Batalhão de Artilharia 1914

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“Se servistes a Pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis e ela, o que costuma”


(Do Padre António Vieira, no "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669. Lembrado pelo ex-furriel milº Patoleia Mendes, dirigido-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar.).

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"Ó gentes do meu Batalhão, agora é que eu percebi, esta amizade que sinto, foi de vós que a recebi…"

(José Justo)

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“Ninguém desce vivo duma cruz!...”

"Amigo é aquele que na guerra, nos defende duma bala com o seu próprio corpo"

António Lobo Antunes, escritor e ex-combatente

referindo-se aos ex-combatentes da guerra do Ultramar

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Eles,
Fizeram guerra sem saber a quem, morreram nela sem saber por quê..., então, por prémio ao menos se lhes dê, justa memória a projectar no além...

Jaime Umbelino, 2002 – in Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, em Torres Vedras
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“Aos Combatentes que no Entroncamento da vida, encontraram os Caminhos da Pátria”

Frase inscrita no Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar, no Entroncamento.

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Sem fanfarra e sem lenços a acenar, soa a sirene do navio para o regresso à Metrópole. Os que partem não são os mesmos homens de outrora, a guerra tornou-os diferentes…

Pica Sinos, no 30º almoço anual, no Entroncamento, em 2019
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"Tite é uma memória em ruínas, que se vai extinguindo á medida que cada um de nós partir para “outra comissão” e quando isso nos acontecer a todos, seremos, nós e Tite, uma memória que apenas existirá, na melhor das hipóteses, nas páginas da história."

Francisco Silva e Floriano Rodrigues - CCAÇ 2314


Batalhão de Artilharia 1914, Tite/Guiné

Não voltaram todos… com lágrimas que não se veem, com choro que não se ouve… Aqui estamos, em sentido e silenciosos, com Eles, prestando-Lhes a nossa Homenagem.

Ponte de Lima, Monumento aos Heróis da Guerra do Ultramar


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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Bau de recordações, pelo Zé Justo











Guedes

Ao dar uma visitita de olhos pelo "dossier Guiné" pensei que estas fotos fossem interessantes para ilustrar o Blog do BART. Escusado será dizer que a opção é tua.

A foto em que estou "antes-depois" poderá servir para que o pessoal alheio a isto se aperceba do que nos transformávamos fisicamente em tão curto espaço de tempo.Claro que nem faço referências ao que as nossas cabeças "martelavam "!! é dificil contar o incontável!!Bom inicio de semana, bons estudos e bons passeios.

Zé Justo
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Monteiro


Esta fotomontagem é autoria do Zé Justo
Monteiro tens que dar um beijinho ao Zé Justo quando o encontrares...

O Almoço entre o Pica Sinos, o Palma e o Zé Manel








FUI ALMOÇAR COM O MANUEL PALMA E COM O JOSÉ MANUEL
O BOTAS VEM A SEGUIR


Do almoço que marquei com o Palma, há hora marcada, respondendo ao convite no Blog apareceu o José Manuel e demos aquele forte abraço a quem há cerca de 40 anos não o víamos – o Palma –.

O almoço teve lugar no restaurante Arizé no Pragal/Almada, não foi a quatro porque o “desenfiado” Botas, convidado em cima da hora, não pôde participar.

Devidamente acomodados, enquanto não vieram as migas a acompanhar o entrecosto fomos conversando na companhia de uns tintos – Monte Velho – carapauzinhos fritos, queijo e chouriço. Uma delicia.

O tema começou naturalmente pela família: o Zé já casado há 40 anos tem um casal, mas netos “cá tem”. O Palma, a pensar na reforma, é casado em segundas núpcias. Pai de duas meninas também não é (ainda) avô. Depois recordámos passagens em Tite, dos amigos, das tertúlias, da sorte e dos azares, algumas das histórias que “pincelámos” a seu tempo prometeram contar.

Entre muitos outros; falamos do Justo, do Guedes, do Henrique, do Gentil, do PP, do Cavaleiro, do Luis (rádio montador) que tem uma fabrica de marionetas”, do Matos, do Costa que ficou de organizar o próximo almoço em Ovar, do Monteiro, do Serafim, do Bagulho, do falecido Heitor e de outros que já não estão entre nós.

Combinamos engatar o Gentil, que mora em Vila Verde, para os lados do Cadaval, para o “convidar” a almoçar na terra dele. Que Henrique não vai escapar da caldeirada em Peniche - diga-se de passagem está farto de convidar a malta -. Um amigo que também veio à “baila” foi o Arrabaça e outros, muitos outros.

As horas passaram num ápice, despedimo-nos com um até breve, não antes de o Manuel Palma fornecer a sua morada electrónica, cuja recepção fica à responsabilidade da sua filha mais nova. manelpalma@netcabo.pt – portem-se bem até breve.

Pica Sinos
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Amigos
Grande almoçarada deve ter sido.
Ficamos à espera que traga bons escritos deste vosso encontro.
Um abraço amigos
Leandro Guedes

Madrinhas de Guerra... pelo José Costa

Apesar do ridiculo que hoje suscita, não deixa de ser verdade que naquele tempo, as madrinhas de guerra preencheram muitas horas de todos nós.
Estas eram as cartas com que nos escreviamos, chamados aerogramas. Eram endereçados para um SPM (Serviço Postal Militar), seguido de um numero, em que o nosso era salvo erro o 4268 (seria?) e sem mais nenhuma identificação, além do nosso nome, claro!
Amigos!!

Hoje quero falar do papel que as "MADRINHAS DE GUERRA" tiveram nas vidas de muitos de nós que fizeram a Guerra Colonial.

Quase todos nós deixamos tudo: Mães, avós, noivas, mulheres, filhos, sonhos etc. Tudo enfim, para cumprir o seu dever de soldado.

