reatar. Até breve. Um abraço José Miguel

3 de Março de 2009 23:24

segunda-feira, 2 de março de 2009

Nino Vieira e Tagme Na Waie

Tagme Na Waie, à esquerda na fotografia, e Nino Vieira em 2005, foto simpatia do Gooegle
com a devida vénia, do Público:
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""As chefias militares guineenses distribuíram hoje um comunicado de modo a esclarecer que não se encontra em curso nenhum golpe de Estado.
Os comandos militares fizeram questão de esclarecer que "irão respeitar os poderes constituídos e dialogar com o Governo" de Carlos Gomes Júnior, noticiou o correspondente da RDP África, Cipriano Cassamá.
No entanto, ainda nada foi dito sobre a concretização da via constitucional de resolver a presente situação: a ocupação interina da chefia do Estado, por um período de 60 dias, pelo actual presidente da Assembleia Naccional Popular, Raimundo Pereira, do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Por outro lado, "tudo está agora sossegado na cidade de Bissau, não havendo pânico", declarou ao PÚBLICO, num contacto telefónico, o professor catedrático Delfim Silva, que pertence à direcção daquele partido.
Acontece, porém, que bancos e casas comerciais estão encerrados, pouco trânsito se notando na capital guineense. Quase só se vêem carros militares e outras viaturas do Estado.
Quanto ao edifício do Estado-Maior General das Forças Armadas, ruiu por completo devido ao atentado bombista de ontem, no qual morreu o respectivo chefe, general Tagme Na Waie, tendo levado a que, como represália, fosse atacada de madrugada a residência do Presidente João Bernardo Vieira, Nino, onde este acabou por morrer.
O corpo de Nino Vieira encontra-se na morgue do Hospital Simão Mendes, mas ainda não existe conhecimento de quaisquer preparativos quanto ao seu funeral""
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com a devida vénia, do Correio da Manhã:
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""O general Tagme Na Waie estava certo quando dizia - e disse-o algumas vezes - que o seu destino e o do Presidente Nino Vieira estavam ligados e que se ele morresse Nino morreria também.
Depois de um passado turbulento de inimizades, os dois homens mais poderosos da Guiné-Bissau mantinham uma convivência artificial desde que o Presidente Nino Vieira regressou ao país em 2005 após um exílio de seis anos em Portugal.
Quando voltou e venceu as eleições presidenciais, Nino Vieira optou por um discurso de reconciliação. Estendeu a mão a militares, inimigos do passado. Um dos principais destinatários dessas suas mensagens de reconciliação foi justamente o general Tagme Na Waie.
O general fazia parte da Junta Militar do Brigadeiro Ansumane Mané que derrubou Nino Vieira no conflito de 1998-1999 e, na ausência de Nino do país, tornara-se entretanto Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA).
Além de terem sido inimigos nessa guerra, diz-se de Tagme Na Waie que, muitos antes disso, terá sofrido na pele a tortura do regime de Nino Vieira quando este travava uma luta contra a ascensão dos balantas, etnia maioritária de que Tagme Na Waie fazia parte.
Assim, quando em 2005 Nino voltou a Bissau e venceu as presidenciais, a grande questão que dominou conversas e alimentou receios foi a de saber como poderiam os dois homens conviver. Também se questionava como poderia Nino Vieira coabitar com o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, com quem entretanto se incompatibilizara mas que tinha vencido as legislativas de 2004.
Com efeito, assim que tomou posse, Nino Vieira demitiu Carlos Gomes Júnior e nomeou Aristides Gomes, da sua confiança. O mesmo não pode fazer com Tagme Na Waie, apoiado pelas chefias militares balantas, maioritárias nas Forças Armadas guineenses.
Com esses apoios, Tagme Na Wai teria porventura condições para recusar o regresso de Nino Vieira. Mas, segundo se disse na altura, sem confirmação oficial, Na Waie terá dado luz verde para o regresso do rival a Bissau, depois de intensas negociações, garantias e eventuais pagamentos, que envolveram governos regionais como o Senegal e a Guiné-Conacri, cujo Presidente Lansana Conte, entretanto falecido, era principal aliado de Nino Vieira.
Desde o regresso de Nino a Bissau, uma situação explosiva entre duas alas militares – uma afecta a Nino Vieira e a outra, com mais peso, balanta, e próxima da ex-Junta Militar que o derrubou há dez anos – era esperada.
E a estes conflitos do passado, acrescentou-se um dado novo: a Guiné-Bissau tornou-se um importante ponto de passagem da droga da América Latina para a Europa.
Os interesses à volta do tráfico podem ter exacerbado tensões ou, pelo contrário, servido para manter uma calma precária.
Até hoje.""
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com a devida vénia a euronews/google:
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""Depois do assassinato do Presidente guineense os militares comprometeram-se a respeitar a Constituição Nacional.
O homicídio de Nino Vieira é atribuído por fontes locais a militares descontentes, ligados a Ansumane Mané e Veríssimo Seabra, dois chefes de Estado Maior General das Forças Armadas, também eles assassinados em circunstâncias diferentes. A casa do Presidente guineense foi atacada na madrugada desta segunda-feira por militares das Forças Armadas, poucas horas após o Chefe de Estado-Maior, Tagmé Na Waié, ter morrido num atentado à bomba, em Bissau.
Sete dias de luto nacional foram decretados. Um porta voz do exército garante que a situação está sob controlo. No entanto, ainda nada foi dito sobre a concretização da via constitucional para resolver o vazio de poder instaurado. Segundo a Carta Magna a ocupação interina da chefia do Estado, por um período de 60 dias, deverá ser assegurada pelo actual presidente da Assembleia Naccional Popular, Raimundo Pereira. A Guiné-Bissau tornou-se um importante ponto de passagem da droga da América Latina para a Europa. Os interesses em torno do tráfico podem ter exacerbado tensões que certamente irão influenciar o futuro do país.""

