



“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”
(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).
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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"
(José Justo)
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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”
"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"
António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente
referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”
Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."
Não
voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui
estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.
Ponte de Lima, Monumento aos Heróis
da Guerra do Ultramar




Bom dia amigos Queria apenas dizer-vos que até ao fim do mês de Agosto, a minha participação no blog vai ser muito fraquinha. Durante este periodo terei apenas acesso a um Cybercafé onde irei sempre que possa. Espero no entanto que vão comentando e dando ideias. Não se esqueçam que continuo à espera das fotos de cada um. Já pedi ao Pica e ao Justo que vão fazendo a gestão do blog. Fica bem entregue como sabem. Não vamos deixar morrer isto, seria uma vergonha! Um abraço a todos, boas férias. Leandro Guedes
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Zé Justo
O Guedes quer desistir de ser o continuador do Blog do Bart. Diz que não tem tempo nem meios (?)Quer encarregar-me de ser o seu seguidor. Não me parece justo.E por mais eu não posso aceitar essa tarefa, uma coisa é escrever uns textos, outra coisa é ser responsável por uma coisa que o amigo com tanto carinho criou.Já lhe disse em tempos que não aceitava que convidasse o Justo e porque não o Costa. E ainda outros: O Claro, O Cavaleiro, etc.Eu não posso aceitar essa responsabilidade ou melhor não devo.Sou da opinião que ele vá fazendo as coisas na medida das suas possibilidades.O que é que pensas disto?
Pica Sinos ------ É pá, que grande bolada !!Eu já temia que isto acontecesse ! è um trabalho que necessita de muito tempo.Eu sempre pensei que serias o continuador do Guedes, és o que tem maisfacilidade nos textos e que mais te tens dedicado a seguir a ele.Eu gostaria, mas o tempo não me sobra. Ajudo muito a minha filha nos trabalhospara apoio ás aulas, e nos bocaditos lá vou fazendo umas recolhas e depoismeto tudo no Blog de rajada.Não creio que o Cavaleiro pegue nisto, nunca o achei muito motivado.Se na realidade não poderes, o Costa se tivesse disponilidade era o homemideal.Olha não sei o que pensar, volto a dizer que tenho pena que o Guedes desista.Agora uma pequena nota, de tanto pessoal que foi ao almoço e tantos contactoshavidos, quase ninguém deu um arsinho da sua graça, e deve ter sido isso quetem desmotivado o Guedes.Eu admito que me tenho desleixado, mas é compreensivel que o Blog me tenhaocupado, é o intusiasmo da novidade, e depois os teus textos mais quealegravam o trabalho do Guedes.Vai fazendo pesquisa, e pf vai-me dando novidades.Um grande abraço Zé Justo ------ nota - Zé e Pica eu não digo que desisto, nem pensar. Apenas vou estar menos interveniente durante uns tempos. Pode ser que a malta se chegue. Além de que percebo que o blog precisa de sangue novo, é sempre a mesma lenga lenga... Um abraço. Leandro Guedes
"Poema de Domingo Aos Domingos as ruas estão desertas e parecem mais largas. Ausentaram-se os homens à procura de outros novos cansaços que os descansem. Seu livre arbítrio alegremente os força a fazerem o mesmo que fizeram os outros que foram fazer o que eles fazem. É assim as ruas ficaram mais largas, o ar mais limpo, o sol mais descoberto. Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas e espetarem o ventre e alargarem os braços no amplexo de amor que só eles conhecem. O olhar aberto às largas perspectivas difunde-se e trespassa os sucessivos, transparentes planos. Um cão vadio sem pressas e sem medos fareja o contentor tombado no passeio. É domingo. E aos domingos as arvores crescem na cidade, e os pásssaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas. Tudo volta ao princípio. E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume de vacas e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo, enquanto o transeunte, no deslumbramento do encontro inesperado, eleva a mão e acena para o passeio fronteiro onde não vai ninguém. António Gedeão"
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biabisa disse... Olá amigo!
Neste poema, António Gedeão esqueceu-se da solidão dos idosos.O comércio que os diverte, fecha. Os filhos nem sempre aparecem, ou quase nunca. Não passeamos a pé porque somos esquecidos. E mesmo com ruas larguíssimas a solidariedade é pouca e louca. Ainda por cima se não pudermos ler, ou se, financeira ou físicamente, não se puder ir ao Centro Comercial ou ao cinema, marcamos muito demais o sofá, deixando-nos matraquiar todo o dia por uma TV que nada nos diz, mesmo com 40 ou 60 canais.