Recordo-me com saudade, quando se houvia o roncar de uma DO ou o DAKOTA a expectativa que se gerava entre nós: Olha é o correio a chegar, diziam uns. Olha que não diziam outros. A verdade é que corríamos para a "pista" ver a carga do avião. E alguns momentos depois, lá estava o nosso Hipólito a chamar um a um. E era ver os olhos daqueles que recebiam uma ou mais cartas em contraste com outros que nada recebiam. Eu era um felizardo. Rara era a vez que "lerpava".
Então, além das cartas da família, também tinha uma Madrinha de Guerra. De seu nome Maria da Graça. A minha madrinha, foi uma "companheira" durante mais de um ano! Nesse período que me escrevia, eu apreciava bastante as palavras de carinho, conforto e principalmente de alento para superarmos aqueles momentos dificeis e traumáticos da Guerra Colonial.
Quando cheguei à Metrópole devia, até por obrigação moral, de ir procurá-la até para a conhecer pessoalmente. Mas a vida tem destas coisas. Numca a procurei, mas numca a esqueci. Era um dever moral que eu tinha de concretizar para lhe agradecer o trabalho e a dedicação que sempre teve comigo naquele período dificil.
Pois hoje resolvi ir procurá-la para a conhecer pessoalmente, e encontrei-a!! Já se passaram 40 anos! Mas valeu a pena. Estive um hora com ela a recordar os caminhos que cada um traçou a partir de Fevereiro de 1969. Vamo-nos encontrar mais vezes concerteza, mais a mais que agora sei onde vive.
Bem haja a todas as Madrinhas de Guerra, que contribiuram para a felicidade de muitos de nós ex-combatentes.

José Costa
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Amigo Costa
Cada vez mais me interrogo que magia é esta que fez deste tempo em que estivemos todos juntos na Guiné, um futuro de amizades e vivencias inexplicaveis.
E a prova está no teu interesse em procurares a tua Madrinha de Guerra. Foi um gesto muito simpáctico da tua parte e acho que para ti foi um momento de grandes emoções.
Eu também tive a minha, apesar de ela nunca se assunir como tal, mas para mim foi a minha Madrinha de Guerra.
O que aconteceu é que depois de vir do Ultramar, arrastei-lhe a asa e em Março de 1971 estava no altar para dizer o "sim". E com ela tive um filho e uma filha, que já me deram um neto e duas netas.
E continuo casado ao fim de 37 anos...
Parabens amigo por trazeres à nossa memória mais um trecho importante da nossa passagem pela Guiné.
Leandro Guedes

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O Refeitório de Tite...

Nesta foto, tirada no refeitório de Tite, podemos ver o Abreu, o Rui Cautela, salvo erro o Viana ao fundo, o Hipólito e muitos outros

MUITOS DE NÓS NEM NA FORMATURA DO REFEITÓRIO NOS APRESENTÁVAMOS SABENDO ANTECIPADAMENTE O “MENU”

Creio que o Guedes ao criar o Blog Bart 1914, teve como objectivo dar a conhecer e deixar gravado no “papel” histórias, crónicas, episódios e ou acontecimentos que marcaram dois anos da nossa vida em Tite e, também o mesmo no que diz respeito às dos familiares, seus ente queridos, espalhados por este país fora, antes e depois desse mesmo período.

Para além disto, sou da opinião que não é menos importante o conhecimento das mudanças que ao longo dos anos, a todos nós, a vida nos emprestou. O Guedes, para isso, deu um excepcional contributo (!) é bem visível o entusiasmo e o ânimo já de muitos na participação desse objectivo, quer escrito, quer fotográfico (a imagem diz mais que mil palavras) ou ainda presencial, exemplo disso foi o nosso último encontro em Salir do Porto. Sem desprimor para o primeiro (que deu muito trabalho) e os outros, certamente, que lhes seguiram.

Nas histórias/crónicas que tenho vindo a desenvolver procuro enquadra-las nos objectivos do autor do Blog 1914. Não “carrego” muito quando descrevo desgraças, contratempos, reveses ou outras situações, nós sabemos como foi, não desvirtuando, penso que uma “pincelada” dos factos passados é quanto baste, mas….há sempre um mas…. Nas crónicas “revestidas” com as tertúlias estão implicitamente referências à escassez, à qualidade dos alimentos e ou mesmo fome…… é exactamente disso que hoje vou “pincelar”.

Parafraseando o Alferes Rosa (a quem eu rendo o maior respeito e admiração) numa das passagens do seu livro “Memórias de um Prisioneiro de Guerra”, quando faz referencia às refeições que eram servidas na messe dos oficiais em Tite, mais concretamente na página 38, escreve: ……”Comia-se muito bem naquela “pousada”. Havia sempre sopa, um prato, (normalmente carne), sobremesa e sumo de laranja………vinho acompanhava às refeições……. Pois; mas para os restantes militares não oficiais, menos os sargentos, as coisas não se passaram da mesma forma. A escassez a qualidade dos alimentos e a fome era uma realidade na maior parte dos dias, apesar de estarmos a 30/40 quilómetros, linha recta, de Bissau.

O pavilhão que incluía o refeitório apresentava no topo norte a padaria e no topo sul a cozinha. O espaço destinado às refeições dos praças e cabos tinha mais ou menos uma área de 200 metros quadrados, não tinha portas, no meio algumas colunas a sustentar o tecto que era de zinco, o resto eram bancos corridos e mesas em madeira muitas decoradas com frases de escárnio e mal dizer. Nos lados, já no exterior, quer à esquerda quer à direita, dois bidões para os despejos dos restos.

Obviamente que todos os dias tínhamos três refeições:
Ao pequeno-almoço: em cada mesa duas cafeteiras enormes com café e outra com leite condensado misturado com agua em excesso não fosse a malta ficar com o “fígado estragado”, um pão (vulgo carcaça), acompanhado alternadamente com marmelada, doce ou margarina e ainda dois comprimidos. Sobravam os comprimidos e as borras do café.

Ao almoço: sopa, um prato, vinho adulterado para não azedar, mesmo assim não nos livrávamos por vezes do “pico”, agua, pão em fatias, fruta enlatada e três comprimidos. A sopa, servida em terrinas, era sempre de feijão com hortaliça, só mudava a cor do feijão, ora branco, ora manteiga ou encarnado. A base da refeição sólida, também servida em terrinas, durante cinco dias era o arroz misturado com o que houvesse, na maior parte com salsichas, sardinhas ou ovos (alimentos que hoje detectados pela ASAE iam para o lixo) ou a acompanhar aparas de peixe seco, os restantes dias; as refeições eram servidas com feijão só de uma cor ou misturado, a acompanhar alguma carne, algumas fatias de chouriço (e não tinha que chegar atrasado à mesa senão lerpava) os gorgulhos também não faltavam. Por vezes, quando chegava algum “carregamento da carne”, (ver foto) a dita cuja vinha à mesa com as batatas guisadas rijas ou espapaçadas. Batatas cozidas só me lembro uma vez, por ocasião do Natal, a acompanhar uma posta tísica de bacalhau. Sobravam parte dos comprimidos, alguns pratos da refeição base ficavam limpos porque não tinham sido utilizados. Ao vinho muitos não lhe tocavam, para quem tinha dinheiro, havia sempre a alternativa a……. Cerveja. Sumos, esses, só na messe dos oficiais.