domingo, 1 de março de 2009

O Correia... encontrado pelo Pica Sinos (o Carlos Reguila faltou à chamada)

EM ALGUEIRÃO SÓ O CONHECEM POR SR. JOAQUIM PARA NÓS SERÁ SEMPRE O CORREIA DAS TMS
A chuva que caía na Vila de Ranholas, na cercania de Sintra, não impediu o forte abraço que troquei com o Correia. Os anos naturalmente pesaram, mas as suas feições, o porte, o sorriso e as formas de estar comportamentais não mudaram, são as mesmas que, em terra distante com ele convivi há 40 anos. Foi imediata a reciprocidade no reconhecimento. Com este ex-1º Cabo Telegrafista, troquei as palavras num pequeno café em Algueirão, terra que adoptou depois do seu regresso da Guiné-Bissau. Antes, aos 18 anos, partiu da região minhota, mais concretamente de Sandiães - sua terra natal e pequena freguesia do secular concelho Ponte de Lima - para Cascais como aprendiz/servente na construção civil. Hoje os seus cães têm melhor “quarto de dormir” desabafa. A tropa veio a seguir, depois a procura no subir da vida, que foi a pulso, como mestre de pinturas no sector profissional que abraçou. Os parcos escudos que a profissão lhe proporcionava, deu para comprar um pequeno terreno, elevar paredes que serviam, primeiro, para arrecadação das tintas e de outros materiais, hoje sua casa. Casou, tem um filho emigrado na Suíça. Conta com tristeza o acidente que este, em miúdo, sofreu com uma moto bicicleta, felizmente recuperado fisicamente …eu não lhe a queria dar…preferia que comprasse um carro…mas a paixão pelas motos eram muito forte…diz. Também ele, o nosso amigo e camarada de armas, durante 7 longos anos sentiu horríveis dores em todo o seu corpo, originando inclusive a paralisação no andar, ao ponto de só poder deslocar-se em muletas. Gastou milhares de contos na medicina convencional, alternativa, e na acupunctura para recuperação, os resultados, esses, tardavam em chegar, quando, num dia, no final de 7 longos anos do padecimento, um sábado, o seu corpo foi, aos poucos, aliviado do sofrimento, no domingo seguinte melhorava, na segunda-feira estava curado. …Pica não me perguntes como? …milagre? …o conjunto de todas as medidas? …não sei …conforme veio foi, dou Graças por isso. Comentámos as fotografias que ilustram o texto. Este bom homem, consegue identificar praticamente todos os camaradas que nelas retratam, mas a surpresa deixou-a para o fim! …este aqui deitado és tu, ao teu lado o Justo, dormiam, quando do regresso no Uíge… Despeço-me do Sr. Joaquim, como é conhecido em Algueirão, certo que o reencontro, com muitos mais companheiros, será em breve! Pica Sinos
...mais um "guerreiro" encontrado, mais um "risco na coronha do revólver"...pelo esforço, e porque mereces, aqui vai uma gracinha. ...é p'ra dar polimento... Zé Justo

