sábado, 10 de janeiro de 2026

Memórias de uma guerra... CCAÇ 2314

 Memórias de uma guerra…

A BORDO DO NAVIO UÍGE - GUINÉ

10 de janeiro de 1968, pleno Atlântico, o navio Uíge navegava em águas agitadas, rumo a Bissau, Província da Guiné.

Hora de almoço, aos oficiais da CCaç 2314, foi destinada a mesa do comissário de bordo, oficial responsável pela gestão financeira e pela supervisão da administração e abastecimento do serviço de passageiros e tripulantes do navio, por isso, uma personalidade importante. Vestido de branco, com um ar senhorial, muito educado e bem falante, atencioso e, desde logo, pronto para esclarecer o que era a vida de um navio que transportava militares para a guerra.

Para começar a viagem, nada melhor que fazer parte desta mesa e foi assim até ancorar no rio Geba, com a cidade de Bissau à vista.

À hora do jantar fiquei enjoado com os “balanços” do navio que, segundo ele, não eram muito fortes. Senão eram, como seriam com o mar revolto. Tive que ir para o camarote que, segundo a opinião dele, era o desejável.

Amparado pelo Alferes Pio, cabeça à roda e mal disposto, lá cheguei ao destino e deitei-me na esperança que o enjoo não fosse de grande duração.

Mal me tinha deitado, bateram à porta e surgiu um “homem vestido de branco” com uma bandeja na mão, dizendo: “o Senhor Comissário mandou este chá e torradas que lhe irão fazer bem”. E fizeram, passado algum tempo estava como novo, mas o navio também já não balouçava nada.

Foi neste dia que ficamos a saber que o nosso destino na Guiné era o aquartelamento de Jabadá com o treino operacional em Tite, durante o mês de Janeiro.

10 de janeiro de 2026.

JT





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