Ao jantar a história repete-se: sopa, um prato, vinho adulterado para não azedar, agua, pão em fatias já pró duro. A sopa, servida em terrinas, era sempre de feijão com hortaliça, só mudava a cor do feijão, ora branco, ora manteiga ou encarnado. A base da refeição sólida, também servida em terrinas, durante cinco dias era o arroz misturado com o que houvesse, na maior parte com salsichas, sardinhas ou ovos “prensados”, ou a acompanhar aparas de peixe seco, os restantes dias; as refeições eram servidas com feijão só de uma cor ou misturado, a acompanhar alguma carne, algumas fatias de chouriço. Sobrava quase tudo porque muitos de nós nem na formatura do refeitório nos apresentávamos sabendo antecipadamente o “menu”. Valendo-nos muitas vezes os então “petiscos”, os pequenos-almoços na tasca do branco Silva e das mangas que em abundância existiam em Tite. Isto era no aquartelamento. A “coisa” agravava-se com as dificuldades do reabastecimento de comida quando os meus camaradas saíam para as operações durante dias.

Lembro-me de uma cena junto do pavilhão dos sargentos: Estava o Vítor, o falecido Rui Cautela e um terceiro a conversar com o então Capitão P.P. quando me chamaram ao verem-me sair do Centro Cripto…….Oh Pica como é que estava hoje o almoço? Uma porcaria, nem pus lá os pés disse eu. “Tá a ver Capitão”, disse um deles, o resto já mais não ouvi. Sei que nesse dia houve uma tentativa de levantamento de rancho.

Pica Sinos
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O Serafim entendeu dizer o seguinte:
Amigo Pica
eu não tenho habilidade que tu tens em fazer historia/crónicas pois a minha vida profissional não foi estar atrás de uma secretaria, mas sim a vender copos “felizmente que era uma das melhores estabelecimentos da Europa”.
Vou ser directo no que tenho a dizer
Quanto a escassez e qualidade de alimentos,quantidade e mesmo pouca higiene penso que devias imformar-te melhor como funcionavam os reabastecimentos.
Quanto a messe de oficiais e sargentos é verdade que comiam melhor e sabes porque?
Porque muitas vezes os géneros que me mandavam não eram suficientes para fornecer o rancho geral e por isso, iam parar às messes.
Quanto em estar em linha recta,30/40 kms de Bissau era preciso ir lá ,não era fácil!
Sabias que eu comprava muitos frescos no comercio civil(só estava autorizado a faze-lo quando os preços eram iguais aos da manutenção militar).Era preciso ir no “zebro”e muitas vezes o GEBA não permitia navegar e eu estava interessado em voltar pois na altura já era casado,ok!
Quanto ao pavilhão (refeitório)devias ter-te queixado ao Hélio Felgas.Todos os dias fazíamos três refeicões, sorte a nossa, muitos tiveram rações de combate.
Quanto a qualidade dos cozinheiros devíamos te-los mandado para a escola hoteleira de Lisboa onde eu andei três anos.
Quanto ao peixe seco não era seco mas sim liofilizado(na altura era a melhor maneira de conservar o peixe).
Quanto aos pequenos almoços na tasca do Branco,se calhar havia muitos camaradas que não podiam lá ir.
Quanto ao "tá a ver capitão" informo-te que o rancho geral estava instalado no conselho administrativo,onde tinha como superiores dois atrasados mentais,o Ponces de Carvalho e o alf. Campos e só ao fim de oito meses é que passo para a companhia.

O DISPENSEIRO SERAFIM
(Curso de Administração militar tirado na Povoa de Varzim)
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o Pica esclarece o seguinte:
Amigo Serafim

Ainda bem que esclareceste o que tinhas para esclarecer.
Foi muito bom da tua parte fazeres o comentário ao meu texto.
Amigo. Tu não és culpado de nada. Nem tive qualquer intensão de te culpabilizar do que quer que fosse.
Se havia pessoal honesto no serviço tu eras um deles.
Trabalhaste e pugnaste por servir o melhor que podias tendo em conta as
dificuldades, muitos de nós, se não a totalidade, não tínhamos dúvidas quanto ao teu esforço e honestidade.
Por isso ainda hoje tens malta que te estima e respeita, e eu como sabes sou um deles.
Eu estou de acordo contigo relativamente aos atrasados mentais.
Se calhar tens aí as respostas.

Amigo
Um grande abraço
Pica Sinos
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Meus amigos
O tempo passou e não podemos esquecer que foi uma altura muito dificil para todos nós.
As recordações que aqui trazemos não são mais que isso mesmo - recordações.
Não estamos a culpabilizar ninguém como diz o Pica, e todos fizémos o melhor que pudemos e soubemos como diz o Serafim.
Na messe de sargentos também houve altos e baixos, e se num mês eramos amados porque as refeições eram boas, no mês seguinte eramos odiados porque apertávamos o cinto para compensar o "déficit" do mês anterior.
Todos nós comemos melhor ou pior, consoante o que havia para confeccionar. Não podemos criticar os que não gostavam do que comiam, nem tão pouco criticar os que gostavam.
Do que nós todos não gostávamos de certeza, era daquela vida - excepto os do quadro...
Um abraço.
Leandro Guedes

domingo, 1 de junho de 2008

Nova Sintra - quem não se lembra... (pelo Zé Justo)

aquartelamento de Nova Sintra




------Estrada de Nova Sintra

Foi o nosso Batalhão que iniciou em 1967 a construção da Estrada de Nova Sintra, onde posteriormente foi instalado o quartel da foto.
Tivemos bastantes problemas, pois toda a estrada foi rasgada em zonas controladas pelo PAIGC.
Nós construíamos de dia e eles á noite destruíam todo o trabalho realizado.
Uma das grandes dores de cabeça do BART 1914, foi o trabalho penoso da construção desta estrada.
Não interessava nada ao PAIGC o espalhar de aquartelamentos das NT, porque:
Ficávamos a controlar mais eficazmente as povoações nativas das áreas em redor.
Diminuía-lhes zonas livres operacionais, ficando cada vez mais longe e difícil atacar os nossos quartéis mais importantes.
Sendo verdade que as tabancas junto da tropa, beneficiavam de vários factores que melhoravam a sua vida: Comércio, lavadeiras, comida, cuidados de saúde, medicamentos etc.
O PAIGC via fugirem as suas áreas de influência e recrutamento de guerrilheiros.