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Guerra colonial

Zé Justo

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O pessoal de Tite sempre foi muito avançado para a época ! Já em 67, fazia Graffitis nas paredes e paliçadas do quartel.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

DAR VIDA SEM MORRER !

Próxima quinta-feira dia 26 de Fevereiro, na RTP 1.
Após o Jornal da noite, a Catarina Furtado vai apresentar um programa com este título, falando sobre o estado actual da Guiné-Bissau.
Aqui fica o aviso para quem quiser assistir.

Reforma dos ex-Combatentes

A quem souber, solicitamos informações sobre as pensões/reformas que estão a ser pagas aos ex-Combatentes, se é que estão a ser pagas e qual a sua periodicidade - mensal, anual, etc . A divulgação do valor que recebem é facultativo, apenas se pedem informações uteis. Também é util saber se o pagamento é incluido na Reforma normal ou se tem um pagamento à parte e qual a entidade pagadora. Este assunto passa a ter Etiqueta própria para que seja mais fácil a qualquer um, consultar este assunto que é do maior interesse de todos. Nesta Etiqueta irão sendo arquivadas todas as considerações e comentários que forem feitos. Poderão responder a este assunto todos aqueles que já estão Reformados, transmitindo a sua experiencia, e também aqueles que em virtude das suas profissões estão dentro destes assuntos. Podem também tecer as considerações que acharem interessantes e úteis para todos os Companheiros. Abraços. *************************
INFORMAÇÃO...............
Este Complemento de Reforma, é pago anualmente e no meu caso é de 170,84 € !
É óptimo, e estou muito agradecido aos Srs. da ideia, porque me facilita a troca de carro todos os anos, e ainda sobram uns trocos.
Recebemos uma carta-aviso, informando do pagamento e do montante a pagar.
É depositado em conta, junto com o valor da nossa Reforma.
Qualquer dúvida, perguntem.
Zé Justo

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Relembrando o MADUREIRA... pelo Pica Sinos e Zé Justo.