Atenção a isso amigo! Nem todos temos família e os amigos, cada vez menos, se acham com vontade de nos aturar.
Luísa
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Raul Pica Sinos disse... Biabisa
Com o devido respeito, não sei se concordo totalmente consigo quando refere, “António Gedeão esqueceu-se neste poema, da solidão dos idosos”.Não sei se foi “ele” que se esqueceu? Não terão sido os filhos, O Estado, A sociedade?
Gota de Agua
Eu, quando choro,Não choro eu.
Chora aquilo que nós homens Em todo o tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas Mas o choro não é meu!
António Gedeão
Tenha um bom domingo.


Acabo de receber a seguinte mensagem: É com profundo pesar que informo que o meu avô Major General Hélio Felgas faleceu hoje dia 23 de Junho de 2008. O seu corpo vai estar em velório na Igreja do Campo Grande. O funeral será esta Terça, dia 24 de Junho, às14h30, no Cemitério do Alto de S. João. Gostaria de agradecer àqueles que fazem durar as notícias e histórias do grande homem e exemplo que foi o meu avô. Nunca o vi como tal, para mim sempre foi um Pai. Descansa finalmente em PAZ . O Neto - Miguel Felgas Rezende miguel.rezende@sapo.pt ------ Meus amigos, não estava a contar com esta noticia. Alguns acharão que a foto que publico não será a mais adequada para esta altura. Mas eu acho que mostra bem a sua simplicidade, porque não hesitou tirar uma foto com o mais simples soldado básico do nosso Batalhão, o Pedro. Muitas histórias poderão ser contadas da sua passagem pelo nosso Batalhão e aguardamos por elas.
No primeiro almoço que fizemos, consegui contactar com ele pelo telefone, tendo-me dito que não comparecia ao mesmo, devido a doença da sua esposa. Prometeu vir no ano seguinte, mas não veio. Sei que alguns colegas entretanto também falaram com ele, mas nunca lhe foi possivel acompanhar-nos num almoço. Paz à sua alma.! Leandro Guedes ------ Uma história veridica...
O nosso brigadeiro Helio Felgas, homem culto, era o comandante de Batalhão.
O Pedro, soldado básico, oriundo do Algarve, homem simples. Mas o nosso comandante tinha pelo Pedro uma agradavel simpatia...
E o Pedro, tinha um sonho: poder comprar um fato completo, camisa e gravata. Nunca na vida tinha tido tal património. E assim foi, logo que teve dinheiro comprou a indumentária completa, não me lembro já se foi no Djamil ou se foi em Bissau. Mas salvo erro foi o Serafim que ficou encarregue dessa compra nas suas deslocações a Bissau. O fato veio e foi feita a prova. Assentava-lhe que nem uma luva e o Pedro era o homem mais feliz do mundo, de fato, camisa, gravata ( e também sapatos novos, meias e cuecas novas...) e um rádio transistor que havia comprado há algum tempo. Eis se não quando, dois ou três dias depois, o cap. Vicente me pede (?) que vá vestir o Pedro a rigor, para ir ter com o nosso Comandante à messe de oficiais. O nosso Comandante soube que ele tinha um fato novo e queria vê-lo assim vestido. Fui à procura do Pedro e toca de o meter debaixo do chuveiro. O rapaz vestiu-se a rigor, fez a barba, pentiou-se e até pôs fixador. Não quis levar o seu rádio transistor, mas bem vestido no seu belo fato era um homem feliz e transparente. Só se ria, não tinha outra reacção, só se ria. Levei-o até à messe de Oficiais. O cap. Vicente fez as honras da casa. O nosso brigadeiro Helio Felgas, recebeu o Pedro com o seu sorriso aberto e franco, uma palmada afectuosa nas costas, conversou com ele, quis saber da sua familia, namoradas, e dispensou-lhe toda a simpatia. Fez-lhe um brinde com uma qualquer bebida, que não me lembro, a que corresponderam os oficiais presentes na messe naquela altura. O Pedro foi um homem feliz...
(alguém se lembra deste episódio ???)
Leandro Guedes











Zé Manel
EM BISSAU ELE NÃO DEIXOU CORTAR UMA DAS MÃOS
Todos nós sabíamos que o IN era conhecedor do terreno com grande pormenor e a sua organização militar era forte. Tinha o apoio das populações e, dispunha de um potencial de meios de guerra igual se não superior aos do Batalhão.