Dois tristes episódios dos vários acontecidos durante as obras da estrada de Nova Sintra:

Num dos primeiros dias de trabalho, era perto do meio-dia quando ouvimos no quartel um forte rebentamento ! pensando ser ataque, embora estranhando, pois nunca tinham feito ataques de dia !! desenvolveram-se os movimentos de defesa habituais. No entanto não se deram mais disparos ou rebentamentos.
Contactámos o pessoal da estrada e disseram ter havido um rebentamento, mas sem consequências.
Pensou-se ter sido mina anti-pessoal accionada por algum animal no mato.
Pouco tempo depois foi-nos comunicado via rádio, que vinha a caminho de Tite a auto-metralhadora Daimler com um ferido muito grave, que tinha caído numa mina ficando sem as duas pernas.
Relatado depois pelos camaradas do local, quando ele accionou a mina, ia distanciado dos outros, e com a explosão o corpo foi projectado pelo ar, caindo no capim, ficando oculto da vista.
Foram os gemidos que alarmaram os que o socorreram.
Antes de ser evacuado no Helicóptero, vi-o na enfermaria, o local onde estariam as pernas, parecia um “croquete”, pois o capim, com a descompressão, tinha-se fixado nos coutos mutilados...horrível...demorei muitos meses para deixar de sonhar com este pesadelo...maldita guerra !!

Outro episódio macabro, também durante as obras da estrada de Nova Sintra:

O calor da Guiné - mais de 40º a maior parte do ano - tornava-se a maioria das vezes insuportável. Quebrávamos um ovo no cimento dos passeios e ficava logo como omolete. Tomávamos banho de água fria, claro, e poucos minutos depois de limpos, estávamos de novo a transpirar.
Depois do almoço, e no período de mais calor, fazia-se sempre uma pausa até recomeço de tarefas. Na obra da estrada, finda esta pausa o condutor do Unimog (ou GMC?) entrou para a viatura, arrancou, mas sentiu uma resistência estranha e um solavanco. Parou, saiu da viatura para ver se tinha sido pedra ou coisa do género a obstruir, quando horrorizado, viu um camarada deitado no chão, a sangrar imenso, e o rodado no pneu marcado na cara...tinha-lhe passado com a roda por cima da cabeça !! O pobre do nosso camarada, foi dormir um pouco para debaixo da viatura protegendo-se do sol e calor, e não acordou quando o pessoal reiniciou os trabalhos.

Já no quartel, nunca vi cenas de tanto desespero do pobre condutor. Tiraram-se todas as armas da caserna e esteve vigiado até ir para Bissau, pois sabíamos que era indivíduo capaz de se suicidar com o desespero de, embora sem culpa alguma, ter morto um camarada.

Zé Justo
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Raul Pica Sinos disse...
Sobre Nova Sintra o Cap. PP contou-me um cena muito trágica. Dizia ele que recebeu ordens do Comandante do Batalhão para enviar todos os elementos de um dado pelotão para Nova Sintra. Um desses elementos era muito nervoso e a maior parte do tempo estava na cozinha como auxiliar pedindo ao Capitão para não ir pois tinha muito medo. O PP sabia que o rapaz falava verdade e voltou a pedir ao CMDT para não o mandar na operação, pedido que foi recusado com alguma veemência. Foi a única morte das NT em Nova Sintra até parece que estava à divinhar.

sábado, 31 de maio de 2008

Dia Mundial da Criança - pelo Pica Sinos


1 DE JUNHO DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

Nunca será demais recordar que desde sempre as crianças de todo o Mundo enfrentaram e enfrentam grandes dificuldades pelo respeito dos seus direitos e a uma vida e desenvolvimento dignos.

A fome, o analfabetismo, exploração pelo trabalho motivada muitas das vezes pelos próprios pais, fruto da miséria a que estavam e estão sujeitos, a falta dos cuidados médicos, entre outros, foram desde sempre factores que perseguiram e ainda perseguem as crianças.

O Dia 1 de Junho Dia Mundial da Criança, proposto em 1950 pela Federação Democrática Internacional das Mulheres e reconhecido pelos Estados Membros das Nações Unidas, é um grito Mundial a favor das crianças que vivem em condições particularmente difíceis e a quem importa assegurar uma atenção especifica para sua protecção e desenvolvimento harmonioso com vistas à melhoria das condições de vida.
Declaração dos Direitos da Criança
ONU, 20 de Novembro de 1959
1- A criança deve ter condições para se desenvolver física, mental, moral, espiritual e socialmente, com liberdade e dignidade.
2- A criança tem direito a um nome e uma nacionalidade, desde o seu nascimento.
3- A criança tem direito à alimentação, lazer, moradia e serviços médicos adequados.
4- A criança deve crescer amparada pelos pais e sob sua responsabilidade, num ambiente de afecto e de segurança.
5- A criança prejudicada física ou mentalmente deve receber tratamento, educação e cuidados especiais.
6- A criança tem direito a educação gratuita e obrigatória, ao menos nas etapas elementares.
7- A criança, em todas as circunstâncias, deve estar entre os primeiros a receber protecção e socorro.
8- A criança deve ser protegida contra toda forma de abandono e exploração. Não deverá trabalhar antes de uma idade adequada.
9- As crianças devem ser protegidas contra prática de discriminação racial, religiosa, ou de qualquer índole.
10- A criança deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade, fraternidade e paz entre os povos.

Relembrando...pelo José Costa


Pica Sinos!