SEGUNDO UM VELHO DE ALFAMA O MADUREIRA JÁ NÃO ESTÁ ENTRE NÓS Véspera do dia de Carnaval, a tarde está bonita, soalheira, sem vento, adivinha-se a primavera, os foliões esfregam as mãos de contentes, mas não me convidem, não sou muito feito a carnavais. Não que não goste, fazem me rir os trapalhões, mas não estou para aí virado. Prefiro dar um passeio na baixa da minha terra natal, há muito que não ando de barco. O rio fascina-me! Sentado, embalado pelo rasgar das ondas, avisto o estuário, com alguns, poucos barcos, lá longe, o Barreiro, os fornos da Quimigal. Enxergo também a abóbada da Igreja de Stª Engrácia/Panteão Nacional, a velha Sé que foi mandada construir por D. Afonso Henriques. No cimo o majestoso Castelo de São Jorge e todo a casario que o acompanha na colina. A Praça do Comércio está perto do meu olhar, veio-me à ideia o Madureira, aquele que foi 1º Cabo Rádio-Montador em Tite. Não hesito, vou procurar por ele no Campo das Cebolas, lá para os lados da parte baixa de Alfama. Do Cais do Sodré, vou a pé pela rua do Arsenal, recordo com saudade tempos idos onde por lá trabalhei, o Rei do Bacalhau, a Casa Testa/Casa das Moedas, a Mercearia Pérola do Arsenal, são estabelecimentos que não “envelheceram” ainda resistem. Direito à Rua dos Bacalhoeiros, atravesso as arcadas da Praça do Comércio, não poso deixar de tomar um café no Martinho da Arcada, passo pela frente Casa das Vassouras e das Rolhas, hoje estabelecimento muito pró fino, Já no Campo das Cebolas paro e entro na tasca onde há tempos largos encontrei o Madureira. À senhora que estava por detrás do balcão perguntei, diga-me por favor, (os homens jogavam às cartas) conhece um “rapaz” da minha idade que dá pelo nome de Madureira? Era estivador nos frigoríficos da carne ali no porto. Perante a sua incerteza disse-lhe que tinha umas orelhas bem desenvolvidas. …Ah esse retorquiu, é arrumador de carros ali na frente! Olhe, lá está ele sentado na cadeira pela sombra… Pé ligeiro, sorridente, lá vou ao encontro da personagem que me foi apontada, mas quanto mais me aproximava, mais dúvidas me sobressaltavam, até que na minha frente, vejo um homem alto, magro, mas reparo que parecido com o Madureira só nas orelhas por muito grandes. A conversa com o Sr. José Martins foi muito interessante! Fiquei triste por me dizer que fisicamente o nosso grande amigo e camarada já não está entre nós, aliviando aos poucos o desconforto, pela forma de estar e de comunicar deste velho arrumador de carros: …Claro que conheci o Madureira. Muito bom rapaz e falador! ….Dei-lhe muito trabalho de estivador quando eu era empregado na Casa das Sacas, agora há anos que está fechada…Sim é verdade ele tinha umas orelhas tão grandes como as minhas, mas não era meu familiar. …era muito bom rapaz…ao almoço, ele, de certeza que não vai…mas não se preocupe um dia vamos encontrá-lo… Deste homem, natural do Bairro de Alfama, despedi-me com amizade. Pica Sinos

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Mais uma vez as preciosas buscas por antigos companheiros de armas, feitas pelo Pica Sinos, me levaram a meditar. Como lamento o desaparecimento físico, mas não na lembrança, de mais um camaradão. O Madureira “Velhinho” como todos o tratava-mos com afecto, era de facto daqueles seres humanos de eleição. Era, dos com quem mais acompanhava no nosso dia a dia em Tite. Fazia também parte da família das Transmissões, pois era Rádiomontador, e muitas vezes era ele que me desenrascava, à revelia do furriel Rosa... uma ou outra ferramenta para as minhas permanentes engenhocas. Lembro que tinha um quarto contíguo à oficina dos rádios, também protegido por cima com sacos de terra e tinha como “missão” ser mais um abrigo durante os ataques. Foi nesse quarto, onde estava-mos vários abrigados num dos muitos ataques, que entrou a tal granada pelo telhado de lusalite ou chapa (não recordo) e se espetou numa das bancadas incendiando uns desperdícios, mas por grande sorte nossa, não deflagrou. Foi um dos grandes sustos !! Gostava mesmo do Madureira, era um excelente rapaz. Achei curioso a referência do Pica às orelhas dele...francamente, se eram grandes, não me lembro. Grande era a sua alma, disso estou certo. Muito pacato, sempre prestável, óptimo conversador, mas já naquele tempo me apercebia que tinha uma vida um pouco complicada. No entanto, nunca lhe ouvi um queixume ou alguma palavra de revolta, e misturado com agradáveis e longas conversas, compartilhamos muitos petiscos. Penso que não tinha família muito chegada, ou se a tinha, nunca falava de ninguém. Revi as fotos em que estou com ele, logo nos primeiros tempos de Guiné, quando ainda tinha-mos gosto por, aos fins de semana, vestir roupa civil e dar uns passeios ao redor do quartel, mas sempre nos perímetros do arame farpado...para evitar “surpresas desagradáveis” !! Recordo-o com muita saudade, mas tenho a certeza, que como merece, é mais uma estrela no firmamento. Um abraço “Velhinho”.