Do conhecimento existente à data, numa escala de 0/20, o nosso Batalhão, como consequência das operações que desencadeou, assim como das emboscadas, minas e flagelações que o IN lhe infligiu, incluindo os acidentes, não deve ser difícil aceitar, tendo em conta o elevado numero de mortos e feridos, que a sua posição era pelo meio dessa escala. (ver texto Espólio de Guerra/publicação do Blog Bart1914 em Março de 2008)
Por vários níveis da hierarquia militar, como consequência de toda esta operacionalidade, o número dos militares condecorados ou louvados foi também elevado, ainda assim, tenho na ideia que ficou incompleto, em minha opinião pelo menos um falta.
A presente história resultou de uma conversa durante um dos almoços de confraternização em que eu participei e dada sua importância creio que não é justo deixar ficar por contar:
O Pelotão de Morteiros 1208, por volta do mês de Julho de 1967, foi para Tite substituir um outro Pelotão em fim de comissão. Para além do comandante (Alferes), do Furriel e dos outros operacionais, incorporava três motoristas; um cabo e dois soldados, cujas funções eram, no fundamental, iguais aos demais, a condução das viaturas ficava quase sempre para segundo plano.
O posto/abrigo dos morteiros estava situado (próximo dos geradores), entre duas torres de vigia, considerado o mais importante para a defesa do aquartelamento, na medida em que, era o único provido de telefone ligado às torres, recebendo delas coordenadas/instruções dos alvos a atingir por ocasião dos ataques ao aquartelamento que foram muitos.
Para quem não tenha conhecimento destas coisas, os postos/abrigos dos morteiros estavam construídos em Tite com se fossem “poços de água” de diâmetro de entre 12/16 metros e de profundidade para mais de 2 metros. A peça de artilharia estava colocada ao meio desta construção, o acesso para o turno/operacionalidade era por via de uma escada.
Ainda dentro destes postos, havia uma pequena entrada que dava acesso ao chamado abrigo, aqui, guardavam-se as caixas de munições e variados materiais de suporte a estas peças de artilharia de calibre 81.
Na noite do fim do ano da chegada do pelotão a Tite, um dos “gasómetros” (na prática uma garrafa com uma torcida), que dava luz ao posto, motivado não se sabe bem o porquê, mas que se presume que tenha sido pelo vento, caiu sobre uma caixa contendo cargas propulsoras que, espalhado o liquido em chamas por elas, provocou de imediato um forte incêndio.
O clarão foi de tal forma intenso que quem estava de serviço ficou “cego”, não conseguindo identificar o local onde estava colocada a escada que lhe dava acesso à fuga para o exterior do morteiro. Já reposto e consciente do iminente desastre, optou, o militar de serviço, por agarrar na caixa em chamas e, arremessa-la para bem longe daquele inflamável local, evitando, com o seu gesto, danos incalculáveis quer físicos quer materiais.
Evacuado nessa mesma noite por helicóptero para Bissau, onde lhe queriam cortar a mão direita, foi no final de 4 semanas foi transferido, em voo comercial, para Lisboa a fim de ser internado no hospital militar. A “reparação” levou 24 meses e no fim deste tempo, já depois do seu Pelotão estar desmobilizado, os “pensantes militares” queriam que ele ainda fosse acabar a comissão à Guiné. Este homem dá pelo nome de José Santos Amaro (O Alcântara).
Pica Sinos
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Infelizmente houve um colega nosso, também dos Morteiros, que após colocar a granada dentro de tubo para ser lançada, não me lembro porque motivo, foi mais lento a retirar a mão e a granada cortou-lha instantaneamente. Esse jovem é de Lamego, já organizou um almoço na sua terra, um dos memoráveis, e foi também ao almoço do ano passado em Pedras Rubras, organizado pelo Viana. Este ano não apareceu.
Leandro Guedes
Como nem só de tropa vive o homem e para inicio de conversa eu não alinho no pensamento imanado dos politicos do governo ou da oposição, sejam eles quem forem e muitos menos de comentadores papagaios "que quando não sabem, explicam" nem tão pouco de jornalistas a maior parte das vezes mal informados e impreparados para as matérias que abordam nos seus longos telejornais.
Lavadeira de Tite, amamentando o seu filho