Li um texto no Blog sobre a nossa primeira baixa. Andei a pesquisar nos vários textos mas não o encontrei mas penso que foi de tua autoria. No meu arquivo encontrei uma foto deste nosso infortunado companheiro, que aqui vos envio. No meio da foto sou eu, à minha esquerda já não recordo o nome, sei que era enfermeiro/maqueiro da zona do Estoril. E à minha direita é o nosso companheiro cujo JEEP (GMC?) lhe esmagou o rosto, também não recordo o nome.
Foto tirada na Parede enquanto formavamos o Batalhão em Março/67

Um bom f.d. semana para todos
Costa

Pica Sinos vai almoçar com o Alcantara. Quem quiser e puder ir também...é só dizer


Alcantara .................................................................Pica Sinos

Grande Justo

Bom dia
Estive a conversar com o Zé Manuel Santos o (Alcântara) e ele manda um grande abraço para ti.Quem é o (Alcântara)? Penso que estás recordado deste nosso camarada! Era condutor/motorista.O moço numa noite estava no abrigo dos morteiros, que havia perto dos geradores, a jogar às cartas.Um cão saltou para o abrigo e fez entornar o candeeiro de gasóleo para cima do fósforo das granadas incendiando uma das caixas.Ao ver aquilo tudo a arder não foi de modas....... agarrou na caixa em chamas e atirou-a para fora do perímetro dos morteirosqueimando de grau muito elevado ambas as mãos .Tal gesto evitou que o paiol dos morteiros e tudo à sua volta tenha estoirado com consequências imprevisíveis sobretudo humanas.Depois de evacuado, esteve internado cerca de dois anos no Hospital em Bissau.
Vou almoçar com ele desta terça feira a oito dias e "sacar" a história para que fique registada.Ele manda-te um grande abraço.A morada electrónica dele é: jose.amaro.santos1@hotmail.comUm Bom Domingo para ti Justão, e para todos.

Pica

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Onde andará esta malta?.

José Costa, Victor Hugo e Henrique Costa, os dois ultimos não sabemos por onde andam.

Quem pode ir almoçar com o Palma e o Pica?

Meus Amigos Na próxima Terça feira, dia 3 de Junho, vou almoçar com o Palma Vai dar-me o endereço electrónico que a filha registou Alguém se quer juntar ao repasto? Algum recado? Um abração Pica Sinos ------ RECADO Um abraço para ele e que não falte ao almoço do próximo ano. Leandro Guedes

Carnaval de Torres Vedras


O Serafim enviou esta foto do Carnaval de Torres.
Já foi há tres anos, mas é sempre actual
Um abraço amigo.
Leandro Guedes

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sobre o Henrique de Peniche, pelo Pica Sinos





QUEM PASSE POR PENICHE, TERRA DO HENRIQUE, NÃO DEIXE DE COMER ARRAIA SECA OU UMA BOA CALDEIRADA
Talvez não saibam mas à época da Independência de Portugal, Peniche era uma ilha, distante cerca de quinhentos metros do continente. A acção das correntes marítimas e dos ventos, com o passar dos séculos, levou ao assoreamento do curso de água, vindo as areias a formar, progressivamente, um cordão de dunas que, consolidando-se, uniu a ilha de Peniche ao continente.
Da cidade de Peniche, que incorpora um importante porto de pesca do país, guardo desde a adolescência muito boas recordações. Foi nesta cidade que tive a minha primeira correspondente – digamos namorada por correio – que por muitas viagens que fizesse aos domingos nunca tive a oportunidade, pessoalmente, de a conhecer.
O Joaquim Henrique é natural de Peniche, em Tite já era um rapaz de trato particularmente simpático, os temas que nas conversas desenvolvíamos não eram de ocasião. Algumas delas foram sobre a minha correspondente que bem a conhecia. Na verdade e sem favor, todos por ele tinham grande estima, a reciprocidade era notória. Amigo do seu amigo, alinhava q.b. nas tertúlias que a equipa, – (Palma, Vítor, Justo, Rui (já falecido) entre outros) – desenvolvia. Ele era um homem de operações cujo posto de trabalho era num pavilhão que ladeava a parada conjuntamente com o Furriel Arrabaça e o Cap. Vicente (também já falecido).

Creio que tinha como funções, entre outras, tratar das informações que nos chegavam, quer por via das mensagens dos diversos aquartelamentos da região do Comando de Tite, quer de e para Bissau. Outras ainda por via da informação “sacada” aos prisioneiros ou fornecida por naturais, que depois de analisadas e trabalhadas tinham em vistas eventuais e futuras operações de intervenção em teatro de guerra.

Uma das “passagens” com o Henrique que ainda hoje guardo na memória foi a cena que deu um almoço (entre muitos) de fazer inveja ao “Tavares Rico”. Parece que foi hoje oh Henrique. Tu com um embrulho de papel grosso, meio aberto e, com um ar muito feliz, mostras-me um bom pedaço de arraia seca que de Peniche alguém te tinha mandado, dizendo: Oh Pica podes cozinhar isto? É arraia seca, coze-se como o bacalhau, é um petisco muito bom! É pôr de molho umas horas, acompanha com batatas cozidas!

Confesso que fiquei um pouco interrogado. Eu nunca tinha comido aquele peixe achatado, em forma de losango, cor de castanho velho e muito menos seco. Peixe seco em Tite havia muito, era rara a tabanca que não tivesse um estendal de peixe escalado a secar servindo de pasto a muitas moscas. Bem…. mas se o Henriques dizia que era um bom petisco e a fome apertava não me fiz rogado; fui pela calada da noite ao “quintal” do Major Ponces de Carvalho (2º Comandante do Batalhão) e vai de “vunva” roubei umas couves, as batatas vieram da cozinha do quartel.

No dia repasto de tal iguaria, regada com azeite, de marca Oliva, que eu guardava para “cerimónias” deste tipo, acompanhada com vinho tinto da tasca do branco, foi de lamber os beiços e de lavar os pratos com o pão - Acreditem que das vezes que comi arraia seca já em minha casa comprada em supermercados nunca me soube tão bem como em Tite – Bem lhe pedimos que fizesse um “choradinho” por mais arraia seca a quem em boa hora o presenteou com tal “bicharouco”, mas o Henriques, educado como sempre fôra dizia com aquele sotaque próprio de Peniche …. Oh pá não pode ser assim… Então agora vou pedir mais peixe à senhora???!!!!

Bom…. Se é certo que em Tite não pôde ser, pode ser em Peniche. O pessoal que por Peniche passe, o Henriques decerto não deixará de comer uma sardinhada, uma caldeirada ou arraia seca no dia que se combinar. A mim já me convidou!

Pica Sinos
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fotos -
- a vista é de Peniche.
- na foto de baixo, o Henrique é o terceiro a contar da direita, entre o Guedes e o saudoso Rui Cautela.
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biabisa disse...
Obrigada pela história que contou sobre Peniche. Adoro essa terra. Ainda na 2ª feira passada lá estive. Fui à lota ver lindo e grande peixe, fui ao Cabo Carvoeiro, desci à varanda de Pilatos onde tirei fotos (ver blogue), fui ao Santuário dos Remédios, fui ver as rendilheiras de bilros e jantei uma salada de polvo fresquíssima e muito saborosa. Diga ao Henrique que é dono de uma terra muito bela.