Zé Justo

Falando de munições... pelo Zé Justo

Associação Portuguesa de Coleccionadores de Munições http://apcm.home.sapo.pt/ Existem muitos temas de Coleccionismo, mas este não há dúvida que não deixa de ser original...coleccionar munições !! Estarão todas inertes ?!! A Associação tem por fim: 1 – O coleccionismo, estudo, investigação, restauração, conservação, catalogação, divulgação e defesa do património, na perspectiva histórica, científica e tecnológica, bem como a exposição recreativa ou museológica, das munições, cartuchos, projecteis, invólucros/cápsulas e pentes ou clips de carregamento, bem como de simples amostras dos diversos tipos de pólvoras usadas no fabrico de munições, nas diferentes épocas. 2 - O intercâmbio de informação, publicações e estudos, relacionados a estas actividades, com associações congéneres existentes no país ou no estrangeiro. 3 - Associar todas as pessoas e/ou organizações interessadas nestes fins. Contactos: Rua Sebastião José Costa nº14,2º Esq. 2925 Brejos de Azeitão (só para Correspondência) mailto:apcmuni@gmail.com?subject=Comentário Zé Justo

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Os Milicianos... pelo Pica Sinos

foto tirada junto ao abrigo/base do Morteiro
EM TITE – OS MILICIANOS - FORAM OS VERDADEIROS COMANDANTES Na crónica “Espólio de Guerra” publicada, no Blog, em Abril de 2008, escrevo que desde a constituição (do Batalhão) até à data da guia de marcha para embarque, 08 de Abril de 1967, a nível dos militares oficiais do quadro e milicianos, a designação para comando das companhias operacionais agrupadas, registou alguns ajustamentos nas nomeações, não sendo pacífica pelo menos uma…
Digamos que o autor sabe da contenda, mas ainda não tem criada a “vontade” para a sua divulgação, contudo, não quer deixar de opinar sobre factos que de algum modo podem (ou não) terem simultaneidade, a exemplo; a observada prática de comando e a vivencia no dia-a-dia no teatro das operações, da maior parte dos oficiais do quadro indigitados para nos comandar, para concluir, e no mínimo dizer que a “sorte” não nos bafejou, dada a incompetência e a prepotência da maior parte dos ditos oficiais.
Sabemos quão deficiente foi a preparação das NT para a especificidade da guerra colonial, e as dificuldades iniciais que encontrámos no desenvolvimento da actividade operacional que nos foi destinada, não fora a bravura no comando das operações dos oficiais e dos furriéis milicianos, creio que o nosso espólio de guerra em termos de vidas e sofrimento humano seria muito mais penoso, comparativamente com aquele que infelizmente assistimos, e que jamais esquecerei.
Lembro ouvir dizer que, entre esses oficiais, havia quem defendesse, ainda antes da partida, que se deviam distribuir aos militares raquetes de ténis, para devolver as granadas de mão que o IN eventualmente remessasse.
Ou um outro, que só tinha olhos para as alfaces, debaixo de forte flagelação ao aquartelamento, no silo dos morteiros, se agachou com as mãos na cabeça, tremendo como varas verdes, estorvando o melhor funcionamento para o contra ataque, óbvio será dizer que do mato só conheciam o nome.
Um outro não gostava que o incomodassem durante e quando dormia para lhe serem entregues mensagens de carácter urgente, chegando mesmo a ameaçar, cobardemente, com acções de violência física.
Não permitia, fosse qual fosse o militar, sentar-se ao seu lado no jeep que o fazia transportar.
Ou mandava “desencostar” da sua secretária, quem quer que fosse se com um dedo nela se apoiasse.
Este homem, anos mais tarde, cruzou-se comigo no Teatro Tivoli, em Lisboa, por ocasião de um sarau de ballet, onde minha filha e a sua participaram.
Teve a coragem de virar a cara para evitar o cumprimento.
Quero finalizar dizendo que estas breves palavras, não foram fruto de qualquer conversa ou recolha de informação prévia, mas somente a percepção de quem esteve no terreno, conhecedor dos factos e observador atento.
Correndo o risco de estar a ser injusto ou ter falhas na precisão, não posso nem devo esquecer aqueles - tenho a certeza que muitos dos meus camaradas partilham da mesma opinião - homens que foram oficiais e furriéis milicianos como os verdadeiros comandantes na guerra em que participei. Para eles o meu maior respeito e admiração.
Pica Sinos

O António Mestre de Mertola mandou mais fotografias