Monteiro, manda fotos


Aguardamos que o Monteiro mande um texto.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Quem me ajuda?


Nesta foto do meu lado direito está o Ezequiel, será?., e ao lado dele o Porto, já falecido.

Dos outros, peço desculpa, mas não me lembro dos nomes.

Quem me ajuda?

Rui Cautela, já não está entre nós

Segundo informação do Pica Sinos, o Rui Cautela já faleceu.
A nossa homenagem ao Rui.
Que descanse em paz!.

Por onde andará esta malta?

Da esquerda para a direita:
* Carlos, Reguila, que me disseram que mora na Adémia, perto de Coimbra
* Marinho, cabo dos reab, morava em Lisboa, que chegou a trabalhar na EDP antiga (CRGE salvo erro)
* Sousa, furriel (que já veio a um almoço) e que mora para os lados do Cartaxo

Quem os encontra?. Um abraço
Leandro Guedes
Posted by Picasa

Zé Manuel (Alcantara)


Aqui está o Zé Manuel, o Contige e o Sargento Araujo, entre outros

Zé Manel estamos à espera dum texto teu, pequeno ou grande como quiseres....
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Amigo Guedes
Aqui vai um conjunto de fotos que me enviou o zé manel (Alcantara). Vê lá se consegues identificar a malta.Uma é o Botas com o José ManuelUma outra é o José Manuel, o Contige e ainda o "Azeitão" com um grande tabuleiro pela frente o resto da malta nãome lembro dos nomes.N a 3ª foto não consigo também identificar o Alferes.A morada electronica de José Manuel é: jose.amaro.santos1@hotmail.com

Palma, encontrado pelo Pica Sinos

Nesta foto está o Pica do lado esquerdo, o Justo à direita e o Palma no meio com uma caneca na mão... tinha que ser, ou uma caneca ou um yogurte...
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MALTA ENCONTREI O PALMA.

DEI A MORADA DO NOSSO BLOGBART1914

ELE VAI PEDIR À FILHA QUE CRIE UMA MORADA ELECTRÓNICA PARA ELE QUE NÃO TEM.

MANDA UM ABRAÇO AO PESSOAL

LOGO JÁ VAI VER O QUE ESCREVEMOS

FICOU MUITO ENTUSIASMADO

NÃO DEIXARÁ DE CONTACTAR EM BREVE O PESSOAL

NÃO RECEBEU O CONVITE PARA SALIR DO PORTO

QUER, UM DIA DESTES ALMOÇAR COM A MALTA DE MAIS PERTO

CÁ VAI O TELEMÓVEL DELE 961308043

PICA SINOS
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Já por várias vezes encontrei o Palma, na zona de Torres Vedras. A ultima delas foi no recentemente inaugurado shoping Arena, mas antes da criação do blog.
Ainda bem que o encontraste Pica Sinos.
Um abraço para os dois.
Leandro Guedes

Amador e as suas fotos




Belas fotos as do Amador.
Estamos à espera que escreva qualquer coisa.
Um abraço
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José Costa disse...
Oh Amador!! Vê-se logo que eras de outra arma!! Pois a pegar nessa bazuca assim, não tinhas hipótese de sobreviver!

domingo, 25 de maio de 2008

Vamos à procura dos que ainda não apareceram...

Vamos todos tentar encontrar aqueles camaradas e amigos que nunca mais apareceram após o nosso desembarque em Março de 1969. Meus amigos Nas minhas ruminações sobre o nosso ultimo almoço, dou comigo a pensar porque não terão aparecido vários amigos: - Cabito, pequenino dos lados de Almada - Sousa furriel, do Cartaxo - Palma, não consegui encontrá-lo, trabalha nos yogurtes em Lisboa - Marinho, que era cabo e trabalhava comigo nos reab e que nunca veio aos almoços, também de Lisboa. - Ferreira, furriel, de Lisboa - Rodrigues, alferes - Aquele rapaz do pelotão de morteiros que ficou sem a mão e que veio ao ultimo almoço, que é de Lamego e que também já organizou um óptimo almoço na sua terra natal - Carlos, alcunha do reguila, que salvo erro era cabo e alguém me disse que trabalha na Adémia, perto de Coimbra onde tem uma pequena oficina não sei se mecanica ou de serralharia. Já tentei mas não o encontro. E tantos outros. Temos que ir fazendo esforços, mais que aqueles que temos feito até agora e cujo trabalho vosso tem sido louvavel neste campo. Há 19 anos atrás, quando fiz o primeiro almoço na Areia Branca, foi uma tarefa árdua encontrar os poucos que encontrei. Telefonei para Juntas de Freguesia, Caixa de Previdencia, Quarteis de tropa, CTT´s, empresas várias, esquadras de Policia, Finanças, eu sei lá mais o quê, mas valeu a pena porque a semente deu frutos, e que frutos. Cada vez que um de nós é encontrado é uma alegria. Parece impossivel como é que pessoas que estiveram umas com as outras apenas 2 anos da sua vida, cimentaram uma amizade tão grande. Vamos em frente amigos.Um abraço Leandro Guedes ------ do Pica Sinos: Guedes Ainda na procura dos faltosos.O Monteiro fez uma listas dos presentes aoalmoço em Salir do Porto, lista essa que serviupara dar "baixa" dos respectivos pagamentos das famílias e individuais.Penso que é possível fazer o balanço e servir de incentivo aqueles que não estiveram presentes.Também de uma forma ou outra os amigos que pertenciam à mesma especialidade ou funçõesdecerto sabem onde se encontram os camaradas com quem trabalharam. Fazer a esses também oapelo para os encontrar.Fala com o Costa para ver o que ele pensa disto Pica Sinos

D. Georgina, minha Mãe - do Pica Sinos...


D.Georgina, Mãe do Pica Sinos....................................... o grupo de Transmissões
O EXCESSO DE ROUPA VALEU MUITAS VEZES PARA MATAR A FOME

Aquelas curtas férias de 10 dias que me foram concedidas antes do meu embarque para a Guiné-Bissau, foram dias de tormentos e de desânimo para a família mais directa sobretudo para a minha querida mãe Georgina.

Rapazola, o meu estado de espírito não era de despreocupação, mas na verdade, não tinha bem a noção do que me esperava ou o que me poderia vir a acontecer.

D. Georgina, com 60 anos de idade, apesar de analfabeta, não tinha duvidas, sabia o que era um povo revoltado, tinha a experiência das revoluções passadas, a fome e miséria, a repressão, cerceamento das liberdades anos e anos sujeitada. As privações durante e resultantes da 2ª Guerra Mundial. D. Georgina, tinha a certeza que as coisas em África não eram, nem se passavam como o Governo dizia, eram muito graves. O seu querido filho, por quem tantos sacrifícios passara para que nada lhe faltasse, ia para a guerra. A dor era muito grande.
Eu tudo fazia para a alegrar, recordo a “engraçada” discussão que tive quando arrumávamos a roupa nas malas que iriam fazer parte da minha bagagem para a Guiné……Eu só queria levar os fardamentos que me foram distribuídos, mais um ou dois pares de calças duas camisas meio dúzia de cuecas, meias obviamente e o par de sapatos mais novo.

A esta indumentária, D. Georgina, juntou quatro ou cinco camisolas interiores de espesso pêlo interior, camisas todas as que tinha, dois pares de calças, um casaco de malha e dois ou três “puloveres” também faziam parte do carregamento que me foi imposto. Eu ria-me. Não foi o fato não sei porquê mas também esteve na lista. Mãe…….não vou para o Alasca, dizia eu, mas qual quê, acenava com a cabeça em jeito de reprovação porque a garganta estava embargada do chorar. Não tive outro remédio se não aceder.

Quando voltei tive a oportunidade de lhe dizer “mãe tinhas razão”, foi todo esse excesso de roupa que valeu para muitas vezes matar a fome. Com o nativo que atendia ao balcão na tasca do branco Silva, troquei, sem que o Silva topasse, e também da produção do galinheiro da sua tabanca em Nã, muitos “nhecos” (galinhas pequenas) e outros animais domésticos até ao dia em que a roupa se esgotou.

Até amanhã Mãe……. Descansa em paz.

Pica Sinos

sábado, 24 de maio de 2008

Viana do Castelo, pelo Pica Sinos
















SE POR LÁ FOREM NÃO SE ESQUEÇAM DE CUMPRIMENTAR O CAVALEIRO


A linda Cidade de Viana do Castelo, onde nos arredores reside o António Cavaleiro, começou no Monte de Santa Luzia, onde existe uma igreja. Não longe encontra-se a Pousada de Santa Luzia.
Em 1258, D. Afonso III outorga o Foral a Viana da Foz do Lima, adivinhando no documento a vocação marítima da terra e das suas gentes. No reinado de D. Fernando I, 116 anos mais tarde, é concluída a muralha da Vila, na altura com quatro portas: Porta de S. Pedro, Porta da Ribeira, Porta do Postigo e Porta de Santiago. Já no século XVI, foi aberta a Porta da Vitória. A Praça da República com o antigo Hospital da Misericórdia, a igreja com azulejos e talha dourada e uma bela fonte ao centro da Praça, entre outros edifícios, são monumentos também edificados nesta época. A parte antiga da cidade foi edificada com vielas e ruas estreitas que nos dias de hoje estão apenas reservadas a peões.
Mas o António Cavaleiro, Furriel de transmissões, nos serões que passámos em Tite, quando ao partilhar comigo e com o Justo tanto as alegrias como tristezas, era raro o dia que não falava do seu amor em Viana e de Viana. Este homem, sem favor, de carácter, educação e respeito pelo próximo muito elevados, dizia que a beleza da sua terra não ficava só pelos edifícios históricos onde é muito rica.
“Quem for a Viana e não contemplar o internacional rio Lima que nasce a uma altitude de 975 m no monte Talariño, em Espanha e, a foz que desagua no Oceano Atlântico que banha a minha cidade, perde uma das mais belas vistas de Portugal”, vaidoso asseverava.
Eu já em miúdo por acompanhar minha mãe, tive a oportunidade de conhecer Viana do Castelo, as minhas actividades sindicais também proporcionaram várias visitas que geralmente por lá ficava de um dia para outro. Da ponte há 121 anos projectada pelo famoso arquitecto Eiffel, nas noites, seguindo o conselho deste meu grande amigo, não me deitava sem contemplar a beleza rio Lima.
Nas actividades económicas, Viana, sempre viveu daquelas que estão ligadas ao mar, principalmente da pesca e da construção naval e ainda hoje os estaleiros de Viana do Castelo são dos mais importantes de Portugal. O vinho produzido nesta região é o vinho verde, branco ou tinto são um espectáculo.
De grande significado turístico, no mês de Agosto são: «Festas de Nossa Senhora da Agonia». Procissões, festivais de folclore, desfiles etnográficos, touradas, festivais de fogo de artifício,... São algumas das manifestações que podemos encontrar. As ruas são decoradas e a estátua da Virgem é carregada para a igreja da Senhora da Agonia. Este ano pugna decerto pela diferença pois o município comemora 750 anos.
Há já agora quando por lá forem não se esqueçam de cumprimentar o Cavaleiro e vão verificar que não se arrependem.
Pica Sinos
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Amigo Guedes

O José Manuel (Alcântara) ainda não domina muito bem esta coisa
da informática e mandou para mim um comentário - está
mais abaixo - sobre o texto de Viana do Castelo que te peço que o colocasses
no sitio devido.
As fotos vou trabalha-las e depois envio lá mais para a frente, talvez
amanha à noite.

Um Abraço Amigo

Pica
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Pica, sobre o tema conheço muito bem já que minha familia era de lá o meu avô era de (Perre) a minha avó da (Meadela) e minha mãe nasceu em (Santa Marta de Portuzêlo) soponho que ainda lá tenho familia, mas não vou la á mais de 15 anos, sobre o vinho esqueceste ,o morangueiro ou o americano, mas o cavaleiro deve de conhecer, sobre as fotos a do brinde tenho a ladear , Contige e me parece o Botas , o furriel não me lembro nome, ao centro o "Azeitão", na foto do com o tabuleiro o que está de pe é o André, é malta dos daymler.O André o "Chapa" sabe onde mora , vou tentar o contacto. Um abraço
José Manuel (Alcantara)
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nota- As fotos que o Alcantara refere, estão mais acima no artigo do Zé Manuel (Alcantara).
Um abraço.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Maturidade Sénior em Torres Vedras

Meus amigos
Como nem só de tropa vive a malta, aqui vai o endereço dum blog inciado há uma semana pelo nosso prof. Sr. Carlos Silva (notyet), e que visa congregar as experiencias e saberes de todos os alunos da Universidade da Terceira Idade de Torres Vedras, da qual com muito gosto faço parte. http://actividadesenior.blogspot.com

Para que saibam frequento aulas de flauta/musica, inglês, ciências, informática, internet, português. E já frequentei também aulas de xadrez dadas pelo mesmo prof. Ensaiamos também com ele aulas de bridge que não pegaram, bem como aulas de espanhol que abandonei (porque sabia demais...rs). Mas existem outras aulas de pintura, italiano, francês, Coro vocal, Tuna da Universidade, Saúde, Ceramica, e mais, muitas mais que nem me lembro...
São planeadas várias visitas de estudo durante o ano. Neste momento, de 21 a 24 de Maio está um grupo em visita a várias cidades da Itália, com a respectiva professora.
Há uma semana atrás fizemos uma agradavel visita à barragem do Castelo do Bode.
Há pouco tempo também, fizemos uma visita à Adega Cooperativa de São Mamede da Ventosa e outra à Estação Vinicola Nacional em Dois Portos, ambas perto de Torres Vedras.
Breve vai ser feita uma viagem chamada "Rota de Junot", ligada com as Linhas de Torres.
Como vêm o menu é aliciante...
Além do convivio entre malta dos 55 para cima. É muito agradavel.
Se quiserem frequentar é só inscreverem-se.
Um abraço
Leandro Guedes
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disse...
Ói Doutor Guedes...tanta sapiência e gosto em saber mais!!É bom que ainda existam muitas pessoas que não passam o seu tempo em frente ao televisor, a pasmarem-se com as novelas brasileiras e os futebois, podendo e sabendo aproveitar o tempo a aumentar o que já sabem."A cultura é tudo aquilo com que ficamos, depois de esquecermos tudo o que aprendemos"Pós interromper a minha carreira profissional, já reabilitado, com muito tempo livre e sem ocupação visivel, pensei sériamente em me matricular numa dessas Universidades.Entretando, como que por acaso, recomecei o interesse pelo modelismo, e deixei de ter "tempos livres" e passei a gastar uma pipa de massa!!Divido as minhas horas pelos "pópós e aérióplanos", os Blog's, alguns grafismos para as aulas de minha filha, a cozinha, as muitas leituras...e dormir, que para mim é um dom maior.Sobre cozinha, não sei se gostas dos tachos, mas um dia destes vou dar ao pessoal uma receita de bacalhau que já era da minha avó, e que é de cair.Dizem que dormir é "morrer um pouco" pois eu não me ralo nada com isso...gosto mais da minha caminha que da minha família toda...hi...hi...ái se elas lerem isto !! Aprecio imenso reportagens, como já vi algumas, sobre o esforço e gosto das pessoas com a "idade do saber" pelas novas tecnologias.Aliás, tu e as tuas amigas e creio que colegas de Universidade; Alcinda e Biabisa, são um bom exemplo disso.Teem ambas uns Blogs de eleição, com muito bom gosto.Continua rapaz.Para ti a mesma receita que dei ao Pica...porta-te mal e come bem, porque as coisas boas da vida, ou são pecado ou fazem mal !!Um abraço académico

Zé Justo

Contadores de agua, luz e gás - um alerta do Pica Sinos


FINALMENTE

Aluguer de contadores de água, luz e gás acaba no próximo mês de Maio

Os consumidores vão deixar de pagar os alugueres de contadores de água, luz ou gás a partir de 26 de Maio próximo. Nesta data entra também em vigor a proibição de cobrança bimestral ou trimestral destes serviços, segundo um diploma que foi ontem publicado na edição do Diário da República. A factura de todos aqueles serviços públicos vai ser obrigatoriamente enviada mensalmente, evitando o acumular de dois ou três meses de facturação, indica a Lei 12/2008, ontem publicada no boletim oficial e que altera um diploma de 1996 sobre os 'serviços públicos essenciais'. A nova legislação passa a considerar o telefone fixo também como um serviço essencial e inclui igualmente nesta figura as comunicações móveis e via Internet, além do gás natural, serviços postais, gestão do lixo doméstico e recolha e tratamento dos esgotos. O diploma põe fim à cobrança pelo aluguer dos contadores feita pelas empresas que fazem o abastecimento de água, gás e electricidade. Também o prazo para a suspensão do fornecimento destes serviços, por falta de pagamento, passa a ser de dez dias após esse incumprimento , mais dois dias do que estava previsto no actual regime. Outra mudança importante é o facto de o diploma abranger igualmente os prestadores privados daqueles serviços, classificando-os como serviço público, independentemente da natureza jurídica da entidade que o presta. Numa reacção à publicação do diploma em causa, 'a Deco congratula-se com estas alterações, há muito reivindicadas', afirmou à agência Lusa Luís Pisco, jurista da associação de defesa do consumidor. O diploma ontem publicado, para entrar em vigor a 26 de Maio, proíbe também a cobrança aos utentes de qualquer valor pela amortização ou inspecção periódica dos contadores, ou de 'qualquer outra taxa de efeito equivalente'.
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disse...
Pois meu caro Raul, a tua intenção é de louvar, obrigado pela informação, só que as autarquias estão a elaborar uma taxa chamada de "disponibilidade" que vai compensar PARA CIMA a quebra das receitas dos alugueres.Agora pergunto...se calhar até foi tudo preparado para exactamente as Autarquias embolsarem mais uns milhõesitos...sabem...é que a vida custa a todos, até aos Autarcas !!Um abraço e prepara-te para mais uma vez "encostares a barriga ao balcão".Paga Zé !!

Leandro Guedes - galeria de fotos



Vira Pipas - galeria de fotos


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Pintassilgo - galeria de fotos



Justo, Pica e Cavaleiro - galeria de fotos


Raul Pica Sinos disse...
Vou aceitar a sugestão do Guedes que me parece muito correcta. Cá vai:
Quando fui para a tropa trabalhava na Robbialac. Depois entrei nos quadro do Pão de Açucar como Encarregado e quando saí para me reformar de tudo tinha a categoria profissional de Chefe de Sector não Alimentar. No entretanto estive requisitado a tempo inteiro mais de 20 anos (disse mais 20) ao CESP (Sindicato do Comércio e Escritórios), Ou seja cerca de um terço da minha vida foi dada à causa dos trabalhadores. Estou muito orgulhoso disso.